segunda-feira, abril 13, 2026

As Cornucópias de Alcobaça

 As Cornucópias de Alcobaça são um dos doces conventuais mais emblemáticos de Portugal, destacando-se pela sua massa crocante e recheio rico.

Embora seja incerta a origem das Cornucópias de Alcobaça, tudo indica que foram criadas no Mosteiro de Santa Maria de Cós (ou Coz), fundado no século XII e dependente do Mosteiro de Alcobaça (Património Mundial da Humanidade - UNESCO). 

O nome deste doce e o seu formato derivam do latim cornu copiae (corno da abundância), um símbolo da antiguidade que representava a fertilidade e a abundância. 

As Cornucópias fazem parte do vasto legado gastronómico dos monges de Cister, que utilizavam o excesso de gemas (após o uso das claras para engomar hábitos ou clarificar vinho) para criar uma doçaria rica em açúcar.

As Cornucópias de Alcobaça são recheadas de ovos-moles, confecionados com gemas e açúcar, quase os únicos ingredientes que entram no receituário da doçaria conventual portuguesa, depois da utilização das claras com objetivos mais prosaicos. Já a massa é fina e crocante, moldada em forma de cone e tradicionalmente frita em azeite (ou óleo). Geralmente é feita com farinha, manteiga, um toque de açúcar e banha. Após a fritura, a massa é muitas vezes passada por açúcar e canela antes de ser recheada. 

Para além das cornucópias, em Alcobaça, o Torresmo do Céu e as Nozes Caramelizadas também merecem uma oportunidade.
Receita de Cornucópias (20 pessoas)
Ingredientes: 
Para a massa: 250g de farinha; 3 colheres (sopa) de manteiga; 1 colher (chá) de fermento em pó; sal q.b.; água q.b.; azeite ou óleo (para fritar); açúcar e canela (para polvilhar). 
Para o recheio: 1 chávena (almoçadeira) de doce de ovos-moles. 
Preparação:
Misture e amasse a farinha, a manteiga, o fermento, o sal e a água até conseguir obter uma massa própria para tender. Tenda a massa com a espessura de cerca de 2 ou 3 mm. Corte em tiras de 1,5 cm de largo, e enrole em espiral, partindo de cima para baixo em forma de cornucópia, aconchegando bem. Frite em azeite ou óleo, ou mistura dos dois, a 160º C. 
Retire as cornucópias, passe-as por açúcar e canela e recheie com doce de ovos-moles.
Colaboração da D. Paula da «Pastelaria Alcoa», em Alcobaça
(Livro: Doçaria Conventual na Mostra de Alcobaça, Texto Editores, 2004)

domingo, abril 12, 2026

As 6 Saias Que Deve Ter No Seu Roupeiro

  Preste atenção ao vídeo abaixo, onde Luciane Cachinski lhe mostra as 6 saias que qualquer mulher madura deve ter no seu roupeiro.
Luciane Cachinski é uma influencer e 
youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante 27 anos. 

Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha.

Para mulheres maduras que procuram ser elegantes e modernas, existem alguns modelos de saias que se destacam por valorizar a silhueta feminina com conforto e sofisticação. Estes modelos intemporais são pensados para oferecer versatilidade, transitando facilmente entre o casual e o formal.

As 6 saias essenciais são, entre outras:
A saia em A ou Evasé (midi) porque o corte em "A" desenha o corpo sem marcar, equilibrando as proporções e alongando a silhueta;
A saia Envelope (ou trespassada) porque o seu ajuste personalizável na cintura, se adapta a qualquer tipo de corpo, proporcionando leveza e um toque atual;
A saia Lápis (em alfaiataria) que é a versão moderna da clássica saia justa, feita com tecidos estruturados (muitas vezes com elástico no cós), porque realça a feminilidade com conforto;
A saia Plissada (midi) porque une movimento e elegância. O efeito das pregas ajuda a alongar o visual e a disfarçar volumes indesejados;
A saia Jeans ou de ganga (lavagem escura) em corte reto ou evasé, porque é a peça ideal para looks casuais chiques, mantendo um ar alinhado e jovial;
A saia de Cetim ou Seda, porque sendo fluida traz sofisticação imediata ao look, sendo perfeita tanto para ocasiões formais quanto para um jantar elegante.

Veja então este vídeo, sobre os 6 modelos de saias que com certeza são intemporais e vão durar para a vida toda!

sábado, abril 11, 2026

Paisagem Com Lanternas

Paisagem Com Lanternas (Landscape With Lanterns), 1958, é uma obra do artista belga Paul Delvaux (1897-1994).

Nesta paisagem onírica surrealista, uma mulher misteriosa está de costas. Se a mulher nos conduzir pelo caminho, certamente jamais retornaremos ao mundo dos vivos. Os fios de telefone pendurados após terem sido cortados indicam que a comunicação entre o mundo dos vivos e o dos mortos é impossível. À frente, vemos duas figuras carregando um cadáver envolto num lençol branco. Uma luz rasante e inquietante vinda da esquerda projeta sombras sinistras no chão sob as lanternas, e não das lanternas, como seria de esperar.

Paul Delvaux (1897–1994) foi um dos mais influentes pintores surrealistas belgas, conhecido pelas cenas oníricas que misturam o clássico com o estranho. 

O seu trabalho é imediatamente reconhecível por temas recorrentes que criam um universo de silêncio e imobilidade. 

As Figuras Femininas, são frequentemente retratadas como mulheres nuas ou vestidas de forma elaborada, com olhares fixos e ausentes, movendo-se como sonâmbulas por paisagens desoladas.
As Estações de Comboio eram recorrentes na sua pintura. Inspirado por memórias de infância, Delvaux pintava frequentemente comboios e estações ferroviárias solitárias sob o luar.
Outro dos temas utilizado pelo pintor era a Arquitetura Clássica. Ruínas gregas e romanas servem de pano de fundo para as suas cenas, evocando uma sensação de tempo suspenso.

 Paul Delvaux, pintor que misturava temáticas oníricas e pessoais, formou-se pela Academia de Belas Artes de Bruxelas, onde mais tarde se tornou professor, desenvolveu uma linguagem visual única, frequentemente associada ao Surrealismo

Das suas obras podemos destacar: Esqueletos, Jardim Noturno, A tentação de Santo António e A Vénus Adormecida.

Com a perda progressiva da visão, Delvaux deixou de pintar em 1986. A sua última grande exposição ocorreu em Paris, em 1992. Faleceu em 1994, aos 96 anos, deixando um legado artístico marcado por atmosferas misteriosas e cenários poéticos.

sexta-feira, abril 10, 2026

Benguelinha

 Passarinho primoroso
E gentil, plumeo cantor,
Que d'aromas tão fragrantes
Não esparzes com candor,
Quando trinas mavioso
Nesse insólito rigor
De um sol forte e constante
Suaves cantos d'amor?!

         Ás vezes contemplo
         Do dia no albor,
         Sentir o rigor
         De escravo viver;

         Suspiras e gemes
         Em cantos d'amor,
         Ah! sê meu primor
         Não queiras morrer!

         Anhélas no mato
         Andar pelas fragas,
         Viver só de bagas,
         Nos ramos dormir?

         Esvoaça saltando
         Na tua prisão
         Ai! Tem compaixão
         Não vive a carpir!

         Infiltra bondoso
         No meu coração
         O doce condão -
         Do  meigo trinar;

         Que juro contigo
         Do muito viver
         Comtigo morrer,
         Comtigo findar!

         E as azas abrindo
         O plumeo cantor,
         As juras d'amor,
         Ouvio a sorrir -

         Em magos acentos
         Endeixas trinou,
         Que d'alma exalou,
         Que d'alma sentiu! -

quinta-feira, abril 09, 2026

A Costa dos Murmúrios

 A Costa dos Murmúrios (2004) é um filme de ficção realizado pela cineasta Margarida Cardoso, com roteiro de Cedric Basso, Margarida Cardoso e Lídia Jorgeque contou no elenco com Beatriz Batarda, Filipe Duarte e Monica Calle. 
O filme passou na RTP 2 no sábado passado, 4/Abril às 22,30 h, mas, se o quiser ver agora basta clicar aqui.

Sinopse:
Baseado no romance homónimo de Lídia Jorge, o filme acompanha as vicissitudes da protagonista Evita, que nos anos 60 segue para Moçambique para casar com Luís, que ali cumpre o serviço militar.

Em Moçambique começou há algum tempo a guerra colonial e Luís já não é o mesmo homem que Evita conheceu. Quando os homens partem para uma operação militar no Norte do país, Evita fica sozinha e, no desespero de tentar compreender o que modificou Luís, procura a companhia de Helena, a mulher do capitão do marido, Forza Leal.   

Com o tempo, ela descobre mais sobre o marido e Moçambique do que teria imaginado na sua pacífica casa europeia. Racismo, violência, injustiça e fatalismo tornam a vida insuportável.

O filme centra-se na visão das mulheres que acompanham os militares portugueses e oferece uma perspectiva peculiar sobre a violência de um tempo colonial à beira do fim.

terça-feira, abril 07, 2026

La Bohème

Ouça a cantora ítalo francesa Yuyu (Giuditta Guizzetti) em La Bohème  (vídeo oficial)

O regresso desta grande artista, Yuyu, numa bela interpretação, simultaneamente emocionante e envolvente, do hit de Charles Aznavour: La Bohème. Uma produção, tudo para ouvir.

segunda-feira, abril 06, 2026

Hoje é Segunda-feira de Pascoela

 A segunda-feira a seguir à Páscoa em Portugal, muitas vezes chamada de Segunda-feira de Pascoela ou Segunda-feira de Páscoa, é marcada por tradições que misturam fé, convívio familiar e celebração comunitária, sendo em muitos locais um dia de descanso e passeio. 

Aqui estão as principais tradições:

A Continuação do Compasso Pascal (Visita Pascal). Em algumas freguesias, principalmente no Norte de Portugal, a visita pascal, onde o pároco leva a cruz decorada para abençoar as casas, estende-se até à segunda-feira de Pascoela.

Realização de Romarias e Piqueniques sobretudo no Alentejo. Nesta região do país, é tradição realizar romarias e almoços no campo neste dia. As famílias reúnem-se para celebrar a ressurreição com convívio, muitas vezes aproveitando o clima primaveril para comer ao ar livre.

A partilha de Folares e Doces. É um dia para continuar a comer os doces típicos da Páscoa, como o folar de carne ou o doce, o pão de ló e as amêndoas, partilhando-os com amigos e vizinhos que visitam a casa.

A visita ou passeio pelos Mercados de Páscoa. Em algumas localidades, como Vila do Conde, ocorrem feiras e mercados de Páscoa que funcionam durante este período, oferecendo animação e gastronomia local. 

Em suma, a segunda-feira é vista como um dia de Páscoa Pequena ou de celebração da Pascoela, focada no convívio e na alegria da ressurreição.
Na manhã da segunda-feira de Páscoa, Borba voltou a cumprir a tradição. É dia de Santa Bárbara
Ora veja.