Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria E a primavera era depois de amanhã, Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. Por isso, se morrer agora, morro contente, Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é. Alberto Caeiro(n.16 de abril de 1889)- Poesia (Poemas Inconjuntos)
A música popularmente conhecida como Spring Waltz (ou Valsa da Primavera) está cercada por uma enorme confusão.
A peça chama-se, na verdade, "Mariage d'Amour" (Casamento de Amor) e foi composta em 1978 pelo francêsPaul de Senneville.
Por causa de vídeos virais no YouTube com títulos errados, milhões de pessoas acreditam que a música é de Frédéric Chopin. Na realidade, Chopin nunca escreveu uma peça com este nome.
A obra tornou-se mundialmente famosa através do pianista Richard Clayderman e, posteriormente, por um arranjo de George Davidsonque consolidou o apelido de "Spring Waltz".
Curiosamente, em 2024, um manuscrito de uma valsa inédita e autêntica de Chopin foi descoberto na Morgan Library & Museum em Nova Iorque, mas esta é uma peça curta e melancólica, totalmente diferente da famosa "Spring Waltz" da internet.
Começam por ser nada. Pouco a pouco se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos, e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.
Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores, e então crescem as flores, e as flores produzem frutos, e os frutos dão sementes, e as sementes preparam novas árvores.
E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas. Sem verem, sem ouvirem, sem falarem. Sós. De dia e de noite. Sempre sós.
Os animais são outra coisa. Contactam-se, penetram-se, trespassam-se, fazem amor e ódio, e vão à vida como se nada fosse.
A Árvore Cinzenta, 1911 - Piet Mondrian
As árvores, não. Solitárias, as árvores, exauram terra e sol silenciosamente. Não pensam, não suspiram, não se queixam. Estendem os braços como se implorassem; com o vento soltam ais como se suspirassem; e gemem, mas a queixa não é sua.
Sós, sempre sós. Nas planícies, nos montes, nas florestas, A crescer e a florir sem consciência.
Virtude vegetal viver a sós e entretanto, dar flores.
Aproveite o bom tempo e ouça Bobby McFerrinem Don't Worry Be Happy (Vídeo oficial).
Bobby McFerrin (1950), é um músico americano. Ficou conhecido internacionalmente com esta canção que conquistou três Grammys em 1989. Gravou vários clássicos do jazz e da música erudita, além de outros géneros.
Here's a little song I wrote You might want to sing it note for note Don't worry, be happy In every life we have some trouble But when you worry, you make it double Don't worry, be happy Don't worry, be happy now
Don't worry (Ooh-ooh-ooh-ooh) Be happy (Ooh-ooh-ooh) Don't worry, be happy (Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) Don't worry (Ooh-ooh-ooh-ooh) Be happy (Ooh-ooh-ooh) Don't worry, be happy
Ain't got no place to lay your head Somebody came and took your bed Don't worry, be happy The landlord say your rent is late He may have to litigate Don't worry, be happy (look at me, I'm happy)
Don't worry (Ooh-ooh-ooh-ooh) Be happy (Ooh-ooh-ooh) Hey I give you my phone number When you worry, call me, I make you happy (Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) Don't worry (Ooh-ooh-ooh-ooh) Be happy (Ooh-ooh-ooh)
Ain't got no cash, ain't got no style Ain't got no gal to make you smile But don't worry, be happy 'Cause when you worry your face will frown And that will bring everybody down So don't worry, be happy Don't worry, be happy now
Don't worry (Ooh-ooh-ooh-ooh) Be happy (Ooh-ooh-ooh) Don't worry, be happy (Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) Don't worry (Ooh-ooh-ooh-ooh) Be happy (Ooh-ooh-ooh) Don't worry, be happy
Now there is this song I wrote I hope you learned it note for note, like good little children Dn't worry, be happy Now listen to what I said, in your life expect some trouble But when you worry, you make it double But don't worry, be happy, be happy now
Don't worry (Ooh-ooh-ooh-ooh) Be happy (Ooh-ooh-ooh) Don't worry, be happy (Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) Don't worry (Ooh-ooh-ooh-ooh) Be happy (Ooh-ooh-ooh) Don't worry, be happy (Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) don't worry, don't worry (Ooh-ooh-ooh-ooh) Don't do it, be happy (Ooh-ooh-ooh) Put a smile in your face, don't bring everybody down like this (Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) Don't worry (Ooh-ooh-ooh-ooh) It will soon pass, whatever it is (Ooh-ooh-ooh) don't worry, be happy (Ooh, ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh-ooh) I'm not worried (Ooh-ooh-ooh-ooh) I'm happy
O Noruz ou "Dia Novo" é uma festa tradicional da Ásia Central que celebra o Ano Novo do calendário persa - marcando a renovação da natureza (primeiro dia da primavera). A saudação usual nesta festividade é: Noruz Mubarak que significa Feliz Ano Novo.
O Noruz pode acontecer no dia 20, 21 ou 22 de março do calendário Gregoriano, dependendo do momento em que ocorre o equinócio de primavera.
A celebração do Noruz ocorre há pelo menos 3 000 anos e está profundamente enraizada nos rituais e nas tradições do Zoroastrismo. Atualmente, acontece em muitos países que fizeram parte dos antigos impérios iranianos ou que sofreram a sua influência.
Assim, fora do Irão, é comemorado no Curdistão, no Afeganistão, na Albânia, nas antigas repúblicas soviéticas do Tajiquistão, Uzbequistão, Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão, e ainda na Macedónia do Norte, na Turquia e no Turcomenistão) e também por várias comunidades de origem iraniana, em todo o Médio Oriente. Além disso, o Noruz também é comemorado pelos parses zoroastrianos, na Índia.
O dia 21 de março foi proclamado Dia Internacional do Noruz pela Assembleia Geral das Nações Unidas, por iniciativa de vários países que compartilham este feriado, e foi inscrito, em 2009, na Relação Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, como uma tradição cultural observada por numerosos povos e que promove valores de paz e solidariedade entre gerações e dentro das famílias, bem como a reconciliação, a aproximação e a amizade entre diferentes povos.
Uma característica tradicional e específica deste período é a de se fazerem reuniões com a família e os amigos em volta de uma mesa decorada com objetos que simbolizam pureza, luminosidade, vida e prosperidade. Os participantes das celebrações vestem roupas novas e visitam vizinhos e parentes, principalmente os idosos. Também são feitos presentes, especialmente para as crianças, que geralmente consistem em objetos feitos por artesãos. Neste festival de Ano Novo há apresentações de música de rua e dança, ritos de água e fogo que são celebrados em público. Também são organizadas competições desportivas tradicionais, faz-se e vende-se artesanato diverso, etc.
Outra caractetística importante do Nortuz é o Haft sîn. O Haft sîn ou "sete sîn" é uma tradição ligada ao Noruz. No Ano Novo, sete itens, cujos nomes comecem com a letra sîn (ou seja s), devem ser dispostos sobre uma mesa ou sobre tapetes, num espaço reservado para receber convidados. Segundo a tradição, os sete itens são:
sabzeh - rebentos de trigo, cevada ou lentilha (a germinar) colocados num prato ou vaso, como símbolo do renascimento.
samanu - um doce feito de germe de trigo, simbolizando a afluência.
senjed - o fruto seco da oliveira do paraíso (Eleagnus angustifolia), que simboliza o amor
sîr - o alho, que simboliza remédio ou cura
sîb - maçãs, que são o símbolo da beleza e da saúde
somaq- uma especiaria extraída dos frutos secos da Rhus coriaria, que simboliza o nascer do sol.
serkeh - o vinagre que simboliza a longevidade e a paciência.
Eventualmente, alguns elementos tradicionais podem ser substituídos por outros, cujo nome também comece com a letra sîn.
A Primavera é uma pintura do britânico Walter T. Crane (1883). Walter Crane (1845 - 1915) foi um artista e ilustrador de livros.
É considerado o mais influente, e um dos mais prolíficos, criadores de livros infantis da sua geração.
O trabalho de Crane deu origem a alguns dos primeiros, mais coloridos e detalhados motivos das ilustrações de histórias infantis. Crane fazia parte do movimento Arts and Crafts e produziu uma variedade de pinturas, ilustrações, livros infantis, azulejos de cerâmica e outras artes decorativas. Walter Crane também é lembrado por ter criado uma série de imagens icónicas associadas ao movimento socialista internacional .
Aprecie bem esta bela pintura que evoca a Primavera através de singelos narcisos.
Prado (1901) é uma obra do pintor Ferdinand Hodler. Ferdinand Hodler (1853 - 1918) foi um pintor suíço precursor da pintura expressionista.
Ferdinand Hodler, foi um paisagista e simbolista cujos retratos e paisagens (fortemente ligadas ao contexto alpino) se concentravam na unidade simétrica da natureza e no mistério da vida humana.
Fundindo o realismo de Gustave Courbet e as pinceladas pós-impressionistas de Paul Gauguin com a sua própria forma de simbolismo, o artista criou obras de destaque, incluindo, entre outras, The Night (1889-1890).
"A Primavera" (1904) é uma pintura do pintor russo (de ascendência polaca-ucraniano) Kazimir Malevitch.
Antes de se dedicar à pintura abstrata, o vanguardista Kazimir Malevitch (1879-1935) retratava a natureza.
No início de sua carreira, o jovem pintor foi muito influenciado pelos impressionistas. Uma pintura de Monet impressionou-o profundamente: "Pela primeira vez, vi os reflexos do céu azul cheios de luz, os puros tons transparentes", escreveu em 1904.
"Arbustos na Primavera" (1925) é uma obra do pintor suíço de nacionalidade alemã, Paul Klee. Paul Klee (1879 - 1940) foi um autodidata.
Após ter sido rejeitado na Academia de Artes de Munique em 1898, viajou pelo mundo para ver obras artísticas de outros lugares.
Impressionaram-no, especialmente, as pinturas de Vincent van Gogh e de Paul Cézanne.
Mas ele tentou algo de diferente, ter uma linguagem própria, um trabalho detalhista, como se verifica nesta obra.
"Primavera em Giverny" (1900) é uma obra do pintor Claude Monet (1840 -1926).
Para o impressionista francês, Claude Monet, o despontar da primavera era a maior de todas as fontes de inspiração.
No jardim e ao redor de sua casa em Giverny, ele desenvolveu um mundo de cores e capturou nuances de luz com seus pincéis. Nos seus dois ateliês, Monet podia pintar diretamente próximo da natureza.
"Pomar na primavera" (1881) é uma obra do pintor francês Alfred Sisley (1839-1899) .Neste quadro o pintor eternizou na tela um pomar florido.
As tenras pétalas das flores dos pomares prenunciam a chegada da primavera na Europa. Depois é a vez das amendoeiras e das cerejeiras, que colorem ruas inteiras em alguns países.
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente, Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é. Alberto Caeiro
Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma. Alberto Caeiro (Heterónimo de Fernando Pessoa) - "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXI"
Algum dia o poema será a bungavília pendente deste muro da Calçada da Graça. Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família, e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.
Mas antes desse dia há-de secar a bungavília e o varredor há-de levar as flores secas para o monturo.
Depois cairá o muro. E como tempo passa mesmo contra vontade, também há-de acabar a Calçada da Graça e o resto da cidade.
Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso que é o mais leve de tudo que se pode supor, será esse o momento de o poema ser flor, mas já não é preciso. António Gedeão - In, Poemas Escolhidos, Edições JSC, Lisboa (1967)
Agora que ela está quase a chegar, aqui fica a Primavera, nas palavras e na voz de Tim Maia. Quando o inverno chegar Eu quero estar junto a ti Pode o outono voltar Eu quero estar junto a ti
Porque (é primavera) Te amo (é primavera) Te amo, meu amor
Trago esta rosa (para te dar) Trago esta rosa (para te dar) Trago esta rosa (para te dar)
Meu amor... Hoje o céu está tão lindo (sai chuva) Hoje o céu está tão lindo (sai chuva) Tim Maia