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quinta-feira, julho 23, 2026

125 Azul

 Relembrando Luís Represas, que nos deixou ontem, não deixe de ouvir o êxito "125 Azul", que a banda levou à rádio M80, em 2025, para celebrar os 50 anos de formação do Trovante!

A canção "125 Azul", imortalizada pelo grupo português Trovante, tem letra escrita por Luís Represas e música composta por João Gil. A música foi lançada em 1987 no álbum "Terra Firme".

Foi sem mais nem menos
Que um dia selei a 125 azul
Foi sem mais nem menos
Que me deu para abalar sem destino nenhum

Foi sem graça nem pensando na desgraça
Que eu entrei pelo calor
Sem pendura que a vida já me foi dura
P'ra insistir na companhia

O tempo não me diz nada
Nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada
A ponte ficou deserta nem sei mesmo se Lisboa
Não partiu para parte incerta
Viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar
Sem paredes, sem ter portas nem janelas
Nem muros para derrubar

Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre

Curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar
De uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar
Só que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio
E com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu

Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre

Entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar
Um ponto preto quebra-me a solidão do olhar
Será que existe em mim um passaporte para sonhar
E a fúria de viver é mesmo fúria de acabar

Foi sem mais nem menos
Que um dia selou a 125 azul
Foi sem mais nem menos
Que partiu sem destino nenhum
Foi com esperança sem ligar muita importância àquilo que a vida quer
Foi com força acabar por se encontrar naquilo que ninguém quer

Mas Deus leva os que ama
Só Deus tem os que mais ama
Compositores: Luís Represas e João Gil

quarta-feira, julho 15, 2026

15 Detalhes De Moda Que Alongam

Os principais detalhes de moda que ajudam a alongar a silhueta baseiam-se em truques óticos que guiam o olhar verticalmente, criando a perceção de maior altura e continuidade (looks monocromáticos, decotes em V e linhas verticais, entre outros) evitando assim cortes horizontais que dividem o corpo.

Assista a mais um vídeo da influencer brasileira Luciane Cachinski que lhe fala dos 15 Detalhes De Moda Que Alongam.

Luciane Cachinski é uma influencer e youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante mais de 30 anos. 

Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha.

No vídeo abaixo, Luciane Cachinski mostra-lhe alguns dos truques óticos que alongam a silhueta.

A maioria das mulheres quer saber como se vestir para parecer mais magra e/ou mais alta!

Não deixe de ver este vídeo até ao fim, pois, Luciane Cachinski dá-lhe algumas ideias de looks para parecer mais alta na próxima saída de casa!

Não perca. Vale mesmo a pena.

sábado, julho 11, 2026

Total Eclipse of the Heart




Ouça a cantora Bonnie Tyler em Total Eclipse of the Heart (Turn Around).
Bonnie Tyler (1951 - 2026), foi uma cantora, compositora e filantropa galesa que conquistou proeminência global como um dos maiores ícones da transição entre o pop rock, a música country e as baladas dramáticas do formato power ballad a partir do final da década de 1970.

quarta-feira, julho 01, 2026

Mais Um Dia de Vida

Mais um Dia de Vida (Another Day of Life) é a adaptação para cinema do livro homónimo de Ryszard Kapuscinski, um dos maiores repórteres de guerra do século XX. Este filme de animação (2018) dos géneros documentário, drama e guerra foi realizado por Raul de la Fuente e Damian Nenow.

Com uma técnica de animação extraordinária e um trabalho documental que vai ao encontro dos homens que com ele então se cruzaram, o filme (que pode ver na íntegra no 1º link) é uma belíssima homenagem a um grande repórter de guerra e contou no elenco com Miroslaw Haniszewski, Tomasz Ziętek e Olga Boladz.

 Sinopse:
No Verão de 1975, o grande repórter de guerra Ryszard Kapuscinski é enviado para Angola, numa altura em que os portugueses estão em debandada e os movimentos de libertação se envolvem numa guerra civil sem tréguas. Dois grupos que buscam a libertação do país têm ideais diferentes: o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), apoiado pela União Soviética, e a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), apoiada pelos Estados Unidos. 
No meio de uma série de questões políticas sensíveis, o jornalista propõe-se chegar à linha de frente do conflito armado com o intuito de documentar os seus horrores para o resto do mundo. No entanto, as decisões que Kapuscinski terá que tomar durante o trabalho mostram-se mais complexas do que ele imaginava. De uma Luanda transformada em cidade fantasma sitiada, até à fronteira sul à beira da invasão sul-africana, Kapuscinski é uma testemunha ímpar do nascimento conturbado de um novo país. 

terça-feira, junho 30, 2026

Nôs Morna

 Ouça Cremilda Medina (1991) e Tito Paris (1963) em Nôs Morna. 
Considerada a Voz da Morna (Património da Humanidade) da nova geração, Cremilda Medina é uma das mais conceituadas intérpretes da música tradicional cabo-verdiana. 
Cremilda Medina nasceu e cresceu na cidade do Mindelo, na ilha de São Vicente em Cabo Verde, e desde criança que a música faz parte da sua vida. Começou a cantar com apenas 9 anos e aos 14 já fazia parte de um grupo musical juvenil chamado "Rytmos" que animava festas e acontecimentos sociais na ilha do Monte Cara.
Tito Paris é um músico, compositor e cantor cabo-verdiano, radicado em Lisboa. É um dos maiores responsáveis pela divulgação da música das ilhas da Morabeza pelo mundo, além de uma figura de relevo da comunidade africana na capital.

quinta-feira, junho 25, 2026

A Geografia Serve Antes de Mais Para Fazer a Guerra

 A Geografia Serve Antes de Mais Para Fazer a Guerra (Geografia: um instrumento de poder. Colecção Século XX-XXI. Iniciativas Editoriais. Lisboa. 1977) é um livro de Yves Lacoste (1929 - 2026). 

Yves Lacoste foi um geógrafo e geopolítico francês. Lançou no início de 1970 a revista Hérodote, que nos últimos trinta anos procurou revelar a face oculta da Geografia, isto é, o seu caráter político. Contribui com obras críticas e inovadoras, como La géographie, ça sert, d'abord, à faire la guerre para uma discussão do conceito da geografia política e geopolítica, especialmente em França.

Sinopse:
Para que serve a Geografia e qual a sua função social? Neste livro, Yves Lacoste responde a estas questões e a frase título sintetiza um pouco o papel da ciência geográfica. A razão de ser da Geografia recai sobre a necessidade de melhor compreender o mundo e pensar o espaço para que nele se possa lutar de forma mais eficaz.

sexta-feira, junho 19, 2026

Amor, em que grave dia vos vi

Amor, em que grave dia vos vi,
pois [a] que tam muit'há que eu serv'i,
jamais nunca se quis doer de mi!
E pois me tod'este mal per vós vem,
mia senhor haja bem, pois est assi,
e vós hajades mal e nunca bem.
  
Em grave dia que vos vi, Amor,
pois a de que sempre foi servidor,
me fez e faz cada dia peior!
E pois hei por vós tal coita mortal,
faça Deus sempre bem a mia senhor,
e vós, Amor, hajades todo mal.
  
Pois da mais fremosa de quantas som
[jamais] nom pud'haver se coita nom
1e por vós viv'eu em tal perdiçom,
que nunca dormem estes olhos meus,
mia senhor haja bem por tal razom,
e vós, Amor, hajades mal de Deus.

domingo, junho 14, 2026

A Biblioteca Central da Universidade de Teerão

A Biblioteca Central e Centro de Documentação da Universidade de Teerão (ou Ketabkhane Markazi Daneshgah Tehran, no Irão) é uma das mais antigas e prestigiadas bibliotecas universitárias da região, com uma vasta coleção de manuscritos raros em persa e fontes islâmicas e um dos principais centros de investigação do Médio Oriente.

O imponente e moderno edifício de 9 andares, localizado na Avenida Enghelab, foi projetado pelo arquiteto Bahman Paknia (com contributos de peritos da UNESCO) e inaugurado formalmente em 1971.

Sendo a maior biblioteca académica do Irão inclui uma rica e vasta seleção de recursos em diferentes campos da Ciência, Tecnologia e Literatura.

O acervo da biblioteca inclui mais de um milhão de livros, publicações periódicas, manuscritos, microfilmes, cópias pictóricas, documentos e fotografias históricas, livros litográficos, dissertações académicas, documentos científicos e mapas, mais de 120.000 livros em Inglês, Francês, Alemão, Russo, Italiano, entre outras línguas.

A biblioteca possui um valioso conjunto de manuscritos, incluindo documentos históricos, microfilmes, manuscritos pictóricos, livros raros, livros litográficos, fotografias históricas e caligrafia de estudiosos e políticos. Esta colecção inclui cerca de 17.000 volumes de manuscritos em persa, bem como outras línguas.

sábado, junho 13, 2026

Santo António

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante ... Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma ardente e ansiosa,
Etcetera...
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra coisa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isto ser doutor
Ou investigador.

Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.

Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza, 

Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza,
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto: é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi o Papa? ...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo! O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas, ou não coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arraste
Na nora de uns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história,
Que foste tu, ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.

És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Porque demónio
É que foram pregar contigo em santo?

quinta-feira, junho 04, 2026

As Duas Fridas

 As Duas Fridas (Las dos Fridas) é um autorretrato realizado por Frida Kahlo em 1939. Está localizado em Museu de Arte Moderno de México. É considerada a primeira obra de grande dimensão realizada por Kahlo e uma de suas principais obras. 

Kahlo (1907 – 1954) pintou esta obra quando voltou ao México depois de se separar de Diego Rivera, com quem vivia até então em Detroit, Michigan.

Frida Kahlo, nasceu no México e entrou para o mundo da arte quase por acaso. Filha de imigrantes alemães, teve o seu primeiro contacto com a pintura através do pai, que a praticava como hobbie. No entanto, foi um grave acidente na juventude que a levou a empenhar-se na arte, inicialmente como um passatempo durante a recuperação.

Ao longo da vida, enfrentou intensos desafios de saúde e conflitos familiares, que marcaram profundamente a sua obra. Quando André Breton classificou a sua pintura como surrealista num ensaio sobre a sua exposição em Nova York, Frida rebateu: "Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade."

quarta-feira, junho 03, 2026

Ai Dona Fea, Fostes-Vos Queixar

 João Garcia de Guilhade foi um dos mais notáveis trovadores galego-portugueses. Terá nascido em Milhazes, concelho de Barcelos e desenvolveu a sua arte poética em meados do século XIII. Terá frequentado a corte de D. Afonso III. Permaneceu alguns anos na corte de Afonso X (rei de Leão e Castela).

Apesar de ser reconhecida a sua capacidade e mestria poética, muita da sua produção tem um carácter brejeiro. É autor de poemas mordazes e célebres, como "Ai Dona fea, fostes-vos queixar", e coube-lhe introduzir o tema dos "olhos verdes" na lírica portuguesa, com "Amigos, non poss'eu negar".

Ai dona fea, fostes-vos queixar
que vos nunca louv'en[o] meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei todavia;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
  
Dona fea, se Deus mi perdom,
pois havedes [a]tam gram coraçom
que vos eu loe, em esta razom
vos quero já loar todavia;
e vedes qual será a loaçom:
dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loei
em meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já um bom cantar farei
em que vos loarei todavia;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!

sábado, maio 30, 2026

Janis: Little Girl Blue

 Janis Joplin teria feito 83 anos este ano.

Este documentário de Amy J. Berg ajuda-nos a perceber um pouco dos contrastes da sua vida e também da sua inigualável energia criativa.

O filme, Janis: Little Girl Blue, acompanha Joplin durante os seus anos de apresentações no Monterey Pop Festival em 1967, no Woodstock Festival em 1969 e no Festival Express em 1970. Inclui, também, entrevistas com familiares, amigos e contemporâneos do rock.

sexta-feira, maio 29, 2026

Livros e Escritores Portugueses

Júlia Medrado
 Aprenda Português Europeu através de conteúdos interessantes e autênticos!

Assista hoje a mais um vídeo do Portuguese With Leo, onde Leonardo Coelho lhe fala de forma resumida de Livros e Escritores Portugueses.

Não perca esta oportunidade. Vale muito a pena.
Ora veja.

quinta-feira, maio 28, 2026

A Morte Brutal de Iara

 A ditadura militar brasileira executou, em 20 de agosto de 1971, a militante política Iara Iavelberg. Ela era então namorada do capitão Carlos Lamarca, um dos inimigos da repressão, e foi companheira de Dilma Rousseff no combate à tirania.

A verdade sobre a morte de Iara Iavelberg foi sempre um objetivo para os seus familiares, que nunca se conformaram com a versão divulgada naquela época, de que ela teria cometido suicídio. 

Na versão do regime militar, Iara deu um tiro contra o próprio peito quando se viu diante da impossibilidade de fugir. O laudo – que posteriormente desapareceu – foi assinado pelo legista Charles Pittex, e o corpo foi entregue à família apenas um mês após a sua morte. Seguindo as tradições judaicas, Iara foi enterrada numa área específica do cemitério destinada a suicidas, com os pés voltados para a lápide, tradição entendida como uma desonra.

A teoria de suicídio, entretanto, nunca convenceu a família, incluindo os seus dois irmãos, Samuel e Raul, também militantes. Após uma longa batalha a família pôde, em 2003, reiniciar um processo de investigação e realizar uma exumação do corpo de Iara. 

O legista Daniel Muñoz concluiu que a morte de Iara por suicídio era "improvável", e o seu corpo foi finalmente retirado da ala de suicidas do cemitério israelita.

Mariana Pamplona, sobrinha de Iara, escreveu o roteiro para o documentário Em busca de Iara (2014), no qual, além de um perfil da tia, busca desvendar as circunstâncias de sua morte.
Em Busca de Iara - Cinedebate com Samuel Iavelberg.

quarta-feira, maio 27, 2026

27 Maio de 1977: Lembrar Para Não Esquecer

 Passam hoje 49 anos sobre o 27 Maio de 1977 , um período negro da história angolana que não deve ser branqueado ou esquecido. Na sequência dos trágicos acontecimentos que ocorreram neste dia, dezenas de milhares de angolanos foram torturados, presos e/ou encaminhados para campos de concentração (eufemisticamente chamados de reeducação), e fuzilados sem julgamento, enquanto outros desapareceram sem deixar rasto. 

Deixo-o hoje com a entrevista (datada de 30 julho de 2024) feita, pela Associação 27 de maio, ao querido amigo Manuel Vidigal, que se despediu de nós recentemente e que foi uma das vítimas do 27 de maio de 1977.
Lembrar Para Não Esquecer.

terça-feira, maio 19, 2026

My Name is Gulpilil

 My Name is Gulpilil é um filme (documentário de 2021) aclamado que narra a vida de David Gulpilil Ridjimiraril Dalaithngu (1953 – 2021), um dos mais icónicos atores e dançarinos aborígenes australianos.

Este filme e carta de amor ao cinema celebra a sua extraordinária vida e legado. Pode encontrá-lo no Google Play ou na Prime Video.

Este belo documentário realizado por  Molly Reynolds é uma homenagem apropriada a David Gulpilil, no final da sua vida singular, na época doente com cancro de pulmão no estágio quatro.

Molly Reynolds é uma realizadora, argumentista e produtora de cinema australiana, reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho documental. 

Sinopse:
O filme, que também leva este título (My Name is Gulpilil), foi realizado durante a sua batalha final contra o cancro no pulmão, servindo como uma despedida e um reflexo direto do seu coração.
David Gulpilil foi um pioneiro que mudou a representação dos povos das Primeiras Nações no cinema australiano.
 Nascido no norte da Austrália, o seu nome "Gulpilil" representa o seu totem, o martim-pescador. Ele descreveu-se como um homem que vivia entre dois mundos (o branco e o aborígene) e é amplamente reconhecido como um dos melhores bailarinos cerimoniais da Austrália. 
O documentário celebra a sua vida e a ligação espiritual à sua terra

sexta-feira, maio 15, 2026

O Santo da Montanha

 O Santo da Montanha é um romance do escritor português Camilo Castelo Branco, publicado originalmente em 1866. A obra faz parte da vasta bibliografia do autor, um dos maiores expoentes do Romantismo em Portugal.

Por ser um clássico da literatura portuguesa, o livro pode ser  consultado aqui no Internet Archive.

 Sinopse:
A história inicia-se por volta do ano de 1687, descrevendo a movimentação de famílias nobres do Norte e Sul de Portugal. A narrativa centra-se na história de uma paixão avassaladora e trágica entre dois protagonistas incompatíveis: Mécia e Baltazar. O enredo explora temas recorrentes na obra camiliana, como o desejo, as barreiras sociais e as consequências fatais de amores proibidos ou impossíveis.

"Seis meses antes de se abrir um céu que o leitor há de entrever em certas festas de Corpus Christi, em Braga, se eu conseguir bosquejá-las dignamente, espalharam-se prospetos da festividade por todo o reino. Corria o ano de 1687.

A notícia alvoroçara as famílias das províncias de norte e sul. Era um louvar a Deus ver o denodo com que de solares sertanejos de Trás-os-Montes, por caminhos de cabras, desciam fidalgarrões, cabeças de copiosas tribos de meninas, sentadas sobre andilhas de coxins adamascados ou em liteiras ponderosas, cujos brasões iam dizendo a porção de sangue real de godos, seiva do venerando tronco de que tinham grelado as damas ou cavaleiros conteúdas dentro, a cabecear de sono."

terça-feira, maio 12, 2026

Patricia Janečková: Uma Homenagem

 Proponho-lhe que assista ao Concerto de Ópera em Homenagem a Patricia Janečková que se realizou em março deste ano na cidade de Ostrava (Chéquia).

Patricia Burda Janečková (1998 - 2023), mais conhecida como Patricia Janečková, foi uma cantora de ópera eslovaca nascida em Münchberg (Baviera), na Alemanha. Foi uma aclamada soprano coloratura, reconhecida internacionalmente, desde muito jovem, pela sua técnica vocal excecional. Ela venceu o programa de televisão checoslovaco Talentmania em dezembro de 2010 e tornou-se famosa mundialmente, após a conquista, graças à cobertura da rede de televisão CNN. 

Especializou-se em ópera e música clássica, com interpretações memoráveis de peças de Mozart e árias como Les oiseaux dans la charmille.

Patricia tinha uma voz rara, um talento precoce e uma sensibilidade que parecia vir do outro mundo.

Infelizmente, a sua trajetória foi interrompida cedo demais. Patricia morreu aos 25 anos de idade, vítima de cancro de mama. O mundo da música perdeu uma grande voz e um raro talento.

sexta-feira, maio 08, 2026

Mulheres de Abril

 Mulheres de Abril é um filme (2026) da cineasta portuguesa Raquel Freire.

Mulheres de Abril foi produzido, realizado e editado por uma equipa inteiramente feminina. Desde 2018, Raquel Freire trabalha sempre com equipas de mulheres ou pessoas não binárias e trans, numa resposta a uma indústria que, diz, continua a excluir sistematicamente as mulheres.

No documentário a que pode assistir ainda hoje no IndieLisboa (Cinema S. Jorge - sala3, pelas 14 h 15), as mulheres que fizeram parte da resistência antifascista e anticolonial ganham voz e lembram que a revolução não acabou. 

Sinopse:
Mulheres de Abril é um filme que celebra a multitude de mulheres revolucionárias: as mães da nossa democracia. Através da voz, do olhar, do silêncio, da acção de cada uma destas mulheres, conhecemos a riqueza das experiências vividas, que, juntas, nos dão um legado de confiança, justiça, perseverança, respeito e liberdade. São mulheres que venceram o fascismo, o colonialismo, as desigualdades sociais em Portugal e nos territórios africanos ocupados e transformaram o mundo à sua volta.
Mulheres de Abril propõe uma viagem pela memória e pela história recente do país, através das vozes de Margarida Tengarrinha, Julieta Rocha, Ana Maria Cabral, Isabel do Carmo, Maria Emília Brederode Santos, Luísa Sarsfield Cabral, Teresa Loff Fernandes, Zezinha Chantre, Helena Neves e Ruth Rodrigues, cujas vidas foram marcadas pela perseguição, prisão, tortura, censura, exílio, clandestinidade, luta e resistência.

sábado, maio 02, 2026

O Príncipe do Congo

 O Príncipe do Congo é um livro de Xavier de Figueiredo.

«A obra O Príncipe do Congo, da autoria de Xavier de Figueiredo, constitui-se como um relevante e pormenorizado contributo histórico para a compreensão dos factores e condicionalismos sociais, políticos, culturais, económicos e militares que marcaram a transição de Angola da era do tráfico de escravos para a modernidade. Além disso, traduz o sentimento de afecto e reflecte o grande interesse do autor pela história de África, que investiga com inovação, inquestionável probidade e rigor científico.» - «Prefácio», António Silva Ribeiro

Sinopse:
Em 1845, uma viagem a Lisboa, à mítica capital do Puto, marca indelevelmente a vida de D. Nicolau, príncipe do Congo, com apenas 15 anos. O pai, rei do Congo, acalentava a esperança de que esta viagem viesse a contribuir para levar Portugal a reconhecer-lhe liberdade para continuar com o tráfico de escravos, que tinha sido abolido por decreto em todos os domínios portugueses. Mas o jogo político inverte-se e, 15 anos depois, D. Nicolau, vendo o fim do reino do Congo no preito de vassalagem imposto por Portugal, num grito de revolta, publica uma carta de protesto num jornal de Lisboa. Abandona o Ambriz, em Angola, onde pouco antes fora colocado como escrivão da Fazenda, mas é assassinado.

Tendo como fio condutor a vida de D. Nicolau, Xavier de Figueiredo descreve o período conturbado que Angola atravessou com o fim da escravatura.