sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Ainda Se Lembra Do Cantinflas?

Cantinflas (1911 - 1993) era o nome artístico do humorista, ator e comediante mexicano Mario Moreno

Cantinflas protagonizou cerca de 49 filmes, destacando-se pela comédia social e habilidade linguística única ("cantinflear"). 

Alguns dos filmes notáveis que interpretou incluem, entre outros:  "A Volta ao Mundo em 80 Dias" (1956) onde desempenhou o papel de Passepartout, ganhando reconhecimento mundial; "Bombeiro Atómico" (1952); "Se eu fosse Deputado" (1952); O Grande Fotógrafo (1953); Pepe (1960); O Analfabeto (1961); Sua Excelência (1967); O Patrulheiro 777 (1978) e o último, "O Varredor" (1982). 

A maioria dos seus filmes, especialmente na década de 50 e 60, foi realizada por Miguel M. Delgado, focando-se em personagens humildes que superavam situações através do seu carisma e sagacidade. 

Para quem se lembra dos filmes de Mário Moreno "Cantinflas", aquele artista que vinha com as calças a meio do rabo, deixo-lhe aqui um cheirinho de alguns dos filmes que fez. Divirtam-se, e riam, que até ver ainda não pagamos imposto.

Em Cantinflas O Analfabeto, Mario Moreno é um jovem analfabeto que recebe uma carta que lhe diz que herdou uma larga soma de dinheiro de um tio que falecera. Contudo, ele vai ter de aprender a ler, para conseguir perceber o que vem escrito na carta.
Já o vídeo "Festival de Cantinflas" (1939), realizado por Carlos Toussaint, é uma compilação de curtas-metragens que destaca os primeiros trabalhos de comédia de Mario Moreno "Cantinflas", em que atua em cenários variados desempenhando papéis como um taxista que não leva os passageiros ao seu destino ou um pugilista. Esta coletânea apresenta o início da icónica personagem, explorando o humor característico e o estilo único de Cantinflas no cinema mexicano inicial. 

quinta-feira, fevereiro 19, 2026

O Morgado e o Morgadinho

 O Morgado e o Morgadinho são doces tradicionais, originários de Portimão e Silves, que representam a forte tradição algarvia da amêndoa. 

São feitos à base de massa de amêndoa (amêndoa pelada e moída, açúcar, água), recheada com fios de ovos, ovos moles e doce de chila (gila) e cobertos por glacê. 

A versão grande, decorada com pétalas e flores (ou formas de maçapão), é o "Morgado", enquanto a individual, com bolas prateadas, é o "Morgadinho". 

O Morgado é, por vezes, moldado em forma de queijo, e a sua confecção reflete um saber artesanal antigo, passado de geração em geração. 

Com forte influência conventual, são típicos de festas, casamentos, batizados e mesas de Natal, sendo o morgado de amêndoa um bolo de festas.

quarta-feira, fevereiro 18, 2026

O Dia dos Diabos e da Morte

Vinhais é uma vila raiana portuguesa localizada em terras de Trás-os-Montes (Bragança) com tradições seculares que atraem inúmeros visitantes. Uma delas é o Dia dos Diabos e da Morte que é celebrado em Vinhais na Quarta-feira de cinzas. 

Esta tradição secular é única em Portugal. As origens da mesma permanecem desconhecidas havendo, no entanto, diferentes interpretações que a situam nas celebrações dos Lupercais romanos, nas procissões da Quarta-feira de Cinzas, na Idade Média, ou mesmo por influência dos franciscanos do Convento de São Francisco de Vinhais, durante os séc. XVIII e XIX.

Durante a celebração um grupo de rapazes mascara-se de Diabo vestindo-se com um fato vermelho, a cara coberta com uma máscara vermelha e um cinto na mão; outros mascaram-se de Morte com um fato preto, a cara enfarruscada (pintada com cinza ou carvão) e carregando uma gadanha. A personagem da Morte, que é única, só sai na Quarta-feira de cinzas.

Os Diabos perseguem principalmente as raparigas. Saem a correr pelas ruas com um chicote e quando as apanham elas são levadas à pedra, onde as obrigam a ajoelharem-se para serem chicoteadas. Depois são obrigadas a recitar orações "pagãs":

"Padre-nosso, caldo grosso,
carne gorda não tem osso,
rilha-o tu que eu já não posso
Salve Rainha, mata a galinha,
põe-na a cozer,
dá cá a borracha que quero beber."
A Morte, mais calma, anda pelas ruas silenciosamente. Quando a Morte encontra alguma pessoa obriga-a a ajoelhar-se e a beijar a gadanha que leva na mão. Ela é a única que pode entrar na igreja, interditada para os Diabos, onde se refugiam as raparigas, para as ir buscar e as entregar aos Diabos.

terça-feira, fevereiro 17, 2026

Arerê

 

"Arerê" é um dos maiores sucessos da música brasileira do género axé, lançado em 1997 pela Banda Evacom a voz de Ivete Sangalo

Composta por Gilson Babilónia e Alaim Tavares, a música é um clássico de Carnaval, conhecida pelo refrão contagiante "Arerê, um lobby, um hobby, um love com você". 

Assista agora à performance ao vivo da Banda Eva, com Ivete Sangalo, cantando "Arerê".

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

As Filhós de Cabrela

As Filhós de Cabrela, o bêbedo ou brinhol, são os doces tradicionais de Carnaval de Montemor-o-Novo.

Cabrela é uma povoação portuguesa do município de Montemor-o-Novo, freguesia com 194,84 km² de área e 509 habitantes (censo de 2021), tendo, por isso, uma densidade populacional de 2,6 hab./km².

Foi vila e sede de concelho entre 1170 e o início do século XIX. Este era constituído apenas pela vila e tinha, em 1801, 892 habitantes.

Este doce típico do Carnaval esteve quase perdido no esquecimento. Há poucos anos recuperou-se a receita ancestral das Filhós de Cabrela que tem como ingrediente base a farinha e os ovos e depois uns toques de aguardente branca, azeite, manteiga, laranjas e mel (ou açúcar).

Com o apoio da Junta de Freguesia local, não só se recuperou a receita, como se candidatou o doce às 7 Maravilhas Doces de Portugal, chegando a finalista. A receita é feita 95% manualmente, o que lhe dá um toque estaladiço e um sabor inconfundível. Se quiser saber como se fazem estas Filhós é só clicar aqui e seguir abaixo a receita dos reis do Carnaval em Montemor-o-Novo.

Ingredientes:
250 g água
100 g erva-doce em grão
50 g banha
120 g sumo de laranja (2 unid. aprox.)
10 g azeite
50 g aguardente
25 g açúcar 
Açúcar q.b. p/ polvilhar
2 ovos
500 g farinha 
farinha q.b. p/ polvilhar
Óleo q.b. p/ fritar

domingo, fevereiro 15, 2026

Carnaval

Fotos: Observador
O Carnaval em Lisboa nem sempre foi como o conhecemos hoje. Ora veja:
"Accorda a gente ouvindo, na rua, as castanholas dos rapazes. De vez em quando passa ao longe, muito festiva, uma philarmonica de artistas. É o Carnaval, não ha que vêr. Estamos em pleno domingo gordo. E aqui mesmo, debaixo da janella, um garroche veio tocar buzina furiosamente. Parece um epigramma a nossa preguiça cheia de indiferença. A pe! a pé! até os gainachas nos fazem surriada. Já se sabe na visinhança que gostamos de levantar-nos tarde; portanto a visinhança aproveita a occasião para nos mandar uma bisca n'uma buzina. Que horas marca o relogio? Onze. Com efeito! a buzina teve razão. A pé! a pé! Abrimos a janella. Oh! santo Deus! que mal encarado dia! eu pesadão, ruas lamacentas. Adivinha-se frio lá fóra. Pois, senhores, os que gostam de divertir-se no carnaval vão ficar verdadeiramente codilhados com este domingo gordo. Pobres rapazes! Elles ainda querem iludir-se annunciando a festa com as suas castanholas, espantar O mau tempo com a buzina."
  Alberto Pimentel - Vida De Lisboa,  1900, pp. 115-116

sábado, fevereiro 14, 2026

Para ti

Amor (1935) Mário Eloy
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida