quarta-feira, março 04, 2026

A Torre Milad

A Torre Milad  (Milad Tower), também conhecida como a Torre de Teerão, tem 435 m e é a sexta torre mais alta do mundo e a 24ª maior estrutura independente do mundo. A construção da torre foi iniciada em 1997 e concluída após 11 anos, em 2008. É um edifício multifuncional localizado na capital do Irão.

A Milad Tower tem uma base octogonal, simbolizando a tradicional arquitetura persa. Possui escadaria e elevadores para chegar ao topo e faz parte do Centro de Convenções Internacional de Teerão

 O projeto inclui restaurantes, torre de telecomunicações, hotel cinco estrelas, centro de convenções, um centro de comércio, e um parque de TI.


A sua antena possui 100 metros, a torre tem na parte superior 12 andares de metal e vidro, onde funcionam um restaurante panorâmico, uma galeria de arte e um terraço.

Ainda outro vídeo sobre a Torre Milad.
Na Torre de Teerão também se praticam desportos radicais.

terça-feira, março 03, 2026

O Bolo Ópera

 O Bolo Ópera (Gâteau Opéra) é um dos doces mais clássicos, refinados e técnicos da confeitaria  francesa. Criado em Paris na década de 1950, é conhecido pela sua estrutura elegante, composta por camadas finas e precisas que alternam sabor intenso de café e chocolate. Esta é uma boa opção para quem não dispensa esta deliciosa combinação. Aliás, esta receita da gastronomia francesa traduz-se num intenso contraste entre o amargor do café e o rico sabor do chocolate.

Este bolo foi criado por Cyriaque Gavillon na famosa casa de confeitaria parisiense Dalloyau. A esposa do criador, Andrée Gavillon, batizou o bolo de "Ópera" em homenagem à Ópera Garnier de Paris, e diz-se que as camadas lembravam o palco da ópera ou os palcos dos dançarinos. Embora Dalloyau tenha popularizado o bolo, Gaston Lenôtre também reivindicou a invenção da sobremesa na década de 1960. 

Tradicionalmente composto por sete camadas finas e harmoniosas, geralmente incluindo biscoito Joconde (um tipo de pão de ló leve feito com farinha de amêndoas, que é banhado em calda de café para manter a humidade e o sabor), ganache de chocolate intenso e creme de manteiga (buttercream) de café. Geralmente retangular, com uma glaçagem de chocolate espelhada no topo e a palavra "Ópera" escrita com chocolate. Para ser perfeito, deve ter entre 2,5 e 3 cm de altura, sendo servido em fatias finas.

Os componentes da Receita Tradicional, são: o Biscuit Joconde (massa de amêndoas crocante); Calda de Café (para embeber o biscoito); Buttercream de Café (que é um creme de manteiga com sabor a café); Ganache de Chocolate (chocolate intenso) e Glaçagem (cobertura de chocolate brilhante). 

É uma sobremesa que exige técnica, tempo e paciência, sendo muitas vezes considerada uma das provas de fogo na alta confeitaria, popularizada em escolas como Le Cordon Bleu.

Cada garfada é uma experiência: o aroma intenso, o derreter suave na boca e o equilíbrio perfeito entre doçura e sofisticação.

Um doce que não é só sobremesa, é pausa, é prazer, é o sabor de um momento elegante.

segunda-feira, março 02, 2026

A Torre Azadi

 A Torre Azadi ou Torre da Liberdade é um dos símbolos de Teerão. A torre, construída em 1971 por ocasião das comemorações dos 2 500 anos do Império Persa, foi chamada originalmente Shahyād, que significa "memorial dos reis". Passou a chamar-se Azadi "liberdade" a partir dos protestos que tiveram lugar em 12 de dezembro de 1978 que conduziriam à Revolução Islâmica de 1979. Esta Revolução transformou o Irão, até aí uma monarquia autocrática pró-Ocidente comandada pelo Xá Mohammad Reza Pahlevi, numa república islâmica teocrática sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini.

A Torre foi concebida pelo arquiteto Hossein Amanat, que aos 24 anos apresentou o projeto vencedor do concurso realizado em 1966. A Torre Azadi combina os elementos arquitetónicos dos períodos Aqueménida e Sassânida e da arquitetura islâmica. Tem 45 m de altura e é inteiramente revestida por 25 000 placas de mármore branco de Isfahan. Um museu e várias fontes completam o conjunto.
A torre está situada no centro da Praça Azadi, cuja área é de 50 000 m². Nessa praça aconteceram as manifestações que conduziram à Revolução de 1979 e que transformaram o país numa ditadura islâmica teocrática.

domingo, março 01, 2026

O Jogo da Silva (ou Jogo dos Bilros)

Jogado em Trás-os-Montes e Alto Douro, o Jogo da Silva ou Jogo dos Bilros é jogado individualmente ou em equipa e num terreno plano.

Material:
– 1 bola de madeira de fácil trabalho (principalmente pinho ou amieiro), mais ou menos redonda com o diâmetro da ordem dos 20 cm.
– 9 bilros, normalmente de pinho, de forma cilíndrica com o comprimento da ordem dos 25 a 30 cm e diâmetro da ordem dos 4 cm, terminando uma das extremidades em forma cónica.
– 1 bilro com a forma dos anteriores cujo comprimento é da ordem dos 30 a 35 cm e diâmetro de cerca de 5,5 cm.

Disposição dos bilros:
Os 9 bilros são dispostos por forma a constituírem 3 linhas e 3 colunas com 3 elementos cada.
O bilro maior, denominado "vinte", coloca-se separado dos restantes pouco mais ou menos no alinhamento e prolongamento da coluna central (sentido do lançamento) e deles separado cerca de 30 cm por um traço ou risco.

Local:
Uma escavação no terreno, sensivelmente plana, formando uma meia cana com a largura aproximada de 90 cm e uma profundidade com cerca de 30 cm, encimada por uma pedra que limita o movimento da bola.

Como Jogar:
As equipas devem encontrar-se a uma distância dos bilros entre 6 a 8 metros, assinalada por dois pinos vermelhos. Um jogador de cada vez lança a bola, rolando-a pelo chão e tentando derrubar os bilros. Pelo derrube do bilro maior a equipa ganha 20 pontos e ganha 2 pontos por cada bilro pequeno, desde que este não ultrapasse o risco. Caso tal aconteça, o derrube vale 10 pontos. Ganha a equipa que fizer primeiro100 pontos. 
A partida é constituída por 3 jogos: 1º, 2º e negra. O vencedor terá de ganhar dois destes jogos. Cada jogo vale 100 pontos.

Valores atribuídos:
– 10 pontos. Só tem valor quando há bilros derrubados legalmente.
– Bilro maior: 20 pontos. Tem valor sempre que tocado pela bola em qualquer sentido e direção.

– Restantes bilros:
– se caem e não ultrapassam o risco (não livrar) que os separa do 20, têm o valor de 2 pontos.
– Se caem e ultrapassam o risco (livrar) é-lhes atribuído a cada um 10 pontos.
Estes bilros só têm valor quando tocados no sentido do lançamento.

sábado, fevereiro 28, 2026

O Foie Gras

O Foie Gras é uma especialidade gastronómica tradicional cuja produção está intimamente ligada à identidade culinária do Sudoeste de França. O Foie Gras é oficialmente reconhecido como parte do "Património Cultural e Gastronómico Protegido" daquele país. 

A história conta que este pitéu se tornou uma especialidade com o "Pâté de Contades" inventado por um cozinheiro de Estrasburgo para um marechal de França e governador da Alsácia em 1778. Depois de se tornar uma instituição nas mesas reais no século XIX, o Foie Gras consolidou-se no sudoeste e tornou-se popular no país. É muito consumido no inverno e em datas festivas, como o Natal.

O Foie Gras é uma receita que tem gerado polémica no mundo inteiro, por causa da alimentação forçada de animais. Ainda assim carrega uma aura que evoca luxo e requinte. Juntamente com as trufas, o Foie Gras é considerado uma das maiores iguarias da gastronomia francesa.

Literalmente traduzido como "fígado gordo", este patê tem textura interessante que derrete suavemente na boca. Apesar de ser um prato sofisticado, é conhecido pelo seu sabor delicado e textura aveludada, o que o torna um verdadeiro tesouro para quem aprecia a alta gastronomia.

Um Foie Gras é simplesmente o fígado de um pato ou ganso adulto, saudável e robusto, criado segundo métodos tradicionais, e também em conformidade com as normas rigorosas definidas pela IGP para engordar os patos ou gansos com vista a produzir um fígado maior. Os patos ou gansos são especialmente alimentados com uma dieta rica em grãos. 

O Foie Gras tradicionalmente é servido com acompanhamentos como figos, geleias de frutas ou pães frescos, criando uma sinfonia de sabores. Os críticos gastronómicos são unânimes na sua admiração pelo equilíbrio sublime dos sabores deste prato.

sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Epifania

Epifania - 1940
 "Epifania" (Epiphany) é uma pintura surrealista criada por Max Ernst. Esta obra reflete o estilo inconfundível do artista, caracterizado por paisagens oníricas, figuras bizarras e texturas complexas, muitas vezes resultantes das suas técnicas inovadoras de frottage e grattage. A obra é notável pela atmosfera contemporânea e misteriosa. 

Grattage é uma técnica de pintura surrealista inventada por Max Ernst em 1927. Consiste em raspar tinta fresca ou seca sobre uma tela para criar texturas, relevos e formas tridimensionais. Frequentemente associada à frottage, a técnica revela camadas inferiores de cor e é usada para criar efeitos aleatórios ou figurativos, sendo também utilizada no informalismo.

Max Ernst (1891/1976) foi um pintor e poeta alemão que se naturalizou norte-americano e, posteriormente, francês. Em 1922, mudou-se para França, onde conheceu André Breton e ingressou no movimento surrealista. Breton descrevia-o como o "mais magnífico cérebro assombrado" das artes, destacando a sua maestria na essência do Surrealismo.

A Tentação de Santo António - 1945
Durante a Segunda Guerra Mundial, Ernst fugiu para os Estados Unidos, retornando a França em 1948, quando se naturalizou francês. A sua obra inovadora, marcada por experiências com colagem, frottage e técnicas inusitadas, consolidou o seu impacto na arte moderna.
Uma das obras mais conhecidas de Max Ernest é A tentação de Santo António (1945) que é uma pintura a óleo surrealista que venceu um concurso para o filme "The Private Affairs of Bel Ami". A obra retrata a angústia do santo no deserto, cercado por criaturas fantásticas e bizarras num estilo onírico e de pesadelo, destacando-se pela mistura do fantástico com o real.

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Lisboa Com Suas Casas

 Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores…
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos.
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
À força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) - Poesias de Álvaro de Campos, 1934