sexta-feira, fevereiro 14, 2025

Ser Poeta (Perdidamente)

Ouça o grupo português Trovante na canção Ser Poeta (Perdidamente) - letra de Florbela Espancado álbum Terra Firme (LP 1987).

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
E é amar-te, assim, perdidamente
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja
É ter garras e asas de condor!

E é amar-te, assim, perdidamente
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

E é amar-te, assim, perdidamente
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

E é amar-te, assim, perdidamente
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

E é amar-te, assim, perdidamente
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Compositores: Joao Manuel Gil Lopes

quinta-feira, fevereiro 13, 2025

Os Himbas

Os Himbas são um grupo étnico de aproximadamente 20.000 a 50.000 pessoas que vivem na Namíbia, na região de Kunene (antes Caocolândia) e são considerados a tribo mais fascinante deste país.  

Migraram de Angola para a Namíbia há cerca de 200 anos à procura de solos mais férteis. Os Himba vivem hoje no norte da Namíbia e em partes do sul de Angola. Esta área é conhecida pelas paisagens áridas, com savanas e desertos que se estendem a perder de vista. A vida é dura, mas os Himba desenvolveram formas engenhosas de sobreviver e prosperar naquele ambiente.

São povos semi-nómadas e pastoris. São os últimos povos semi-nómadas da África. Estão estreitamente relacionados com os hereros, também falantes da língua herero. 

Os costumes e tradições são passados de pais para filhos. Entre os mais curiosos está o hábito de as mulheres protegerem a pele e o cabelo com argila e de ter como meio de limpeza apenas um "banho" de fumo. As mulheres não tomam banho durante toda a vida, apenas os homens tomam banho comum com água. 


Os meninos têm as cabeças rapadas e as meninas usam colares de madeira para representar a pureza. As mulheres fazem artesanato com arames e madeira e os homens cuidam dos rebanhos. 

Aproveite e conheça melhor este povo assistindo ao documentário que se segue para mais informações sobre a Tribo Himba.

quarta-feira, fevereiro 12, 2025

O amor te dá

Veja a cantora brasileira Amanda Magalhães em O amor te dá (Videoclipe Oficial).

Tenho andado a pé
Tenho andado em vão
Com meu coração descalço
Até calejar essa dor que dá
Tem tempo, estranha maneira de amar

Me leva, sem eira nem beira
Até parar na beira do mar
(Na beira do mar)

Pra lavar o que ficou foi (foi)
Meu bem se foi, foi

A roupa, a pele, a boca, o sal
E o que não serve mais, não visto mais

Quando será que a gente vai aprender a amar?
Por que que a gente quer se machucar?
Se o amor te tira, o amor te dá

O amor te tira, o amor te dá
O amor te tira, o amor te dá
O amor te tira, o amor te dá
O amor te tira, o amor te dá

Tenho andado a pé
Tenho andado em vão
Com meu coração descalço
Até calejar essa dor que dá
Tem tempo, estranha maneira de amar

Me leva, sem eira nem beira
Até parar na beira do mar

Pra lavar o que ficou foi (foi)
Meu bem se foi, foi

A roupa, a pele, a boca, o sal
E o que não serve mais, não visto mais

Quando será que a gente vai aprender a amar?
Por que que a gente quer se machucar?
Se o amor te tira, o amor te dá

O amor te tira, o amor te dá
O amor te tira, o amor te dá
O amor te tira, o amor te dá
O amor te tira, o amor te dá

terça-feira, fevereiro 11, 2025

Gosto dos amigos

 Gosto dos amigos
Que modelam a vida
Sem interferir muito;
Os que apenas circulam
No hálito da fala
E apõem, de leve,
Um desenho às coisas.
Mas, porque há espaços desiguais
Entre quem são
E quem eles me parecem,
O meu agrado inclina-se
Para o mais reconciliado,
Ao acordar,
Com a sua última fraqueza;
O que menos se preside à vida
E, à nossa, preside
Deixando que o consuma
O núcleo incandescente
Dum silêncio votivo
De que um fumo de incenso
Nos liberta.
Sebastião Alba

segunda-feira, fevereiro 10, 2025

La Durmiente

La Durmiente é uma curta-metragem realizada pela portuguesa Maria Inês Gonçalves.

Maria Inês Gonçalves foi distinguida no Festival Internacional de Cinema de Roterdão (IFFR) pela sua curta-metragem La Durmiente (2025, Portugal/Espanha, DOC/FIC, 20′). Este filme, uma coprodução entre Portugal e Espanha, foi reconhecido pelo seu mérito artístico e nomeado para os Prémios Europeus de Curta-Metragem

A curta-metragem foi elogiada pelo júri do festival, que a descreveu como:

"Um poema de meditação histórica, que se equilibra entre as evocações do passado e a leveza de um workshop vespertino. A câmara deambula entre o documentário e a reconstituição, a paisagem e o retrato, o abstrato e o concreto, ecoando a tradição do cinema português e explorando a história cultural da Península Ibérica, ricamente entrelaçada. A presença do património arquitetónico dá forma a uma beleza intemporal, de outro mundo, com uma abordagem anacrónica. Os atores infantis, inocentes e solenes, guiam-nos na contemplação do destino das mulheres no meio das grandes convulsões históricas dos séculos passados. Elementos ricos são suavemente harmonizados e construídos sob o toque delicado e suave do realizador. Uma obra muito prometedora para o cinema europeu."

Sinopse:

La Durmiente explora a história da infanta medieval D. Beatriz de Portugal (1373-1420) através da fabulação e do imaginário infantil. Tomando como cenário o Mosteiro de Sancti Spiritus em Toro, Espanha, onde jaz o sepulcro de D. Beatriz, um grupo de sete crianças encena e interpreta fragmentos da vida desta personagem apagada pela história, mas preponderante na crise dinástica portuguesa de 1383.

domingo, fevereiro 09, 2025

O Corpo e o Nome: O Massacre das Fossas Ardeatinas

O Massacre das Fossas Ardeatinas foi um dos capítulos mais trágicos da Segunda Guerra Mundial, em Itália. As vítimas foram escolhidas ao acaso e executadas nas grutas das Ardeatinas, perto de Roma

Erich Priebke era capitão das SS quando, em 24 de março de 1944, ordenou o fuzilamento de 335 civis italianos, e participou do mesmo, como represália pelo ataque partigiano de via Rasella, onde morreram 33 militares alemães.

Em 1996, foi condenado à prisão perpétua. Cumpriu prisão domiciliária de acordo com as leis italianas, porque era proibido estar numa prisão devido à sua idade avançada. Morreu em 11 de outubro de 2013 aos cem anos de idade em Roma, na Itália.

De Roma a Florença, de Abruzzo a Londres e Telavive, o documentário O Corpo e o Nome, que pode ver aqui na RTP Play, dá vida à história, entrelaçando imagens de arquivo e testemunhos pessoais, seguindo os caminhos que levaram a uma descoberta inesperada!

Décadas mais tarde, graças ao trabalho árduo de três mulheres, uma documentarista, uma arquivista e uma bióloga forense, o mistério em torno da identidade de várias vítimas desconhecidas foi resolvido. A investigação estendeu-se por diferentes regiões e continentes, ilustrando o alcance do impacto do massacre e a importância de dar um desfecho aos descendentes das vítimas.

"O Corpo e o Nome", estreou quarta-feira, dia 5/2, pelas 22:55 na RTP2.

sábado, fevereiro 08, 2025

A Sopa Caramela

A Sopa Caramela é um prato fundamental da gastronomia portuguesa que remonta ao século XVIII e XIX e, cuja origem é atribuída às populações rurais que vinham da Beira Litoral e do Baixo Mondego em busca de trabalho, sobretudo para a zona de Rio Frio, a quem se dava o nome de "caramelos".

A partir da segunda metade do século XIX, por necessidades de mão-de-obra permanente, os "caramelos de ir e vir" passaram a "caramelos de ficar", tendo-se tornado rendeiros com casa e horta e fixado, sobretudo, na zona de Pinhal Novo, onde introduziram novos hábitos alimentares trazidos dos seus locais de origem.

A alimentação destas populações baseava-se em sopa feita com os produtos colhidos na horta - feijão, batata e couve - e, quem os tinha, com enchidos e carne da matança. Assim nasceu a Sopa Caramela, que foi sendo enriquecida com mais ingredientes, tendo-se tornado num prato substancial, símbolo de uma comunidade que preserva as suas tradições e uma das principais referências gastronómicas da região.

Se visitar a região durante o mês de maio, aproveite a grande celebração das tradições locais no Mercado Caramelo.


Ingredientes para esta sopa:
250g de feijão catarino (demolhado 12h e lavado)
250g de pá de porco
100g de toucinho entremeado
1 chouriço de carne
1 morcela
1Kg de repolho
100g de batatas em cubos
1 couve em tiras
2 nabos em cubos
 1 cebola
1 cenoura em cubos
3 dentes de alho
1 molho de coentros
100g de massa de cotovelinhos
Azeite q.b
Banha q.b
Sal q.b

Preparação:

Coza 250g de feijão catarino previamente demolhado, 250g de pá de porco, 100g de toucinho, 1 chouriço de carne, 1 morcela, 1 cebola e 3 dentes de alho.
Depois de cozidas, retire as carnes e corte-as em pequenos pedaços. Triture a sopa grosseiramente.
Acrescente 1 nabo, 1 batata e 1 cenoura tudo cortado em cubos pequenos. Coloque agora 100g de massa, 1 repolho e 1 couve galega em juliana e uma colher de sopa de banha.
Deixe cozinhar.
Desligue o lume, junte as carnes e um bom molho de coentros picados.

sexta-feira, fevereiro 07, 2025

Desconseguiram Angola

Desconseguiram Angola é um livro de António Costa Silva. É um romance que o autor publicou, em edição restrita, sob pseudónimo, mas que agora assumiu publicamente.

Sinopse:
Desconseguiram Angola
fala-nos de um período vivido já há meio século, quando se tentava construir uma nação no meio de uma guerra, que se prolongaria por mais 27 anos! Hoje, nas vastas chanas do leste e nas planuras cuito-cuanavalescas, já não se ouvem os canhões nem se bombardeiam civis, mas as lavras continuam por lavrar, com temor das muitas minas outrora plantadas.

Há vários livros dentro deste livro: o do regresso imaginado à infância, o da vida e das histórias de Luanda, o dos rios ancestrais de África e o da guerra. Há um cruzamento de caminhos sob o cenário da guerra, a mais longa da história de Angola, que marcou o país, as pessoas, as palavras.

A guerra, essa, não acabou. Antes se transformou numa desconseguerra, sobretudo em cenários urbanos, e em milhões na refrega, em combates diários pela sobrevivência, nos raides à carga dos camiões, à caça dos bagos de arroz, finalmente apreendidos por estes guerrilheiros urbanos que combatem agora sem armas, unidos sob a mesma bandeira invisível, a da luta contra a fome.

Desconseguiram Angola interroga o instinto belicista do género humano, realizando uma peregrinação através da história recente de Angola e da banalidade do mal.

quinta-feira, fevereiro 06, 2025

O Vale do OMO: Beleza e Peculiaridades

O Vale do OMO localiza-se num território junto a montanhas e nas margens do rio Omo, no sul remoto da Etiópia, onde há séculos vivem tribos que preservam costumes e comportamentos culturais da África mais tradicional e, por isso, por muito tempo, as suas culturas têm permanecido intocáveis. Porém, essa região tem vindo a ser cruelmente agredida e invadida por turistas, missionários, e pela construção de uma grande hidroelétrica, que irá alagar toda área povoada pelos povos que ali habitam.

O baixo vale do rio Omo, no sudoeste da Etiópia, é então o lar para oito povos diferentes, cuja população total é de cerca de 200.000. Entre eles, destacam-se: os Karo, os Mursi, os Hamer, os Bume, os Konso e os Omorate, entre outros. Eles vivem ali há séculos.

A inundação anual do rio Omo alimenta a rica biodiversidade da região e garante a segurança alimentar destes grupos especialmente porque a precipitação é baixa e irregular. No vale do Rio Omo, estes povos seminómadas conduzem grandes rebanhos de gado em busca da melhor pastagem, ao longo das margens do rio.

O Baixo Vale do Omo é uma área de uma beleza espetacular com diversos ecossistemas, incluindo pastagens, afloramentos vulcânicos, e uma das poucas matas fluviais remanescentes na região semi-árida da África que suporta uma grande variedade de vida selvagem.

O Vale Inferior do Omo inclui também um sítio arqueológico pré-histórico, reconhecido mundialmente, localizado nas margens do Rio Omo, perto do Lago Turkana onde ele desagua, na Região de Gému Gofa, no sudoeste da Etiópia, a cerca de oitocentos kms da capital Adis Abeba

Na região demarcada deste sítio, ao longo de décadas de pesquisas foram encontrados fragmentos e vestígios - e rochas desde o Plioceno até ao Pleistoceno (de 3,8 milhões a 11,7 mil anos) - da presença humanoide. As pesquisas arqueológicas que têm sido realizadas neste local, estão entre as mais importantes, significativas e valiosas do mundo, e revelam não só o processo evolutivo dos hominídeos e das suas subespécies, mas também da fauna e da flora. Estas pesquisas e trabalhos arqueológicos têm desvendado a evolução do Homo Sapiens da África. Foram ali encontrados, também, fósseis com mais de três milhões de anos, das espécies Australopitecos e Homo habilis.

Em 1980 o Comité do Património Mundial da UNESCO homologou a inscrição e inclusão do Vale Inferior do Omo na Lista do Património Mundial na Etiópia, justificando que as evidências e vestígios pré-históricos e paleo-antropológicos encontrados no Vale Inferior do Omo proporcionam, das mais significativas e importantes descobertas, sobre a evolução social e técnica da raça humana iniciadas desde o período pré-histórico.

Assista agora a dois vídeos, acerca do Vale do OMO, dos youtubers Carla Mota & Rui PintoVIAJAR ENTRE VIAGENS.
O primeiro vídeo que pode ver aqui, fala-lhe da tribo Karo, onde os homens cortam as orelhas quando casam!
No segundo vídeo que pode ver em baixo, vai perceber que para se casarem, as noivas Hamer, se cobrem de lama e os homens saltam por cima de vacas.

quarta-feira, fevereiro 05, 2025

Pequena canção à mulher

Onde uma tem
O cetim
A outra tem a rudeza

Onde uma tem
A cantiga
A outra tem a firmeza

Tomba o cabelo
Nos ombros

O suor pela
Barriga

Onde uma tem
A riqueza
A outra tem
A fadiga

Tapa a nudez
Com as mãos

Procura o pão
Na gaveta

Onde uma tem
O vestígio
Tem a outra
A pele seca

Enquanto desliza
O fato
Pega a outra na
Enxada

Enquanto dorme
Na cama
A outra arranja-lhe
A casa
Maria Teresa Horta (1937-2025)

terça-feira, fevereiro 04, 2025

Navagio Beach: A Praia Azul Néon

Navagio Beach ou Praia do Naufrágio, há muitos anos atrai a atenção dos viajantes que são apaixonados por praias. Conhecida como uma das praias mais bonitas do mundo - era um dos maravilhosos destinos escondidos na Grécia.

Navagio Beach está localizada na Grécia, mais especificamente na Ilha de Zakynthos. Integra o Arquipélago das Ilhas Jónicas, e está distante de Atenas cerca de 320 km. As Ilhas Jónicas estão localizadas a oeste do continente, no Mar Jónico.

A Praia de Navagio forma uma pequena enseada a noroeste de Zakynthos, e em dias perfeitos o mar, de um azul néon fora do vulgar, é tranquilo, com uma temperatura agradável (máxima de 28º no auge do verão) e forma uma grande e deliciosa piscina de águas transparentes. Rodeada por imensos paredões de calcário, Navagio Beach é visitável apenas por barco, sem acesso direto para pedestres ou para carros.

Navagio Beach tornou-se conhecida após o naufrágio do navio MV Panayiotis, que ocorreu em1980, durante uma tempestade, no litoral de Zakynthos

Antes chamada de Agios Giorgos, a quase desconhecida praia de Zante adquiriu então o apelido de Navagio (em português, Naufrágio e em inglês, Shipwreck). Os destroços da embarcação, levados para a areia, permanecem até hoje como cenário e servem de pano de fundo para incontáveis clicks dos viajantes diante do mar azul néon de Navagio Beach

Algumas vezes a praia de Navagio também é chamada de Smugglers’ Cove, ou "enseada dos contrabandistas". Todos estes nomes fazem referência ao navio Panagiotis, que estaria a carregar contrabando ao encalhar na praia. 

segunda-feira, fevereiro 03, 2025

Entre o Bem e o Mal

Proponho-lhe que ouça o cantor brasileiro Johnny Hooker em Entre o Bem e o Mal (música inédita para a banda sonora da novela de Mania de Você!).

Tudo vem e vai voltar
Melhor se preparar
E o sal que a terra traz
Lágrima de mar
Tudo muda de lugar, impermanente chão grades de areia e sal
Barra da prisão
Foi pra jogar que eu vim, o jogo vai virar
Você mudou tudo em mim
Praga que me jurou na cela de um querer
Vou te arrastar, vou me perder
Esse é o meu lugar
Nesse temporal
Tudo tem final

(Uh-uh-uh-uh)
(Uh-uh-uh-uh)
(Uh-uh-uh)
(Uh-uh-uh-uh)
(Uoh-uoh)

Foi pra jogar que eu vim, o jogo vai virar
Você mudou tudo em mim
Praga que me jurou na cela de um querer
Vou te arrastar, vou me perder

Esse é o meu lugar
Nesse temporal
Entre o bem e o mal

domingo, fevereiro 02, 2025

O Cozinheiro Popular dos Ricos e Remediados



O Cozinheiro Popular dos Ricos e Remediados oferecido às famílias portuguesas e Brazileiras ou o Novo Cozinheiro Moderno (...) é um livro de Anselmo Pinto de Queiróz; Livraria Portuguesa - editora de Joaquim Maria da Costa, 1905.

sábado, fevereiro 01, 2025

A Art Déco

A Art Déco ou Déco, é um estilo de artes visuais, arquitetura e design internacional que começou na Europa em 1910 (pouco antes da primeira guerra mundial, conheceu o seu apogeu nos anos 1920 e 1930 e declinou entre 1935 e 1939). O nome deste estilo artístico tem origem na abreviatura do termo Artes Decorativas, resultante da Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris em 1925. 
A Art Déco tem muito em comum com a Art Nouveau, mas um objetivo completamente diferente, ela surge para refletir o otimismo e a opulência dos anos 1920 e fez avançar a linguagem do design na direção da geometrização.

O estilo Art Déco é uma mistura de diversos estilos, às vezes contraditórios, e movimentos artísticos surgidos no início do século XX na França, inspirados na vanguarda do momento e com outras influências como o exotismo, o cubismo, o futurismo, e o princípio da Obra de Arte Total herdado da Art Nouveau. É assim um pastiche de muitos estilos diferentes unidos pelo desejo de serem modernos.

A simetria, as linhas e a utilização da geometria são comuns. O estilo Art Déco teve uma enorme influência em diferentes campos artísticos, nomeadamente na pintura, representada entre outros artistas por Tamara de Lempicka, na arquitectura existindo como exemplos vários edifícios muito conhecidos pelo mundo fora e no cinema onde o expoente mais conhecido é a longa - metragem Metrópolis.

Tamara de Lempicka

O Edifício Chrysler, o Empire State Building e outros arranha-céus de Nova York, construídos durante as décadas de 1920 e 1930, são monumentos do estilo Art Déco.

Art Déco afetou assim: as artes decorativas, a arquitetura, o design de interiores e desenho industrial, a moda, a pintura, as artes gráficas, o cinema e o design de vários tipos de meios de transporte (carros, comboios e transatlânticos). Sem prescindir do requinte, os objetos têm decoração geometrizada quer no design, na arquitetura, na escultura, na joalharia, no mobiliário e nas luminárias, mesmo quando são feitos com materiais aparentemente simples. 

O estilo Art Déco ficou associado às elites e à burguesia da década de 1920,  porque utilizava materiais inovadores como o aço, o alumínio, o betão armado, as lacas, o vidro, a madeira, ornamentos de bronze, mármore, prata, marfim etc., ou seja, materiais muito caros e escassos para a época. 

Na década de 1930, durante a Grande Depressão, o estilo Art Déco tornou-se mais moderado. Novos materiais foram chegando, incluindo a cromagem, o aço inoxidável e o plástico. Uma forma mais elegante do estilo, chamada Streamline Moderno, surgiu na década de 1930; apresentava formas curvas e superfícies lisas e polidas.

Durante o seu apogeu, contudo, a Art Déco representou luxo, glamour, exuberância e fé no progresso social e tecnológico.

O pico da popularidade deste estilo na Europa, ocorreu durante os "Felizes Anos Vinte" e continuou com grande importância nos Estados Unidos, após os "Loucos Anos Vinte" através da década de 1930. Embora, na época, muitos movimentos de design tivessem raízes em correntes filosóficas ou políticas, tal não aconteceu à Art Déco, que foi meramente decorativa. Na altura, esta foi vista como um estilo elegante, funcional e ultramoderno. No entanto, não pode ser considerada um movimento artístico devido à ausência de uma doutrina unificadora que fornecesse conceitos e paradigmas definidos.

 A Art Déco é um dos primeiros estilos verdadeiramente internacionais, mas o seu domínio terminou com o início da Segunda Guerra Mundial e a ascensão dos estilos de modernismo, estritamente funcionais e sem adornos, e o estilo internacional de arquitetura que se lhe seguiu.
Para saber um pouco mais sobre este assunto não deixe de ver os dois vídeos que se seguem. Não perca.
Aqui vai o primeiro.
E agora aqui vai o segundo.

sexta-feira, janeiro 31, 2025

Casa - Museu Medeiros e Almeida

António de Medeiros e Almeida (1895 - 1986) foi um empresário, industrial, colecionador e benemérito português. Criou a Fundação Medeiros e Almeida, em Lisboa, para doar ao país a sua coleção de artes decorativas. 

O serviço de chá de Napoleão Bonaparte no exílio ou o carrinho de brincar do filho do general Wellington são duas das peças desta colecção de nove mil. Construída ao longo da vida pelo empresário Medeiros e Almeida, a colecção da casa-museu com o seu nome - na grande maioria, artes decorativas europeias até ao séc. XIX - tem núcleos de relojoaria, tapeçaria, mobiliário, pintura, mas também porcelana asiática com alguns exemplares únicos no mundo. Um só critério pareceu guiar Medeiros e Almeida nas suas aquisições: a excepcionalidade das peças. 

Se quiser conhecer esta casa não deixe de ver a Visita Guiada à Casa - Museu Medeiros e Almeida, pelas mãos de Paula Moura Pinheiro e das historiadoras de arte Teresa Vilaça e Maria Mayer que são as guias desta visita, através de um vídeo de João Santos.

E agora mais um outro vídeo sobre esta mesma casa.
E ainda mais um vídeo sobre  Medeiros e Almeida e a sua Casa - Museu.

quinta-feira, janeiro 30, 2025

O Chade

O Chade, oficialmente República do Chade, é um país sem acesso ao mar. Localiza-se no centro-norte da África e faz fronteira com a Líbia a norte, com o Sudão a leste, com a República Centro-Africana a sul, com os Camarões e a Nigéria a sudoeste e com o Níger a oeste. 

Tem uma área de 1 284 000 km2 e encontra-se dividido em três grandes regiões geográficas: a zona desértica no norte, o cinturão árido do Sael no centro e a savana sudanesa fértil no sul. 

O Lago Chade, do qual o país obteve o seu nome, é o segundo maior corpo de água de África e o maior do país. Outrora um dos maiores lagos de África, encolheu mais de 90% desde a década de 1960, devido às mudanças climáticas e ao desvio das águas para irrigação.

O ponto mais alto do Chade é o Emi Koussi, um vulcão adormecido que se eleva a 3.415 metros, nas Montanhas Tibesti, no Deserto do Saara, que se situam a norte do país. 

A capital e cidade mais populosa é Jamena ou N'Djamena, localizada junto ao rio Chari, que é o centro político, económico e cultural do país.

O país, que foi uma colónia francesa até obter a sua independência em 1960, tem uma rica herança cultural, com mais de 200 grupos étnicos, cada um com a sua própria língua, música e tradições. Os idiomas oficiais são o árabe e o francês, enquanto as religiões oficiais são o islão e o cristianismo. O povo Toubou, que vive na região desértica do Chade, é conhecido pela resiliência e estilo de vida nómada, sobrevivendo em ambientes duros ao longo de várias gerações.

Os Toubou

Este país é frequentemente chamado de "Coração Morto da África" por causa da sua posição sem litoral e vastas paisagens áridas de deserto. Tem um dos climas mais quentes da Terra, com temperaturas que chegam, frequentemente a mais de 50°C, em algumas regiões, durante os meses mais quentes. O país tem das regiões mais remotas e inexploradas do mundo, com vastos trechos de deserto que permanecem em grande parte intocados pela civilização moderna.

No Chade o Parque Nacional Zakouma, é uma das principais reservas de vida selvagem de África, sendo conhecido pelos seus 559 elefantes, leões e búfalos. De referir que o animal nacional, o leão, tem sido um símbolo de força e coragem na cultura do país durante séculos.

O Chade é um dos poucos países onde ainda se podem encontrar as "caravanas de camelos" únicas do Saara e que fazem parte da sua cultura comercial há séculos. 

Este país também é conhecido pelos seus coloridos mercados tradicionais, como o mercado de N'Djamena, onde pode se encontrar artesanato, especiarias e tecidos locais.

O país enfrenta desafios de segurança contínuos, não só devido a conflitos nos países vizinhos, mas também devido à instabilidade da sua política interna.

Apesar das dificuldades e de ser um dos países mais pobres do mundo (IDH: 0,398 - baixo) o Chade abriga algumas das pessoas mais resilientes e hospitaleiras do mundo, com um forte sentido de comunidade e de solidariedade entre as suas diversas culturas.

Deixo-o agora com 3 vídeos. Não deixe de os ver. Valem bem a pena.
O primeiro é: "Fomos em busca de uma caravana de camelos no Chade" e clicando aqui  vê "Quase não sobrevivemos a uma caravana de camelos no deserto do Chade"!
O segundo vídeo mostra-lhe mais algumas curiosidades acerca deste país.
E agora o último vídeo, sobre A Importância da Água no Chade.

quarta-feira, janeiro 29, 2025

Guia Da Doceira Em Sua Casa

 


Guia Da Doceira Em Sua Casa é um livro de culinária de Maria Margarida, s/d, 1ªEdição, Cartaxo; Papelaria e Tipografia Treze.

Esta obra é dedicada aos artistas do teatro português, em que as receitas apresentadas têm os seus nomes associados, como por exemplo: Figos à António Rosa; Broinhas à Adelina Abranches; etc.... 

terça-feira, janeiro 28, 2025

Me and Bobby McGee

Ouça a inesquecível cantora Janis Joplin na inolvidável canção Me and Bobby McGee (Vídeo oficial).

Busted flat in Baton Rouge, waitin' for a train
When I's feelin' near as faded as my jeans
Bobby thumbed a diesel down, just before it rained
And rode us all the way into New Orleans

I pulled my harpoon out of my dirty red bandana
I's playin' soft while Bobby sang the blues
Windshield wipers slappin' time, I's holdin' Bobby's hand in mine
We sang every song that driver knew

Freedom is just another word for nothin' left to lose
Nothin', don't mean nothin' hon' if it ain't free, no-no
And feelin' good was easy, Lord, when he sang the blues
You know feelin' good was good enough for me
Good enough for me and my Bobby McGee

From the Kentucky coal mine to the California sun
There Bobby shared the secrets of my soul
Through all kinds of weather, through everything we done
Yeah, Bobby baby, kept me from the cold

One day up near Salinas, Lord, I let him slip away
He's lookin' for that home, and I hope he finds it
But, I'd trade all of my tomorrows, for one single yesterday
To be holdin' Bobby's body next to mine

Freedom is just another word for nothin' left to lose
Nothin', and that's all that Bobby left me, yeah
But feelin' good was easy, Lord, when he sang the blues
That feelin' good was good enough for me, mmm-hmm
Good enough for me and my Bobby McGee

La-da-da, la-da-da-da, la-da-da-da-da-da-da
La-da-da-da-da-da-da-da, Bobby McGee, yeah
La-da-da-da-da, la-da-da-da-da
La, la-la-la-da-da- Bobby McGee, oh yeah

La-da-da, la-da-da, la, da-da, la, da-da
La-da-da, la-da-da, la-di-da
Hey now, Bobby now, now Bobby McGee, yeah
Lord, oh Lord, oh Lord, lo-da-da, na-na-na, na-na-na, na-na-na
Hey now, Bobby now, now Bobby McGee, yeah

Well, I wanna call him my lover, call him my man
I said, I call him my lover, did the best I can, come on
Hey now, Bobby now, hey now Bobby McGee, yeah
Lord, a Lord, a Lord, a Lord, a Lord, a Lord, a Lord, a Lord, oh
Hey-hey-hey, Bobby McGee, Lord

segunda-feira, janeiro 27, 2025

Cedofeita: a passo, cada tarde...

Cedofeita: a passo, cada tarde
a faço, sem projecto. Ímpar, traço
pedras gastas, e casas, nesse baço
regresso, quase espera, quando arde

ao longe, o quarto, e vão, trespasso
a carne, não de largo, que se fecha.
Um corpo será alvo porque deixa
aí, seu rasto. Que boca ou braço

é vento? Esparsa, a luz separa
a morte de seu laço; e já tal
olhar marca os modos e passagens

de manchas e perfis onde se pára.
Tão móveis são as formas que sinal
é o canto, possível, das imagens.

Diogo Alcoforado, in Eugénio de Andrade, O Poeta e a Cidade (antologia)

domingo, janeiro 26, 2025

A Art Nouveau

A Art Nouveau ou Arte Nova é um estilo internacional de arquitetura e de artes decorativas - especialmente o início da arte aplicada à indústria - que foi muito apreciado de 1890 até aos anos 1920.  A Art Nouveau ilustra a transição do século XIX para o XX na arte, pensamento e sociedade.

A expressão Art Nouveau é a expressão francesa para "arte nova", e é também conhecida como Jugendstil, termo alemão para "estilo da juventude", que recebeu o nome devido à revista Jugend. A Arte Nova é uma reação à arte académica do século XIX. Este movimento artístico é inspirado principalmente por formas e estruturas naturais, não somente de flores e plantas, mas também de linhas curvas.

No início, esta forma de arte não se designava nem Art Nouveau nem Jugendstil. Estes dois nomes proveem, respectivamente, da galeria Maison de l'Art Nouveau (Casa da Arte Nova) de Samuel Bing (também conhecido como Siegfried Bing) em Paris e da revista Jugend (Juventude) em Munique, porque ambas promoveram e popularizaram o estilo.

A Art Nouveau foi mais popular na Europa, mas a sua influência foi global. O período em que esteve muito em voga foi chamado de Belle Époque. O estilo Art Nouveau conheceu várias formas em vários locais. Na França, as entradas do metropolitano de Paris feitas por Hector Guimard eram do estilo Art Nouveau. Émile Gallé praticou o estilo "Escola de Nancy". Victor Horta teve um efeito decisivo na arquitetura na Bélgica

A Art Nouveau também era o estilo de indivíduos distintos como Gustav Klimt, Charles Rennie Mackintosh, Alfons Mucha, René Lalique, Antoni Gaudí e Louis Comfort Tiffany, cada um dos quais interpretou a Arte Nova à sua própria maneira.

Antes da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o estilo mudou para um estilo mais geométrico, uma característica do movimento artístico Art Déco (1910-1939).

Apesar da Arte Nova ter sido substituída pelos estilos modernistas do século XX, é, atualmente, considerado uma importante transição entre o historicismo e o modernismo. Além disso, os monumentos Arte Nova são reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura na sua lista de Patrimónios Mundiais como contribuições significativas para o património cultural. 

O Centro Histórico de Riga, na Letónia, é considerado como "a melhor coleção de construções Art Nouveau na Europa". tendo sido incluído na lista da UNESCO, em 1997, em  conjunto com quatro casas: Casa Tassel, Casa Solvay, Casa van Eetvelde e Casa-Museu Horta em Bruxelas, feitas por Victor Horta (1861-1947).

Se quiser conhecer um pouco mais sobre este movimento artístico não deixe de ver os dois vídeos que se seguem. Aqui vai o primeiro.
E agora o segundo.