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sexta-feira, julho 31, 2026

Tudo Vai Ficar Bem

 


Com votos de boas férias, proponho-lhe que ouça a cantora brasileira Marília Mendonça em Tudo Vai Ficar Bem (Vídeo Oficial).

Marília Mendonça (1995 - 2021) foi uma cantora, compositora e instrumentista brasileira, reconhecida como uma das maiores vozes femininas da música sertaneja. A sua contribuição para o empoderamento feminino revolucionou o universo da música sertaneja entre as décadas de 2010 e 2020.

segunda-feira, julho 27, 2026

Timor

Ouça o cantor português, Luis Represas em Timor .

A letra da canção "Timor", celebrizada pelos Trovante e Luís Represas, é da autoria de João Monge. A música foi composta por João Gil. Esta canção gravada pelos Trovante foi dedicada à luta pela independência do povo timorense.

Lavam-se os olhos, nega-se o beijo
Do labirinto escolhe-se o mar
No cais deserto fica o desejo
Da terra quente por conquistar

Nobre soldado que vens senhor
Por sobre as asas do teu dragão
Beijas os corpos no chão queimado
Nunca terás o nosso perdão

Ai Timor
Calam-se as vozes
Dos teus avós
Ai Timor
Se outros calam
Cantemos nós

Salgas de ventres que não tiveste
Ceifando os filhos que não são teus
Nobre soldado nunca sonhaste
Ver uma espada na mão de Deus

Da cruz se faz uma lança em chamas
Que sangra o céu no sol do meio dia
Do meio dos corpos a mesma lama
Leito final onde o amor nascia
Composição: João Monge, João Gil.

quinta-feira, julho 23, 2026

125 Azul

 Relembrando Luís Represas, que nos deixou ontem, não deixe de ouvir o êxito "125 Azul", que a banda levou à rádio M80, em 2025, para celebrar os 50 anos de formação do Trovante!

A canção "125 Azul", imortalizada pelo grupo português Trovante, tem letra escrita por Luís Represas e música composta por João Gil. A música foi lançada em 1987 no álbum "Terra Firme".

Foi sem mais nem menos
Que um dia selei a 125 azul
Foi sem mais nem menos
Que me deu para abalar sem destino nenhum

Foi sem graça nem pensando na desgraça
Que eu entrei pelo calor
Sem pendura que a vida já me foi dura
P'ra insistir na companhia

O tempo não me diz nada
Nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada
A ponte ficou deserta nem sei mesmo se Lisboa
Não partiu para parte incerta
Viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar
Sem paredes, sem ter portas nem janelas
Nem muros para derrubar

Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre

Curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar
De uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar
Só que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio
E com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu

Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre

Entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar
Um ponto preto quebra-me a solidão do olhar
Será que existe em mim um passaporte para sonhar
E a fúria de viver é mesmo fúria de acabar

Foi sem mais nem menos
Que um dia selou a 125 azul
Foi sem mais nem menos
Que partiu sem destino nenhum
Foi com esperança sem ligar muita importância àquilo que a vida quer
Foi com força acabar por se encontrar naquilo que ninguém quer

Mas Deus leva os que ama
Só Deus tem os que mais ama
Compositores: Luís Represas e João Gil

quarta-feira, julho 22, 2026

Alguns Truques Para Parecer Mais Jovial

 Para parecer mais jovial, ajuste a sua postura (coloque os ombros para trás), mantenha a hidratação diária com produtos específicos, e prefira maquilhagem leve e luminosa. No guarda-roupa, misture peças clássicas com cortes mais descontraídos (como os jeans modernos), introduza elementos modernos e cores mais claras nos seus looks, o que ilumina a fisionomia e tira o peso da imagem e adote um corte de cabelo com movimento e volume.

Assista a mais um vídeo da influencer brasileira Luciane Cachinski que lhe mostra alguns Truques Para Parecer Mais Jovial.

Luciane Cachinski é uma influencer e youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante mais de 30 anos. 

Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha.

Não deixe de ver este vídeo até ao fim, pois, Luciane Cachinski mostra-lhe alguns truques que pode adotar nos seus looks, para ter maior jovialidade. Fica, assim, a conhecer alguns detalhes fáceis que dão muito resultado. 

Não perca. Vale mesmo a pena.

quarta-feira, julho 15, 2026

15 Detalhes De Moda Que Alongam

Os principais detalhes de moda que ajudam a alongar a silhueta baseiam-se em truques óticos que guiam o olhar verticalmente, criando a perceção de maior altura e continuidade (looks monocromáticos, decotes em V e linhas verticais, entre outros) evitando assim cortes horizontais que dividem o corpo.

Assista a mais um vídeo da influencer brasileira Luciane Cachinski que lhe fala dos 15 Detalhes De Moda Que Alongam.

Luciane Cachinski é uma influencer e youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante mais de 30 anos. 

Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha.

No vídeo abaixo, Luciane Cachinski mostra-lhe alguns dos truques óticos que alongam a silhueta.

A maioria das mulheres quer saber como se vestir para parecer mais magra e/ou mais alta!

Não deixe de ver este vídeo até ao fim, pois, Luciane Cachinski dá-lhe algumas ideias de looks para parecer mais alta na próxima saída de casa!

Não perca. Vale mesmo a pena.

terça-feira, julho 14, 2026

Lisboa das naus cheias de glória

Almada Negreiros

  Lisboa à beira-mar, cheia de vistas,
Ó Lisboa de Irmãs e de fadistas!
Ó Lisboa dos líricos pregões…
Lisboa com o Tejo das Conquistas,
Mais os ossos prováveis de Camões!
Ó Lisboa de mármore, Lisboa!
Quem nunca te viu, não viu coisa boa…
Ó Lisboa das meigas Procissões!

Ai canta, canta ao luar, minha guitarra,
A Lisboa dos Poetas Cavaleiros!
Galeras doidas por soltar a amarra,
Cidades de morenos marinheiros,
Com navios entrando e saindo a barra
De proa para países estrangeiros!
Uns pra França, acenando Adeus! Adeus!
Outros pras Índias, outros… sabe-o Deus!

Ó Lisboa das ruas misteriosas!
Da Triste Feia, de João de Deus,
Beco da Índia, Rua das Fermosas,
Beco do Fala-Só (os versos meus…)
E outra rua que eu sei de duas Rosas,
Beco do Imaginário, dos Judeus,
Travessa (julgo eu) das Isabéis,
E outras mais que eu ignoro e vós sabeis.
(…)
António Nobre - Despedidas: 1895-1899, 1902

quarta-feira, julho 08, 2026

Figa De Guiné


Ouça a cantora brasileira Mari Froes em Figa De Guiné (Vídeo oficial).

 Mari Froes faz parte de uma nova onda de artistas brasileiros que estão a revitalizar a MPB (Música Popular Brasileira) com uma abordagem intimista e contemporânea. A sua música mistura folk, pop acústico e arranjos minimalistas, dando ênfase à sua voz e à sensibilidade das suas canções.

terça-feira, julho 07, 2026

Sob a Chama da Candeia

Sob a Chama da Candeia (2024), é uma longa-metragem de ficção, realizada por André Gil Mata, que acompanha a vida de Alzira, da adolescência à velhice, num retrato poético e contemplativo sobre a memória, o tempo e os afetos. Este filme conta no elenco com: Márcia Breia (Alzira) e Eva Ras e Catarina Carvalho Gomes.

Sinopse:
A história desenrola-se no Norte de Portugal, numa casa de azulejos verdes com um jardim e uma magnólia. Quartos cheios de objetos de vidas passadas aqui. Traços do tempo, gestos e afetos. Aqui Alzira nasceu, viveu e morreu; aqui foi filha, mãe e avó; aqui brincou em criança, aprendeu piano, e dedicou-se a um marido austero. Alzira viveu neste espaço durante décadas, dividindo a sua rotina com Beatriz, a empregada, com quem mantém uma relação desgastada pelo tempo, ao ponto de hoje já não a suportar. Libertada após a morte do marido austero, Alzira toma, pela primeira vez na sua vida, uma decisão que pertence estritamente à sua vontade. A narrativa organiza-se em quadros fragmentados, estruturados ao ritmo das recordações, sem diálogos extensos e apostando na força da imagem.

segunda-feira, julho 06, 2026

O Bolo de Mel de Santa Helena

 O Bolo de Mel de Santa Helena é uma tradicional especialidade conventual alentejana, originária do extinto Convento de Santa Helena do Calvário em Évora. Este bolo rico distingue-se pelo uso de ingredientes nobres como a amêndoa, o azeite e uma calda de mel fervente. 

De acordo com o Blogue Teoria da Cor esta receita tradicional alentejana foi divulgada em 2010, pela atriz Io Appolloni no site, "As Receitas da Io". Também pode ser encontrada uma versão um pouco diferente  na "Doçaria Conventual do Alentejo" de Alfredo Saramago

Aqui fica uma receita do Bolo de Mel de Santa Helena.

Ingredientes:
0,5l de mel
2,5dl de azeite
150g de açúcar
150g de amêndoa moída
1 colher de café de canela
1 pontinha de cravinho em pó
5 colheres de sopa de farinha
6 gemas

Preparação:
Pôr o mel num tacho a ferver. Juntar o açúcar, o azeite, a amêndoa, o cravinho e a canela. Misturar bem e retirar do lume.
Acrescentar a farinha até obter uma consistência densa, misturando sempre. Juntar as gemas, uma por uma, não parando de mexer com uma colher de pau.
Untar uma forma de 24cm de diâmetro. Forrá-la com papel vegetal e voltar a untar. Polvilhar com farinha.
Levar ao forno pré-aquecido a 150º durante 30 minutos.
Depois desligue o forno e deixe "secar" o bolo mais uns minutos.

sábado, julho 04, 2026

As flores do jacarandá

 O jacarandá florido
Brando cantar trazia
Branda a viola da noite
Branda a flauta do dia

O jacarandá florido
Brando cantar trazia
O vinho doce da noite
A água clara do dia

Quem o olhava bebia
Quem o olhava escutava
O jacarandá florido
Que o silêncio cantava

Matilde Rosa Araújo - As Fadas Verdes

sexta-feira, julho 03, 2026

Mais um Dia de Vida: O Livro

 Mais um Dia de Vida - Angola 1975 é um livro de Ryszard Kapuscinski  publicado pela Tinta da China (2013).

Ryszard Kapuscinski (1932 - 2007), em 1955, começou a trabalhar como jornalista, escrevendo reportagens sobre a reconstrução da Polónia. Ainda nos anos cinquenta, foi pela primeira vez enviado como correspondente para a Ásia (Índia, Paquistão, Afeganistão) e para o Médio Oriente. Mais tarde, passou longos anos como correspondente em África e na América Latina. Considerado um dos grandes mestres do jornalismo moderno, Kapuscinski foi eleito em 1999 o melhor jornalista polaco do século XX e distinguido, em 2003, com o Prémio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades.

Sinopse:
Ryszard Kapuscinski, escritor e um dos maiores repórteres do século XX, esteve em Angola num período conturbadíssimo: entre o 25 de Abril de 1974 e a independência do país africano, em Novembro de 1975. Mais Um Dia de Vida - Angola 1975 é o extraordinário relato dessa época. Depois de 400 anos de domínio colonial, assiste-se ao violento surgimento de um país novo, imerso numa sangrenta guerra de guerrilha que visa decidir quem governará a nação libertada.

quarta-feira, julho 01, 2026

Mais Um Dia de Vida

Mais um Dia de Vida (Another Day of Life) é a adaptação para cinema do livro homónimo de Ryszard Kapuscinski, um dos maiores repórteres de guerra do século XX. Este filme de animação (2018) dos géneros documentário, drama e guerra foi realizado por Raul de la Fuente e Damian Nenow.

Com uma técnica de animação extraordinária e um trabalho documental que vai ao encontro dos homens que com ele então se cruzaram, o filme (que pode ver na íntegra no 1º link) é uma belíssima homenagem a um grande repórter de guerra e contou no elenco com Miroslaw Haniszewski, Tomasz Ziętek e Olga Boladz.

 Sinopse:
No Verão de 1975, o grande repórter de guerra Ryszard Kapuscinski é enviado para Angola, numa altura em que os portugueses estão em debandada e os movimentos de libertação se envolvem numa guerra civil sem tréguas. Dois grupos que buscam a libertação do país têm ideais diferentes: o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), apoiado pela União Soviética, e a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), apoiada pelos Estados Unidos. 
No meio de uma série de questões políticas sensíveis, o jornalista propõe-se chegar à linha de frente do conflito armado com o intuito de documentar os seus horrores para o resto do mundo. No entanto, as decisões que Kapuscinski terá que tomar durante o trabalho mostram-se mais complexas do que ele imaginava. De uma Luanda transformada em cidade fantasma sitiada, até à fronteira sul à beira da invasão sul-africana, Kapuscinski é uma testemunha ímpar do nascimento conturbado de um novo país. 

terça-feira, junho 30, 2026

Nôs Morna

 Ouça Cremilda Medina (1991) e Tito Paris (1963) em Nôs Morna. 
Considerada a Voz da Morna (Património da Humanidade) da nova geração, Cremilda Medina é uma das mais conceituadas intérpretes da música tradicional cabo-verdiana. 
Cremilda Medina nasceu e cresceu na cidade do Mindelo, na ilha de São Vicente em Cabo Verde, e desde criança que a música faz parte da sua vida. Começou a cantar com apenas 9 anos e aos 14 já fazia parte de um grupo musical juvenil chamado "Rytmos" que animava festas e acontecimentos sociais na ilha do Monte Cara.
Tito Paris é um músico, compositor e cantor cabo-verdiano, radicado em Lisboa. É um dos maiores responsáveis pela divulgação da música das ilhas da Morabeza pelo mundo, além de uma figura de relevo da comunidade africana na capital.

segunda-feira, junho 29, 2026

São Pedro

 Tu, que Diabo?, és velho.
És o único dos três que traz velhice
Às festas. Tuas barbas brancas
Têm contudo um ar terno
A que o teu duro olhar não dá razão.
Parece que com essas barbas brancas
Por um fenómeno de imitação
Pretendes ter um ar de Padre Eterno.

Carcereiro do céu, isso é o que és.
Basta ver o tamanho dessas chaves —
As que Roma cruzou no seu brasão.
Segundo aquele passo do Evangelho
Do «Tu és Pedro» etcetera (tu sabes),
Que é, afinal uma fraude
Meu velho, uma interpolação.

Carcereiro do céu, que chaves essas!
Nem dão vontade de ser bom na terra,
Se, segundo evangélicas promessas
Vamos parar, ao fim, a um céu claustral.
Isso — fecharem-me — não quero eu,
Nem com Deus e o que é seu
Que o estar fechado faz-me mal
Até na beatitude do teu céu,
Entre os santos do paraíso,
(A liberdade — Deus dá a Deus —
Um Deus que não sei se é o teu),
O estar fechado, aqui ou ali, dizia eu
Faz-me terríveis cócegas no juízo.

Enfim, que direi eu de ti, amigo,
Que não seja uma coisa morta,
Anti-popular, gongórica,
Por fruste deselegante,
Como de quem, sem saber nada, exausto,
Começo por duvidar bastante,
Desculpa-me chaveiro antigo,
De que tivesses existência histórica.

Mas isso, é claro, não importa
Se nos trazes
A alegria da singeleza
Ou a bondade que não sabe ter tristeza.
O pior é que nada disso fazes.
O teu semblante é duro e cru
E as barbas que roubaste ao Deus que tens
Só arrancam aos dandies teus loquazes
Ditos de dandies cínicos desdéns.
Que diabo, és uma série de ninguéns.
O Santo são as chaves, e não tu.

Para uns és S. Pedro, o grão porteiro,
Para outros as barbas já citadas,
Para uns o tal fatídico chaveiro
Que fecha à chave as almas sublimadas.
Para uns tu fundaste a Roma do Papado
(Andavas bêbado ou enganado
Ou esqueceste
O teu posto quando o fizeste)
E para outros enfim, como é o povo
E segundo as ideias que ele faz,
És quem lhe não vem dar nada de novo —
Umas barbas com S. Pedro lá por traz.

É difícil tratar-te em verso ou prosa,
Tudo em ti, salvo as barbas, é incerto,
Tudo teu, salvo as chaves, não tem ser
E a alma mais humilde é clamorosa
De qualquer coisa que se possa ver,
Em sonho até, qual se estivesse perto.


Olha, eu confesso
Que nunca escreveria
Este vago poema, em que me apresso
Só para me ver livre do teu nada,
Se não fosse para dar um cunho
A este livro da trilogia
(Santo António, S. João, S. Pedro —
De popular, que bem que soa!)

Mas porque diabo de intuição errada
É que vieste parar a Junho
E a Lisboa?

Isto aqui ainda tem
Um sorriso que lhe fica bem,
Que até, até
No teu dia,
(Ó estupor velho
Como um chavelho,)

Nas ruas
O povo anda com alegria,
É fé,
Não em ti nem nas barbas tuas
Mas no que a alegria é.
Olha, acabei.
Que mais dizer-te, não sei.
Espera lá, olha
Roma, fingindo que viceja,
Lentamente se desfolha.
Teu último gesto seja
Um gesto volvente e mudo.
Se tens poder milagroso,
Se essas chaves abrem tudo,
Deixa esse céu lastimoso.
Deixa de vez esse céu,
Desce até à humanidade
E abre-lhe, enfim no mudo gesto teu,
As portas do Inferno, e da Verdade.
Fernando Pessoa - Santo António, São João, São Pedro, A Regra do Jogo, 1986, Lisboa

domingo, junho 28, 2026

Baião da Garoa

 Hoje véspera de São Pedro proponho-lhe que ouça Luiz Gonzaga em Baião da Garoa. 
Luiz Gonzaga (1912 - 1989) foi um cantor, compositor e multi-instrumentista brasileiro. Também ficou conhecido como o Rei do Baião, e foi considerado uma das mais completas, importantes e criativas figuras da música popular brasileira. 

Este Baião retrata a dura realidade da seca no Nordeste (Paraíba, Ceará e Alagoas), a falta de colheita de milho e feijão, a partida dos retirantes e a prece por chuva a São Pedro.

Na terra seca quando a safra não é boa
Sabiá não entoa
Não dá milho e feijão
Na Paraíba, Ceará, nas Alagoas
Retirantes que passam, vão cantando seu rojão

Tra, lá, lá, lá, lá, lá, lá

Meu São Pedro me ajude
Mande chuva, chuva boa
Chuvisqueiro, chuvisquinho
Nem que seja uma garoa

Uma vez choveu na terra seca
Sabiá então cantou
Houve lá tanta fartura que o retirante voltou

Tra, lá, lá, lá, lá, lá, lá

Oi! Graças a Deus
Choveu, garoou

Oi! Graças a Deus
Choveu, garoou
E já vai tempo
Que choveu pra gente boa
Nunca mais deu garoa
Nem deu milho e feijão
E o retirante diz que não desacordou ai
Vai cantando seu e no vai cantando seu baião

Tra, lá, lá, lá, lá, lá, lá

Meu São Pedro me ajude
Mande chuva, chuva boa
Chuvisqueiro, chuvisquinho
Nem que seja uma garoa

Uma vez choveu na terra seca
Sabiá então cantou
Houve lá tanta fartura
Que o retirante voltou

Tra, lá, lá, lá, lá, lá, lá

Oi! Graças a Deus
Choveu, garoou
Composição: Gonzagão, Herve Cordovil. 

quarta-feira, junho 24, 2026

São João

  Ó Precursor, fizeste-la bonita!
Não que teu Cristo, incarnação do Bem —
O mal são os que após, sem mística divina
Meteram a Jesus na cela da doutrina
Com as algemas do ódio manietado
Para depois manchar de falsa fé
O pobre homem que todo homem é
Não seja quem seja o teu Divino Anunciado.
Nem ternura cristã, ou só humana,

A cruel multidão negramente infinita
Que tem sido o algoz ou o ladrão
Da ingénua humanidade aflita —
Esses que, aqui mesmo, pelos modos,
Dão ao inferno realização...

Ah, não podiam ser piores, nem
Que a mulher do Diabo, se ele a tem,
Os tivesse parido a todos.

Eu bem sei que houve muito santo e crente,
Muito puro, bondoso e inocente.
Bem sei, bem sei:
Sei-o eu e sabe-o toda a gente.

Mas esses, cuja alma está em Cristo
São só isto —
Qualquer remédio que se dissolvesse
No chá que para isso há,
E cujo gosto nele se perdesse;
O chá fica sabendo só a chá.
Se o remédio faz bem,
Não o sabe ninguém.
Que o chá não presta, não duvida alguém.

Sabemos isso, e sabê-lo-ia antes
De todos nós teu Mestre que viria,
Profeta, Deus e guia dos errantes,
Quão dolorosamente o saberia?
Sei que houve astros no céu da fé vazia.

Sei, mas repara que falso isso soa!
Por mais astros que a noite use brilhantes,
Que Diabo!, a noite não se chama dia.

Ó Precursor! Fizeste-a boa!

Daí, para nós, és de Lisboa,
Não és o precursor de nada.
És um rapaz ainda menino
Que tem por missão boa,
Por missão sorridente e sossegada
Ter ao colo um cordeiro pequenino.

Lá o que esse cordeiro significa
Não tem cheiro
Para o povo, que tem a alma rica
Da emoção que não conhece.
Para ele o cordeiro é um cordeiro,
E o menino sorri e a vida esquece.

O resto são fogueiras
E os saltos dados a gritar
Com um medo exagerado
Feito tudo de maneira
A mostrar
O riso, as pernas e o agrado.
É quente e anónima a aragem,
Tudo é juventude e viço
Num arraial multicolor e vasto.
Bonito serviço
Como homenagem
A quem, ainda com cabeça, foi um casto!

Mas é assim que és
E é assim que serás,
Até que pisem esta terra os pés
Do último fado que o Destino traz.

Então, esperamos, eu e todos,
Ver-te «surgir no céu», como quem vence
Tudo que é realidade ou ilusão
Por o menino ser que lhe pertence,
E os seus bons e santos modos
«Com o cordeirinho na mão»,
Como te viu Catullo Cearense.

Mas, desçamos à terra,
Que, por enquanto, o céu aterra,
Porque antes disso mete a morte.
Há muita coisa desconhecida
Na tua vida.
Tens muita sorte
Em ninguém saber da partida
Que em mil setecentos e dezassete
Tu fizeste à Igreja constituída
Estás, eu bem sei, cansado
Com o que a Igreja se intromete
Com tua vida e o teu divino fado.

(E) foi então que, para te vingar
E à maneira de santo, os arreliar
Desceste mansamente à terra
Perfeitamente disfarçado
E fizeste entre os homens da razão
Um milagre assinado,
Mas cuja assinatura se erra
Quando em teu dia, S. João do Verão,
Fundaste a Grande Loja de Inglaterra.
Isto agora é que é bom,
Se bem que vagamente rocambólico
Eu a julgar-te até católico,
E tu sais-me maçon.
Bem, aí é que há espaço para tudo,
Para o bem temporal do mundo vário.
Que o teu sorriso doure quanto estudo
E o teu Cordeiro
Me faça sempre justo e verdadeiro,
Pronto a fazer falar o coração
Alto e bom som
Contra todas as fórmulas do mal,
Contra tudo que torna o homem precário..
Se és maçon,
Sou mais do que maçon — eu sou templário.

Esqueço-te santo
Deslembro o teu indefinido encanto.

Meu Irmão, dou-te o abraço fraternal.

terça-feira, junho 23, 2026

Ai, S. João adormeceu


Ai, S. João adormeceu
Ai, debaixo da laranjeira;
Ai, caiu-lhe a flor por cima,
Ai, S. João que tão bem cheira.

Ai, S. João p’ra ver as moças
Ai, fez uma fonte de prata;
Ai, as moças não vão à fonte,
Ai, S. João todo se mata.

Ai, S. João fora bom santo
Ai, se não fora tão gaiato;
Ai, levava as moças p’rá fonte,
Ai, iam três e vinham quatro.
Popular

segunda-feira, junho 22, 2026

Os Conjuntos Estão Em Alta No Verão

Os conjuntos estão em alta neste verão de 2026. Destacam-se pela praticidade e elegância, combinando conforto e sofisticação. As maiores apostas da estação incluem conjuntos de alfaiataria em linho, visuais monocromáticos em branco total, peças de inspiração utilitária e workwear, e visuais loungewear fluidos.

Assista a mais um vídeo da influencer brasileira Luciane Cachinski que lhe fala dos Conjuntos Em Alta No Verão de 2026.

Esta temporada é marcada por tecidos naturais, modelagens utilitárias e uma forte influência de propostas minimalistas e monocromáticas.

Luciane Cachinski é uma influencer e youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante mais de 30 anos. 

Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha.


No vídeo abaixo, Luciane Cachinski mostra-lhe os conjuntos que são uma tendência em 2026.  

Os conjuntos estão aí para que o nosso dia a dia seja muito mais descomplicado. Quem é que já acordou sem paciência para escolher a roupa que vai vestir? Penso que toda a gente. 

Assista então ao vídeo e apaixone-se mais ainda por esta beleza chamada "conjunto", porque veio para facilitar nossa vida!

Não perca. Vale mesmo a pena.

domingo, junho 21, 2026

O Verão

Flores de Verão II - Antonio Gouveia 
Estás no verão,
num fio de repousada água, nos espelhos perdidos sobre
a duna.
Estás em mim,
nas obscuras algas do meu nome e à beira do nome
pensas:
teria sido fogo, teria sido ouro e todavia é pó,
sepultada rosa do desejo, um homem entre as mágoas.
És o esplendor do dia,
os metais incandescentes de cada dia.
Deitas-te no azul onde te contemplo e deitada reconheces
o ardor das maçãs,
as claras noções do pecado.
Ouve a canção dos jovens amantes nas altas colinas dos
meus anos.
Quando me deixas, o sol encerra as suas pérolas, os
rituais que previ.
Uma colmeia explode no sonho, as palmeiras estão em
ti e inclinam-se.
Bebo, na clausura das tuas fontes, uma sede antiquíssima.
Doce e cruel é setembro.
Dolorosamente cego, fechado sobre a tua boca.
José Agostinho Baptista - "Paixão e Cinzas"

sábado, junho 20, 2026

A Açorda de Beldroegas

Estamos na época das beldroegas. As beldroegas são uma planta que cresce em todo o lado no final da primavera e início do verão no Alentejo. Aparecem nas ruas, nos campos, nos canteiros, por isso não temos de as cultivar, nem delas cuidar. Há lugares onde as pessoas, as acham uma praga. 

A Açorda de Beldroegas é uma receita simples, deliciosa, rápida e fácil de fazer. É um prato da culinária portuguesa que devido à simplicidade de execução era muito comum em tempos de escassez e durante a época da ceifa (cocaria).

Cocaria é um método tradicional de confeção rural, enraizado no Alentejo, em que os alimentos são cozinhados em potes de barro colocados diretamente sobre brasas no chão. Designa também o grupo de trabalhadores agrícolas que se juntavam no campo para cozinhar os seus farnéis.

Os produtos utilizados na Açorda de Beldroegas são: cabeças de alho, azeite, beldroegas, pimentão colorau, batatas, ovos, queijo fresco. 

Confeção:
Num recipiente com azeite faz-se um refogado com as cabeças de alho. Juntam-se as beldroegas
e deixa-se refogar mais um pouco. A seguir acrescenta-se a água, sal pimentão colorau (pouco)
e batatas cortadas às rodelas, colocadas ao lume. Finalmente acrescentam-se os ovos e/ou o queijo fresco.
Fonte: Carta Gastronómica do Alentejo - Entrevista feita a Maria Antónia, por Manuel Romão Fialho, Terras Dentro, 2012. Paulo lima - antropólogo, 2012-outubro