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sexta-feira, maio 30, 2025

Rua do Deserto, 143

Rua do Deserto, 143 (ou 143 Sahara Street) é um filme (2019) do género documentário, realizado por Hassen Ferhani (co-produção de Argélia, França, Catar).

Este documentário faz parte da edição 2025 do Porto/Post/Doc. Entre os dias 20 e 29 de novembro o festival volta a ocupar vários espaços do Porto com uma programação centrada no documentário contemporâneo e na discussão dos temas que marcam a vida dos nossos tempos. Rua do Deserto, 143 faz parte do programa temático do evento, sob o mote O Tempo de Uma Viagem

Sinopse:
Hassen Ferhani
filma, em Rua do Deserto, 143, uma casa de chá perdida no deserto do Saara, onde uma mulher única, Malika, acolhe viajantes cujas histórias revelam, em encontros fugazes, a força do cinema do real como espelho da humanidade. 
Este filme tranquilo é, pois, um retrato íntimo da sua proprietária e dos seus convidados, bem como da paisagem da Argélia.

quinta-feira, abril 24, 2025

Destacam-se os azulejos...

Capela das Almas, Porto
Destacam-se os azulejos no granito,
mais ainda quando a morrinha cai
sobre os Leões. Nos Poveiros o fumo
das castanhas lembra a tal Mamuda
− sai um polvo frito!
O Outro suspirava, naquela ingenuidade:
berlindes do Campo Alegre ou de São Lázaro.
Procura nos bolsos o balandrau clássico,
às Belas Artes, um texto à maneira
dos sonetos de Sena – Arca d’Água.
Desliza, solitário, do Majestic aos Clérigos,
e, ao olhar a catedral – a Lello
– lê nos verbetes da enciclopédia inacabada
o teu nome de menina: já sorri.

Eduardo Guerra Carneiro - A Noiva das Astúrias, Lisboa, 2001

sábado, novembro 09, 2024

Mike Davis: Uma Marca Portuguesa

Sabia que a Mike Davis é uma marca portuguesa? 

Ainda hoje há quem vista roupa da marca Mike Davis e não saiba que ela é 100% portuguesa. Surgiu em 1976, no clube de Ténis da Foz, no Porto, pela mão de três amigos (Henrique Schreck, Paulo Schreck e Raul Leitão) amantes do Ténis, do Windsurf e da Vela.

Estes amigos decidiram então aproveitar para lançar uma marca de roupa desportiva que fosse tão moderna e apelativa como aquelas que viam nas revistas internacionais. 

Em 1977 saem as primeiras peças: vestuário técnico para Ténis e Windsurf.

O nome da marca, Mike Davis, era o nome de um tenista galês que os criadores decidiram homenagear. Tudo o resto é português: os designers, os materiais, o fabrico das peças. Tudo é feito dentro das fronteiras nacionais. 

48 anos depois a Mike Davis continua a competir com as marcas internacionais mais cobiçadas.

E esta, heim? 

sexta-feira, setembro 06, 2024

Animem-se os portuenses, carago!

Majestic
Animem-se os portuenses, carago!


O Porto é uma das Cidades mais antigas do Mundo!...

Tem a 3ª mais bela Livraria do Mundo - Lello!

Tem o 6º mais belo Café do Mundo - Majestic!

Tem um dos mais perfeitos e inteligentes edifícios do Mundo - Burgo!

Tem uma das melhores salas sonorizadas do Mundo - Casa da Música!

Tem o único Parque citadino do Mundo ligado ao Mar - Parque Ocidental da Cidade com quase 80 ha!

Tem uma das maiores construções em ferro do Mundo - Ponte D. Luíz I !

Tem um dos maiores arcos em betão do Mundo - Ponte da Arrábida!

Tem uma das maiores Torres do Mundo construídas em granito - Clérigos!

Tem o quinto melhor aeroporto do mundo na sua categoria.

Tem um dos melhores e maiores portos artificiais do Mundo - Leixões!

Casa da Música
Tem dois Pulitzers - com três prémios - de Arquitectura: Álvaro Siza e Souto Moura!

Teve um presidente do clube desportivo com mais títulos no Mundo - Pinto da Costa!

Tem o atleta com mais títulos conquistados mundialmente - Victor Baía!

Tem a atleta com mais títulos conquistados mundialmente - Rosa Mota!

Deu o nome ao melhor vinho do Mundo - o Porto.

Foi portuense umas das maiores violoncelistas do Mundo - Guilhermina Suggia. 

Tem a Estação Ferroviária de São Bento considerada a 16ª mais bela Estação do Mundo!

Foi o Porto que deu o nome a Portugal, o primeiro País do Mundo com as fronteiras definidas desde 1267!

É a única Cidade no mundo com 4 especialidades gastronómicas únicas no mundo criadas no seu seio:
Francesinhas, Bacalhau à Brás, Bacalhau à Zé do Pipo e as Tripas à Moda do Porto, criadas no séc. XV.

Finalmente, o Porto foi considerado o melhor destino de 2017 do Mundo

Não há dúvida que a Cidade do Porto é uma cidade invulgar, única no Mundo.

Lello
E ainda: 

Uma das mais conceituadas universidades do Mundo (UP),

Um dos maiores Clubes do Mundo (F.C.Porto)

Um dos mais conceituados cineastas do Mundo - Manoel de Oliveira

domingo, junho 23, 2024

A Cascata Sanjoanina

A "Cascata Sanjoanina" é uma espécie de presépio, montado por altura das festas de S.João
As cascatas de S. João nasceram do hábito de montar presépios, introduzido em Portugal no século XVII. «Pegava-se num presépio, substituía-se a sagrada família e os reis magos pelos santos populares e tínhamos uma cascata», diz Helder Pacheco. As cascatas sanjoaninas são, então, uma tradição muito antiga que deve ter tido origem na cidade do Porto, onde alguns artífices representavam, em miniatura, os principais locais da invicta, desde o morro da Sé até ao Rio Douro. 
Em Leça da Palmeira esta tradição também está associada à celebração dos Santos Populares (Santo António, S. João e S. Pedro), em especial o S. João. Nesta época festiva, em vários lares era comum as famílias construírem uma cascata com a representação dos lugares mais emblemáticos de Leça. Para tal compravam os célebres bonecos de barro, na Feira da Louça do Senhor de Matosinhos. Com o passar dos anos, as cascatas começaram a ser cada vez maiores e mais pormenorizadas, graças à arte de artesãos como João Soares e José Moreira
A "Cascata Sanjoanina" é constituído por uma estrutura em degraus com uma imagem do patrono na plataforma mais alta. Tradição ainda viva semelhante à tradição lisboeta, hoje quase desaparecida, do trono de S.António.

sábado, junho 22, 2024

A minha cidade

A minha cidade não se chama Lisboa,
não tem cheiro a sul
e nem por ela passa o Tejo,
mas como ela, tem Nascentes
leitosos e marmóreos...
Na minha cidade os Poentes são de ouro
sobre o Douro e o mar
e só ela tem a luz do entardecer
a enfeitar o granito...
Na minha cidade, tal como em Lisboa
há gaivotas e maresia
mas não há cacilheiros no rio
há rabelos
transportando nectar e almas...
Da minha cidade nasce o Norte
alcantilado, insubmisso
e o sol, quando chega, penetra-a
delicadamente, carinhosamente,
depois de vencido o nevoeiro...
Na minha cidade também há pregões,
gatos, pombas, castanhas assadas e iscas
e fado pelas vielas, pendurado com molas,
como roupa a secar nos arames...
A minha cidade tem também tardes languescentes,
coretos nas praças
velhos jogando cartas em mesas de jardim
e o revivalismo de viúvas e solteironas
passeando de eléctrico...
É bem verdade que na minha cidade
a luz, não é como a de Lisboa
mas a luz da minha cidade
é um frémito de amor do astro-rei
a beijá-la na fronte, cada manhã!...
Maria Mamede (Pseudónimo literário de Maria do Céu Silva Fernandes, nasceu em 1947 em S. Mamede de Infesta.) 

domingo, abril 14, 2024

Era um galo azul na manhã do Porto

Aldemir Martins -  artista plástico 

Era um galo azul na manhã do Porto.
O campo com castelo em ruínas e os patos no charco.
O banho
sob a ponte do Senhor Dom Luís a luta
espreitando da muralha. S. Jorge
S. Jorge por quem gritam os portugueses.

Foi uma cena devoniana de grande efeito
os peixes devorando o rei vindo de Itália
romântico
românticas são as cabras das Montanhas Rochosas
criaturas de Camilo fazendo comércio e indo
ainda hoje setembro de setenta e oito
de bigode encerado criada fardada levando o
carrinho de bebé
rodas altas capotinha azul.
A mulher envolta em rendas negras. Vão
jantar na varanda sobre o rio.
O cor de rosa os pequenos nevoeiros.

O Porto é descer descer até ao Douro e
o retrato de uma mulher tocando arco por
detrás de uma janela de Matosinhos
porque cinzentos eram os dias mais os poemas do Nobre.
Vou de azulejo em azulejo
não há nenhuma igreja nenhum café onde não
entre. O Porto mais as escadas da Lello
as calhas espaçadas dos eléctricos o galo azul
tão azul nas manhãs de S. Lázaro
no meio-dia dos passeios de tão azul o quero
pelos cinzentos dias.

Do azul da torbenite
crosta de prismas entrelaçados cidade
mais próxima da Primavera de Alice que de Lisboa
fica longe é imoral que lá não possas ir
ao menos ver Pousão e ouvir o bispo

merde pour celui qui ne le regarde point!

João Miguel Fernandes Jorge - Eugénio de Andrade, Daqui Houve Nome Portugal (Antologia)

domingo, junho 18, 2023

Santos Populares & Gastronomia

Para os portugueses não existem festas sem comida e bebida, de preferência de qualidade e em quantidade. 

Uma festa ou arraial como deve ser tem pratos tradicionais associados a essas comemorações, é o caso dos Santos Populares (Santo António, São João e São Pedro). Um arraial é uma festa ao ar livre, com conotações populares e folclóricas. Durante a festa de Santo António em Lisboa, acontecem vários arraiais em simultâneo em diferentes bairros da cidade, onde são comuns as atuações ao vivo. 

Nesta altura do ano e nos diferentes arraiais que se realizam por todo o país, são muitos os petiscos e os pratos que fazem não só as nossas delícias como as de muitos turistas que visitam o nosso país. Aqui vão alguns:

A Sardinha assada

Não há maior clássico dos santos populares do que a sardinha assada. No pão ou no prato a sardinha faz parte da cultura portuguesa e, durante o mês de junho, é impossível resistir-lhe. Se vier acompanhada por uma salada de pimentos ainda melhor! 

O Caldo Verde

Este é outro clássico dos santos populares. É um creme de batata e couve portuguesa migada. Come-se, habitualmente, ao final da noite. Bem quente e bem servido com rodelas de chouriço, funciona como a comida de conforto das festas populares.

Os Caracóis

Este é um petisco mais associado a Lisboa e ao sul de Portugal. Este petisco não é consensual: ou se ama ou se odeia.

As Bifanas, os Couratos e a Entremeada

Estes são petiscos simples, normalmente grelhados, mas que nesta altura são os reis da festa.

No prato ou no pão, a bifana (um bife de porco frito ou grelhado) pode comer-se um pouco por todo o lado.

A Morcela e o Chouriço assados

Estes são os enchidos mais queridos de Portugal e fazem parte da ementa de qualquer festa ou romaria sempre acompanhados por pão caseiro.

As Bebidas

Aqui não há como enganar, o vinho, a sangria e a cerveja são os reis. E para rematar a noite nada como uma boa ginjinha.

As Farturas

Estas frituras doces não estão especificamente relacionadas com os Santos Populares, mas são  obrigatórias na maioria das festas de rua por todo o país. É uma massa frita, que é consumida simplesmente polvilhada com açúcar e canela.

O Arroz Doce 

O Arroz Doce é uma das sobremesas mais tradicionais da gastronomia portuguesa. Não é específica dos Santos populares, mas, é uma sobremesa fácil, rápida e económica que faz parte da infância da maioria dos portugueses.

Se nunca viveu esta quadra não deixe de visitar o Porto (S. João), Braga (S. João), Póvoa de Varzim (S. Pedro) ou Lisboa (Santo António)

domingo, junho 28, 2020

O São Pedro na Afurada

O São Pedro é o santo popular de eleição na Afuradacomo pode ver no vídeo abaixo.
A Afurada é uma vila de pescadores junto à cidade do Porto. O seu santo padroeiro é o São Pedro. A sua festa principal é o São Pedro da Afurada. 
Gente de grande devoção, todos os anos os pescadores prestam homenagem ao santo, com toda a pompa e circunstância onde, para além das cerimónias religiosas, não falta a tradicional sardinha assada, com a típica Broa de Avintes e o fogo de artifício. Esta festa atinge o seu auge aquando da saída da procissão, cujos andores transportam imagens de santos e santas de tamanho natural, seguidos pelos seus fieis, trajados com as tradicionais vestes das gentes da pesca.
À passagem defronte ao Rio Douro, procede-se à bênção dos barcos, acompanhada pelo toque das sirenes e morteiros.

quinta-feira, janeiro 30, 2020

Balada do Rio Douro


Que diz além, além entre montanhas,
O rio Doiro à tarde, quando passa?
Não há canções mais fundas, mais estranhas,
Que as desse rio estreito de água baça!...
Que diz ao vê-lo o rosto da cidade?
Ó ruas torturadas e compridas,
Que diz ao vê-lo o rosto da cidade
Onde as veias são ruas com mil vidas?...



Em seus olhos de pedra tão escuros
Que diz ao vê-lo a Sé, quase sombria?
E a tão negra muralha à luz do dia?
E as ameias partidas sobre os muros?
Vergam-se os arcos gastos da Ribeira...
Que triste e rouca a voz dos mercadores!...
Chegam barcos exaustos da fronteira
De velas velhas, já multicolores...
Sinos, caixões, mendigos, regimentos,
Mancham de luto o vulto da cidade...
Que diz o rio além? Por que não há-de
Trazer ao burgo novos pensamentos?
Que diz o rio além? Ávido, um grito
Surge, por trás das aparências calmas...
E o rio passa torturado, aflito,
Sulcando sempre o seu perfil nas almas!...
Pedro Homem de Mello - Poesias Escolhidas

segunda-feira, junho 24, 2019

As noites do Porto

Shakespeare podia ter vivido aqui. Podia
ter dançado na noite de S. João, quando o rio
transborda para as ruas nas correntes
humanas que as inundam. Podia ter escrito
nos invernos de ausência o que a noite
ensina sobre a privação. Podia ter
ensinado, à beira do cais, que o tempo lascivo
corre como a água, levando o que não há-de
voltar e trazendo o que nunca terá nome
nem corpo. As almas, que empalidecem quando
o sol poente se reflecte nos vidros,
cantam bruscamente o verão: reflexo de um
reflexo, frutos que se deixam colher pela
memória, seres sem ser que não hão-de voltar
a nascer. Mas o que ele cantou, podia
tê-lo cantado aqui. Todos os lugares são,
afinal, lugar nenhum para quem não habita
senão a própria voz: sonho de outra margem,
cantor perdido no labirinto das pontes. Perto
da foz, sem o saber; sonhando a nascente,
como se não fosse ele próprio a única fonte.
Nuno Júdice

sexta-feira, abril 20, 2018

Um passeio pelo Douro

O Douro é o 2º maior rio da península Ibérica. Nasce no Norte de Espanha a 2080 metros de altitude na província de Sória, nos picos da Serra de Urbião (Sierra de Urbión) e percorre 850 kms até à sua Foz em Portugal junto às cidades do Porto e de Gaia.
Quer fazer um passeio ao longo do Rio Douro?
Quer percorrer virtualmente este nosso belo rio desde a Foz até Miranda do Douro?
Então não desperdice essa oportunidade apreciando a excelente apresentação que se segue.
Ora veja. Vale bem a pena.
Não perca esta oportunidade!

domingo, junho 24, 2012

Quadras Soltas a S. João

Não me estreites de maneira
Que me impeça respirar.
Lembra-te, amor, que a fogueira
Só arde se tiver ar!...

Mesmo fria, é sempre bela
A noite de S. João.
Nunca a orvalhada gela
Quando é quente o coração.

Sorri feliz, o menino,
Aos ombros do pai babado:
Um S. João pequenino,
Num altar improvisado.

Pode murchar a cidreira
Pode cair o balão
Pode morrer a fogueira
Nunca morre o S. João!

Ver os balões na subida
Mostrando ao mundo a fachada,
Faz lembrar os que na vida
Sobem cheiinhos de nada!...

Quando a Maria bailar
Com a saia de balão,
Até as nuvens do ar
Querem ser pedras do chão.

Ir numa rusga qualquer
É dança em que não me dou;
Se eu fosse como alguém quer
Nunca mais era quem sou!...

O pobre que faz, cantando,
Do lar, cascata modesta,
Vê nos seus filhos brincando
Os balõezinhos da festa!

Um miudo vagabundo,
Quando lhe dei o balão,
Pensava levar o mundo
Preso no fio da mão.

Na dança trocaste o passo,
Troquei o meu, em seguida...
E acertámos o compasso
Prá dança da vida!

Eu sou a fonte vadia
Dum S. João vagabundo
Que mata a sede à folia
Da maior noite do mundo.

Meu balão não é d'espanto!
Não tem vinda, só tem ida,
Leva risos, leva pranto...
Tudo faz parte da vida.

Com tua mão presa à minha
Fui à fonte e não bebi.
A estranha sede que tinha
Era só sede de ti!

Fogueiras de amor, já fiz,
Mas ocultei-lhes a chama.
A alma ama e não diz,
A boca diz mas não ama.

Pelo Santo António vi-te,
P'lo S. João fui falar-te;
No S. Pedro convenci-te,
Falta um santo p'ra deixar-te.

Sou ateu, mas faço santos,
Cascatas, figuração;
Faço risos, faço prantos;
Faço a vida ó São João!

Uma oculta semelhança
No baile vi traduzida:
São vida os passos de dança,
São dança os passos da vida.

O ferrenho "Zé tripeiro"
Passou a noite de vela;
Com S. João num craveiro
E o Porto na lapela...

Os olhos duma criança
São de luz, lá bem no fundo.
Dois balõezinhos de esperança
No céu cinzento do mundo.

Tem fé na vida, tem calma,
Tenta a sorte, que ele existe;
procura a sorte na alma
de um trevo que nunca viste...

Chinelinha de tacão,
São João, entrei na valsa.
Foi tão grande o trambolhão,
Dei por mim, estava descalça...

Eu sou fogueira cansada,
Mesmo assim quero ir à festa.
São João, vou p'rà noitada
Queimar a lenha que resta...

Nenhum santo é menos santo
Por estar numa cascata
Que um pobre ergueu, com encanto,
Num simples bairro de lata...

O casebre era a cascata,
E o velho, sentado ao fundo,
Era um S. João, sem data,
Com todo o sonho do mundo!

A fonte é como a mulher
Que ama sem ser amada;
Não bebe e dá de beber,
Só beija quando é beijada.

Meu amor foi um balão
Que depressa se perdeu.
Bastou-me soltar-lhe a mão
E foi um ar que lhe deu!

Nos bailes de S. João
Troquei penas por compassos.
Por isso cumpro prisão
Na cadeia dos teus braços.

Minha mulher, meu enlevo,
Balão, manjerico e brasa...
- Por que hei-de ir atrás do trevo
Se já tenho a sorte em casa?

Não ouças, não digas nada,
Deixa lá falar quem fala;
Pois o melhor da noitada
É aquilo que se cala...

Acabada a reinação,
Vim da festa acompanhado.
Quis passar por gavião,
Acabei pombo anilhado.

No S. João tu não andes
À noite nas Fontainhas;
Deixa essas festas grandes
Que eu faço-te umas festinhas...

Se não me queres, só me resta
Vir da festa antes do fim.
Não me interessa estar na festa
Sem a festa estar em mim!

Ah poeta! Tu desfolhas
Tua sorte em tons diversos:
No trevo de quatro folhas,
Na trova de quatro versos...
Quadras populares, de diversos autores, "pescadas" na net.