segunda-feira, fevereiro 09, 2026

O Filho do Homem

O Filho do Homem é uma pintura (1964) do pintor surrealista belga René Magritte (1898 -1967), produzida com tinta a óleo. 

Magritte pintou-o como um auto-retrato. A pintura consiste num homem de chapéu-coco, em pé à frente de um pequeno muro, com o mar e um céu nublado ao fundo. 

O rosto do homem é, em grande parte, ocultado por uma maçã verde pairando no ar. Apesar disso, os seus olhos podem ser vistos na borda da maçã.

René Magritte iniciou a sua carreira como designer de cartazes e anúncios. Em 1926, ao assinar um contrato com a Galeria la Centaure, em Bruxelas, passou a dedicar-se integralmente à pintura.

No ano seguinte, mudou-se para Paris e passou a integrar o grupo surrealista, tornando-se um dos principais expoentes do movimento. A sua obra desafiou a percepção da realidade pois é marcada por imagens enigmáticas e jogos visuais. Ainda que René Magritte tenha sido o principal nome do surrealismo na Bélgica, ele foi expulso do movimento em 1947 pelo escritor francês André Breton, seu fundador. Ao terminar a Segunda Guerra Mundial o pintor adoptou uma temática mais otimista, chamada por ele de "surrealismo em pleno sol", o que Breton achava pouco condizente com o seu manifesto. 

domingo, fevereiro 08, 2026

Blues da Piedade

Ouça Chico Chico (Francisco Eller) em Blues da Piedade (Ao Vivo).
Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia

Pra quem não sabe amar
Fica esperando alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade!
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade!
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar os blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade!
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade!
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Pra quem não sabe amar
Fica esperando alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade!
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade!
Lhes dê um pouco de coragem...
Aaah...
Lhes dê um pouco de coragem...
Aaah...
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Compositores: Roberto Frejat, Agenor De Miranda Araujo Neto

sábado, fevereiro 07, 2026

O Terceiro Corvo

Oh Lisboa
como eu gostava de ser
o terceiro corvo do teu emblema…
estar implícita na tua bandeira
negra e branca
como tinta e papel
como escrita e espaço!

Ser teu desenho
tua nova lenda
invenção deste século
que já não inventa
e se interroga:
donde vieram estes corvos?

Como tu, Vicente,
eu também não sou de cá
não sou daqui
não pertenço a esta terra
e talvez nem sequer a este mundo…

Porém estou aqui
nesta dolorosa praia lusitana
cheia de um tumulto inútil
que enegrece as tuas areias
e polui o ventre do rio
que os golfinhos há muito desertaram

E olhando as nuvens dedilhadas pelo vento
sentindo a terna dor do teu sentir sentido
peço-te, Lisboa:
surge de novo bela
reinventa
a santidade perdida do teu emblema
Ana Hatherly - Em Lisboa sobre o mar, Poesia 2001-2010

sexta-feira, fevereiro 06, 2026

A Charolinha da Mata Nacional dos Sete Montes

 A Charolinha da Mata Nacional dos Sete Montes era um dos elementos mais enigmáticos e fotografados da cidade de Tomar, no centro de Portugal, destacando-se não só pela beleza arquitetónica como pela profunda ligação ao passado templário e ao Convento de Cristo. Inserida na vasta Mata Nacional dos Sete Montes - uma área verde de cerca de 39 hectares conhecida também como a Cerca do Convento - esta pequena construção tornou-se ao longo dos séculos num símbolo de mistério, contemplação e património renascentista.

A Charolinha da Mata Nacional dos Sete Montes é um templo em miniatura com uma planta cilíndrica e em pedra lavrada que evocava as torres-lanterna do Convento de Cristo. Com cúpula esférica era inteiramente construída em pedra de cantaria e ficava situada acima do nível da água de um tanque também circular, ao bordo do qual se liga através de uma ponte de pedra.

A obra foi desenhada no século XVI pelo arquiteto João de Castilho, uma das figuras centrais do Renascimento arquitetónico em Portugal, e funcionava como "Casa de fresco": um abrigo de descanso e meditação para os monges, protegido do calor e ligado à água por um tanque circular.

A passagem da tempestade Kristin pelo concelho e cidade de Tomar causou danos significativos na Charolinha da Mata Nacional dos Sete Montes, um dos elementos patrimoniais integrados naquele espaço histórico e natural.

Não deixe de ver agora os Jardins Históricos (da RTP) acerca da Mata Nacional dos 7 Montes e de como era a Charolinha
E agora veja o que resta da Charolinha da Mata dos Sete Montes após a tempestade Kristin.

quinta-feira, fevereiro 05, 2026

A Feira das Peraltas

 Esta terça-feira, dia 3 de fevereiro, cumpriu-se a tradição com a realização da Feira das Peraltas e de São Braz, em Oliveira do Hospital. A iniciativa é muito de popular e serve para 𝗿elembrar o passado e manter vivas as tradições e os costumes.

O certame é "muito antigo" e "remonta presumivelmente a meados do século XIX".  Foi recuperado recentemente pelo atual executivo da União de Freguesias de Oliveira do Hospital e São Paio de Gramaços pois não quer "deixar morrer as tradições". 

Tal como o nome sugere, nesta data, as mulheres "aperaltavam-se com os melhores fatos que tinham à época para se mostrarem também à sociedade". Com uma calendarização perto do Carnaval, a feira já se apresentava com uma forte componente de animação com a participação de grupos culturais. 

Ao certame estiveram sempre ligadas as vertentes comercial, social e cultural, sob a forma de feira artesanal.

A feira costuma integrar na programação um desfile etnográfico, gastronomia, atividades culturais, animação de rua, artesanato e bicicletas antigas.

Na vertente gastronómica, é sempre servido o almoço, com destaque para os torresmos, "um prato tradicional da época".


quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Minnesota

Ouça  "Minnesota" uma adaptação feita pela Marsh Family, de "San Francisco (Be Sure to Wear Some Flowers in Your Hair)".

Esta família a viver no Reino Unido postou esta música no seu canal do YouTube (Marsh Family Songs) e dedicou-a a Renee Good e Alex Pretti  em solidariedade.

Os autores desta adaptação esclareceram:  "Esperamos que os cidadãos de São Francisco não se importem que adaptemos esta canção icónica (sobre a cidade deles, nos anos 60, no meio de protestos e acerca do movimento de contracultura) para abordar as tragédias dos últimos dias e semanas em Minneapolis. A música original foi escrita por John Phillips (do grupo "The Mamas & the Papas") e lançada pela primeira vez (cantada por Scott McKenzie) em 1967, alcançando o primeiro lugar no Reino Unido, Alemanha, Irlanda e Nova Zelândia."

terça-feira, fevereiro 03, 2026

Frame by Frame

 Frame by Frame é um aclamado documentário de 2015 realizado por Alexandria Bombach e Mo Scarpelli.

Teve a sua estreia mundial no Festival South by Southwest em Austin, Texas, e foi indicado para o prémio Cinema Eye Honors de 2015 na categoria "Prémio Destaque".

O filme explora a "revolução fotográfica" no Afeganistão pós-Talibã, onde a fotografia era anteriormente proibida. 

Sinopse:
No final de 2012, Scarpelli e Bombach viajaram para o Afeganistão para filmar uma curta-metragem sobre fotógrafos. 

Este projeto acabou por se transformar na longa-metragem Frame by Frame. O documentário que acompanha quatro fotojornalistas afegãos – Farzana Wahidy, Massoud Hossaini, Wakil Kohsar e Najibullah Musafar – que enfrentam dificuldades enquanto reportam durante a "revolução fotográfica" que ocorre na imprensa livre pós-Talibã. 

É um olhar pessoal sobre a vida destes quatro fotógrafos afegãos que trabalham em locais onde a fotografia era anteriormente proibida pelo governo talibã, lutando para construir uma imprensa livre após décadas de censura e guerra.