segunda-feira, julho 07, 2025

O Macaron

O Macaron é um dos doces franceses mais populares dos últimos tempos, mesmo no nosso país. 

Se for a Paris, nos Champs-Elysées vai encontrar a loja dos macarons mais famosos do mundo, a Laduréeque é uma famosa casa de chá francesa, que já conta com uma filial em Lisboa, na Avenida da Liberdade. 

O macaron é um biscoito redondo, que pode ter entre 3 e 5 centímetros de diâmetro. A massa é feita de claras de ovos em neve, açúcar e farinha de amêndoas, que é cozida até ficar crocante por fora e macia por dentro. Este biscoito tem ainda um recheio cremoso que pode ter diversos sabores, como por exemplo de ganache, de creme de confeiteiro ou de geleia, entre outros. Originalmente, eram produzidos em sabores clássicos, como baunilha, morango, café e chocolate, mas profissionais criativos foram inventando sabores novos. Os macarons são conhecidos também pelas suas cores vibrantes, que podem variar bastante de acordo com o sabor. 

Apesar de ter origem italiana, o macaron popularizou-se em França, principalmente a partir do século XVI, quando foi levado para a corte francesa por Catarina de Médicis

A origem da palavra macaron vem de "maccherone". Na Itália, a palavra "maccherone" é usada para designar uma massa leve. Como o macaron era um biscoitinho leve feito de amêndoas, açúcar e claras, então recebeu esse nome. Quando Catarina de Médicis o levou para França, os franceses não sabiam pronunciar a palavra maccherone. Rapidamente afrancesaram o termo que acabou por se tornar macaron

A receita do "Doce da Rainha" – como eram conhecidos –  foi mantida em segredo e estavam apenas ao alcance da nobreza.

No sec. XVIII as irmãs do Convento de Saint-Sacrement (em Nancy, na Lorena) popularizaram os macarons quando os começaram a produzir e vender.

No século XIX, o confeiteiro Pierre Desfontaines, da Ladurée, teve a ideia de unir dois biscoitos com recheio, criando a versão que conhecemos hoje.

Deixo-lhe a seguir uma receita da Filipa Gomes (24 kitchen) e ainda dois vídeos sobre os macarons

O processo de preparação pode ser um desafio, pois a massa é delicada e requer técnicas específicas. É importante seguir as instruções com atenção, pois o macaron é um doce sensível à humidade e à temperatura. 

Ingredientes:
100 gr Açúcar de Confeiteiro
1 chávena Amêndoas Peladas e Laminadas
1 c. sopa Cacau em Pó
2 Ovos tamanho L
4 c. sopa Açucar Fino
1 lata Leite Condensado Cozido
Ladurée - Paris

Preparação:
1. Aqueça o forno a 175ºC e forre um tabuleiro com papel vegetal.
2. Junte amêndoas cruas laminadas e sem pele com açúcar de confeiteiro e triture tudo até ficar bem fino.
3. Adicione o cacau, e continue a triturar.
4. Quando tudo estiver em farinha, peneire para uma taça.
5. De seguida, bata as claras de ovo, e quando começar a formar uma espuma, adicione lentamente o açúcar fino, para que tudo fique bem incorporado.
6. Continue a bater até obter a consistência de picos duros, junte a farinha de amêndoa e envolva tudo suavemente.
7. Transfira a massa para um saco de pasteleiro e coloque no tabuleiro formas redondas com cerca de 3 centímetros cada, mantendo-as afastadas entre si.
8. Deixe repousar alguns minutos, e de seguida leve ao forno durante cerca de 15 minutos.
9. Por fim, recheie os macarons com leite condensado cozido, e deixe arrefecer antes de poder surpreender os seus convidados.

Aqui vai o 1º vídeo.
E agora o segundo. 

domingo, julho 06, 2025

O Uganda

O Uganda, é um país sem ligação ao mar situado no leste da África. O Uganda é o segundo país sem litoral mais populoso do continente africano. Faz fronteira a leste com o Quénia, a norte com o Sudão do Sul, a oeste com a República Democrática do Congo, a sudoeste com o Ruanda e a sul com a Tanzânia.  A parte sul do país inclui uma parcela substancial do Lago Vitória, compartilhado com o Quénia e a Tanzânia, situando o país na região dos Grandes Lagos Africanos. Também é o principal refúgio do gorila-das-montanhas. O Uganda encontra-se dentro da bacia do Nilo. Tem um clima variado, mas geralmente, um clima tropical húmido. O território do país está, assim, coberto por savanas e selvas equatoriais de altitude, devido à sua localização numa região de planaltos e montanhas. O Uganda está dividido em duas regiões de montanhas entre os ramos ocidental e oriental do Vale do Rifte. Possui, também, uma rede hidrográfica com grande número de rios e lagos.

O nome Uganda deriva do reino do Buganda, que ainda hoje é considerado administrativamente como uma entidade semiautónoma, compreendendo toda a região central do país, incluindo a capital, Campala. Os túmulos dos Reis do Buganda em Kasubi (uma colina em Campala) são considerados património da humanidade. 

A partir de 1800 toda aquela área foi governada como uma colónia pelos britânicos, que estabeleceram o direito administrativo em todo o território. O Uganda obteve a independência do Reino Unido em 9 de outubro de 1962. Desde então, o país tem vivido conflitos intermitentes. Mais recentemente, viveu uma longa guerra civil contra o Exército de Resistência do Senhor, que resultou em milhares de vítimas e deslocou mais de um milhão de pessoas.

As línguas oficiais do Uganda são o inglês e o suaíli. O luganda, uma língua bantu, é falada em boa parte do país, principalmente na região de Buganda. O atual presidente de Uganda é Yoweri Kaguta Museveni, que chegou ao poder através de um golpe estado em 1986, mas, foi democraticamente eleito em 1996, quando concorreu contra Paul Ssemogere, líder do Partido Democrático. 

Conheça um pouco mais deste país africano, através dos vídeos abaixo e dos links acima, onde é muito incomum um homem ter apenas uma esposa!
Agora o segundo vídeo.

sábado, julho 05, 2025

Maria Júlia

 Assinalando aqui os 50 anos da independência de Cabo Verde, proponho-lhe que ouça o cantor cabo-verdiano Gil Semedo (1974), em Maria Júlia.
Gil, considerado o "Rei do Pop" de Cabo Verde, renovou o Batuque ou Batuko, "a dança proibida", e muitos artistas o seguiram. Maria Júlia tornou-se assim um grande sucesso.

Maria Julia, pega bu sulada
Bu ben da kutornu
Na kompasu batuku
Maria Julia, mara bu lensu
Bu ben minina
Sim nu arranka txabeta
 
Bu sabi mexi (Maria Julia)
Ka bu dexa (Maria Julia)
Ninguen puxau pa baxu
Bu ten bu don (Maria Julia)
Finka pe na txon (Maria Julia)
Bo é un alegria pa tudo nos
 
Maria Julia, bo bunita
Koxa rodondu
Bu ka mesti nen luxu
Maria Julia, bo ten jetu
Minina bo é dretu
Djan pidi Nhordes pa djudau

Bu sabi mexi (Maria Julia)
Ka bu dexa (Maria Julia)
Ninguen pa puxau pa baxu
Bu ten bu don (Maria Julia)
Finka pe na txon (Maria Julia)
Bo é un alegria pa tudo nos
Maria Julia, mexi bu korpu
Bu koxa rodondu
Mostra di undi ki'u ben
Maria Julia, vivi nos kultura
Goza bu fortuna
Sim é ke la ki ta kura
 
Bu sabi mexi (Maria Julia)
Ka bu dexa (Maria Julia)
Ninguen puxau pa baxu
Bu ten bu don (Maria Julia)
Finka pe na txon (Maria Julia)
Bo é un alegria pa tudo nos
Bu sabi mexi (Maria Julia)
Ka bu dexa (Maria Julia)
Ninguen puxau pa baxu
Bu ten bu don (Maria Julia)
Finka pe na txon (Maria Julia)
Bo é un alegria pa tudo nos
Ó bunita (Maria Julia)
Pega bu sulada (Maria Julia)
Labanta bu kara (Maria Julia)
Goza bu fortuna (Maria Julia)
 Bu ten don (Maria Julia)
Finka pe na txon (Maria Julia)
Bu ten jetu (Maria Julia)
Minina bo é dretu (Maria Julia)
 
Koxa rodondu (Maria Julia)
Ka mesti nen luxu (Maria Julia)
Maneras dretu (Maria Julia)
Bo é ben fetu (Maria Julia)
Ka bu dana (Maria Julia)
Ka bu muda (Maria Julia)
Ka bu straga (Maria Julia)
Bo ki ta manda (Maria Julia)

Ó bunita (Maria Julia)
Pega bu sulada (Maria Julia)
Labanta bu kara (Maria Julia)
Goza bu fortuna (Maria Julia)
Ka bu dana (Maria Julia)
Ka bu muda (Maria Julia)
Ka bu straga (Maria Julia)
Bo ki ta manda (Maria Julia)

Koxa rodondu (Maria Julia)
Ka mesti nen luxu (Maria Julia)
Maneras dretu (Maria Julia)
Bo é ben fetu (Maria Julia)
Ka bu dana (Maria Julia)
Ka bu muda (Maria Julia)
Ka bu straga (Maria Julia)
Bo ki ta manda (Maria Julia)

E agora um vídeo com a letra e a respetiva tradução de Maria Júlia.

sexta-feira, julho 04, 2025

A Nova Goa do Brasil

Sabia que há mais de 60 anos, foi escolhido um local, no Brasil, para receber os portugueses expulsos da cidade de Goa

O projeto era ambicioso e minucioso. Para atenuar as saudades, a vila planeada, que serviria para abrigar 5 mil goeses, seria uma réplica em miniatura da cidade de Goa que ficava do outro lado do oceano. No entanto, só uma pequena capela, a Igreja de Santa Catharina, foi construída pelos portugueses expulsos de Goa, na Índia.

Abandonada no alto de um morro nas margens da Lagoa Formosa, em Planaltina de Goiás, uma imponente igrejinha lembra hoje os laços que unem o Brasil à Índia

Os planos de fundar, no coração do Brasil, a povoação de Nova Goa, foram abandonados por aqueles portugueses. 

Sozinha, a igreja continuou de pé no meio do mato tendo sido encontrada por um agricultor, anos mais tarde, em pleno cerrado de Goiás. O local recentemente redescoberto chamou a atenção dos fiéis e do pároco da região. Os católicos mobilizaram-se num trabalho de fé e de reconstrução.

Os vídeos abaixo, revelam as lendas e histórias que circundam este templo misterioso. Através deles pode seguir a transformação da igreja, desde um projeto abandonado a um local negligenciado, até à sua recente redescoberta e aos esforços de restauração pela comunidade local.


Igreja de Santa Catarina de Goa

A beleza e a importância desta réplica exata da igreja de Santa Catarina de Alexandria, que existe há 500 anos na Índia, foi um dos segredos mais bem guardados da região. Uma igreja fascinante construída no Brasil, no século passado, e que fez parte originalmente de um sonho ambicioso.

Descubra como a verdadeira história da igreja foi finalmente desvendada pelos fiéis locais que encontraram pistas sobre a sua origem em recortes de jornais antigos. Admire este tesouro escondido no cerrado brasileiro e descubra os mistérios deste local histórico.
Agora um outro vídeo com uma reportagem sobre este mesmo assunto.

quinta-feira, julho 03, 2025

A Caminho de Kandahar

Não é Hollywood que mais tem alertado para o facto do regime Talibã ser um dos piores regimes do mundo. São os cineastas afegãos e muçulmanos de outros países, na sua maioria, que mais têm chamado a atenção para este assunto.

A Caminho de Kandahar é um filme (drama) franco-iraniano de 2001, realizado por Mohsen Makhmalbaf e que conta no elenco com Noam Morgensztern.

Denso e alegórico, o filme baseado numa história verídica, mistura um interessante esquema dual entre uma narrativa documental e aspectos do cinema "ficcional". 


Sinopse:
Uma jovem jornalista nascida na Índia mas filha de pais afegãos (Niloufar Pazira), residindo no Canadá, decide retornar ao seu país, após receber uma carta da irmã relatando que se iria suicidar antes que ocorresse o próximo eclipse solar (na viragem para o século XXI). Nafas resolve então retornar ao Afeganistão a fim de tentar salvar a sua irmã.

A partir do momento da entrada no país, de onde tinha fugido no meio de uma guerra civil provocada pelos Talibãs, dá-se conta da situação do Afeganistão com as imposições do regime fundamentalista islâmico e vive momentos de suspense para ir ao encontro da irmã.

quarta-feira, julho 02, 2025

A Quiche Lorraine

A Quiche Lorraine é um prato tradicional da culinária francesa, mas de origem alemã. É uma receita da Lorena (ou Lorraine), região do nordeste da França. A palavra "quiche" deriva da palavra alemã (e do dialeto da região) "kuchen", que significa "torta", e do nome região onde foi criada, hoje conhecida como Lorraine (ou Lorena). 

A receita original da Quiche nasceu no século XVI, quando a Lorraine pertencia à Alemanha.  Originalmente era uma torta/tarte aberta recheada com creme feito de leite e ovos e acrescida de bacon defumado. Somente depois foi acrescentado o queijo à receita. 

Hoje em dia pode ser acrescida de todo o género de ingredientes. O queijo gratinado sobre a torta dá o toque final à receita. O queijo está sempre presente na culinária francesa, tornando os pratos ainda mais saborosos. Entre eles estão o suflé de queijo e o tartiflette, uma receita típica de inverno. 

É, portanto, uma tarte/torta coberta com uma mistura de nata e ovos, toucinho (bacon), queijo, pimenta do reino e noz moscada. A Quiche Lorraine é normalmente servida quente e como prato principal (ao almoço ou ao jantar), embora se tenha tornado comum o seu uso como entrada/aperitivo (cortada em pedaços pequenos e espetada em palitos), em coquetéis ou em piqueniques.

Além de muito fácil de fazer, leva pouquíssimos ingredientes o que é essencial para uma refeição simples que agradará à família toda! 

Ingredientes:
Para a massa da quiche
2 1/2 xícaras de farinha de trigo
125g de manteiga gelada cortada em cubinhos
1 ovo
1 colher (sopa) de água gelada
1 colher (chá) de sal

Preparação da massa:
Misture a manteiga com a farinha usando as pontas dos dedos, até obter uma espécie de areia grosseira.
Junte o ovo, misture bem e adicione a água.
Incorpore tudo até que se forme uma massa homogénea.
Modele uma bola, embrulhe em plástico filme e no frigorífico por no mínimo 2 horas.
Numa superfície polvilhada com farinha de trigo, abra a massa com um rolo e disponha numa forma de fundo amovível. Ou então pegue em pedaços da massa com as mãos e vá preenchendo a forma.
Com um garfo, faça vários furos por toda a massa e leve ao congelador enquanto pré-aquece o forno a 200ºC por 10 minutos.
Leve a massa ao forno por 7 minutos.
Retire a massa do forno, que deve continuar ligado, e reserve enquanto prepara o recheio.

Ingredientes:
Para o recheio
4 ovos
1 xícara de natas (creme de leite)
1 xícara de leite
250g de bacon em cubos
sal, pimenta-do-reino e noz moscada a gosto
1 xícara de queijo picado (pode ser mozarela ou gruyère)

Preparação do Recheio
Frite o bacon até ficar quase dourado. Escorra em papel absorvente e reserve.
Numa vasilha, misture os ovos com o leite e o creme de leite (natas).
Tempere com sal, pimenta-do-reino e noz moscada.
Acrescente o bacon, misture bem e disponha por cima da massa já pré-assada.
Espalhe o queijo por cima do recheio e leve ao forno a 180ºC por 35/40 minutos (ou até a massa e o topo dourar). Para ver se a quiche está cozida basta fazer o teste do palito.

E está pronta uma deliciosa Quiche Lorraine!

Algumas Notas:

  • Se não quiser fazer a massa pode optar por uma massa quebrada de compra. 
  • Escolha nata líquida fresca (creme de leite no Brasil) que adicionará maciez à sua preparação. 
  • Para uma versão mais leve, pode substituir o bacon por quadrados de presunto ou fiambre. 
  • Para a quiche ter um efeito gratinado, costuma adicionar-se  queijo ralado por cima. Se quiser, contudo, seguir a receita da tradicional quiche Lorraine, não pense nisso nem por um segundo (corre o risco de incorrer na ira dos puristas)!
  • Mas não se aflija porque há muitas variações da quiche Lorraine. Assim, se adicionar queijo (ralado ou não) à sua preparação, obterá uma Quiche de Vosges, se adicionar cebola, terá uma quiche alsaciana.
  • Pode acompanhar a Quiche Lorraine com uma salada verde ou uma salada mista e terá assim uma refeição rápida e fácil.
  • A Quiche Lorraine combina com vinhos brancos secos e frutados. Assim, se estiver em França, pode optar por um vinho branco da Alsácia: Riesling ou Pinot Blanc, que pela sua frescura e acidez equilibram a riqueza do creme, ou por um Chardonnay (sem carvalho), ou por um Bourgogne Aligoté, ou ainda por um Mâcon-Villages. Ainda pode optar por um vinho branco do Loire: como um Sancerre ou um Sauvignon da Touraine porque trazem uma vivacidade agradável.
  • Se estiver em Portugal, as sugestões são as seguintes: Brancos portugueses: Encruzado (Dão), Arinto (Lisboa ou Bucelas), vinho Verde (Alvarinho ou Loureiro mais estruturado) ou Tintos leves (se preferir): Baga, Tinta Roriz/Jaen (Dão).
Deixo-lhe agora um vídeo com uma receita da célebre Quiche Lorraine francesa.

terça-feira, julho 01, 2025

Nó em Espiral: Macramé

Assista hoje a mais uma aula de macramé. Aqui lhe deixo dois tutoriais acerca de mais um nó básico, o Nó em Espiral ou Nó DNA
Vale bem a pena porque é muito fácil.
Ora veja. 

O vídeo abaixo também ensina a fazer o nó espiral, mas, caso lhe falte fio no decorrer do processo, também ensina como pode fazer uma emenda. Espero que goste.

segunda-feira, junho 30, 2025

Utz

 Utz, é um livro do escritor Bruce Chatwin (1940 - 1989) que foi um romancista e escritor de viagens inglês.

Bruce Chatwin é um dos mais aclamados escritores de literatura de viagens de sempre. Foi jornalista do Sunday Times Magazine durante vários anos, e a carta de demissão que mandou ao seu superior ficou célebre – nela lia-se simplesmente: "Fui para a Patagónia." 

O seu livro mais celebre é, Na Patagónia, um clássico da literatura contemporânea, relato de viagem e retrato da solidão dos grandes territórios do sul do mundo. A sua carreira literária foi curta (mais longa terá sido a de viajante), mas de enorme brilho. Os seus livros, mais conhecidos são: O Vice-Rei de Ajudá, O Que Faço Eu Aqui?, Utz, Os Gémeos de Black Hill, Anatomia da Errância ou Regresso à Patagónia (com Paul Theroux).

Sinopse:
Ao cuidar da sua coleção de porcelanas de Meissen, Kaspar Utz encontrou um refúgio contra as adversidades do século XX. E apesar das restrições sentidas na Checoslováquia durante a Guerra Fria, Utz afirma a sua individualidade nesta devoção às preciosas peças.
Autorizado a sair do país uma vez por ano, Utz considera repetidamente a possibilidade de desertar. Porém, não podendo levar consigo as porcelanas, refém do regime e da coleção de Meissen, regressa sempre a casa - um microcosmo povoado de pequenas e frágeis figuras, que constituem para o seu proprietário um mundo mais real do que o próprio mundo.

domingo, junho 29, 2025

Oração a São Pedro

Hoje o Cristianismo festeja o dia de São Pedro e de São Paulo. Contudo, em Portugal e na lusofonia só o apóstolo pescador se tornou um dos três santos populares. São Pedro é, contudo, o mais sisudo dos santos talvez porque é o que tem atribuições de maior responsabilidade! Damos-lhe o encargo de fazer chover, pedimos-lhe que um dia nos abra as portas do Céu e generoso como é,  ainda lhe sobra tempo para proteger os pescadores e as viúvas!
Assim sendo e como os encargos são pesados aqui lhe deixo uma oração a este Santo Popular.

Glorioso apóstolo São Pedro,
com as tuas 7 chaves de ferro,
eu te peço, rogo, imploro,
que abras as portas dos meus caminhos,
que se fecharam diante de mim,
atrás de mim,
à minha direita e à minha esquerda.
Abre para mim os caminhos da felicidade,
os caminhos financeiros,
os caminhos profissionais,
com as tuas 7 chaves de ferro,
e concede-me a graça de poder viver sem obstáculos.

Glorioso São Pedro,
tu que sabes todos os segredos do céu e da terra,
ouve a minha oração e atende a prece que te dirijo.
Que assim seja.
Ámen.

sábado, junho 28, 2025

São Pedro, meu padroeiro

São Pedro, meu padroeiro
Trazes as chaves na mão.
Vê se encontras meu amor
Para abrir meu coração!

Solta-me da tua rede
São Pedro, que és pescador.
O meu coração está preso
E a sofrer por amor!

De pescadores e viúvas
És, São Pedro, protetor!
Olha que as divorciadas
Também querem um amor!

São Pedro se és meu amigo,
Fica aqui e faz chover.
Não vês que a minha fogueira,
Não pode ficar a arder?

sexta-feira, junho 27, 2025

Abraços

Assista à dupla musical de São Tomé e Príncipe, os Calema, em Abraços aqui num espetáculo, realizado recentemente no Estádio da Luz, em Lisboa (07/06/2025).
Esta dupla formada pelos irmãos António Mendes Ferreira (1992) e Fradique Mendes Ferreira (1987), já atuou no Campo Pequeno e na Meo Arena
Descendem de cabo-verdianos, portugueses e angolares, transportando em si uma herança cultural diversificada que os conduziu à paixão pela música.
Para além da língua portuguesa, os Calema também têm temas gravados em língua francesa.
E agora assista os Calema e Dilsinho em Leva Tudo.

quinta-feira, junho 26, 2025

O Sino dos Ventos ou Espanta Espíritos

 O Sino dos ventos, é um símbolo de proteção espiritual quer pessoal quer para o lar. O sino dos ventos pode ser encontrado em diversos tipos de materiais como: pedras lascadas ou fatiadas; bambu, metal; cerâmica; madrepérola; pequenos pedaços de madeira ou cristais.

O Sino dos ventos também conhecido como o Senhor dos ventos, Sinos de vento, Mensageiro do vento, Carrilhão de vento, Sinos da felicidade ou Espanta espíritos é usado para melhorar a energia do ambiente através do vento. O Budismo e o Feng Shui usam-no porque segundo estas práticas o ar é uma força que quando se movimenta entre pedaços de bambu, madeira, metal, ou conchas, espalha boas vibrações e o som interage com a nossa energia e ajuda a acalmar o espírito. 

Sino dos ventos tem origem em todo o território asiático, sendo utilizado há mais de 1.000 anos. Na China antiga, era considerado um talismã sagrado que expulsava os espíritos negativos das casas. Além disso, acreditava-se que o objeto atraía bons espíritos para o local onde estava instalado.

Em cada país asiático o Mensageiro do Vento teve um significado específico de acordo com a cultura e hábitos da região. Por exemplo, enquanto na China estes talismãs estavam ligados à religião budista, no Japão este objeto teve um papel importante relacionado com o Feng Shui e o Xintoísmo.

Para o Feng Shui, que é uma técnica que visa trabalhar com a harmonia das energias, este item tem a finalidade de harmonizar o ambiente. Além disso, a peça também limpa as energias más, deixando o ambiente mais bonito até por ser uma bela peça decorativa.

Ao longo do tempo, o Senhor dos ventos espalhou-se pelo mundo, graças à sua beleza e à sua fama de proteção. Atualmente, é muito comum encontrar o Sino dos Ventos quer em jardins e áreas externas das habitações quer no seu interior, desde que esteja num ambiente onde tenha uma boa passagem de ar.

Assim, cria sons agradáveis com o movimento do vento, com o objetivo de criar um ambiente leve e harmonioso. O som suave produzido pelos Sinos da felicidade pode ajudar a criar um ambiente relaxante e tranquilo. 

Em algumas culturas, acredita-se mesmo que os Espanta Espíritos afastam energias negativas e atraem energias positivas, além de ajudar a movimentar energias estagnadas. 
E agora aprenda a fazer um espanta espíritos.

quarta-feira, junho 25, 2025

O Clafoutis

O Clafoutis é um doce da culinária francesa (região do Limousino) feito originalmente com cerejas,  na época do verão europeu, entre junho e agosto.

 É uma receita super fácil, rápida e prática de fazer já que consiste numa fruta, originalmente cerejas inteiras, cozida no forno, num creme de farinha, ovos, leite e açúcar.

A receita indica que as cerejas devem ser marinadas por 2 horas com açúcar e Kirsch (licor de cerejas alemão). Entretanto, faz-se uma mistura de farinha, uma pitada de sal, ovos, açúcar, baunilha e raspa de limão; junta-se o leite, a nata, a manteiga derretida e as cerejas, e deita-se num prato que possa ir ao forno e à mesa, untado de manteiga e polvilhado de açúcar; coze em forno quente 30-40 minutos e serve-se morno.

Existe uma variante, também originária do Limousino, em que se utilizam outras frutas, principalmente a maçã, denominado "flaugnarde" ou "flognarde".

O Clafoutis é uma sobremesa híbrida entre um bolo e um pudim, ideal também para um lanche da tarde ou um pique-nique. 

Deixo-lhe em baixo, uma receita do Le Plat du Jour e aqui com o 24 kitchen e a receita da Filipa Gomes

Ingredientes:
100g de farinha de trigo
60g de açúcar
1 pitada de sal
4 ovos
200ml de leite
1/2 fava de baunilha
40g de manteiga sem sal derretida 
500g de cerejas sem caroço

Preparação:
Comece a receita retirando o caroço das cerejas. Uma boa técnica é usar um canudinho de inox para empurrar o caroço pela parte de baixo de cada cereja. Reserve.
Derreta a manteiga e deixe arrefecer.
Numa tigela coloque a farinha, o sal e o açúcar. Acrescente então os ovos e mexa bem. Adicione o leite, a baunilha e, por último, a manteiga derretida. Misture bem com um fouet para que a massa fique bem lisinha e homogénea.
Unte um recipiente, que vá ao forno, com manteiga e acrescente as cerejas já sem caroços. Cubra-as com a massa e leve ao forno pré-aquecido a 210 ºC por 10 minutos. Reduza a temperatura para 180ºC e coza por mais 20 minutos, ou até que as bordas da massa comecem a ficar douradas.
Sirva morno ou frio e, se desejar, com um pouquinho de açúcar de confeiteiro por cima.
As cerejas podem ser substituídas nesta receita por ameixas, nectarinas, damascos, pêssegos, maçãs, peras, etc.…

terça-feira, junho 24, 2025

Oração a São João Batista

S. João, Júlia Ramalho

Celebrado no dia do seu nascimento, 24 de junho, São João Batista é um dos santos mais populares da Igreja Católica. De acordo com o novo testamento, foi ele que anunciou a vinda de Jesus Cristo e é o último dos profetas. É considerado o padroeiro dos hoteleiros, hóspedes e prisioneiros e o seu nascimento foi anunciado pelo anjo Gabriel

São João Batista, um dos 13 apóstolos de Jesus Cristo foi o homem que o batizou. Os escritos revelam que Maria, mãe de Jesus, e Isabel, mãe de João Batista, eram primas. Por isso, neste Dia de São João, aprenda uma das orações para ter a proteção do santo, se quiser conhecer outras orações basta clicar aqui.

Oração a São João Batista

"Ó Glorioso São João Batista, príncipe dos profetas, precursor do divino Redentor, primogênito da graça de Jesus e da intercessão de sua Santíssima Mãe, que fostes grande diante do Senhor, pelos estupendos dons da graça de que fostes maravilhosamente enriquecido desde o ceio materno, e por vossas admiráveis virtudes, alcançai-me de Jesus, ardentemente vos suplico, que me dê a graça de o amar e servir com extremado afeto e dedicação até a morte. Alcançai-me também, meu excelso protetor, singular devoção a Virgem Maria Santíssima, que por amor de vós foi com pressa á casa de vossa mãe S. Isabel, para serdes livre do pecado original e cheio dos dons do Espírito Santo. 

Se me conseguirdes estas duas graças, como muito espero de vossa grande bondade e poderoso valimento, estou certa de que, amando até a morte a Jesus e a Maria, salvarei minha alma e no céu convosco e com todos os Anjos e Santos amarei e louvarei a Jesus e a Maria entre gozos e delícias eternas. Amém".

segunda-feira, junho 23, 2025

São João, Xangô Menino

Ouça os cantores brasileiros Caetano VelosoGilberto Gil em São João, Xangô Menino (vídeo ao vivo).

Ai, Xangô, Xangô menino
Da fogueira de São João
Quero ser sempre o menino, Xangô
Da fogueira de São João
Céu de estrela sem destino
De beleza sem razão
Tome conta do destino, Xangô
Da beleza e da razão

Viva São João, viva o milho verde
Viva São João, viva o brilho verde
Viva São João das matas de Oxóssi
Viva São João!

Olha pro céu, meu amor
Veja como ele está lindo
Noite tão fria de junho, Xangô
Canto tanto canto lindo

Fogo, fogo de artifício
Quero ser sempre o menino
As estrelas deste mundo, Xangô
Ai, São João, Xangô Menino

Viva São João, viva Refazenda
Viva São João, viva Dominguinhos
Viva São João, viva Qualquer Coisa
Viva São João, Gal Canta Caymmi
Viva São João, Pássaro Proibido
Viva São João!

Viva São João!
Viva São João!
Viva São João!

domingo, junho 22, 2025

Morro da Maianga

Ouça o cantor Ruy Mingas em Morro da Maianga (letra de Mário António -1934 - 1989).
Ruy Mingas (1939 - 2024) foi um cantor, compositor, diplomata, empresário e político angolano. Foi deputado no parlamento angolano, secretário com status de Ministro dos Desportos e embaixador de Angola em Portugal. Compôs a música do Hino Nacional de Angola.

Da sua obra discográfica destacam-se: "Morro da Maianga", "Cantiga por Luciana", "Poema da farra", "Maquesu", "Muadiaquimi", "Birin birin", "Monagambé", "Adeus à hora da partida" e ainda "Meninos do Huambo".
E agora assista ao vivo Rui Mingas em Morro da Maianga.

sábado, junho 21, 2025

Mulher com Sombrinha

"Mulher com Sombrinha", é uma obra de Claude Monet (1875).

Mulher com Sombrinha, pintura impressionista de Monet, é também conhecida como "O Passeio". Concluída em 1875, esta obra retrata a primeira esposa de Monet, Camille, e o seu filho Jean, num campo de papoulas perto de sua casa em Argenteuil, na França. Muitas das suas pinturas retratam a sua esposa, Camille. "Mulher com Sombrinha" captura a sensação de um momento fugaz, com Camille capturada num instante de movimento enquanto ela e o seu filho passeiam pelo campo.

Esta pintura, uma das mais conhecidas do pintor, mostra uma campina ensolarada de Argenteuil, região no subúrbio de Paris frequentada pela sua família de 1872 a 1878. A pintura é considerada uma das obras mais emblemáticas do impressionismo e um testemunho do talento de Monet. O quadro é uma interpretação despreocupada da natureza feita por um pintor tão preocupado com detalhes a ponto de dizer que gostaria de pintar "como canta um pássaro".

A pintura é um exemplo clássico do estilo impressionista, caracterizado por pinceladas soltas, cores vibrantes e uma representação efémera da luz e da atmosfera. Monet era um mestre em retratar a luz. As suas pinturas ao ar livre são marcantes e as pinceladas desestruturadas hipnotizam o observador, levando-o para dentro do quadro.

sexta-feira, junho 20, 2025

Noites de Luar no Morro da Maianga.

Noites de luar no Morro da Maianga.
Anda no ar uma canção de roda:
"Banana podre não tem fortuna
Fru-tá-tá, fru-tá-tá..
Fru-tá-tá, fru-tá-tá..
Fru-tá-tá, fru-tá-tá..."

Moças namorando nos quintais de madeira
Velhas falando conversas antigas
Sentadas na esteira
Homens embebedando-se nas tabernas
E os emigrados das ilhas...
— Os emigrados das ilhas

Com o sal do mar nos cabelos
Os emigrados das ilhas
Que falam de bruxedos e sereias
E tocam violão
E puxam faca nas brigas...

O ingenuidade das canções infantis
Ó namoros de moças sem cuidado

Ó histórias de velhas
Ó mistérios dos homens

—Vida!:

Proletários esquecendo-se nas tascas
Emigrantes que puxam faca nas brigas
E os sons do violão
E os cânticos da Missão

Os homens
Os homens
As tragédias dos homens! 
Mário António (1934 - 1989)

Nota: Maianga significa lagoa, charco. E é a origem do nome deste bairro de Luanda, lugar onde até ao século XIX iam elefantes, antílopes e leões beber água. O que está na foto é uma estrutura em forma de poço largo que mantinha a água mais limpa.

quinta-feira, junho 19, 2025

O Viajante da Meia-Noite

 O Viajante da Meia-Noite (2019) é um documentário (EUA, Qatar) realizado por Hassan Fazili com roteiro de Emelie Mahdavian e que conta no elenco com o próprio Hassan Fazili.

Em O Viajante da Meia-Noite, uma família afegã regista, com os seus telemóveis, a angustiante travessia por vários países em fuga da guerra e da perseguição política. 

Este é um dos filmes, que faz parte do programa Porto/Post/Doc, que questiona as formas de movimento forçado e voluntário que marcam o nosso tempo.

Sinopse:
Um relato da saga, feito na primeira pessoa, do realizador afegão Hassan Fazili e da sua família na busca por asilo. Depois de ter chamado a atenção para os fundamentalistas altamente armados, com um documentário em 2015, sobre os combatentes Taliban, este grupo islâmico estabelece uma recompensa pela cabeça de Fazili. Não tendo outra opção senão fugir com sua esposa e duas filhas, narra com precisão as agruras pelas quais os refugiados passam diariamente, em vários pontos do mundo. 

quarta-feira, junho 18, 2025

Luz e Fé

 


Ouça o cantor angolano Paulo Flores em Luz E Fé (No Mwangolé).
"Mwangolé" significa angolano. Quando se referem a uma característica própria, os angolanos usam a palavra, por ex. "mwangolé gosta de dançar". Mas também pode ser usada como lugar, país, por exemplo "por estes dias faz calor na mwangolé".

terça-feira, junho 17, 2025

Algumas Expressões Populares

Algumas das expressões populares abaixo, foram passando de geração em geração, mantendo-se vivas através da oralidade.

Estas são apenas algumas das expressões que enriquecem o vocabulário português e fazem parte do nosso património linguístico. São termos carregados de história e de identidade, refletindo a forma peculiar e expressiva como os portugueses comunicam no dia a dia. 

Eis algumas (entre muitas outras) destas expressões populares que lhe podem soar familiarmente:

  • Andar à nora - Estar confuso ou desorientado.
  • Fazer das tripas coração - Esforçar-se ao máximo para alcançar algo.
  • Estar com os azeites - Estar irritado ou zangado.
  • Ter cá uma lata - Ser descarado ou atrevido.
  • Bater a bota - Falecer, morrer.
  • Dar de frosques - Fugir ou sair rapidamente de um local.
  • Ir a eito - Fazer algo de forma contínua, sem interrupções.
  • À grande e à francesa - Significa viver com luxo e ostentação (utilizada em Portugal desde a primeira invasão francesa - Junot - em 1807).
  • Está daqui! - Acompanhada por um leve puxar de orelha, esta expressão usa-se para mostrar agrado e assegurar que a comida está deliciosa!
  •  Estar com cabeça na lua ou estar no mundo da lua - Significa que uma pessoa está desatenta, distraída ou que é esquecida.
  • Quem anda à chuva, molha-se - Mostra, reafirmando, que todas as ações que escolhemos realizar, têm consequências. 
  • Chegar a roupa ao pêlo - Significa bater, agredir alguém. Normalmente, é utilizada em tom de brincadeira ou de aviso sobre determinados comportamentos, de pais para filhos.
  • Partir o côco a rir - Um coco é um fruto bastante rijo e difícil de partir. Requer alguma prática, perícia e um golpe certeiro. A expressão usa-se quando alguém ri tanto que perde o controlo de tanto rir. Basicamente, o riso é tão forte, que é capaz de partir um côco!
  • Ter a pulga atrás da orelha - Com origem misteriosa, vinculada a lendas de vikings, a expressão significa suspeitar de algo ou alguém, estando intrigado até obter uma resposta.

segunda-feira, junho 16, 2025

No Rancho Fundo

Ouça os cantores portugueses António Zambujo e Miguel Araújo em No Rancho Fundo (Coliseu do Porto - Oficial).

 No Rancho Fundo é um samba-canção resultado da parceria de Ary Barroso com Lamartine Babo, muito embora a melodia seja uma composição anterior do próprio Ary Barroso, que recebeu então letra de J. Carlos e que foi intitulada "Na Grota Funda". Impressionado com a música, Lamartine Babo escreveu novos versos e tendo-a batizado de "No Rancho Fundo".

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade

No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno canta as mágoas
Tendo os olhos rasos d'água

Pobre moreno
Que de noite no sereno
Espera a Lua no terreiro
Tendo um cigarro
Por companheiro

Sem um aceno
Ele pega na viola
E a Lua por esmola
Vem pro quintal
Desse moreno

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite, nem de dia

Os arvoredos
Já não contam
Mais segredos
E a última palmeira
Já morreu na cordilheira

Os passarinhos
Hibernaram-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza

Tudo por que
Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Pra uma casa de sapê

Se Deus soubesse
Da tristeza lá da serra
Mandaria lá pra cima
Todo o amor que há na terra

Porque o moreno
Vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade

Ele que era
O cantor da primavera
E que fez do rancho fundo
O céu melhor
Que tem no mundo

Se uma flor desabrocha
E o Sol queima
A montanha vai gelando
Lembra o cheiro
Da morena

domingo, junho 15, 2025

O Macramê

O macramê (do árabe makrama "guardanapo", "toalha" ou "franja") é uma técnica de tecelagem manual com a utilização de nós. Originalmente o macramê era usado para fazer franjas ou barras em lençóis, cortinas e toalhas. 

Os espanhóis aprenderam esta técnica com os mouros e espalharam-na pelo Europa do sul no início do século XIV. 

Era uma arte bem estabelecida em França já nos séculos XIV e XV, sendo conhecida como filet-de-Carnassière, tendo sido introduzida na Inglaterra no final de 1600. A palavra "filet-de-Carnassière" é um termo histórico para macramê (ou macramé), um tipo de artesanato que envolve a criação de padrões e peças que utilizam nós feitos com corda ou com fio. 

O macramê floresceu na Itália nos séculos XVII e XVIII e gozou de enorme popularidade.

As freiras de Espanha e de França, especialistas em todas as formas de bordar e fazer rendas, foram rápidas em ver todas as possibilidades deste tipo de nós decorativos e desenvolveram esta técnica havendo hoje várias pinturas que podem ser vistas em museus e catedrais, particularmente no hemisfério norte, que mostram peças de roupa e panos de altar com temas religiosos elaboradas em macramê.

Foi especialmente durante meados do século XIX, na Inglaterra vitoriana, que o macramê se popularizou como uma forma de artesanato complementar destinado à decoração de interiores. 

Este tipo de artesanato extremamente versátil está outra vez na moda, em peças decorativas como por exemplo: suportes de vasos para plantas, painéis de parede, carteiras, argolas de guardanapo, bases de copos ou de jarros, porta chaves, cortinas em macramé, caminhos de mesa, cabeceiras de cama em macramé, etc.
Assista agora a um vídeo sobre O Macramê Passo a Passo: O Nó quadrado.
E agora veja um vídeo sobre o Macramê e a Decoração. 
E agora assista a uma aula sobre Macramé para Iniciantes.