quinta-feira, junho 18, 2026

My Kyiv ou Como Não Te Amar, Minha Kyiv!

Kyiv
 My Kyiv ou Como Não Te Amar, Minha Kyiv! refere-se à famosa canção da capital ucraniana. O Dia da Cidade de Kyiv é celebrado anualmente no último fim de semana de maio (tendo ocorrido a 31 de maio de 2026), comemorando a fundação oficial da capital ucraniana.

Já agora fique a saber que Kyiv é o nome ucraniano da cidade enquanto que Kiev é o nome russo da mesma.

 A canção oficial e hino Як тебе не любити, Києве мій! (Como não te amar, meu Kyiv!) foi composta por Ihor Shamo (1925-1982) com letra de Dmytro Lutsenko tendo-se tornado o hino oficial da cidade.

Ouça em baixo Phillip Sear que interpreta um arranjo para piano da canção deste compositor ucraniano. 

Shamo nasceu e morreu em Kyiv. Estudou no Conservatório de Kyiv e compôs muitas obras orquestrais e de câmara, além de canções. 

Este arranjo apareceu numa coletânea ucraniana da década de 1960 com canções populares de autores ucranianos e estrangeiros. A canção original possui uma letra patriótica de Dmytro Lutsenko  (1921-1989), letrista ucraniano que trabalhou com muitos dos principais compositores da época. Foi escrita para o "Dia da Cidade de Kyiv" em 1962 e adotada como hino oficial do distrito de Kyiv em 2014. Aqui lhe deixo uma tradução do primeiro e do último verso, retirada do LyricsTranslate, para dar uma ideia do sentimento da canção que pode ouvir no segundo vídeo.

"O mar verde se eleva em ondas, o dia tranquilo se apaga,
as margens do Dnieper se tornam queridas para mim,
onde os galhos dos sonhos de amor balançam...
Como não te amar, minha Kyiv!
Veludo das noites, como a onda da felicidade...
Como não te amar, minha Kyiv!

A cidade cansada dorme em um sono tranquilo e doce.
As luzes da cidade florescem sobre o Dnieper como um colar,
Veludo das noites, como a onda da felicidade...
Como não te amar, minha Kyiv!

Veludo das noites, como a onda da felicidade...
Como não te amar, minha Kyiv!
E agora um vídeo com o hino desta cidade cantado com a letra patriótica de Dmytro Lutsenko

quarta-feira, junho 17, 2026

A Dança da Primavera

 A Dança da Primavera (1922) é uma pintura de Alberto Giacometti.

(Frühlingstanz bei Stampa ou Ronde de couples dans un pré près de Stampa) é uma das raras pinturas de paisagens e festas da juventude de Alberto Giacometti. A obra antecede a sua famosa fase de esculturas alongadas e reflete o seu fascínio pelo pontilhismo e pelo modernismo.

1922 foi um ano de viragem para Giacometti, marcando o momento em que o artista se mudou para Paris para estudar na Académie de la Grande Chaumière. Pintado no norte de Stampa, na Suíça (a sua região natal no vale de Bregaglia), a obra apresenta um traçado vibrante. O artista frequentemente começava por fazer esboços na tela com cores primárias (vermelho para as figuras, azul para as paisagens), e é possível notar elementos geográficos locais como a Igreja de San Giorgio ao fundo.

Alberto Giacometti (1901- 1966) foi um renomado pintor e escultor suíço, profundamente influenciado pelo modernismo. A sua obra teve um papel essencial na definição da escultura surrealista, evoluindo posteriormente para um estilo marcado pelo existencialismo e pela representação expressiva da figura humana.

As suas esculturas alongadas e etéreas tornaram-se icónicas, transmitindo uma sensação de solidão e fragilidade. Giacometti explorou a condição humana de maneira única, refletindo angústia e introspecção nas suas criações.

A sua produção inicial em 1922 revela um jovem pintor que estava a assimilar as influências do Impressionismo do seu pai, Giovanni Giacometti, bem como a arte clássica. Para entender melhor como as influências tradicionais e globais se fundiam no estilo maduro e nas pinturas de Giacometti não deixe de ver o vídeo abaixo.

terça-feira, junho 16, 2026

I am a Fool To Want You

 Ouça Chet Baker em I am a Fool To Want You
(ao vivo em Paris).
Chet Baker (1929–1988) foi um aclamado trompetista e vocalista americano de jazz, amplamente reconhecido como o "Príncipe do Cool" devido ao seu papel fundamental no desenvolvimento do cool jazz e do West Coast jazz. Dono de um estilo melancólico, com um som de trompete incrivelmente lírico e uma voz suave e sussurrada, tornou-se um dos mitos mais duradouros da história da música, equilibrando um talento genial com uma vida pessoal marcada pela autodestruição.

[Verse 1]
I'm a fool to want you
I'm a fool to want you
To want a love that can't be true
A love that's there for others too

[Verse 2]
I'm a fool to hold you
Such a fool to hold you
To seek a kiss not mine alone
To share a kiss the Devil has known

[Chorus]
Time and time again, I said I'd leave you
Time and time again, I went away
But then would come the time when I would need you
And once again, these words I'll have to say


[Verse 3]
Take me back, I love you
Pity me, I need you
I know it's wrong, it must be wrong
But right or wrong, I can't get along
Without you

segunda-feira, junho 15, 2026

7 Vestidos Em Alta No Verão 2026: Modelos. (Parte 2)

Assista a mais um vídeo da influencer brasileira Luciane Cachinski que lhe fala dos 7 Vestidos Em Alta No Verão 2026: Modelos.

Os vestidos fluídos com folhos assimétricos, os modelos utilitários e as peças de estética boho chic são os grandes destaques em alta no verão 2026. A temporada prioriza o movimento natural, o conforto térmico e uma sofisticação descomplicada, misturando texturas artesanais com cortes modernos

Luciane Cachinski é uma influencer e youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante mais de 30 anos. 

Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha.

No vídeo abaixo, Luciane Cachinski mostra-lhe os modelos que são uma tendência em 2026.  
Não perca. Vale mesmo a pena.

Vamos para o segundo vídeo de um conjunto de episódios sobre os vestidos para o verão 2026.

domingo, junho 14, 2026

A Biblioteca Central da Universidade de Teerão

A Biblioteca Central e Centro de Documentação da Universidade de Teerão (ou Ketabkhane Markazi Daneshgah Tehran, no Irão) é uma das mais antigas e prestigiadas bibliotecas universitárias da região, com uma vasta coleção de manuscritos raros em persa e fontes islâmicas e um dos principais centros de investigação do Médio Oriente.

O imponente e moderno edifício de 9 andares, localizado na Avenida Enghelab, foi projetado pelo arquiteto Bahman Paknia (com contributos de peritos da UNESCO) e inaugurado formalmente em 1971.

Sendo a maior biblioteca académica do Irão inclui uma rica e vasta seleção de recursos em diferentes campos da Ciência, Tecnologia e Literatura.

O acervo da biblioteca inclui mais de um milhão de livros, publicações periódicas, manuscritos, microfilmes, cópias pictóricas, documentos e fotografias históricas, livros litográficos, dissertações académicas, documentos científicos e mapas, mais de 120.000 livros em Inglês, Francês, Alemão, Russo, Italiano, entre outras línguas.

A biblioteca possui um valioso conjunto de manuscritos, incluindo documentos históricos, microfilmes, manuscritos pictóricos, livros raros, livros litográficos, fotografias históricas e caligrafia de estudiosos e políticos. Esta colecção inclui cerca de 17.000 volumes de manuscritos em persa, bem como outras línguas.

sábado, junho 13, 2026

Santo António

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante ... Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma ardente e ansiosa,
Etcetera...
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra coisa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isto ser doutor
Ou investigador.

Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.

Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza, 

Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza,
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto: é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi o Papa? ...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo! O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas, ou não coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arraste
Na nora de uns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história,
Que foste tu, ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.

És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Porque demónio
É que foram pregar contigo em santo?

sexta-feira, junho 12, 2026

Noite de Santo António

 Cá vai a marcha mais o meu par
Se eu não trouxesse, quem o havia de aturar?
Não digas sim, não me digas não
Negócios de amor são sempre o que são
Já não há praça dos bailaricos
Tronos de luxo no altar de manjericos
Mas sem a praça que foi da Figueira
A gente cá vai quer queira ou não queira

Ó noite de Santo António
Ó Lisboa de encantar de alcachofras a florir
De foguetes a estoirar
Enquanto os bairros cantarem
Enquanto houver arraiais
Enquanto houver Santo António
Lisboa não morre mais

Lisboa é sempre a namoradeira
Tantos derrices que já até fazem fileira
Não digas sim, não me digas não
Amar é destino, cantar é condão
Uma cantiga, uma aguarela
Um cravo aberto debruçado da janela
Lisboa linda do meu bairro antigo
Dá-me o teu bracinho, vem bailar comigo

Ó noite de Santo Antônio
Ó Lisboa de encantar de alcachofras a florir
De foguetes a estoirar
Enquanto os bairros cantarem
Enquanto houver arraiais
Enquanto houver Santo António
Lisboa não morre mais

Enquanto os bairros cantarem
Enquanto houver arraiais
Enquanto houver Santo António
Lisboa não morre mais
Poema de Norberto Araújo interpretado por Amália Rodrigues (veja abaixo).