O Anfiteatro de El Jem (historicamente conhecido como o Coliseu de Thysdrus) é o maior coliseu romano do continente africano e o terceiro maior do mundo. Localizado na atual Tunísia, este monumento destaca-se internacionalmente por estar em um estado de conservação superior ao do próprio Coliseu de Roma, servindo como o testemunho máximo da grandiosidade do Império Romano no Norte de África.
Este antigo centro de entretenimento é uma das ruínas romanas mais bem preservadas de África. Construído no século III d.C., quando a cidade era conhecida comoThysdrus, o Anfiteatro de El Jem tinha capacidade para 35.000 espetadores, o que o tornava um dos maiores anfiteatros do império, apesar da sua localização remota. Erguido entre os anos 230 e 238 d.C. por ordem do oficial Gordiano, o coliseu foi financiado graças à enorme prosperidade de Thysdrus, que era um pólo comercial estratégico e um dos maiores produtores de azeite do império.
Depois de o público ter perdido o gosto pelas batalhas de gladiadores, a estrutura foi reaproveitada ao longo dos séculos, como fortaleza, complexo de apartamentos, celeiro, entre outros, antes de se tornar Património Mundial da UNESCO em 1979. Apesar da sua antiguidade, o chão da arena ainda está preservado e os visitantes podem percorrê-lo, tendo uma ideia de como deve ter sido para os antigos artistas. Devido ao seu excelente estado, serviu de cenário e forte inspiração para grandes produções cinematográficas de Hollywood, como o icónico filme Gladiador (2000).
A antigaBiblioteca Khizanat al-Qarawiyyin, localizada na antiga Medina de Fez em Marrocos, é considerada a instituição de ensino e biblioteca em funcionamento contínuo mais antiga do mundo, abrigando manuscritos que datam do século IX. Fundada em 859, guarda manuscritos com mais de 12 séculos. A biblioteca Qarawiyyin faz parte de um complexo educativo criado no ano 859 d. C. por Fátima al-Fihri, uma culta e endinheirada mulher que herdou uma grande fortuna do seu pai, Muhammad Al-Fihri, um rico mercador.
Contudo, em 1349 o sultão Abū Ya‘qūb construiu as suas instalações na parte oriental do pátio interior da mesquita. Os fundos da biblioteca foram sendo enriquecidos com livros que, desde a sua fundação no século IX, estavam à guarda da mesquita, tal como era hábito na cultura muçulmana.
O seu valioso espólio inclui mais de quatro mil manuscritos raros e 20.000 volumes, destacando-se uma cópia do Alcorão do século IX escrita em pele de camelo, além de textos históricos originais de Averróis e Ibn Jaldun.
Embora localizada no Norte de África, está intimamente ligada à herança do Médio Oriente.
Em 2012, o Ministério da Cultura marroquino abraçou a ideia de restaurar a biblioteca para poder reabri-la ao público, porque as instalações estavam degradadas e a precisar de cuidados.
Ouça o cantor Eddy Grant em Gimme Hope Jo'anna(1988).
Gimme Hope Jo'annaé uma canção britânica antiapartheid escrita e lançada originalmente pelo cantor, compositor e multi-instrumentista guianês-britânico Eddy Grant em 1988, durante a era do apartheid na África do Sul. A canção foi proibida pelo governo sul-africano quando foi lançada, mas mesmo assim foi amplamente tocada lá. Alcançou o 7º lugar na top de singles do Reino Unido, tornando-se o primeiro sucesso de Grant no top 10 britânico em cinco anos.
Um Endereço Impossível (An Impossible Address) é um filme do artista e cineasta Suneil Sanzgiri.
O filme está inserido noINDIE Lisboa 2026, e será exibido nos dias 3 (com a presença do realizador) e 10 de maio de 2026.
A obra de Suneil Sanzgirifoi moldada por uma investigação contínua sobre as histórias da luta anti-imperialista e anticolonial no Sul Global — enraizada na sua própria genealogia familiar de resistência em Goa sob a ocupação portuguesa.
Um Endereço Impossível baseia-se no extenso trabalho de Sanzgiri com o afro-asiático, a Conferência de Bandung de 1955 e as redes transcontinentais de resistência que ligaram a Índia e Angola, nas lutas pela liberdade do domínio português.
Sinopse: Um Endereço Impossível é concebido como uma carta que não pode ser entregue - apropriando-se de sons e imagens que irrompem da memória histórica.
Fonte: Indie Lisboa
Ele escreve uma carta impossível para Sita Valles, uma médica angolana de ascendência goesa que, após o 25 de abril, deixou Lisboa para se juntar ao MPLA. Um filme que se desenrola através de técnicas cinematográficas variáveis e se apoia numa estética mutável, numa tentativa de compreender o verdadeiro significado da luta.
Esta nova obra de Sanzgiri traça o legado conturbado de Sita Valles — uma revolucionária de origem goesa que lutou pela libertação de Angola, tendo sido mais tarde assassinada pelo Estado angolano. Os seus restos mortais nunca fora encontrados. Lidando visual, sonora e narrativamente com a dificuldade de questionar a história esquiva de Sita a partir da perspectiva de um presente silencioso, o filme de Sanzgiri confronta as contradições da solidariedade e as consequências do trauma coletivo para além da morte. O realizador revela profundas conexões entre lutas que, embora aparentemente desconectadas, ressoam na mesma frequência de resistência.
Seguindo os passos da revolucionária Sita Valles, através de uma abordagem visual imersiva, onde filmes de 16mm são literalmente enterrados e recuperados da terra, o filme funciona como uma escavação arqueológica e narrativa.
Instalados ao redor da tela do filme,Sanzgiri, apresenta fragmentos de tecido de musselina, enterrados e desenterrados, que apodreceram em grandes pilhas de compostagem durante um mês, juntamente com composições de imagens de arquivo vistas no filme, que foram borradas, criando uma tensão entre a ilegibilidade e a opacidade da memória histórica.
Paralelamente ao filme principal, a obra desconstrói a arquitetura da performance oficial em poéticas informais, através de impressões de imagens e têxteis selecionados, que fazem alusão aos nove atos distintos do filme.
Explorando as lacunas e falhas dos arquivos, Um Endereço Impossível investiga o poder da herança coletiva.
O Lado Negro do Chocolate (2010) é um documentário premiado do jornalista, realizador e produtor dinamarquês Miki Mistrati(1968).
Este cineasta decidiu investigar o que existe por trás do doce mais amado do mundo: o chocolate.
O chocolate que consumimos é produzido com o uso de trabalho infantil e tráfico de crianças?
Miki Mistrati decidiu investigar informações relacionadas com o trabalho escravo infantil em plantações de cacau. A busca de respostas para estes boatos levou-o até ao Mali, na África Ocidental, onde câmaras ocultas revelam o tráfico de crianças para as plantações de cacau da vizinha Costa do Marfim.
Quando questionadas sobre os factos, empresas beneficiadas com esta situação tais como a Nestlé, a Mars e a Kargill, entre outras, recusaram-se a dar qualquer explicação.
A Costa do Marfim é o maior produtor de cacau, respondendo por cerca de 40% da produção mundial. Empresas como a Nestlé, a Barry Callebaut e a Mars assinaram em 2001 o Protocolo do Cacau, comprometendo-se a erradicar totalmente o trabalho infantil no sector, até 2008.
O Protocolo Harkin-Engel, frequentemente referido como o "Protocolo do Cacau", é um acordo internacional assinado em 2001 com o objetivo de eliminar as piores formas de trabalho infantil e o trabalho forçado na produção de cacau, principalmente na África Ocidental, de onde provém mais de 60% do cacau mundial.
Será que o seu chocolate tem um sabor amargo? Acompanhe Miki até à África vendo "O Lado Negro do Chocolate".
Depois de ver este documentário, nunca mais comerá chocolate da mesma maneira despreocupada.
Neste Natal ofereça livros. Aqui fica uma sugestão.
Retornados - E a vida nunca mais foi a mesma é um livro de Marta Martins Silva.
Sinopse: Com o 25 de Abril, mais de seiscentos mil portugueses abandonaram África - para muitos a única casa que até então tinham conhecido - e chegaram a um Portugal que os ostracizou, perpetuando uma sensação de abandono a quem partiu de mãos vazias.
Neste livro, Marta Martins Silva dá voz a vinte e uma histórias, relatos impressionantes, que se cruzam com a análise histórica, política e social da época sobre a qual se edificou o Portugal contemporâneo. Nestes testemunhos, cabem dias repletos de amor, dor, luta e desespero - sentimentos que parecem unir a vida no antes e no depois do retorno -, mas também de resiliência e superação.
Permitindo ao leitor recuar no tempo e ficar a conhecer, através de quem lá esteve, um momento fundamental da História de Portugal, este livro assume-se como um importante exercício de preservação da memória coletiva. Honrando a verdade da História e de todas as histórias que se construíram num período em que muitos foram esquecidos e injustiçados, quase cinquenta anos depois recordam-se vidas que, após o regresso, nunca mais foram as mesmas.
A Costa dos Murmúrios é um livro da escritora portuguesa Lídia Jorge que foi distinguida ontem com o Prémio Pessoa 2025.
A Costa dos Murmúrios, publicado em 1988, é o mais famoso romance de Lídia Jorge, tanto em Portugal como no estrangeiro.
A obra é produto da experiência que a autora viveu em África e, particularmente, dos seus três anos em Moçambique, imediatamente antes da queda do regime de ditadura em 1974.
Sinopse: Romance de um império de ocupação de costa, nada é atenuado ou escamoteado neste livro. Enredo e personagens arrastam consigo o significado caótico de um universo desregulado, onde o risco permanente torna os protagonistas dependentes em extremo de fortuitas coincidências.
O romance reflete a época da luta colonial segundo as recordações da autora, mas o fio condutor da trama é a traumática história de amor de Eva Lopo e Luís Alex, combatente ao serviço do projecto imperial salazarista. O romance abre com um conto relatado na terceira pessoa sobre o casamento de Eva e Luís. Mas, seguidamente, é Eva que assume a voz da narração e evoca os últimos vinte anos de vertiginosas transformações.
Vejo-as neste retrato amarelado: Como estranhas flores desabrochadas Negras, no ar, soltas, as quindumbas. Panos garridos nobremente postos E a posição hierática dos corpos. São três sobre as esteiras assentadas Numa longínqua tarde de festejo. (Tinha ancorado barco lá no rio? Havia bom negócio com o gentio? Celebrava-se a santa milagrosa Tosca, tornada cúmplice de pragas Carregada de ofertas, da capela?) E, a seu lado, sentados em cadeiras, Três homens de chapéu, colete e laço. Botinas altas, calças de cheviote.
Donas do tempo antigo, que perguntas Poderia fazer aos vossos olhos Abertos para o obturador da fotográfica? Senhoras de moleques e discípulas Promotoras de negócios e quitandas Rendilheiras de jinjiquita e lavarindo Donas que percebíeis a unidade Íntima, obscura, do mistério e do desígnio Atentas ao acaso que é a vida (Há sopros maus no vento! Gritos maus No rio, na noite, no arvoredo!) E que, porque sabíeis que vida é larga e vária E vários e largos os caminhos possíveis A nova fé vos destes, confiantes.
O Uganda, é um país sem ligação ao mar situado no leste da África. O Uganda é o segundo país sem litoral mais populoso do continente africano. Faz fronteira a leste com o Quénia, a norte com o Sudãodo Sul, a oeste com a República Democrática do Congo, a sudoeste com o Ruanda e a sul com a Tanzânia. A parte sul do país inclui uma parcela substancial do Lago Vitória, compartilhado com o Quénia e a Tanzânia, situando o país na região dos Grandes Lagos Africanos. Também é o principal refúgio do gorila-das-montanhas. O Uganda encontra-se dentro da bacia do Nilo. Tem um clima variado, mas geralmente, um clima tropical húmido. O território do país está, assim, coberto por savanas e selvas equatoriais de altitude, devido à sua localização numa região de planaltos e montanhas. O Uganda está dividido em duas regiões de montanhas entre os ramos ocidental e oriental do Vale do Rifte. Possui, também, uma rede hidrográfica com grande número de rios e lagos.
O nome Uganda deriva do reino do Buganda, que ainda hoje é considerado administrativamente como uma entidade semiautónoma, compreendendo toda a região central do país, incluindo a capital, Campala. Os túmulos dos Reis do Bugandaem Kasubi (uma colina em Campala) são considerados património da humanidade.
A partir de 1800 toda aquela área foi governada como uma colónia pelos britânicos, que estabeleceram o direito administrativo em todo o território. O Uganda obteve a independência do Reino Unido em 9 de outubro de 1962. Desde então, o país tem vivido conflitos intermitentes. Mais recentemente, viveu uma longa guerra civil contra o Exército de Resistência do Senhor, que resultou em milhares de vítimas e deslocou mais de um milhão de pessoas.
As línguas oficiais do Ugandasão o inglês e o suaíli. O luganda, uma língua bantu, é falada em boa parte do país, principalmente na região de Buganda. O atual presidente de Uganda é Yoweri Kaguta Museveni, que chegou ao poder através de um golpe estado em 1986, mas, foi democraticamente eleito em 1996, quando concorreu contra Paul Ssemogere, líder do Partido Democrático.
Conheça um pouco mais deste país africano, através dos vídeos abaixo e dos links acima, onde é muito incomum um homem ter apenas uma esposa!
As Colunas de Hércules são promontórios que existem no estreito de Gibraltar. Um situa-se na África (Monte Hacho ou Monte Muça) e outro na Europa (Monte Calpe ou rochedo de Gibraltar).
Este nome provém da mitologia grega. Esta conta que Hércules, para realizar o décimo dos seus doze trabalhos, teria tido necessidade de transpor um estreito marítimo. Dispondo de pouco tempo, resolveu abrir caminho com os ombros, ligando assim o mar Mediterrâneo ao oceano Atlântico.
De um lado, ficou um grande rochedo, mais tarde chamado Gibraltar (Monte Calpe) e do outro lado o Monte Hacho ou o Monte Muça (Abília ou Ábila). O primeiro situado em Ceuta e o segundo a alguns quilómetros para oeste, em Marrocos. Os dois montes depois de separados passaram a chamar-se "Colunas de Hércules", ou "Pilares de Hércules".
Com apenas 14 km de largura no seu ponto mais estreito, liga o oceano Atlântico ao mar Mediterrâneo, separando a Europa (Espanha) da África (Marrocos). Pela sua posição estratégica, é uma das rotas de navegação mais movimentadas do mundo, e essencial para o comércio global.
O estreito é uma fossa importante, com uma média de 365 metros de profundidade no arco formado pela cordilheira do Atlas do Norte da África e o alto planalto da Espanha. O estreito de Gibraltar é assim o resultado da separação das placas tectónicas: Euroasiática e a Africana.
Mas, o Estreito de Gibraltar também tem um valor simbólico e lendário porque na Antiguidade, os gregos e romanos acreditavam que ali ficavam as Colunas de Hércules. Para os antigos, essas colunas representavam o fim do mundo conhecido. "Non plus ultra", ou seja nada além dali.
Mas a sua importância não para por aí: todos os anos, milhões de aves migratórias cruzam o estreito nas suas rotas sazonais entre a Europa e a África, fazendo desse local um dos pontos mais importantes do planeta para a observação de aves.
Já agora, a estátua denominada Pilares de Hércules está localizada no Estreito de Gibraltar. Esta escultura simboliza a importância histórica e geográfica da região, que há séculos serve como uma encruzilhada de culturas e comércio.
Os dois imensos Hércules de bronze, obra do artista de CeutaGinés Serrán Pagán, têm 7 metros de altura e pesam 4 toneladas cada um. São, atualmente, as esculturas em bronze da mitologia clássica de maiores dimensões do mundo.
Estas esculturas, devido ao seu tamanho e grandiosidade, impressionam os visitantes que chegam a Ceutaquerde barco quer quando passeiam pelas suas ruas.
Entre mitos, natureza exuberante e importância geopolítica, o Estreito de Gibraltar continua a ser um lugar que desperta fascínio e admiração.
Rua do Deserto, 143 (ou 143 Sahara Street) é um filme (2019) do género documentário, realizado por Hassen Ferhani (co-produção de Argélia, França, Catar).
Este documentário faz parte da edição 2025 do Porto/Post/Doc. Entre os dias 20 e 29 de novembro o festival volta a ocupar vários espaços do Porto com uma programação centrada no documentário contemporâneo e na discussão dos temas que marcam a vida dos nossos tempos. Rua do Deserto, 143 faz parte do programa temático do evento, sob o mote O Tempo de Uma Viagem.
Sinopse: Hassen Ferhani filma, em Rua do Deserto, 143, uma casa de chá perdida no deserto do Saara, onde uma mulher única, Malika, acolhe viajantes cujas histórias revelam, em encontros fugazes, a força do cinema do real como espelho da humanidade.
Este filme tranquilo é, pois, um retrato íntimo da sua proprietária e dos seus convidados, bem como da paisagem da Argélia.
Os Himbassão um grupo étnico de aproximadamente 20.000 a 50.000 pessoas que vivem na Namíbia, na região de Kunene (antes Caocolândia) e são considerados a tribo mais fascinante deste país.
Migraram de Angola para a Namíbia há cerca de 200 anos à procura de solos mais férteis. Os Himba vivem hoje no norte da Namíbia e em partes do sul de Angola. Esta área é conhecida pelas paisagens áridas, com savanas e desertos que se estendem a perder de vista. A vida é dura, mas os Himba desenvolveram formas engenhosas de sobreviver e prosperar naquele ambiente.
São povos semi-nómadas e pastoris. São os últimos povos semi-nómadas da África. Estão estreitamente relacionados com os hereros, também falantes da língua herero.
Os costumes e tradições são passados de pais para filhos. Entre os mais curiosos está o hábito de as mulheres protegerem a pele e o cabelo com argila e de ter como meio de limpeza apenas um "banho" de fumo. As mulheres não tomam banho durante toda a vida, apenas os homens tomam banho comum com água.
Os meninos têm as cabeças rapadas e as meninas usam colares de madeira para representar a pureza. As mulheres fazem artesanato com arames e madeira e os homens cuidam dos rebanhos.
Aproveite e conheça melhor este povo assistindo ao documentário que se segue para mais informações sobre a Tribo Himba.
O Vale do OMOlocaliza-se num território junto a montanhas e nas margens do rio Omo, no sul remoto da Etiópia, onde há séculos vivem tribos que preservam costumes e comportamentos culturais da África mais tradicional e, por isso, por muito tempo, as suas culturas têm permanecido intocáveis. Porém, essa região tem vindo a ser cruelmente agredida e invadida por turistas, missionários, e pela construção de uma grande hidroelétrica, que irá alagar toda área povoada pelos povos que ali habitam.
O baixo vale do rio Omo, no sudoeste da Etiópia, é então o lar para oito povos diferentes, cuja população total é de cerca de 200.000. Entre eles, destacam-se: os Karo, os Mursi, os Hamer, os Bume, os Konso eos Omorate, entre outros. Eles vivem ali há séculos.
A inundação anual do rio Omo alimenta a rica biodiversidade da região e garante a segurança alimentar destes grupos especialmente porque a precipitação é baixa e irregular. No vale do Rio Omo, estes povos seminómadas conduzem grandes rebanhos de gado em busca da melhor pastagem, ao longo das margens do rio.
O Baixo Vale do Omoé uma área de uma beleza espetacular com diversos ecossistemas, incluindo pastagens, afloramentos vulcânicos, e uma das poucas matas fluviais remanescentes na região semi-árida da África que suporta uma grande variedade de vida selvagem.
O Vale Inferior do Omoinclui também um sítio arqueológico pré-histórico, reconhecido mundialmente, localizado nas margens do Rio Omo, perto do Lago Turkana onde ele desagua, na Região de Gému Gofa, no sudoeste da Etiópia, a cerca de oitocentos kms da capital Adis Abeba.
Na região demarcada deste sítio, ao longo de décadas de pesquisas foram encontrados fragmentos e vestígios - e rochas desde o Plioceno até ao Pleistoceno (de 3,8 milhões a 11,7 mil anos) - da presença humanoide. As pesquisas arqueológicas que têm sido realizadas neste local, estão entre as mais importantes, significativas e valiosas do mundo, e revelam não só o processo evolutivo dos hominídeos e das suas subespécies, mas também da fauna e da flora. Estas pesquisas e trabalhos arqueológicos têm desvendado a evolução do Homo Sapiens da África. Foram ali encontrados, também, fósseis com mais de três milhões de anos, das espécies Australopitecos e Homo habilis.
Em 1980 o Comité do Património Mundial da UNESCO homologou a inscrição e inclusão do Vale Inferior do Omo na Lista do Património Mundial na Etiópia, justificando que as evidências e vestígios pré-históricos e paleo-antropológicos encontrados no Vale Inferior do Omo proporcionam, das mais significativas e importantes descobertas, sobre a evolução social e técnica da raça humana iniciadas desde o período pré-histórico.
Assista agora a dois vídeos, acerca do Vale do OMO, dos youtubers Carla Mota & Rui Pinto: VIAJAR ENTRE VIAGENS.
O primeiro vídeo que pode ver aqui, fala-lhe da tribo Karo, onde os homens cortam as orelhas quando casam!
No segundo vídeo que pode ver em baixo, vai perceber que para se casarem, as noivas Hamer, se cobrem de lama e os homens saltam por cima de vacas.
O Chade, oficialmente República do Chade, é um país sem acesso ao mar. Localiza-se no centro-norte da África e faz fronteira com a Líbia a norte, com o Sudão a leste, com a República Centro-Africana a sul, com os Camarões e a Nigéria a sudoeste e com o Níger a oeste.
Tem uma área de 1 284 000 km2 e encontra-se dividido em três grandes regiões geográficas: a zona desértica no norte, o cinturão árido do Sael no centro e a savana sudanesa fértil no sul.
O Lago Chade, do qual o país obteve o seu nome, é o segundo maior corpo de água de África e o maior do país. Outrora um dos maiores lagos de África, encolheu mais de 90% desde a década de 1960, devido às mudanças climáticas e ao desvio das águas para irrigação.
O ponto mais alto do Chade é o Emi Koussi, um vulcão adormecido que se eleva a 3.415 metros, nas Montanhas Tibesti, no Deserto do Saara, que se situam a norte do país.
A capital e cidade mais populosa é Jamena ou N'Djamena, localizada junto ao rio Chari, queé o centro político, económico e cultural do país.
O país, que foi uma colónia francesa até obter a sua independência em 1960, tem uma rica herança cultural, com mais de 200 grupos étnicos, cada um com a sua própria língua, música e tradições. Os idiomas oficiais são o árabe e o francês, enquanto as religiões oficiais são o islão e o cristianismo. O povo Toubou, que vive na região desértica do Chade, é conhecido pela resiliência e estilo de vida nómada, sobrevivendo em ambientes duros ao longo de várias gerações.
Os Toubou
Este país é frequentemente chamado de "Coração Morto da África" por causa da sua posição sem litoral e vastas paisagens áridas de deserto. Tem um dos climas mais quentes da Terra, com temperaturas que chegam, frequentemente a mais de 50°C, em algumas regiões, durante os meses mais quentes. O país tem das regiões mais remotas e inexploradas do mundo, com vastos trechos de deserto que permanecem em grande parte intocados pela civilização moderna.
No Chade o Parque Nacional Zakouma, é uma das principais reservas de vida selvagem de África, sendo conhecido pelos seus 559 elefantes, leões e búfalos. De referir que o animal nacional, o leão, tem sido um símbolo de força e coragem na cultura do país durante séculos.
O Chade é um dos poucos países onde ainda se podem encontrar as "caravanas de camelos" únicas do Saara e que fazem parte da sua cultura comercial há séculos.
Este país também é conhecido pelos seus coloridos mercados tradicionais, como o mercado de N'Djamena, onde pode se encontrar artesanato, especiarias e tecidos locais.
O país enfrenta desafios de segurança contínuos, não só devido a conflitos nos países vizinhos, mas também devido à instabilidade da sua política interna.
Apesar das dificuldades e de ser um dos países mais pobres do mundo (IDH: 0,398 - baixo) o Chade abriga algumas das pessoas mais resilientes e hospitaleiras do mundo, com um forte sentido de comunidade e de solidariedade entre as suas diversas culturas.
Deixo-o agora com 3 vídeos. Não deixe de os ver. Valem bem a pena. O primeiro é: "Fomos em busca de uma caravana de camelos no Chade" e clicando aqui vê "Quase não sobrevivemos a uma caravana de camelos no deserto do Chade"!
O segundo vídeo mostra-lhe mais algumas curiosidades acerca deste país.
E agora o último vídeo, sobre A Importância da Água no Chade.
Putumayo viaja pelo mundo em busca de canções excepcionais, do Congo a Cuba, de Roma ao Rio, de Nova Orleans à Nova Escócia. Uma odisseia musical afro-latina, de África a Cuba e vice-versa.
Aqui ficam músicas da coleção original Putumayo: do Congo a Cuba e mais 5 faixas que são um bônus de outros lançamentos.
As jornadas musicais meticulosamente pesquisadas e selecionadas por Putumayo são uma "Garantia para que se senta bem!"
O Rio Cubango (ou Okavango), é um rio da África austral que faz a fronteira natural entre Angola e a Namíbia, país onde dá nome a uma das suas regiões. Nasce nos planaltos do interior angolano (Província do Bié) e corre em direção a sudeste, atravessando a faixa de Caprivi (na Namíbia) para chegar ao maior delta interior do mundo, no Botswana (onde muda de nome, para Okavango), num pântano com grande interesse ecoturístico, onde se dispersa no deserto do Kalahari, próximo de pântanos temporários de Makgadikgadi.
O delta em si cobre uma superfície entre 15000 km² e 22000 km² durante as cheias. Encontra-se ao norte do país, na região de Ngamiland, com capital em Maun, a 942 m de altitude. No delta do Cubango existe a única população de leões nadadores, que se veem forçados a entrar na água, que durante as enchentes chegam a cobrir o 70% de seu território, para caçar antílopes e ímpalas.
O rio Cubango nasce perto de Chicala-Tchiloango (Vila Nova) no planalto do Huambo e tem um curso de 975 km.
O Cubango corre em direção Sul até atingir Kuvango (Ganguelas, Vila Artur de Paiva) a nordeste da Huíla onde recebe o rio Cutato como afluente, e onde começa a inflectir para Leste até atingir a fronteira Sul com a Namíbia, de onde passa a servir de fronteira até ao Mucusso, nas Terras do Fim do Mundo.
Parte das águas do rio Cubango perde-se em pântanos no Botswana. A bacia do Cubango em Angola é de cerca de 154.420 km². O rio Cubango é importante para a história dos povos Khoisan e Ambó.
O território em Angola providencia 94.5% do escoamento total da captação; a Namíbia providencia 2.9% e o Botswana 2,6%.
O Rio Cubango - Okavango representa um dos maiores ecossistemas aquáticos virgem no continente Africano, e, à superfície da terra.
Se quiser ficar a conhecer melhor este rio não deixe de ver a apresentação e o vídeo que se seguem.
O Lago Magadi, de uma beleza natural fantástica, localiza-se no Quénia, ao sul do Grande Vale do Rifte. Durante a estação seca, 80% do lago é coberto por bicarbonato de sódio e é também conhecido pelas suas aves pernaltas, incluindo flamingos.
O lago Magadi, de aproximadamente 100 km2, encontra-se numa bacia endorreica formada por um graben. O lago é um exemplo de "panela salina". A água do lago é uma densa salmoura de bicarbonato de sódio.
O lago Magadi nem sempre foi tão salino como é hoje. Este ambiente lacustre inóspito exclui a maioria dos organismos, exceto extremófilos| microbianos, alguns invertebrados (principalmente insetos), peixes altamente adaptados (Alcolapia sp.) e pássaros, incluindo flamingos.
O município de Magadi fica na margem leste do lago e abriga a fábrica Magadi Soda. Esta fábrica produz bicarbonato de sódio, que tem uma variedade de usos industriais.
A Samakaka é um tecido de algodão típico de Angola. O vocábulo samacaca foi registado no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora como: "pano tradicional angolano, com padrão característico de figuras geométricas coloridas".
Este termo vem provavelmente de Samacaca, antropónimo, que significa antigo soba bailundo.
A Samacaca é um tecido tradicional dos Muíla, que é um povo do sul de Angola (província da Huíla).
A samakaka chegou a Angola há dois séculos pelas mãos dos portugueses, após uma visita às colónias holandesas das Índias ocidentais. No século XIX, a samakaka era usada como moeda nas trocas comerciais entre os colonos portugueses e os indígenas juntamente com o jiloso (pano azul-escuro e branco) e a aguardente.
Caracteriza-se pelo seu padrão de figuras geométricas coloridas pelas cores vermelho, branco, amarelo, preto ou branco.
O fabrico destes tecidos permitia a distinção de sociedades e grupos etários através da cor e das estampas. Estes panos são produzidos nas aldeias e o trabalho é executado por mulheres e crianças. Contudo a produção não é exclusivamente interna, porque é um meio usado para o sustento do grupo – com a venda – para a obtenção de produtos não cultiváveis.
É o caso do povo Muíla que produz manufaturadamente o pano Samakaka, usado entre entre eles e comercializado no exterior das aldeias.
Contudo, um novo elemento surgiu na África contemporânea, nomeadamente em Angola, a Moda. O resultado é a coexistência da cultura tradicional com os ditames da moda atual.
Os padrões e as cores dos tecidos africanos têm sido fonte de inspiração para vários estilistas e designers de moda, que têm levado um pouco de África e de Angola para o resto do mundo. É o caso, entre outros, de João Pimenta, Rose Palhares, Nadir Tati, Glória Sílvia,Virginie e Fiu Negro.
Para quem já tenha visitado alguma parte de África, ou para quem ainda não tenha tido esse privilégio, julgo que esta extraordinária colecção de fotografias, será apreciada, ao longo de muitos dias.
Para aceder a África, em milhares de fotografias, bastaclicar aqui.