A Biblioteca Mohammed bin Rashid (MBRL), localiza-se em Al Jaddaf (junto ao Dubai Creek ), no Dubai, Emirados Árabes Unidos (EAU) . É considerada a maior biblioteca do Médio Oriente e um "monumento ao serviço da ciência e do conhecimento". O exterior apresenta pilares que exibem citações sobre a liderança do Sheikh Mohammed bin Rashid, em 171 idiomas.
Foi inaugurada em 2022 e destaca-se pelo seu design arquitetónico em forma de livro aberto e pela sua extensa coleção com mais de um milhão de títulos físicos e digitais. É composta por nove bibliotecas focadas em diferentes temas, incluindo áreas dedicadas a jovens, mapas, media, artes e negócios.
Dispõe de uma exposição permanente com manuscritos, livros raros e documentos históricos que datam desde o século XIII.
A biblioteca é a primeira na região que utiliza um sistema abrangente de IA, reduzindo a dependência de pessoal humano, tornando mais ágil os processos de seleção de títulos, leitura, bem como empréstimo e devolução de livros. Conta, pois, com um sistema inteligente e robótico que utiliza inteligência artificial para localizar e entregar livros em cerca de 10 minutos. Não é necessária reserva prévia para visitar e o acesso é gratuito.
Esta biblioteca procura ajudar a fortalecer a estatura dos EAU como um centro de cultura e inovação na região, criando um ambiente propício no país que atende a todos os segmentos da comunidade, especialmente escolas e estudantes universitários.
O Santo da Montanha é um romance do escritor português Camilo Castelo Branco, publicado originalmente em 1866. A obra faz parte da vasta bibliografia do autor, um dos maiores expoentes do Romantismo em Portugal.
Por ser um clássico da literatura portuguesa, o livro pode ser consultado aqui noInternet Archive.
Sinopse: A história inicia-se por volta do ano de 1687, descrevendo a movimentação de famílias nobres do Norte e Sul de Portugal. A narrativa centra-se na história de uma paixão avassaladora e trágica entre dois protagonistas incompatíveis: Mécia e Baltazar. O enredo explora temas recorrentes na obra camiliana, como o desejo, as barreiras sociais e as consequências fatais de amores proibidos ou impossíveis.
"Seis meses antes de se abrir um céu que o leitor há de entrever em certas festas de Corpus Christi, em Braga, se eu conseguir bosquejá-las dignamente, espalharam-se prospetos da festividade por todo o reino. Corria o ano de 1687.
A notícia alvoroçara as famílias das províncias de norte e sul. Era um louvar a Deus ver o denodo com que de solares sertanejos de Trás-os-Montes, por caminhos de cabras, desciam fidalgarrões, cabeças de copiosas tribos de meninas, sentadas sobre andilhas de coxins adamascados ou em liteiras ponderosas, cujos brasões iam dizendo a porção de sangue real de godos, seiva do venerando tronco de que tinham grelado as damas ou cavaleiros conteúdas dentro, a cabecear de sono."
A Bobadela é uma povoação portuguesa do município de Oliveira do Hospital. A freguesia da Bobadela conta com 5,68 km² de área e cerca de 704 habitantes, tendo, por isso, uma densidade populacional de 123,9 hab./km² . Esta localidade foi vila e sede de concelho até ao início do século XIX.
A Bobadela, destaca-se pelo seu valioso património histórico, com particular destaque para as Ruínas Romanas de Bobadela que são um dos mais importantes e bem preservados conjuntos arquitetónicos de valor histórico-arqueológico do "período romano" em Portugal.
Assim, chama a atenção de quem chega a esta localidade, o Arco Monumental - acesso nascente do forum, a antiga "Splendidissima Civitas" romana, as epígrafes dedicadas à Splendidissima Civitas, a Júlia Modesta e a Neptuno,
a enigmática cabeça de um imperador romano e o magnífico anfiteatro. O Anfiteatro Romano da Bobadela só foi descoberto em 1980, por um grupo de arqueólogos. É de estrutura simples, constituído por uma arena elipsoidal e terá sido construído no ultimo quartel do Século I, e destruído por um incêndio nos finais do Século IV. Contudo, terá sido abandonado e desativado antes do incêndio.
A importância da Bobadela na época romana deduz-se não só pelo arco que se conserva erguido, mas também pelos vestígios visíveis e assinalados na povoação, com particular destaque para o que terá sido o anfiteatro romano. Contudo, o símbolo mais notável da presença romana é, efetivamente, o Arco Monumental que se levanta em frente da igreja, perpendicularmente à frontaria desta.
Em volta do arco existem longas aduelas, marcadas com o sinal do forfex. Serve-lhe de pés direitos um muro de silharia rusticada nas faces laterais e dotado de cimalha. Internamente, encostam-se-lhe um dos pés direitos, cinco portes silhares, de duas colunas ligadas. Há um silhar junto à capela de Nossa Senhora da Luz, que lhe terá também pertencido.
A região onde se insere esta localidade, com forte cariz rural e tradições enogastronómicas, inclui locais de interesse como a Casa da Eira de Cima (turismo rural), o Museu do Azeite, os vestígios de moinhos de vento e o pelourinho da Bobadela.
A paisagem envolvente está ligada à produção de azeite e vinho. A área é atravessada por rotas pedestres, incluindo o percurso AllTrails - Oliveira do Hospital - Pinheiro dos Abraços - Bobadela, que passa por locais de interesse histórico e natural.
A Galinha Mourisca é um prato histórico português, tradicional do Minho (especialmente de Vila Nova de Famalicão), que remonta ao século XV/XVI. Consiste numa galinha guisada com toucinho, especiarias e bastantes ervas aromáticas (louro, hortelã, coentros), finalizada com gemas de ovo para engrossar o molho e servida sobre fatias de pão alentejano.
"Façam em pedaços uma galinha bem gorda, e levem-na ao fogo brando, com duas colheres de sopa de gordura, algumas fatias de toucinho, bastante coentro, um punhadinho de salsa, umas folhinhas de hortelã, sal e uma cebola bem grande. Abafem-na e deixem-na dourar, ... " - in "Tratado de cozinha Portuguesa"
Para a preparação da Galinha Mourisca usa-se, tradicionalmente, uma galinha amarela velha, cozinhada lentamente para ficar tenra. Os ingredientes esta galinha são: toucinho (ou banha), hortelã, salsa, coentros, louro, cravo, canela e gemas de ovo. Já o molho leva vinho branco, vinagre, gema de ovo e sumo de limão, criando um molho cremoso, ácido e aromático. Este prato é tradicionalmente servido sobre fatias de pão (ensopado) e finalizado com rodelas de limão e ovos cozidos.
A receita da Galinha Mourisca está fortemente associado à obra de Camilo Castelo Branco (nomeadamente ao livro O Santo da Montanha) e é considerado um ex-líbris gastronómico de Famalicão.
"Para o fidalgo D. José de Noronha, “um homem de boa prática” e também “bom cozinheiro”, “o comer é o principal”. É isso que ele diz em O Santo da Montanha, obra de 1866 deCamilo Castelo Branco. Para a mesa tosca onde se senta com familiares seguem duas galinhas coroadas por pirâmides de salpicão sobre toucinho. A personagem, sabedora do que se faz na cozinha, logo apresenta alternativas ao petisco. Uma delas de “comer e gritar por mais”: a galinha mourisca. No terceiro capítulo da obra, lê-se que o fidalgo aprendeu a receita com Arte de Cozinha, 1680, deDomingos Rodrigues, o primeiro livro de cozinha impresso em Portugal em 1680". Jornal O Público (11/6/2021)
Em 2025, celebrou-se o bicentenário do nascimento da mais furiosa e indomável figura literária portuguesa, um escritor peninsular que dominou todos os géneros: Camilo Castelo Branco, pelo que a Galinha Mourisca esteve em destaque nestas comemorações.
Veja aqui os segredos da Galinha Mourisca, no Porto Canal.
Consta que esta era a comida preferida de D. João VI pelo que atravessou o Atlântico e chegou ao Brasil. Veja agora 2 vídeos brasileiros com receitas deste prato português. O 1º vídeo é da Cozinha dos Tronos - Revista Pretérita 1 de 2.
O segundo vídeo é da chefe Cintia Leite (Band Mulher) que traz uma receita de Galinha Mourisca com Hidromel.
Proponho-lhe que assista ao Concerto de Ópera em Homenagem a Patricia Janečková que se realizou em março deste ano na cidade de Ostrava (Chéquia).
Patricia Burda Janečková (1998 - 2023), mais conhecida como Patricia Janečková, foi uma cantora de ópera eslovaca nascida em Münchberg (Baviera), na Alemanha. Foi uma aclamada soprano coloratura, reconhecida internacionalmente, desde muito jovem, pela sua técnica vocal excecional. Ela venceu o programa de televisão checoslovaco Talentmania em dezembro de 2010 e tornou-se famosa mundialmente, após a conquista, graças à cobertura da rede de televisão CNN.
Especializou-se em ópera e música clássica, com interpretações memoráveis de peças de Mozart e árias como Les oiseaux dans la charmille.
Patricia tinha uma voz rara, um talento precoce e uma sensibilidade que parecia vir do outro mundo.
Infelizmente, a sua trajetória foi interrompida cedo demais. Patricia morreu aos 25 anos de idade, vítima de cancro de mama. O mundo da música perdeu uma grande voz e um raro talento.
O Corredor de Suwalki ou Fenda de Suwalki é uma estreita faixa de terra pouco povoada, entre cerca de 65 a 100 Km de extensão, situada na fronteira entre a Polónia e a Lituânia. É considerado um dos locais mais estratégicos e perigosos do mundo devido à sua posição geográfica.
Esta área é a única ligação terrestre entre os três países bálticos (Lituânia, Letónia e Estónia) e a restante NATO/OTAN (Polónia). O Corredor de Suwałki permite também a ligação dos Estados Bálticos à UE (transporte e energia) e é por onde passa a rota de transporte mais curta entre a Bielorrússia e o exclave russo do Oblast de Kaliningrado. O seu nome deriva da cidade polaca de Suwałki, localizada no território do corredor.
Situa-se entre a Bielorrússia (aliada da Rússia) a leste e o exclave russo de Kaliningrado a oeste. Este corredor é um Calcanhar de Aquiles para a NATO/OTAN porque alguns analistas temem que, num conflito militar, a Rússia possa tentar tomar esta área, isolando os países bálticos por terra e cortando o apoio dos aliados.
A Lituânia e aPolóniatêm vindo a reforçar as fronteiras e a segurança, especialmente após sanções europeias limitarem o trânsito de produtos russos para Kaliningrado, aumentando as tensões na região. A adesão da Finlândia e da Suécia à NATO/OTAN fortaleceu a defesa na área, tendo ajudado a proteger o acesso aos países bálticos por mar e ar.
Em suma, a Fenda de Suwalki é um ponto crucial onde as fronteiras da NATO/OTAN e da Rússia se encontram, tornando-a um local de alta tensão geopolítica.
A Biblioteca Nacional do Qatar, fica situada na Cidade da Educação, em Doha. É um lugar que abriga os campus de importantes universidades de todo o mundo. O novíssimo edifício abriu as portas em 2018 e surpreende pela arquitetura e também pelos tesouros que abriga.
O edifício é um marco arquitetónico com um formato que lembra folhas de papel dobradas, criando uma estrutura em concha e um interior amplo e iluminado.
A Biblioteca foi projetada pelo arquiteto Rem Koolhaas, que utilizou mármore e aço inoxidável, com fachada de vidro ondulado que filtra a luz natural e reduz o calor interno.
Com mais de 45 mil m², o espaço abriga milhões de obras, incluindo livros raros e manuscritos, além de oferecer um ambiente aberto e acolhedor capaz de receber milhares de visitantes ao mesmo tempo.
Mais do que uma simples biblioteca, ela guarda a mais importante coleção de textos e manuscritos da civilização árabe-islâmica do Médio Oriente. São textos escritos por exploradores que passaram pela região há séculos, manuscritos árabes, mapas, globos, instrumentos de cartografia e fotos históricas.
Ouça o cantor Eddy Grant em Gimme Hope Jo'anna(1988).
Gimme Hope Jo'annaé uma canção britânica antiapartheid escrita e lançada originalmente pelo cantor, compositor e multi-instrumentista guianês-britânico Eddy Grant em 1988, durante a era do apartheid na África do Sul. A canção foi proibida pelo governo sul-africano quando foi lançada, mas mesmo assim foi amplamente tocada lá. Alcançou o 7º lugar na top de singles do Reino Unido, tornando-se o primeiro sucesso de Grant no top 10 britânico em cinco anos.
Mulheres de Abril foi produzido, realizado e editado por uma equipa inteiramente feminina. Desde 2018, Raquel Freire trabalha sempre com equipas de mulheres ou pessoas não binárias e trans, numa resposta a uma indústria que, diz, continua a excluir sistematicamente as mulheres.
No documentário a que pode assistir ainda hoje no IndieLisboa (Cinema S. Jorge - sala3, pelas 14 h 15), as mulheres que fizeram parte da resistência antifascista e anticolonial ganham voz e lembram que a revolução não acabou.
Sinopse:
Mulheres de Abril é um filme que celebra a multitude de mulheres revolucionárias: as mães da nossa democracia. Através da voz, do olhar, do silêncio, da acção de cada uma destas mulheres, conhecemos a riqueza das experiências vividas, que, juntas, nos dão um legado de confiança, justiça, perseverança, respeito e liberdade. São mulheres que venceram o fascismo, o colonialismo, as desigualdades sociais em Portugal e nos territórios africanos ocupados e transformaram o mundo à sua volta.
Mulheres de Abril propõe uma viagem pela memória e pela história recente do país, através das vozes de Margarida Tengarrinha, Julieta Rocha, Ana Maria Cabral, Isabel do Carmo, Maria Emília Brederode Santos, Luísa Sarsfield Cabral, Teresa Loff Fernandes, Zezinha Chantre, Helena Neves e Ruth Rodrigues, cujas vidas foram marcadas pela perseguição, prisão, tortura, censura, exílio, clandestinidade, luta e resistência.
A receita do croissant surgiu na Áustria, mas consolidou-se no território francês a partir de meados do século XIX. A sua origem é atribuída aos padeiros de Viena, onde era conhecido pelo nome de Kipferl desde o século XIII, sendo feito de tamanhos variados.
Para alguns autores, a origem do kipferl, viennoiserie antepassado docroissant, dá-se, assim, na Áustria entre os séculos XIII e XVII, e aparece também na Hungria e na Itália, mas não se sabe a receita exata (salgada ou doce) e nem se a massa era folhada ou não. Este tipo de pastelaria também pode ter tido as suas origens no Próximo Oriente e nas cozinhas do palácio de Topkapi, em Istambul, na Turquia.
Terá sido um oficial austríaco, August Zang, associado a um nobre vienense de nome Ernest Schwarzer, que os introduziu em Paris entre 1837 e 1839, abrindo uma padaria de nome Boulangerie Viennoise, cujo sucesso rapidamente inspirou imitadores a produzirem a massa.
Foi feito na França num primeiro momento por trabalhadores que imigraram de Viena, a viennoiserie começou em seguida a ser praticada pelos seus pupilos. A prática espalhou-se e começou a ser chamada de travail viennois (trabalho vienense), e o cozinheiro chamado de viennois (vienense). Dentre esses cozinheiros, distinguiam-se o croissantier, o biscottier e o pâtissier-viennois (pasteleiro-vienense).
No entanto, foi só a partir do começo do século XX que essas receitas, especialmente a do croissant, se tornaram um símbolo da culinária francesa.
O Croissant é, hoje, uma delícia francesa que se espalhou pelo mundo e que faz sucesso tanto na sua versão salgada quanto na doce.
Ícone da confeitaria, este prato tem uma maciez irresistível e sabor amanteigado.
A preparação envolve uma massa de farinha, sal, açúcar, água, fermento e, é claro, manteiga de alta qualidade.
O segredo está na técnica meticulosa de esticar e dobrar a massa, criando camadas delicadas e crocantes.
O segredo do croissant está portanto na massa, que deve ser semifolhada. A massa semifolhada possui menos gorduras, menos dobras e leva fermento biológico. As dobras são responsáveis pela separação da massa e das camadas de gordura que proporcionam a folhagem do croissant.
Um bom croissant deve ter um bom aspecto, como uma lua em quarto crescente, com uma crosta crocante e uma bela cor dourada. As pontas devem estar descoladas do meio, e o miolo deve ser alvo, aerado, e mostrar a consistência certa.
Depois de cuidadosamente assados, os croissants podem receber os mais diversos recheios, incluindo cremes, chocolate, geleias e outras delícias.
subia a colina ao castelo-fantasma onde um pavão alto me aflorava muito em sonhos à noite. E sofria de asma
alma e ar reféns dentro do pulmão (como um chimpanzé que à boca da jaula respirava ainda pela estendida mão) Salazar três vezes, no eco da aula.
As verdiças tranças prontas a espigar escondiam na auréola os mais duros ganchos. E o meu coito quando jogava a apanhar era nesse tronco do jardim dos anjos
que hoje inda esbraceja numa árvore passiva. Níqueis e organdis, espelhos e torpedos acabou a guerra meu pai grita "Viva". Deflagram no rio golfinhos brinquedos.
Já bate no cais das colunas uma onda ultramarina onde singra um barco pra cacilhas e, no céu que ressuma névoas águas mil, um fictício arco- -irís como é, no seu cor-a-cor, uma dor que ao pé doutra se indefine. No cinema lis luz o projector e o FIM através do tempo retine.
Nos Açores, na Ilha do Pico, encontramos um ponto de interesse fantástico: a Paisagem da Cultura da Vinha. Esta é composta por uma faixa de território que abrange parcialmente as costas Norte e Sul, e a costa Oeste da ilha, tendo como referência emblemática dois sítios - oLajido da Criação Velha e o Lajido de Santa Luzia.
Este lugar é um exemplo incrível da transformação de uma zona rochosa, de origem vulcânica, numa paisagem vinícola deslumbrante.
A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico é um sítio classificado pela UNESCO desde 2004, compreendendo uma área de 987 hectares na ilha do Pico, a segunda maior do arquipélago dos Açores.
A zona classificada é descrita como uma Paisagem Cultural, e inclui um notável padrão de muros lineares paralelos e perpendiculares à linha de costa rochosa, onde as vinhas são cultivadas em chão de lava negra.
Os muros foram construídos para proteção dos milhares de pequenos e contíguos lotes retangulares (designados currais ou curraletas) da ressalga proveniente da água do mar e do vento marítimo mas deixando entrar o sol necessário à maturação das uvas.
A diversidade da fauna e da flora aqui presente está associada a uma rica presença de espécies endémicas das florestas da Laurissilva características da Macaronésia, algumas muito raras e protegidas por lei, como é o caso da Myrica faya, frequentemente utilizada para fazer abrigos.
Registos desta vinicultura, cujas origens datam do século XV, manifestam-se na extraordinária colecção existente em casas particulares, solares do início do século XIX, adegas, igrejas e portos. A belíssima paisagem construída pelo homem neste local é remanescente de uma prática antiga, muito mais vasta na região açoriana.
"Em Direção à Torre" (ou Hacia la Torre), é uma pintura de Remedios Varo Uranga.
Remedios Varo Uranga (1908) foi uma pintora surrealista nascida na Catalunha, Espanha. A sua obra destacou-se por narrativas fantásticas e uma estética meticulosamente detalhada.
Hacia la Torre (1960), é uma das obras (óleo sobre masonite) mais emblemáticas da surrealista espanhola-mexicana, muitas vezes associada à primeira parte de um tríptico autobiográfico.
Esta pintura reflete o surrealismo com forte influência mística, alquímica e arquitetura medieval.
Esta obra integra um conjunto de três pinturas que narram uma jornada simbólica. O painel da esquerda, Hacia la Torre, representa o abandono de uma educação católica rígida e a saída da casa paterna. A figura feminina na pintura é vista saindo de um edifício de estilo medieval/gótico, movendo-se com determinação, sugerindo um despertar ou uma busca por liberdade e autoconhecimento. A imagem reflete a "reapropriação da narrativa" pelas mulheres, um tema comum no trabalho tardio de Varo no México, onde as suas personagens femininas não são objetos passivos, mas agentes de sua própria história.
Remedios Varo é conhecida pelas suas figuras andróginas, atmosfera mística e técnica meticulosa, características evidentes nesta obra.
Durante a Guerra Civil Espanhola, Remedios Varo Uranga mudou-se para Paris, onde foi profundamente influenciada pelo movimento surrealista. Com a ocupação nazi de França, foi forçada ao exílio e, em 1941, estabeleceu-se na Cidade do México. Embora inicialmente tratasse o país como um refúgio temporário, permaneceu lá até à sua morte, em 1963, consolidando-se como uma das grandes artistas surrealistas de sua geração. A sua obra é famosa por misturar misticismo, alquimia, ciência e fantasia.
As suas criações transportam-nos para um universo onírico, onde personagens andróginas e melancólicas realizam tarefas enigmáticas em cenários que lembram a Idade Média ou laboratórios renascentistas.
Ouça a cantora porto-riquenha Judith Tellado em Yerba Mala (vídeo oficial).
Yerba mala quiero ser entre tus manos otra vez y así dormir después de amar Oh, leka nosht mi amor
Con tus besos despertar y cual guerrera en libertad enfrentar al mundo fiera y sin temor
Yerba mala, yerba mala quiero ser Regalar amargos versos con sabor a miel Y aunque duela diré siempre la verdad Que reír no vale en una vida en falsedad
Que me llamen yerba mala y aún así no moriré Floreceré sobre los campos de otras como yo
Y aunque me hiera la fortuna o me bendiga la bondad soy golondrina bajo el cielo en Zagora
Yerba mala, yerba mala quiero ser Regalar amargos versos con sabor a miel Y aunque duela diré siempre la verdad Que reír no vale en una vida en falsedad
«A obra O Príncipe do Congo, da autoria de Xavier de Figueiredo, constitui-se como um relevante e pormenorizado contributo histórico para a compreensão dos factores e condicionalismos sociais, políticos, culturais, económicos e militares que marcaram a transição de Angola da era do tráfico de escravos para a modernidade. Além disso, traduz o sentimento de afecto e reflecte o grande interesse do autor pela história de África, que investiga com inovação, inquestionável probidade e rigor científico.» - «Prefácio», António Silva Ribeiro
Sinopse: Em 1845, uma viagem a Lisboa, à mítica capital do Puto, marca indelevelmente a vida de D. Nicolau, príncipe do Congo, com apenas 15 anos. O pai, rei do Congo, acalentava a esperança de que esta viagem viesse a contribuir para levar Portugal a reconhecer-lhe liberdade para continuar com o tráfico de escravos, que tinha sido abolido por decreto em todos os domínios portugueses. Mas o jogo político inverte-se e, 15 anos depois, D. Nicolau, vendo o fim do reino do Congo no preito de vassalagem imposto por Portugal, num grito de revolta, publica uma carta de protesto num jornal de Lisboa. Abandona o Ambriz, em Angola, onde pouco antes fora colocado como escrivão da Fazenda, mas é assassinado.
Tendo como fio condutor a vida de D. Nicolau, Xavier de Figueiredo descreve o período conturbado que Angola atravessou com o fim da escravatura.
Manifestação do 1.º de Maio de 1974 Alameda D. Afonso Henriques - Lisboa
Recordo esse momento, esse terrível entusiasmo. Eram milhares, dezenas de milhar e todos se esticavam, todos tentavam ver os carros, sentiam o solene momento, gritavam da alegria mais pura. Era um som de pólvora liberta, uma explosão de esperança, de loucura, de vida – sim, por uma vez, a vida -. Lembro esse gosto de pão, o corte brusco na inércia, o fogo da presença em oferenda, a compressão da ira vinculada agora a um caminho. Hoje contemplo esta praça, estas ruas que a tristeza semeou de novo e espero a multidão que uma vez aqui floresceu.
Confio em que virá. O vento fala já nos seus passos, faz da espera alimento; o ar vai encher-se de vozes, vai ver-nos todos juntos, livres, respirando através das mãos unidas, através do ardente fluido de alegria que liberta as raízes do canto estagnado. Egito Gonçalves(1920-2001)
Um Endereço Impossível (An Impossible Address) é um filme do artista e cineasta Suneil Sanzgiri.
O filme está inserido noINDIE Lisboa 2026, e será exibido nos dias 3 (com a presença do realizador) e 10 de maio de 2026.
A obra de Suneil Sanzgirifoi moldada por uma investigação contínua sobre as histórias da luta anti-imperialista e anticolonial no Sul Global — enraizada na sua própria genealogia familiar de resistência em Goa sob a ocupação portuguesa.
Um Endereço Impossível baseia-se no extenso trabalho de Sanzgiri com o afro-asiático, a Conferência de Bandung de 1955 e as redes transcontinentais de resistência que ligaram a Índia e Angola, nas lutas pela liberdade do domínio português.
Sinopse: Um Endereço Impossível é concebido como uma carta que não pode ser entregue - apropriando-se de sons e imagens que irrompem da memória histórica.
Fonte: Indie Lisboa
Ele escreve uma carta impossível para Sita Valles, uma médica angolana de ascendência goesa que, após o 25 de abril, deixou Lisboa para se juntar ao MPLA. Um filme que se desenrola através de técnicas cinematográficas variáveis e se apoia numa estética mutável, numa tentativa de compreender o verdadeiro significado da luta.
Esta nova obra de Sanzgiri traça o legado conturbado de Sita Valles — uma revolucionária de origem goesa que lutou pela libertação de Angola, tendo sido mais tarde assassinada pelo Estado angolano. Os seus restos mortais nunca fora encontrados. Lidando visual, sonora e narrativamente com a dificuldade de questionar a história esquiva de Sita a partir da perspectiva de um presente silencioso, o filme de Sanzgiri confronta as contradições da solidariedade e as consequências do trauma coletivo para além da morte. O realizador revela profundas conexões entre lutas que, embora aparentemente desconectadas, ressoam na mesma frequência de resistência.
Seguindo os passos da revolucionária Sita Valles, através de uma abordagem visual imersiva, onde filmes de 16mm são literalmente enterrados e recuperados da terra, o filme funciona como uma escavação arqueológica e narrativa.
Instalados ao redor da tela do filme,Sanzgiri, apresenta fragmentos de tecido de musselina, enterrados e desenterrados, que apodreceram em grandes pilhas de compostagem durante um mês, juntamente com composições de imagens de arquivo vistas no filme, que foram borradas, criando uma tensão entre a ilegibilidade e a opacidade da memória histórica.
Paralelamente ao filme principal, a obra desconstrói a arquitetura da performance oficial em poéticas informais, através de impressões de imagens e têxteis selecionados, que fazem alusão aos nove atos distintos do filme.
Explorando as lacunas e falhas dos arquivos, Um Endereço Impossível investiga o poder da herança coletiva.
As Clarinhas de Fão (Esposende) são um doce típico português muito famoso.
As Clarinhasde Fão são pastéis de massa muito fina e estaladiça, em forma de retângulo ou meia-lua, polvilhados com açúcar em pó. A massa é feita de farinha e banha, que depois é estendida até ficar quase transparente, o que garante a textura quebradiça após ser frita.
O segredo está também no recheio constituído por doce de chila (também chamada de gila), que deve ser suave e húmido.
Embora se encontrem durante todo o ano, são a estrela das festas locais, especialmente na Páscoa e na Festa do Senhor Bom Jesus de Fão.
Em 1915, já o jornal O Espozendense anunciava as virtudes medicinais de uns pastelinhos fabricados na vila de Fão, como remédio eficaz para a anorexia: "Quer manter sempre uma boa saúde e um excelente apetite, use só os pastéis de doce de fabrico da Sr.ª Rosália Clarinha. Com este delicioso manjar têm-se restituído à vida pessoas verdadeiramente arruinadas do estômago."
A sua textura estaladiça, o recheio macio e, mesmo sem converterem anoréticos, os pastéis continuam populares.
Esta especialidade continua a ser fabricada diariamente na Pastelaria Clarinha (por alusão à fundadora e suas irmãs, conhecidas como "Clarinhas"). Hoje a pastelaria é dirigida por Pedro Alves, sobrinho-bisneto da doceira inicial. A casa fica situada no centro histórico de Fão e é descrita como "farmácia-doçaria da D. Rosália Clarinha" e até é marca registada desde 1947.
*Deixo-lhe aqui hoje uma fórmula aproximada da receita original que, por ser segredo, não está sequer escrita.
Ingredientes para a massa: 250 gr. de farinha de trigo 40 gr. de manteiga 1 colher de sumo de limão 1 l. de água 1 colher de chá de sal
Preparação:
1. Aqueça a água e dissolva nela o sal. 2. Aqueça a manteiga e deite-a sobre a farinha. 3. Junte a água e o sumo de limão, misture tudo e comece a sovar esta massa. 4. Faça-o durante 20 minutos, juntando água, se necessário, quando for ficando mais dura. Descanse 10 minutos e bata mais 10. A massa está pronta após descansar mais meia hora e deve estar elástica e fofa, permitindo ser estendida fina com o rolo não enfarinhado. 5. Estique pequenos pedaços de massa, de modo a que fique bem fininha. 6. Corte rodelas de cerca de 10 cm. de diâmetro, com a ajuda de um corta massas. 7. Coloque uma porção de recheio no centro e espalme.
8. Dobre fechando em meias luas e corte com a carretilha. 9. Frite em rilada (banha de vaca) lentamente.
10. Retire e coloque-as a escorrer em papel absorvente. 11. Envolva-as muito bem em açúcar em pó.
Ingredientes e Preparação do Recheio: 1 chávena de compota de chila 5 gemas Para o recheio, leve ao lume um tacho com o doce de chila e as gemas. Mexa sempre até engrossar mas com cuidado para não deixar cozer as gemas. Retire do lume e deixe arrefecer.
A elegância feminina é construída através da simplicidade, da qualidade e da intemporalidade. Os acessórios são fundamentais para o visual, transformando peças básicas em conjuntos sofisticados.
Aqui lhe deixo 10 Acessórios Essenciais para um Look Elegante: Carteiras de preferência em couro e design intemporal em cores neutras, que oferecem maior durabilidade e sofisticação. Relógios Clássicos com pulseira de couro ou metal que conferem autoridade e estilo. Joias Minimalistas ou seja, peças delicadas como colares de corrente fina, brincos em pérola ou pontos de luz que iluminem o rosto sem sobrecarregar o visual. Óculos de Sol de Qualidade com armações que favoreçam o seu formato de rosto, em tons clássicos como preto, castanho ou tartaruga. Cintos de Couro que são essenciais para definir a silhueta e adicionar um acabamento polido a calças e vestidos. Lenços de Seda que podem ser usados no pescoço, na carteira ou no cabelo para adicionar cor e um toque de luxo discreto.
Mas, não basta usar os acessórios adequados, é preciso também seguir algumas Regras de Ouro:
Menos é Mais: Remova excessos para manter um visual limpo e leve.
Propósito: Cada acessório deve ter uma função ou complementar diretamente o decote e o movimento do corpo.
Qualidade sobre Quantidade: É preferível investir em poucas peças de materiais nobres do que em muitas bijuterias que se desgastam rapidamente.
Assista a mais um vídeo da influencer brasileira Luciane Cachinskique lhe fala de mais umatendência de moda, que pode complementar o seu look: os acessórios.
Luciane Cachinski é uma influencer e youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante mais de 30 anos.
Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha.
O vídeo que lhe proponho hoje é justamente sobre este assunto.
Um Quadrado de Céu é uma obra (novela gráfica) de Susana Moreira Marques e Joana Afonso, com lançamento agendado para 30 de abril no Templo da Poesia, em Oeiras.
A novela gráfica(ou graphic novel) é um formato de banda desenhada publicada como livro, caracterizada por narrativas longas, densas e, frequentemente, autoconclusivas. Diferencia-se das revistas periódicas por abordar temas complexos e maduros, com um desenvolvimento de personagens semelhante a um romance tradicional, consolidando-se como uma forma de arte e literatura.
Susana Moreira Marques é autora de quatro livros de narrativa de não-ficção e de um livro para a infância, sendo esta a sua primeira novela gráfica.
Joana Afonso é ilustradora e autora de vários projetos, entre os quais Baile, Zahna, Bestiário de Isa, A Mais Breve História da Rússia em BD, Living Will e Auto da Barca do Inferno. Tem também colaborado em projetos de direção de arte, incluindo A Cada Dia que Passa e O Natal de Bruno Aleixo.
Sinopse: A obra resgata memórias de pessoas que lutaram contra a ditadura e foram presas por isso. Um regresso aos muros de Caxias, uma das principais prisões políticas do Estado Novo, que convida a refletir sobre um passado marcado pela repressão e a questionar a forma como olhamos, ainda hoje, para a fragilidade da liberdade.
25 de Abril - Roteiro da Revolução, Uma Viagem Pelos lugares Que Marcaram A Revolução, é um livro de José Mateus, Susana Gaudêncio e Raquel Varela.
Sinopse:
Terminou no dia 25 de abril de 1974 a ditadura do Estado Novo. Um grupo de oficiais das Forças Armadas pegou em armas e depôs um regime há muito decadente. Contra os vários apelos do MFA para que as pessoas ficassem em casa, tem início um processo que ficará conhecido como Revolução dos Cravos.
A partir desta obra é possível seguir todos os passos que conduziram ao golpe de Estado que deitou por terra a ditadura, na origem de um processo que ficará conhecido como Revolução dos Cravos. Um livro composto por três autores que é, na verdade, uma viagem pelos lugares que marcaram a revolução em Lisboa, Porto, Santarém e Peniche. O que aconteceu em cada lugar, um guia da revolução, acompanhado dos testemunhos de civis e militares de quem esteve lá, e da análise histórica que fazem desta obra um importante e rigoroso registo daquele que é o evento mais significativo da história contemporânea portuguesa.
Propomos-lhe uma curta viagem pelas músicas que contam abril, começando pelos Clandestinos. Falamos e ouvimos os Filhos da Madrugada e terminando nos Filhos da Liberdade. Uma memória musical para assinalar a Revolução de 25 de Abril de 1974. (Reportagem Humberto Costa - Câmara Municipal de Cascais| abril 2020).
Este é um videoclipe de jazz, com a cantora Judith Tellado e o saxofonista Paulo Pereira, que mistura swing, blues e jazz moderno. Back Bay Blues é o primeiro single, em vídeo, do álbum de jazz e música latinaGalego.
A composição é do saxofonista germano-português Paulo Pereira, que procurou capturar a atmosfera musical da cena jazzística dos clubes da Back Bay Area, em Boston. Paulo Pereira estudou saxofone e composição na renomada Berklee College of Music, naquela metrópole americana.
A letra em inglês foi escrita pela cantora porto-riquenha Judith Tellado. Tellado, para além de cantora e compositora de jazz latino é também pintora simbolista, atualmente radicada na Alemanha.
Esta comédia romântica é passada em Sorrentoe na Costa Amalfitana, na Itália. Duas famílias muito diferentes encontram-se numa casa de campo para festejar um grande casamento, planeado nos mínimos detalhes. Mas nada ocorre como esperado... No meio dos preparativos da grande festa, muita confusão, encontros, desencontros e grandes revelações. É uma história sobre um grupo de pessoas à procura de amor, paixão e felicidade, uma história sobre ciúme e solidão.
Sinopse: A historia é sobre Ida (Trine Dyrholm) que acaba de se submeter a um tratamento de quimioterapia e ainda tem dúvidas se está totalmente curada, quando ao chegar a casa descobre que o marido a trai com uma jovem contabilista. Ainda por cima, sofre um acidente de carro quando está a ir para o casamento da filha, em plena Itália. O que Ida não imaginava é que o outro carro envolvido no acidente pertencesse a Philip (Pierce Brosnan), o pai do noivo. Diante desta situação, resolvem ir juntos para o local da cerimónia e, ao chegar, começam a envolver-se romanticamente.
A Tragédia da Partida dos Colonos de Angola é um livro do jornalista e investigador Xavier de Figueiredo.
A obra aborda o êxodo da população branca e miscigenada de Angola durante o conturbado processo de descolonização em 1975.
O autor explora as causas e, sobretudo, as consequências humanas e sociais da debandada em massa, oferecendo uma perspetiva que desafia estigmas ideológicos.
Xavier de Figueiredo, nascido no Huambo em 1947, é um especialista em assuntos africanos com uma longa carreira no jornalismo, tendo fundado o África Jornal em 1984.
Sinopse: A Tragédia da Partida dos Colonos de Angola dá-nos uma visão ampla do fenómeno da debandada dos colonos de Angola, como fruto do trágico processo de descolonização do território. É, porém, nas consequências dessa partida que o livro se concentra, revelando aspectos até agora desconhecidos ou aprofundando outros já do conhecimento geral. Neste livro, o autor defende que os «colonos» não o eram no sentido pejorativo que o termo veio a adquirir, fustigado por ideologias às quais importou estigmatizá-los; eram sim gente, na sua imensa maioria, deveras afeiçoada a Angola e com a terra identificada, seja por laços de natalidade ou de adopção, e cujas imperfeições não excediam as imperfeições de todos os agrupamentos de seres humanos. As atrozes condições em que partiram, arrancados a uma terra onde muitos queriam ficar para sempre, fizeram deles as principais vítimas do que se passou, mas cujas consequências, corporizadas no vazio técnico e científico, ainda hoje não colmatado, se abateram sobre Angola e sobre os angolanos, pela decadência e o sofrimento que acarretaram até aos dias de hoje.