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quarta-feira, setembro 02, 2026

Cântico a Angola

Silvestre Quizembe - 2022
Eu te saúdo Angola!
Terra de meus avós, de meus pais, minha terra,
terra da minha infância,
da minha primeira escola
e meu primeiro amor, primeiro sonho e ânsia,
– eu te saúdo, Angola, eu te saúdo!

Angola do negro, do branco e do mestiço,
Angola velha, Angola nova, Angola eterna,
com sua História, suas lendas, sua mensagem;
Angola da verdade e do feitiço,
Angola da cubata e da casa moderna,
das ruas asfaltadas e da virginal paisagem…

Angola das cidades lindas como Luanda,
com a ilha encantada e encantadora:
Angola da esplendente e variegada flora,
e da fauna preciosa e do rico minério;
Angola do trabalho forte e sério,
e da oração a Deus que em tudo e todos manda…

Angola do luar enfeitiçado
que nos encanta e quebranta,
Angola do sol ardente, e do poente
dolente
como o corpo cansado e já queimado
pelo fogo fatal dum abraço sensual…

Angola das batucadas,
com cantigas e danças desvairadas,
ao ritmo de chinguvo e de marimba,
e das fogueiras incendiando a noite
nas noites orvalhadas de cacimba…
Grácia Ferreira 2021

Angola do progresso urbano e do fomento
das forças económicas da terra;
Angola da Poesia entoada ao vento,
cantada ao Céu e Mar,
em grande beleza,
e da Arte que o sol pinta e o luar
emoldura e descerra,
no cenário feliz da natureza,
ao meu olho pagão, à minh’alma cristã…

Angola de ontem, de hoje, de amanhã,
sempre em grandiosos trilhos,
terra de meus avós, de meus pais, minha terra
e de todos os seus filhos…
Por todos, e por tudo,
eu te saúdo, Angola, eu te saúdo!
Geraldo Bessa Victor - "Cubata Abandonada"

sexta-feira, julho 03, 2026

Mais um Dia de Vida: O Livro

 Mais um Dia de Vida - Angola 1975 é um livro de Ryszard Kapuscinski  publicado pela Tinta da China (2013).

Ryszard Kapuscinski (1932 - 2007), em 1955, começou a trabalhar como jornalista, escrevendo reportagens sobre a reconstrução da Polónia. Ainda nos anos cinquenta, foi pela primeira vez enviado como correspondente para a Ásia (Índia, Paquistão, Afeganistão) e para o Médio Oriente. Mais tarde, passou longos anos como correspondente em África e na América Latina. Considerado um dos grandes mestres do jornalismo moderno, Kapuscinski foi eleito em 1999 o melhor jornalista polaco do século XX e distinguido, em 2003, com o Prémio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades.

Sinopse:
Ryszard Kapuscinski, escritor e um dos maiores repórteres do século XX, esteve em Angola num período conturbadíssimo: entre o 25 de Abril de 1974 e a independência do país africano, em Novembro de 1975. Mais Um Dia de Vida - Angola 1975 é o extraordinário relato dessa época. Depois de 400 anos de domínio colonial, assiste-se ao violento surgimento de um país novo, imerso numa sangrenta guerra de guerrilha que visa decidir quem governará a nação libertada.

quarta-feira, julho 01, 2026

Mais Um Dia de Vida

Mais um Dia de Vida (Another Day of Life) é a adaptação para cinema do livro homónimo de Ryszard Kapuscinski, um dos maiores repórteres de guerra do século XX. Este filme de animação (2018) dos géneros documentário, drama e guerra foi realizado por Raul de la Fuente e Damian Nenow.

Com uma técnica de animação extraordinária e um trabalho documental que vai ao encontro dos homens que com ele então se cruzaram, o filme (que pode ver na íntegra no 1º link) é uma belíssima homenagem a um grande repórter de guerra e contou no elenco com Miroslaw Haniszewski, Tomasz Ziętek e Olga Boladz.

 Sinopse:
No Verão de 1975, o grande repórter de guerra Ryszard Kapuscinski é enviado para Angola, numa altura em que os portugueses estão em debandada e os movimentos de libertação se envolvem numa guerra civil sem tréguas. Dois grupos que buscam a libertação do país têm ideais diferentes: o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), apoiado pela União Soviética, e a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), apoiada pelos Estados Unidos. 
No meio de uma série de questões políticas sensíveis, o jornalista propõe-se chegar à linha de frente do conflito armado com o intuito de documentar os seus horrores para o resto do mundo. No entanto, as decisões que Kapuscinski terá que tomar durante o trabalho mostram-se mais complexas do que ele imaginava. De uma Luanda transformada em cidade fantasma sitiada, até à fronteira sul à beira da invasão sul-africana, Kapuscinski é uma testemunha ímpar do nascimento conturbado de um novo país. 

quarta-feira, maio 27, 2026

27 Maio de 1977: Lembrar Para Não Esquecer

 Passam hoje 49 anos sobre o 27 Maio de 1977 , um período negro da história angolana que não deve ser branqueado ou esquecido. Na sequência dos trágicos acontecimentos que ocorreram neste dia, dezenas de milhares de angolanos foram torturados, presos e/ou encaminhados para campos de concentração (eufemisticamente chamados de reeducação), e fuzilados sem julgamento, enquanto outros desapareceram sem deixar rasto. 

Deixo-o hoje com a entrevista (datada de 30 julho de 2024) feita, pela Associação 27 de maio, ao querido amigo Manuel Vidigal, que se despediu de nós recentemente e que foi uma das vítimas do 27 de maio de 1977.
Lembrar Para Não Esquecer.

sexta-feira, maio 22, 2026

Regresso

 Ouça o poema Regresso de Alda Lara na voz de João Abreu Completo. 
Alda Lara, nasceu (1930 - 1962) em Benguela e faleceu em Cambambe (Angola), foi uma médica e poetisa portuguesa de origem angolana, que teve uma grande produção poética, publicada apenas após a sua morte, através da recolha dos seus poemas feita pelo seu marido, Orlando de Albuquerque.

sábado, maio 02, 2026

O Príncipe do Congo

 O Príncipe do Congo é um livro de Xavier de Figueiredo.

«A obra O Príncipe do Congo, da autoria de Xavier de Figueiredo, constitui-se como um relevante e pormenorizado contributo histórico para a compreensão dos factores e condicionalismos sociais, políticos, culturais, económicos e militares que marcaram a transição de Angola da era do tráfico de escravos para a modernidade. Além disso, traduz o sentimento de afecto e reflecte o grande interesse do autor pela história de África, que investiga com inovação, inquestionável probidade e rigor científico.» - «Prefácio», António Silva Ribeiro

Sinopse:
Em 1845, uma viagem a Lisboa, à mítica capital do Puto, marca indelevelmente a vida de D. Nicolau, príncipe do Congo, com apenas 15 anos. O pai, rei do Congo, acalentava a esperança de que esta viagem viesse a contribuir para levar Portugal a reconhecer-lhe liberdade para continuar com o tráfico de escravos, que tinha sido abolido por decreto em todos os domínios portugueses. Mas o jogo político inverte-se e, 15 anos depois, D. Nicolau, vendo o fim do reino do Congo no preito de vassalagem imposto por Portugal, num grito de revolta, publica uma carta de protesto num jornal de Lisboa. Abandona o Ambriz, em Angola, onde pouco antes fora colocado como escrivão da Fazenda, mas é assassinado.

Tendo como fio condutor a vida de D. Nicolau, Xavier de Figueiredo descreve o período conturbado que Angola atravessou com o fim da escravatura.

quinta-feira, abril 30, 2026

Um Endereço Impossível

Um Endereço Impossível (An Impossible Address) é um filme do artista e cineasta Suneil Sanzgiri.

O filme está inserido no INDIE Lisboa 2026, e será exibido nos dias 3 (com a presença do realizador) e 10 de maio de 2026.

A obra de Suneil Sanzgiri foi moldada por uma investigação contínua sobre as histórias da luta anti-imperialista e anticolonial no Sul Global — enraizada na sua própria genealogia familiar de resistência em Goa sob a ocupação portuguesa. 

Um Endereço Impossível baseia-se no extenso trabalho de Sanzgiri com o afro-asiático, a Conferência de Bandung de 1955 e as redes transcontinentais de resistência que ligaram a Índia e Angola, nas lutas pela liberdade do domínio português.

Sinopse:
Um Endereço Impossível é concebido como uma carta que não pode ser entregue - apropriando-se de sons e imagens que irrompem da memória histórica.

Fonte: Indie Lisboa
Ele escreve uma carta impossível para Sita Valles, uma médica angolana de ascendência goesa que, após o 25 de abril, deixou Lisboa para se juntar ao MPLA. Um filme que se desenrola através de técnicas cinematográficas variáveis ​​e se apoia numa estética mutável, numa tentativa de compreender o verdadeiro significado da luta.

Esta nova obra de Sanzgiri traça o legado conturbado de Sita Valles — uma revolucionária de origem goesa que lutou pela libertação de Angola, tendo sido mais tarde assassinada pelo Estado angolano. Os seus restos mortais nunca fora encontrados. Lidando visual, sonora e narrativamente com a dificuldade de questionar a história esquiva de Sita a partir da perspectiva de um presente silencioso, o filme de Sanzgiri confronta as contradições da solidariedade e as consequências do trauma coletivo para além da morte. O realizador revela profundas conexões entre lutas que, embora aparentemente desconectadas, ressoam na mesma frequência de resistência. 

Seguindo os passos da revolucionária Sita Valles, através de uma abordagem visual imersiva, onde filmes de 16mm são literalmente enterrados e recuperados da terra, o filme funciona como uma escavação arqueológica e narrativa.

Instalados ao redor da tela do filme, Sanzgiri, apresenta fragmentos de tecido de musselina, enterrados e desenterrados, que apodreceram em grandes pilhas de compostagem durante um mês, juntamente com composições de imagens de arquivo vistas no filme, que foram borradas, criando uma tensão entre a ilegibilidade e a opacidade da memória histórica.
Paralelamente ao filme principal, a obra desconstrói a arquitetura da performance oficial em poéticas informais, através de impressões de imagens e têxteis selecionados, que fazem alusão aos nove atos distintos do filme. 
Explorando as lacunas e falhas dos arquivos, Um Endereço Impossível investiga o poder da herança coletiva.

terça-feira, abril 21, 2026

A Tragédia da Partida dos Colonos de Angola

 A Tragédia da Partida dos Colonos de Angola é um livro do jornalista e investigador Xavier de Figueiredo.

 A obra aborda o êxodo da população branca e miscigenada de Angola durante o conturbado processo de descolonização em 1975. 

O autor explora as causas e, sobretudo, as consequências humanas e sociais da debandada em massa, oferecendo uma perspetiva que desafia estigmas ideológicos.

Xavier de Figueiredo, nascido no Huambo em 1947, é um especialista em assuntos africanos com uma longa carreira no jornalismo, tendo fundado o África Jornal em 1984.

Sinopse:
A Tragédia da Partida dos Colonos de Angola dá-nos uma visão ampla do fenómeno da debandada dos colonos de Angola, como fruto do trágico processo de descolonização do território.
É, porém, nas consequências dessa partida que o livro se concentra, revelando aspectos até agora desconhecidos ou aprofundando outros já do conhecimento geral.
Neste livro, o autor defende que os «colonos» não o eram no sentido pejorativo que o termo veio a adquirir, fustigado por ideologias às quais importou estigmatizá-los; eram sim gente, na sua imensa maioria, deveras afeiçoada a Angola e com a terra identificada, seja por laços de natalidade ou de adopção, e cujas imperfeições não excediam as imperfeições de todos os agrupamentos de seres humanos.
As atrozes condições em que partiram, arrancados a uma terra onde muitos queriam ficar para sempre, fizeram deles as principais vítimas do que se passou, mas cujas consequências, corporizadas no vazio técnico e científico, ainda hoje não colmatado, se abateram sobre Angola e sobre os angolanos, pela decadência e o sofrimento que acarretaram até aos dias de hoje.

sexta-feira, abril 10, 2026

Benguelinha

 Passarinho primoroso
E gentil, plumeo cantor,
Que d'aromas tão fragrantes
Não esparzes com candor,
Quando trinas mavioso
Nesse insólito rigor
De um sol forte e constante
Suaves cantos d'amor?!

         Ás vezes contemplo
         Do dia no albor,
         Sentir o rigor
         De escravo viver;

         Suspiras e gemes
         Em cantos d'amor,
         Ah! sê meu primor
         Não queiras morrer!

         Anhélas no mato
         Andar pelas fragas,
         Viver só de bagas,
         Nos ramos dormir?

         Esvoaça saltando
         Na tua prisão
         Ai! Tem compaixão
         Não vive a carpir!

         Infiltra bondoso
         No meu coração
         O doce condão -
         Do  meigo trinar;

         Que juro contigo
         Do muito viver
         Comtigo morrer,
         Comtigo findar!

         E as azas abrindo
         O plumeo cantor,
         As juras d'amor,
         Ouvio a sorrir -

         Em magos acentos
         Endeixas trinou,
         Que d'alma exalou,
         Que d'alma sentiu! -

quarta-feira, março 11, 2026

Versos Sacanas

Versos Sacanas (2024) é um livro de Frei Maneco (pseudónimo de Manuel Fonseca de Victória Pereira)

"Frei Maneco", um poeta de humor e sarcasmo virtuais, com intervenção crua nas redes sociais, ao estilo de "Literatura de Cordel".

Manuel Fonseca de Victória Pereira (1958 - 2026), foi professor, formador de professores e ocupou o cargo de vice-presidente no sindicato de professores de Angola, SINPROF.

Foi uma voz inconformada, com uma incisiva intervenção política, fruto do seu principal lema de vida: "Servir a sociedade e os seus ideais e mudar o que puder dentro das minhas possibilidades".

Faz parte da tradição da família Victória Pereira a intervenção política e cultural. Na memória coletiva fica a intervenção musical "JÁ", de Manuel Fonseca no concerto "Liberdade JÁ", pela libertação dos presos políticos na República de Angola, no Elinga Teatro, em agosto de 2015.

Sinopse:
«Versos Sacanas de Frei Maneco é um livro espontâneo, que vibra ao ritmo do seu autor, na sua relação permanentemente crítica (no sentido filosófico do termo) com a vida contemporânea do nosso burgo.

Sem dúvidas que estes seus poemas rítmicos, bem dispostos e de um humor inteligente e fino, a que alguns estariam tentados a chamar de canções de escárnio e maldizer, são a expressão poética de uma forma de estar e ser do seu autor, na pessoa do seu heterónimo: Frei Maneco.

Certa é, no entanto, a paixão do autor pelas formas populares de fazer cultura, em geral, e literatura, em particular. Entendidas mais no sentido prático que erudito, sem que essa literatura possa ser homologada como de cordel.»

sexta-feira, março 06, 2026

Comissão das Lágrimas

 Comissão das Lágrimas (2011) é um livro de António Lobo Antunes. 

António Lobo Antunes (1942 - 2026) foi um escritor e médico psiquiatra português.

Sinopse: 
«Um doloroso canto de uma mulher torturada» foi o ponto de partida para Comissão das Lágrimas, o novo livro de António Lobo Antunes. A mulher torturada foi Elvira (conhecida por Virinha), comandante do batalhão feminino do MPLA presa, torturada e morta na sequência dos terríveis acontecimentos de Maio de 1977 em Angola.
Mas este é apenas um episódio num livro denso e sombrio sobre Angola depois da independência. António Lobo Antunes não quis fazer um livro documental ou uma reportagem «verídica» sobre o que se passou em Angola, antes usou a sua sensibilidade e o espantoso poder evocativo da sua escrita para falar sobre a culpa, a vingança, a inocência perdida.

terça-feira, novembro 25, 2025

Sabor de Maboque - A Magia Africana

Sabor de Maboque: A Magia Africana é um livro (2011) de Dulce Braga.

Escrito à noite, durante oito meses, este livro é um relato da vida da Dulce adolescente, para deixar aos filhos. Estas memórias levaram a autora a chorar todos os dias enquanto escrevia o livro.

Sinopse:
Dois meses após a Revolução dos Cravos, uma jovem nascida e criada em Angola passa, como de costume, as férias grandes na metrópole, desta feita, num clima de grande rebuliço, antevisão do que seria a sua existência dali em diante. Ao regressar à ainda colónia portuguesa em África, as sementes da futura guerra civil fazem-na temer pelo primeiro amor, pelos amigos, pela família e pela sua situação socioeconómica confortável. Um pouco antes da independência de Angola, a angústia condu-la ao Brasil, país em que decide esquecer a infância e a adolescência para não ter de enfrentar as cicatrizes do passado. Trinta anos depois, porém, a árvore da vida exige-lhe um resgate das suas raízes e a abertura da mala de cânfora, onde guardara as memórias da terra natal. Diário de uma luta pela sobrevivência, a saga de Dulce Braga entrelaça o dramatismo das experiências vividas com episódios pitorescos e anedóticos, conferindo à narrativa um sabor agridoce único, um sabor a Angola, um sabor de maboque (fruto comestível típico das regiões tropicais).

quinta-feira, novembro 20, 2025

Donas Do Outro Tempo

Pinturas de Neves E Sousa
Donas do outro tempo
Vejo-as neste retrato amarelado:
Como estranhas flores desabrochadas
Negras, no ar, soltas, as quindumbas.
Panos garridos nobremente postos
E a posição hierática dos corpos.
São três sobre as esteiras assentadas
Numa longínqua tarde de festejo.
(Tinha ancorado barco lá no rio?
Havia bom negócio com o gentio?
Celebrava-se a santa milagrosa
Tosca, tornada cúmplice de pragas
Carregada de ofertas, da capela?)
E, a seu lado, sentados em cadeiras,
Três homens de chapéu, colete e laço.
Botinas altas, calças de cheviote.
 
Donas do tempo antigo, que perguntas
Poderia fazer aos vossos olhos
Abertos para o obturador da fotográfica?
Senhoras de moleques e discípulas
Promotoras de negócios e quitandas
Rendilheiras de jinjiquita e lavarindo
Donas que percebíeis a unidade
Íntima, obscura, do mistério e do desígnio
Atentas ao acaso que é a vida
(Há sopros maus no vento! Gritos maus
No rio, na noite, no arvoredo!)
E que, porque sabíeis que vida é larga e vária
E vários e largos os caminhos possíveis
A nova fé vos destes, confiantes. 

O que ficou de vós, donas do outro tempo?
Como encontrar em vossas filhas de hoje
A vossa intrepidez, a vossa sabedoria?
Os tempos são bem outros e mudados.
A tarde da fotografia, irrepetível.
Agua do rio Cuanza não para de correr
Sempre outra e renovada.
E dessa fotografia talvez hoje só exista
Na vilória onde as casas são baixas e fechadas
E têm corpo, pesam, as sombras e o calor
A sobre farfalhante da mulemba
Que vos deu sombra e fresco nesse domingo antigo.

terça-feira, novembro 11, 2025

Angola aos Despedaços. 50 Anos Depois, Que Futuro?

 "Angola aos Despedaços: 50 Anos Depois, Que Futuro?" é um livro de António Costa Silva que analisa a história de Angola desde a independência em 1975, confrontando o ideal de um país próspero com a realidade marcada por 26 anos de guerra, má governação, corrupção e abandono de setores essenciais como educação e saúde. O livro propõe uma reflexão sobre o que correu mal e apela à mudança para construir um futuro diferente. 

O autor critica a trajetória de Angola nos últimos 50 anos, destacando a guerra, a corrupção e a má governação como os principais fatores que destruíram o sonho de um país próspero e soberano. 

Não perca. O lançamento do livro é hoje.

segunda-feira, outubro 13, 2025

Na Rota de Diogo Cão - 1975

Na Rota de Diogo Cão - 1975 - De Angola a Portugal em traineira é um livro de Joaquim da Silva Caetano Serra (2005) que assina sob o pseudónimo de Joaquim de Lisboa.

Neste ano de 2025 comemoram-se 50 anos sobre o grande êxodo de portugueses provenientes das ex-colónias, após a independência das mesmas.  

Este livro relata, meio século depois, a aventura impressionante do autor para vir De Angola para Portugal em traineira!!!

Esta é mais uma estória que contribuirá para a compreensão deste período da História de Portugal.

Sinopse:
"Há cinquenta anos que se ouvem, se contam, se escrevem e se leem estórias acerca do chamado "Retorno".  Em comum, revelam: tristeza, desânimo, abandono, desconsolo, raiva, tragédia, calamidade e desgraça. 
O livro "Na Rota de Diogo Cão ", reflete muitas dessas coisas, para além da Coragem e da Esperança de meia dúzia de homens que fizeram o tal retorno numa pequena traineira, em Setembro de 1975, de Luanda até Lisboa". 
Se quiser saber como foi possível este feito, basta ler este livro.

sexta-feira, julho 25, 2025

O Planalto do Bié - Diários de Viagem (1848-57)

O Planalto do Bié - Diários de Viagem (1848-57) de László Magyar e István Rákóczi (organização). 

Sinopse:
Esta não é uma obra de um explorador ou de um viajante, mas sim a de um colono que optou por viver e morrer numa peculiar forma de autoexílio. Nas suas linhas ignora-se a tensão e a pressa tão características dos viajantes. O autor confessa não ter tido à sua disposição nenhum livro que pudesse tê-lo ajudado no seu trabalho. Daí precisamente a sua originalidade e, mais que isso, a sua credibilidade também. (…) Posso assegurar que estas descrições, tão simples quanto acessíveis, fazem com que os seus leitores se familiarizem melhor com o Continente Negro do que por meio de qualquer rebuscada obra científica.” [Richard Burton, 1886] 

"O meu decidido objectivo é explorar a África Austral, o que só vejo e espero poder levar a bom porto, conhecendo perfeitamente a língua e os costumes dos nativos. Para tal empresa nem podia ter encontrado tão excelente ocasião como entre os bienos, exímia gente dada ao comércio." Esta frase do explorador húngaro László Magyar é uma arte poética, hoje diríamos, dum antropólogo cultural. Reside precisamente nesta faceta, nas circunstâncias que assume a seu favor o viajante, a sua grandeza enquanto "explorador geográfico em construção". Casado com Ozoro, a filha dum soba, foram assim abertas novas sendas para um melhor conhecimento do interior do Continente Negro.

Este pequeno livro ergue um monumento à memória do explorador húngaro László Magyar, nascido há duzentos anos em Szombathely, na Hungria, e falecido com o nome de "Enganna Como" em 1864 no Porto Cuíto de Angola. Publicam-se assim, pela primeira vez e reunidos em língua portuguesa, os seus diários de viagem, publicados e dispersos em húngaro, e que, agora traduzidos, pretendem contribuir para um melhor conhecimento internacional do solitário explorador húngaro, um dos não colonialistas em vésperas da Partilha de África.

domingo, junho 22, 2025

Morro da Maianga

Ouça o cantor Ruy Mingas em Morro da Maianga (letra de Mário António -1934 - 1989).
Ruy Mingas (1939 - 2024) foi um cantor, compositor, diplomata, empresário e político angolano. Foi deputado no parlamento angolano, secretário com status de Ministro dos Desportos e embaixador de Angola em Portugal. Compôs a música do Hino Nacional de Angola.

Da sua obra discográfica destacam-se: "Morro da Maianga", "Cantiga por Luciana", "Poema da farra", "Maquesu", "Muadiaquimi", "Birin birin", "Monagambé", "Adeus à hora da partida" e ainda "Meninos do Huambo".
E agora assista ao vivo Rui Mingas em Morro da Maianga.

sexta-feira, junho 20, 2025

Noites de Luar no Morro da Maianga.

Noites de luar no Morro da Maianga.
Anda no ar uma canção de roda:
"Banana podre não tem fortuna
Fru-tá-tá, fru-tá-tá..
Fru-tá-tá, fru-tá-tá..
Fru-tá-tá, fru-tá-tá..."

Moças namorando nos quintais de madeira
Velhas falando conversas antigas
Sentadas na esteira
Homens embebedando-se nas tabernas
E os emigrados das ilhas...
— Os emigrados das ilhas

Com o sal do mar nos cabelos
Os emigrados das ilhas
Que falam de bruxedos e sereias
E tocam violão
E puxam faca nas brigas...

O ingenuidade das canções infantis
Ó namoros de moças sem cuidado

Ó histórias de velhas
Ó mistérios dos homens

—Vida!:

Proletários esquecendo-se nas tascas
Emigrantes que puxam faca nas brigas
E os sons do violão
E os cânticos da Missão

Os homens
Os homens
As tragédias dos homens! 
Mário António (1934 - 1989)

Nota: Maianga significa lagoa, charco. E é a origem do nome deste bairro de Luanda, lugar onde até ao século XIX iam elefantes, antílopes e leões beber água. O que está na foto é uma estrutura em forma de poço largo que mantinha a água mais limpa.

quarta-feira, junho 18, 2025

Luz e Fé

 


Ouça o cantor angolano Paulo Flores em Luz E Fé (No Mwangolé).
"Mwangolé" significa angolano. Quando se referem a uma característica própria, os angolanos usam a palavra, por ex. "mwangolé gosta de dançar". Mas também pode ser usada como lugar, país, por exemplo "por estes dias faz calor na mwangolé".

quinta-feira, maio 29, 2025

Tem a Palavra: 27 De Maio em Angola: justiça e reconciliação é possível?

"Tem a Palavra" é um programa da RTP África que aborda a atualidade em África. O programa é um debate interativo que inclui telefonemas e especialistas em estúdio, com o objetivo de analisar diferentes perspectivas sobre temas relevantes no continente africano.

A emissão do programa, que decorreu no dia 28 de maio de 2025, pelas 10h, abordou questões relativas aos trágicos acontecimentos ocorridos em Angola, no dia 27 de maio de 1977, que dizimaram milhares de angolanos. O tema do programa era: "27 De Maio em Angola: justiça e reconciliação é possível?" De salientar as intervenções pertinentes do advogado (em Luanda) Benja Satula, da advogada - especialista em direitos humanos - Vânia Costa Ramos (no estúdio em Lisboa) e da excelente condução do programa de Vitor Hugo Mendes, jornalista e pivot, em estúdio.

Se não viu, não deixe de ver aqui .

Ou no Canal 190 da NOS: É só andar para trás.