sábado, junho 20, 2026

A Açorda de Beldroegas

Estamos na época das beldroegas. As beldroegas são uma planta que cresce em todo o lado no final da primavera e início do verão no Alentejo. Aparecem nas ruas, nos campos, nos canteiros, por isso não temos de as cultivar, nem delas cuidar. Há lugares onde as pessoas, as acham uma praga. 

A Açorda de Beldroegas é uma receita simples, deliciosa, rápida e fácil de fazer. É um prato da culinária portuguesa que devido à simplicidade de execução era muito comum em tempos de escassez e durante a época da ceifa (cocaria).

Cocaria é um método tradicional de confeção rural, enraizado no Alentejo, em que os alimentos são cozinhados em potes de barro colocados diretamente sobre brasas no chão. Designa também o grupo de trabalhadores agrícolas que se juntavam no campo para cozinhar os seus farnéis.

Os produtos utilizados na Açorda de Beldroegas são: cabeças de alho, azeite, beldroegas, pimentão colorau, batatas, ovos, queijo fresco. 

Confeção:
Num recipiente com azeite faz-se um refogado com as cabeças de alho. Juntam-se as beldroegas
e deixa-se refogar mais um pouco. A seguir acrescenta-se a água, sal pimentão colorau (pouco)
e batatas cortadas às rodelas, colocadas ao lume. Finalmente acrescentam-se os ovos e/ou o queijo fresco.
Fonte: Carta Gastronómica do Alentejo - Entrevista feita a Maria Antónia, por Manuel Romão Fialho, Terras Dentro, 2012. Paulo lima - antropólogo, 2012-outubro

sexta-feira, junho 19, 2026

Amor, em que grave dia vos vi

Amor, em que grave dia vos vi,
pois [a] que tam muit'há que eu serv'i,
jamais nunca se quis doer de mi!
E pois me tod'este mal per vós vem,
mia senhor haja bem, pois est assi,
e vós hajades mal e nunca bem.
  
Em grave dia que vos vi, Amor,
pois a de que sempre foi servidor,
me fez e faz cada dia peior!
E pois hei por vós tal coita mortal,
faça Deus sempre bem a mia senhor,
e vós, Amor, hajades todo mal.
  
Pois da mais fremosa de quantas som
[jamais] nom pud'haver se coita nom
1e por vós viv'eu em tal perdiçom,
que nunca dormem estes olhos meus,
mia senhor haja bem por tal razom,
e vós, Amor, hajades mal de Deus.

quinta-feira, junho 18, 2026

My Kyiv ou Como Não Te Amar, Minha Kyiv!

Kyiv
 My Kyiv ou Como Não Te Amar, Minha Kyiv! refere-se à famosa canção da capital ucraniana. O Dia da Cidade de Kyiv é celebrado anualmente no último fim de semana de maio (tendo ocorrido a 31 de maio de 2026), comemorando a fundação oficial da capital ucraniana.

Já agora fique a saber que Kyiv é o nome ucraniano da cidade enquanto que Kiev é o nome russo da mesma.

 A canção oficial e hino Як тебе не любити, Києве мій! (Como não te amar, meu Kyiv!) foi composta por Ihor Shamo (1925-1982) com letra de Dmytro Lutsenko tendo-se tornado o hino oficial da cidade.

Ouça em baixo Phillip Sear que interpreta um arranjo para piano da canção deste compositor ucraniano. 

Shamo nasceu e morreu em Kyiv. Estudou no Conservatório de Kyiv e compôs muitas obras orquestrais e de câmara, além de canções. 

Este arranjo apareceu numa coletânea ucraniana da década de 1960 com canções populares de autores ucranianos e estrangeiros. A canção original possui uma letra patriótica de Dmytro Lutsenko  (1921-1989), letrista ucraniano que trabalhou com muitos dos principais compositores da época. Foi escrita para o "Dia da Cidade de Kyiv" em 1962 e adotada como hino oficial do distrito de Kyiv em 2014. Aqui lhe deixo uma tradução do primeiro e do último verso, retirada do LyricsTranslate, para dar uma ideia do sentimento da canção que pode ouvir no segundo vídeo.

"O mar verde se eleva em ondas, o dia tranquilo se apaga,
as margens do Dnieper se tornam queridas para mim,
onde os galhos dos sonhos de amor balançam...
Como não te amar, minha Kyiv!
Veludo das noites, como a onda da felicidade...
Como não te amar, minha Kyiv!

A cidade cansada dorme em um sono tranquilo e doce.
As luzes da cidade florescem sobre o Dnieper como um colar,
Veludo das noites, como a onda da felicidade...
Como não te amar, minha Kyiv!

Veludo das noites, como a onda da felicidade...
Como não te amar, minha Kyiv!
E agora um vídeo com o hino desta cidade cantado com a letra patriótica de Dmytro Lutsenko

quarta-feira, junho 17, 2026

A Dança da Primavera

 A Dança da Primavera (1922) é uma pintura de Alberto Giacometti.

(Frühlingstanz bei Stampa ou Ronde de couples dans un pré près de Stampa) é uma das raras pinturas de paisagens e festas da juventude de Alberto Giacometti. A obra antecede a sua famosa fase de esculturas alongadas e reflete o seu fascínio pelo pontilhismo e pelo modernismo.

1922 foi um ano de viragem para Giacometti, marcando o momento em que o artista se mudou para Paris para estudar na Académie de la Grande Chaumière. Pintado no norte de Stampa, na Suíça (a sua região natal no vale de Bregaglia), a obra apresenta um traçado vibrante. O artista frequentemente começava por fazer esboços na tela com cores primárias (vermelho para as figuras, azul para as paisagens), e é possível notar elementos geográficos locais como a Igreja de San Giorgio ao fundo.

Alberto Giacometti (1901- 1966) foi um renomado pintor e escultor suíço, profundamente influenciado pelo modernismo. A sua obra teve um papel essencial na definição da escultura surrealista, evoluindo posteriormente para um estilo marcado pelo existencialismo e pela representação expressiva da figura humana.

As suas esculturas alongadas e etéreas tornaram-se icónicas, transmitindo uma sensação de solidão e fragilidade. Giacometti explorou a condição humana de maneira única, refletindo angústia e introspecção nas suas criações.

A sua produção inicial em 1922 revela um jovem pintor que estava a assimilar as influências do Impressionismo do seu pai, Giovanni Giacometti, bem como a arte clássica. Para entender melhor como as influências tradicionais e globais se fundiam no estilo maduro e nas pinturas de Giacometti não deixe de ver o vídeo abaixo.

terça-feira, junho 16, 2026

I am a Fool To Want You

 Ouça Chet Baker em I am a Fool To Want You
(ao vivo em Paris).
Chet Baker (1929–1988) foi um aclamado trompetista e vocalista americano de jazz, amplamente reconhecido como o "Príncipe do Cool" devido ao seu papel fundamental no desenvolvimento do cool jazz e do West Coast jazz. Dono de um estilo melancólico, com um som de trompete incrivelmente lírico e uma voz suave e sussurrada, tornou-se um dos mitos mais duradouros da história da música, equilibrando um talento genial com uma vida pessoal marcada pela autodestruição.

[Verse 1]
I'm a fool to want you
I'm a fool to want you
To want a love that can't be true
A love that's there for others too

[Verse 2]
I'm a fool to hold you
Such a fool to hold you
To seek a kiss not mine alone
To share a kiss the Devil has known

[Chorus]
Time and time again, I said I'd leave you
Time and time again, I went away
But then would come the time when I would need you
And once again, these words I'll have to say


[Verse 3]
Take me back, I love you
Pity me, I need you
I know it's wrong, it must be wrong
But right or wrong, I can't get along
Without you

segunda-feira, junho 15, 2026

7 Vestidos Em Alta No Verão 2026: Modelos. (Parte 2)

Assista a mais um vídeo da influencer brasileira Luciane Cachinski que lhe fala dos 7 Vestidos Em Alta No Verão 2026: Modelos.

Os vestidos fluídos com folhos assimétricos, os modelos utilitários e as peças de estética boho chic são os grandes destaques em alta no verão 2026. A temporada prioriza o movimento natural, o conforto térmico e uma sofisticação descomplicada, misturando texturas artesanais com cortes modernos

Luciane Cachinski é uma influencer e youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante mais de 30 anos. 

Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha.

No vídeo abaixo, Luciane Cachinski mostra-lhe os modelos que são uma tendência em 2026.  
Não perca. Vale mesmo a pena.

Vamos para o segundo vídeo de um conjunto de episódios sobre os vestidos para o verão 2026.

domingo, junho 14, 2026

A Biblioteca Central da Universidade de Teerão

A Biblioteca Central e Centro de Documentação da Universidade de Teerão (ou Ketabkhane Markazi Daneshgah Tehran, no Irão) é uma das mais antigas e prestigiadas bibliotecas universitárias da região, com uma vasta coleção de manuscritos raros em persa e fontes islâmicas e um dos principais centros de investigação do Médio Oriente.

O imponente e moderno edifício de 9 andares, localizado na Avenida Enghelab, foi projetado pelo arquiteto Bahman Paknia (com contributos de peritos da UNESCO) e inaugurado formalmente em 1971.

Sendo a maior biblioteca académica do Irão inclui uma rica e vasta seleção de recursos em diferentes campos da Ciência, Tecnologia e Literatura.

O acervo da biblioteca inclui mais de um milhão de livros, publicações periódicas, manuscritos, microfilmes, cópias pictóricas, documentos e fotografias históricas, livros litográficos, dissertações académicas, documentos científicos e mapas, mais de 120.000 livros em Inglês, Francês, Alemão, Russo, Italiano, entre outras línguas.

A biblioteca possui um valioso conjunto de manuscritos, incluindo documentos históricos, microfilmes, manuscritos pictóricos, livros raros, livros litográficos, fotografias históricas e caligrafia de estudiosos e políticos. Esta colecção inclui cerca de 17.000 volumes de manuscritos em persa, bem como outras línguas.