A Biblioteca Central e Centro de Documentação da Universidade de Teerão (ou Ketabkhane Markazi Daneshgah Tehran, no Irão) é uma das mais antigas e prestigiadas bibliotecas universitárias da região, com uma vasta coleção de manuscritos raros em persa e fontes islâmicas e um dos principais centros de investigação do Médio Oriente.
O imponente e moderno edifício de 9 andares, localizado na Avenida Enghelab, foi projetado pelo arquiteto Bahman Paknia (com contributos de peritos da UNESCO) e inaugurado formalmente em 1971.
Sendo a maior biblioteca académica do Irão inclui uma rica e vasta seleção de recursos em diferentes campos da Ciência, Tecnologia e Literatura.
O acervo da biblioteca inclui mais de um milhão de livros, publicações periódicas, manuscritos, microfilmes, cópias pictóricas, documentos e fotografias históricas, livros litográficos, dissertações académicas, documentos científicos e mapas, mais de 120.000 livros em Inglês, Francês, Alemão, Russo, Italiano, entre outras línguas.
A biblioteca possui um valioso conjunto de manuscritos, incluindo documentos históricos, microfilmes, manuscritos pictóricos, livros raros, livros litográficos, fotografias históricas e caligrafia de estudiosos e políticos. Esta colecção inclui cerca de 17.000 volumes de manuscritos em persa, bem como outras línguas.
O Estreito de Ormuz está situado na entrada do Golfo Pérsico, entre Omã, localizado na Península Arábica e o Irão. Trata-se de uma via marítima estratégica por onde transita mais de 40% do petróleo mundial e 20% de transporte marítimo mundial. De pequena extensão, tem 54 km de largura mínima e seu trecho mais largo não passa de 100 km.
Portugal controlou o Estreito de Ormuz durante grande parte do século XVI e início do XVII. O domínio sobre esta passagem foi um dos pilares da estratégia deAfonso de Albuquerque para estabelecer o Império Português no Oriente.
Aqui estão os pontos principais desse período histórico:
A Conquista (1507 e 1515): Afonso de Albuquerque compreendeu que, para controlar o comércio de especiarias no Oceano Índico, era necessário dominar três pontos-chave: Áden, Malaca e Ormuz;
O Papel do Forte de Ormuz: Os portugueses construíram o imponente Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz. Ainda hoje é possível visitar as ruínas da fortaleza portuguesa na ilha de Ormuz, onde as paredes de pedra avermelhada e as cisternas de água permanecem como testemunhos dessa época. A partir dali, controlavam quem entrava e saía do Golfo Pérsico;
O Sistema de Cartazes: Qualquer navio que quisesse navegar na região precisava de uma licença paga aos portugueses (o cartaz);
A Alfândega: Ormuz tornou-se uma das fontes de rendimento mais lucrativas para o império, devido às taxas alfandegárias cobradas sobre cavalos, seda e especiarias;
A Perda do Controlo (1622): O domínio português durou cerca de 107 anos, mas terminou devido à ascensão de novas potências e alianças locais, nomeadamente a Aliança Anglo-Persa (o xá persa Abbas I desejava expulsar os portugueses, mas não tinha frota. Aliou-se, então, à Companhia Inglesa das Índias Orientais, que forneceu o apoio naval necessário);
A Queda: Após um cerco intenso em 1622, a guarnição portuguesa rendeu-se. A cidade de Ormuz foi praticamente destruída e o centro de comércio foi transferido para o continente (Bandar Abbas).
Não deixe de assistir agora, ao vídeo abaixo, que lhe fala sobre este período da História de Portugal.
ATorre Milad (Milad Tower), também conhecida como aTorre de Teerão, tem 435 m e é a sexta torre mais alta do mundo e a 24ª maior estrutura independente do mundo. A construção da torre foi iniciada em 1997 e concluída após 11 anos, em 2008. É um edifício multifuncional localizado na capital do Irão.
A Milad Towertem uma base octogonal, simbolizando a tradicional arquitetura persa. Possui escadaria e elevadores para chegar ao topo e faz parte do Centro de Convenções Internacional de Teerão.
O projeto inclui restaurantes, torre de telecomunicações, hotel cinco estrelas, centro de convenções, um centro de comércio, e um parque de TI.
A sua antena possui 100 metros, a torre tem na parte superior 12 andares de metal e vidro, onde funcionam um restaurante panorâmico, uma galeria de arte e um terraço.
Ainda outro vídeo sobre a Torre Milad.
Na Torre de Teerão também se praticam desportos radicais.
A Torre Azadi ou Torre da Liberdade é um dos símbolos de Teerão. A torre, construída em 1971 por ocasião das comemorações dos 2 500 anos do Império Persa, foi chamada originalmente Shahyād, que significa "memorial dos reis". Passou a chamar-se Azadi "liberdade" a partir dos protestos que tiveram lugar em 12 de dezembro de 1978 que conduziriam à Revolução Islâmica de 1979. Esta Revolução transformou o Irão, até aí uma monarquia autocrática pró-Ocidente comandada pelo Xá Mohammad Reza Pahlevi, numa república islâmica teocrática sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini.
A Torre foi concebida pelo arquiteto Hossein Amanat, que aos 24 anos apresentou o projeto vencedor do concurso realizado em 1966. A Torre Azadi combina os elementos arquitetónicos dos períodos Aqueménida e Sassânida e da arquitetura islâmica. Tem 45 m de altura e é inteiramente revestida por 25 000 placas de mármore branco de Isfahan. Um museu e várias fontes completam o conjunto.
A torre está situada no centro da Praça Azadi, cuja área é de 50 000 m². Nessa praça aconteceram as manifestações que conduziram à Revolução de 1979 e que transformaram o país numa ditadura islâmica teocrática.
Na República Islâmica do Irão, onde 98% da população é muçulmana quase não se sente a chegada do Natal , exceto nos bairros cristãos das grandes cidades, onde é possível ver pinheiros decorados.
Embora o Natal não seja oficialmente reconhecido no país, é no Irão, antiga Pérsia, que se crê terem vivido os três Reis Magos.
Os iranianos nascidos num lar cristão e frequentadores de uma das igrejas tradicionais têm a sua própria maneira de comemorar o Natal.
Hoje em dia os cristãos iranianos iniciam o seu jejum de produtos à base de carne no dia 1 de Dezembro, naquele que é conhecido como o Pequeno Jejum (quetem o objetivo de purificar a mente, corpo e alma para receber Cristo), por oposição ao jejum de 40 dias da Quaresma. A véspera de Natal é o ultimo dia do jejum, e as pessoas reúnem-se para irem ao culto antes do amanhecer.
Assim, depois da Missa de 25 de Dezembro tem lugar o Pequeno Banquete - o Grande Banquete tem lugar na Páscoa. O prato central do Pequeno Banquete é composto por um cozido de galinha denominado harasa.
Os cristãos noIrão podem ser divididos em três grupos, com três maneiras diferentes de celebrar o nascimento de Cristo.
Os "nativos", em maior número, são descendentes das primeiras comunidades cristãs, católicas e ortodoxas, com tradições da Arménia (que têm uma forte presença emIsfahan) e Assíria. Quase todos são cidadãos iranianos, discriminados ao nível legal e social, mas com status legal, desfrutando de liberdade de culto. Celebram, por isso o Natal, decorando árvores, trocando presentes e indo ao culto. Esses cristãos, descendentes de igrejas tradicionais no Irão, são livres para praticar a sua religião nas suas casas e igrejas. Não podem, contudo, como os outros iranianos, festejar nas ruas ou restaurantes, pois certos alimentos, música, roupas e gestos são proibidos. Para celebrar em paz, a melhor opção é fazê-lo em particular.
Há também os cristãos estrangeiros, que trabalham ou moram no Irão, de diferentes tradições religiosas, que celebram o Natal de acordo com sua cultura. São, contudo, pequenas comunidades com membros que vivem permanentemente no Irão.
Há ainda os cristãos secretos que são o terceiro grupo de cristãos. Eles celebram o Natal correndo riscos. A vigilância da polícia sobre as igrejas não é apenas para garantir a ordem pública, mas também para controlar a frequência ao culto daqueles que não são "legalmente" cristãos.
Normalmente não há no Natal iraniano troca de prendas, mas as crianças vestem sempre roupas novas que orgulhosamente exibem no dia de Natal.
Cópia Fiel é um filme (drama) realizado por Abbas Kiarostami e que conta no elenco com: Juliette Binoche, William Shimell, Adrian Moore e Jean-Claude Carrière.
Cópia Fiel (2011)foi o penúltimo filme do brilhante realizador iraniano Abbas Kiarostami, dono de umavdas filmografias mais notáveis da história do cinema. Mesmo próximo do final da sua carreira, Kiarostami continuou a fazer aquilo que se acostumou a fazer, uma obra-prima.
Sinopse: James Miller (William Shimell) é um filósofo inglês que vai a uma pequena cidade da Toscânia apresentar o seu livro sobre o valor da cópia na arte. Ao chegar lá, encontra Elle (Juliete Binoche), uma francesa que é dona de uma galeria de arte há muitos anos, e que vive com o filho pré-adolescente (Adrian Moore). Passam a tarde juntos. Ao mesmo tempo que se vão conhecendo, começam a desenvolver um complexo jogo de interpretação de personagens.
Às Cinco da Tarde é um filme iraniano (drama) de 2003, realizado por Samira Makhmalbaf com roteiro de Samira Makhmalbaf e de Mohsen Makhmalbaf. Passa-se nas ruínas bombardeadas de Cabul, e conta a história da ambiciosa Noqreh. Às Cinco da Tarde conta no elenco com: Agheleh Rezaie - Noqreh, Abdolgani Yousefrazi - Pai de Noqreh, Razi Mohebi - Poeta e Marzieh Amiri - Leylomah.
O título do filme Às Cinco da Tarde, vem de um um poema de Federico García Lorca e narra a luta de uma jovem pela educação, no Afeganistão pós-Talibã, e mostra a dura realidade do país e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres.
Sinopse: Após a queda do regime talibã no Afeganistão as mulheres podem voltar a estudar nas escolas. Uma delas Noqreh (Agheleh Rezaie), busca educação numa escola não religiosa, inspirada por professores e pela poesia de Federico García Lorca. Vai para a escola às escondidas, devido a desaprovação de seu pai (Abdolgani Yousefrazi). Na escola é realizado um debate entre as jovens que sonham em tornar-se presidentes do Afeganistão, o que faz com que Noqreh passe a sonhar com esta ideia. Entretanto, precisa de aprender a lidar com a dura realidade do seu país, o que inclui a sua cunhada Leylomah (Marzieh Amiri) e o bebé dela, que não tem o que comer.
O filme acompanha-a na descoberta do seu papel na sociedade e no sonho de ser presidente.
Não é Hollywood que mais tem alertado para o facto do regime Talibã ser um dos piores regimes do mundo. São os cineastas afegãos e muçulmanos de outros países, na sua maioria, que mais têm chamado a atenção para este assunto.
Denso e alegórico, o filme baseado numa história verídica, mistura um interessante esquema dual entre uma narrativa documental e aspectos do cinema "ficcional".
Sinopse: Uma jovem jornalista nascida na Índia mas filha de pais afegãos (Niloufar Pazira), residindo no Canadá, decide retornar ao seu país, após receber uma carta da irmã relatando que se iria suicidar antes que ocorresse o próximo eclipse solar (na viragem para o século XXI). Nafas resolve então retornar ao Afeganistão a fim de tentar salvar a sua irmã.
A partir do momento da entrada no país, de onde tinha fugido no meio de uma guerra civil provocada pelos Talibãs, dá-se conta da situação do Afeganistão com as imposições do regime fundamentalista islâmico e vive momentos de suspense para ir ao encontro da irmã.
A romã é um fruto típico do outono e nalguns países tem um grande simbolismo. É uma das frutas mais antigas que se conhece e, provavelmente, a fruta com maior capacidade medicinal comprovada. Está à nossa disposição entre setembro e dezembro. Pensa-se que terá tido origem na região do Irão, antiga Pérsia ou norte da Índia, acabando por se difundir pela região do mediterrâneo.
A romã aparece nos textos bíblicos e está associada às paixões e à fecundidade. Os gregos consideravam-na como símbolo do amor e da fecundidade. A árvore da romã foi consagrada à deusa Afrodite, pois acreditava-se nos seus poderes afrodisíacos. Para os judeus, a romã é um símbolo religioso com profundo significado no ritual do ano novo porque acreditam sempre que o ano que chega será sempre melhor do que aquele que se vai embora.
A romã pode ser consumida de diversas formas, em sobremesas, como ornamento de vários pratos, em sumo(o sumo de romã tem um conteúdo em polifenóis três vezes superior ao do vinho tinto e do chá verde, substâncias que ajudam a prevenir as doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro), em licor, e ao natural.
Se quiser aproveitar as romãs que tem no seu quintal, aqui lhe deixo algumas receitas de Licor de Romã:
Ingredientes:
1,500 kg de romã, já descascada 1 litro de água 800 g de açúcar branco 1 litro de aguardente (pode ser de medronho, de figo ou de outro tipo se preferir).
Preparação: Comece por esmagar os bagos de romã, a seguir adicione a água e leve ao lume, durante cerca de oito minutos. Terminado o tempo, retire do lume, passe no passador de rede e, a seguir, passe no passador de pano.
Depois leve ao lume juntamente com o açúcar e deixe cozer durante trinta minutos. Terminado este processo, deixe arrefecer um pouco e misture na aguardente.
Resultado final: Muito bom!
Nota: Pode acrescentar, na calda de açúcar, canela em pau ou outras especiarias a seu gosto).
Tortura Branca, Testemunhos de Prisioneiras Políticas Iranianas é um livro da escritora iraniana Narges Mohammadi.
A ativista de 51 anos ficou conhecida por lutar contra a pena de morte no Irão, um dos países que mais utiliza este método de punição. Mohammadi está na prisão de Evin, em Teerão (capital do Irão), cujos presos incluem pessoas ligadas ao ocidente e presos políticos.
Sinopse:
Em Tortura Branca, Narges Mohammadi, Prémio Nobel da Paz, revela as experiências de catorze mulheres, incluindo ela própria, nas prisões mais infames da República Islâmica do Irão.
Nenhuma destas mulheres cometeu qualquer crime: são prisioneiras de consciência ou reféns usadas como moeda de troca. Através da tortura física e psicológica, o Estado iraniano acredita que pode reabilitar as suas almas. As entrevistas recolhidas em Tortura Branca, realizadas enquanto todas as prisioneiras estavam na prisão ou a aguardar julgamento, são documentos impressionantes de humanidade, resiliência e integridade.
Enquanto os iranianos continuam a lutar pelo movimento "Mulheres, Vida, Liberdade", Tortura Branca condena o regime teocrático iraniano pelos seus crimes.
Ricardo e a Pintura é um filme (documentário) do realizador suíço-iraniano Barbet Schroeder, que começou no cinema como produtor da "nouvelle vague" francesa. No 𝐅𝐞𝐬𝐭𝐢𝐯𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐋𝐨𝐜𝐚𝐫𝐧𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟑 ganhou o 𝐋𝐞𝐨𝐩𝐚𝐫𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐇𝐨𝐧𝐫𝐚.
De Buenos Aires à Finisterra, passando por Paris e pelo Peru, o filme convida-nos a mergulhar na história da pintura e dos grandes artistas (da gruta de Chauvet à arte Grega ou aos Aztecas, a Tiepolo, Caravaggio e Velazquez, ao Cubismo, Braque e Picasso) navegando pela história da arte e reconstituindo-a de forma original e viva, e a descobrir a vida de um homem excepcional, que, totalmente comprometido com a sua paixão pela arte e com uma enorme generosidade, transmite esta paixão às crianças da aldeia bretã onde acabou por se radicar.
"Este filme é, com toda a modéstia e inteligência perspicaz, uma aprazível viagem à história da pintura."
Libération (Anne Diatkine)
Sinopse: Ricardo e a Pintura é o retrato íntimo e luminoso, traçado por Barbet Schroeder, do seu amigo Ricardo Cavallo, que consagrou toda a sua vida à pintura. De Buenos Aires à Finisterra, passando por Paris e pelo Peru, o filme convida-nos a mergulhar na história da pintura e dos grandes artistas, e a descobrir a vida deste homem excepcional, que, totalmente comprometido com a sua paixão pela arte e com uma enorme generosidade, transmite esta paixão às crianças da aldeia bretã onde acabou por se radicar.
Se tem algum adolescente em casa, agora que o Natal se aproxima, deixo-lhe aqui uma sugestão de um livro: Persépolis de Marjane Satrapi.
Este é um livro aconselhado pelo Plano Nacional de Leitura (Ler +).
"Uma fascinante autobiografia em formato gráfico. Associando textos de uma simplicidade quase infantil (ainda que muito poética) e desenhos a preto e branco que evocam as iluminuras medievais, Marjane Satrapi desafia a imagem que os ocidentais têm do Irão contemporâneo." - L’Express
"Um livro inteligente, muito relevante e profundamente humano" - BBC
Sinopse:
"Estamos em 1979 e, no Irão, sopram os ventos de mudança. O Xá foi deposto, mas a Revolução foi desviada do seu objetivo secular pelo Ayatollah e os seus mercenários fundamentalistas. Marjane Satrapi é uma criança de dez anos irreverente e rebelde, filha de um casal de classe alta e convicções marxistas. Vive em Teerão e, apesar de conhecer bem o materialismo dialético, ter um fetiche por Che Guevara e acreditar que consegue falar diretamente com Deus, é uma criança como qualquer outra, mergulhada em circunstâncias extraordinárias. Nesta autobiografia gráfica, narrada com ilustrações monocromáticas simples mas muito eloquentes, Satrapi conta a história de uma adolescência durante a qual familiares e amigos "desaparecem", mulheres e raparigas são obrigadas a usar véu, os bombardeamentos iraquianos fazem parte do quotidiano e a música rock é ilegal. Contudo, a sua família resiste, tentando viver uma vida com um sentido de normalidade".
Com esta memória inteligente, divertida e comovente de uma rapariga que cresce no Irão durante a Revolução Islâmica, Marjane Satrapi consegue transmitir uma mensagem universal de liberdade e tolerância.
O Irão é um país com uma cultura e uma história ricas, pelo que as suas cidades oferecem aos visitantes muitos testemunhos dessa riqueza. A descoberta dos seus museus é fundamental e demonstra o património cultural deste país.
O Museu Nacional de Joiasdo Irão (situado em Teerão) é um dos 10 melhores museus de joalharia do mundo. O Tesouro das Joias Nacionais, é um museu que depende do Banco Central do Irão, que é o seu guardião legal, sendo de visita incontornável. Reúne os tesouros dos monarcas das dinastias Safávida,Qajar e Pahlavi, e a preciosa colecção, tendo por estrela o Trono do Pavão (ou o Trono do Sol), inclui joalharia, tronos, globos, coroas, tiaras, joias e armas de todos os formatos e tamanhos, com pedras preciosas e diamantes de vários quilates (o diamante rosa mais caro do mundo também está na coleção) e outras aparatosas peças preciosas que deixarão certamente qualquer visitante deslumbrado.
A colecção conheceu um grande crescimento a partir da década de 1930, pelo que é hoje considerada uma das mais famosas e melhores colecções de diamantes e outras joias a nível mundial. Segundo o Financial Tribune, "o valor desta colecção é certamente incalculável".
O Museu do Tesouro Iraniano que fica num bunker no Irão, está protegido por um esquema de segurança rigoroso e é considerado inviolável. Propriedade do Banco Central do Irão, acolhe no seu subsolo, cercada de muita segurança, uma assombrosa coleção de pedras e metais preciosos de valor incalculável, desde o século XIV até ao século XX.
Este museu tem acesso limitado. Como tal, planeie a sua visita com antecedência. A segurança é apertada e máquinas fotográficas, telemóveis, mochilas, bolsas, etc. têm de ser deixados à entrada na recepção.
Se não pode ir até lá, não deixe de fazer esta viagem virtual, e de ver a apresentação que se segue.
O Noruz ou "Dia Novo" é uma festa tradicional da Ásia Central que celebra o Ano Novo do calendário persa - marcando a renovação da natureza (primeiro dia da primavera). A saudação usual nesta festividade é: Noruz Mubarak que significa Feliz Ano Novo.
O Noruz pode acontecer no dia 20, 21 ou 22 de março do calendário Gregoriano, dependendo do momento em que ocorre o equinócio de primavera.
A celebração do Noruz ocorre há pelo menos 3 000 anos e está profundamente enraizada nos rituais e nas tradições do Zoroastrismo. Atualmente, acontece em muitos países que fizeram parte dos antigos impérios iranianos ou que sofreram a sua influência.
Assim, fora do Irão, é comemorado no Curdistão, no Afeganistão, na Albânia, nas antigas repúblicas soviéticas do Tajiquistão, Uzbequistão, Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão, e ainda na Macedónia do Norte, na Turquia e no Turcomenistão) e também por várias comunidades de origem iraniana, em todo o Médio Oriente. Além disso, o Noruz também é comemorado pelos parses zoroastrianos, na Índia.
O dia 21 de março foi proclamado Dia Internacional do Noruz pela Assembleia Geral das Nações Unidas, por iniciativa de vários países que compartilham este feriado, e foi inscrito, em 2009, na Relação Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, como uma tradição cultural observada por numerosos povos e que promove valores de paz e solidariedade entre gerações e dentro das famílias, bem como a reconciliação, a aproximação e a amizade entre diferentes povos.
Uma característica tradicional e específica deste período é a de se fazerem reuniões com a família e os amigos em volta de uma mesa decorada com objetos que simbolizam pureza, luminosidade, vida e prosperidade. Os participantes das celebrações vestem roupas novas e visitam vizinhos e parentes, principalmente os idosos. Também são feitos presentes, especialmente para as crianças, que geralmente consistem em objetos feitos por artesãos. Neste festival de Ano Novo há apresentações de música de rua e dança, ritos de água e fogo que são celebrados em público. Também são organizadas competições desportivas tradicionais, faz-se e vende-se artesanato diverso, etc.
Outra caractetística importante do Nortuz é o Haft sîn. O Haft sîn ou "sete sîn" é uma tradição ligada ao Noruz. No Ano Novo, sete itens, cujos nomes comecem com a letra sîn (ou seja s), devem ser dispostos sobre uma mesa ou sobre tapetes, num espaço reservado para receber convidados. Segundo a tradição, os sete itens são:
sabzeh - rebentos de trigo, cevada ou lentilha (a germinar) colocados num prato ou vaso, como símbolo do renascimento.
samanu - um doce feito de germe de trigo, simbolizando a afluência.
senjed - o fruto seco da oliveira do paraíso (Eleagnus angustifolia), que simboliza o amor
sîr - o alho, que simboliza remédio ou cura
sîb - maçãs, que são o símbolo da beleza e da saúde
somaq- uma especiaria extraída dos frutos secos da Rhus coriaria, que simboliza o nascer do sol.
serkeh - o vinagre que simboliza a longevidade e a paciência.
Eventualmente, alguns elementos tradicionais podem ser substituídos por outros, cujo nome também comece com a letra sîn.
A Amnistia Internacional – Portugal colocou três novos outdoors "que pretendem alertar para a repressão sobre a liberdade de expressão e de reunião pacífica que se faz sentir no Irão, face às contínuas manifestações após a morte de Mahsa Amini. Apesar de as manifestações refletirem a dimensão da revolta coletiva no país perante as leis abusivas da obrigatoriedade do uso do hijab (véu), as autoridades iranianas têm atuado com violência e impunidade, recorrendo ao uso deliberado e ilegal de armas de fogo contra as corajosas pessoas que saem às ruas".
"A atuação por parte das forças de segurança do Irão tem sido uma violação diária dos direitos humanos das pessoas que utilizam a sua voz de forma audaz para reivindicar por justiça, dignidade e liberdade em todo o país"
O Épico dos Reisou Livro dos Reis ou mesmo Xanamé (Shahnameh em persa) é uma grande obra poética escrita no século X, pelo escritor iraniano Ferdowsi, que narra a história e a mitologia do Irão, desde a criação do mundo até à sua conquista pelos árabes no século VII. A elaboração desta obra levou cerca de 30 anos e o livro é constituído por 62 histórias (990 capítulos) e 56 700 dísticos (estrofes de dois versos).
Após a conquista árabe, o pálavi falado no Império Sassânida desapareceu dos documentos escritos, sendo substituído pelo árabe. O idioma reaparece no século IX, já como persa moderno, resultante da transformação oral do pálavi, mediante a incorporação de palavras árabes. Embora o persa já fosse então utilizado por alguns escritores iranianos, nenhum deles tinha produzido uma obra literária tão significativa como a de Ferdowsi.
O Épico dos Reis é, por isso, visto como o momento do ressurgimento da língua persa e Ferdowsi considerado um herói nacional. Tal como a Divina Comédia de Dante estabeleceu os padrões da língua italiana, o Épico dos Reis correspondeu à certidão de nascimento da língua persa.
No vídeo abaixo pode ver o Shahnameh ou o Épico dos Reis Persas, obra-prima da literatura mundial, adaptado para a atualidade.
Sabia que existem algumas palavras portuguesas de origem Persa? O persa enriqueceu, portanto, o português.
Na nossa língua existem muitas palavras do reino da Pérsia. Algumas delas são: laranja, limão, berinjela, pato, açúcar, pijama, tafetá, cáqui, quiosque, divã, lilás, jasmim, chacal, caravana, bazar, xeque, persiana.
Aqui lhe deixo algumas explicações para a existência destas palavras na nossa língua.
1. Açúcar
A palavra entrou nas línguas europeias a partir do árabe "as-sukkar", por duas vias: a via italiana, que levou a palavra até ao francês e ao inglês (entre outras), e a via ibérica, que nos deu a palavra "açúcar".
Ora, os árabes também já tinham ido buscar esta palavra ao persa, onde era "šakar". A palavra persa tem uma origem mais remota: o sânscrito "śárkarā".
2. Laranja e Limão
As palavras Laranja e Limão fizeram o mesmo caminho até ao português: "laranja", por exemplo, veio da "nārang" persa, passando pelo árabe (e, tal como no caso do açúcar, também já tinha vindo do sânscrito). A palavra "Laranja" em árabe diz-se "alburtuqaliu", que liga este fruto como originário ou que foi trazido de Portugal.
Também o "limão" veio do árabe "laymūn", que tinha vindo do persa "limu".
3. Pato
A palavra pato fez o mesmo caminho: do "bat" persa, passou ao "baṭṭ" árabe, que na nossa península se transformou em "pato"..
4. Xadrez
A palavra Xadrez começou no sânscrito, de onde passou ao persa, onde se dizia "šatrang", que a emprestou ao árabe, na forma "aš-šaṭranj", que a ofereceu às línguas ibéricas, acabando no nosso português como "xadrez".
Já que falamos de xadrez, diga-se que "xeque" e "xeque-mate" também são de origem persa — e, por acaso, "cheque" (de dinheiro) também.
6. Pijama
A palavra Pijama surgiu de forma um pouco diferente: começou no persa "pāy-jāma", que significava "roupa para as pernas", e passou para o hindi e urdu com a mesma forma.
Na Índia, os europeus (portugueses e ingleses entre eles) encontraram este tipo de roupa noturna e começaram a usá-la, aproveitando o nome.
Com o tempo, os ingleses trouxeram a palavra até à Europa. O inglês "pyjama" acabou por se espalhar pelas outras línguas — até chegar ao português.
7. Azul
Esta palavra tem origem no nome da pedra "lápis-lazúli", que já se extraía nas montanhas do Afeganistão há quase 10 000 anos.
O nome persa da pedra passou ao árabe, que o trouxe na forma "lāzuward" até à Península Ibérica.
Esta palavra acabou por dar origem ao "azul" com que, em várias línguas ibéricas, nos referimos à cor daquela rocha.
8. Magia
A palavra "magia" veio do latim "magia", aonde tinha chegado vinda do grego «μαγεία» — que significa "a arte do mago".
E de onde veio a palavra mago? Do antigo persa…
E agora assista ao vídeo abaixo que lhe fornece mais explicações sobre este assunto. Não perca. Vale mesmo a pena.
Ouça em baixo um poema de Hafez de Shiraz - "A Casa da Esperança".
Hafez é um poeta que vive na alma do povo iraniano até aos dias de hoje.
Hāfez ou Hafiz, foi um poeta lírico e místico persa, nascido entre 1310 e 1337 na cidade de Xiraz na Pérsia (Irão), filho de Baha-ud-Din.
As suas obras selecionadas (Divã) podem ser encontradas nas casas da maioria dos iranianos, que aprendem os seus poemas de cor e os usam como provérbios e ditados até hoje. A sua vida e os seus poemas têm sido objeto de muitas análises, comentários e interpretações e têm influenciado a literatura persa pós-século XIV mais do que qualquer outra coisa.
Os principais temas de seus gazeis são o amor, a celebração do vinho e da embriaguez e a exposição da hipocrisia daqueles que se colocaram como guardiões, juízes e exemplos de retidão moral. Os seus poemas líricos são notáveis pela beleza, pelo fruir do amor e pelo misticismo.
Taarof é a arte persa da etiqueta. O Ta'aruf ou Taaruf é um conjunto de regras de etiqueta social, que norteiam todas as relações no Irão, quer seja dentro quer seja fora de casa, e causam grande estranheza aos estrangeiros. O Taaruf é então um código que regula a vida social nos negócios, família, namoros, etc. É uma espécie de competição pela atitude mais humilde perante os outros – sejam eles convidados, familiares ou parceiros de negócio. É uma atitude bastante louvável e que demonstra uma grande educação. Mas está tão enraizada que, por vezes, é difícil perceber as verdadeiras intenções e personalidade das pessoas. Porque, basicamente, há muitas pessoas que estão a dizer que não, mas o que querem mesmo dizer é que sim e vice-versa.
Um exemplo de taaruf acontece com aqueles que andam de autocarro ou de avião e se sentam num lugar à frente de alguém. Deve-se pedir desculpas a quem está atrás pelo simples facto de que o outro está a ver as suas costas.
Outro exemplo é o que aconteceu a um jornalista americano que elogiou o relógio de um vendedor de tapetes. O que ele não sabia é que, de acordo com o taaruf, o dono do objeto elogiado é obrigado a oferecê-lo. O homem aceitou o presente e saiu da loja, o que fez o vendedor ir atrás dele para explicar o mal entendido e reaver o relógio.
Se, numa viagem ao Irão, pedir a algum iraniano para lhe comprar qualquer coisa e este, depois, não quiser receber o dinheiro correspondente, é porque está a fazer Ta'aruf. Assim, deve continuar a insistir porque à terceira vez ele acaba por receber o dinheiro.
" (...) Excepto... bem, aconteceu uma coisa com um rapaz numa loja de sumos. Ele recusou-se a aceitar o nosso dinheiro, mas uns minutos depois veio atrás de nós pela rua abaixo para no-lo pedir. (...) - ... é taarof - Hamid ri-se muito - . (...) Um homem não pode receber primeira vez, não, não pode aceitar - Hamid faz tsk várias vezes e abana a cabeça como fez o rapaz - nem segunda vez - fecha os olhos e põe uma mão sobre o coração - ... depois terceira vez tudo bem. É o costume". (...).
Lua-de-Mel no Irão, AlisonWearing, Gótica, Lisboa, 2001.