sexta-feira, maio 17, 2024

Harbin: Uma Cidade-Esponja

Parque pantanoso de Tianjin

Harbin, no norte da China, é um exemplo de uma "cidade-esponja". 

Uma "cidade-esponja" é uma solução baseada na natureza para manter as inundações à distância, através da utilização da paisagem para reter a água, retardar o seu fluxo e limpá-la ao longo de todo o processo. No fundo, as "cidades-esponja" são cidades ecológicas que oferecem uma estratégia para incorporar o ciclo da água no planeamento urbano.

O conceito foi concebido por Kongjian Yu e proposto por investigadores chineses, em 2013. Assim, Harbin recolhe, limpa e armazena águas pluviais, ao mesmo tempo que protege o habitat natural e proporciona um espaço público verde para uso recreativo.

Décadas de urbanização e poluição, fazem a China enfrentar, por um lado, a escassez de água, por outro, inundações, que têm vindo a ser agravadas pelos efeitos das alterações climáticas.

Parque alagável Yanweizhou - cidade de Jinhua

O Norte da China tem sido particularmente afetado pela escassez de água ao longo de todo o ano, enquanto no Sul da China, o problema é sazonal. Para esta situação contribui o facto de que 80% da água no país está concentrada no Sul, quando o Norte é o epicentro do desenvolvimento nacional.

Na China, onde a economia tem tido um dos crescimentos mais rápidos do mundo, a água está a esgotar-se. Com uma população de 1,4 mil milhões de habitantes, o país precisa de água para se desenvolver, mas esse recurso vital tornou-se limitado e está distribuído de forma desigual, daí que a solução para uma melhor gestão dos recursos hídricos, tenha passado pela criação de cidades ecológicas, ou seja, das chamadas "Cidades-Esponja" (como pode ver nos vídeos abaixo).
Aqui vai o primeiro:
E agora o segundo:

quinta-feira, maio 16, 2024

Artes Finais

O empregado da Funerária
bebia a sexta cerveja dominical
ao balcão. Estávamos, por
bizarro que pareça, na Rua do Paraíso
e lia-se na montra vizinha
do fornecedor de urnas
(24 horas por dia), pintada
em letras douradas, a palavra
armador. Reparti a minha atenção
entre essa palavra e a cerveja alheia.
Viajei com a família
verbal: pelas armadas marítimas,
por ítacas, bojadores e gamas,
por elmos de quixote, toucados, presépios
e outra literatura, mas não consegui
fugir à extinção visível
do nível da cerveja no fino do
funcionário.
Inês Lourenço - Logros Consentidos, Ed.& etc

quarta-feira, maio 15, 2024

Ricardo e a Pintura

Ricardo e a Pintura é um filme (documentário) do realizador suíço-iraniano  Barbet Schroeder, que começou no cinema como produtor da "nouvelle vague" francesa. No 𝐅𝐞𝐬𝐭𝐢𝐯𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐋𝐨𝐜𝐚𝐫𝐧𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟑 ganhou o 𝐋𝐞𝐨𝐩𝐚𝐫𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐇𝐨𝐧𝐫𝐚.
De Buenos Aires à Finisterra, passando por Paris e pelo Peru, o filme convida-nos a mergulhar na história da pintura e dos grandes artistas (da gruta de Chauvet à arte Grega ou aos Aztecas, a Tiepolo, Caravaggio e Velazquez, ao Cubismo, Braque e Picasso) navegando pela história da arte e reconstituindo-a de forma original e viva, e a descobrir a vida de um homem excepcional, que, totalmente comprometido com a sua paixão pela arte e com uma enorme generosidade, transmite esta paixão às crianças da aldeia bretã onde acabou por se radicar.
"Este filme é, com toda a modéstia e inteligência perspicaz, uma aprazível viagem à história da pintura."
Libération (Anne Diatkine)

Sinopse:
Ricardo e a Pintura é o retrato íntimo e luminoso, traçado por Barbet Schroeder, do seu amigo Ricardo Cavallo, que consagrou toda a sua vida à pintura. De Buenos Aires à Finisterra, passando por Paris e pelo Peru, o filme convida-nos a mergulhar na história da pintura e dos grandes artistas, e a  descobrir a vida deste homem excepcional, que, totalmente comprometido com a sua paixão pela arte e com uma enorme generosidade, transmite esta paixão às crianças da aldeia bretã onde acabou por se radicar.

terça-feira, maio 14, 2024

Jogo do Pau Português: Uma Tradição de Resistência

 "Jogo do Pau Português: Uma Tradição de Resistência" - uma história que merece ser contada é um vídeo realizado por Paulo Lopes (também autor do livro ao lado) que lhe conta a origem deste jogo tradicional.

Através das histórias de família que minha mãe contava aos filhos, ficamos a saber de alguns ancestrais que praticavam este jogo. Mais tarde, através dos livros dos escritores: Aquilino Ribeiro, Camilo Castelo Branco, Júlio Machado, Agustina Bessa-Luís e do etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira, percebemos melhor o que foi e o que é este jogo português.

"Explore, agora, as raízes profundas e pouco conhecidas do Jogo do Pau em Portugal, desde os tempos medievais até os dias atuais. Este vídeo mergulha nas diferentes armas e treinos específicos que moldaram essa tradição, destacando o protagonismo do "pau" como uma arma popular entre as classes mais baixas.

Viaje por regiões portuguesas enquanto descobre duelos judiciais medievais, as suas formalidades e como o Jogo do Pau resistiu às mudanças sociais e tecnológicas ao longo dos séculos.

Conheça mestres do Jogo do Pau, desde o século XIX até meados do século XX, explorando suas técnicas e influências em diferentes regiões do país. Lisboa, em particular, destaca-se como um bastião da tradição, onde o Jogo do Pau evoluiu para se tornar não apenas uma prática cultural, mas também um desporto.

É questionada a origem do Jogo do Pau e desvendada a falta de documentação, sugerindo que a sua história pode ser mais vasta do que a memória popular reconhece. Este vídeo é uma jornada única através do tempo, destacando como o Jogo do Pau Português não desapareceu naturalmente, mas sim se diferenciou do mundo moderno, preservando-se como uma arte de resistência que despertou o interesse de escritores, teólogos e antropólogos.

Junte-se a nós nesta exploração fascinante de uma tradição que permanece viva, uma expressão autêntica da história, cultura e identidade de Portugal". 

segunda-feira, maio 13, 2024

Sotaque e Expressões de Braga

Aprenda Português Europeu através de conteúdos interessantes e autênticos!

Assista hoje a mais um vídeo do Portuguese With Leo, onde Leonardo Coelho eo seu convidado lhe falam do sotaque e de expressões típicos de Braga

Não perca esta oportunidade. 
Ora veja. 

domingo, maio 12, 2024

Strangers In The Night: FranK Sinatra

Ouça o cantor americano Frank Sinatra em Strangers In The Night.

Strangers in the night exchanging glances
Wondering in the night
What were the chances we'd be sharing love
Before the night was through

Something in your eyes was so inviting
Something in your smile was so exciting
Something in my heart
Told me I must have you

Strangers in the night
Two lonely people we were strangers in the night
Up to the moment
When we said our first hello
Little did we know
Love was just a glance away
A warm embracing dance away, and

Ever since that night we've been together
Lovers at first sight, in love forever
It turned out so right
For strangers in the night

Love was just a glance away
A warm embracing dance away

Ever since that night we've been together
Lovers at first sight, in love forever
It turned out so right
For strangers in the night

Agora clique aqui e veja o que é o tesouro musical de FranK Sinatra. São 996 músicas!

Importante: Se quiser pesquisar neste site outro cantor, basta colocar o nome do mesmo ou o nome da música no botão "Busca/Pesquisa "

sábado, maio 11, 2024

Kudibanguela

Kudibanguela é uma curta metragem realizada por Bernardo Magalhães e integrada na Competição Nacional de Curtas 2024.

Entre 23 de Maio e 2 de Junho, o IndieLisboa inunda a cidade de Lisboa com as mais recentes estreias e novidades do cinema contemporâneo nacional e internacional.

O festival ocupa novamente as principais salas de cinema de Lisboa — São Jorge, Culturgest, Cinemateca Portuguesa, Ideal, Fernando Lopes, Piscina Municipal da Penha de França — espalhando-se também por jardins, universidades e vários locais noturnos!

Sinopse:
Um jovem preso político, cujo paradeiro a sua família desconhece, tenta convencer um prisioneiro mais velho a passar um bilhete para o exterior.

sexta-feira, maio 10, 2024

A Trilogia de Nova Iorque

 A Trilogia de Nova Iorque é o livro que tornou Paul Auster (1947-2024) famoso em todo o mundo.

Sinopse:
Cidade de Vidro, Fantasmas
e O Quarto Fechado à Chave, constituem os três andamentos de uma sinfonia única, neste que continua a ser, tantos anos depois, o livro mais emblemático do autor. São três fascinantes histórias de mistério, centradas no submundo de Nova Iorque, em que o leitor, tal como os personagens, se torna prisioneiro dos irresistíveis enredos, dos puzzles alucinantes, em que o autor é mestre incontestado.

"Uma absorvente combinação de Tom Wolfe com Raymond Chandler..."
Sunday Telegraph

quinta-feira, maio 09, 2024

A Sesta

A Sesta é uma obra do pintor holandês, Vincent van Gogh (1853-1890),  um dos maiores representantes do pós-impressionismo.

Em maio de 1890, Van Gogh mudou-se para Auvers-sur-Oise, região próxima de Paris, onde produziu cerca de oitenta pinturas antes de morrer. Entre elas, "A Sesta". O termo sesta significa o tempo em que se descansa ou dorme depois do almoço, e, que pode acontecer em qualquer lugar. Van Gogh pintou A Sesta para provar isso mesmo.

Diga lá se com este calor não apetece mesmo fazer uma sesta?

quarta-feira, maio 08, 2024

O Beco da Achada

O Beco da Achada situa-se na Mouraria. Esta é uma das mais antigas denominações de via pública em Lisboa porque Cristóvão Rodrigues de Oliveira menciona o topónimo Achada (Rua da) no seu Sumário de Lisboa em 1551, entre as ruas que faziam parte da Freguesia de S. Cristóvão .

Frei Rosa Viterbo, no seu "Elucidário das Palavras, Termos e Frases que em Portugal se Usaram e que Hoje Regularmente se Ignoram" definiu " Achada" ou "Achaada" como "planicie, escampado ou terra baixa plana". Esta definição é confirmada para o local, de acordo com o que escreveu Norberto de Araújo, na sua obra "Peregrinações em Lisboa", "Este sítio da Achada, que foi arrabalde da cidade muçulmana, deve o seu nome, muito antigo e característico, pois já é citado em 1554, ao facto de aqui se encontrar uma pequena planície ou descanso da encosta. "Achada", com efeito, é uma contração de “achaada”, terra chã."

No Beco da Achada ainda existe uma casa quinhentista, que resistiu ao terramoto de 1755, com o típico andar de ressalto.

É do século XIV ou XV e tem uma porta e uma janela gótica em cantaria. As características pré-pombalinas, mesmo medievais, em alguns destes edifícios, deve-se , sem dúvida, ao facto desta zona urbana ter sido pouco afetada pelo sismo de 1755, que se faria sentir sobretudo para sul da Igreja de S. Cristóvão. As únicas alterações da morfologia urbana dizem apenas respeito ao próprio Largo, que não existia antes do terramoto (como se pode verificar pela Planta de João Nunes Tinoco de 1650).

E agora fique também com o que reza a lenda:

Fundou Diogo Lopes Solis, em 1598, um asilo para acolher meninas órfãs e abandonadas, com o nome de Recolhimento de Nossa Senhora do Amparo, e construído nas Escadinhas da Achada em 1610. Ficou assim ligado ao lugar o facto de aí se recolherem as meninas pobres "achadas" nas ruas Lisboa, sem teto nem família e entregues à sua sorte.

Este edifício ainda hoje existe, com fins diferentes, mas ligados também à assistência social. Tomou o nome de Recolhimento de S. Cristóvão e está a cargo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

segunda-feira, maio 06, 2024

Raise Your Hand

Ouça Tom Jones & Janis Joplin em Raise Your Hand no Tom Jones TV Show.

If there's anythin' that you need,
Hon, that you've never, ever, ever had.
I know you've never had it.
Oh, honey, don't you just sit there cryin',
Don't just sit there feelin' bad.
No, no, no.

You'd better get up,
Now do you understand,
And raise you hand!
I said raise your hand, hey.

You know I'm standin' about, yes I am.
Want to give you all my love.
Oh, honey, won't you come on and open up,
I said, open up your heart.
Please, let me try.

You'd better to be good.
Don't ya understand ?
Raise your hand.
I said, raise your hand,
Right here, right now, c'mon!!
Whoaaaaah, oh yeah!!

If there's anything you need,
Honey, that you ever, ever, ever try,
I want you to give it up
I said to give it all, don't you know that you have.

You'd better be good.
Don't ya understand,
Raise your hand.
I said, raise your hand,
Raise it,
Raise it,
Raise it,
Raise,
Alright!!

Ha wah do wah
Ha wah do wah
Ha wah do wah
Ha wah do wah
Whoa
Whoa
Whoa, hon
Whoa, yeah
Whoa, hon
Whoa, yeah
I said every day when I go out
I said I wanna move.
Every day when I go out
I tell ya I wanna groove.

I said move, yeah
Said move now
Move, yeah
Whoa
Honey, I want you to come along
And raise your hand.
Babe, I want you to come along,
Raise your hand.
If you know where you belong
I'll tell you
Here
And now
Said here and now
Said here now, now, now, now, now, now, now!

Raise your hand, yeah. [X4]
Raise your hand. [X8]

Hey, hey, hey, get it up now!
Hey, hey, get it up now!
Hey, hey, get it up now!
Hey, hey, get it up!

Raise your hand! [X6]
Raise your hand, yeah!

Yeah!!!
Whoa!!

domingo, maio 05, 2024

Ser Mãe

Maternidade - Almada Negreiros
Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo!  É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!

Todo o bem que a mãe goza é bem do
filho, espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho! 

Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso! 
Coelho Neto


sábado, maio 04, 2024

50 Anos De Democracia Em Portugal: O que Mudou?

A democracia em Portugal já fez 50 anos! Para celebrar o 50.º aniversário do 25 de abril de 1974, a Pordata (A Pordata é uma plataforma online que disponibiliza dados oficiais e atualizados sobre a sociedade portuguesa, os seus municípios e a Europa) e a Fundação Francisco Manuel dos Santos (A FFMS nasceu em 2009, fundada por Alexandre Soares dos Santos e família, para estudar os grandes problemas nacionais e levá-los ao conhecimento da sociedade) têm efetuado debates e publicado mini-infografias sobre as mudanças profundas que ocorreram no nosso país, entre a década de 1970 e o presente, no emprego, na população, na economia, entre outras áreas importantes da vida nacional. Explore os temas e infografias que mais lhe interessam clicando aqui para perceber tudo sobre o país que éramos então e que somos agora.

sexta-feira, maio 03, 2024

A Tendência das Transparências

Saiba como usar as transparências, através das sugestões de mais um vídeo da influencer brasileira Luciane Cachinski.

Luciane Cachinski é uma influencer e youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante 27 anos. 

Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha.

Há quem goste das transparências e há quem as odeie. As transparências são uma das tendências da moda em 2024 e em doses pontuais até podem ser uma alternativa muito elegante. 

Através do vídeo abaixo pode descobrir com Luciane Cachinski que tendência é esta e como a pode encaixar no seu look!!!

Não perca esta oportunidade de saber como incluir as transparências no seu guarda-roupa!

quinta-feira, maio 02, 2024

25 de Abril, Mitos de Uma Revolução

A propósito da comemoração dos 50 anos do 25 de abril deixo-lhe hoje uma sugestão de leitura: 25 de Abril, Mitos de Uma Revolução, de Maria Inácia Rezola. 

Este é um livro que faz parte do Plano Nacional de Leitura e é recomendado para apoio a projetos relacionados com a História de Portugal no Ensino Secundário.

Sinopse:

A 25 de Abril de 1974 um grupo de jovens capitães leva a cabo um golpe de Estado que, em menos de 24 horas, derruba uma ditadura que dominava Portugal há mais de quatro décadas. Tratou-se de uma revolução em prol da liberdade? A base do movimento nasceu de questões corporativas: do descontentamento dos militares face a alterações de carreira e do desgaste da guerra colonial. A 25 de Novembro os páras ocupam a base aérea da Tancos. A polémica subsiste: houve ou não uma tentativa de golpe de Estado? Quais os seus autores? Quem deu a ordem de saída aos páras? Passados mais de 30 anos só agora se começam a revelar as verdades que permitem desmascarar os mitos que fazem parte da
história do 25 de Abril.

quarta-feira, maio 01, 2024

Um dia de Maio

1 de maio de 1974
 Recordo esse momento, esse
terrível entusiasmo. Eram
milhares, dezenas de milhar
e todos se esticavam, todos
tentavam ver os carros, sentiam
o solene momento, gritavam
da alegria mais pura. Era
um som de pólvora liberta,
uma explosão de esperança,
de loucura, de vida – sim,
por uma vez, a vida -. Lembro
esse gosto de pão, o corte
brusco na inércia, o fogo
da presença em oferenda,
a compressão da ira vinculada
agora a um caminho. Hoje
contemplo esta praça, estas ruas
que a tristeza semeou
de novo e espero a multidão
que uma vez aqui floresceu.

Confio em que virá. O vento
fala já nos seus passos, faz
da espera alimento; o ar
vai encher-se de vozes, vai
ver-nos todos juntos, livres,
respirando através das mãos
unidas, através do ardente
fluido de alegria que liberta
as raízes do canto estagnado.

terça-feira, abril 30, 2024

O Tecolameco

O Tecolameco, também conhecido como Teco Lameco, Teculameco ou Teculameca, é uma sobremesa típica da vila do Crato (no Alentejo), muito saborosa, feita à base de amêndoas, ovos, açúcar, banha e canela.

O Tecolameco é mais um doce tradicional, originário da doçaria conventual portuguesa.

Quanto à história do Tecolameco, conta-se que um antigo chefe terá encontrado no Castelo do Crato (também conhecido como Castelo da Azinheira), no distrito de Portalegre, no Alto Alentejo, um livro antigo que revelava o sentido da vida. Todas as páginas estavam em branco, exceto uma que continha a receita do Tecolameco.

Se quiser arriscar delicie todos em sua casa com a receita que se segue e bom apetite!

Ingredientes:
500 g de açúcar
250 g de miolo de amêndoa ralado
25 g de manteiga
10 g de banha
10 gemas M
2 ovos M
300 ml de água
1 pau de canela
1 pitada de canela em pó
Manteiga para untar
Açúcar em pó para polvilhar

Preparação:
Leve ao lume o açúcar com a água e o pau de canela e deixe ferver, até atingir ponto de pérola.
Retire do lume e junte a amêndoa, a manteiga e a banha. Leve novamente ao lume e deixe engrossar. Retire, elimine o pau de canela e deixe arrefecer. Misture depois os ovos e as gemas, bem como a canela, e mexa muito bem.
Deite o preparado numa forma, previamente untada com manteiga e forrada com papel vegetal também untado. Leve ao forno, pré-aquecido a 180ºC, por cerca de 40 minutos. Retire, deixe arrefecer e desenforme. Polvilhe com bastante açúcar em pó.
Ponto de Pérola:
Encha uma colher com a calda e, lentamente, despeje-a para um recipiente. Se, ao cair, formar um fio um tanto resistente e, na sua extremidade, aparecer uma bolinha, a calda atingiu o ponto de pérola.

Se preferir antes uma receita que utiliza a Bimby, aqui vai ela:

Ingredientes:
Açúcar: 550 g
Amêndoas sem pele: 280 g
Água: 200 g
Pau de Canela: 1
Limão (casca, só parte amarela, e sumo): 1
Manteiga: 55 g
Banha: 55 g
Ovos: 14

Preparação:
No copo da Bimby, coloque 50g de açúcar e pulverize 15 seg/ vel 10. Retire e reserve.
Coloque no copo a água, 500g de açúcar, o pau de canela e uma tira da casca de limão e cozinhe 30 min/ 100ºC/ vel 1.
Adicione a manteiga e a banha, cozinhe 3 min/ 100º/ vel 1. Descarte o pau de canela e a casca de limão.
Adicione 12 gemas e dois ovos, misture 10 seg/ vel 4.
Adicione a farinha de amêndoa reservada e envolva 12 seg/ vel 3. Deite numa forma redonda de fundo amovível forrada com papel vegetal.
Leve ao forno, previamente aquecido a 180 ºC, cerca de 45 minutos. Faça o teste do palito, este deve sair seco. Retire, deixe arrefecer por completo e leve ao frigorífico.
Entretanto faça a cobertura: no copo limpo coloque duas claras, o açúcar em pó reservado e quatro a cinco gotas de sumo de limão, misture 2 min/ vel 4.
Deite a cobertura sobre o bolo fresco e decore a gosto.
Coloque no copo a amêndoa e pulverize 10 seg/ vel 7. Retire e reserve.

segunda-feira, abril 29, 2024

Tula Tula


Ouça "Tula Tula" na esplêndida voz de Kimmy Skota, ao vivo na África do Sul, num espetáculo de André Rieu & a Johann Strauss Orchestra. 

domingo, abril 28, 2024

Os Telhados de Paris

Os telhados parisienses possuem um potencial inestimável porque são muito bonitos e fotogénicos e têm seduzido, por isso, cineastas, fotógrafos, músicos e poetas. O cinza das placas de zinco, as chaminés com a aparência de pequenos potes de cerâmica ocre e, aqui e além, esculturas revestidas de ouro formam um conjunto extraordinário.

Mas os telhados de Paris não são todos cinzentos. Apenas 70% dos telhados são cinzentos: é de facto um casamento único entre o cinzento claro do zinco e o cinzento mais escuro da ardósia! Os telhados da Madeleine ou da Opera Garnier também têm uma cor muito específica de Paris, um verde-cinza claro: isto é, cobre com o seu tom avermelhado, que fica verde com o tempo.

Tudo começou em meados do século XIX, durante a transformação de Paris por Napoleão III e a obra do Barão Haussmann: alargar as ruas, dar ar fresco aos parisienses e modernizar a cidade. Os famosos edifícios de Haussmann espalharam-se pela capital francesa. Para os seus telhados, Haussmann opta por placas de zinco: um material barato, fácil de cortar e instalar. E acima de tudo, um produto totalmente novo que na época representava absoluta modernidade!

Graças à lei de ocupação do solo, que impede a construção de torres, e a lei de proteção do património francesa, os telhados são protegidos e restaurados quando é necessário, sempre dentro do mesmo modelo.

Delphine Burkli, prefeita de um bairro de Paris, deseja que os telhados daquela cidade sejam inscritos na lista do Património Mundial da Unesco. De referir que em Paris, só as margens do Sena estão inscritas na lista da Unesco. Enquanto tal não acontecer, contemplemos esta maravilha da arquitetura francesa, neste imenso museu a céu aberto chamado Paris!

Os telhados de Paris tornaram-se um local obrigatório para os adeptos das esplanadas já que oferecem vistas espetaculares sobre a cidade. Estes lugares altos oferecem a possibilidade de saborear uma bebida ou uma boa refeição enquanto se desfruta de uma vista deslumbrante sobre os telhados da capital.

Ouça agora a cantora brasileira Zélia Duncan em Telhados de Paris.

sábado, abril 27, 2024

Álbuns de Família: Fotografias da Diáspora Africana em Portugal

Álbuns de Família: Fotografias da diáspora africana em Portugal é uma exposição temporária, patente no Padrão dos Descobrimentos, a partir de hoje até 30 novembro 2024, que reúne fotografias da autorrepresentação da diáspora africana em Portugal do período entre 1975 e os dias de hoje.

São "álbuns de família" com as imagens que os portugueses afrodescendentes e os africanos registaram de si próprios e das suas comunidades desde 1975, data das independências dos países africanos de colonização portuguesa.

A curadoria da exposição é de Filipa Lowndes Vicente e Inocência Mata.

sexta-feira, abril 26, 2024

Liberdade! Liberdade! Abre as Asas Sobre Nós

Ouça a cantora brasileira Simone em Liberdade, Liberdade Abre as Asas Sobre nós/ O Amanhã (Áudio Oficial).

Liberdade!, Liberdade!
Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz;

Liberdade!, Liberdade!
Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz;

Vem, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria mãe querida
O império decadente, muito rico incoerente
Era fidalguia e por isso que surgem

Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem, no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão,
Vem viver

Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí e da guerra

Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu, de cultura o Brasil
A música encanta, e o povo canta assim e da princesa

Pra Isabel a heroína, que assinou a lei divina
Negro dançou, comemorou, o fim da sina
Na noite quinze e reluzente
Com a bravura, finalmente
O Marechal que proclamou foi presidente

Liberdade!, Liberdade!
Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz,

Liberdade!, Liberdade!
Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz

Vem, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria mãe querida
O império decadente, muito rico incoerente
Era fidalguia e por isso que surgem

Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem, no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão,
Vem viver

quinta-feira, abril 25, 2024

25 de Abril: Liberdade

Árvore de Abril
Ilustração de André Carrilho
Liberdade
Sobre esta página escrevo
teu nome que no peito trago escrito
laranja verde limão
amargo e doce o teu nome.

Sobre esta página escrevo
o teu nome de muitos nomes feito água e fogo lenha vento
primavera pátria exílio.

Teu nome onde exilado habito e canto mais do que nome: navio
onde já fui marinheiro
naufragado no teu nome.

Sobre esta página escrevo o teu nome: tempestade.
E mais do que nome: sangue. Amor e morte. Navio.

Esta chama ateada no meu peito
por quem morro por quem vivo   este nome rosa e cardo
por quem livre sou cativo.

Sobre esta página escrevo o
teu nome: liberdade.
Manuel Alegre - A Praça da Canção.

Poesia De Cor é a maior plataforma de Vídeo Poemas narrados em português por uma criança. É um Canal de Poesia inédito e único no mundo criado por uma criança para crianças e adultos. Todas as semanas um novo poema.

Nestes 50 anos do 25 de Abril ficam aqui alguns poemas ditos por crianças:

O 1º é: 25 DE ABRIL - Poesia de Luísa Ducla Soares.
O 2º: 25 DE ABRIL - Poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen
E agora mais alguns poemas na voz dos elementos da Comunidade Educativa do Agrupamento de Escolas de Monserrate, resultantes do projeto: 25 dias de abril, 25 poemas. 
O 1º é: ABRIL, um poema de José Fanha na voz da professora Primavera Alves.

O 2º é: Abril de sim, Abril de não, um poema de Manuel Alegre, na voz de Júlia Afonso do 11.º I.
O 3º é: Um poema de 1963 (parte da Trova do Vento Que Passa), que continua a fazer sentido. Porque não temos de calar a desgraça, porque é tempo de resistir e de saber dizer «Não!» por Leonor Rodrigues e Tomás Marques do 12 E.

25 de Abril: 50 Anos

Ilustração de Nuno Saraiva

"Os 50 anos do 25 de Abril devem ser um momento de passagem de testemunho, dos que lutaram contra a ditadura e construíram a Democracia aos que nasceram em Liberdade".

Em baixo pode ver o Filme Institucional das Comemorações em 2024.

A RTP também se junta "à festa dos 50 Anos do 25 de Abril com a sua homenagem e o seu contributo para estas comemorações de 50 anos de Democracia em Portugal. Pode clicar aqui num site especial, agregador dos muitos conteúdos de televisão, rádio e digital, que o Serviço Público de Media produziu e vai continuar a produzir durante este ano sobre os 50 Anos do 25 de Abril. Desde um vasto acervo do Arquivo RTP, a programas, podcast e espetáculos novos, com o mote da revolução dos Cravos". 

quarta-feira, abril 24, 2024

A Cor da Liberdade

"A Cor da Liberdade" (2024) é um filme realizado por Júlio Pereira com o argumento e produção de Filipa Patrício, que estreou em março no Museu do Neo Realismo, em Vila Franca de Xira. 

Sinopse:

"A Cor da Liberdade" é um documentário que parte da história de José Pedro Soares, ex-preso político que foi detido e torturado pela PIDE entre 1971 e 1974, e contextualiza Portugal e a sua realidade social à época, através das memórias de ex-presos políticos, historiadores, jornalistas e artistas. Transmite uma mensagem de luta e diferentes formas de resistência que é urgente conhecer e preservar.

terça-feira, abril 23, 2024

A Cor Da Liberdade

LusoPress TV
Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.

Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

Jorge de Sena

segunda-feira, abril 22, 2024

As Migas Gatas

Com a chegada dos muçulmanos à Península Ibérica no início do século VIII, terá chegado também a açorda. Nos dois tratados conhecidos de culinária hispano-árabe da época, encontram-se várias receitas de pratos classificados como thurûd, açordas. Em algumas dessas receitas, o pão é tratado de forma a produzir um género de migas, ou seja, o pão é cozinhado de forma a produzir uma pasta.

As Migas Gatas são um prato característico do Alentejo e património cultural no domínio da nossa gastronomia. Também chamadas de Migas de Azeite, já que esta gordura vegetal substitui a banha de porco, são elaboradas com fatias de pão duro amolecido em água quente e cozinhado em azeite, até se obter uma bola enxuta e consistente, com uma crosta exterior levemente dourada.

Fazem-se geralmente para aproveitar pão duro. Existem variantes desta receita: pode juntar-se bacalhau cozido e desfiado e um pouco de vinagre, ou ovos migados.

Ingredientes: 
Pão, 
alho, 
azeite, 
sal.

Preparação: 
Corta-se o pão em fatias finas que se acamam num tacho de barro. Introduzem-se os dentes de alho pisados, tempera-se com sal grosso e regam-se com água a ferver. Abafam-se para que o pão amoleça. Passados uns minutos escorre-se a água e com uma colher de pau esmaga-se o pão. Faz-se então uma cova ao centro e deita-se aí o azeite. Leva-se o tacho ao lume e, sempre com a colher de pau, vão-se ajeitando as migas em forma de bola. Quando se conseguir obter esta bola, as migas estão prontas.

Se as fizer acompanhadas com bacalhau cozido proceda da seguinte forma:


Numa tigela com o pão cortado às fatias muito finas, verta a água de cozer o dito, a ferver, e tape até que o pão a absorva bem. Com uma colher de pau esmigalhe o pão e junte-lhe alho cru muito bem esmagado, uma boa golada de azeite e um cheiro, a gosto, de vinagre. Mexa bem, controlando a consistência das migas. No final, junte-lhes o bacalhau desfiado. Pode enriquecer com ovo cozido às rodelas.

Acompanha, e bem, com azeitonas e, claro, um bom vinho, ao gosto de quem as come.

domingo, abril 21, 2024

She Lives By The Castle

Meu amor – assim começavam
quase sempre os poemas
de que menos conseguia gostar.
Mas é verdade (a verdade
e a retórica nunca se entenderam)
que um bando de gaivotas atravessa
o pouco céu que vai da Sé aos Clérigos.

Tu dormes; nunca estivemos aqui.
A cortina por levantar, de uma amarelo
duvidoso, a varanda sobre ruínas,
casas onde morou gente,
telhados abatidos que me servem
de cinzeiro. Tu dormes,
rosto abertamente escondido
sob lençóis brancos, almofadas
com brasão, espelhos dos anos vinte.

Não sabes, não sabemos, de melhor castelo.
Ignoras devagar os motivos que
em breve nos farão descer do quarto
209, Grande Hotel de Paris,
atentos aos primeiros sinais do nada.

E assim, meu amor, acaba este poema.

Manuel de Freitas, Qui passe, for my Ladye, edição do Autor, Lisboa, 2005.

sábado, abril 20, 2024

Amor de Perdição

Amor de Perdição (Memórias duma família) é um livro do escritor português Camilo Castelo Branco (se quiser conhecer a resenha do livro basta clicar aqui), recomendado para os alunos do 11º ano.

Fruto do romantismo exacerbado da própria vida do autor, Amor de Perdição, uma das suas mais importantes obras e que celebrizou a sua escrita, permanece uma das mais eternas histórias de amor da literatura portuguesa. O romance trágico de Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, com Mariana da Cruz a formar o triângulo amoroso, tem sido e é ainda hoje, alvo de várias adaptações ao cinema e ao teatro.

Da filmografia do Amor de Perdição deixo-lhe aqui um excerto do filme realizado (1921) por Georges Pallu.

Outra adaptação cinematográfica do romance homónimo de Camilo Castelo Branco foi realizada por António Lopes Ribeiro em 1943.  Conta com António Vilar no papel de Simão Botelho, uma jovem Carmen Dolores como Teresa de Albuquerque e António Silva como João da Cruz. É considerada uma das mais fidedignas adaptações da famosa obra camiliana, tendo o diálogo sido respeitado quase na íntegra. É o filme de estreia de Carmen Dolores, que contava apenas com 19 anos na altura das rodagens.

Agora proponho-lhe que veja um depoimento de Pedro Bandeira Freire e de Manoel de Oliveira, bem como um excerto do filme Amor de Perdição, realizado pelo reconhecido cineasta português Manoel de Oliveira, em1978. Este é um excerto do documentário Novo Cinema Cinema Novo, da série História do Cinema Português, 1998, prod. Acetato Filmes.

sexta-feira, abril 19, 2024

Os Telhados de Lisboa

 Há telhados e telhados... Há até quem diga que determinada pessoa tem telhados de vidro...

Mas, o que nos trás hoje aqui, são os Telhados de Lisboa. Telhados que até foram pintados (por Maluda) e cantados em fado, por Hermínia Silva e Tristão da Silva, como pode ver nos vídeos abaixo.

Lisboa é uma cidade colorida. As cores vão do branco, ao laranja, ao ocre, ao pêssego, ao amarelo, ao verde, ao azul e ao vermelho. Lisboa é a cidade do Tejo, das colinas, das calçadas, mas também dos telhados. Dos telhados da cor do tijolo. 

Lisboa - Maluda

Os Telhados de Lisboa são parte integrante da identidade da cidade que deve ser preservada e promovida.

Ouça agora Herminia Silva em Telhados de Lisboa.

E agora ouça Tristão da Silva em Nos Telhados de Lisboa.

quinta-feira, abril 18, 2024

Iracema

Ouça Adoniran Barbosa e Elis Regina em "Iracema", "Um Samba no Bexiga" e "Saudosa Maloca", que interpretaram num encontro de Adoniran Barbosa e Elis Regina no Bar da Carmela (bairro do Bexiga na cidade de São Paulo), em 1978.

Não perca esta oportunidade. Vale bem a pena.

quarta-feira, abril 17, 2024

Estampados Chiques Para Mulheres Maduras



Hoje é a sua chance de ficar a saber quais são os estampados chiques adequados para mulheres maduras.

Não deixe por isso de ver o vídeo abaixo. 👇

Olhe que vale bem a pena.

terça-feira, abril 16, 2024

O Bolo do Conde de Alcáçovas

Este bolo é um doce típico da doçaria tradicional portuguesa. É originário de Alcáçovas, uma encantadora vila alentejana do concelho de Viana do Alentejo.

São vários os doces conventuais que marcam a identidade do concelho de Viana do Alentejo. Segundo alguns registos, já no século XV doces como a Enxovalhada, o Bolo Real e o Bolo Conde de Alcáçovas eram conhecidos e apreciados e ainda hoje são confeccionados de forma tradicional.

Hoje deixo-lhe a receita do Bolo do Conde de Alcáçovas de Joana Barrios, divulgada no 24 Kitchen.

Ingredientes:
6 ovos
250g de açúcar
Manteiga q.b.
250g de amêndoa triturada
250g de doce de gila
Doce de Ovos:
12 gemas
200g de açúcar
100ml de água
Fios de ovos:
500g de açúcar
500ml de água
6 gemas
Merengue francês:
12 claras
12 colheres de sopa de açúcar

Preparação:
1.
Para o bolo, pré-aqueça o forno a 150ºC e prepare uma forma de aro amovível com manteiga e papel vegetal.
2. Comece por separar as gemas das claras; bata as claras em castelo bem firme e reserve.
3. Coe as gemas e bata-as; junte o açúcar e bata até obter um creme bem fofo; acrescente a manteiga cortada em cubos, novamente, enquanto bate e junte a amêndoa triturada e o doce de gila; misture tudo muito bem e comece a envolver as claras em castelo, lentamente, sem bater.
4. Leve ao forno durante cerca de 40 minutos; retire, desenforme e deixe arrefecer enquanto prepara os próximos elementos.
5. Para o doce de ovos, funda o açúcar na água até atingir o ponto espadana; acrescente as gemas coadas e mexa até engrossar; retire e reserve até usar.
6. Para os fios de ovos, comece por fundir a água e o açúcar até que esta comece a ficar espumosa.
7. Separe as gemas das claras e coe-as; transfira para um coador chinês ou para um saco de pasteleiro e coza os fios na calda de açúcar; retire e reserve.
8. Para o merengue francês, comece por bater as claras em castelo; assim que começarem a ficar espumosas, comece a introduzir o açúcar; o merengue está pronto quando as claras estiverem a fazer picos.
9. Para montar este bolo é só cobrir, primeiramente, com o doce de ovos, depois com o merengue e, por fim, com os fios de ovos.

segunda-feira, abril 15, 2024

Casta Diva



Proponho-lhe que ouça, mais uma vez, a belíssima voz da cantora (sul africana) Kimmy Skota em Casta Diva (Vincenzo Bellini: Norma, Ato 1), num espetáculo de André Rieu em Maastricht, em 2012.

domingo, abril 14, 2024

Era um galo azul na manhã do Porto

Aldemir Martins -  artista plástico 

Era um galo azul na manhã do Porto.
O campo com castelo em ruínas e os patos no charco.
O banho
sob a ponte do Senhor Dom Luís a luta
espreitando da muralha. S. Jorge
S. Jorge por quem gritam os portugueses.

Foi uma cena devoniana de grande efeito
os peixes devorando o rei vindo de Itália
romântico
românticas são as cabras das Montanhas Rochosas
criaturas de Camilo fazendo comércio e indo
ainda hoje setembro de setenta e oito
de bigode encerado criada fardada levando o
carrinho de bebé
rodas altas capotinha azul.
A mulher envolta em rendas negras. Vão
jantar na varanda sobre o rio.
O cor de rosa os pequenos nevoeiros.

O Porto é descer descer até ao Douro e
o retrato de uma mulher tocando arco por
detrás de uma janela de Matosinhos
porque cinzentos eram os dias mais os poemas do Nobre.
Vou de azulejo em azulejo
não há nenhuma igreja nenhum café onde não
entre. O Porto mais as escadas da Lello
as calhas espaçadas dos eléctricos o galo azul
tão azul nas manhãs de S. Lázaro
no meio-dia dos passeios de tão azul o quero
pelos cinzentos dias.

Do azul da torbenite
crosta de prismas entrelaçados cidade
mais próxima da Primavera de Alice que de Lisboa
fica longe é imoral que lá não possas ir
ao menos ver Pousão e ouvir o bispo

merde pour celui qui ne le regarde point!

João Miguel Fernandes Jorge - Eugénio de Andrade, Daqui Houve Nome Portugal (Antologia)