segunda-feira, maio 11, 2026

O Corredor de Suwalki

 O Corredor de Suwalki ou Fenda de Suwalki é uma estreita faixa de terra pouco povoada, entre cerca de 65 a 100 Km de extensão, situada na fronteira entre a Polónia e a Lituânia. É considerado um dos locais mais estratégicos e perigosos do mundo devido à sua posição geográfica. 

 Esta área é a única ligação terrestre entre os três países bálticos (Lituânia, Letónia e Estónia) e a restante NATO/OTAN (Polónia). O Corredor de Suwałki permite também a ligação dos Estados Bálticos à UE (transporte e energia) e é por onde passa a rota de transporte mais curta entre a Bielorrússia e o exclave russo do Oblast de Kaliningrado. O seu nome deriva da cidade polaca de Suwałki, localizada no território do corredor.

 Situa-se entre a Bielorrússia (aliada da Rússia) a leste e o exclave russo de Kaliningrado a oeste. Este corredor é um Calcanhar de Aquiles para a NATO/OTAN porque alguns analistas temem que, num conflito militar, a Rússia possa tentar tomar esta área, isolando os países bálticos por terra e cortando o apoio dos aliados.

A Lituânia e a Polónia têm vindo a reforçar as fronteiras e a segurança, especialmente após sanções europeias limitarem o trânsito de produtos russos para Kaliningrado, aumentando as tensões na região. A adesão da Finlândia e da Suécia à NATO/OTAN fortaleceu a defesa na área, tendo ajudado a proteger o acesso aos países bálticos por mar e ar.  

Em suma, a Fenda de Suwalki é um ponto crucial onde as fronteiras da NATO/OTAN e da Rússia se encontram, tornando-a um local de alta tensão geopolítica.

domingo, maio 10, 2026

A Biblioteca Nacional do Qatar

A Biblioteca Nacional do Qatar, fica situada na Cidade da Educação, em Doha. É um lugar que abriga os campus de importantes universidades de todo o mundo. O novíssimo edifício abriu as portas em 2018 e surpreende pela arquitetura e também pelos tesouros que abriga.

O edifício é um marco arquitetónico com um formato que lembra folhas de papel dobradas, criando uma estrutura em concha e um interior amplo e iluminado.

A Biblioteca foi projetada pelo arquiteto Rem Koolhaas, que utilizou mármore e aço inoxidável, com fachada de vidro ondulado que filtra a luz natural e reduz o calor interno.

Com mais de 45 mil m², o espaço abriga milhões de obras, incluindo livros raros e manuscritos, além de oferecer um ambiente aberto e acolhedor capaz de receber milhares de visitantes ao mesmo tempo.

Mais do que uma simples biblioteca, ela guarda a mais importante coleção de textos e manuscritos da civilização árabe-islâmica do Médio Oriente. São textos escritos por exploradores que passaram pela região há séculos, manuscritos árabes, mapas, globos, instrumentos de cartografia e fotos históricas.

sábado, maio 09, 2026

Gimme Hope Jo'anna

 Ouça o cantor Eddy Grant em Gimme Hope Jo'anna (1988).
Gimme Hope Jo'anna é uma canção britânica antiapartheid escrita e lançada originalmente pelo cantor, compositor e multi-instrumentista guianês-britânico Eddy Grant em 1988, durante a era do apartheid na África do Sul. A canção foi proibida pelo governo sul-africano quando foi lançada, mas mesmo assim foi amplamente tocada lá. Alcançou o 7º lugar na top de singles do Reino Unido, tornando-se o primeiro sucesso de Grant no top 10 britânico em cinco anos.

Well Jo'anna she runs a country
She runs in Durban and the Transvaal
She makes a few of her people happy, oh
She don't care about the rest at all
She's got a system they call apartheid
It keeps a brother in a subjection
But maybe pressure can make Jo'anna see
How everybody could a live as one

Gimme hope, Jo'anna
Hope, Jo'anna
Gimme hope, Jo'anna
'Fore the morning come
Gimme hope, Jo'anna
Hope, Jo'anna
Hope before the morning come

I hear she make all the golden money
To buy new weapons, any shape of guns
While every mother in black Soweto fears
The killing of another son
Sneakin' across all the neighbors' borders
Now and again having little fun
She doesn't care if the fun and games she play
Is dangerous to everyone

She's got supporters in high up places
Who turn their heads to the city sun
Jo'anna give them the fancy money
Oh to tempt anyone who'd come
She even knows how to swing opinion
In every magazine and the journals
For every bad move that this Jo'anna makes
They got a good explanation


Even the preacher who works for Jesus
The Archbishop who's a peaceful man
Together say that the freedom fighters
Will overcome the very strong
I want to know if you're blind Jo'anna
If you want to hear the sound of drums
Can't you see that the tide is turning
Oh don't make me wait till the morning come

sexta-feira, maio 08, 2026

Mulheres de Abril

 Mulheres de Abril é um filme (2026) da cineasta portuguesa Raquel Freire.

Mulheres de Abril foi produzido, realizado e editado por uma equipa inteiramente feminina. Desde 2018, Raquel Freire trabalha sempre com equipas de mulheres ou pessoas não binárias e trans, numa resposta a uma indústria que, diz, continua a excluir sistematicamente as mulheres.

No documentário a que pode assistir ainda hoje no IndieLisboa (Cinema S. Jorge - sala3, pelas 14 h 15), as mulheres que fizeram parte da resistência antifascista e anticolonial ganham voz e lembram que a revolução não acabou. 

Sinopse:
Mulheres de Abril é um filme que celebra a multitude de mulheres revolucionárias: as mães da nossa democracia. Através da voz, do olhar, do silêncio, da acção de cada uma destas mulheres, conhecemos a riqueza das experiências vividas, que, juntas, nos dão um legado de confiança, justiça, perseverança, respeito e liberdade. São mulheres que venceram o fascismo, o colonialismo, as desigualdades sociais em Portugal e nos territórios africanos ocupados e transformaram o mundo à sua volta.
Mulheres de Abril propõe uma viagem pela memória e pela história recente do país, através das vozes de Margarida Tengarrinha, Julieta Rocha, Ana Maria Cabral, Isabel do Carmo, Maria Emília Brederode Santos, Luísa Sarsfield Cabral, Teresa Loff Fernandes, Zezinha Chantre, Helena Neves e Ruth Rodrigues, cujas vidas foram marcadas pela perseguição, prisão, tortura, censura, exílio, clandestinidade, luta e resistência.

quinta-feira, maio 07, 2026

O Croissant

A receita do croissant surgiu na Áustria, mas consolidou-se no território francês a partir de meados do século XIX. A sua origem é atribuída aos padeiros de Viena, onde era conhecido pelo nome de Kipferl desde o século XIII, sendo feito de tamanhos variados.

Para alguns autores, a origem do kipferl, viennoiserie antepassado do croissant, dá-se, assim, na Áustria entre os séculos XIII e XVII, e aparece também na Hungria e na Itália, mas não se sabe a receita exata (salgada ou doce) e nem se a massa era folhada ou não. Este tipo de pastelaria também pode ter tido as suas origens no Próximo Oriente e nas cozinhas do palácio de Topkapi, em Istambul, na Turquia.

Terá sido um oficial austríaco, August Zang, associado a um nobre vienense de nome Ernest Schwarzer, que os introduziu em Paris entre 1837 e 1839, abrindo uma padaria de nome Boulangerie Viennoise, cujo sucesso rapidamente inspirou imitadores a produzirem a massa.

Foi feito na França num primeiro momento por trabalhadores que imigraram de Viena, a viennoiserie começou em seguida a ser praticada pelos seus pupilos. A prática espalhou-se e começou a ser chamada de travail viennois (trabalho vienense), e o cozinheiro chamado de viennois (vienense). Dentre esses cozinheiros, distinguiam-se o croissantier, o biscottier e o pâtissier-viennois (pasteleiro-vienense).

No entanto, foi só a partir do começo do século XX que essas receitas, especialmente a do croissant, se tornaram um símbolo da culinária francesa.

O Croissant é, hoje, uma delícia francesa que se espalhou pelo mundo e que faz sucesso tanto na sua versão salgada quanto na doce. 

Ícone da confeitaria, este prato tem uma maciez irresistível e sabor amanteigado. 

A preparação envolve uma massa de farinha, sal, açúcar, água, fermento e, é claro, manteiga de alta qualidade.

O segredo está na técnica meticulosa de esticar e dobrar a massa, criando camadas delicadas e crocantes.

O segredo do croissant está portanto na massa, que deve ser semifolhada. A massa semifolhada possui menos gorduras, menos dobras e leva fermento biológico. As dobras são responsáveis pela separação da massa e das camadas de gordura que proporcionam a folhagem do croissant.

Um bom croissant deve ter um bom aspecto, como uma lua em quarto crescente, com uma crosta crocante e uma bela cor dourada. As pontas devem estar descoladas do meio, e o miolo deve ser alvo, aerado, e mostrar a consistência certa.

Depois de cuidadosamente assados, os croissants podem receber os mais diversos recheios, incluindo cremes, chocolate, geleias e outras delícias.

quarta-feira, maio 06, 2026

Anos quarenta, os meus

De eléctrico andava a correr meio mundo
subia a colina ao castelo-fantasma
onde um pavão alto me aflorava muito
em sonhos à noite. E sofria de asma

alma e ar reféns dentro do pulmão
(como um chimpanzé que à boca da jaula
respirava ainda pela estendida mão)
Salazar três vezes, no eco da aula.

As verdiças tranças prontas a espigar
escondiam na auréola os mais duros ganchos.
E o meu coito quando jogava a apanhar
era nesse tronco do jardim dos anjos

que hoje inda esbraceja numa árvore passiva.
Níqueis e organdis, espelhos e torpedos
acabou a guerra meu pai grita "Viva".
Deflagram no rio golfinhos brinquedos.

Já bate no cais das colunas uma
onda ultramarina onde singra um barco
pra cacilhas e, no céu que ressuma
névoas águas mil, um fictício arco-
-irís como é, no seu cor-a-cor,
uma dor que ao pé doutra se indefine.
No cinema lis luz o projector
e o FIM através do tempo retine.
Luiza Neto Jorge - Poemas de Luíza Neto Jorge,  ed. Presença

terça-feira, maio 05, 2026

A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico

 Nos Açores, na Ilha do Pico, encontramos um ponto de interesse fantástico: a Paisagem da Cultura da Vinha. Esta é composta por uma faixa de território que abrange parcialmente as costas Norte e Sul, e a costa Oeste da ilha, tendo como referência emblemática dois sítios - o Lajido da Criação Velha e o Lajido de Santa Luzia.

Este lugar é um exemplo incrível da transformação de uma zona rochosa, de origem vulcânica, numa paisagem vinícola deslumbrante.

A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico é um sítio classificado pela UNESCO desde 2004, compreendendo uma área de 987 hectares na ilha do Pico, a segunda maior do arquipélago dos Açores.

A zona classificada é descrita como uma Paisagem Cultural, e inclui um notável padrão de muros lineares paralelos e perpendiculares à linha de costa rochosa, onde as vinhas são cultivadas em chão de lava negra.

Os muros foram construídos para proteção dos milhares de pequenos e contíguos lotes retangulares (designados currais ou curraletas) da ressalga proveniente da água do mar e do vento marítimo mas deixando entrar o sol necessário à maturação das uvas.

A diversidade da fauna e da flora aqui presente está associada a uma rica presença de espécies endémicas das florestas da Laurissilva características da Macaronésia, algumas muito raras e protegidas por lei, como é o caso da Myrica faya, frequentemente utilizada para fazer abrigos.

Registos desta vinicultura, cujas origens datam do século XV, manifestam-se na extraordinária colecção existente em casas particulares, solares do início do século XIX, adegas, igrejas e portos. A belíssima paisagem construída pelo homem neste local é remanescente de uma prática antiga, muito mais vasta na região açoriana.