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domingo, outubro 18, 2026

A Mona Lisa

A Mona Lisa (também conhecida como La Gioconda) é a pintura mais famosa do mundo, criada pelo artista renascentista italiano Leonardo da Vinci. A mulher, cuja identidade é até hoje desconhecida, ficou imortalizada naquele que talvez seja o retrato mais celebrado da pintura ocidental. Tradicionalmente, considera-se que a pintura represente a nobre italiana Lisa del Giocondo

A pintura considerada a obra-prima de Leonardo da Vinci foi iniciada em 1503 e acabou por ficar  concluída apenas em 1517 (com retoques até 1519). Apesar de ser uma tela pequena, com apenas 77 x 53 cm, Mona Lisa fascina os espectadores por causa do seu sorriso enigmático.

Entre as características inovadoras da pintura estão a expressão enigmática da modelo, a monumentalidade da composição, a modelagem subtil das formas e o ilusionismo atmosférico.

Pintada a óleo sobre madeira de álamo, utilizando o famoso sfumato (que suaviza contornos e sombras), a imagem é um símbolo do renascimento. A expressão da modelo parece mudar dependendo do ângulo de observação e da luz. A maestria técnica traduz-se no uso de camadas finas de tinta e sombras que criam uma ilusão rara de profundidade, movimento e vida na pele e no olhar.

A pintura apresenta características da proporção áurea e revela vários triângulos de ouro, bem como a espiral áurea.

Mona Lisa acredita-se ser um retrato de meio-corpo de Lisa Gherardini (esposa do comerciante florentino Francesco del Giocondo) e chama a atenção pela naturalidade com que a protagonista é representada.

Está exposta no Museu do Louvre, em Paris (França), desde 1797. Foi dali roubada em 1911 por Vincenzo Peruggia e recuperada em 1913, um evento que estampou jornais do mundo inteiro e a catapultou para a popularidade global.

Considerada uma obra-prima da Renascença Italiana, foi descrita como "a obra de arte mais conhecida, mais visitada, sobre a qual mais se escreveu, mais se cantou (e) que mais foi parodiada no mundo".

sexta-feira, outubro 09, 2026

O Baba au Rhum (ou Babá com Rum)

O Baba au Rhum (ou Babá com Rum) é uma sobremesa clássica da pastelaria francesa e italiana. É um bolinho simples, normalmente em forma de uma pequena coroa (anel) ou de cogumelo (cujo diâmetro pode variar de 5 a 7 cm). É feito de massa lêveda, amanteigada, com uma textura extremamente macia, leve e esponjosa, cuja principal característica é ser completamente embebido numa calda de açúcar aromatizada com rum (daí o nome). Tradicionalmente é servido acompanhado por chantilly fresco ou frutas.

Embora hoje seja um ícone da gastronomia em França é também um verdadeiro património culinário em Nápoles (Itália) onde é conhecido como babà ou babbà.  

A origem do bolo é controversa e, por isso, há diferentes versões. Uma delas, refere-se a uma história curiosa do século XVIII, que atribui a origem desta sobremesa criada na Lorena (França) por Estanislau I da Polónia (Stanislas Leszczynski), rei destronado da Comunidade das Duas Nações (Polónia) e exilado na região da Lorena, e pai de Maria Leszczyńska, esposa de Luís XV da França. 

Stanislas Leszczynski achava o bolo tradicional da época (kouglof) demasiado seco. O seu pasteleiro, Nicolas Stohrer, decidiu molhar o bolo em vinho doce (mais tarde substituído por rum) para o tornar mais macio.

Como o rei, era um grande fã dos contos das Mil e Uma Noites, batizou a nova criação com o nome de "O Ali-Babá" em homenagem ao herói literário. O nome acabou por se tornar mais curto e passou a ser conhecido apenas para "Babá". Outra versão diz que o nome teria vindo da gastronomia russa, e é uma abreviatura de Baba (avó). Outra versão refere ainda que o Babá seria originado do doce Gugelhupf da gastronomia da Áustria e Baviera.

No início do século XIX, o bolo atravessou os Alpes com Joaquim Murat e chegou à cidade de Nápoles, na Itália. Os napolitanos adotaram-no e fizeram-no seu, chamando-o de babà ou babbà, embora a princípio fosse reservado às mesas da alta sociedade. Só após a unificação italiana é que o babà se popularizou e passou a ser encontrado nas confeitarias napolitanas.

A Massa deste bolo é feita à base de farinha, ovos, manteiga e fermento de padeiro. É muito batida para desenvolver o glúten, o que lhe dá a elasticidade necessária para reter o líquido sem se desmanchar. Depois de levedar, é cozido no forno.

Enquanto o bolo arrefece, ferve-se água com açúcar, baunilha e raspas de citrinos (laranja ou limão) de modo a fazer-se uma Calda. O rum é adicionado logo após retirar a calda do lume para preservar o seu aroma e teor alcoólico.

O segredo do sucesso desta sobremesa reside no Banho ou seja em mergulhar os bolos na calda até que fiquem totalmente encharcados, funcionando como uma esponja.

Agora é só ver a receita de Babá com Rum Original, que pode ver no vídeo abaixo.

sábado, agosto 22, 2026

O Vale dos Templos

O Vale dos Templos, na Itália, é um parque arqueológico e paisagístico que abriga ruínas de templos gregos. Localizado aos pés da cidade de Agrigento, o Vale dos Templos fazia parte da antiga cidade grega de Akragas.

Este notável sítio arqueológico proporciona uma visão sobre o passado longínquo da Sicília e da herança cultural e religiosa grega. 

Situado na região de Agrigento, o Vale dos Templos inclui sete templos principais: o Templo de Juno, o Templo da Concórdia, o Templo de Hércules ou Heracles, o Templo de Zeus, o Templo de Castor e Pólux, o Templo de Hefesto (ou Vulcano).

O Vale dos Templos é, certamente,  o maior símbolo da colonização grega na Sicília.

A fotografia ao lado mostra o Templo da Concórdia, símbolo da UNESCO (1997).  Este local, que teve origem no século VI a.C., continua a ser importante e a inspirar admiração nos dias de hoje. É o templo mais bem conservado, também graças ao facto de ter sido transformado num templo cristão no século VI d. C.

sábado, julho 25, 2026

Os Profiteroles

 Os Profiteroles são uma sobremesa tipicamente francesa que utiliza a massa choux na composição das "carolinas", que são as bolinhas de massa recheadas com creme de confeiteiro, chantilly ou sorvete.

 Os profiteroles surgiram na França, ainda durante o Renascimento, no século XVI. São um doce bastante popular naquele país, onde foi considerado uma iguaria real em meados do século XVI. Atendendo a um pedido de Catarina de Médici, soberana da França na época, o chef italiano Penterelli criou a receita. 

Esta sobremesa é servida tradicionalmente com sorvete de creme e calda quente de chocolate meio amargo. O ritual clássico é servir as carolinas com o sorvete num prato (ou taça), e servir a calda quente por cima de tudo. Esta sobremesa tornou-se muito popular com o tempo, em todo o mundo.

sexta-feira, julho 24, 2026

Nós, ao Anoitecer ou Nossas Noites

 "Nós, ao Anoitecer" ou "Nossas Noites" é um filme (2017) realizado por Ritesh Batra, baseado num romance aclamado de Kent Haruf que aborda o recomeço e a superação da solidão na terceira idade. 

A adaptação cinematográfica é protagonizada por Robert Redford e Jane Fonda, pela qual foram ambos homenageados em Veneza com o Leão de Ouro pela carreira.

Sinopse:
Esta história de amor improvável, segue Addie Moore (Jane Fonda) e Louis Waters (Robert Redford), dois vizinhos viúvos que já se conhecem há décadas mas têm pouco contacto. Enfrentando a solidão e noites vazias nas suas grandes casas, Addie faz uma proposta inusitada a Louis: que passem a dormir juntos, platonicamente, na mesma cama, apenas para conversar, afastar a insónia e aliviar a solidão. A partir desta rotina peculiar, desenvolve-se uma profunda cumplicidade, afetos inesperados que dão origem a um verdadeiro romance e ao julgamento dos vizinhos numa pequena cidade conservadora.

quinta-feira, julho 16, 2026

Óstia Antiga

Óstia Antiga é um dos maiores e mais bem preservados sítios arqueológicos da Itália. Localizada a cerca de 25 km a sudoeste de Roma, perto da moderna cidade de Óstia, foi a vibrante cidade portuária e comercial do Império Romano que serviu também como base militar. Hoje, oferece uma alternativa tranquila, arborizada e sem multidões para quem quer explorar o passado romano.

A antiga cidade portuária romana foi fundada no século VII a.C. e abandonada no século IX d.C.  As ruínas bem preservadas, com os seus mosaicos e frescos, são frequentemente comparadas a Pompeia e constituem uma visita a não perder para explorar as inúmeras ruínas romanas ali existentes.

O que pode ver neste Parque Arqueológico?

  • O Teatro Romano, que é uma estrutura monumental que ainda hoje recebe espetáculos;
  • A Praça das Corporações,  antigo coração comercial, decorada com impressionantes mosaicos que indicavam as rotas de comércio marítimo;
  • Os Insulae, prédios residenciais de vários andares muito bem preservados, que mostram como a população comum vivia;
  • As Termas e as Latrinas Públicas, ruínas fascinantes onde é possível ver o sistema de aquecimento romano e as antigas latrinas comunitárias;
  • O Capitólio, principal templo da cidade antiga, dedicado à tríade de deuses Júpiter, Juno e Minerva.

sexta-feira, julho 10, 2026

Carnaval Surrealista

Carnaval Surrealista

Carnaval Surrealista é uma pintura a óleo de Vito Campanella (1932 - 2014). A sua obra é predominantemente surrealista, sendo um dos artistas mais destacados desse movimento.

Vito Campanella foi um pintor italiano de grande relevância para a pintura surrealista. Ao longo de sua trajetória, viveu em diversas cidades, como Conversano, Florença e Milão, onde participou ativamente de movimentos artísticos locais. Transitando por diferentes correntes estéticas, encontrou no surrealismo a sua forma mais autêntica de expressão.

Em 1956, mudou-se para a Argentina com sua família, incorporando influências da cultura latino-americana na sua obra, sem nunca perder a ligação aos salões europeus. 

A sua pintura, marcada por um refinado simbolismo e uma técnica impecável, consolidou-se como um dos grandes legados do surrealismo moderno.

"Limito-me a pintar, a pintar incansavelmente. Comecei, em todo o caso, sendo um impressionista, depois passei para a pop art. Produzia no estilo da pop art quando ainda não era moda. Em seguida trilhei o que os críticos chamam de Surrealismo, que é o estilo que me permite expressa melhor o que penso. E se digo que os críticos me definem como surrealista não é para estabelecer discórdia, é simplesmente porque não consigo definir minha pintura. Eu pinto e pronto". Vito Campanella

quinta-feira, maio 07, 2026

O Croissant

A receita do croissant surgiu na Áustria, mas consolidou-se no território francês a partir de meados do século XIX. A sua origem é atribuída aos padeiros de Viena, onde era conhecido pelo nome de Kipferl desde o século XIII, sendo feito de tamanhos variados.

Para alguns autores, a origem do kipferl, viennoiserie antepassado do croissant, dá-se, assim, na Áustria entre os séculos XIII e XVII, e aparece também na Hungria e na Itália, mas não se sabe a receita exata (salgada ou doce) e nem se a massa era folhada ou não. Este tipo de pastelaria também pode ter tido as suas origens no Próximo Oriente e nas cozinhas do palácio de Topkapi, em Istambul, na Turquia.

Terá sido um oficial austríaco, August Zang, associado a um nobre vienense de nome Ernest Schwarzer, que os introduziu em Paris entre 1837 e 1839, abrindo uma padaria de nome Boulangerie Viennoise, cujo sucesso rapidamente inspirou imitadores a produzirem a massa.

Foi feito na França num primeiro momento por trabalhadores que imigraram de Viena, a viennoiserie começou em seguida a ser praticada pelos seus pupilos. A prática espalhou-se e começou a ser chamada de travail viennois (trabalho vienense), e o cozinheiro chamado de viennois (vienense). Dentre esses cozinheiros, distinguiam-se o croissantier, o biscottier e o pâtissier-viennois (pasteleiro-vienense).

No entanto, foi só a partir do começo do século XX que essas receitas, especialmente a do croissant, se tornaram um símbolo da culinária francesa.

O Croissant é, hoje, uma delícia francesa que se espalhou pelo mundo e que faz sucesso tanto na sua versão salgada quanto na doce. 

Ícone da confeitaria, este prato tem uma maciez irresistível e sabor amanteigado. 

A preparação envolve uma massa de farinha, sal, açúcar, água, fermento e, é claro, manteiga de alta qualidade.

O segredo está na técnica meticulosa de esticar e dobrar a massa, criando camadas delicadas e crocantes.

O segredo do croissant está portanto na massa, que deve ser semifolhada. A massa semifolhada possui menos gorduras, menos dobras e leva fermento biológico. As dobras são responsáveis pela separação da massa e das camadas de gordura que proporcionam a folhagem do croissant.

Um bom croissant deve ter um bom aspecto, como uma lua em quarto crescente, com uma crosta crocante e uma bela cor dourada. As pontas devem estar descoladas do meio, e o miolo deve ser alvo, aerado, e mostrar a consistência certa.

Depois de cuidadosamente assados, os croissants podem receber os mais diversos recheios, incluindo cremes, chocolate, geleias e outras delícias.

quarta-feira, abril 22, 2026

Amor é Tudo o que Você Precisa

 Amor é Tudo o que Você Precisa é um filme (2013) realizado pela cineasta dinamarquesa Susanne Bier e que conta no elenco com Pierce Brosnan, Trine Dyrholm e Molly Blixt Egelind.

Esta comédia romântica é passada em Sorrento e na Costa Amalfitana, na Itália. Duas famílias muito diferentes encontram-se numa casa de campo para festejar um grande casamento, planeado nos mínimos detalhes. Mas nada ocorre como esperado... No meio dos preparativos da grande festa, muita confusão, encontros, desencontros e grandes revelações. É uma história sobre um grupo de pessoas à procura de amor, paixão e felicidade, uma história sobre ciúme e solidão.

Sinopse:
A historia é sobre Ida (Trine Dyrholm) que acaba de se submeter a um tratamento de quimioterapia e ainda tem dúvidas se está totalmente curada, quando ao chegar a casa descobre que o marido a trai com uma jovem contabilista. Ainda por cima, sofre um acidente de carro quando está a ir para o casamento da filha, em plena Itália. O que Ida não imaginava é que o outro carro envolvido no acidente pertencesse a Philip (Pierce Brosnan), o pai do noivo. Diante desta situação, resolvem ir juntos para o local da cerimónia e, ao chegar, começam a envolver-se romanticamente.

terça-feira, abril 07, 2026

La Bohème

Ouça a cantora ítalo francesa Yuyu (Giuditta Guizzetti) em La Bohème  (vídeo oficial)

O regresso desta grande artista, Yuyu, numa bela interpretação, simultaneamente emocionante e envolvente, do hit de Charles Aznavour: La Bohème. Uma produção, tudo para ouvir.

terça-feira, março 24, 2026

O Retrato da Sra. Hasellter

 O Retrato da Sra. Hasellter (1942) é uma pintura a óleo sobre tela da artista surrealista ítalo argentina Leonor Fini. A obra, frequentemente associada à exploração de figuras femininas poderosas e enigmáticas por Fini, mede 78,7 x 67,3 cm e pertence a uma coleção particular. É um exemplo notável do seu estilo característico, que muitas vezes rejeitava as visões surrealistas tradicionais da mulher. O seu trabalho nem sempre se encaixava na concepção popular típica de surrealismo, às vezes explorando o tema da "femme fatale" sem qualquer imagem particularmente ambígua ou monstruosa. No entanto, a sua obra frequentemente incluía símbolos como esfinges, lobisomens e bruxas. Muitos dos seus personagens nas pinturas eram mulheres ou seres andróginos.

Leonor Fini (1907 - 1996) foi uma pintora, designer, ilustradora e escritora argentina, conhecida pelas suas ilustrações sensuais de mulheres.

Aos 17 anos, Leonor mudou-se para Milão e depois para Paris. Na capital francesa, fez amizade com Carlo Carrà e Giorgio de Chirico, grandes influenciadores de seu trabalho. Conheceu também Paul Éluard, Max Ernst, Georges Bataille, Henri Cartier-Bresson, Picasso, André Pieyre de Mandiargues e Salvador Dalí. 

Artista multifacetada, foi pintora, figurinista, designer, cenógrafa e escritora. A sua obra destacou-se pela representação de mulheres fortes e autónomas, desafiando os padrões da época. É frequentemente lembrada como a única artista a pintar mulheres "sem desculpas", retratando-as em situações provocantes e empoderadas.

Leonor Fini faleceu em janeiro de 1996, em Paris, tornando-se um símbolo na arte surrealista e na luta pela liberdade feminina na pintura.

segunda-feira, março 23, 2026

Bonjour Bonjour

Invadidos que somos pela música anglo-saxónica, hoje proponho-lhe que ouça música francesa com a cantora Yuyu em "Bonjour Bonjour" (vídeoclip oficial).

Yuyu (Giuditta Guizzetti) é uma artista ítalo francesa conhecida por sucessos como "Mon Petit Garçon" e "Bonjour Bonjour", incluindo também uma interpretação de "La Bohème". 

terça-feira, janeiro 20, 2026

O Visconde Cortado ao Meio

 O Visconde Cortado ao Meio é um livro do escritor italiano de Italo Calvino.

Sinopse:
Na guerra entre a Áustria e a Turquia de 1716, o visconde Medardo de Terralba é atingido no peito por uma bala de um canhão turco, e o que regressa a casa é apenas uma metade sua.

Este início cruel desencadeia uma fábula cadenciada como um bailado, na qual em redor do meio-visconde se movimentam e afadigam indivíduos mais reduzidos a metade do que ele: o doutor Trelawney, cuja ciência negligencia os seres humanos, o carpinteiro Pedro Prego, que constrói engenhos admiráveis tentando não pensar que são forcas, o moralismo abstrato dos refugiados huguenotes, o hedonismo decadente do asilo de leprosos.

Uma história fantástica que é também uma reflexão alegórica da condição do homem contemporâneo, sempre «alienado», mutilado, incapaz de alcançar a integridade, a completude. As invenções de Calvino são sempre abertas a muitos significados, apesar de poderem ser apreciadas por si só. Exemplo claro disso é a trilogia fantástica Os Nossos Antepassados, que este Visconde Cortado ao Meio inicia; seguem-se-lhe O Barão Trepador e O Cavaleiro Inexistente.

sexta-feira, setembro 26, 2025

Caponata de Berinjela

A ilha italiana da Sicília, bela região do sul de Itália, é conhecida pelo seu rico património culinário.

A Caponata é um prato típico da culinária desta região. É um prato vegetariano que se destaca pelo seu sabor agridoce. Combina uma base de beringela com outros legumes, como o tomate, a cebola, o aipo, as azeitonas e as alcaparras, e com um molho muito especial à base de vinagre e açúcar. Pode ainda levar pinhões, aipo e, principalmente em Palermo, peixe ou mariscos. É por vezes considerada uma variante italiana da ratatouille francesa.

A versão maltesa desta iguaria, "kapunata", leva também pimento e é servida para acompanhar pratos de peixe, ou como um prato leve, quente ou frio. 

A etimologia do nome não é totalmente conhecida. Alguns sugerem que deriva da língua Catalã, outros que vem do caupone, os bares dos marinheiros. Há quem refira que no passado o prato siciliano era similar à capponata Genovesa.

Em suma, a Caponata é o exemplo perfeito da diversidade de ingredientes e sabores que caracterizam a cozinha mediterrânica. E também é muito fácil de fazer, como pode verificar através da receita abaixo.

Ingredientes:

Para a base vegetal:
2 beringelas de tamanho médio.
2 tomates maduros (ou polpa de tomate)
1 cebola grande
2 talos de aipo
1/2 chávena de azeitonas verdes
2 colheres de sopa de alcaparras
Azeite virgem extra
Sal e pimenta a gosto

Para o molho agridoce:
3 colheres de sopa de vinagre de vinho tinto
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de sopa de sultanas
1 colher de sopa de pinhões
Folhas de manjericão fresco para guarnecer

Preparação:

Lave bem os legumes. Corte as beringelas em cubos médios. Adicione uma pitada de sal e deixe-as repousar durante cerca de 30 minutos para libertarem o sabor amargo.
Entretanto, descasque os tomates, corte a cebola e o aipo em pedaços pequenos e descaroce as azeitonas. De seguida, escorra e seque as beringelas com papel de cozinha — é importante que seja um papel absorvente!
Numa frigideira grande, aqueça bastante o azeite virgem extra em lume médio.
Refogue a cebola e o aipo e cozinhe em lume médio baixo até ficarem tenros. Em seguida, adicione os pedaços de beringela. Cozinhe até começarem a alourar.

Por fim, acrescente os tomates, as azeitonas e as alcaparras. Se necessário, adicione mais uma colher de sopa de azeite. Cozinhe durante cerca de 15 minutos, ou até os tomates ficarem macios.
Para fazer o molho agridoce, numa tigela pequena misture o vinagre e o açúcar, até o açúcar estar completamente dissolvido. Depois, junte as sultanas e os pinhões à mistura e já está!
Deite a mistura de molho agridoce sobre os legumes que cozinhou na frigideira.
Salteie durante alguns minutos em lume brando, até ter a certeza de que todos os sabores se misturaram e que o molho tem uma consistência mais espessa.
Quando estiver pronta, pode servir a caponata num prato grande e decorar com folhas de manjericão fresco!

A caponata siciliana pode ser consumida quente, morna ou fria, e permite muitas combinações diferentes, razão pela qual é uma receita original de antepasto (antipasti).

Experimente - a, como aperitivo, com um bom pedaço de pão torrado untado com um fio de azeite virgem extra, ou como guarnição de todo o tipo de carnes. Pode também misturá-la com massa fresca e adicionar - lhe um toque de parmesão.

quinta-feira, setembro 25, 2025

O Leopardo


O Leopardo (1963) é um filme realizado por Luchino Visconti, baseado no romance homónimo de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1958) e que conta no elenco com Burt Lencaster, Claudia Cardinale e Alain Delon.

Obra-prima "del grande maestro" italiano Luchino Visconti, foi Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Sinopse:
O filme retrata a Sicília de 1860. Em 1860, Garibaldi inicia o movimento de unificação de Itália. D. Fabrizio (Burt Lancaster) é um aristocrata que assiste à diminuição do seu poder e à sua corrupção moral, tenta manter o anterior modo de vida, apesar dos tempos de mudança. Para D. Fabrizio a ascensão da burguesia é uma ameaça.
 Mas numa manobra astuta, o aristocrata combina o casamento do seu sobrinho Tancredo (Alain Delon) com Angélica (Claudia Cardinale), filha de um rico e influente administrador de propriedades Calogero Sedara (Paolo Stoppa). Fiel aos seus valores, D. Fabrizio consegue assim manter acesa a chama do antigo regime. 
E agora veja um vídeo sobre esta obra-prima do cinema.

segunda-feira, julho 07, 2025

O Macaron

O Macaron é um dos doces franceses mais populares dos últimos tempos, mesmo no nosso país. 

Se for a Paris, nos Champs-Elysées vai encontrar a loja dos macarons mais famosos do mundo, a Ladurée, que é uma famosa casa de chá francesa, que já conta com uma filial em Lisboa, na Avenida da Liberdade. 

O macaron é um biscoito redondo, que pode ter entre 3 e 5 centímetros de diâmetro. A massa é feita de claras de ovos em neve, açúcar e farinha de amêndoas, que é cozida até ficar crocante por fora e macia por dentro. Este biscoito tem ainda um recheio cremoso que pode ter diversos sabores, como por exemplo de ganache, de creme de confeiteiro ou de geleia, entre outros. Originalmente, eram produzidos em sabores clássicos, como baunilha, morango, café e chocolate, mas profissionais criativos foram inventando sabores novos. Os macarons são conhecidos também pelas suas cores vibrantes, que podem variar bastante de acordo com o sabor. 

Apesar de ter origem italiana, o macaron popularizou-se em França, principalmente a partir do século XVI, quando foi levado para a corte francesa por Catarina de Médicis. 

A origem da palavra macaron vem de "maccherone". Na Itália, a palavra "maccherone" é usada para designar uma massa leve. Como o macaron era um biscoitinho leve feito de amêndoas, açúcar e claras, então recebeu esse nome. Quando Catarina de Médicis o levou para França, os franceses não sabiam pronunciar a palavra maccherone. Rapidamente afrancesaram o termo que acabou por se tornar macaron. 

A receita do "Doce da Rainha" – como eram conhecidos –  foi mantida em segredo e estavam apenas ao alcance da nobreza.

No sec. XVIII as irmãs do Convento de Saint-Sacrement (em Nancy, na Lorena) popularizaram os macarons quando os começaram a produzir e vender.

No século XIX, o confeiteiro Pierre Desfontaines, da Ladurée, teve a ideia de unir dois biscoitos com recheio, criando a versão que conhecemos hoje.

Deixo-lhe a seguir uma receita da Filipa Gomes (24 kitchen) e ainda dois vídeos sobre os macarons. 

O processo de preparação pode ser um desafio, pois a massa é delicada e requer técnicas específicas. É importante seguir as instruções com atenção, pois o macaron é um doce sensível à humidade e à temperatura. 

Ingredientes:
100 gr Açúcar de Confeiteiro
1 chávena Amêndoas Peladas e Laminadas
1 c. sopa Cacau em Pó
2 Ovos tamanho L
4 c. sopa Açucar Fino
1 lata Leite Condensado Cozido
Ladurée - Paris

Preparação:
1. Aqueça o forno a 175ºC e forre um tabuleiro com papel vegetal.
2. Junte amêndoas cruas laminadas e sem pele com açúcar de confeiteiro e triture tudo até ficar bem fino.
3. Adicione o cacau, e continue a triturar.
4. Quando tudo estiver em farinha, peneire para uma taça.
5. De seguida, bata as claras de ovo, e quando começar a formar uma espuma, adicione lentamente o açúcar fino, para que tudo fique bem incorporado.
6. Continue a bater até obter a consistência de picos duros, junte a farinha de amêndoa e envolva tudo suavemente.
7. Transfira a massa para um saco de pasteleiro e coloque no tabuleiro formas redondas com cerca de 3 centímetros cada, mantendo-as afastadas entre si.
8. Deixe repousar alguns minutos, e de seguida leve ao forno durante cerca de 15 minutos.
9. Por fim, recheie os macarons com leite condensado cozido, e deixe arrefecer antes de poder surpreender os seus convidados.

Aqui vai o 1º vídeo.
E agora o segundo. 

domingo, junho 15, 2025

O Macramê

O macramê (do árabe makrama "guardanapo", "toalha" ou "franja") é uma técnica de tecelagem manual com a utilização de nós. Originalmente o macramê era usado para fazer franjas ou barras em lençóis, cortinas e toalhas. 

Os espanhóis aprenderam esta técnica com os mouros e espalharam-na pelo Europa do sul no início do século XIV. 

Era uma arte bem estabelecida em França já nos séculos XIV e XV, sendo conhecida como filet-de-Carnassière, tendo sido introduzida na Inglaterra no final de 1600. A palavra "filet-de-Carnassière" é um termo histórico para macramê (ou macramé), um tipo de artesanato que envolve a criação de padrões e peças que utilizam nós feitos com corda ou com fio. 

O macramê floresceu na Itália nos séculos XVII e XVIII e gozou de enorme popularidade.

As freiras de Espanha e de França, especialistas em todas as formas de bordar e fazer rendas, foram rápidas em ver todas as possibilidades deste tipo de nós decorativos e desenvolveram esta técnica havendo hoje várias pinturas que podem ser vistas em museus e catedrais, particularmente no hemisfério norte, que mostram peças de roupa e panos de altar com temas religiosos elaboradas em macramê.

Foi especialmente durante meados do século XIX, na Inglaterra vitoriana, que o macramê se popularizou como uma forma de artesanato complementar destinado à decoração de interiores. 

Este tipo de artesanato extremamente versátil está outra vez na moda, em peças decorativas como por exemplo: suportes de vasos para plantas, painéis de parede, carteiras, argolas de guardanapo, bases de copos ou de jarros, porta chaves, cortinas em macramé, caminhos de mesa, cabeceiras de cama em macramé, etc.
Assista agora a um vídeo sobre O Macramê Passo a Passo: O Nó quadrado.
E agora veja um vídeo sobre o Macramê e a Decoração. 
E agora assista a uma aula sobre Macramé para Iniciantes.

sexta-feira, abril 18, 2025

Luciano Pavarotti: Lucia di Lammemoor & L´Arlesiana

Ouça o tenor italiano Luciano Pavarotti em Lucia di Lammemoor & 

L´Arlesiana (Londres1982). 

Lucia di Lammermoor, é uma ópera em 3 atos de Gaetano Donizetti, com libreto de Salvatore Cammarano, baseada no romance "The Bride of Lammermoor" (A Noiva de Lammermoor), de Walter Scott. 

Juntamente com Don Pasquale e L'elisir d'amore, é uma das óperas mais representadas de Donizetti na atualidade. A sua estreia ocorreu no Teatro San Carlo em setembro de 1835.


L'Arlesiana é uma ópera em três atos de Francesco Cilea com libreto italiano de Leopoldo Marenco. Foi originalmente escrito em quatro atos e foi apresentado pela primeira vez em novembro de 1897 no Teatro Lirico em Milão. Foi revista como uma ópera de três atos em 1898, e um prelúdio foi adicionado em 1937. É baseada numa história de Alphonse Daudet. 

L'Arlesiana é uma trágica história de amor, frustração e obsessão.

segunda-feira, abril 07, 2025

Una furtiva lagrima e Nessun dorma

Ouça o tenor italiano Luciano Pavarotti (1935 -2007) em Una furtiva lagrima, ária da ópera L'elisir d' amore e Nessun dorma da ópera Turandot de Giacomo Puccini (Londres, 1982). 

L'elisir d'amore é uma ópera-bufa em dois atos de Gaetano Donizetti, com libreto de Felice Romani. Estreou no Teatro della Canobbiana de Milão, Itália, em 12 de maio de 1832. A ação decorre numa pequena aldeia basca, no final do século XVIII.

A obra foi criada em duas semanas, sendo uma semana para a poesia e outra para a música, a pedido do gerente do teatro, que precisava de uma peça com urgência, já que o compositor originalmente contratado não entregara a obra prometida.

As árias famosas desta ópera são:

Quanto è bella (Nemorino);
Come paride (Beclore);
Udite, udite o rustici (Dulcamara);
Una furtiva lacrima (Nemorino)
Prendi, per me sei libero (Adina).

"Nessun dorma" ("Ninguém durma", em italiano) é uma famosa ária do último ato da ópera Turandot criada em 1926 por Giacomo Puccini. A ária refere-se à proclamação da princesa Turandot, determinando que ninguém deve dormir: todos passarão a noite tentando descobrir o nome do príncipe desconhecido, Calaf, que aceitou o desafio. Calaf canta, certo de que o esforço deles será em vão.
Turandot, última ópera de Giacomo Puccini, composta em três atos, com libreto de Giuseppe Adami e Renato Simoni, baseado numa peça (1762) de Carlo Gozzi com a adaptação de Friedrich von Schiller. Estreou no Teatro alla Scala em Milão em 25 de abril de 1926, sob a regência de Arturo Toscanini. Esta ópera ficou inacabada por causa da morte do autor, a 29 de novembro de 1924, sendo completada por Franco Alfano.

sábado, março 29, 2025

O Nascimento de Vénus

O Nascimento de Vénus é uma pintura (1482) de Sandro Botticelli. É de têmpera sobre tela e mede 172,5 cm de altura por 278,5 cm de largura.

Faz parte, em conjunto com a tela A Alegoria da Primavera realizada entre 1477 e 1478, de uma encomenda de Lorenzo di Pier Francesco de Médici, primo do influente Lourenço de Medicis, o Magnífico, que as queria colocar na Villa Medicea di Castello, uma das Villas da família.

Vénus, deusa do amor, nasceu assim, segundo Botticelli, em O Nascimento de Vénus. Ao pintar o amor encarnado, o ideal de perfeição, ele traduz, talvez, a nossa esperança de que o amor seja perfeito?!