E gentil, plumeo cantor, Que d'aromas tão fragrantes Não esparzes com candor, Quando trinas mavioso Nesse insólito rigor De um sol forte e constante Suaves cantos d'amor?!
Ás vezes contemplo Do dia no albor, Sentir o rigor De escravo viver;
Suspiras e gemes Em cantos d'amor, Ah! sê meu primor Não queiras morrer!
Anhélas no mato Andar pelas fragas, Viver só de bagas, Nos ramos dormir?
Esvoaça saltando Na tua prisão Ai! Tem compaixão Não vive a carpir!
Infiltra bondoso No meu coração O doce condão - Do meigo trinar;
Que juro contigo Do muito viver Comtigo morrer, Comtigo findar!
E as azas abrindo O plumeo cantor, As juras d'amor, Ouvio a sorrir -
Em magos acentos Endeixas trinou, Que d'alma exalou, Que d'alma sentiu! -
A Costa dos Murmúrios(2004) é um filme de ficção realizado pela cineasta Margarida Cardoso, com roteiro de Cedric Basso, Margarida Cardoso e Lídia Jorge, que contou no elenco com Beatriz Batarda, Filipe Duarte e Monica Calle.
O filme passou na RTP 2 no sábado passado, 4/Abril às 22,30 h, mas, se o quiser ver agora basta clicar aqui.
Sinopse:
Baseado no romance homónimo de Lídia Jorge, o filme acompanha as vicissitudes da protagonista Evita, que nos anos 60 segue para Moçambique para casar com Luís, que ali cumpre o serviço militar.
Em Moçambique começou há algum tempo a guerra colonial e Luís já não é o mesmo homem que Evita conheceu. Quando os homens partem para uma operação militar no Norte do país, Evita fica sozinha e, no desespero de tentar compreender o que modificou Luís, procura a companhia de Helena, a mulher do capitão do marido, Forza Leal.
Com o tempo, ela descobre mais sobre o marido e Moçambique do que teria imaginado na sua pacífica casa europeia. Racismo, violência, injustiça e fatalismo tornam a vida insuportável.
O filme centra-se na visão das mulheres que acompanham os militares portugueses e oferece uma perspectiva peculiar sobre a violência de um tempo colonial à beira do fim.
O regresso desta grande artista, Yuyu, numa bela interpretação, simultaneamente emocionante e envolvente, do hit de Charles Aznavour: La Bohème. Uma produção, tudo para ouvir.
A Continuação do Compasso Pascal (Visita Pascal). Em algumas freguesias, principalmente no Norte de Portugal, a visita pascal, onde o pároco leva a cruz decorada para abençoar as casas, estende-se até à segunda-feira de Pascoela.
Realização de Romarias e Piqueniques sobretudo no Alentejo. Nesta região do país, é tradição realizar romarias e almoços no campo neste dia. As famílias reúnem-se para celebrar a ressurreição com convívio, muitas vezes aproveitando o clima primaveril para comer ao ar livre.
A partilha de Folares e Doces. É um dia para continuar a comer os doces típicos da Páscoa, como o folar de carne ou o doce, o pão de ló e as amêndoas, partilhando-os com amigos e vizinhos que visitam a casa.
A visita ou passeio pelos Mercados de Páscoa. Em algumas localidades, como Vila do Conde, ocorrem feiras e mercados de Páscoa que funcionam durante este período, oferecendo animação e gastronomia local.
Em suma, a segunda-feira é vista como um dia de Páscoa Pequena ou de celebração da Pascoela, focada no convívio e na alegria da ressurreição.
Na manhã da segunda-feira de Páscoa, Borba voltou a cumprir a tradição. É dia de Santa Bárbara.
O poema "Páscoa na Aldeia" de Teixeira de Pascoaes retrata uma celebração nostálgica e primaveril na região de Entre-o-Douro-e-Minho. Este poema bucólico é um reflexo do amor de Pascoaes pela sua terra, a região deAmarante e da Serra da Aboboreira, onde passava tempo com a família.
Minha aldeia na Páscoa… Infância, mês de Abril! Manhã primaveril! A velha igreja. Entre as árvores alveja, Alegre e rumorosa De povo, luzes, flores… E, na penumbra dos altares cor-de-rosa . Rasgados pelo sol os negros véus. Parece até sorrir a Virgem-Mãe das Dores. Ressurreição de Deus! (…) Em pleno azul, erguida Entre a verde folhagem das uveiras. Rebrilha a cruz de prata florescida… Na igreja antiga a rir seu branco riso de cal. Ébrias de cor, tremulam as bandeiras… Vede! Jesus lá vai, ao sol de Portugal! Ei-lo que entra contente nos casais; E, com amor, visita as rústicas choupanas. É ele, esse que trouxe aos míseros mortais As grandes alegrias sobre-humanas.
Lá vai, lá vai, por íngremes caminhos! Linda manhã, canções de passarinhos! A campainha toca: Aleluia! Aleluia! (…) Velhos trabalhadores, por quem sofreu Jesus.
E mães, acalentando os filhos no regaço. Esperam o COMPASSO… E, ajoelhando com séria devoção. Beijam os pés da Cruz.
O Bolinhol de Vizela é um doce tradicional português, característico da região de Vizela, com uma textura húmida e uma cobertura doce. É um pão-de-ló fofo, mas simultaneamente húmido, finalizado com uma cobertura de açúcar opaca, pincelada à mão.
A sua receita, passada de geração em geração, é feita de forma artesanal, utilizando ingredientes locais.
O Bolinhol de Vizela foi um dos vencedores do concurso 7 Maravilhas Doces de Portugal (2019).
A história deste doce nortenho remontará ao ano de 1880, sendo que em 1884 esteve já presente na Exposição Industrial Concelhia de Guimarães. Ao longo do século XX foi conquistando palatos, à medida que as Termas de Vizela ganhavam popularidade, entre ingleses ligados ao comércio do Vinho do Porto e famílias endinheiradas no norte do país e de Espanha.
Encontra Bolinhol – que até tem um livro dedicado à sua história – em várias pastelarias de Vizela sobretudo nas quadras da Páscoa e do Natal.
Não sei como se ressuscita no terceiro dia de cada sílaba nem se há palavra para voltar do grande rio do esquecimento. Não sei se no terceiro dia alguém me espera. Ou se ninguém. Em cada poema levanto a pedra em cada poema pergunto quem.