domingo, março 22, 2026

Quando vier a Primavera

 Quando vier a primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. 
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria 
E a primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo.


Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro (n.16 de abril de 1889) - Poesia (Poemas Inconjuntos)

sábado, março 21, 2026

Como um vento na floresta

 Como um vento na floresta,
Minha emoção não tem fim.
Nada sou, nada me resta.
Não sei quem sou para mim.

E como entre os arvoredos
Há grandes sons de folhagem,
Também agito segredos
No fundo da minha imagem.

E o grande ruído do vento
Que as folhas cobrem de som
Despe-me do pensamento:
Sou ninguém, temo ser bom.
Fernando Pessoa - Poesias Inéditas

sexta-feira, março 20, 2026

A Valsa da Primavera

 A música popularmente conhecida como Spring Waltz (ou Valsa da Primavera) está cercada por uma enorme confusão. 

A peça chama-se, na verdade, "Mariage d'Amour" (Casamento de Amor) e foi composta em 1978 pelo francês Paul de Senneville.

 Por causa de vídeos virais no YouTube com títulos errados, milhões de pessoas acreditam que a música é de Frédéric Chopin. Na realidade, Chopin nunca escreveu uma peça com este nome.

A obra tornou-se mundialmente famosa através do pianista Richard Clayderman e, posteriormente, por um arranjo de George Davidson que consolidou o apelido de "Spring Waltz". 

Curiosamente, em 2024, um manuscrito de uma valsa inédita e autêntica de Chopin foi descoberto na Morgan Library & Museum em Nova Iorque, mas esta é uma peça curta e melancólica, totalmente diferente da famosa "Spring Waltz" da internet. 

quinta-feira, março 19, 2026

Meu Pai no mercado de flores

De manhã, meu pai vai ao mercado.
Essa não é (dizem) coisa de homem.
Mas ele ri-se, pouco se interessa.
Dedica a tudo todo o cuidado.
A barba feita a navalha, o nó
da gravata, o vinco da calça,
o colete de malha. Sapato
preto, polainito apertado,
põe o chapéu. Ainda bem cedo,
antes das aulas, vai comprar flores,
sob o esplêndido azul do céu.
E a casa, depois, fica cheia
de luz e ternura, gladíolos,
frésias, verbenas, rosas bravas,
cheiros do jardim de Freamunde,
poemas sem o peso das palavras.
José Carlos de Vasconcelos

quarta-feira, março 18, 2026

Conga

 
Assista ao videoclipe oficial de "Conga", de Gloria Estefan e Miami Sound Machine.
Gloria Estefan (1957), é uma cantora, compositora, atriz e empresária cubana-estadunidense. É considerada pelos media a "Rainha do Pop Latino" e a "Mãe do Pop Latino". Gloria começou a sua carreira como vocalista do grupo Miami Sound Machine, que alcançou sucesso mundial com uma série de singles de sucesso como, "Dr. Beat", "Conga", "1-2-3" e "Bad Boy", entre outros.

terça-feira, março 17, 2026

As Queijadas de Sintra

 Em Portugal há queijadas de vários tipos e em diversas regiões. As mais tradicionais são talvez as da ilha da Madeira, da ilha Graciosa, de Évora e de Sintra. Quanto aos diferentes tipos de queijadas há as de laranja, as de requeijão, as de amêndoa, as de coco, as de abóbora e as de leite, entre outras.

As Queijadas de Sintra são provavelmente o mais antigo doce da gastronomia sintrense eternizada na literatura portuguesa. 

"Ega ia largar atarantadamente o embrulho, para apertar a mão que Maria Eduarda lhe estendia, corada e sorrindo. Mas o papel pardo, mal atado, desfez-se; e uma provisão fresca de queijadas de Sintra rolou, esmagando-se, sobre as flores do tapete".
Eça de Queiroz - Os Maias

Sobre as queijadas de Sintra, imortalizadas por Eça de Queirós, pensa-se que este doce regional secular tem origem no século XIII, no reinado de D. Sancho II, pois as excelentes pastagens da região permitiam o fabrico de queijo fresco e era comum o excesso de queijo ser usado para confeccionar estes doces, que depois podiam servir aos camponeses como forma de pagamento. Até meados do século XVIII, as queijadas eram, então, de fabrico caseiro e serviam também para pagamento de foros, passando depois a ser fabricadas, até aos dias de hoje, nas destacadas fábricas de queijadas: Sapa,  Gregório,  Piriquita , Casa do Preto, e Dona Estefânia situadas na Vila de Sintra, nos arredores de Lisboa.

Para além de farinha e sal para a massa, levam queijo fresco, açúcar, ovos, farinha e um pouco de canela para o recheio. A textura suave das queijadas é assegurada pelo cozimento em banho-maria (no forno, mas em água) que depois é envolvida numa massa crocante e estaladiça.. 

Pode provar as Queijadas de Sintra na Fábrica das Verdadeiras Queijadas da Sapa ou, se for à Confeitaria Piriquita conhecer os famosos travesseiros, também as encontrará por ali.

segunda-feira, março 16, 2026

Ouro, Prata e Silva

 Ouro, Prata e Silva é um livro (2019), thriller e policial, do escritor  Miguel Szymanski.  

Miguel Szymanski (1966) é um jornalista e escritor luso-alemão. É colaborador bilingue para empresas de imprensa, televisão e rádio em Portugal, Alemanha e Áustria.

Sinopse:
Marcelo Silva é um jornalista nomeado, por uma série de acasos ou razões obscuras, para dirigir uma nova brigada anticrime em Lisboa.

Durante os primeiros dez dias no seu novo cargo, percorre as ruas duma cidade entregue aos turistas e imerge no submundo das tramas políticas na tentativa de encontrar um milionário desaparecido e de desmascarar os crimes de uma elite financeira e política que deixaram o país à beira da ruína.

Fiel a si próprio, entre meninas de boas famílias e políticos corruptos, milionários poderosos e redes de prostituição, entre Lisboa e Berlim, Marcelo Silva leva-nos num trajeto para além das aparências, para trás da fachada da capital portuguesa, onde tudo acontece e os "brandos costumes" só se mantêm como mito urbano das classes médias.

Marcelo Silva é um romântico que tenta sobreviver num mundo de cínicos. E como o que está em causa é, nada mais, nada menos, do que o sistema político e financeiro na capital portuguesa, "sobreviver" é para ser entendido literalmente. Cabelo desgrenhado, excesso de peso e uma carreira errante com direito a quinze minutos de fama. Se fosse pobre, seria visto como um louco, mas, porque é rico, todos o consideram um excêntrico. Um pouco idealista, mas inofensivo. Não podiam estar mais errados.