domingo, março 29, 2026

A Boleima de Portalegre

 A Boleima de Portalegre é um doce típico alentejano que é simples de fazer e irresistível ainda quente.

Embora Portalegre seja o reino da boleima, cada localidade do Alto Alentejo (Portalegre, Castelo de Vide, Ponte de Sôr, Marvão, Alter do Chão e Elvas) tem a sua receita. 

Em comum, o facto de ser uma das mais doces e populares tradições alentejanas da Páscoa. Existem versões "ricas" e "pobres", mas todas assumem uma forma quadrada ou retangular, a cor castanha, dourada, o açúcar amarelo e a canela como toque final.

Reza a história que o bolo é uma variante do pão ázimo consumido pelos Judeus para recordarem a fuga de Israel.  O fermento não faz parte da receita, pois a fuga foi tão repentina que não houve tempo para levedar o pão. Ao contrário da grande maioria dos doces típicos portugueses, também não leva ovos, já que o objetivo inicial da receita era aproveitar as sobras de massa do pão, a que então se foram acrescentando ingredientes como o açúcar, a canela, a maçã ou as nozes.

Boleima de Pão, Canela, Noz e Maçã (Portalegre, Fronteira e Cabeço de Vide - Alto Alentejo)

Ingredientes:
1 kg de pão em massa, 
0,5 l de azeite cru, 
200 g de farinha de trigo, 
açúcar louro q.b., 
canela em pó q.b., 
1 kg de maçãs, 
150 g de nozes partidas aos pedacinhos, 
manteiga ou banha q.b. para untar a forma, 
farinha q. b. para polvilhar a forma.

Preparação:
Descascam-se as maçãs e cortam-se às meias luas. Numa tigela mistura-se o açúcar e a canela.
Num alguidar amassa-se a massa do pão com o azeite e a farinha. Unta-se um tabuleiro com
manteiga e polvilha-se com a farinha. Divide-se a massa em duas partes e forra-se o tabuleiro
com uma dessas partes, polvilha-se com a mistura do açúcar e a canela, cobre-se com a maçã e
os pedacinhos de nozes e polvilha-se novamente com o açúcar, cobre-se com a restante massa
e polvilha-se com açúcar e canela. Com um a faca, corta-se a massa aos quadrados e sobre
cada um deles coloca-se uma meia-lua de maçã, polvilha-se com açúcar e canela e leva-se a
cozer em forno médio. depois de cozida, desenforma-se.
Fonte: entrevista a Maria Jesuína dos Santos Mourato (n/d:1950), com o 1.º ciclo, proprietária, por Adelaide Martins [Leader-Sor]/ 2012. Organização/ data - Paulo Lima | antropólogo/ 2012-outubro/maio-2013.