A ditadura militar brasileira executou, em 20 de agosto de 1971, a militante política Iara Iavelberg. Ela era então namorada do capitão Carlos Lamarca, um dos inimigos da repressão, e foi companheira de Dilma Rousseffno combate à tirania.
A verdade sobre a morte de Iara Iavelberg foi sempre um objetivo para os seus familiares, que nunca se conformaram com a versão divulgada naquela época, de que ela teria cometido suicídio.
Na versão do regime militar, Iara deu um tiro contra o próprio peito quando se viu diante da impossibilidade de fugir. O laudo – que posteriormente desapareceu – foi assinado pelo legista Charles Pittex, e o corpo foi entregue à família apenas um mês após a sua morte. Seguindo as tradições judaicas, Iara foi enterrada numa área específica do cemitério destinada a suicidas, com os pés voltados para a lápide, tradição entendida como uma desonra.
A teoria de suicídio, entretanto, nunca convenceu a família, incluindo os seus dois irmãos, Samuel e Raul, também militantes. Após uma longa batalha a família pôde, em 2003, reiniciar um processo de investigação e realizar uma exumação do corpo de Iara.
O legista Daniel Muñoz concluiu que a morte de Iara por suicídio era "improvável", e o seu corpo foi finalmente retirado da ala de suicidas do cemitério israelita.
Mariana Pamplona, sobrinha de Iara, escreveu o roteiro para o documentário Em busca de Iara (2014), no qual, além de um perfil da tia, busca desvendar as circunstâncias de sua morte.
Passam hoje 49 anos sobre o27 Maio de 1977, um período negro da história angolana que não deve ser branqueado ou esquecido. Na sequência dos trágicos acontecimentos que ocorreram neste dia, dezenas de milhares de angolanos foram torturados, presos e/ou encaminhados para campos de concentração (eufemisticamente chamados de reeducação), e fuzilados sem julgamento, enquanto outros desapareceram sem deixar rasto.
Deixo-o hoje com a entrevista (datada de 30 julho de 2024) feita, pela Associação 27 de maio, ao querido amigo Manuel Vidigal, que se despediu de nós recentemente e que foi uma das vítimas do 27 de maio de 1977.
Rive droite, rive gauche - Margem Direita, Margem Esquerda - é um filme francês (1984) realizado por Philippe Labro, e que conta no elenco comGérard Depardieu, Nathalie Bayee Carole Bouquet, entre outros. Bouquet recebeu uma indicação para o César de Melhor Atriz Coadjuvante.
Sinopse:
Jacques Guarrigue (Jacques Weber) e Paul Sénanques (Gérard Depardieu) têm uma firma de advocacia. Paul é um advogado bem-sucedido da margem direita do Sena. Entre outros, ele representa o poderoso e temível empresário e investidor Pervillard (Bernard Fresson). Apesar de ser casado, Paul apaixona-se por uma jovem chamada Sacha (Nathalie Baye), ex-funcionária de Pervillard. Quando descobre que ela foi demitida por não permitir que Pervillard a molestasse, torna o caso público provocando um escândalo político contra Pervillard. Sacha demonstra toda a sua gratidão, mas agora precisa temer a fúria de Babée (Carole Bouquet), a esposa ciumenta de Paul.
A cidade de Paris, capital da França, é atravessada pelo rio Sena.
Rive Gauche (margem esquerda, em francês) é o nome que se dá à parte sul da cidade de Paris, em oposição à margem direita do rio conhecida por Rive Droite.
Na margem esquerda incluem-se os seguintes distritos: 5º arrondissement; 6º arrondissement; 7º arrondissement; 8º arrondissement; 14º arrondissement e o 15º arrondissement de Paris (salvo a île des Cygnes).
O nome Rive Gauche designa igualmente um estilo de vida típico. Os distritos V e VI, antigos bairros boémios, artísticos e intelectuais da primeira metade do século XX, ditaram esse estilo, chamado em francês de "bobo" (de bourgeois-bohème, "burguês e boémio"), em oposição aos bairros burgueses clássicos e conservadores dos arrondissements XVI e XVII, situados na margem direita.
Historicamente, esta área da cidade ganhou fama mundial como o coração cultural, intelectual e boémio da cidade. Devido ao seu enorme impacto cultural, o nome transformou-se numa marca de estilo e identidade global.
Enquanto a Rive Droite (margem direita, a norte) se associou historicamente ao comércio, finanças e ostentação Real, a Rive Gauche tornou-se o lar de intelectuais e artistas. Foi o ponto de encontro de figuras como Hemingway, Picasso, Verlaine e Sartre, entre outros. Ainda hoje é assim porque é o ponto de encontro dos jovens estudantes devido à Universidade de Sorbonne, e por isso, dos bistrôs, cafés e bares muito animados, das ruas estreitas e repletas de gente que pretende divertir-se.
É na Rive Gauche que se situam bairros icónicos como o histórico Quartier Latin e Saint-Germain-des-Prés. Nesta parte da cidade situam-se monumentos como a Torre Eiffel, os Jardins do Luxemburgo, o Museu Rodin, o Museu d'Orsay e a prestigiada Universidade da Sorbonne.
Em 1966, o estilista Yves Saint Laurent usou o nome para batizar a sua linha "Saint Laurent Rive Gauche". Esta iniciativa histórica provocou uma verdadeira revolução: a democratização da moda, com a primeira loja física de Prêt-à-porter (pronto a vestir) de um designer de alta-costura. Esta loja simbolizou o espírito da época tendo capturada a energia jovem, livre, urbana e rebelde dos estudantes desta parte da cidade na década de 1960.
Inspirada pelo mesmo conceito, a marca Yves Saint Laurent lançou em 1970 o perfume Rive Gauche. Trata-se de uma fragrância floral aldeídica muito marcante, que se tornou num dos maiores clássicos da perfumaria francesa moderna.
Para conhecer melhor esta parte da cidade de Paris, explore os links acima ou veja os vídeos abaixo.
Ouça a canção Morenica interpretada pelo grupo Al'Fado.
Al'Fado é o novo projeto musical que mistura raízesSefarditas com a canção portuguesa por excelência, o Fado. As canções são cantadas em Português, Hebraico e Ladino– dialeto medieval de origem espanhola.
Sediado em Lisboa, o ensemble Al’Fado assume influências musicais que vão do Flamenco ao Jazz, passando pelas Músicas do Mundo, como resultado da diversidade cultural dos músicos portugueses e israelitas que o integram: Gal Tamir (voz e clarinete), Avishay Back (baixo), João Roque (guitarra) e Diogo Melo de Carvalho (percussões e melódica).
Ouça o poema Regresso de Alda Lara na voz de João Abreu Completo.
Alda Lara, nasceu (1930 - 1962) em Benguela e faleceu em Cambambe (Angola), foi uma médica e poetisa portuguesa de origem angolana, que teve uma grande produção poética, publicada apenas após a sua morte, através da recolha dos seus poemas feita pelo seu marido, Orlando de Albuquerque.