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quinta-feira, fevereiro 06, 2025

O Vale do OMO: Beleza e Peculiaridades

O Vale do OMO localiza-se num território junto a montanhas e nas margens do rio Omo, no sul remoto da Etiópia, onde há séculos vivem tribos que preservam costumes e comportamentos culturais da África mais tradicional e, por isso, por muito tempo, as suas culturas têm permanecido intocáveis. Porém, essa região tem vindo a ser cruelmente agredida e invadida por turistas, missionários, e pela construção de uma grande hidroelétrica, que irá alagar toda área povoada pelos povos que ali habitam.

O baixo vale do rio Omo, no sudoeste da Etiópia, é então o lar para oito povos diferentes, cuja população total é de cerca de 200.000. Entre eles, destacam-se: os Karo, os Mursi, os Hamer, os Bume, os Konso e os Omorate, entre outros. Eles vivem ali há séculos.

A inundação anual do rio Omo alimenta a rica biodiversidade da região e garante a segurança alimentar destes grupos especialmente porque a precipitação é baixa e irregular. No vale do Rio Omo, estes povos seminómadas conduzem grandes rebanhos de gado em busca da melhor pastagem, ao longo das margens do rio.

O Baixo Vale do Omo é uma área de uma beleza espetacular com diversos ecossistemas, incluindo pastagens, afloramentos vulcânicos, e uma das poucas matas fluviais remanescentes na região semi-árida da África que suporta uma grande variedade de vida selvagem.

O Vale Inferior do Omo inclui também um sítio arqueológico pré-histórico, reconhecido mundialmente, localizado nas margens do Rio Omo, perto do Lago Turkana onde ele desagua, na Região de Gému Gofa, no sudoeste da Etiópia, a cerca de oitocentos kms da capital Adis Abeba

Na região demarcada deste sítio, ao longo de décadas de pesquisas foram encontrados fragmentos e vestígios - e rochas desde o Plioceno até ao Pleistoceno (de 3,8 milhões a 11,7 mil anos) - da presença humanoide. As pesquisas arqueológicas que têm sido realizadas neste local, estão entre as mais importantes, significativas e valiosas do mundo, e revelam não só o processo evolutivo dos hominídeos e das suas subespécies, mas também da fauna e da flora. Estas pesquisas e trabalhos arqueológicos têm desvendado a evolução do Homo Sapiens da África. Foram ali encontrados, também, fósseis com mais de três milhões de anos, das espécies Australopitecos e Homo habilis.

Em 1980 o Comité do Património Mundial da UNESCO homologou a inscrição e inclusão do Vale Inferior do Omo na Lista do Património Mundial na Etiópia, justificando que as evidências e vestígios pré-históricos e paleo-antropológicos encontrados no Vale Inferior do Omo proporcionam, das mais significativas e importantes descobertas, sobre a evolução social e técnica da raça humana iniciadas desde o período pré-histórico.

Assista agora a dois vídeos, acerca do Vale do OMO, dos youtubers Carla Mota & Rui PintoVIAJAR ENTRE VIAGENS.
O primeiro vídeo que pode ver aqui, fala-lhe da tribo Karo, onde os homens cortam as orelhas quando casam!
No segundo vídeo que pode ver em baixo, vai perceber que para se casarem, as noivas Hamer, se cobrem de lama e os homens saltam por cima de vacas.

sábado, abril 18, 2015

Amor sem Fronteiras

"Amor sem Fronteiras" é um filme (2004) do realizador Martin Campbell, com Angelina Jolie e Clive Owen.
Sinopse:
Sarah Jordan (Angelina Jolie) é uma mulher da classe alta, casada com Henry Bauford (Linus Roache), filho de um influente empresário americano. Após conhecer Nick Callahan (Clive Owen), um médico que se dedica a causas humanitárias na África, Sarah dispõe-se a ajudá-lo. Ela consegue juntar fundos suficientes para comprar medicamentos e comida para refugiados na Etiópia e, vai até lá entregá-los à equipe de Nick.
Logo nas primeiras cenas do filme acaba por se levar um choque de realidade. Este é um filme que nos permite analisar os contrastes de desenvolvimento do mundo actual e perceber o importante trabalho quer da ONU quer das ONG.
Veja, em baixo, o trailer deste filme. Vale bem a pena!
Não perca, contudo, logo que lhe seja possível, a oportunidade de ver o filme por inteiro.

segunda-feira, julho 07, 2014

Lalibela

Lalibela é uma cidade rural da Etiópia onde se encontram igrejas monolíticas, esculpidas na rocha viva. Estas foram mandadas construir por ordem do rei Lalibela (século XII dC). Naquela altura, os cristãos tinham por tradição visitar ao menos uma vez na vida a cidade de Jerusalém. Como Jerusalém estava dominada pelos árabes, os cristãos não podiam exercer essa tradição. Assim, enquanto os católicos europeus passaram a visitar Roma, Lalibela decidiu construir uma réplica de Jerusalém no seu reino. A Etiópia é um país que tem uma das mais antigas tradições cristãs. Para os seus fiéis, de tradição copta, a peregrinação a Lalibela tem o caráter de uma viagem a Jerusalém.
As igrejas de Lalibela, escavadas na rocha, fazem parte do Património Cultural da Humanidade, desde 1978. Localizam-se a 640 km a norte da capital da Etiópia, Adis Abeba, e a 1.500 m de altitude.
Onze igrejas e um mosteiro, além de vários sepulcros e outros lugares sagrados formam uma cidade labiríntica escavada no subsolo. Cada um destes templos foi talhado na rocha vulcânica como se fossem esculturas. O templo de São Jorge, um monólito em forma de cruz grega, é o principal.
No século XII, o rei Lalibela apresentou-se como herdeiro da dinastia Salomónica — estirpe dinástica criada por Menelik I, filho do rei Salomão e da rainha de Sabá — e ordenou a escavação de vários templos na rocha vulcânica a muitos metros de profundidade, dando início às construções deste local sagrado. Se quiser ficar a conhecer melhor este lugar de peregrinação, veja com atenção, a excelente apresentação que se segue.  E agora assista a um vídeo sobre o mesmo assunto.

quinta-feira, junho 16, 2011

Uma fenda em África

A partir de 2005 e após uma sequência de alguns terramotos surgiu uma fenda na parte leste do continente africano. Esta fenda localizada na Etiópia tem cerca de 56 km de comprimento.
Uma equipe internacional de cientistas diz que a fenda na Etiópia, sofre um processo vulcânico praticamente igual ao que ocorre no fundo do mar e representa, provavelmente, a formação de um novo oceano. A fenda está a crescer a uma velocidade sem precedentes e é a maior já vista em séculos. Com cerca de 60 quilómetros pode chegar ao Mar Vermelho, separando a Etiópia e a Eritréia do resto do continente africano e dar origem a um novo oceano.
Este fenómeno que apareceu em África é o resultado do movimento normal das chamadas placas tectónicas.
O mundo em que vivemos é como uma grande bola de futebol, com a crosta (parte sólida da terra) dividida em placas, como as secções de couro que formam as bolas de futebol. Estas placas deslizam umas de encontro às outras, provocando terramotos e criando novas cadeias de montanhas. Quando duas placas se separam, os continentes podem fragmentar-se e nos seus intervalos podem surgir oceanos. Foi assim que nasceu o Oceano Atlântico, quando a América se separou da África, há 200 milhões de anos.
Outra região semelhante, mas muito mais perigosa, é o chamado Anel de Fogo do Pacífico, perto do sudeste asiático. Aí a crosta terrestre está a abrir-se no fundo do mar, o que provoca abalos submarinos capazes de gerar ondas gigantes, os tsunamis, como os que atingiram recentemente a Indonésia.
Não há nada que a humanidade possa fazer para deter estes processos de movimentação da crosta terrestre. As populações que moram nestas regiões, geologicamente ativas, podem apenas precaver-se, instalando bóias de alerta contra tsunamis e evitando morar perto de vulcões ou de fendas em atividade, como esta da África.
Estas manifestações geológicas fazem com que a geografia do planeta mude gradualmente ao longo das eras. Se um viajante do tempo chegar à Terra, daqui a 250 milhões de anos, vai ter que desenhar um novo mapa do mundo. Nesta altura, provavelmente, a Califórnia já se terá separado dos EUA, a Etiópia estará afastada do resto da África e é provável até que a América Central se tenha fragmentado, criando um braço de mar que irá unir o Atlântico e o Pacífico.
Aproveite para ver a apresentação que se segue que contém algumas imagens deste fenómeno.