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terça-feira, março 03, 2026

O Bolo Ópera

 O Bolo Ópera (Gâteau Opéra) é um dos doces mais clássicos, refinados e técnicos da confeitaria  francesa. Criado em Paris na década de 1950, é conhecido pela sua estrutura elegante, composta por camadas finas e precisas que alternam sabor intenso de café e chocolate. Esta é uma boa opção para quem não dispensa esta deliciosa combinação. Aliás, esta receita da gastronomia francesa traduz-se num intenso contraste entre o amargor do café e o rico sabor do chocolate.

Este bolo foi criado por Cyriaque Gavillon na famosa casa de confeitaria parisiense Dalloyau. A esposa do criador, Andrée Gavillon, batizou o bolo de "Ópera" em homenagem à Ópera Garnier de Paris, e diz-se que as camadas lembravam o palco da ópera ou os palcos dos dançarinos. Embora Dalloyau tenha popularizado o bolo, Gaston Lenôtre também reivindicou a invenção da sobremesa na década de 1960. 

Tradicionalmente composto por sete camadas finas e harmoniosas, geralmente incluindo biscoito Joconde (um tipo de pão de ló leve feito com farinha de amêndoas, que é banhado em calda de café para manter a humidade e o sabor), ganache de chocolate intenso e creme de manteiga (buttercream) de café. Geralmente retangular, com uma glaçagem de chocolate espelhada no topo e a palavra "Ópera" escrita com chocolate. Para ser perfeito, deve ter entre 2,5 e 3 cm de altura, sendo servido em fatias finas.

Os componentes da Receita Tradicional, são: o Biscuit Joconde (massa de amêndoas crocante); Calda de Café (para embeber o biscoito); Buttercream de Café (que é um creme de manteiga com sabor a café); Ganache de Chocolate (chocolate intenso) e Glaçagem (cobertura de chocolate brilhante). 

É uma sobremesa que exige técnica, tempo e paciência, sendo muitas vezes considerada uma das provas de fogo na alta confeitaria, popularizada em escolas como Le Cordon Bleu.

Cada garfada é uma experiência: o aroma intenso, o derreter suave na boca e o equilíbrio perfeito entre doçura e sofisticação.

Um doce que não é só sobremesa, é pausa, é prazer, é o sabor de um momento elegante.

sábado, fevereiro 28, 2026

O Foie Gras

O Foie Gras é uma especialidade gastronómica tradicional cuja produção está intimamente ligada à identidade culinária do Sudoeste de França. O Foie Gras é oficialmente reconhecido como parte do "Património Cultural e Gastronómico Protegido" daquele país. 

A história conta que este pitéu se tornou uma especialidade com o "Pâté de Contades" inventado por um cozinheiro de Estrasburgo para um marechal de França e governador da Alsácia em 1778. Depois de se tornar uma instituição nas mesas reais no século XIX, o Foie Gras consolidou-se no sudoeste e tornou-se popular no país. É muito consumido no inverno e em datas festivas, como o Natal.

O Foie Gras é uma receita que tem gerado polémica no mundo inteiro, por causa da alimentação forçada de animais. Ainda assim carrega uma aura que evoca luxo e requinte. Juntamente com as trufas, o Foie Gras é considerado uma das maiores iguarias da gastronomia francesa.

Literalmente traduzido como "fígado gordo", este patê tem textura interessante que derrete suavemente na boca. Apesar de ser um prato sofisticado, é conhecido pelo seu sabor delicado e textura aveludada, o que o torna um verdadeiro tesouro para quem aprecia a alta gastronomia.

Um Foie Gras é simplesmente o fígado de um pato ou ganso adulto, saudável e robusto, criado segundo métodos tradicionais, e também em conformidade com as normas rigorosas definidas pela IGP para engordar os patos ou gansos com vista a produzir um fígado maior. Os patos ou gansos são especialmente alimentados com uma dieta rica em grãos. 

O Foie Gras tradicionalmente é servido com acompanhamentos como figos, geleias de frutas ou pães frescos, criando uma sinfonia de sabores. Os críticos gastronómicos são unânimes na sua admiração pelo equilíbrio sublime dos sabores deste prato.

sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Epifania

Epifania - 1940
 "Epifania" (Epiphany) é uma pintura surrealista criada por Max Ernst. Esta obra reflete o estilo inconfundível do artista, caracterizado por paisagens oníricas, figuras bizarras e texturas complexas, muitas vezes resultantes das suas técnicas inovadoras de frottage e grattage. A obra é notável pela atmosfera contemporânea e misteriosa. 

Grattage é uma técnica de pintura surrealista inventada por Max Ernst em 1927. Consiste em raspar tinta fresca ou seca sobre uma tela para criar texturas, relevos e formas tridimensionais. Frequentemente associada à frottage, a técnica revela camadas inferiores de cor e é usada para criar efeitos aleatórios ou figurativos, sendo também utilizada no informalismo.

Max Ernst (1891/1976) foi um pintor e poeta alemão que se naturalizou norte-americano e, posteriormente, francês. Em 1922, mudou-se para França, onde conheceu André Breton e ingressou no movimento surrealista. Breton descrevia-o como o "mais magnífico cérebro assombrado" das artes, destacando a sua maestria na essência do Surrealismo.

A Tentação de Santo António - 1945
Durante a Segunda Guerra Mundial, Ernst fugiu para os Estados Unidos, retornando a França em 1948, quando se naturalizou francês. A sua obra inovadora, marcada por experiências com colagem, frottage e técnicas inusitadas, consolidou o seu impacto na arte moderna.
Uma das obras mais conhecidas de Max Ernest é A tentação de Santo António (1945) que é uma pintura a óleo surrealista que venceu um concurso para o filme "The Private Affairs of Bel Ami". A obra retrata a angústia do santo no deserto, cercado por criaturas fantásticas e bizarras num estilo onírico e de pesadelo, destacando-se pela mistura do fantástico com o real.

terça-feira, fevereiro 10, 2026

O Boeuf Bourguignon

O Boeuf Bourguignon é um prato típico da gastronomia francesa, apreciado e preparado desde a Idade Média, que consiste em carne de vaca guisada em vinho tinto, com alguns vegetais e condimentos. Como o nome indica, é uma especialidade emblemática duma região da França, a Borgonha, pátria de vinhos célebres e também da raça charolesa de gado bovino, que são as indicadas para a elaboração desta iguaria. 

Reza a história que esta receita foi, no passado, um prato muito apreciado pelos agricultores durante as festas. Comiam-no, sobretudo, com pão torrado esfregado com alho. Este prato acabou por se tornar um prato dominical por excelência. E cada família tinha a sua maneira de cozinhar o Borgonha e acompanhava-o com batatas ou puré.

Aprenda a fazer este prato clássico da culinária francesa, de ensopado de carne em vinho tinto que utiliza ingredientes de alta qualidade (cenouras, aipo, salsa, cogumelos, bacon, cebolas-miniatura, etc.), com a chefe brasileira Rita Lobo. 

segunda-feira, fevereiro 09, 2026

O Filho do Homem

O Filho do Homem é uma pintura (1964) do pintor surrealista belga René Magritte (1898 -1967), produzida com tinta a óleo. 

Magritte pintou-o como um auto-retrato. A pintura consiste num homem de chapéu-coco, em pé à frente de um pequeno muro, com o mar e um céu nublado ao fundo. 

O rosto do homem é, em grande parte, ocultado por uma maçã verde pairando no ar. Apesar disso, os seus olhos podem ser vistos na borda da maçã.

René Magritte iniciou a sua carreira como designer de cartazes e anúncios. Em 1926, ao assinar um contrato com a Galeria la Centaure, em Bruxelas, passou a dedicar-se integralmente à pintura.

No ano seguinte, mudou-se para Paris e passou a integrar o grupo surrealista, tornando-se um dos principais expoentes do movimento. A sua obra desafiou a percepção da realidade pois é marcada por imagens enigmáticas e jogos visuais. Ainda que René Magritte tenha sido o principal nome do surrealismo na Bélgica, ele foi expulso do movimento em 1947 pelo escritor francês André Breton, seu fundador. Ao terminar a Segunda Guerra Mundial o pintor adoptou uma temática mais otimista, chamada por ele de "surrealismo em pleno sol", o que Breton achava pouco condizente com o seu manifesto. 

segunda-feira, fevereiro 02, 2026

O Mille-feuille ou Mil Folhas

 O Mille-feuille ou Mil folhas é uma mistura de uma massa muito fina e crocante (massa folhada) e um creme de baunilha. A cobertura é uma fina camada de açúcar de confeiteiro. O nome significa literalmente "mil folhas", referindo-se ao grande número de finas camadas da massa folhada, que proporcionam uma textura muito leve. É uma sobremesa muito elegante e versátil.

O Mille-feuille, ou mil-folhas, é uma clássica sobremesa francesa feita com três camadas de massa folhada intercaladas com creme de pasteleiro (ou creme de confeiteiro), coberta com açúcar em pó, muitas vezes com um padrão de chocolate. 

Em Portugal, onde é muito popular, serve para denominar dois tipos de doce: inspirado no francês Mille-feuille e no Napoleão, de origem russa, criado em 1912 com clara influência da pastelaria francesa. Assim, pode ser chamado Napoleão, especialmente no Porto, com recheio de creme pasteleiro, natas e doce de ovos, ou Russo (com massa de claras). Este bolo em Lisboa chama-se Mil-Folhas. 

No Brasil, é popular com creme de baunilha, doce de leite ou frutas, polvilhado com açúcar de confeiteiro. 

Para um Mille-Feuille perfeito, siga a receita abaixo e sirva-o o mais breve possível após a montagem para garantir que a massa continue crocante. 

terça-feira, janeiro 13, 2026

O Paciente Inglês

O Paciente Inglês (1996) é um filme realizado por Anthony Minghella e que contou no elenco com
Juliette Binoche, Kristin Scott Thomas, Willem Dafoe  e Ralph Fiennes.

"O Paciente Inglês" foi o grande vencedor dos Óscares de 1997, com nove estatuetas das 11 para o qual foi nomeado. A história romântica, adaptada do romance de Michael Ondaatje sobre amor e perda na II Guerra Mundial, que recebeu o Booker Prize de 1992, foi aclamada por público e críticos. 

Sinopse:
No final da Segunda Guerra Mundial, um desconhecido (Ralph Fiennes) que ficou com queimaduras generalizadas quando o seu avião foi abatido e é conhecido apenas como o "paciente inglês" acaba por receber os cuidados de uma enfermeira canadiana (Juliette Binoche). Gradativamente começa a narrar o grande envolvimento que teve com a mulher (Kristin Scott Thomas) do seu melhor amigo (Colin Firth) e de como este amor foi fortemente correspondido. Mas da mesma forma que determinadas lembranças lhe surgem na mente, outros detalhes parecem não existir, como se ele quisesse que tais factos continuassem enterrados e esquecidos. Um filme maravilhoso e muito premiado

sábado, janeiro 10, 2026

O Confit de Canard

O Confit de Canard (Pato Confitado) é um clássico da gastronomia francesa, originário da região da Gasconha. Esta iguaria existe desde o tempo dos romanos, que desenvolveram a técnica de confecção com o objetivo de preservar a carne numa época em que não existiam frigoríficos.

Este clássico da culinária, conhecido de todos os franceses, utiliza em geral carne de pato preparada com técnicas especiais. 

O método de preparação envolve o processo de salga da carne, preferencialmente de pato, seguido por um cozimento lento na própria gordura do animal.

A carne de pato tem tendência a ser seca e preparada assim, mantém todo o suco, ficando macia e  desmanchando-se com facilidade. 

As pernas de pato são cobertas com sal grosso, alho e ervas (como tomilho) durante 12 a 24 horas no frigorífico para extrair a humidade.

A carne é limpa do sal e submersa em gordura de pato, cozinhando no forno a uma temperatura muito baixa (aprox. 100°C-120°C) durante 3 a 4 horas.

Antes de servir, as pernas são fritas numa frigideira ou levadas ao forno a alta temperatura até a pele ficar dourada e estaladiça. 

A técnica de confecção consiste em cozinhar a carne de pato lentamente na sua própria gordura, o que resulta numa textura tenra que se desfaz e numa pele crocante. 

Tradicionalmente é servido com Batatas Sarladaises (batatas salteadas na gordura do pato com alho e salsa) ou com um puré de batata cremoso. 

Historicamente, o confit era um método de preservação. Se as pernas de pato forem mantidas totalmente cobertas pela gordura num recipiente hermético no frigorífico, podem durar vários meses. 

Assista agora a dois vídeos com receitas desta iguaria da culinária francesa.

O primeiro é o Confit de Canard À La Barrios.
E agora o segundo que lhe fala também, um pouco, da história desta receita..

sábado, dezembro 27, 2025

Soupe à L’Oignon

 A Soupe à L’Oignon é uma sopa de cebola que tem raízes profundas, desde a Roma antiga, onde era um prato simples e popular, e assim permaneceu até à França dos séculos XVII e XVIII, onde a corte francesa e reis como Luís XV a tornaram famosa. 

Existe uma outra teoria mais plausível. Ela afirma que Stanislas Leszczynski, Duque da Lorena e pai da Rainha da França, provou sopa de cebola numa taberna de Champagne. Segundo Alexandre Dumas, que relatou a cena, ele quis aprender "como preparar uma sopa semelhante". Diz-se que, posteriormente, popularizou a receita na corte de Versalhes.

Mas foi graças a Les Halles, em Paris, que a sopa de cebola francesa deve sua fama. No século XIX, os donos de restaurantes tiveram a ideia de adicionar queijo ralado e gratinar as tigelas de sopa. Preparada desta forma, a sopa tornava-se muito mais nutritiva para os trabalhadores e notívagos do bairro. 

Os mercados parisienses transformaram-na, então, num prato icónico com a adição de queijo gratinado, tornando-se a "Gratinée des Halles". O prato também era conhecido por mascarar o hálito daqueles que exageravam nas bebidas, ganhando o apelido de "sopa dos bêbados". 

 Hoje é um verdadeiro clássico da culinária francesa, especialmente apreciada nos meses frios de inverno porque este creme é uma explosão de sabor. A cebola é, claro, a protagonista do prato, trazendo doçura e profundidade de sabor quando caramelizada. Gratinada ou não, derrete na boca para o deleite das nossas papilas gustativas.

A sopa de cebola é tradicional na culinária francesa e em muitas regiões produtoras de cebola. É frequentemente servida com croutons e queijo ralado.

E agora fique com a receita de Soupe à L’oignon de Joana Barrios.

Ingredientes: 
8 cebolas grandes
40g de manteiga
1 colher de sopa de farinha
1l de caldo de carne caseiro
Sal q.b.
Pimenta q.b.
3 fatias de pão
100g de Gruyère ralado

Preparação:
1) Descasque as cebolas e corte-as em meias luas; refogue num tacho as rodelas de cebola na manteiga até ficarem douradas e caramelizadas, durante cerca de 10 minutos com o tacho tapado; adicione a farinha peneirada ao tacho, mexendo sempre; junte o caldo de carne e envolva; tempere com sal e pimenta e deixe cozinhar em lume brando durante cerca de 30 minutos.
2) Disponha as fatias de pão num tabuleiro para ir ao forno e cubra-as com o queijo ralado; tempere com pimenta e leve ao forno, pré-aquecido a 230º, na função grill a gratinar até o queijo derreter e ficar dourado.
3) Num prato fundo disponha as fatias de pão gratinadas sobre a sopa e sirva imediatamente.

domingo, dezembro 14, 2025

O Bife Chateaubriand

O Bife Chateaubriand ou Chateaubriand é um prato clássico francês que homenageia o escritor, político e diplomata François-René de Chateaubriand (século XIX). Embora as origens exatas do prato e do seu nome sejam um mistério culinário, há quem considere que foi inventado pelo próprio Visconde de Chateaubriand.

Se gosta de carne, vai gostar de experimentar o Chateaubriand. É um prato sofisticado apresentado de forma magnífica e complementado por molhos sofisticados. 

O prato é uma celebração do filé mignon  (é um corte grosso e central), cozinhado no ponto de mal passado (deve ser caramelizado por fora, mas macio e mal passado por dentro para uma textura ideal) e servido com um molho rico (como o Béarnaise ou molho Madeira) e guarnições como batatas e legumes. A preparação começa com a carne na grelha até ficar bem suculenta e com um interior rosado que derrete na boca.

O molho Béarnaise é um molho feito de manteiga clarificada emulsionada em gema de ovo e vinagre de vinho branco e aromatizado com ervas. O molho Madeira é um molho feito à base de vinho da Madeira, chalota e manteiga.
Fique agora com dois vídeos de Bife Chateaubriand.
E o segundo vídeo.

sábado, dezembro 13, 2025

O Natal em França

 As celebrações natalícias francesas são menos pagãs do que as de outras culturas europeias, pelo que o presépio (Crèche) ainda ocupa um lugar central nos lares franceses.

Os presépios franceses são conhecidos pela quantidade e riqueza das figuras que os compõem. A noite de Natal é conhecida como Réveillon e traduz-se numa ceia depois da Missa da Meia Noite, onde não pode faltar o Tronco de Natal (bolo típico com forma de tronco de árvore).

Em França, tanto o Natal (Noël) como o Ano Novo (Réveillon de la Saint-Sylvestre) são celebrados com jantares festivos em família, com muitos pratos gourmet como o foie gras, as ostras e o salmão fumado, acompanhados de champanhe e do Bolo de Tronco de Natal (Bûche de Noël). O Réveillon de Noël (24 de dezembro) é a principal ceia de Natal, onde se trocam presentes, enquanto o Réveillon do Ano Novo (31 de dezembro) foca-se mais na festa da passagem do ano, com celebrações nos Champs-Élysées e Cruzeiros no rio Sena

As crianças recebem as prendas do Pai Natal, que viaja acompanhado de Pre (père) Fouettard, que avalia quem se portou bem durante o ano. Os adultos trocam presentes apenas no Ano Novo.

Père Fouettard é uma personagem lendária que acompanha São Nicolau nas suas rondas durante o Dia de São Nicolau (6 de dezembro) dispensando pedaços de carvão e/ou surras às crianças desobedientes enquanto São Nicolau dá presentes aos bem comportados. Esta personagem é conhecida principalmente nas regiões do extremo norte e leste da França, no sul da Bélgica e na Suíça francófona , embora existam personagens semelhantes em toda a Europa.
E ainda outro vídeo.

segunda-feira, novembro 17, 2025

A Tarte Tatin

Quase todos os franceses sabem fazer uma Tarte Tatin, a famosa torta de maçã invertida. Esta tarte está também presente em quase todos os cardápios dos restaurantes franceses. É um doce não muito doce, e bom para todas as horas.

Esta é uma sobremesa clássica da gastronomia francesa que difere das tartes tradicionais. Originária do Vale do Loire, na França, esta receita tornou-se um ícone gastronómico apreciado em todo o mundo. Foi inventada, por acidente, por duas irmãs francesas no século XIX: Stéphanie e Caroline Tatin. Foi por causa disto que acabou por receber o nome de Tatin, que era o sobrenome delas.

Maurice Curnonsky, um famoso crítico gastronómico, e o restaurante Maxim's em Paris desempenharam papéis cruciais no reconhecimento e na disseminação da tarte Tatin para além das fronteiras francesas.

A Tarte Tatin é uma torta/tarte de frutas, conhecida pela combinação de maçãs caramelizadas e uma crosta de massa (que pode ser de massa folhada). É confeccionada ao contrário, as frutas são colocadas na base da forma e a massa por cima. Ao desenformar a tarte após a cozedura no forno, esta fica com as frutas no topo.

segunda-feira, novembro 03, 2025

Os Olhos de Cabul

 Os Olhos de Cabul  (França, 2019) é um filme de animação, desenhado à mão, com realização de Zabou Breitman e Eléa Gobbé-Mévellec e roteiro de Sébastien Tavel, Patricia Mortagne e Zabou Breitman.

Sinopse:
Verão de 1998. Cabul, capital e maior cidade do Afeganistão, está sob a lei dos Talibãs. Zunaira e Mohsen são jovens e apaixonados. Apesar de toda a violência e miséria diárias, alimentam a esperança de um futuro melhor. Um dia, um gesto impensado faz com que a vida dê uma volta sem regresso. 







Este filme é uma adaptação do livro "As Andorinhas de Cabul" (Les hirondelles de Kaboul), de Yasmina Khadra.

segunda-feira, outubro 27, 2025

Cópia Fiel

 Cópia Fiel é um filme (drama) realizado por Abbas Kiarostami e que conta no elenco com: Juliette Binoche, William Shimell, Adrian Moore e Jean-Claude Carrière.

Cópia Fiel (2011) foi o penúltimo filme do brilhante realizador iraniano Abbas Kiarostami, dono de umavdas filmografias mais notáveis da história do cinema. Mesmo próximo do final da sua carreira, Kiarostami continuou a fazer aquilo que se acostumou a fazer, uma obra-prima.

Sinopse:
James Miller (William Shimell) é um filósofo inglês que vai a uma pequena cidade da Toscânia apresentar o seu livro sobre o valor da cópia na arte. Ao chegar lá, encontra Elle (Juliete Binoche), uma francesa que é dona de uma galeria de arte há muitos anos, e que vive com o filho pré-adolescente (Adrian Moore). Passam a tarde juntos. Ao mesmo tempo que se vão conhecendo, começam a desenvolver um complexo jogo de interpretação de personagens.

quinta-feira, outubro 23, 2025

O Coq au Vin

O Coq au vin é um prato clássico da culinária francesa de nome complicado e origem humilde. É feito à base de carne de galo e vinho. Em épocas mais recuadas cozinhavam-se galos mais velhos em vinho tinto para tornar a carne mais macia e saborosa. Quando se menciona apenas coq au vin, trata-se duma preparação com vinho tinto. No entanto, também há receitas de Coq au vin blanc (geralmente, não francesas), mas existe a receita tradicional de Coq au vin blanc d’Alsace ou Riesling, assim como o Coq au vin jaune do Jura ou Franche Comté, que é um vinho seco e perfumado; a receita leva morilles, que são cogumelos do género Morchella e têm um sabor forte.

Reza a lenda que o prato surgiu por volta de 50 a.C., na região de Auvergne, no sul da França, por um motivo histórico. Os gauleses (liderados por Vercingetórix) estavam em guerra com os romanos, até que o exército de Júlio César cercou uma aldeia e, o chefe da mesma, mandou um galo de briga a César, para demonstrar a sua rendição. O conquistador respondeu-lhe com um convite para um jantar cuja ementa era o próprio galo cozido no vinho da região. 

Há quem defenda contudo que o coq au vin surgiu no período medieval, quando os camponeses franceses coziam a carne de galo, coq em francês, por horas a fio, em vinho tinto, cebola, cogumelos e ervas aromáticas até ficar macia e suculenta, dando origem a esta receita original.

Ao longo dos anos, a receita manteve-se fiel às suas origens, sendo preparado com pedaços de frango, muitas vezes galo, lentamente cozidos em vinho tinto.

Hoje, esta tradicional receita é preparada com carne de frango (como pode ver na receita abaixo).

Devido à técnica de cozimento lento, a carne absorve os sabores complexos do vinho e dos ingredientes aromáticos. O resultado é uma delícia macia e suculenta.

Ingredientes:
6 sobrecoxas de frango grandes sem pele,
1 colher de sobremesa de sal,
1 colher de café de pimenta,
1 folha de louro,
3 dentes de alho,
1 cebola grande,
1/2 chávena de chá de farinha de trigo,
2 colheres de sopa de manteiga,
350 gramas de bacon,
100 gramas de cogumelos,
1chávena de chá de vinho tinto seco,
3 chávenas de chá de água,
2 cenouras,
2 cebolas,
2 colheres de sopa de cebolinha francesa,
Sal a gosto

Preparação:
Amasse os dentes de alho e pique a cebola bem picadinha. Reserve.
Corte 250 gramas do bacon em tirinhas e pique as 100 gramas restantes.
Tempere as sobrecoxas com o alho, a folha de louro, a colher sal, a colher de pimenta do reino, misturando bem. Reserve por 30 minutos para tomar gosto.
Passados os 30 minutos, passe os pedaços de frango pela farinha de trigo e reserve.
Aqueça uma panela grossa e de fundo largo, coloque uma colher de manteiga, o bacon picadinho e deixe dourar. Junte as sobrecoxas de frango e deixe alourar. Acrescente a cebola e refogue por 15 minutos.
Depois de refogado, junte 3 chávenas de chá de água, o vinho e tape a panela. Baixe o fogo e cozinhe por 30 minutos.
Destape a panela, coloque os cogumelos, tape novamente e deixe cozinhar por mais 10 minutos ou até que a carne esteja macia. Reserve
Corte as cebolas em metades e as metades em meias luas bem fininhas. Reserve. Corte as cenouras em rodelas finas ou faça fios. Reserve
Numa frigideira, coloque uma colher de manteiga e leve ao fogo médio. Quando derreter, doure o restante bacon durante 5 minutos. Acrescente a cebola e a cenoura. Tempere com sal a gosto e refogue durante 15 minutos. Reserve.
Transfira o cozido de frango para uma travessa, disponha o refogado de legumes com bacon por cima, decore com a cebolinha francesa e sirva imediatamente.
Sirva o Coq au vin acompanhado de arroz branco ou puré de batata e uma taça de vinho tinto seco.

quinta-feira, outubro 16, 2025

O Astérix na Lusitânia vem aí...

 O novo livro das aventuras de Astérix, chamado "Astérix na Lusitânia" será lançado mundialmente no próximo dia 23 de outubro. 

Goscinny e Uderzo já tinham feito uma primeira abordagem ao aspeto dos Lusitanos, pois o primeiro lusitano aparece no livro O Domínio dos Deuses.

Os homens de cabelo escuro e fartos bigodes e as mulheres inspiradas em "figuras populares de Portugal", sempre com "uma pitada de melancolia e de doçura", a contrastar com o orgulho hispânico, é assim que são caraterizados os habitantes da Lusitânia.

O retrato da "melancolia" portuguesa começa com Viriato que resiste ao domínio dos romanos, mas é traído durante o sono.

Fabcaro, é o autor do texto desta nova aventura, e Didier Conrad, o criador dos desenhos.

Fabcaro e Didier Conrad vão estar em Portugal no dia 27 de outubro para a apresentação de Astérix na Lusitânia.

Sinopse:
"A 23 de outubro de MMXXV, os irredutíveis Gauleses regressam com uma nova e entusiasmante aventura: Astérix na Lusitânia! Numa bela manhã de primavera, um desconhecido vindo da longínqua Lusitânia – essa terra soalheira a ocidente da Hispânia – chega à aldeia dos nossos heróis. Trata-se de um antigo escravo, que conhecemos em O Domínio dos Deuses, agora em busca da lendária Poção Mágica para libertar a sua terra do jugo romano. Astérix e Obélix partem rumo a oeste numa nova missão, atravessando paisagens desconhecidas e enfrentando novos desafios… incluindo o sol lusitano, o espírito resistente dos povos locais e, claro, as intermináveis confusões que só eles conseguem causar!"

domingo, outubro 05, 2025

O Éclair

O éclair é um doce de origem francesa, de formato alongado, feito com massa choux (pâte à choux), e tradicionalmente recheado com creme pâtissière (creme de confeiteiro), coberto por uma camada de fondantganache, glacê ou calda de chocolate.

A massa choux, é uma massa leve e oca (que se expande quando cozinhada e é assada em forma de tira). Esta massa também pode ser recheada com chantilly, natas ou outros cremes e recheios de fruta. 

A palavra éclair significa "relâmpago" em francês. Existem duas teorias sobre a origem do nome: uma refere-se à cobertura brilhante que lembra um raio de luz e a outra, à sua popularidade, devido ao facto de desaparecerem tão rapidamente como um relâmpago.

A origem do éclair remonta ao século XIX, em França. A criação é atribuída ao chef Marie-Antoine Carême, considerado um dos pais da gastronomia francesa moderna. Carême aperfeiçoou a massa choux e criou versões doces e salgadas para a elite europeia.

Pela sua leveza e versatilidade, o éclair é muito usado em montras sofisticadas e confeitarias que trabalham com pastelaria fina.

Existem várias variações do éclair, com coberturas e recheios de sabores como chocolate, caramelo, café, e frutas como por exemplo a framboesa ou o pistácio.

Assim, nas confeitarias modernas, é comum encontrar uma grande variedade de sabores de éclairs para poderem satisfazer diferentes gostos.

quarta-feira, setembro 17, 2025

O Cassoulet

 O Cassoulet é uma especialidade gastronómica de origem francesa. 

É um guisado tradicional da região do Languedoc-Roussillon (sul de França), em especial das cidades de Carcassonne, Castelnaudary e Toulouse

Cassoulet é uma espécie de "feijoada à francesa", porque é feito com feijão branco, diversas carnes (como linguiça, carne de porco, e confit de pato ou ganso). Esta espécie de feijoada é cozida lentamente numa caçarola de barro (cassole). É um prato rústico e reconfortante, com diferentes versões dependendo da cidade onde é confeccionado. Três cidades, Castelnaudary, Carcassonne e Toulouse, disputam a origem e o título de melhor variedade do prato. Porém, o cozinheiro languedociano Prosper Montagné diz que "o cassoulet é o Deus da cozinha occitana: em Castelnaudary é o "Deus-pai", o "Deus-filho" é o de Carcassonne, e o "Espírito Santo" é o de Toulouse.

A origem do Cassoulet está relacionada com a lenda mais aceite que refere que o prato terá surgido durante a Guerra dos Cem Anos, no final do século XIV, quando a cidade de Castelnaudary, sitiada pelos ingleses, precisava de uma refeição nutritiva com os poucos mantimentos que restavam, e que eram basicamente feijão branco e carnes diversas. Reza a lenda que a comida foi tão revitalizante que deu força aos soldados para repelir os invasores, garantindo a segurança da cidade.

Assim, os ingredientes principais são:

O Feijão Branco que é a base do prato;
As Carnes - geralmente inclui linguiças (como a de Toulouse), carne de porco (costela, lombo) e, em versões mais ricas, confit de pato (confit de canard), confit de ganso (confit d'oie), ou carne de cordeiro e perdiz; 
Os Temperos - como a cebola, o alho, o louro, e outros temperos que são usados, de preferência no cozimento lento deste prato. 
Este prato de conforto, ideal para os meses frios, é uma festa para os sentidos, com todos os ingredientes cozidos lentamente juntamente com o feijão branco.

sábado, julho 26, 2025

O Ratatouille

O Ratatouille é uma clássica receita francesa, do século XVIII, da região da Provença, de legumes cozidos, podendo ser servida quente ou fria, sozinha ou como acompanhamento.

O Ratatouille típico da região provençal de Nice, é conhecido como um guisado criado por camponeses e agricultores pobres que precisavam usar a colheita dos vegetais amadurecidos frescos de verão. Um prato rústico, típico daquela região, cujo nome, derivado do termo occitano, significa "picar, triturar", mas pode-se traduzir também como "ragoût de legumes" ou "prato de berinjelas".

O ratatouille moderno - com tomates como uma base para um refogado de alho, cebola, curgete (abobrinha), berinjela, pimento, manjerona, erva-doce, manjericão, folha de louro e tomilho, ou uma mistura de ervas verdes como ervas de Provença - não aparece nas receitas até cerca de 1930.

Os ingredientes principais do ratatouille são a berinjela e o tomate. Com os restantes ingredientes pode-se lidar mais à vontade. O pimento e a curgete (abobrinha) não são obrigatórios na receita. O método clássico de preparar o ratatouille envolvia tirar as peles e sementes do tomate e cozinhar separadamente os vegetais, para serem combinados no final e temperados com sal e ervas da Provença (uma combinação de tomilho, orégãos, sementes de coentro e de funcho; o conjunto levava cerca de uma hora a cozer, sendo regado com vinho branco ou tinto).

O Larousse Gastronomique alega que "de acordo com os puristas, os diferentes vegetais devem ser cozinhados separadamente, depois combinados e cozidos devagar juntos até obterem uma consistência cremosa e suave", segundo a presidente do comité do Larousse, Joël Robuchon, "o vegetal vai saborear-se de si mesmo."

O filme de animação de 2007 da Disney Pixar, Ratatouille, sobre um pequeno rato francês com aspirações culinárias, tornou o prato e o termo Ratatouille famoso.
Aqui lhe deixo a Receita do filme Ratatouille e respetivo vídeo.

Ingredientes:
2 colheres de sopa de azeite 
1 colher de chá de sal 
1 fio de azeite
1 berinjela média
1 abobrinha italiana média
1/2 maço de manjericão
Sal a gosto
Pimenta-do-reino a gosto
2 cebolas médias
1 pimentão amarelo médio
2 tomates italianos grandes
1 xícara(s) de chá de molho de tomate 



Preparação:

Corte a curgete (abobrinha) e a berinjela em rodelas de aproximadamente meio centímetro. Corte, também em rodelas, os tomates, a cebola e o pimentão. Pré-aqueça o forno a 200 °C. Coloque o molho de tomate caseiro no fundo de uma assadeira ou refratário redondo. Adicione as rodelas enfileiradas, intercalando os vegetais até fechar toda a assadeira. Regue com mais um fio de azeite, tempere com sal e pimenta-do-reino. Cubra com papel alumínio e leve a assar por 30 minutos. Retire o papel alumínio e deixe dourar por mais 10 ou 15 minutos.
E  o trailer do filme.

segunda-feira, julho 21, 2025

A Flamiche

A Flamiche é um prato típico da região da Picardia, no norte de França. A Picardia é uma região histórica, com capital em Amiens, que se estende desde os subúrbios de Paris e dos vinhedos de Champagne até às praias na baía de Somme, no Canal da Mancha

Esta torta/tarte salgada de origem flamenga, remonta ao século XVIII. A palavra flamenga "flamiche" significa "bolo". Originalmente, a flamiche era um pedaço de massa de pão assada e coberta com manteiga derretida. 

A base da receita é uma massa preparada com farinha, manteiga e fermento, resultando numa textura amanteigada e crocante. O recheio é uma mistura cremosa de ovos, queijo gruyère e uma pitada de noz-moscada. A torta também leva alho francês/alho porro, refogado em manteiga antes de ser incorporado no creme. 

Com o tempo evoluiu para uma torta salgada conhecida por ter na base ou massa folhada ou massa quebrada e um recheio cremoso de alho francês/alho-porro, natas, ovos e queijo. Pode ter ainda diferentes variações de recheios: cebola, endívias e queijos como Maroilles ou Roquefort

A flamiche pode ser considerada uma variação da quiche, mas com menos ovo e mais alho francês/alho-porro. 

Aqui lhe deixo agora uma receita ("pescada" num blogue)

Ingredientes:
(massa)
200 g de farinha
100 g de margarina vegetal amolecida
1 ovo caseiro L
água q.b. 

(recheio)
1 alho-francês médio
3 c. de sopa de margarina
150 ml de natas
1 ovo e 1 gema de ovo caseiro L
sal e mistura de 4 pimentas acabada de moer q.b.
Queijo Brie Président q.b.

Preparação:
para a massa
Numa saladeira, colocar a farinha e a margarina amolecida.
Misturar e incorporar o ovo.
Juntar água suficiente até a massa unir e trabalhá-la até ficar homogénea.
Estender a massa numa superfície enfarinhada e dar-lhe uma forma circular.
Forrar uma tarteira com esta massa e picar o fundo com um garfo.
Vai ao forno a 180 ºC por alguns minutos (uns 8 minutos).

para o recheio
Arranjar o alho-francês, retirando as partes muito verdes.
Lavar bem e cortar em rodelas de cerca de 1 cm.
Derreter a margarina numa frigideira grande e saltear o alho-francês.
Deixar cozinhar um pouco até ficar amolecido.
Retirar do lume e temperar com um pouco de sal e pimenta.
Numa saladeira, misturar as natas com o ovo e gema.
Deitar o alho-francês sobre a massa e cobrir com a mistura de ovo/natas.
Espalhar os pedaços de queijo pelo recheio.
Vai ao forno pré-aquecido a 180 ºC até dourar (cerca de 20-25 minutos).
Servir com uma salada.