sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Epifania

Epifania - 1940
 "Epifania" (Epiphany) é uma pintura surrealista criada por Max Ernst. Esta obra reflete o estilo inconfundível do artista, caracterizado por paisagens oníricas, figuras bizarras e texturas complexas, muitas vezes resultantes das suas técnicas inovadoras de frottage e grattage. A obra é notável pela atmosfera contemporânea e misteriosa. 

Grattage é uma técnica de pintura surrealista inventada por Max Ernst em 1927. Consiste em raspar tinta fresca ou seca sobre uma tela para criar texturas, relevos e formas tridimensionais. Frequentemente associada à frottage, a técnica revela camadas inferiores de cor e é usada para criar efeitos aleatórios ou figurativos, sendo também utilizada no informalismo.

Max Ernst (1891/1976) foi um pintor e poeta alemão que se naturalizou norte-americano e, posteriormente, francês. Em 1922, mudou-se para França, onde conheceu André Breton e ingressou no movimento surrealista. Breton descrevia-o como o "mais magnífico cérebro assombrado" das artes, destacando a sua maestria na essência do Surrealismo.

A Tentação de Santo António - 1945
Durante a Segunda Guerra Mundial, Ernst fugiu para os Estados Unidos, retornando a França em 1948, quando se naturalizou francês. A sua obra inovadora, marcada por experiências com colagem, frottage e técnicas inusitadas, consolidou o seu impacto na arte moderna.
Uma das obras mais conhecidas de Max Ernest é A tentação de Santo António (1945) que é uma pintura a óleo surrealista que venceu um concurso para o filme "The Private Affairs of Bel Ami". A obra retrata a angústia do santo no deserto, cercado por criaturas fantásticas e bizarras num estilo onírico e de pesadelo, destacando-se pela mistura do fantástico com o real.

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Lisboa Com Suas Casas

 Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores…
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos.
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
À força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) - Poesias de Álvaro de Campos, 1934

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

A Encharcada

A Encharcada do Convento de Santa Clara de Évora
 A Encharcada é uma sobremesa tradicional do Alentejo de origem conventual. É muito apreciada pelo seu sabor doce e textura cremosa e suave. 

Este doce simples e reconfortante, fácil de preparar, pode ser servido morno ou à temperatura ambiente.

A história da encharcada envolve, provavelmente, produtores de vinho e freiras. Diz-se que os primeiros clareavam o vinho usando claras de ovo, e as gemas (que não eram usadas) eram doadas às freiras, que os usavam de forma brilhante em diversos doces. 

A receita remete-nos para a simplicidade e autenticidade da gastronomia alentejana. Onde a combinação dos ovos, com o leite e o açúcar é equilibrada com um toque de limão e canela. Podemos encontrar algumas variações regionais e pessoais na preparação desta sobremesa. Por exemplo, algumas receitas  acrescentam pão alentejano, moído e demolhado em leite, e amêndoa ralada. Esta mistura é depois cozida numa calda de açúcar até ficar uma papa. Aliás, de acordo com algumas opiniões, o nome "encharcada" refere-se ao ato de "encharcar" o pão no preparado dos ovos, açúcar e leite. Muitas famílias têm as suas próprias versões da receita, que transmitem de geração em geração.

Existem diversos tipos de encharcada, umas mais húmidas e moles, outras mais secas, que até podem ser cortadas em fatias. As mais famosas são as feitas à moda do convento de Santa Clara, em Évora.

terça-feira, fevereiro 24, 2026

Stefania

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, desencadeando o mais grave conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Passaram-se exatamente 4 anos. 
Para assinalar esta triste efeméride e homenageando este povo corajoso, sofrido e resiliente, não deixe de ouvir a Kalush Orchestra em Stefania  (Vídeo oficial Eurovisão 2022).

segunda-feira, fevereiro 23, 2026

O Segredo dos Seus Olhos

 O Segredo dos Seus Olhos (2009) é um filme realizado por Juan José Campanella. O roteiro foi escrito por Campanella e Eduardo Sacheri e é baseado no romance La Pregunta de sus Ojos, escrito por Sacheri.

Este filme recebeu prémios quer em Hollywood quer em Espanha. De salientar que recebeu o Oscar de Melhor Filme Internacional nos Oscares de 2010, tornando a Argentina o primeiro país da América Latina a ganhar o prémio duas vezes, sendo a primeira em 1985. Três semanas antes, tinha-lhe sido atribuído o prémio espanhol equivalente, o Goya de Melhor Filme Estrangeiro em Espanhol. 

Em 2016, O Segredo dos Seus Olhos foi considerado pela crítica internacional como um dos 100 Melhores Filmes do Século XXI pela BBC.

Sinopse:
Benjamin Esposito (Ricardo Darín) aposentou-se recentemente do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal. Com bastante tempo livre, dedica-se agora a escrever um livro. Benjamin usa a sua experiência para contar uma história trágica, da qual tinha sido testemunha em 1974. Na época o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e consequente assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta.

domingo, fevereiro 22, 2026

Virá

 Ouça o cantor brasileiro Silva em Virá (Videoclipe Oficial). "Virá" é uma canção sobre esperança, afeto e amor.

Lúcio Silva de Souza (1988), mais conhecido pelo nome artístico de Silva, é um cantor, compositor e músico multi-instrumentista brasileiro.

Ah, ah

'Cê faz que não vê, mas eu te vejo
O corpo que fala sem querer
Reflete no olhar igual ao espelho
Te espero no claro amanhecer
Se você quiser, você vai ver
Não vai dar pra disfarçar a luz do sol, eu e você

Virar sobre o mar
Pode ser muito bonito, nosso amor já vai raiar

Virar sobre o mar
Pode ser muito bonito, nosso amor já vai raiar

Ah, ah, ah, nosso amor já vai raiar
Ah, ah, nosso amor já vai raiar
Ah, ah, nosso amor já vai raiarº

Ah, ah

'Cê faz que não vê, mas eu te vejo
O corpo que fala sem querer
Reflete no olhar igual ao espelho
Te espero num claro amanhecer
Se você quiser, você vai ver
Não vai dar pra disfarçar a luz do sol, eu e você

Virar sobre o mar
Pode ser muito bonito, o nosso amor já vai raiar
Virar sobre o mar
Pode ser muito bonito, nosso amor já vai raiar

Ah, ah, ah
Nosso amor já vai raiar
Ah, ah
Nosso amor já vai raiar
Ah, ah
Nosso amor já vai raiar
Ah, ah
Nosso amor já vai

Ah, ah
Nosso amor já vai raiar
Ah, ah, nosso amor já vai raiar
Ah, ah, nosso amor já vai raiar
Ah, ah
'Cê faz que não vê, mas eu te vejo

sábado, fevereiro 21, 2026

Balada de Lisboa

Em cada esquina te vais
Em cada esquina te vejo
Esta é a cidade que tem
Teu nome escrito no cais
A cidade onde desenho
Teu rosto com sol e Tejo

Caravelas te levaram
Caravelas te perderam
Nas manhãs da tua ausência
Tão perto de mim tão longe
Tão fora de seres presente

Esta é a cidade onde estás
Como quem não volta mais
Tão dentro de mim tão que
Nunca ninguém por ninguém
Em cada dia regressas
Em cada dia te vais.

Em cada rua me foges
Em cada rua te vejo
Tão doente da viagem
Teu rosto de sol e Tejo
Esta é a cidade onde moras
Como quem está de passagem

Às vezes pergunto se
Às vezes pergunto quem
Esta é a cidade onde estás
Com quem nunca mais vem
Tão longe de mim tão perto
Ninguém assim por ninguém
Manuel Alegre - Babilónia, 1983