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domingo, abril 04, 2021

O Compasso Pascal

O Compasso Pascal ou Visita Pascal é uma tradição portuguesa deste período da Páscoa. Consiste na visita (no dia de Páscoa ou nas semanas seguintes) do pároco (ou quem o substitua), realizada de casa a casa, de uma determinada paróquia, do Crucifixo de Cristo para celebrar a sua Ressurreição.

Um pequeno grupo de paroquianos ou mordomos, com ou sem o seu pároco, liderados por um crucifixo que representa a presença de Jesus vivo, percorre as várias casas dos paroquianos que manifestem a sua vontade de receber a visita de Jesus Ressuscitado no dia de Páscoa. 

Em cada uma das casas, após uma bênção inicial, os habitantes da casa visitada beijam a Cruz de Cristo como demonstração de adoração.

A esta tradição associaram-se diferentes formas de receber essa visita. Ela é vista como uma forma de confraternização dos membros da comunidade paroquial com a oferta de alimentos da quadra Pascal ou apenas uns minutos de repouso para o grupo itinerante. É também comum ser aproveitada para oferta de donativos pecuniários à paróquia .

Em cada aldeia, vila ou cidade, sobretudo do Norte e Centro de Portugal, o Compasso Pascal tem as suas particularidades ou características. Por exemplo, em Fiscal, Amares, há um ritual que se mantém e que se tem repetido ao longo do tempo. Nesta localidade a cruz é conduzida de barco até à outra margem do Rio Homem para que quem aí mora (lugares de S. Bento e de S. Pedro) a possa beijar.

Manda a tradição que sejam quatro os barcos a efetuar a travessia sobre as águas, onde vão o fogueteiro, o pároco e mordomos e a banda de música que acompanha o compasso. 

Esta é uma tradição antiga que se mantém nos dias de hoje, mas há também outras que vão persistindo no tempo como as limpezas das casas - que devem ficar impecáveis para receber precisamente o compasso pascal.

Este compasso de Fiscal, como em praticamente todas as localidades minhotas, e na região do Cávado é das manifestações religiosas mais importantes para os fiéis celebrarem a ressurreição de Jesus Cristo.

sexta-feira, abril 03, 2015

A Quaresma: Tradições & Rituais

Hoje é "Sexta Feira da Paixão" (a sexta-feira que ocorre antes do domingo de Páscoa), dia em que os cristãos relembram o julgamento, a paixão, a crucificação, a morte e a sepultura de Jesus Cristo.
Nesta data ocorrem, pelo país, diversos rituais religiosos. Procissões e reconstituições da Via Sacra são alguns do rituais mais difundidos.
A Igreja Católica aconselha, também, os fiéis a fazerem algum tipo de penitência, como o jejum e a abstinência de comer carne.
No nosso país existem variadas tradições populares associadas a esta quadra. Destacam-se as procissões, o compasso pascal, o jejum e a abstinência e as oferendas.
Uma das procissões mais conhecidas ocorre em Braga. Nesta época aquela cidade é decorada com motivos alusivos à quadra pascal e os "Passos", altares de rua, enchem-se de flores e luzes, complementando a sumptuosidade das igrejas. Entre as várias festividades da cidade destacam-se as procissões, como a Procissão da Burrinha, em que a imagem de Nossa Senhora é transportada por uma burrinha e onde mais pequenos e adultos participam, vestidos a rigor. Já em São Brás de Alportel (Algarve) realiza-se uma procissão de flores, Procissão das Tochas Floridas,  no domingo de Páscoa). As tochas são compostas por flores do campo e são carregadas sobretudo por homens que cantam em despique: "Ressuscitou como disse, Aleluia, Aleluia, Aleluia".
No Alentejo, em Castelo de Vide, além das procissões benzem-se os borregos e fazem-se chocalhadas, com as pessoas a sair à rua com chocalhos, guizos e sinos.
Em muitas outras localidades celebra-se também a Semana Santa com procissões de velas à noite, ou com representações teatrais da condenação e martírio de Cristo.
A limpeza da casa na Páscoa é famosa de norte a sul do país. Nesta altura limpam-se e caiam-se as casas (em certas zonas) para receber a visita pascal, o Compasso, que simboliza a entrada de Jesus Cristo no lar, com a bênção do padre que benze a casa e todos os que ali habitam. A mesa costuma conter folares, ovos da Páscoa, pão-de-ló e amêndoas cobertas de açúcar ou chocolate, outros doces, licores e vinho do Porto para oferecer aos constituintes do Compasso.
A Quaresma é a época do ano em que, por imposição religiosa, é proibido comer carne. Inicia-se com a quarta-feira de cinzas, dia em que começa o período de jejum e abstinência assinalado pela Igreja, e dura sete semanas. A Quaresma já teve um marcado carácter restritivo, de penitência e jejum. Hoje a abstinência de carne resume-se à Sexta Feira da Paixão. 
Antigamente estava proibido o uso de certos produtos, nomeadamente tudo o que era carne e alguns dos seus derivados. Daí que as populações sobretudo nas regiões rurais, tivessem que se adaptar e as cozinheiras e donas de casa, com responsabilidade na confecção dos alimentos, tivessem de encontrar alternativas gastronómicas. Daí o grande número de pratos de bacalhau ou de receituário com peixes assados, panados, fritos, estufados ou em filetes, onde as sardinhas e o polvo não podiam faltar.
Outra alternativa à carne são os célebres "Peixinhos da Horta (vagens de feijão verde, cozidas, passadas por um polme com farinha, ovo e cebola picada, que depois são fritas em azeite bem quente).
No que se refere às sopas e em substituição do tradicional Caldo de Unto (de origem animal) havia (no norte, sobretudo) o Caldo de Castanhas Piladas. Este caldo comia-se durante a Quaresma, nomeadamente na Quinta-feira Santa.
Apesar do jejum e da abstinência continuamos a estar, como vê,  perante uma culinária rica e variada.
Mas o domingo de Páscoa já está próximo, é dia de festa e ressurreição, voltando-se a comer carne como cabrito ou borrego, à imagem dos tempos antigos e os doces da Páscoa também não podem faltar, nas mesas portuguesas.
Uma outra tradição popular da Páscoa, em Portugal, é oferta de uma prenda (um folar ou pão-de-ló, amêndoas ou dinheiro) aos afilhados, que por sua vez devem entregar no domingo de Ramos um ramo de oliveira ao padrinho ou um ramo de violetas à madrinha.
Assista agora a um documentário sobre a tradição quaresmal no Redondo (Alentejo). "Entre o ontem e hoje, alguns dos actos litúrgicos perderam-se. Outros mantêm-se, embora com algumas mudanças introduzidas pelos tempos modernos. Modernidade e tradição continuam a marcar a quadra".
Redondo e a Quaresma | DOCUMENTÁRIO from InfimoFrame on Vimeo.
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sábado, abril 07, 2012

Tradições Pascais

A Páscoa é uma época cheia de tradições, de lendas, de símbolos e de usos e costumes. A maioria das tradições Pascais remete para actos pagãos que foram a pouco e pouco sendo incorporados na vida cristã.
No nosso país ainda (cada vez com mais dificuldade) se vão mantendo alguns usos e costumes, associados a esta época festiva. Assim, na semana antes da Páscoa em algumas localidades, fazem-se grandes limpezas e amassam-se os folares que depois de tendidos são levados em tabuleiros para o forno. No sábado antes da Páscoa matam-se os cabritos (ou os borregos), que depois são temperados para no domingo serem o prato principal desta festa religiosa.
Na segunda-feira, depois da Páscoa, faz-se um piquenique no campo (sobretudo no sul de Portugal) onde se come o resto do cabrito (ou do borrego), os folares, os chouriços, pão, vinho e amêndoas.

No norte de Portugal uma das tradições é o “compasso” Pascal que vai de porta em porta ao som do toque do sino. No Minho a Páscoa é vivida com alegria. Estreia-se roupa nova, espera-se pelo “compasso”, e prova-se o pão-de-ló típico da época. É hábito por estas paragens conceder o “folar” ao pároco que visita as casas. As ofertas são variadas… Mas quase sempre passam pelo dinheiro em nome da paróquia. Mas as oferendas podem, também, ser o açúcar, o arroz ou os ovos. Em Braga, do Domingo de Ramos ao Domingo de Páscoa, a cidade dedica-se totalmente às cerimónias da Semana Santa. Aqui podem-se destacar a Procissão da Nossa Senhora da «burrinha», a Procissão do Senhor «Ecce Homo», a Procissão do Enterro do Senhor, a Vigília Pascal e a Procissão da Ressurreição. Em Trás-os-Montes, manda a tradição haver em cada mesa o folar de carne. Este é mais importante que qualquer outra iguaria. É uma bola feita de farinha, fermento, ovos, leite, azeite ou manteiga, carne de porco, entre outras carnes.
A Páscoa no centro e sul de Portugal é também uma época cheia de tradições cuja origem ainda se tenta manter. A região das Beiras não é diferente das outras regiões do país. São feitas as limpezas de véspera e confeccionados os tradicionais bolos da Páscoa. Na região centro as broinhas e os bolos de azeite marcam a diferença. Na Beira Litoral, a chanfana ou o leitão assado são os pratos preferidos por alturas da Páscoa.

No Alentejo o cordeiro é o prato principal. No Alto Alentejo, em Castelo de Vide, o folar assume a forma de um duplo coração de ovos, decorado com motivos feitos da mesma massa. Próximo de Elvas, os folares apresentam formas de animais, representando borregos, lagartos,
pintainhos e pombos.
No Algarve a festa pascal apresenta algumas diferenças etnográficas entre a serra e o litoral. No litoral, fazem-se as procissões da Semana Santa, de entre elas, destaque-se a Procissão das Tochas realizada, no dia de Páscoa, em S, Brás de Alportel. Esta procissão tem na sua essência a comemoração de um dos mais heróicos acontecimentos históricos do Algarve: a expulsão pela confraria dos moços solteiros, das tropas inglesas comandadas pelo duque de Essex, que em Julho de 1596 saquearam a cidade de Faro e o seu termo.
No Algarve é tradição, também, no Domingo de Páscoa comer-se borrego ou carneiro assado. Em matéria de doçaria fazem-se os folares de mel e os bolos finos de amêndoa, delicadamente decorados.
Depois deste roteiro festivo e gastronómico por Portugal aqui ficam os meus votos de Feliz Páscoa.

segunda-feira, abril 06, 2026

Hoje é Segunda-feira de Pascoela

 A segunda-feira a seguir à Páscoa em Portugal, muitas vezes chamada de Segunda-feira de Pascoela ou Segunda-feira de Páscoa, é marcada por tradições que misturam fé, convívio familiar e celebração comunitária, sendo em muitos locais um dia de descanso e passeio. 

Aqui estão as principais tradições:

A Continuação do Compasso Pascal (Visita Pascal). Em algumas freguesias, principalmente no Norte de Portugal, a visita pascal, onde o pároco leva a cruz decorada para abençoar as casas, estende-se até à segunda-feira de Pascoela.

Realização de Romarias e Piqueniques sobretudo no Alentejo. Nesta região do país, é tradição realizar romarias e almoços no campo neste dia. As famílias reúnem-se para celebrar a ressurreição com convívio, muitas vezes aproveitando o clima primaveril para comer ao ar livre.

A partilha de Folares e Doces. É um dia para continuar a comer os doces típicos da Páscoa, como o folar de carne ou o doce, o pão de ló e as amêndoas, partilhando-os com amigos e vizinhos que visitam a casa.

A visita ou passeio pelos Mercados de Páscoa. Em algumas localidades, como Vila do Conde, ocorrem feiras e mercados de Páscoa que funcionam durante este período, oferecendo animação e gastronomia local. 

Em suma, a segunda-feira é vista como um dia de Páscoa Pequena ou de celebração da Pascoela, focada no convívio e na alegria da ressurreição.
Na manhã da segunda-feira de Páscoa, Borba voltou a cumprir a tradição. É dia de Santa Bárbara. 
Ora veja.

segunda-feira, março 30, 2026

A Páscoa em Portugal

A Páscoa em Portugal, e em particular nas suas aldeias, é uma celebração profunda de tradições religiosas e familiares. É marcada pela Encomendação das Almas (um ritual quaresmal - sobretudo no Centro de Portugal - onde grupos de pessoas cantam nas ruas pedindo pelas almas), pela visita do Compasso Pascal (um costume com mais de 500 anos que se caracteriza por um grupo liderado pelo pároco, com uma cruz florida, que percorre as ruas no domingo de Páscoa - por vezes até à segunda-feira - para abençoar as casas), pelos Tapetes de Flores (os moradores preparam a entrada de casa com flores, pinho e ervas para indicar que desejam receber o compasso), e por Sabores Típicos como o Folar da Páscoa (feito de forma artesanal com ovos, açúcar e canela, símbolo de união) e o Cabrito Assado (o prato principal tradicional do almoço de Páscoa). 

As casas são abençoadas com água benta, fortalecendo os laços comunitários e os reencontros.

A Páscoa no mundo rural é uma época de "renascimento", ideal para viver o lado mais intimista e comunitário, muitas vezes com lareiras acesas e partilha de doces entre vizinhos. 

Veja agora, nos vídeos abaixo, como se celebra a Páscoa com tradição em algumas Aldeias de Portugal.
E ainda outro vídeo.
Ainda outro.

quinta-feira, abril 17, 2025

O Folar de Valpaços

 O folar era tradicionalmente confecionado na época da Páscoa. O clero recolhia o folar das famílias no Domingo de Páscoa, no denominado "Compasso ou visita Pascal". Hoje o folar está na mesa de todos os transmontanos sempre que há um casamento ou um batizado.

A primeira referência à receita com a designação de "Folar de Valpaços" surge, em 1959, no Livro de Pantagruel (Bertha Rosa Limpo, 1959), aparecendo posteriormente em várias publicações nacionais de culinária, destacando-se, entre elas, o livro Cozinha Tradicional Portuguesa, de Maria de Lurdes Modesto (1982). 

A reputação e utilização direta do nome "Folar de Valpaços" é referida por Virgílio Nogueiro Gomes, na sua obra "Transmontanices – Causas de Comer" (2010) e nas suas crónicas "Folares e a Páscoa" (2009) e "Cadernos de Receitas" (2012).  

Pra que não deixe de seguir a tradição aqui lhe deixo uma receita de Folar de Valpaços transmitida na Praça da Alegria da RTP.

Ingredientes:
Farinha – 1kg
Ovos – 10
Sal – 20g
Fermento de padeiro – 50g
Azeite – 120ml
Manteiga – 120g
Linguiça cortada – a gosto
Salpicão – a gosto
Presunto – a gosto
Toucinho – a gosto

Preparação:
Num recipiente junte o sal e os ovos e bata tudo.
Numa taça, dissolva o fermento com um pouco de água morna.
Adicione a farinha à mistura de sal e ovos. Junte depois os restantes ingredientes. Misture tudo e bata energicamente até formar uma bola de massa elástica.
Deixe essa bola de massa levedar até dobrar de tamanho e ganhar algumas bolhas.
Corte a massa levedada em porções. Estenda a massa, recheie com as carnes e enrole a massa.
Coloque a massa numa forna untada com manteiga e deixe a levedar por cerca de 30 a 40 minutos.
Por fim, leve ao forno pré-aquecido a 90ºC.