quinta-feira, maio 28, 2026

A Morte Brutal de Iara

 A ditadura militar brasileira executou, em 20 de agosto de 1971, a militante política Iara Iavelberg. Ela era então namorada do capitão Carlos Lamarca, um dos inimigos da repressão, e foi companheira de Dilma Rousseff no combate à tirania.

A verdade sobre a morte de Iara Iavelberg foi sempre um objetivo para os seus familiares, que nunca se conformaram com a versão divulgada naquela época, de que ela teria cometido suicídio. 

Na versão do regime militar, Iara deu um tiro contra o próprio peito quando se viu diante da impossibilidade de fugir. O laudo – que posteriormente desapareceu – foi assinado pelo legista Charles Pittex, e o corpo foi entregue à família apenas um mês após a sua morte. Seguindo as tradições judaicas, Iara foi enterrada numa área específica do cemitério destinada a suicidas, com os pés voltados para a lápide, tradição entendida como uma desonra.

A teoria de suicídio, entretanto, nunca convenceu a família, incluindo os seus dois irmãos, Samuel e Raul, também militantes. Após uma longa batalha a família pôde, em 2003, reiniciar um processo de investigação e realizar uma exumação do corpo de Iara. 

O legista Daniel Muñoz concluiu que a morte de Iara por suicídio era "improvável", e o seu corpo foi finalmente retirado da ala de suicidas do cemitério israelita.

Mariana Pamplona, sobrinha de Iara, escreveu o roteiro para o documentário Em busca de Iara (2014), no qual, além de um perfil da tia, busca desvendar as circunstâncias de sua morte.
Em Busca de Iara - Cinedebate com Samuel Iavelberg.

quarta-feira, maio 27, 2026

27 Maio de 1977: Lembrar Para Não Esquecer

 Passam hoje 49 anos sobre o 27 Maio de 1977 , um período negro da história angolana que não deve ser branqueado ou esquecido. Na sequência dos trágicos acontecimentos que ocorreram neste dia, dezenas de milhares de angolanos foram torturados, presos e/ou encaminhados para campos de concentração (eufemisticamente chamados de reeducação), e fuzilados sem julgamento, enquanto outros desapareceram sem deixar rasto. 

Deixo-o hoje com a entrevista (datada de 30 julho de 2024) feita, pela Associação 27 de maio, ao querido amigo Manuel Vidigal, que se despediu de nós recentemente e que foi uma das vítimas do 27 de maio de 1977.
Lembrar Para Não Esquecer.

terça-feira, maio 26, 2026

Poesia da Paz

A paz é...
A paz se faz
refaz
não se desfaz

A paz se cria
procria
acaba com hipocrisia

A paz constrói
nada destrói
e ela não dói...

A paz não é mito
nasce do conflito
tratado de jeito bonito

A paz é fato
não boato
surge do ato

A paz é amor
calor a favor
do que se tem de valor

A paz não é invenção
é emoção do coração
também razão e intuição

segunda-feira, maio 25, 2026

Rive droite, rive gauche

 Rive droite, rive gauche - Margem Direita, Margem Esquerda - é um filme francês (1984) realizado por Philippe Labro, e que conta no elenco com Gérard Depardieu, Nathalie Baye e Carole Bouquet, entre outros. Bouquet recebeu uma indicação para o César de Melhor Atriz Coadjuvante

Sinopse:
Jacques Guarrigue (Jacques Weber) e Paul Sénanques (Gérard Depardieu) têm uma firma de advocacia. Paul é um advogado bem-sucedido da margem direita do Sena. Entre outros, ele representa o poderoso e temível empresário e investidor Pervillard (Bernard Fresson). Apesar de ser casado, Paul apaixona-se por uma jovem chamada Sacha (Nathalie Baye), ex-funcionária de Pervillard. Quando descobre que ela foi demitida por não permitir que Pervillard a molestasse, torna o caso público provocando um escândalo político contra Pervillard. Sacha demonstra toda a sua gratidão, mas agora precisa temer a fúria de Babée (Carole Bouquet), a esposa ciumenta de Paul.

domingo, maio 24, 2026

A Rive Gauche

A cidade de Paris, capital da França, é atravessada pelo rio Sena

Rive Gauche (margem esquerda, em francês) é o nome que se dá à parte sul da cidade de Paris, em oposição à margem direita do rio conhecida por Rive Droite.

Na margem esquerda incluem-se os seguintes distritos: 5º arrondissement; 6º arrondissement; 7º arrondissement; 8º arrondissement; 14º arrondissement e o 15º arrondissement de Paris (salvo a île des Cygnes).

O nome Rive Gauche designa igualmente um estilo de vida típico. Os distritos V e VI, antigos bairros boémios, artísticos e intelectuais da primeira metade do século XX, ditaram esse estilo, chamado em francês de "bobo" (de bourgeois-bohème, "burguês e boémio"), em oposição aos bairros burgueses clássicos e conservadores dos arrondissements XVI e XVII, situados na margem direita.

Historicamente, esta área da cidade ganhou fama mundial como o coração cultural, intelectual e boémio da cidade. Devido ao seu enorme impacto cultural, o nome transformou-se numa marca de estilo e identidade global.

Enquanto a Rive Droite (margem direita, a norte) se associou historicamente ao comércio, finanças e ostentação Real, a Rive Gauche tornou-se o lar de intelectuais e artistas. Foi o ponto de encontro de figuras como Hemingway, Picasso, Verlaine e Sartre, entre outros. Ainda hoje é assim porque é o ponto de encontro dos jovens estudantes devido à Universidade de Sorbonne, e por isso, dos bistrôs, cafés e bares muito animados, das ruas estreitas e repletas de gente que pretende divertir-se.

É na Rive Gauche que se situam bairros icónicos como o histórico Quartier Latin e Saint-Germain-des-Prés. Nesta parte da cidade situam-se monumentos como a Torre Eiffel, os Jardins do Luxemburgo, o Museu Rodin, o Museu d'Orsay e a prestigiada Universidade da Sorbonne.

Em 1966, o estilista Yves Saint Laurent usou o nome para batizar a sua linha "Saint Laurent Rive Gauche". Esta iniciativa histórica provocou uma verdadeira revolução: a democratização da moda, com a primeira loja física de Prêt-à-porter (pronto a vestir) de um designer de alta-costura. Esta loja simbolizou o espírito da época tendo capturada a energia jovem, livre, urbana e rebelde dos estudantes desta parte da cidade na década de 1960.

 Inspirada pelo mesmo conceito, a marca Yves Saint Laurent lançou em 1970 o perfume Rive Gauche. Trata-se de uma fragrância floral aldeídica muito marcante, que se tornou num dos maiores clássicos da perfumaria francesa moderna.

Para conhecer melhor esta parte da cidade de Paris, explore os links acima ou veja os vídeos abaixo. 
Bom passeio virtual.
E ainda outro vídeo.

sábado, maio 23, 2026

Morenica

 Ouça a canção Morenica interpretada pelo grupo Al'Fado.

Al'Fado é o novo projeto musical que mistura raízes Sefarditas com a canção portuguesa por excelência, o Fado. As canções são cantadas em Português, Hebraico e Ladino – dialeto medieval de origem espanhola.
Sediado em Lisboa, o ensemble Al’Fado assume influências musicais que vão do Flamenco ao Jazz, passando pelas Músicas do Mundo, como resultado da diversidade cultural dos músicos portugueses e israelitas que o integram: Gal Tamir (voz e clarinete), Avishay Back (baixo), João Roque (guitarra) e Diogo Melo de Carvalho (percussões e melódica).

sexta-feira, maio 22, 2026

Regresso

 Ouça o poema Regresso de Alda Lara na voz de João Abreu Completo
Alda Lara, nasceu (1930 - 1962) em Benguela e faleceu em Cambambe (Angola), foi uma médica e poetisa portuguesa de origem angolana, que teve uma grande produção poética, publicada apenas após a sua morte, através da recolha dos seus poemas feita pelo seu marido, Orlando de Albuquerque.