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domingo, março 15, 2026

O Lado Negro do Chocolate

 O Lado Negro do Chocolate (2010) é um documentário premiado do jornalista, realizador e produtor dinamarquês Miki Mistrati (1968).

Este cineasta decidiu investigar o que existe por trás do doce mais amado do mundo: o chocolate

O chocolate que consumimos é produzido com o uso de trabalho infantil e tráfico de crianças?

Miki Mistrati decidiu investigar informações relacionadas com o trabalho escravo infantil em plantações de cacau. A busca de respostas para estes boatos levou-o até ao Mali, na África Ocidental, onde câmaras ocultas revelam o tráfico de crianças para as plantações de cacau da vizinha Costa do Marfim. 

Quando questionadas sobre os factos, empresas beneficiadas com esta situação tais como a Nestlé, a Mars e a Kargill, entre outras, recusaram-se a dar qualquer explicação.

A Costa do Marfim é o maior produtor de cacau, respondendo por cerca de 40% da produção mundial. Empresas como a Nestlé, a Barry Callebaut e a Mars assinaram em 2001 o Protocolo do Cacau, comprometendo-se a erradicar totalmente o trabalho infantil no sector, até 2008.  

O Protocolo Harkin-Engel, frequentemente referido como o "Protocolo do Cacau", é um acordo internacional assinado em 2001 com o objetivo de eliminar as piores formas de trabalho infantil e o trabalho forçado na produção de cacau, principalmente na África Ocidental, de onde provém mais de 60% do cacau mundial.

Será que o seu chocolate tem um sabor amargo? Acompanhe Miki até à África vendo "O Lado Negro do Chocolate".

Depois de ver este documentário, nunca mais comerá chocolate da mesma maneira despreocupada.

quinta-feira, março 18, 2021

O Bogolan

O Bogolan , também conhecido como bogolanfini, é um têxtil africano cuja técnica e iconografia distintas foram adaptadas a diversos mercados e materiais. Bogolanfini é uma palavra Bambara que descreve esta técnica de tingimento têxtil; bogo significa "terra" ou "lama", lan significa "com" ou "por meio de" e fini significa "tecido". Cada símbolo aí pintado tem um significado. O tingimento tradicional é feito por mulheres e a técnica é passada de mães para filhas. 

O tecido é originário do Mali, onde é feito e usado há gerações. Os padrões geométricos ousados ​​do tecido e os ricos tons de terra tornam-no distinto e facilmente adaptável a novos contextos. Os tecidos Bogolan, termo que significa tecido de lama, é uma tradição entre os Bambara, etnia maioritária do Mali.


No passado, o bogolan era feito exclusivamente por mulheres, que o criavam para uso em contextos rituais específicos e que aprenderam as técnicas e os padrões com as suas mães e outras parentes mais velhas. A confecção do bogolan requer conhecimento técnico e domínio dos vários símbolos do tecido. Durante as últimas duas décadas, novas técnicas, formas e significados levaram o bogolan aos mercados internacionais, embora o tecido continue a ser feito e usado nos seus contextos originais. 

O recente aumento da popularidade dos bogolans mudou a vida de algumas destas mulheres, que agora vendem tecidos para colecionadores de arte e ensinam aspirantes a artistas bogolans, que são principalmente jovens de Bamako, capital do Mali.

Na América do Norte, onde os padrões do tecido foram adaptados a uma ampla gama de produtos, esse tecido é comercializado como "tecido de lama".


Embora o bogolan esteja associado a vários grupos étnicos do Mali, a versão Bambara foi a que se tornou mais conhecida fora do Mali. 

O Bogolan é único em técnica e estilo, o que o torna um tecido particularmente atraente para artistas e designers contemporâneos. Muitos também se sentem atraídos pelo facto do bogolan ser exclusivamente do Mali, não sendo, portanto, fabricado em mais nenhum outro lugar do mundo.

 Veja agora os vídeos abaixo que lhe dão a conhecer este tipo de património cultural.

Agora o segundo.
Agora a parte 1 do terceiro.
E agora a parte 2.

segunda-feira, janeiro 18, 2021

A Falésia de Bandiagara

A Falésia de Bandiagara, no Mali, é uma fratura geológica com aproximadamente 200 km de extensão, situando-se entre a savana e a planície do rio Níger.

Esta falésia tem servido como refúgio natural para os Dogon (o Povo das Estrelas): as paredes escarpadas de rocha ofereciam e oferecem proteção e abrigo, por camuflarem perfeitamente as casas Dogon. Construídas com uma mistura de argila, palha e esterco de bovino, elas eram e ainda são quase indistinguíveis à distância. Esse mimetismo, nada casual, numa topografia acidentada, era de facto ideal. 

Erguidas junto às paredes mais altas do penhasco, estas casas só eram acessíveis através da escalada da rocha (algumas ainda o são), sobretudo aquelas que surgiram durante a ocupação inicial. O terreno, aqui e ali constituído por pedras soltas, dificultava a escravatura dos seus membros por grupos de cavalaria. E, do alto da falésia, a vista privilegiada sinalizava a aproximação da ameaça quando ela ainda poderia ser evitada ou o seu impacto, minimizado.

Os Dogon chegaram à falésia por volta do século XV, época da expansão do Império do Mali. Mas o local já era habitado por outros povos. 

Há registos de habitantes a viver na falésia desde 3 000 a.C.. Os Telem ou Tellem (pigmeus de cor avermelhada), que foram absorvidos pelos Dogon, por influências recíprocas ou obrigados a se deslocarem, deixaram, além de outros, o grande legado das cavernas. Nelas se encontra o local mais sagrado para os Dogon, que abriga sepulturas e pontua a verticalidade da falésia. Estas foram erigidas nos seus pontos mais altos, e só são acessíveis aos mais hábeis escaladores através de cordas feitas da fibra do Baobá. 

O país dos Dogon é uma verdadeira jóia na África Ocidental. Esta região foi considerada Património Mundial da Humanidade em 1989, não só devido às belezas naturais desta região do globo, mas também, devido à cultura do povo Dogon (se o quiser ficar a conhecer melhor, basta clicar aqui).