sábado, abril 11, 2026

Paisagem Com Lanternas

Paisagem Com Lanternas (Landscape With Lanterns), 1958, é uma obra do artista belga Paul Delvaux (1897-1994).

Nesta paisagem onírica surrealista, uma mulher misteriosa está de costas. Se a mulher nos conduzir pelo caminho, certamente jamais retornaremos ao mundo dos vivos. Os fios de telefone pendurados após terem sido cortados indicam que a comunicação entre o mundo dos vivos e o dos mortos é impossível. À frente, vemos duas figuras carregando um cadáver envolto num lençol branco. Uma luz rasante e inquietante vinda da esquerda projeta sombras sinistras no chão sob as lanternas, e não das lanternas, como seria de esperar.

Paul Delvaux (1897–1994) foi um dos mais influentes pintores surrealistas belgas, conhecido pelas cenas oníricas que misturam o clássico com o estranho. 

O seu trabalho é imediatamente reconhecível por temas recorrentes que criam um universo de silêncio e imobilidade. 

As Figuras Femininas, são frequentemente retratadas como mulheres nuas ou vestidas de forma elaborada, com olhares fixos e ausentes, movendo-se como sonâmbulas por paisagens desoladas.
As Estações de Comboio eram recorrentes na sua pintura. Inspirado por memórias de infância, Delvaux pintava frequentemente comboios e estações ferroviárias solitárias sob o luar.
Outro dos temas utilizado pelo pintor era a Arquitetura Clássica. Ruínas gregas e romanas servem de pano de fundo para as suas cenas, evocando uma sensação de tempo suspenso.

 Paul Delvaux, pintor que misturava temáticas oníricas e pessoais, formou-se pela Academia de Belas Artes de Bruxelas, onde mais tarde se tornou professor, desenvolveu uma linguagem visual única, frequentemente associada ao Surrealismo. 

Das suas obras podemos destacar: Esqueletos, Jardim Noturno, A tentação de Santo António e A Vénus Adormecida.

Com a perda progressiva da visão, Delvaux deixou de pintar em 1986. A sua última grande exposição ocorreu em Paris, em 1992. Faleceu em 1994, aos 96 anos, deixando um legado artístico marcado por atmosferas misteriosas e cenários poéticos.

sexta-feira, abril 10, 2026

Benguelinha

 Passarinho primoroso
E gentil, plumeo cantor,
Que d'aromas tão fragrantes
Não esparzes com candor,
Quando trinas mavioso
Nesse insólito rigor
De um sol forte e constante
Suaves cantos d'amor?!

         Ás vezes contemplo
         Do dia no albor,
         Sentir o rigor
         De escravo viver;

         Suspiras e gemes
         Em cantos d'amor,
         Ah! sê meu primor
         Não queiras morrer!

         Anhélas no mato
         Andar pelas fragas,
         Viver só de bagas,
         Nos ramos dormir?

         Esvoaça saltando
         Na tua prisão
         Ai! Tem compaixão
         Não vive a carpir!

         Infiltra bondoso
         No meu coração
         O doce condão -
         Do  meigo trinar;

         Que juro contigo
         Do muito viver
         Comtigo morrer,
         Comtigo findar!

         E as azas abrindo
         O plumeo cantor,
         As juras d'amor,
         Ouvio a sorrir -

         Em magos acentos
         Endeixas trinou,
         Que d'alma exalou,
         Que d'alma sentiu! -

quinta-feira, abril 09, 2026

A Costa dos Murmúrios

 A Costa dos Murmúrios (2004) é um filme de ficção realizado pela cineasta Margarida Cardoso, com roteiro de Cedric Basso, Margarida Cardoso e Lídia Jorge, que contou no elenco com Beatriz Batarda, Filipe Duarte e Monica Calle. 
O filme passou na RTP 2 no sábado passado, 4/Abril às 22,30 h, mas, se o quiser ver agora basta clicar aqui.

Sinopse:
Baseado no romance homónimo de Lídia Jorge, o filme acompanha as vicissitudes da protagonista Evita, que nos anos 60 segue para Moçambique para casar com Luís, que ali cumpre o serviço militar.

Em Moçambique começou há algum tempo a guerra colonial e Luís já não é o mesmo homem que Evita conheceu. Quando os homens partem para uma operação militar no Norte do país, Evita fica sozinha e, no desespero de tentar compreender o que modificou Luís, procura a companhia de Helena, a mulher do capitão do marido, Forza Leal.   

Com o tempo, ela descobre mais sobre o marido e Moçambique do que teria imaginado na sua pacífica casa europeia. Racismo, violência, injustiça e fatalismo tornam a vida insuportável.

O filme centra-se na visão das mulheres que acompanham os militares portugueses e oferece uma perspectiva peculiar sobre a violência de um tempo colonial à beira do fim.

terça-feira, abril 07, 2026

La Bohème

Ouça a cantora ítalo francesa Yuyu (Giuditta Guizzetti) em La Bohème  (vídeo oficial)

O regresso desta grande artista, Yuyu, numa bela interpretação, simultaneamente emocionante e envolvente, do hit de Charles Aznavour: La Bohème. Uma produção, tudo para ouvir.

segunda-feira, abril 06, 2026

Hoje é Segunda-feira de Pascoela

 A segunda-feira a seguir à Páscoa em Portugal, muitas vezes chamada de Segunda-feira de Pascoela ou Segunda-feira de Páscoa, é marcada por tradições que misturam fé, convívio familiar e celebração comunitária, sendo em muitos locais um dia de descanso e passeio. 

Aqui estão as principais tradições:

A Continuação do Compasso Pascal (Visita Pascal). Em algumas freguesias, principalmente no Norte de Portugal, a visita pascal, onde o pároco leva a cruz decorada para abençoar as casas, estende-se até à segunda-feira de Pascoela.

Realização de Romarias e Piqueniques sobretudo no Alentejo. Nesta região do país, é tradição realizar romarias e almoços no campo neste dia. As famílias reúnem-se para celebrar a ressurreição com convívio, muitas vezes aproveitando o clima primaveril para comer ao ar livre.

A partilha de Folares e Doces. É um dia para continuar a comer os doces típicos da Páscoa, como o folar de carne ou o doce, o pão de ló e as amêndoas, partilhando-os com amigos e vizinhos que visitam a casa.

A visita ou passeio pelos Mercados de Páscoa. Em algumas localidades, como Vila do Conde, ocorrem feiras e mercados de Páscoa que funcionam durante este período, oferecendo animação e gastronomia local. 

Em suma, a segunda-feira é vista como um dia de Páscoa Pequena ou de celebração da Pascoela, focada no convívio e na alegria da ressurreição.
Na manhã da segunda-feira de Páscoa, Borba voltou a cumprir a tradição. É dia de Santa Bárbara. 
Ora veja.

domingo, abril 05, 2026

Páscoa Na Aldeia

O poema "Páscoa na Aldeia" de Teixeira de Pascoaes retrata uma celebração nostálgica e primaveril na região de Entre-o-Douro-e-Minho. Este poema bucólico é um reflexo do amor de Pascoaes pela sua terra, a região de Amarante e da Serra da Aboboreira, onde passava tempo com a família.

Minha aldeia na Páscoa…
Infância, mês de Abril!
Manhã primaveril!
A velha igreja.
Entre as árvores alveja,
Alegre e rumorosa
De povo, luzes, flores…
E, na penumbra dos altares cor-de-rosa .
Rasgados pelo sol os negros véus.
Parece até sorrir a Virgem-Mãe das Dores.
Ressurreição de Deus! (…)
Em pleno azul, erguida
Entre a verde folhagem das uveiras.
Rebrilha a cruz de prata florescida…
Na igreja antiga a rir seu branco riso de cal.
Ébrias de cor, tremulam as bandeiras…
Vede! Jesus lá vai, ao sol de Portugal!
Ei-lo que entra contente nos casais;
E, com amor, visita as rústicas choupanas.
É ele, esse que trouxe aos míseros mortais
As grandes alegrias sobre-humanas.
Lá vai, lá vai, por íngremes caminhos!
Linda manhã, canções de passarinhos!
A campainha toca: Aleluia! Aleluia! (…)
Velhos trabalhadores, por quem sofreu Jesus.
E mães, acalentando os filhos no regaço.
Esperam o COMPASSO…
E, ajoelhando com séria devoção.
Beijam os pés da Cruz.

sábado, abril 04, 2026

O Bolinhol de Vizela

 O Bolinhol de Vizela é um doce tradicional português, característico da região de Vizela, com uma textura húmida e uma cobertura doce. É um pão-de-ló fofo, mas simultaneamente húmido, finalizado com uma cobertura de açúcar opaca, pincelada à mão.

A sua receita, passada de geração em geração, é feita de forma artesanal, utilizando ingredientes locais.

O Bolinhol de Vizela foi um dos vencedores do concurso 7 Maravilhas Doces de Portugal (2019). 

A história deste doce nortenho remontará ao ano de 1880, sendo que em 1884 esteve já presente na Exposição Industrial Concelhia de Guimarães. Ao longo do século XX foi conquistando palatos, à medida que as Termas de Vizela ganhavam popularidade, entre ingleses ligados ao comércio do Vinho do Porto e famílias endinheiradas no norte do país e de Espanha.

Encontra Bolinhol – que até tem um livro dedicado à sua história – em várias pastelarias de Vizela sobretudo nas quadras da Páscoa e do Natal.

sexta-feira, abril 03, 2026

Quem

Ressurreição de Cristo de 
 Rafael Sanzio (1499–1502). 
 

Não sei como se ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba
nem se há palavra para voltar
do grande rio do
esquecimento.
Não sei se no terceiro dia
alguém me espera. Ou se
ninguém.
Em cada poema levanto a pedra
em cada poema pergunto quem.

quinta-feira, abril 02, 2026

A Páscoa no Mundo

 A Páscoa é uma das festividades mais celebradas no mundo, marcando a ressurreição de Jesus Cristo no cristianismo, mas também incorporando tradições seculares e culturais diversas, muitas vezes ligadas à chegada da primavera no Hemisfério Norte. A data, que em 2026 ocorre no início de abril (Sexta-feira Santa a 3 e Domingo a 5), é definida pelo primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera/outono.

Significado e Símbolos

O Cristianismo celebra a ressurreição de Jesus, sendo considerada a celebração mais importante, muitas vezes acima do Natal.
O Judaísmo (Pessach) celebra o êxodo do Egito, sendo a raiz histórica da data.

Ovos, coelhos, cordeiros e chocolate são usados para representar fertilidade, nova vida e a doçura da renovação. 

Apesar das diferenças, a Páscoa é globalmente reconhecida como um momento de reunião familiar e celebração da esperança.

Aqui estão algumas das tradições mais marcantes da Páscoa ao redor do mundo:

Na Alemanha o coelho da Páscoa (Osterhase) é a figura central, trazendo ovos de chocolate que são escondidos nos jardins para as crianças procurarem. É costume decorar ovos cozidos e preparar bolos em formato de cordeiro ou coelho.

Na Bulgária, os búlgaros têm a tradição de quebrar ovos cozidos uns nos outros, acreditando que quem ficar com a casca intacta terá sucesso e saúde no ano seguinte.

Haux - Omelete gigante

Em França, na segunda-feira de Páscoa, a cidade de Haux (perto de Bordéus) prepara uma omelete gigante com cerca de 15.000 ovos, uma tradição que alimenta centenas de pessoas.

Já na Suécia a Páscoa tem um toque de Halloween, com crianças vestindo-se de bruxas (påskkärringar) e pedindo doces nas ruas.

Na República Checa as crianças recebem varas de madeira decoradas com laços coloridos, usadas numa tradição simbólica.

Nos Estados Unidos e Inglaterra, o egg rolling (rolar ovos) é tradicional, com a Casa Branca a realizar uma cerimónia famosa na segunda-feira após a Páscoa.

quarta-feira, abril 01, 2026

Quando Portugal Dominou o Estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico

O Estreito de Ormuz está situado na entrada do Golfo Pérsico, entre Omã, localizado na Península Arábica e o Irão. Trata-se de uma via marítima estratégica por onde transita mais de 40% do petróleo mundial e 20% de transporte marítimo mundial. De pequena extensão, tem 54 km de largura mínima e seu trecho mais largo não passa de 100 km.

Portugal controlou o Estreito de Ormuz durante grande parte do século XVI e início do XVII. O domínio sobre esta passagem foi um dos pilares da estratégia de Afonso de Albuquerque para estabelecer o Império Português no Oriente.

​Aqui estão os pontos principais desse período histórico:

A Conquista (1507 e 1515): Afonso de Albuquerque compreendeu que, para controlar o comércio de especiarias no Oceano Índico, era necessário dominar três pontos-chave: Áden, Malaca e Ormuz;

O Papel do Forte de Ormuz: Os portugueses construíram o imponente Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz. Ainda hoje é possível visitar as ruínas da fortaleza portuguesa na ilha de Ormuz, onde as paredes de pedra avermelhada e as cisternas de água permanecem como testemunhos dessa época. A partir dali, controlavam quem entrava e saía do Golfo Pérsico;

​O Sistema de Cartazes: Qualquer navio que quisesse navegar na região precisava de uma licença paga aos portugueses (o cartaz);

​A Alfândega: Ormuz tornou-se uma das fontes de rendimento mais lucrativas para o império, devido às taxas alfandegárias cobradas sobre cavalos, seda e especiarias;

A Perda do Controlo (1622): O domínio português durou cerca de 107 anos, mas terminou devido à ascensão de novas potências e alianças locais, nomeadamente a Aliança Anglo-Persa (o xá persa Abbas I desejava expulsar os portugueses, mas não tinha frota. Aliou-se, então, à Companhia Inglesa das Índias Orientais, que forneceu o apoio naval necessário);

​A Queda: Após um cerco intenso em 1622, a guarnição portuguesa rendeu-se. A cidade de Ormuz foi praticamente destruída e o centro de comércio foi transferido para o continente (Bandar Abbas).

Não deixe de assistir agora, ao vídeo abaixo, que lhe fala sobre este período da História de Portugal.

terça-feira, março 31, 2026

A Semana Santa de Braga

A Semana Santa de Braga 2026 decorre entre 29 de março e 5 de abril de 2026. Este evento é um dos momentos religiosos e culturais mais marcantes da cidade, atraindo milhares de fiéis e turistas ao centro histórico para assistir às seculares procissões e celebrações litúrgicas.

Assista agora, caso não se possa deslocar até lá, à versão integral do documentário produzido pelo Município de Braga sobre as tradições da Semana Santa de Braga. 
Esta obra é o resultado de dois anos de intensa pesquisa sobre a mais vistosa e a mais famosa Semana Santa em Portugal e foi apresentada publicamente no Theatro Circo.

segunda-feira, março 30, 2026

A Páscoa em Portugal

A Páscoa em Portugal, e em particular nas suas aldeias, é uma celebração profunda de tradições religiosas e familiares. É marcada pela Encomendação das Almas (um ritual quaresmal - sobretudo no Centro de Portugal - onde grupos de pessoas cantam nas ruas pedindo pelas almas), pela visita do Compasso Pascal (um costume com mais de 500 anos que se caracteriza por um grupo liderado pelo pároco, com uma cruz florida, que percorre as ruas no domingo de Páscoa - por vezes até à segunda-feira - para abençoar as casas), pelos Tapetes de Flores (os moradores preparam a entrada de casa com flores, pinho e ervas para indicar que desejam receber o compasso), e por Sabores Típicos como o Folar da Páscoa (feito de forma artesanal com ovos, açúcar e canela, símbolo de união) e o Cabrito Assado (o prato principal tradicional do almoço de Páscoa). 

As casas são abençoadas com água benta, fortalecendo os laços comunitários e os reencontros.

A Páscoa no mundo rural é uma época de "renascimento", ideal para viver o lado mais intimista e comunitário, muitas vezes com lareiras acesas e partilha de doces entre vizinhos. 

Veja agora, nos vídeos abaixo, como se celebra a Páscoa com tradição em algumas Aldeias de Portugal.
E ainda outro vídeo.
Ainda outro.

domingo, março 29, 2026

A Boleima de Portalegre

 A Boleima de Portalegre é um doce típico alentejano que é simples de fazer e irresistível ainda quente.

Embora Portalegre seja o reino da boleima, cada localidade do Alto Alentejo (Portalegre, Castelo de Vide, Ponte de Sôr, Marvão, Alter do Chão e Elvas) tem a sua receita. 

Em comum, o facto de ser uma das mais doces e populares tradições alentejanas da Páscoa. Existem versões "ricas" e "pobres", mas todas assumem uma forma quadrada ou retangular, a cor castanha, dourada, o açúcar amarelo e a canela como toque final.

Reza a história que o bolo é uma variante do pão ázimo consumido pelos Judeus para recordarem a fuga de Israel.  O fermento não faz parte da receita, pois a fuga foi tão repentina que não houve tempo para levedar o pão. Ao contrário da grande maioria dos doces típicos portugueses, também não leva ovos, já que o objetivo inicial da receita era aproveitar as sobras de massa do pão, a que então se foram acrescentando ingredientes como o açúcar, a canela, a maçã ou as nozes.

Boleima de Pão, Canela, Noz e Maçã (Portalegre, Fronteira e Cabeço de Vide - Alto Alentejo)

Ingredientes:
1 kg de pão em massa, 
0,5 l de azeite cru, 
200 g de farinha de trigo, 
açúcar louro q.b., 
canela em pó q.b., 
1 kg de maçãs, 
150 g de nozes partidas aos pedacinhos, 
manteiga ou banha q.b. para untar a forma, 
farinha q. b. para polvilhar a forma.

Preparação:
Descascam-se as maçãs e cortam-se às meias luas. Numa tigela mistura-se o açúcar e a canela.
Num alguidar amassa-se a massa do pão com o azeite e a farinha. Unta-se um tabuleiro com
manteiga e polvilha-se com a farinha. Divide-se a massa em duas partes e forra-se o tabuleiro
com uma dessas partes, polvilha-se com a mistura do açúcar e a canela, cobre-se com a maçã e
os pedacinhos de nozes e polvilha-se novamente com o açúcar, cobre-se com a restante massa
e polvilha-se com açúcar e canela. Com um a faca, corta-se a massa aos quadrados e sobre
cada um deles coloca-se uma meia-lua de maçã, polvilha-se com açúcar e canela e leva-se a
cozer em forno médio. depois de cozida, desenforma-se.
Fonte: entrevista a Maria Jesuína dos Santos Mourato (n/d:1950), com o 1.º ciclo, proprietária, por Adelaide Martins [Leader-Sor]/ 2012. Organização/ data - Paulo Lima | antropólogo/ 2012-outubro/maio-2013.

sábado, março 28, 2026

Os Portos Fluviais do Tejo

Salvaterra de Magos - Vala Real
 Os Portos Fluviais do Tejo foram historicamente fundamentais para o desenvolvimento de Lisboa (foz e porto de abrigo) e do Ribatejo, servindo como eixos logísticos vitais para o transporte de mercadorias (vinho, lenha, pedra) e pessoas. Locais como Vila Franca de Xira (antiga zona de armadas e cais de pesca),o Porto de Muge (conhecido pela influência das marés - a ação das marés estende-se longe, afetando a navegação até áreas a cerca de 70 km da foz- e ligação à pesca), Salvaterra de Magos - Vala Real (antigo e crucial canal de transporte de mercadorias) e o novo terminal da Castanheira do Ribatejo (terminal fluvial em desenvolvimento para cargas) destacam-se na ligação entre margens e o estuário.

A chegada do comboio no séc. XIX reduziu a importância comercial, mas os portos mantêm relevância no turismo, desporto e, recentemente, no transporte de cargas para reduzir o tráfego rodoviário.

A valorização do território baseia-se nestes antigos portos, que hoje se reorientam para o lazer e a sustentabilidade.
Se quiser saber mais alguma coisa sobre este assunto assista ao programa Visita Guiada sobre os Antigos Portos Fluviais do Baixo Tejo.

A partir da história da navegação no rio Trancão e passando pela antiga Vala Real de Salvaterra de Magos, o geógrafo Jorge Gaspar explica-nos como os afluentes do Baixo Tejo serviram, durante séculos, para alimentar Lisboa.
O decano Jorge Gaspar guia-nos ainda por algumas das mais emocionantes histórias dos grandes rios da Europa, defendendo que foram as navegações fluviais que construíram a identidade do território que se estende do Cabo da Roca aos Urais.

sexta-feira, março 27, 2026

Dia Mundial do Teatro

O teatro é uma forma de arte milenar que consiste na representação de histórias, emoções e conflitos humanos perante uma audiência, utilizando atores, cenários e técnicas de palco. O termo originário do grego theatron ("lugar para ver"), abrange a dramaturgia, o edifício físico e a arte cénica. 

Hoje 27 de março assinala-se, em todo o país e no resto do mundo, mais um Dia Mundial do Teatro. 

Muitas salas lisboetas prestigiam esta data com espetáculos gratuitos e outras atividades relacionadas com a grande arte do palco.

Se está em Lisboa pode ir até ao Teatro da Trindade que celebra este dia com uma programação especial. No teatro dirigido por Diogo Infante, pode participar em duas visitas guiadas, e assistir aos espetáculos Brokeback Mountain, na sala estúdio, e A Gaivota, na sala Carmen Dolores.

 Já A Barraca,  dirigida por Maria do Céu Guerra e Hélder Mateus Costa comemora este dia com dois espetáculos: A Farsa de Inês Pereira e O Príncipe de Spandau.

Em 2026, o ator e criador de teatro Willem Dafoe é o autor da mensagem que tradicionalmente é lida nos teatros de todo o mundo a 27 de março, Dia Mundial do Teatro. Esta mensagem, que pode escutar no vídeo abaixo, é divulgada com antecedência para potenciar a sua divulgação.

quinta-feira, março 26, 2026

Summertime

Ouça Miles Davis em Summertime.
Miles Davis foi um trompetista, líder de banda e compositor americano. Está entre as figuras mais influentes e aclamadas da história do jazz e da música do século XX.
Miles Davis pertenceu a uma classe tradicional de trompetistas de jazz, que começou com Buddy Bolden e se desenvolveu com Joe "King" Oliver, Louis Armstrong, Roy Eldridge e Dizzy Gillespie. 
Davis esteve na vanguarda de quase todos os desenvolvimentos do jazz desde a Segunda Guerra Mundial até à década de 1990. Participou de várias gravações do bebop e das primeiras gravações do cool jazz. Fez parte do desenvolvimento do jazz modal, e também do jazz fusion que se originou a partir do seu trabalho com outros músicos no final da década de 1960 e no começo da década de 1970.
Summertime é conhecida como a mais famosa ária de jazz de 1935, composta por George Gershwin para a ópera Porgy and Bess, frequentemente está também associada ao verão.

quarta-feira, março 25, 2026

Bacalhau à Conde de Brito

 Agora que a Páscoa se aproxima a passos largos, deixo-lhe aqui uma sugestão de receita para experimentar: Bacalhau à Conde de Brito.

"Bacalhau à Conde de Brito" é uma receita tradicional portuguesa, muito popular, que consiste em bacalhau desfiado, refogado com azeite, cebola, alho e louro, frequentemente preparado com batatas e natas.

Ingredientes:
1 cebola
1 dl de azeite
3 dentes de alho
450 g de bacalhau demolhado
sal
pimenta
4 dl de natas
300 g de batata
150 g de queijo ralado
Salsa picada para enfeitar (facultativo)

Preparação:
Coza o bacalhau e reserve. Corte a cebola ás rodelas e refogue no azeite, junto com os alhos picados. 
Junte o bacalhau cozido e desfiado. Tempere de sal e pimenta. Junte as natas e retifique os temperos. Reserve.
Descasque as batatas, lave-as e corte-as em rodelas bem finas.
Num tabuleiro disponhas em camadas alternadas as batatas e o preparado de bacalhau. Polvilhe com o queijo e leve ao forno, a 150º, durante cerca de 45 minutos ou até as batatas estarem macias.
Antes de servir polvilhe com salsa picada ou outra erva de cheiro a gosto.

terça-feira, março 24, 2026

O Retrato da Sra. Hasellter

 O Retrato da Sra. Hasellter (1942) é uma pintura a óleo sobre tela da artista surrealista ítalo argentina Leonor Fini. A obra, frequentemente associada à exploração de figuras femininas poderosas e enigmáticas por Fini, mede 78,7 x 67,3 cm e pertence a uma coleção particular. É um exemplo notável do seu estilo característico, que muitas vezes rejeitava as visões surrealistas tradicionais da mulher. O seu trabalho nem sempre se encaixava na concepção popular típica de surrealismo, às vezes explorando o tema da "femme fatale" sem qualquer imagem particularmente ambígua ou monstruosa. No entanto, a sua obra frequentemente incluía símbolos como esfinges, lobisomens e bruxas. Muitos dos seus personagens nas pinturas eram mulheres ou seres andróginos.

Leonor Fini (1907 - 1996) foi uma pintora, designer, ilustradora e escritora argentina, conhecida pelas suas ilustrações sensuais de mulheres.

Aos 17 anos, Leonor mudou-se para Milão e depois para Paris. Na capital francesa, fez amizade com Carlo Carrà e Giorgio de Chirico, grandes influenciadores de seu trabalho. Conheceu também Paul Éluard, Max Ernst, Georges Bataille, Henri Cartier-Bresson, Picasso, André Pieyre de Mandiargues e Salvador Dalí. 

Artista multifacetada, foi pintora, figurinista, designer, cenógrafa e escritora. A sua obra destacou-se pela representação de mulheres fortes e autónomas, desafiando os padrões da época. É frequentemente lembrada como a única artista a pintar mulheres "sem desculpas", retratando-as em situações provocantes e empoderadas.

Leonor Fini faleceu em janeiro de 1996, em Paris, tornando-se um símbolo na arte surrealista e na luta pela liberdade feminina na pintura.

segunda-feira, março 23, 2026

Bonjour Bonjour

Invadidos que somos pela música anglo-saxónica, hoje proponho-lhe que ouça música francesa com a cantora Yuyu em "Bonjour Bonjour" (vídeoclip oficial).

Yuyu (Giuditta Guizzetti) é uma artista ítalo francesa conhecida por sucessos como "Mon Petit Garçon" e "Bonjour Bonjour", incluindo também uma interpretação de "La Bohème". 

domingo, março 22, 2026

Quando vier a Primavera

 Quando vier a primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. 
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria 
E a primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo.


Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro (n.16 de abril de 1889) - Poesia (Poemas Inconjuntos)