Mulheres de Abril foi produzido, realizado e editado por uma equipa inteiramente feminina. Desde 2018, Raquel Freire trabalha sempre com equipas de mulheres ou pessoas não binárias e trans, numa resposta a uma indústria que, diz, continua a excluir sistematicamente as mulheres.
No documentário a que pode assistir ainda hoje no IndieLisboa (Cinema S. Jorge - sala3, pelas 14 h 15), as mulheres que fizeram parte da resistência antifascista e anticolonial ganham voz e lembram que a revolução não acabou.
Sinopse:
Mulheres de Abril é um filme que celebra a multitude de mulheres revolucionárias: as mães da nossa democracia. Através da voz, do olhar, do silêncio, da acção de cada uma destas mulheres, conhecemos a riqueza das experiências vividas, que, juntas, nos dão um legado de confiança, justiça, perseverança, respeito e liberdade. São mulheres que venceram o fascismo, o colonialismo, as desigualdades sociais em Portugal e nos territórios africanos ocupados e transformaram o mundo à sua volta.
Mulheres de Abril propõe uma viagem pela memória e pela história recente do país, através das vozes de Margarida Tengarrinha, Julieta Rocha, Ana Maria Cabral, Isabel do Carmo, Maria Emília Brederode Santos, Luísa Sarsfield Cabral, Teresa Loff Fernandes, Zezinha Chantre, Helena Neves e Ruth Rodrigues, cujas vidas foram marcadas pela perseguição, prisão, tortura, censura, exílio, clandestinidade, luta e resistência.
A receita do croissant surgiu na Áustria, mas consolidou-se no território francês a partir de meados do século XIX. A sua origem é atribuída aos padeiros de Viena, onde era conhecido pelo nome de Kipferl desde o século XIII, sendo feito de tamanhos variados.
Para alguns autores, a origem do kipferl, viennoiserie antepassado docroissant, dá-se, assim, na Áustria entre os séculos XIII e XVII, e aparece também na Hungria e na Itália, mas não se sabe a receita exata (salgada ou doce) e nem se a massa era folhada ou não. Este tipo de pastelaria também pode ter tido as suas origens no Próximo Oriente e nas cozinhas do palácio de Topkapi, em Istambul, na Turquia.
Terá sido um oficial austríaco, August Zang, associado a um nobre vienense de nome Ernest Schwarzer, que os introduziu em Paris entre 1837 e 1839, abrindo uma padaria de nome Boulangerie Viennoise, cujo sucesso rapidamente inspirou imitadores a produzirem a massa.
Foi feito na França num primeiro momento por trabalhadores que imigraram de Viena, a viennoiserie começou em seguida a ser praticada pelos seus pupilos. A prática espalhou-se e começou a ser chamada de travail viennois (trabalho vienense), e o cozinheiro chamado de viennois (vienense). Dentre esses cozinheiros, distinguiam-se o croissantier, o biscottier e o pâtissier-viennois (pasteleiro-vienense).
No entanto, foi só a partir do começo do século XX que essas receitas, especialmente a do croissant, se tornaram um símbolo da culinária francesa.
O Croissant é, hoje, uma delícia francesa que se espalhou pelo mundo e que faz sucesso tanto na sua versão salgada quanto na doce.
Ícone da confeitaria, este prato tem uma maciez irresistível e sabor amanteigado.
A preparação envolve uma massa de farinha, sal, açúcar, água, fermento e, é claro, manteiga de alta qualidade.
O segredo está na técnica meticulosa de esticar e dobrar a massa, criando camadas delicadas e crocantes.
O segredo do croissant está portanto na massa, que deve ser semifolhada. A massa semifolhada possui menos gorduras, menos dobras e leva fermento biológico. As dobras são responsáveis pela separação da massa e das camadas de gordura que proporcionam a folhagem do croissant.
Um bom croissant deve ter um bom aspecto, como uma lua em quarto crescente, com uma crosta crocante e uma bela cor dourada. As pontas devem estar descoladas do meio, e o miolo deve ser alvo, aerado, e mostrar a consistência certa.
Depois de cuidadosamente assados, os croissants podem receber os mais diversos recheios, incluindo cremes, chocolate, geleias e outras delícias.
subia a colina ao castelo-fantasma onde um pavão alto me aflorava muito em sonhos à noite. E sofria de asma
alma e ar reféns dentro do pulmão (como um chimpanzé que à boca da jaula respirava ainda pela estendida mão) Salazar três vezes, no eco da aula.
As verdiças tranças prontas a espigar escondiam na auréola os mais duros ganchos. E o meu coito quando jogava a apanhar era nesse tronco do jardim dos anjos
que hoje inda esbraceja numa árvore passiva. Níqueis e organdis, espelhos e torpedos acabou a guerra meu pai grita "Viva". Deflagram no rio golfinhos brinquedos.
Já bate no cais das colunas uma onda ultramarina onde singra um barco pra cacilhas e, no céu que ressuma névoas águas mil, um fictício arco- -irís como é, no seu cor-a-cor, uma dor que ao pé doutra se indefine. No cinema lis luz o projector e o FIM através do tempo retine.
Nos Açores, na Ilha do Pico, encontramos um ponto de interesse fantástico: a Paisagem da Cultura da Vinha. Esta é composta por uma faixa de território que abrange parcialmente as costas Norte e Sul, e a costa Oeste da ilha, tendo como referência emblemática dois sítios - oLajido da Criação Velha e o Lajido de Santa Luzia.
Este lugar é um exemplo incrível da transformação de uma zona rochosa, de origem vulcânica, numa paisagem vinícola deslumbrante.
A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico é um sítio classificado pela UNESCO desde 2004, compreendendo uma área de 987 hectares na ilha do Pico, a segunda maior do arquipélago dos Açores.
A zona classificada é descrita como uma Paisagem Cultural, e inclui um notável padrão de muros lineares paralelos e perpendiculares à linha de costa rochosa, onde as vinhas são cultivadas em chão de lava negra.
Os muros foram construídos para proteção dos milhares de pequenos e contíguos lotes retangulares (designados currais ou curraletas) da ressalga proveniente da água do mar e do vento marítimo mas deixando entrar o sol necessário à maturação das uvas.
A diversidade da fauna e da flora aqui presente está associada a uma rica presença de espécies endémicas das florestas da Laurissilva características da Macaronésia, algumas muito raras e protegidas por lei, como é o caso da Myrica faya, frequentemente utilizada para fazer abrigos.
Registos desta vinicultura, cujas origens datam do século XV, manifestam-se na extraordinária colecção existente em casas particulares, solares do início do século XIX, adegas, igrejas e portos. A belíssima paisagem construída pelo homem neste local é remanescente de uma prática antiga, muito mais vasta na região açoriana.
"Em Direção à Torre" (ou Hacia la Torre), é uma pintura de Remedios Varo Uranga.
Remedios Varo Uranga (1908) foi uma pintora surrealista nascida na Catalunha, Espanha. A sua obra destacou-se por narrativas fantásticas e uma estética meticulosamente detalhada.
Hacia la Torre (1960), é uma das obras (óleo sobre masonite) mais emblemáticas da surrealista espanhola-mexicana, muitas vezes associada à primeira parte de um tríptico autobiográfico.
Esta pintura reflete o surrealismo com forte influência mística, alquímica e arquitetura medieval.
Esta obra integra um conjunto de três pinturas que narram uma jornada simbólica. O painel da esquerda, Hacia la Torre, representa o abandono de uma educação católica rígida e a saída da casa paterna. A figura feminina na pintura é vista saindo de um edifício de estilo medieval/gótico, movendo-se com determinação, sugerindo um despertar ou uma busca por liberdade e autoconhecimento. A imagem reflete a "reapropriação da narrativa" pelas mulheres, um tema comum no trabalho tardio de Varo no México, onde as suas personagens femininas não são objetos passivos, mas agentes de sua própria história.
Remedios Varo é conhecida pelas suas figuras andróginas, atmosfera mística e técnica meticulosa, características evidentes nesta obra.
Durante a Guerra Civil Espanhola, Remedios Varo Uranga mudou-se para Paris, onde foi profundamente influenciada pelo movimento surrealista. Com a ocupação nazi de França, foi forçada ao exílio e, em 1941, estabeleceu-se na Cidade do México. Embora inicialmente tratasse o país como um refúgio temporário, permaneceu lá até à sua morte, em 1963, consolidando-se como uma das grandes artistas surrealistas de sua geração. A sua obra é famosa por misturar misticismo, alquimia, ciência e fantasia.
As suas criações transportam-nos para um universo onírico, onde personagens andróginas e melancólicas realizam tarefas enigmáticas em cenários que lembram a Idade Média ou laboratórios renascentistas.
Ouça a cantora porto-riquenha Judith Tellado em Yerba Mala (vídeo oficial).
Yerba mala quiero ser entre tus manos otra vez y así dormir después de amar Oh, leka nosht mi amor
Con tus besos despertar y cual guerrera en libertad enfrentar al mundo fiera y sin temor
Yerba mala, yerba mala quiero ser Regalar amargos versos con sabor a miel Y aunque duela diré siempre la verdad Que reír no vale en una vida en falsedad
Que me llamen yerba mala y aún así no moriré Floreceré sobre los campos de otras como yo
Y aunque me hiera la fortuna o me bendiga la bondad soy golondrina bajo el cielo en Zagora
Yerba mala, yerba mala quiero ser Regalar amargos versos con sabor a miel Y aunque duela diré siempre la verdad Que reír no vale en una vida en falsedad
«A obra O Príncipe do Congo, da autoria de Xavier de Figueiredo, constitui-se como um relevante e pormenorizado contributo histórico para a compreensão dos factores e condicionalismos sociais, políticos, culturais, económicos e militares que marcaram a transição de Angola da era do tráfico de escravos para a modernidade. Além disso, traduz o sentimento de afecto e reflecte o grande interesse do autor pela história de África, que investiga com inovação, inquestionável probidade e rigor científico.» - «Prefácio», António Silva Ribeiro
Sinopse: Em 1845, uma viagem a Lisboa, à mítica capital do Puto, marca indelevelmente a vida de D. Nicolau, príncipe do Congo, com apenas 15 anos. O pai, rei do Congo, acalentava a esperança de que esta viagem viesse a contribuir para levar Portugal a reconhecer-lhe liberdade para continuar com o tráfico de escravos, que tinha sido abolido por decreto em todos os domínios portugueses. Mas o jogo político inverte-se e, 15 anos depois, D. Nicolau, vendo o fim do reino do Congo no preito de vassalagem imposto por Portugal, num grito de revolta, publica uma carta de protesto num jornal de Lisboa. Abandona o Ambriz, em Angola, onde pouco antes fora colocado como escrivão da Fazenda, mas é assassinado.
Tendo como fio condutor a vida de D. Nicolau, Xavier de Figueiredo descreve o período conturbado que Angola atravessou com o fim da escravatura.