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domingo, março 31, 2013

O Folar da Páscoa

Hoje, Domingo de Páscoa é tradição comer-se o Folar da Páscoa.  Claro que a esta tradição está associada uma lenda: a lenda do folar da Páscoa. Esta é tão antiga que se desconhece a sua data de origem. "Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo. Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos. A jovem voltou a pedir ajuda a Santa Catarina para fazer a escolha certa. Enquanto estava concentrada na sua oração, bateu à porta Amaro, o lavrador pobre, a pedir-lhe uma resposta e marcando-lhe como data limite o Domingo de Ramos. Passado pouco tempo, naquele mesmo dia, apareceu o fidalgo a pedir-lhe também uma decisão. Mariana não sabia o que fazer.
Chegado o Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre.
Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe. No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar. Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina.
Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação. Durante as festividades cristãs da Páscoa, os afilhados costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de baptismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar".
Infopédia
De referir, contudo, que há folares doces e salgados. Em Trás-os- Montes por exemplo é mais usual o folar de carne. Todos os anos por esta altura é grande o envolvimento dos transmontanos na confecção do folar da Páscoa. A excelência do fumeiro, que recheia as bolas e folares, e a cozedura, em forno a lenha, garantem a qualidade da tradição tanto nas cozinhas das aldeias, como nas padarias.

sexta-feira, março 25, 2016

O Folar de Páscoa de Olhão

O Folar de Páscoa é um dos elementos de referência, na gastronomia pascal, do nosso país.
Existem no entanto, diferentes espécies de folares (nomeadamente, o folar doce e o folar gordo) com características e formas diversas. Contudo, é importante referir que a tradição do folar, qualquer que ele seja, assenta num ritual de dádiva, solidariedade e convívio profundamente enraizado na sociedade portuguesa.
O folar mais corrente em Portugal é um "bolo de massa seca, doce, e ligada, feito com farinha de trigo, ovos, leite, azeite, banha ou pingue, açúcar e fermento, e condimentado com canela e erva-doce, encimado, conforme o seu tamanho, por um ou vários ovos cozidos inteiros e em certos lugares tingidos, meio incrustados e visíveis sob as tiras de massa que os recobrem".
No Norte de Portugal come-se o folar doce e o folar gordo. Em Vila do Conde e na Maia, o folar doce, denomina-se pão-doce ou mesmo broinhas.
Diverso na feitura e também na apresentação, o folar, em Oliveira de Azeméis, assume a forma de uma galinha deitada sobre uma noz, ou de duas, bico com bico, cobrindo dois figos passados.
Em Trás-os-Montes, o folar doce é raro, dando lugar a um outro, gordo, de carne. Trata-se de uma bola feita de farinha, fermento, ovos, leite, azeite ou manteiga, carne de porco, entre outras carnes.
Já em Entre Douro e Minho e no Porto o pão-de-ló (por exemplo, o pão-de-ló de Margaride) substitui o folar.
Na Região Centro (Beiras) mais uma vez surge o folar que é comum a quase toda a região. Aqui o folar é doce e depois encimado, conforme o seu tamanho, por um ou vários ovos cozidos inteiros e em certos lugares tingidos.
Na região centro existe também a tradição dos Bolos da Páscoa. Na Covilhã ganham o nome de Empenadinhas da Páscoa. Noutras regiões encontram-se as broinhas e os bolos de azeite.
No Sul de Portugal, próximo de Elvas, os folares apresentam formas de animais, representando borregos, lagartos, pintainhos, pombos.
No Alto Alentejo, em Castelo de Vide, o folar assume a forma de um duplo coração recamado de ovos e decorado com motivos feitos da mesma massa. Um grande lagarto, com coleira de seda encarnada e lacinho igual na cauda.
A Páscoa,  festa comemorativa da ressurreição de Jesus Cristo, como vimos, está associada a práticas alimentares em que os ovos, os folares e as amêndoas ocupam o primeiro lugar.

Em homenagem a uma particular amiga, deixo-lhe aqui hoje, uma receita de um Folar de Páscoa do Algarve menos conhecido: O Folar de Páscoa de Olhão ou Bolo de Folha ou do Tacho.
Ingredientes:
Para a Massa do Folar:
Farinha - 500 gr
Fermento de Padeiro - 30 gr
Laranja - 1 (sumo)
Leite - 100 ml (morno)
Água - 650 ml
Sal - Uma pitada
Banha - 125 gr
Manteiga - 125 gr
Aguardente - 1/2 Chávena
Para o Recheio das Camadas
Manteiga - A gosto
Açúcar Amarelo - A gosto
Canela - A gosto
Preparação:
Misturar o fermento de padeiro com o leite morno até ficar dissolvido.
Pôr a farinha toda numa tigela grande e fazer um buraco no meio.  Deitar aí o leite com o fermento  e usar a farinha da periferia para amassar bem. Juntar depois o sumo de laranja, a água, o sal, a banha, a manteiga e a aguardente. Misturar tudo bem, se for preciso usar a batedeira.
Depois de bem amassado cobrir a massa com um pano e deixar repousar por 1 hora.
Retirar, depois, o pano da massa e amassar bem até não colar nos dedos (se for preciso ponha um pouco mais de farinha).
Agora pode fazê-lo de duas maneiras:
Se tiver latas ou um tacho com 10 centímetros de diâmetro, aproximadamente, pode fazê-lo da forma tradicional. Tire depois bocados de massa (uns maiores que outros), e, com um rolo de massa estenda-os e faça círculos com 0.5 cm de espessura. Unte a lata ou o tacho com bastante manteiga e coloque um dos círculos que deve cobrir o fundo e os lados. Coloque por cima umas nozes de manteiga, polvilhe generosamente com canela e açúcar amarelo, depois disponha outro círculo em cima desse, também pelo fundo e pelos lados e mais manteiga, canela e açúcar amarelo. Deve repetir o processo até ter pelo menos umas 5 ou 6 camadas e encher completamente o tacho ou lata.
Se não tiver este tipo de forma, não divida a massa. Estenda a massa toda com um rolo, de maneira a formar um rectângulo com quanta largura sobrar de massa e com 10/12 centímetros de altura. Ponha-lhe por cima, algumas nozes de manteiga e polvilhe-o com bastante canela e açúcar amarelo. Depois deve enrolar o rectângulo todo para fazer um cilindro com os 10/12 centímetros de altura.
Depois de ter o folar pronto, ponha-lhe, outra vez, um pano por cima e deixe-o num sitio quente a levedar durante 2 horas.
Por fim polvilhe o topo com açúcar amarelo e um pouco de canela e leve-o ao forno pré-aquecido a 190º C durante 1 hora. Desenforme ainda quente com ajuda de uma faca.

sábado, abril 07, 2012

Tradições Pascais

A Páscoa é uma época cheia de tradições, de lendas, de símbolos e de usos e costumes. A maioria das tradições Pascais remete para actos pagãos que foram a pouco e pouco sendo incorporados na vida cristã.
No nosso país ainda (cada vez com mais dificuldade) se vão mantendo alguns usos e costumes, associados a esta época festiva. Assim, na semana antes da Páscoa em algumas localidades, fazem-se grandes limpezas e amassam-se os folares que depois de tendidos são levados em tabuleiros para o forno. No sábado antes da Páscoa matam-se os cabritos (ou os borregos), que depois são temperados para no domingo serem o prato principal desta festa religiosa.
Na segunda-feira, depois da Páscoa, faz-se um piquenique no campo (sobretudo no sul de Portugal) onde se come o resto do cabrito (ou do borrego), os folares, os chouriços, pão, vinho e amêndoas.

No norte de Portugal uma das tradições é o “compasso” Pascal que vai de porta em porta ao som do toque do sino. No Minho a Páscoa é vivida com alegria. Estreia-se roupa nova, espera-se pelo “compasso”, e prova-se o pão-de-ló típico da época. É hábito por estas paragens conceder o “folar” ao pároco que visita as casas. As ofertas são variadas… Mas quase sempre passam pelo dinheiro em nome da paróquia. Mas as oferendas podem, também, ser o açúcar, o arroz ou os ovos. Em Braga, do Domingo de Ramos ao Domingo de Páscoa, a cidade dedica-se totalmente às cerimónias da Semana Santa. Aqui podem-se destacar a Procissão da Nossa Senhora da «burrinha», a Procissão do Senhor «Ecce Homo», a Procissão do Enterro do Senhor, a Vigília Pascal e a Procissão da Ressurreição. Em Trás-os-Montes, manda a tradição haver em cada mesa o folar de carne. Este é mais importante que qualquer outra iguaria. É uma bola feita de farinha, fermento, ovos, leite, azeite ou manteiga, carne de porco, entre outras carnes.
A Páscoa no centro e sul de Portugal é também uma época cheia de tradições cuja origem ainda se tenta manter. A região das Beiras não é diferente das outras regiões do país. São feitas as limpezas de véspera e confeccionados os tradicionais bolos da Páscoa. Na região centro as broinhas e os bolos de azeite marcam a diferença. Na Beira Litoral, a chanfana ou o leitão assado são os pratos preferidos por alturas da Páscoa.

No Alentejo o cordeiro é o prato principal. No Alto Alentejo, em Castelo de Vide, o folar assume a forma de um duplo coração de ovos, decorado com motivos feitos da mesma massa. Próximo de Elvas, os folares apresentam formas de animais, representando borregos, lagartos,
pintainhos e pombos.
No Algarve a festa pascal apresenta algumas diferenças etnográficas entre a serra e o litoral. No litoral, fazem-se as procissões da Semana Santa, de entre elas, destaque-se a Procissão das Tochas realizada, no dia de Páscoa, em S, Brás de Alportel. Esta procissão tem na sua essência a comemoração de um dos mais heróicos acontecimentos históricos do Algarve: a expulsão pela confraria dos moços solteiros, das tropas inglesas comandadas pelo duque de Essex, que em Julho de 1596 saquearam a cidade de Faro e o seu termo.
No Algarve é tradição, também, no Domingo de Páscoa comer-se borrego ou carneiro assado. Em matéria de doçaria fazem-se os folares de mel e os bolos finos de amêndoa, delicadamente decorados.
Depois deste roteiro festivo e gastronómico por Portugal aqui ficam os meus votos de Feliz Páscoa.

sexta-feira, abril 03, 2015

A Quaresma: Tradições & Rituais

Hoje é "Sexta Feira da Paixão" (a sexta-feira que ocorre antes do domingo de Páscoa), dia em que os cristãos relembram o julgamento, a paixão, a crucificação, a morte e a sepultura de Jesus Cristo.
Nesta data ocorrem, pelo país, diversos rituais religiosos. Procissões e reconstituições da Via Sacra são alguns do rituais mais difundidos.
A Igreja Católica aconselha, também, os fiéis a fazerem algum tipo de penitência, como o jejum e a abstinência de comer carne.
No nosso país existem variadas tradições populares associadas a esta quadra. Destacam-se as procissões, o compasso pascal, o jejum e a abstinência e as oferendas.
Uma das procissões mais conhecidas ocorre em Braga. Nesta época aquela cidade é decorada com motivos alusivos à quadra pascal e os "Passos", altares de rua, enchem-se de flores e luzes, complementando a sumptuosidade das igrejas. Entre as várias festividades da cidade destacam-se as procissões, como a Procissão da Burrinha, em que a imagem de Nossa Senhora é transportada por uma burrinha e onde mais pequenos e adultos participam, vestidos a rigor. Já em São Brás de Alportel (Algarve) realiza-se uma procissão de flores, Procissão das Tochas Floridas,  no domingo de Páscoa). As tochas são compostas por flores do campo e são carregadas sobretudo por homens que cantam em despique: "Ressuscitou como disse, Aleluia, Aleluia, Aleluia".
No Alentejo, em Castelo de Vide, além das procissões benzem-se os borregos e fazem-se chocalhadas, com as pessoas a sair à rua com chocalhos, guizos e sinos.
Em muitas outras localidades celebra-se também a Semana Santa com procissões de velas à noite, ou com representações teatrais da condenação e martírio de Cristo.
A limpeza da casa na Páscoa é famosa de norte a sul do país. Nesta altura limpam-se e caiam-se as casas (em certas zonas) para receber a visita pascal, o Compasso, que simboliza a entrada de Jesus Cristo no lar, com a bênção do padre que benze a casa e todos os que ali habitam. A mesa costuma conter folares, ovos da Páscoa, pão-de-ló e amêndoas cobertas de açúcar ou chocolate, outros doces, licores e vinho do Porto para oferecer aos constituintes do Compasso.
A Quaresma é a época do ano em que, por imposição religiosa, é proibido comer carne. Inicia-se com a quarta-feira de cinzas, dia em que começa o período de jejum e abstinência assinalado pela Igreja, e dura sete semanas. A Quaresma já teve um marcado carácter restritivo, de penitência e jejum. Hoje a abstinência de carne resume-se à Sexta Feira da Paixão. 
Antigamente estava proibido o uso de certos produtos, nomeadamente tudo o que era carne e alguns dos seus derivados. Daí que as populações sobretudo nas regiões rurais, tivessem que se adaptar e as cozinheiras e donas de casa, com responsabilidade na confecção dos alimentos, tivessem de encontrar alternativas gastronómicas. Daí o grande número de pratos de bacalhau ou de receituário com peixes assados, panados, fritos, estufados ou em filetes, onde as sardinhas e o polvo não podiam faltar.
Outra alternativa à carne são os célebres "Peixinhos da Horta (vagens de feijão verde, cozidas, passadas por um polme com farinha, ovo e cebola picada, que depois são fritas em azeite bem quente).
No que se refere às sopas e em substituição do tradicional Caldo de Unto (de origem animal) havia (no norte, sobretudo) o Caldo de Castanhas Piladas. Este caldo comia-se durante a Quaresma, nomeadamente na Quinta-feira Santa.
Apesar do jejum e da abstinência continuamos a estar, como vê,  perante uma culinária rica e variada.
Mas o domingo de Páscoa já está próximo, é dia de festa e ressurreição, voltando-se a comer carne como cabrito ou borrego, à imagem dos tempos antigos e os doces da Páscoa também não podem faltar, nas mesas portuguesas.
Uma outra tradição popular da Páscoa, em Portugal, é oferta de uma prenda (um folar ou pão-de-ló, amêndoas ou dinheiro) aos afilhados, que por sua vez devem entregar no domingo de Ramos um ramo de oliveira ao padrinho ou um ramo de violetas à madrinha.
Assista agora a um documentário sobre a tradição quaresmal no Redondo (Alentejo). "Entre o ontem e hoje, alguns dos actos litúrgicos perderam-se. Outros mantêm-se, embora com algumas mudanças introduzidas pelos tempos modernos. Modernidade e tradição continuam a marcar a quadra".
Redondo e a Quaresma | DOCUMENTÁRIO from InfimoFrame on Vimeo.
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quinta-feira, abril 17, 2025

O Folar de Valpaços

 O folar era tradicionalmente confecionado na época da Páscoa. O clero recolhia o folar das famílias no Domingo de Páscoa, no denominado "Compasso ou visita Pascal". Hoje o folar está na mesa de todos os transmontanos sempre que há um casamento ou um batizado.

A primeira referência à receita com a designação de "Folar de Valpaços" surge, em 1959, no Livro de Pantagruel (Bertha Rosa Limpo, 1959), aparecendo posteriormente em várias publicações nacionais de culinária, destacando-se, entre elas, o livro Cozinha Tradicional Portuguesa, de Maria de Lurdes Modesto (1982). 

A reputação e utilização direta do nome "Folar de Valpaços" é referida por Virgílio Nogueiro Gomes, na sua obra "Transmontanices – Causas de Comer" (2010) e nas suas crónicas "Folares e a Páscoa" (2009) e "Cadernos de Receitas" (2012).  

Pra que não deixe de seguir a tradição aqui lhe deixo uma receita de Folar de Valpaços transmitida na Praça da Alegria da RTP.

Ingredientes:
Farinha – 1kg
Ovos – 10
Sal – 20g
Fermento de padeiro – 50g
Azeite – 120ml
Manteiga – 120g
Linguiça cortada – a gosto
Salpicão – a gosto
Presunto – a gosto
Toucinho – a gosto

Preparação:
Num recipiente junte o sal e os ovos e bata tudo.
Numa taça, dissolva o fermento com um pouco de água morna.
Adicione a farinha à mistura de sal e ovos. Junte depois os restantes ingredientes. Misture tudo e bata energicamente até formar uma bola de massa elástica.
Deixe essa bola de massa levedar até dobrar de tamanho e ganhar algumas bolhas.
Corte a massa levedada em porções. Estenda a massa, recheie com as carnes e enrole a massa.
Coloque a massa numa forna untada com manteiga e deixe a levedar por cerca de 30 a 40 minutos.
Por fim, leve ao forno pré-aquecido a 90ºC.

segunda-feira, março 30, 2026

A Páscoa em Portugal

A Páscoa em Portugal, e em particular nas suas aldeias, é uma celebração profunda de tradições religiosas e familiares. É marcada pela Encomendação das Almas (um ritual quaresmal - sobretudo no Centro de Portugal - onde grupos de pessoas cantam nas ruas pedindo pelas almas), pela visita do Compasso Pascal (um costume com mais de 500 anos que se caracteriza por um grupo liderado pelo pároco, com uma cruz florida, que percorre as ruas no domingo de Páscoa - por vezes até à segunda-feira - para abençoar as casas), pelos Tapetes de Flores (os moradores preparam a entrada de casa com flores, pinho e ervas para indicar que desejam receber o compasso), e por Sabores Típicos como o Folar da Páscoa (feito de forma artesanal com ovos, açúcar e canela, símbolo de união) e o Cabrito Assado (o prato principal tradicional do almoço de Páscoa). 

As casas são abençoadas com água benta, fortalecendo os laços comunitários e os reencontros.

A Páscoa no mundo rural é uma época de "renascimento", ideal para viver o lado mais intimista e comunitário, muitas vezes com lareiras acesas e partilha de doces entre vizinhos. 

Veja agora, nos vídeos abaixo, como se celebra a Páscoa com tradição em algumas Aldeias de Portugal.
E ainda outro vídeo.
Ainda outro.

segunda-feira, abril 06, 2026

Hoje é Segunda-feira de Pascoela

 A segunda-feira a seguir à Páscoa em Portugal, muitas vezes chamada de Segunda-feira de Pascoela ou Segunda-feira de Páscoa, é marcada por tradições que misturam fé, convívio familiar e celebração comunitária, sendo em muitos locais um dia de descanso e passeio. 

Aqui estão as principais tradições:

A Continuação do Compasso Pascal (Visita Pascal). Em algumas freguesias, principalmente no Norte de Portugal, a visita pascal, onde o pároco leva a cruz decorada para abençoar as casas, estende-se até à segunda-feira de Pascoela.

Realização de Romarias e Piqueniques sobretudo no Alentejo. Nesta região do país, é tradição realizar romarias e almoços no campo neste dia. As famílias reúnem-se para celebrar a ressurreição com convívio, muitas vezes aproveitando o clima primaveril para comer ao ar livre.

A partilha de Folares e Doces. É um dia para continuar a comer os doces típicos da Páscoa, como o folar de carne ou o doce, o pão de ló e as amêndoas, partilhando-os com amigos e vizinhos que visitam a casa.

A visita ou passeio pelos Mercados de Páscoa. Em algumas localidades, como Vila do Conde, ocorrem feiras e mercados de Páscoa que funcionam durante este período, oferecendo animação e gastronomia local. 

Em suma, a segunda-feira é vista como um dia de Páscoa Pequena ou de celebração da Pascoela, focada no convívio e na alegria da ressurreição.
Na manhã da segunda-feira de Páscoa, Borba voltou a cumprir a tradição. É dia de Santa Bárbara. 
Ora veja.

quinta-feira, abril 14, 2022

A Rosca de Pão Doce

A Rosca de Pão Doce ou Rosca de Folar de Páscoa é, um doce tradicional da Páscoa, em Vila do Conde.

Era oferecido como Folar aos afilhados que, em Domingo de Aleluia, visitavam os padrinhos. Servia também para "pagar" pequenos favores a quem se incomodava durante o ano ou, muito simplesmente, para reconhecer a estima que se nutria por alguém. 

Como nos estamos a aproximar da Páscoa, aqui fica uma receita deste Pão Doce. (Fonte: Câmara Municipal de Vila do Conde)

Ingredientes:

1 Kg de farinha de trigo + 250 grs
250 grs de açúcar
9 gemas e 1 clara
125 grs de manteiga
40 grs de fermento de padeiro
canela q.b.
açafrão q.b.

Preparação:

Desfaz-se o fermento de padeiro num pouco de água tépida e mistura-se com os 250 grs de farinha. Deixa-se levedar em lugar temperado durante uma hora. Põe-se o açafrão de molho num pouco de água morna. Deitam-se as gemas e as claras numa tigela e batem-se com o açúcar. Junta-se a manteiga amolecida, a água onde esteve o açafrão e um pouco de canela e mistura-se tudo. Peneira-se a farinha em monte para um alguidar, faz-se uma cova, no meio na qual se deita a massa fermentada (o crescente) e a mistura de ovos, açúcar e manteiga. Amassa-se tudo muito bem e deixa-se levedar em local temperado. Tendem-se as regueifas e deixam-se levedar até aumentarem de volume e aparecerem à superfície umas bolhas transparentes. Leva-se a cozer em forno (antigamente eram cozidas em forno de lenha) bem quente. Depois de cozidas pincelam-se com manteiga.

terça-feira, abril 04, 2023

Folar Tradicional de Páscoa


Com votos de uma Feliz Páscoa aqui lhe deixo, para variar, em vez de um folar doce mais tradicional, um folar salgado (de carnes). 
 
No vídeo abaixo veja a confeção do tradicional folar de carne da localidade de Valoura (Vila do Conde).
Vale a pena experimentar fazer em casa!

domingo, abril 21, 2019

O Pão Doce de Vila do Conde

O Pão Doce de Vila do Conde, também conhecido como rosca de pão doce ou rosca de folar, ou Broinha, o folar de Vila de Conde nasceu nos vários mosteiros da região e é ainda hoje produzido em Labruge, Mindelo, Modivas, Vila Chã ou Vilar.
Este bolo é feito durante todo o ano, embora esteja particularmente associado à Páscoa.
Tradicionalmente cozido nos fornos a lenha onde era cozida a broa de milho, em Vila do Conde o pão doce era oferecido aos afilhados, no Domingo de Páscoa, quando visitavam os padrinhos, no Natal e nas festas da família. No entanto, este bolo servia também como forma de retribuição por pequenos favores ou para demonstrar a estima que se nutria por alguém, amigos ou familiares.

O Pão Doce de Vila do Conde

Ingredientes:
1 ovo inteiro + 4 gemas
1 pau de canela
1 pitada de sal
125 g de açúcar
125 ml de água
25 g de fermento de padeiro
500 g de farinha de trigo
65 g de manteiga + q.b. p/ pincelar
raspa de 1 limão

Preparação:
Coloque a água, a manteiga, o açúcar, o pau de canela e a raspa de limão num tacho e leve ao lume, mexendo até ferver.
Deixe arrefecer um pouco e retire alguma calda para desfazer o fermento (caso seja o fermento fresco). Reserve ambos os preparados.
Bata os ovos, junte-lhes a farinha e amasse.
Incorpore, aos poucos, na massa o fermento desfeito e a calda reservada. Vá amassando muito bem até a massa se descolar das mãos. A massa tem de ficar elástica e com uma certa humidade.
Numa superfície lisa e enfarinhada, tenda rolos de massa que se entrelaçam, ligando-os em forma de rosca.
Coloque a rosca num tabuleiro forrado com papel vegetal e deixe levedar, em ambiente temperado, até a massa dobrar de volume (cerca de 3 horas).
Leve ao forno, pré-aquecido a 180º C, cerca de 20 minutos.
Quando estiver cozido, retire o pão doce do forno e pincele-o com manteiga derretida.