domingo, março 01, 2026

O Jogo da Silva (ou Jogo dos Bilros)

Jogado em Trás-os-Montes e Alto Douro, o Jogo da Silva ou Jogo dos Bilros é jogado individualmente ou em equipa e num terreno plano.

Material:
– 1 bola de madeira de fácil trabalho (principalmente pinho ou amieiro), mais ou menos redonda com o diâmetro da ordem dos 20 cm.
– 9 bilros, normalmente de pinho, de forma cilíndrica com o comprimento da ordem dos 25 a 30 cm e diâmetro da ordem dos 4 cm, terminando uma das extremidades em forma cónica.
– 1 bilro com a forma dos anteriores cujo comprimento é da ordem dos 30 a 35 cm e diâmetro de cerca de 5,5 cm.

Disposição dos bilros:
Os 9 bilros são dispostos por forma a constituírem 3 linhas e 3 colunas com 3 elementos cada.
O bilro maior, denominado "vinte", coloca-se separado dos restantes pouco mais ou menos no alinhamento e prolongamento da coluna central (sentido do lançamento) e deles separado cerca de 30 cm por um traço ou risco.

Local:
Uma escavação no terreno, sensivelmente plana, formando uma meia cana com a largura aproximada de 90 cm e uma profundidade com cerca de 30 cm, encimada por uma pedra que limita o movimento da bola.

Como Jogar:
As equipas devem encontrar-se a uma distância dos bilros entre 6 a 8 metros, assinalada por dois pinos vermelhos. Um jogador de cada vez lança a bola, rolando-a pelo chão e tentando derrubar os bilros. Pelo derrube do bilro maior a equipa ganha 20 pontos e ganha 2 pontos por cada bilro pequeno, desde que este não ultrapasse o risco. Caso tal aconteça, o derrube vale 10 pontos. Ganha a equipa que fizer primeiro100 pontos. 
A partida é constituída por 3 jogos: 1º, 2º e negra. O vencedor terá de ganhar dois destes jogos. Cada jogo vale 100 pontos.

Valores atribuídos:
– 10 pontos. Só tem valor quando há bilros derrubados legalmente.
– Bilro maior: 20 pontos. Tem valor sempre que tocado pela bola em qualquer sentido e direção.

– Restantes bilros:
– se caem e não ultrapassam o risco (não livrar) que os separa do 20, têm o valor de 2 pontos.
– Se caem e ultrapassam o risco (livrar) é-lhes atribuído a cada um 10 pontos.
Estes bilros só têm valor quando tocados no sentido do lançamento.

sábado, fevereiro 28, 2026

O Foie Gras

O Foie Gras é uma especialidade gastronómica tradicional cuja produção está intimamente ligada à identidade culinária do Sudoeste de França. O Foie Gras é oficialmente reconhecido como parte do "Património Cultural e Gastronómico Protegido" daquele país. 

A história conta que este pitéu se tornou uma especialidade com o "Pâté de Contades" inventado por um cozinheiro de Estrasburgo para um marechal de França e governador da Alsácia em 1778. Depois de se tornar uma instituição nas mesas reais no século XIX, o Foie Gras consolidou-se no sudoeste e tornou-se popular no país. É muito consumido no inverno e em datas festivas, como o Natal.

O Foie Gras é uma receita que tem gerado polémica no mundo inteiro, por causa da alimentação forçada de animais. Ainda assim carrega uma aura que evoca luxo e requinte. Juntamente com as trufas, o Foie Gras é considerado uma das maiores iguarias da gastronomia francesa.

Literalmente traduzido como "fígado gordo", este patê tem textura interessante que derrete suavemente na boca. Apesar de ser um prato sofisticado, é conhecido pelo seu sabor delicado e textura aveludada, o que o torna um verdadeiro tesouro para quem aprecia a alta gastronomia.

Um Foie Gras é simplesmente o fígado de um pato ou ganso adulto, saudável e robusto, criado segundo métodos tradicionais, e também em conformidade com as normas rigorosas definidas pela IGP para engordar os patos ou gansos com vista a produzir um fígado maior. Os patos ou gansos são especialmente alimentados com uma dieta rica em grãos. 

O Foie Gras tradicionalmente é servido com acompanhamentos como figos, geleias de frutas ou pães frescos, criando uma sinfonia de sabores. Os críticos gastronómicos são unânimes na sua admiração pelo equilíbrio sublime dos sabores deste prato.

sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Epifania

Epifania - 1940
 "Epifania" (Epiphany) é uma pintura surrealista criada por Max Ernst. Esta obra reflete o estilo inconfundível do artista, caracterizado por paisagens oníricas, figuras bizarras e texturas complexas, muitas vezes resultantes das suas técnicas inovadoras de frottage e grattage. A obra é notável pela atmosfera contemporânea e misteriosa. 

Grattage é uma técnica de pintura surrealista inventada por Max Ernst em 1927. Consiste em raspar tinta fresca ou seca sobre uma tela para criar texturas, relevos e formas tridimensionais. Frequentemente associada à frottage, a técnica revela camadas inferiores de cor e é usada para criar efeitos aleatórios ou figurativos, sendo também utilizada no informalismo.

Max Ernst (1891/1976) foi um pintor e poeta alemão que se naturalizou norte-americano e, posteriormente, francês. Em 1922, mudou-se para França, onde conheceu André Breton e ingressou no movimento surrealista. Breton descrevia-o como o "mais magnífico cérebro assombrado" das artes, destacando a sua maestria na essência do Surrealismo.

A Tentação de Santo António - 1945
Durante a Segunda Guerra Mundial, Ernst fugiu para os Estados Unidos, retornando a França em 1948, quando se naturalizou francês. A sua obra inovadora, marcada por experiências com colagem, frottage e técnicas inusitadas, consolidou o seu impacto na arte moderna.
Uma das obras mais conhecidas de Max Ernest é A tentação de Santo António (1945) que é uma pintura a óleo surrealista que venceu um concurso para o filme "The Private Affairs of Bel Ami". A obra retrata a angústia do santo no deserto, cercado por criaturas fantásticas e bizarras num estilo onírico e de pesadelo, destacando-se pela mistura do fantástico com o real.

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Lisboa Com Suas Casas

 Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores…
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos.
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
À força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) - Poesias de Álvaro de Campos, 1934

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

A Encharcada

A Encharcada do Convento de Santa Clara de Évora
 A Encharcada é uma sobremesa tradicional do Alentejo de origem conventual. É muito apreciada pelo seu sabor doce e textura cremosa e suave. 

Este doce simples e reconfortante, fácil de preparar, pode ser servido morno ou à temperatura ambiente.

A história da encharcada envolve, provavelmente, produtores de vinho e freiras. Diz-se que os primeiros clareavam o vinho usando claras de ovo, e as gemas (que não eram usadas) eram doadas às freiras, que os usavam de forma brilhante em diversos doces. 

A receita remete-nos para a simplicidade e autenticidade da gastronomia alentejana. Onde a combinação dos ovos, com o leite e o açúcar é equilibrada com um toque de limão e canela. Podemos encontrar algumas variações regionais e pessoais na preparação desta sobremesa. Por exemplo, algumas receitas  acrescentam pão alentejano, moído e demolhado em leite, e amêndoa ralada. Esta mistura é depois cozida numa calda de açúcar até ficar uma papa. Aliás, de acordo com algumas opiniões, o nome "encharcada" refere-se ao ato de "encharcar" o pão no preparado dos ovos, açúcar e leite. Muitas famílias têm as suas próprias versões da receita, que transmitem de geração em geração.

Existem diversos tipos de encharcada, umas mais húmidas e moles, outras mais secas, que até podem ser cortadas em fatias. As mais famosas são as feitas à moda do convento de Santa Clara, em Évora.

terça-feira, fevereiro 24, 2026

Stefania

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, desencadeando o mais grave conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Passaram-se exatamente 4 anos. 
Para assinalar esta triste efeméride e homenageando este povo corajoso, sofrido e resiliente, não deixe de ouvir a Kalush Orchestra em Stefania  (Vídeo oficial Eurovisão 2022).

segunda-feira, fevereiro 23, 2026

O Segredo dos Seus Olhos

 O Segredo dos Seus Olhos (2009) é um filme realizado por Juan José Campanella. O roteiro foi escrito por Campanella e Eduardo Sacheri e é baseado no romance La Pregunta de sus Ojos, escrito por Sacheri.

Este filme recebeu prémios quer em Hollywood quer em Espanha. De salientar que recebeu o Oscar de Melhor Filme Internacional nos Oscares de 2010, tornando a Argentina o primeiro país da América Latina a ganhar o prémio duas vezes, sendo a primeira em 1985. Três semanas antes, tinha-lhe sido atribuído o prémio espanhol equivalente, o Goya de Melhor Filme Estrangeiro em Espanhol. 

Em 2016, O Segredo dos Seus Olhos foi considerado pela crítica internacional como um dos 100 Melhores Filmes do Século XXI pela BBC.

Sinopse:
Benjamin Esposito (Ricardo Darín) aposentou-se recentemente do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal. Com bastante tempo livre, dedica-se agora a escrever um livro. Benjamin usa a sua experiência para contar uma história trágica, da qual tinha sido testemunha em 1974. Na época o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e consequente assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta.