Aqueles que passam por nós não vão sós.
Deixam um pouco de si,
levam um pouco de nós.
Aqueles que passam por nós não vão sós.
Deixam um pouco de si,
levam um pouco de nós.
Veja mais um vídeo do Portuguese With Leo, onde o Leonardo Coelho fala do sotaque e de expressões da Madeira (Madeiran accent and expressions - Learn Portuguese).
Não perca a oportunidade de aprender um pouco mais.
Ora veja!
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| O Aniversário (Chagall, 1915) |
Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (...)
Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca.
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| Piquenique |
Fernando Botero (19 de abril de 1932) é um artista plástico colombiano. O estilo figurativo que o caracteriza é chamado por alguns de "Boterismo", o que lhe dá uma identidade inconfundível.
As suas obras destacam-se sobretudo pelos personagens volumosos. Este estilo consagrou-o mundialmente tanto nas suas pinturas e desenhos, como também nas esculturas. Percebe-se a sua escultura como uma crítica social, especialmente no que diz respeito à ganância do ser humano.
Botero começa a vender os seus primeiros desenhos, aos 15 anos. Contudo, realizou a sua primeira exposição em 1951, em Bogotá.
Em 1952, Botero viajou para a Espanha e ingressou na Academia de San Fernando de Madri, além de frequentar o Museu do Prado, onde estudava e copiava as obras de Diego Velásquez e Francisco de Goya. Aqui expôs aos mestres espanhóis o seu interesse por arte pré-colombiana, pela arte colonial espanhola e pelos temas políticos do muralista mexicano Diego Rivera.
Entre 1953 e 1955 viajou pela França e Itália, onde em Florença, na Academia de San Marco, estudou História da Arte, pintura e as técnicas dos afrescos do Renascimento italiano, que influenciaram as suas obras.
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| Mona Lisa |
De volta à Colômbia, em 1955, Botero participou da exposição na Biblioteca Nacional. No ano seguinte viajou para o México, quando estudou os murais dos artistas Diego Rivera e José Clemente.
Em 1961 fixou residência em Nova Iorque. Foi aí que começou a ampliar o volume dos seus personagens. Em 1965 abriu um estúdio na cidade. É desse período a obra "Mona Lisa" (1963), uma releitura da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci e a releitura da famosa obra de Jan van Eyck, "O Casal Arnolfini".
A partir daí, passa a realizar exposições por todo o mundo, tendo como eixo Paris, Bogotá e Nova York. É só em 1973, em Paris, que cria a sua primeira escultura (em Lisboa, no Parque Oeste, existe uma escultura deste artista).
É considerado um artista bastante politizado, sobretudo pela preocupação que demonstra com a violência na América Latina. Essa preocupação está refletida nas suas obras. A sua exposição "Dores da Colômbia" conta com 67 obras, com 36 desenhos, 25 pinturas e seis aquarelas. Nela, o artista coloca em evidência a violência causada pelos conflitos envolvendo os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), exército e os grupos paramilitares.
Se quiser conhecer mais alguma coisa acerca da obra de Botero não deixe de ver o vídeo abaixo.
Este bairro localiza-se num penhasco elevado com vista para o rio Mtkvari. O bairro abriga a Igreja da Assunção de Metekhi.
A igreja de Metekhi é uma igreja de cúpula cruzada, embora este estilo fosse mais comum durante a Idade Média. É feita de tijolos e pedra trabalhada. Os restauros dos séculos XVII, XVIII e XIX empregaram principalmente tijolos. A fachada é geralmente lisa, com elementos decorativos concentrados em torno das janelas das absides orientais. Faixas horizontais abaixo das empenas circundam os quatro lados e servem como um elemento unificador. O pórtico norte da entrada principal não é uma adição posterior, mas foi construído ao mesmo tempo que o resto da igreja.
A região onde se localiza a igreja foi uma das primeiras áreas habitadas no território da cidade. De acordo com relatos tradicionais, o rei Vakhtang I Gorgasali ergueu aqui uma igreja e um forte que servia também como residência de um rei; daí vem o nome Metekhi, que remonta ao século XII e significa literalmente "a área ao redor do palácio".
A tradição diz, também, que este foi o local onde a mártir do século V, Santa Shushanik, foi enterrada. No entanto, nenhuma destas estruturas sobreviveu à invasão mongol de 1235.
A lenda refere também que, o penhasco de Metekhi, foi o local do martírio de Habo (século VIII), o santo padroeiro de Tbilisi . Uma pequena igreja em sua homenagem está a ser construída no sopé da falésia.
A falésia está ligada à margem direita oposta do rio Mtkvari, através de uma ponte de betão armado, que foi construída em 1951, no local das duas pontes mais antigas. Infelizmente, um complexo único de várias estruturas e edifícios que datavam dos séculos XVII a XIX foram destruídos durante a construção da ponte. Recentemente, o governo da cidade anunciou a sua intenção de restaurar esta parte da histórica da Velha Tbilisi, como era na primeira metade do século XX.
A Igreja da Assunção de Metekhi, que fica no topo da colina, foi construída pelo rei georgiano São Demétrio II por volta de 1278 - 1284 e é um exemplo incomum de igreja ortodoxa georgiana com cúpula (foi danificada e restaurada várias vezes, como já referi).
O rei Rostom (r. 1633-1658) fortificou a área ao redor da igreja com uma forte cidadela guarnecida por cerca de 3.000 soldados. Sob o domínio russo (estabelecido em 1801), a igreja perdeu o seu propósito religioso e foi usada como quartel.
A cidadela foi demolida em 1819 e substituída por um novo edifício que funcionou como prisão até à era soviética, e fechada apenas em 1938.
Durante o período soviético, o georgiano Lavrenti Pavlovich Beria pretendeu destruir a igreja também, mas encontrou uma oposição obstinada de um grupo de intelectuais georgianos liderados pelo pintor e colecionador de arte Dimitri Shevardnadze. Beria respondeu aos seus apelos solicitando que ele desistisse de seus esforços para salvar a igreja dizendo-lhe que seria nomeado diretor de um futuro museu. O artista recusou, foi preso e executado. O edifício, contudo, foi preservado.
A estátua equestre do Rei Vakhtang I Gorgaslan, do escultor Elguja Amashukeli, foi erguida em frente à igreja em 1961.
No final da década de 1980, o patriarca católico de toda a Geórgia, Ilia II, lançou uma campanha apoiada popularmente, com o objetivo de o estado devolver a igreja ao patriarcado georgiano. Um conhecido dissidente e futuro presidente da Geórgia, Zviad Gamsakhurdia, fez greve de fome para apoiar essa solicitação. Apesar da resistência inicial da liderança comunista local, a igreja voltou a funcionar em 1988.
Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.
Quero-te apenas porque a ti eu quero,
a ti odeio sem fim e, odiando-te, te suplico,
e a medida do meu amor viajante
é não ver-te e amar-te como um cego.
Consumirá talvez a luz de Janeiro,
o seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.
Nesta história apenas eu morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.
Sinopse:
A obra descreve a vida social em Bath, que Jane Austen conhecera em 1797, e parodia os romances góticos, muito apreciados na época. A heroína, a jovem Catherine Morland, que imagina as suas aventuras sombrias em antigos castelos ou mosteiros de arquitetura gótica, acredita que pode viver um desses sonhos quando é convidada a permanecer na Abadia de Northanger. Entre ela e Henry Tilney, o filho do proprietário do lugar, vai desenvolver-se um romance.
O confronto das ideias românticas de Catherine e a realidade, durante as suas discussões com Henry Tilney e com Eleanor, a irmã dele, faz com que a pouco e pouco ela ultrapasse a adolescência, o que pode ter transformado "Northanger Abbey" num romance de aprendizagem.
Em A Abadia de Northanger, além das características estilísticas de Jane Austen (ironia, discurso indireto livre) e o aspeto de paródia da obra, há também a crítica aos romances góticos no tocante à sua influência na imaginação fértil de meninas jovens, assim como uma defesa incondicional dos romances em geral, que na época eram principalmente escritos por mulheres e considerados um género de segunda categoria.
Esta obra, tal como algumas outras obras da autora, foi adaptada ao cinema.
"Luanda, Lisboa, Paraíso” é um livro que não se consegue ler num só fôlego. Se, por um lado, é dura a viagem da miséria humana, por outro são belas as palavras que descrevem os cruzamentos geográficos, a metamorfose humana". PNL.
Sinopse:
Chegados a Lisboa, Cartola e Aquiles descobrem-se pai e filho na desventura. Até que num vale emoldurado por um pinhal, nas margens da cidade mil vezes sonhada pelo velho Cartola, encontram abrigo e fazem um amigo. Será esta amizade capaz de os salvar?
«Se o entendimento entre duas almas não muda o mundo, nenhuma ínfima parte do mundo é exactamente a mesma depois de duas almas se entenderem.»
Luanda, Lisboa, Paraíso, o segundo romance de Djaimilia Pereira de Almeida, é o balanço tocante de três vidas obscuras, em que esperança e pessimismo, desperdício e redenção, surgem lado a lado.
O Palacete dos Condes de Sabrosa, construído no 3º quartel do séc. XVIII, é de arquitetura pombalina.
Quem se lembra?
De Glenn Miller, a Ray Charles, Roberto Carlos, Rita Pavone, Elvis Presley, e aos The Beatles, etc
Um vídeo que é uma preciosidade. Não perca.
Ora veja!
Algumas pessoas procuram repetir os detalhes das obras, enquanto outras fazem isso usando o sentido de humor. No final, o resultado é sempre surpreendente.
"Jeanne Hébuterne com um grande chapéu", é uma obra de Amedeo Modigliani. Amedeo Modigliani (1884 - 1920) foi um artista plástico e escultor italiano que viveu parte significativa de sua vida adulta radicado em Paris.
Jeanne Hébuterne (1898 - 1920) foi uma pintora francesa. Quando Jeanne seguiu o seu irmão pelos caminhos da arte, escolheu para estudar a Academia Colarossi, na rua Grande Chaumière, em Paris. Jeanne desde pequena mostrou aptidão para a pintura e para o desenho. Possuía estilo próprio e criava as suas próprias roupas.
O Compasso Pascal ou Visita Pascal é uma tradição portuguesa deste período da Páscoa. Consiste na visita (no dia de Páscoa ou nas semanas seguintes) do pároco (ou quem o substitua), realizada de casa a casa, de uma determinada paróquia, do Crucifixo de Cristo para celebrar a sua Ressurreição.
Um pequeno grupo de paroquianos ou mordomos, com ou sem o seu pároco, liderados por um crucifixo que representa a presença de Jesus vivo, percorre as várias casas dos paroquianos que manifestem a sua vontade de receber a visita de Jesus Ressuscitado no dia de Páscoa.
Em cada uma das casas, após uma bênção inicial, os habitantes da casa visitada beijam a Cruz de Cristo como demonstração de adoração.A esta tradição associaram-se diferentes formas de receber essa visita. Ela é vista como uma forma de confraternização dos membros da comunidade paroquial com a oferta de alimentos da quadra Pascal ou apenas uns minutos de repouso para o grupo itinerante. É também comum ser aproveitada para oferta de donativos pecuniários à paróquia .
Em cada aldeia, vila ou cidade, sobretudo do Norte e Centro de Portugal, o Compasso Pascal tem as suas particularidades ou características. Por exemplo, em Fiscal, Amares, há um ritual que se mantém e que se tem repetido ao longo do tempo. Nesta localidade a cruz é conduzida de barco até à outra margem do Rio Homem para que quem aí mora (lugares de S. Bento e de S. Pedro) a possa beijar.
Manda a tradição que sejam quatro os barcos a efetuar a travessia sobre as águas, onde vão o fogueteiro, o pároco e mordomos e a banda de música que acompanha o compasso.Esta é uma tradição antiga que se mantém nos dias de hoje, mas há também outras que vão persistindo no tempo como as limpezas das casas - que devem ficar impecáveis para receber precisamente o compasso pascal.
Este compasso de Fiscal, como em praticamente todas as localidades minhotas, e na região do Cávado é das manifestações religiosas mais importantes para os fiéis celebrarem a ressurreição de Jesus Cristo.
Se quiser preparar, para o almoço de domingo de Páscoa, um doce especial, aqui lhe deixo esta receita típica portuguesa, Natas do Céu, que é verdadeiramente de ir aos céus.
Ingredientes (6 a 8 pessoas):
200 ml de natas frescas para bater
6 ovos
200g de bolacha maria ralada (opcional)
40g de açúcar
80g de açúcar
130g de açúcar
1 casquinha de limão
1 pau de canela
Amêndoa torrada picada q.b. (opcional)
Preparação:
Parta os ovos e separe as gemas das claras. Mexa as gemas com um garfo.
Num tacho leve ao lume 120 ml de água, os 130g de açúcar, a casquinha de limão e o pau de canela.
Mexa e quando entrar no ponto de ebulição, deixe ferver durante 5 minutos. Passado os 5 minutos, retire a casquinha de limão e o pau de canela.
Apague o lume e deixe arrefecer um pouco.
À calda de açúcar morna, misture muito bem as gemas. Leve novamente ao lume e deixe cozinhar em lume moderado, sem parar de mexer. Logo que as gemas engrossem e antes de começarem a ferver, apague o lume e mexa mais um pouco para que as gemas não cozam.
Deixe arrefecer o doce de ovos.
Depois do doce de ovos frio, bata as natas até que fiquem consistentes. Enquanto bate, adicione aos poucos os 40g de açúcar e bata até que fique em chantilly.
Bata as claras em castelo bem firmes. Sem parar de bater, adicione os 80g de açúcar e bata até que fique um merengue consistente.
Envolva muito bem o chantilly com o merengue até que fique um creme homogéneo.
Numa taça grande ou em taças pequenas ou em copos, coloque o creme branco ou camadas alternadas de bolacha maria e de creme branco. Com uma colher, alise bem entre cada camada. A última camada deverá ser de creme branco.
Por fim, coloque o doce de ovos ou divida-o pelos copos ou pelas taças. Polvilhe com a amêndoa torrada picada ou bolacha maria ralada.
Leve ao frigorífico até que o doce fique fresco. Depois da sobremesa fria está pronta a servir.
Nota: Acho este doce muito melhor sem a bolacha maria e a amêndoa picada.
Sabe o que é a Flor da Paixão?
A Flor da Paixão é a famosa flor do maracujá. Nativa da América do Norte, a passiflora (ou Passiflora incarnata) é uma planta perene, trepadeira de crescimento rápido, da família do maracujá.
O nome científico de Passiflora incarnata é uma referência à Paixão de Cristo, período de tempo que decorre até á morte de Cristo, de acordo com as Escrituras. Os missionários europeus usaram, no momento da descoberta da planta, no continente americano, um simbolismo cristão para lhe dar um nome. Na verdade, a flor da passiflora lembrou as unhas, a coroa de espinhos e o flagelo de Cristo durante o período de crucificação na Sexta-feira Santa.
A Passiflora incarnata era usada pelos índios norte-americanos para o tratamento da insónia, ansiedade e hipertensão.
Apesar dos efeitos psicoativos da planta estarem bem documentados a sua ação farmacológica ainda não é totalmente compreendida.
Com mais de 500 espécies na sua família - como as do maracujá roxo, amarelo e doce - ela é um tipo de planta medicinal que está muito presente em países como o Brasil.
Afinal, o que é passiflora e para que serve a flor-da-paixão?
De coloração roxa, azul e branca a passiflora é uma flor perene que costuma ser usada em medicamentos fitoterápicos como calmante natural, para aliviar sintomas de stresse, insónia e ansiedade. Quando consumida sob a forma de chás, a planta proporciona sensação de bem-estar e relaxamento, estimulando a produção de serotonina, hormona que ajuda a regular as emoções.
Esta planta medicinal também é rica em propriedades anti-inflamatórias e bactericidas. Além do efeito calmante, a passiflora possui propriedades anti-inflamatórias que ajudam a aliviar sintomas de cansaço, inchaço e dores no corpo, causados por inflamações. Ela também é composta por agentes bactericidas, que impedem o crescimento de bactérias no organismo.
Além de estimular o bem-estar, o chá de passiflora é indicado para o tratamento de dores de cabeça e depressão e ajuda a regular a tensão.
Se quiser ficar a conhecer melhor esta flor, não deixe de ver o vídeo abaixo.
Não perca.
Quanta alegria na minha alma vai!
Tenho os meus lábios húmidos: tomai
A flor e o mel que a vida nos promete!
Sinfonia de luz meu corpo não repete
O ritmo e a cor dum mesmo desejo... olhai!
Iguala o sol que sempre às ondas cai,
Sem que a visão dos poentes se complete!
Meus pequeninos seios cor-de-rosa,
Se os roça ou prende a tua mão nervosa,
Têm a firmeza elástica dos gamos...
Para os teus beijos, sensual, flori!
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos,
Só me exalto e sou linda para ti!
Florbela Espanca - "A Mensageira das Violetas"
De acordo com o historiador australiano, Peter Trickett, a descoberta da Austrália não foi feita por James Cook mas sim pelo português, Cristovão de Mendonça, em 1522 ou seja, cerca de 250 anos antes de Cook.
Se quiser ficar a conhecer um pouco mais desta narrativa não deixe de ver o vídeo abaixo. Não perca esta oportunidade.
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| KBG84 |
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| Ilha de Kohama |
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| Inês Souto Félix |
Andorinha que vais alta,
Porque não me vens trazer
Qualquer coisa que me falta
E que te não sei dizer?
s.d. - Quadras ao Gosto Popular.
É uma camisola de lã branca (originalmente poderia ser branca, castanha ou azul), bordada em ponto de cruz, com motivos em preto e vermelho. Os motivos do bordado são não só marinhos (patinhos, remos cruzados, vertedouros, grinaldas, apetrechos marítimos, etc), mas também incluem o escudo nacional, com a coroa real, o brasão da Póvoa de Varzim e siglas poveiras. O remate com o nome ou a sigla poveira era mais do que um registo de propriedade, era também uma dedicatória.
As camisolas poveiras foram inicialmente bordadas por homens - os velhos "Lobos do Mar" retirados da faina, que esculpiam na lã toda a simbologia da sua vida. Depois passaram a ser bordadas a ponto de cruz pelas noivas, irmãs ou mães dos pescadores, como sinal de afeto.
Esta peça era elemento integrante do traje masculino de romaria e festa do pescador poveiro, cuja origem remonta ao primeiro quarteirão do séc. XIX. Este traje branco de branqueta (tecido manual) foi o que mais perdurou, mantendo-se até finais do século passado, sendo sempre o traje escolhido aquando da presença de elementos da comunidade junto das mais altas individualidades do país. Com a grande tragédia marítima de 27 de Fevereiro de 1892, o luto decretou a sentença de morte deste traje branco, assim como de outros trajes garridos. A camisola sobreviveu, ainda, pela primeira metade deste século, mantendo-se como peça de luxo de velhos e novos.
Foi com a criação do Grupo Folclórico Poveiro, em 1936, pelo etnógrafo António dos Santos Graça, que se assistiu ao renascimento do traje branco (de romaria e festa), onde a camisola poveira tem posição de relevo, e se iniciou a divulgação no exterior desta peça de extrema beleza e a quantos visitam a Póvoa de Varzim, quer nacionais quer estrangeiros.
Atualmente, as Camisolas Poveiras vendem-se, como peças de artesanato, nas lojas de recordações turísticas.
Nestes dois últimos dias muito se tem falado da Camisola Poveira, no nosso país. Não pelos melhores motivos.
Uma marca norte-americana (a Tory Burch) vende a camisola poveira (como sendo de design próprio) por 695 euros, sem qualquer referência à Póvoa de Varzim ou a Portugal. Segundo os jornais Público e Observador, a marca começou por apresentar a camisola como sendo de inspiração mexicana.
Oiça o cantor angolano Toty Sa'Med em Meu Amor da Rua Onze, um poema do poeta angolano Aires de Almeida Santos.
Aires de Almeida Santos (1922 - 1991) foi um poeta e jornalista angolano que nasceu no Chinguar (Angola), e viveu a sua infância junto do mar, na cidade de Benguela e a adolescência na cidade do Huambo.
O músico dos Buraka Som Sistema produziu o primeiro EP de Toty, Ingombota, quando era um cantor praticamente desconhecido.
Nesse disco, o músico angolano cantou velhas canções de Ruy Mingas, Artur Nunes ou Bonga. Em 2018, subiu ao palco do EDP Cool Jazz, fazendo a primeira parte do espetáculo de Salvador Sobral.
Joss Stone procurou-o na sua passagem por Angola com o projeto Total World Tour. E cantou com ele, em kimbundu.
Tantas promessas fizemos,
Tantos beijos nos roubámos
Tantos abraços nós demos.
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais mentir.
Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais fingir.
Era tão grande e tão belo
Nosso romance de amor
Que ainda sinto o calor
Das juras que nós trocámos.
Era tão bela, tão doce
Nossa maneira de amar
Que ainda pairam no ar
As vezes promessas, que fizemos.
Nossa maneira de amar
Era tão doida, tão louca
Qu´inda me queimam a boca
Os beijos que nos roubámos.
Tanta loucura e doidice
Tinha o nosso amor desfeito
Que ainda sinto no peito
Os abraços que nós demos.
E agora
Tudo acabou
Terminou
Nosso romance
Quando te vejo passar
Com o teu andar
Senhoril,
Sinto nascer
E crescer
Uma saudade infinita
Do teu corpo gentil
de escultura
Cor de bronze
Meu amor da Rua Onze.
Aires Almeida Santos (1922 - 1991) - "Meu Amor da Rua Onze" (1987).
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
7-11-1915 - "Poemas Inconjuntos"-Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa.