A Páscoa em Portugal, e em particular nas suas aldeias, é uma celebração profunda de tradições religiosas e familiares. É marcada pela Encomendação das Almas (um ritual quaresmal - sobretudo no Centro de Portugal - onde grupos de pessoas cantam nas ruas pedindo pelas almas), pela visita do Compasso Pascal (um costume com mais de 500 anos que se caracteriza por um grupo liderado pelo pároco, com uma cruz florida, que percorre as ruas no domingo de Páscoa - por vezes até à segunda-feira - para abençoar as casas), pelos Tapetes de Flores (os moradores preparam a entrada de casa com flores, pinho e ervas para indicar que desejam receber o compasso), e por Sabores Típicos como o Folar da Páscoa (feito de forma artesanal com ovos, açúcar e canela, símbolo de união) e o Cabrito Assado (o prato principal tradicional do almoço de Páscoa).
As casas são abençoadas com água benta, fortalecendo os laços comunitários e os reencontros.
A Páscoa no mundo rural é uma época de "renascimento", ideal para viver o lado mais intimista e comunitário, muitas vezes com lareiras acesas e partilha de doces entre vizinhos.
Veja agora, nos vídeos abaixo, como se celebra a Páscoa com tradição emalgumas Aldeias de Portugal.
Embora Portalegre seja o reino da boleima, cada localidade do Alto Alentejo (Portalegre, Castelo de Vide, Ponte de Sôr, Marvão, Alter do Chão e Elvas) tem a sua receita.
Em comum, o facto de ser uma das mais doces e populares tradições alentejanas daPáscoa. Existem versões "ricas" e "pobres", mas todas assumem uma forma quadrada ou retangular, a cor castanha, dourada, o açúcar amarelo e a canela como toque final.
Reza a história que o bolo é uma variante do pão ázimo consumido pelos Judeus para recordarem a fuga de Israel. O fermento não faz parte da receita, pois a fuga foi tão repentina que não houve tempo para levedar o pão. Ao contrário da grande maioria dos doces típicos portugueses, também não leva ovos, já que o objetivo inicial da receita era aproveitar as sobras de massa do pão, a que então se foram acrescentando ingredientes como o açúcar, a canela, a maçã ou as nozes.
Boleima de Pão, Canela, Noz e Maçã (Portalegre, Fronteira e Cabeço de Vide - Alto Alentejo)
Ingredientes:
1 kg de pão em massa,
0,5 l de azeite cru,
200 g de farinha de trigo,
açúcar louro q.b.,
canela em pó q.b.,
1 kg de maçãs,
150 g de nozes partidas aos pedacinhos,
manteiga ou banha q.b. para untar a forma,
farinha q. b. para polvilhar a forma.
Preparação: Descascam-se as maçãs e cortam-se às meias luas. Numa tigela mistura-se o açúcar e a canela. Num alguidar amassa-se a massa do pão com o azeite e a farinha. Unta-se um tabuleiro com manteiga e polvilha-se com a farinha. Divide-se a massa em duas partes e forra-se o tabuleiro com uma dessas partes, polvilha-se com a mistura do açúcar e a canela, cobre-se com a maçã e os pedacinhos de nozes e polvilha-se novamente com o açúcar, cobre-se com a restante massa e polvilha-se com açúcar e canela. Com um a faca, corta-se a massa aos quadrados e sobre cada um deles coloca-se uma meia-lua de maçã, polvilha-se com açúcar e canela e leva-se a cozer em forno médio. depois de cozida, desenforma-se. Fonte: entrevista a Maria Jesuína dos Santos Mourato (n/d:1950), com o 1.º ciclo, proprietária, por Adelaide Martins [Leader-Sor]/ 2012. Organização/ data - Paulo Lima | antropólogo/ 2012-outubro/maio-2013.
Os Portos Fluviais do Tejo foram historicamente fundamentais para o desenvolvimento de Lisboa (foz e porto de abrigo) e do Ribatejo, servindo como eixos logísticos vitais para o transporte de mercadorias (vinho, lenha, pedra) e pessoas. Locais como Vila Franca de Xira (antiga zona de armadas e cais de pesca),o Porto de Muge (conhecido pela influência das marés - a ação das marés estende-se longe, afetando a navegação até áreas a cerca de 70 km da foz- e ligação à pesca), Salvaterra de Magos - Vala Real (antigo e crucial canal de transporte de mercadorias) e o novo terminal da Castanheira do Ribatejo(terminal fluvial em desenvolvimento para cargas) destacam-se na ligação entre margens e o estuário.
A chegada do comboio no séc. XIX reduziu a importância comercial, mas os portos mantêm relevância no turismo, desporto e, recentemente, no transporte de cargas para reduzir o tráfego rodoviário.
A valorização do território baseia-se nestes antigos portos, que hoje se reorientam para o lazer e a sustentabilidade.
Se quiser saber mais alguma coisa sobre este assunto assista ao programa Visita Guiada sobre os Antigos Portos Fluviais do Baixo Tejo.
A partir da história da navegação no rio Trancão e passando pela antiga Vala Real de Salvaterra de Magos, o geógrafo Jorge Gaspar explica-nos como os afluentes do Baixo Tejo serviram, durante séculos, para alimentar Lisboa.
O decano Jorge Gaspar guia-nos ainda por algumas das mais emocionantes histórias dos grandes rios da Europa, defendendo que foram as navegações fluviais que construíram a identidade do território que se estende do Cabo da Roca aos Urais.
O teatro é uma forma de arte milenar que consiste na representação de histórias, emoções e conflitos humanos perante uma audiência, utilizando atores, cenários e técnicas de palco. O termo originário do grego theatron ("lugar para ver"), abrange a dramaturgia, o edifício físico e a arte cénica.
Hoje 27 de março assinala-se, em todo o país e no resto do mundo, mais um Dia Mundial do Teatro.
Muitas salas lisboetas prestigiam esta data com espetáculos gratuitos e outras atividades relacionadas com a grande arte do palco.
Se está em Lisboa pode ir até ao Teatro da Trindade que celebra este dia com uma programação especial. No teatro dirigido por Diogo Infante, pode participar em duas visitas guiadas, e assistir aos espetáculos Brokeback Mountain, na sala estúdio, e A Gaivota, na sala Carmen Dolores.
Em 2026, o ator e criador de teatro Willem Dafoe é o autor da mensagem que tradicionalmente é lida nos teatros de todo o mundo a 27 de março, Dia Mundial do Teatro. Esta mensagem, que pode escutar no vídeo abaixo, é divulgada com antecedência para potenciar a sua divulgação.
Miles Davis foi um trompetista, líder de banda e compositor americano. Está entre as figuras mais influentes e aclamadas da história do jazz e da música do século XX.
Miles Davispertenceu a uma classe tradicional de trompetistas de jazz, que começou com Buddy Bolden e se desenvolveu com Joe "King" Oliver, Louis Armstrong, Roy Eldridge e Dizzy Gillespie.
Davis esteve na vanguarda de quase todos os desenvolvimentos do jazz desde a Segunda Guerra Mundial até à década de 1990. Participou de várias gravações do bebop e das primeiras gravações do cool jazz. Fez parte do desenvolvimento do jazz modal, e também do jazz fusionque se originou a partir do seu trabalho com outros músicos no final da década de 1960 e no começo da década de 1970.
Summertime é conhecida como a mais famosa ária de jazz de 1935, composta por George Gershwin para a ópera Porgy and Bess, frequentemente está também associada ao verão.
Agora que a Páscoa se aproxima a passos largos, deixo-lhe aqui uma sugestão de receita para experimentar: Bacalhau à Conde de Brito.
"Bacalhau à Conde de Brito" é uma receita tradicional portuguesa, muito popular, que consiste em bacalhau desfiado, refogado com azeite, cebola, alho e louro, frequentemente preparado com batatas e natas.
Ingredientes: 1 cebola 1 dl de azeite 3 dentes de alho 450 g de bacalhau demolhado sal pimenta 4 dl de natas 300 g de batata 150 g de queijo ralado Salsa picada para enfeitar (facultativo)
Preparação: Coza o bacalhau e reserve. Corte a cebola ás rodelas e refogue no azeite, junto com os alhos picados. Junte o bacalhau cozido e desfiado. Tempere de sal e pimenta. Junte as natas e retifique os temperos. Reserve. Descasque as batatas, lave-as e corte-as em rodelas bem finas. Num tabuleiro disponhas em camadas alternadas as batatas e o preparado de bacalhau. Polvilhe com o queijo e leve ao forno, a 150º, durante cerca de 45 minutos ou até as batatas estarem macias. Antes de servir polvilhe com salsa picada ou outra erva de cheiro a gosto.
O Retrato da Sra. Hasellter (1942) é uma pintura a óleo sobre tela da artista surrealista ítalo argentina Leonor Fini. A obra, frequentemente associada à exploração de figuras femininas poderosas e enigmáticas por Fini, mede 78,7 x 67,3 cm e pertence a uma coleção particular. É um exemplo notável do seu estilo característico, que muitas vezes rejeitava as visões surrealistas tradicionais da mulher. O seu trabalho nem sempre se encaixava na concepção popular típica de surrealismo, às vezes explorando o tema da "femme fatale" sem qualquer imagem particularmente ambígua ou monstruosa. No entanto, a sua obra frequentemente incluía símbolos como esfinges, lobisomens e bruxas. Muitos dos seus personagens nas pinturas eram mulheres ou seres andróginos.
Leonor Fini (1907 - 1996) foi uma pintora, designer, ilustradora e escritora argentina, conhecida pelas suas ilustrações sensuais de mulheres.
Artista multifacetada, foi pintora, figurinista, designer, cenógrafa e escritora. A sua obra destacou-se pela representação de mulheres fortes e autónomas, desafiando os padrões da época. É frequentemente lembrada como a única artista a pintar mulheres "sem desculpas", retratando-as em situações provocantes e empoderadas.
Leonor Fini faleceu em janeiro de 1996, em Paris, tornando-se um símbolo na arte surrealista e na luta pela liberdade feminina na pintura.