quarta-feira, maio 06, 2026

Anos quarenta, os meus

De eléctrico andava a correr meio mundo
subia a colina ao castelo-fantasma
onde um pavão alto me aflorava muito
em sonhos à noite. E sofria de asma

alma e ar reféns dentro do pulmão
(como um chimpanzé que à boca da jaula
respirava ainda pela estendida mão)
Salazar três vezes, no eco da aula.

As verdiças tranças prontas a espigar
escondiam na auréola os mais duros ganchos.
E o meu coito quando jogava a apanhar
era nesse tronco do jardim dos anjos

que hoje inda esbraceja numa árvore passiva.
Níqueis e organdis, espelhos e torpedos
acabou a guerra meu pai grita "Viva".
Deflagram no rio golfinhos brinquedos.

Já bate no cais das colunas uma
onda ultramarina onde singra um barco
pra cacilhas e, no céu que ressuma
névoas águas mil, um fictício arco-
-irís como é, no seu cor-a-cor,
uma dor que ao pé doutra se indefine.
No cinema lis luz o projector
e o FIM através do tempo retine.
Luiza Neto Jorge - Poemas de Luíza Neto Jorge,  ed. Presença

terça-feira, maio 05, 2026

A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico

 Nos Açores, na Ilha do Pico, encontramos um ponto de interesse fantástico: a Paisagem da Cultura da Vinha. Esta é composta por uma faixa de território que abrange parcialmente as costas Norte e Sul, e a costa Oeste da ilha, tendo como referência emblemática dois sítios - o Lajido da Criação Velha e o Lajido de Santa Luzia.

Este lugar é um exemplo incrível da transformação de uma zona rochosa, de origem vulcânica, numa paisagem vinícola deslumbrante.

A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico é um sítio classificado pela UNESCO desde 2004, compreendendo uma área de 987 hectares na ilha do Pico, a segunda maior do arquipélago dos Açores.

A zona classificada é descrita como uma Paisagem Cultural, e inclui um notável padrão de muros lineares paralelos e perpendiculares à linha de costa rochosa, onde as vinhas são cultivadas em chão de lava negra.

Os muros foram construídos para proteção dos milhares de pequenos e contíguos lotes retangulares (designados currais ou curraletas) da ressalga proveniente da água do mar e do vento marítimo mas deixando entrar o sol necessário à maturação das uvas.

A diversidade da fauna e da flora aqui presente está associada a uma rica presença de espécies endémicas das florestas da Laurissilva características da Macaronésia, algumas muito raras e protegidas por lei, como é o caso da Myrica faya, frequentemente utilizada para fazer abrigos.

Registos desta vinicultura, cujas origens datam do século XV, manifestam-se na extraordinária colecção existente em casas particulares, solares do início do século XIX, adegas, igrejas e portos. A belíssima paisagem construída pelo homem neste local é remanescente de uma prática antiga, muito mais vasta na região açoriana.

segunda-feira, maio 04, 2026

Hacia la Torre

Hacia la Torre

 "Em Direção à Torre" (ou Hacia la Torre), é uma pintura de Remedios Varo Uranga.

Remedios Varo Uranga (1908) foi uma pintora surrealista nascida na Catalunha, Espanha. A sua obra  destacou-se por narrativas fantásticas e uma estética meticulosamente detalhada.

Hacia la Torre (1960), é uma das obras (óleo sobre masonite) mais emblemáticas da surrealista espanhola-mexicana, muitas vezes associada à primeira parte de um tríptico autobiográfico.

Esta pintura reflete o surrealismo com forte influência mística, alquímica e arquitetura medieval.

Esta obra integra um conjunto de três pinturas que narram uma jornada simbólica. O painel da esquerda, Hacia la Torre, representa o abandono de uma educação católica rígida e a saída da casa paterna. A figura feminina na pintura é vista saindo de um edifício de estilo medieval/gótico, movendo-se com determinação, sugerindo um despertar ou uma busca por liberdade e autoconhecimento. A imagem reflete a "reapropriação da narrativa" pelas mulheres, um tema comum no trabalho tardio de Varo no México, onde as suas personagens femininas não são objetos passivos, mas agentes de sua própria história.

Remedios Varo é conhecida pelas suas figuras andróginas, atmosfera mística e técnica meticulosa, características evidentes nesta obra.

Durante a Guerra Civil Espanhola, Remedios Varo Uranga mudou-se para Paris, onde foi profundamente influenciada pelo movimento surrealista. Com a ocupação nazi de França, foi forçada ao exílio e, em 1941, estabeleceu-se na Cidade do México. Embora inicialmente tratasse o país como um refúgio temporário, permaneceu lá até à sua morte, em 1963, consolidando-se como uma das grandes artistas surrealistas de sua geração. A sua obra é famosa por misturar misticismo, alquimia, ciência e fantasia. 

As suas criações transportam-nos para um universo onírico, onde personagens andróginas e melancólicas realizam tarefas enigmáticas em cenários que lembram a Idade Média ou laboratórios renascentistas.

domingo, maio 03, 2026

Yerba Mala

 Ouça a cantora porto-riquenha Judith Tellado em Yerba Mala (vídeo oficial).

Yerba mala quiero ser
entre tus manos otra vez
y así dormir después de amar
Oh, leka nosht mi amor

Con tus besos despertar
y cual guerrera en libertad
enfrentar al mundo fiera y sin temor

Yerba mala, yerba mala quiero ser
Regalar amargos versos con sabor a miel
Y aunque duela diré siempre la verdad
Que reír no vale en una vida en falsedad

Que me llamen yerba mala
y aún así no moriré
Floreceré sobre los campos
de otras como yo

Y aunque me hiera la fortuna
o me bendiga la bondad
soy golondrina bajo el cielo en Zagora

Yerba mala, yerba mala quiero ser
Regalar amargos versos con sabor a miel
Y aunque duela diré siempre la verdad
Que reír no vale en una vida en falsedad

sábado, maio 02, 2026

O Príncipe do Congo

 O Príncipe do Congo é um livro de Xavier de Figueiredo.

«A obra O Príncipe do Congo, da autoria de Xavier de Figueiredo, constitui-se como um relevante e pormenorizado contributo histórico para a compreensão dos factores e condicionalismos sociais, políticos, culturais, económicos e militares que marcaram a transição de Angola da era do tráfico de escravos para a modernidade. Além disso, traduz o sentimento de afecto e reflecte o grande interesse do autor pela história de África, que investiga com inovação, inquestionável probidade e rigor científico.» - «Prefácio», António Silva Ribeiro

Sinopse:
Em 1845, uma viagem a Lisboa, à mítica capital do Puto, marca indelevelmente a vida de D. Nicolau, príncipe do Congo, com apenas 15 anos. O pai, rei do Congo, acalentava a esperança de que esta viagem viesse a contribuir para levar Portugal a reconhecer-lhe liberdade para continuar com o tráfico de escravos, que tinha sido abolido por decreto em todos os domínios portugueses. Mas o jogo político inverte-se e, 15 anos depois, D. Nicolau, vendo o fim do reino do Congo no preito de vassalagem imposto por Portugal, num grito de revolta, publica uma carta de protesto num jornal de Lisboa. Abandona o Ambriz, em Angola, onde pouco antes fora colocado como escrivão da Fazenda, mas é assassinado.

Tendo como fio condutor a vida de D. Nicolau, Xavier de Figueiredo descreve o período conturbado que Angola atravessou com o fim da escravatura.

sexta-feira, maio 01, 2026

Um dia de Maio

Manifestação do 1.º de Maio de 1974
Alameda D. Afonso Henriques - Lisboa
Recordo esse momento, esse
terrível entusiasmo. Eram
milhares, dezenas de milhar
e todos se esticavam, todos
tentavam ver os carros, sentiam
o solene momento, gritavam
da alegria mais pura. Era
um som de pólvora liberta,
uma explosão de esperança,
de loucura, de vida – sim,
por uma vez, a vida -. Lembro 
esse gosto de pão, o corte
brusco na inércia, o fogo
da presença em oferenda,
a compressão da ira vinculada
agora a um caminho. Hoje
contemplo esta praça, estas ruas
que a tristeza semeou
de novo e espero a multidão
que uma vez aqui floresceu.
Confio em que virá. O vento
fala já nos seus passos, faz
da espera alimento; o ar
vai encher-se de vozes, vai
ver-nos todos juntos, livres,
respirando através das mãos
unidas, através do ardente
fluido de alegria que liberta
as raízes do canto estagnado.
Egito Gonçalves (1920-2001)

quinta-feira, abril 30, 2026

Um Endereço Impossível

Um Endereço Impossível (An Impossible Address) é um filme do artista e cineasta Suneil Sanzgiri.

O filme está inserido no INDIE Lisboa 2026, e será exibido nos dias 3 (com a presença do realizador) e 10 de maio de 2026.

A obra de Suneil Sanzgiri foi moldada por uma investigação contínua sobre as histórias da luta anti-imperialista e anticolonial no Sul Global — enraizada na sua própria genealogia familiar de resistência em Goa sob a ocupação portuguesa. 

Um Endereço Impossível baseia-se no extenso trabalho de Sanzgiri com o afro-asiático, a Conferência de Bandung de 1955 e as redes transcontinentais de resistência que ligaram a Índia e Angola, nas lutas pela liberdade do domínio português.

Sinopse:
Um Endereço Impossível é concebido como uma carta que não pode ser entregue - apropriando-se de sons e imagens que irrompem da memória histórica.

Fonte: Indie Lisboa
Ele escreve uma carta impossível para Sita Valles, uma médica angolana de ascendência goesa que, após o 25 de abril, deixou Lisboa para se juntar ao MPLA. Um filme que se desenrola através de técnicas cinematográficas variáveis ​​e se apoia numa estética mutável, numa tentativa de compreender o verdadeiro significado da luta.

Esta nova obra de Sanzgiri traça o legado conturbado de Sita Valles — uma revolucionária de origem goesa que lutou pela libertação de Angola, tendo sido mais tarde assassinada pelo Estado angolano. Os seus restos mortais nunca fora encontrados. Lidando visual, sonora e narrativamente com a dificuldade de questionar a história esquiva de Sita a partir da perspectiva de um presente silencioso, o filme de Sanzgiri confronta as contradições da solidariedade e as consequências do trauma coletivo para além da morte. O realizador revela profundas conexões entre lutas que, embora aparentemente desconectadas, ressoam na mesma frequência de resistência. 

Seguindo os passos da revolucionária Sita Valles, através de uma abordagem visual imersiva, onde filmes de 16mm são literalmente enterrados e recuperados da terra, o filme funciona como uma escavação arqueológica e narrativa.

Instalados ao redor da tela do filme, Sanzgiri, apresenta fragmentos de tecido de musselina, enterrados e desenterrados, que apodreceram em grandes pilhas de compostagem durante um mês, juntamente com composições de imagens de arquivo vistas no filme, que foram borradas, criando uma tensão entre a ilegibilidade e a opacidade da memória histórica.
Paralelamente ao filme principal, a obra desconstrói a arquitetura da performance oficial em poéticas informais, através de impressões de imagens e têxteis selecionados, que fazem alusão aos nove atos distintos do filme. 
Explorando as lacunas e falhas dos arquivos, Um Endereço Impossível investiga o poder da herança coletiva.

quarta-feira, abril 29, 2026

A Primavera

Sandro Botticelli - A Primavera
 Coro das quatro estações:
Cantemos! Fora a tristeza!
Saudemos a luz do dia:
Saudemos a Natureza!
Já nos voltou a alegria!

A Primavera:

Eu sou a Primavera!
Está limpa a atmosfera,
E o sol brilha sem véu!
Todos os passarinhos
Já saem dos seus ninhos,
Voando pelo céu.

Há risos na cascata,
Nos lagos e na mata,
Na serra e no vergel:
Andam os beija-flores
Pousando sobre as flores,
Sugando-lhes o mel.

Dou vida aos verdes ramos,
Dou voz aos gaturamos
E paz aos corações;
Cubro as paredes de hera;
Eu sou a Primavera,
A flor das estações!

Coro das quatro estações:
Cantemos! Fora a tristeza!
Saudemos a luz do dia:
Saudemos a Natureza!
Já nos voltou a alegria!

terça-feira, abril 28, 2026

As Clarinhas de Fão

 As Clarinhas de Fão (Esposende) são um doce típico português muito famoso.

As Clarinhas de Fão são pastéis de massa muito fina e estaladiça, em forma de retângulo ou meia-lua, polvilhados com açúcar em pó. A massa é feita de farinha e banha, que depois é estendida até ficar quase transparente, o que garante a textura quebradiça após ser frita.

O segredo está também no recheio constituído por doce de chila (também chamada de gila), que deve ser suave e húmido.

Embora se encontrem durante todo o ano, são a estrela das festas locais, especialmente na Páscoa e na Festa do Senhor Bom Jesus de Fão.

Em 1915, já o jornal O Espozendense anunciava as virtudes medicinais de uns pastelinhos fabricados na vila de Fão, como remédio eficaz para a anorexia: "Quer manter sempre uma boa saúde e um excelente apetite, use só os pastéis de doce de fabrico da Sr.ª Rosália Clarinha. Com este delicioso manjar têm-se restituído à vida pessoas verdadeiramente arruinadas do estômago."

 A sua textura estaladiça, o recheio macio e, mesmo sem converterem anoréticos, os pastéis continuam populares.

Esta especialidade continua a ser fabricada diariamente na Pastelaria Clarinha (por alusão à fundadora e suas irmãs, conhecidas como "Clarinhas"). Hoje a pastelaria é dirigida por Pedro Alves, sobrinho-bisneto da doceira inicial. A casa fica situada no centro histórico de Fão e é descrita como "farmácia-doçaria da D. Rosália Clarinha" e até é marca registada desde 1947.

*Deixo-lhe aqui hoje uma fórmula aproximada da receita original que, por ser segredo, não está sequer escrita.

Ingredientes para a massa:
250 gr. de farinha de trigo
40 gr. de manteiga 
1 colher de sumo de limão
1 l. de água
1 colher de chá de sal

 Preparação:
1. Aqueça a água e dissolva nela o sal.
2. Aqueça a manteiga e deite-a sobre a farinha.
3. Junte a água e o sumo de limão, misture tudo e comece a sovar esta massa.
4. Faça-o durante 20 minutos, juntando água, se necessário, quando for ficando mais dura. Descanse 10 minutos e bata mais 10. A massa está pronta após descansar mais meia hora e deve estar elástica e fofa, permitindo ser estendida fina com o rolo não enfarinhado.
5. Estique pequenos pedaços de massa, de modo a que fique bem fininha.
6. Corte rodelas de cerca de 10 cm. de diâmetro, com a ajuda de um corta massas.
7. Coloque uma porção de recheio no centro e espalme.
8. Dobre fechando em meias luas e corte com a carretilha.
9. Frite em rilada (banha de vaca) lentamente.
10. Retire e coloque-as a escorrer em papel absorvente.
11. Envolva-as muito bem em açúcar em pó. 

Ingredientes e Preparação do Recheio:
1 chávena de compota de chila
5 gemas
Para o recheio, leve ao lume um tacho com o doce de chila e as gemas. Mexa sempre até engrossar mas com cuidado para não deixar cozer as gemas. Retire do lume e deixe arrefecer.

segunda-feira, abril 27, 2026

Acessórios Essenciais para um Look Elegante

A elegância feminina é construída através da simplicidade, da qualidade e da intemporalidade. Os acessórios são fundamentais para o visual, transformando peças básicas em conjuntos sofisticados. 

Aqui lhe deixo 10 Acessórios Essenciais para um Look Elegante:
Carteiras de preferência em couro e design intemporal em cores neutras, que oferecem maior durabilidade e sofisticação.
Relógios Clássicos com pulseira de couro ou metal que conferem autoridade e estilo.
Joias Minimalistas ou seja, peças delicadas como colares de corrente fina, brincos em pérola ou pontos de luz que iluminem o rosto sem sobrecarregar o visual.
Óculos de Sol de Qualidade com armações que favoreçam o seu formato de rosto, em tons clássicos como preto, castanho ou tartaruga.
Cintos de Couro que são  essenciais para definir a silhueta e adicionar um acabamento polido a calças e vestidos.
Lenços de Seda que podem ser usados no pescoço, na carteira ou no cabelo para adicionar cor e um toque de luxo discreto. 

Mas, não basta usar os acessórios adequados, é preciso também seguir algumas Regras de Ouro:

  • Menos é Mais: Remova excessos para manter um visual limpo e leve.
  • Propósito: Cada acessório deve ter uma função ou complementar diretamente o decote e o movimento do corpo.
  • Qualidade sobre Quantidade: É preferível investir em poucas peças de materiais nobres do que em muitas bijuterias que se desgastam rapidamente. 

Assista a mais um vídeo da influencer brasileira Luciane Cachinski que lhe fala de mais uma tendência de moda, que pode complementar o seu look: os acessórios.

Luciane Cachinski é uma influencer e youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante mais de 30 anos. 

Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha.

O vídeo que lhe proponho hoje é justamente sobre este assunto. 
Ora veja. Não perca esta oportunidade.

domingo, abril 26, 2026

Um Quadrado de Céu

Um Quadrado de Céu é uma obra (novela gráfica) de Susana Moreira Marques e Joana Afonso, com lançamento agendado para 30 de abril no Templo da Poesia, em Oeiras.

A novela gráfica (ou graphic novel) é um formato de banda desenhada publicada como livro, caracterizada por narrativas longas, densas e, frequentemente, autoconclusivas. Diferencia-se das revistas periódicas por abordar temas complexos e maduros, com um desenvolvimento de personagens semelhante a um romance tradicional, consolidando-se como uma forma de arte e literatura.

Susana Moreira Marques é autora de quatro livros de narrativa de não-ficção e de um livro para a infância, sendo esta a sua primeira novela gráfica.

Joana Afonso é ilustradora e autora de vários projetos, entre os quais Baile, Zahna, Bestiário de Isa, A Mais Breve História da Rússia em BD, Living Will e Auto da Barca do Inferno. Tem também colaborado em projetos de direção de arte, incluindo A Cada Dia que Passa e O Natal de Bruno Aleixo.

Sinopse:
A obra resgata memórias de pessoas que lutaram contra a ditadura e foram presas por isso. Um regresso aos muros de Caxias, uma das principais prisões políticas do Estado Novo, que convida a refletir sobre um passado marcado pela repressão e a questionar a forma como olhamos, ainda hoje, para a fragilidade da liberdade. 

sábado, abril 25, 2026

25 de Abril - Roteiro da Revolução

 25 de Abril - Roteiro da Revolução, Uma Viagem Pelos lugares Que Marcaram A Revolução, é um livro de José Mateus, Susana Gaudêncio e Raquel Varela.

Sinopse:
Terminou no dia 25 de abril de 1974 a ditadura do Estado Novo. Um grupo de oficiais das Forças Armadas pegou em armas e depôs um regime há muito decadente. Contra os vários apelos do MFA para que as pessoas ficassem em casa, tem início um processo que ficará conhecido como Revolução dos Cravos.
A partir desta obra é possível seguir todos os passos que conduziram ao golpe de Estado que deitou por terra a ditadura, na origem de um processo que ficará conhecido como Revolução dos Cravos. Um livro composto por três autores que é, na verdade, uma viagem pelos lugares que marcaram a revolução em Lisboa, Porto, Santarém e Peniche. O que aconteceu em cada lugar, um guia da revolução, acompanhado dos testemunhos de civis e militares de quem esteve lá, e da análise histórica que fazem desta obra um importante e rigoroso registo daquele que é o evento mais significativo da história contemporânea portuguesa. 

sexta-feira, abril 24, 2026

As canções Que Contam Abril

 
Propomos-lhe uma curta viagem pelas músicas que contam abril, começando pelos Clandestinos. Falamos e ouvimos os Filhos da Madrugada e terminando nos Filhos da Liberdade. Uma memória musical para assinalar a Revolução de 25 de Abril de 1974. (Reportagem Humberto Costa - Câmara Municipal de Cascais| abril 2020).

quinta-feira, abril 23, 2026

Back Bay Blues

Ouça Judith Tellado e Paulo Pereira em Back Bay Blues.

Este é um videoclipe de jazz, com a cantora Judith Tellado e o saxofonista Paulo Pereira, que mistura swing, blues e jazz moderno. Back Bay Blues é o primeiro single, em vídeo, do álbum de jazz e música latina Galego. 

A composição é do saxofonista germano-português Paulo Pereira, que procurou capturar a atmosfera musical da cena jazzística dos clubes da Back Bay Area, em Boston. Paulo Pereira estudou saxofone e composição na renomada Berklee College of Music, naquela metrópole americana.

A letra em inglês foi escrita pela cantora porto-riquenha Judith Tellado. Tellado, para além de cantora e compositora de jazz latino é também pintora simbolista, atualmente radicada na Alemanha.

quarta-feira, abril 22, 2026

Amor é Tudo o que Você Precisa

 Amor é Tudo o que Você Precisa é um filme (2013) realizado pela cineasta dinamarquesa Susanne Bier e que conta no elenco com Pierce Brosnan, Trine Dyrholm e Molly Blixt Egelind.

Esta comédia romântica é passada em Sorrento e na Costa Amalfitana, na Itália. Duas famílias muito diferentes encontram-se numa casa de campo para festejar um grande casamento, planeado nos mínimos detalhes. Mas nada ocorre como esperado... No meio dos preparativos da grande festa, muita confusão, encontros, desencontros e grandes revelações. É uma história sobre um grupo de pessoas à procura de amor, paixão e felicidade, uma história sobre ciúme e solidão.

Sinopse:
A historia é sobre Ida (Trine Dyrholm) que acaba de se submeter a um tratamento de quimioterapia e ainda tem dúvidas se está totalmente curada, quando ao chegar a casa descobre que o marido a trai com uma jovem contabilista. Ainda por cima, sofre um acidente de carro quando está a ir para o casamento da filha, em plena Itália. O que Ida não imaginava é que o outro carro envolvido no acidente pertencesse a Philip (Pierce Brosnan), o pai do noivo. Diante desta situação, resolvem ir juntos para o local da cerimónia e, ao chegar, começam a envolver-se romanticamente.

terça-feira, abril 21, 2026

A Tragédia da Partida dos Colonos de Angola

 A Tragédia da Partida dos Colonos de Angola é um livro do jornalista e investigador Xavier de Figueiredo.

 A obra aborda o êxodo da população branca e miscigenada de Angola durante o conturbado processo de descolonização em 1975. 

O autor explora as causas e, sobretudo, as consequências humanas e sociais da debandada em massa, oferecendo uma perspetiva que desafia estigmas ideológicos.

Xavier de Figueiredo, nascido no Huambo em 1947, é um especialista em assuntos africanos com uma longa carreira no jornalismo, tendo fundado o África Jornal em 1984.

Sinopse:
A Tragédia da Partida dos Colonos de Angola dá-nos uma visão ampla do fenómeno da debandada dos colonos de Angola, como fruto do trágico processo de descolonização do território.
É, porém, nas consequências dessa partida que o livro se concentra, revelando aspectos até agora desconhecidos ou aprofundando outros já do conhecimento geral.
Neste livro, o autor defende que os «colonos» não o eram no sentido pejorativo que o termo veio a adquirir, fustigado por ideologias às quais importou estigmatizá-los; eram sim gente, na sua imensa maioria, deveras afeiçoada a Angola e com a terra identificada, seja por laços de natalidade ou de adopção, e cujas imperfeições não excediam as imperfeições de todos os agrupamentos de seres humanos.
As atrozes condições em que partiram, arrancados a uma terra onde muitos queriam ficar para sempre, fizeram deles as principais vítimas do que se passou, mas cujas consequências, corporizadas no vazio técnico e científico, ainda hoje não colmatado, se abateram sobre Angola e sobre os angolanos, pela decadência e o sofrimento que acarretaram até aos dias de hoje.

segunda-feira, abril 20, 2026

Casa Roque Gameiro: Visita Guiada

 Assista ao programa televisivo da RTP Visita Guiada à Casa Roque Gameiro (22/5/2017), na Amadora (Portugal). 
A casa que o aguarelista Alfredo Roque Gameiro manda fazer para a si e para a sua família em 1898 é testemunho do gosto e do ideário da elite nacionalista do Portugal fim de século. Traçada pelo risco do próprio Roque Gameiro, a casa teve importantes contributos do grande Rafael Bordalo Pinheiro e de Raul Lino, o inventor da "Casa Portuguesa". Mas a Casa Roque Gameiro foi, acima de tudo, o ninho e o atelier da chamada "Tribo dos Pincéis": todos os cinco filhos de Roque Gameiro foram treinados como artistas e quase todos marcaram a paisagem estética da primeira metade do séc. XX português. Se considerarmos que duas das filhas de Alfredo Roque Gameiro se casam também com artistas relevantes - Leitão de Barros e Martins Barata - e que até hoje a Tribo continua a dar ao mundo artistas, estamos face a um caso raro na História da Arte portuguesa. Luís Cabral, curador de uma exposição sobre a Tribo dos Pincéis e bisneto de Alfredo Roque Gameiro, é o guia nesta Visita à vida, obra e prole do maior nome da aguarela em Portugal.

domingo, abril 19, 2026

Fazer Tapetes Com Tufting

 Sabe o que é o Tufting? Sabe como fazer tapetes com esta técnica? 

Se não sabe veja aqui o que é o tufting e que tipo de materiais e instrumentos utilizar para o efeito. Por fim, sugiro-lhe que assista ao vídeo abaixo e a outro clicando aqui. 

O tufting é uma técnica artesanal têxtil que permite criar tapetes, tapeçarias e almofadas personalizadas inserindo fios de lã numa base esticada (bastidor) com uma pistola especial (tufting gun), criando texturas em relevo de forma rápida. É uma tendência de design de interiores, ideal para DIY (atividade de decorar, construir e reparar em casa, por conta própria, em vez de contratar um profissional), que combina criatividade com a produção de peças felpudas e duráveis. 

O tufting transforma a tapeçaria tradicional num processo ágil, em que as peças são coladas, recortadas e finalizadas com feltro ou material antiderrapante para garantir durabilidade. 

É um hobby relaxante e gratificante, embora exija esforço físico devido ao peso da máquina. 

O que deve ter?
Uma máquina (manual ou elétrica) conhecida como Tufting Gun que serve para carregar os fios.
A tela de base (tufting cloth), os fios de lã, a cola para tapeçaria e uma moldura de madeira (frame).

Como fazer?
Fazer o desenho na tela, usar a pistola para preencher com os fios de lã, aplicar cola para fixar, cortar e dar o acabamento final.
Onde aprender ou comprar? 
Em Portugal, existem estúdios especializados como a Tufting Portugal ou workshops em Lisboa, como a Hands On, e lojas especializadas como a Tuftingshop. 

sábado, abril 18, 2026

Mini-curso de Gramática Portuguesa

 Aprenda Português Europeu através de conteúdos interessantes e autênticos!

Assista hoje a mais um vídeo do Portuguese With Leo, onde Leonardo Coelho lhe apresenta um Mini-curso de gramática portuguesa nível A1/A2.

Não perca esta oportunidade. 
Ora veja. 

sexta-feira, abril 17, 2026

Taking A Chance On Love

 Ouça Rod Stewart em Taking A Chance On Love.

Here I go again
I hear those trumpets blow again
All aglow again
Taking a chance on love
Here I slide again
About to take that ride again
Starry-eyed again
Taking a chance on love

I thought that cards were a frame-up
I never would try
But now I'm taking the game up
And the ace of hearts is high

Things are mending now
I see a rainbow blending now
We'll have a happy ending now
Taking a chance on love

Here I slip again
About to take that tip again
Got my grip again
Taking a chance on love
Now I prove again
That I can make life move again
In the grove again
Taking a chance on love

quinta-feira, abril 16, 2026

As Filhas do Terramoto

As Filhas do Terramoto é um livro (2026) do escritor português Domingos Amaral (Casa das Letras) e uma sequela de Quando Lisboa Tremeu, um dos bestsellers do autor.

Lisboa, 1758. Sete raparigas desaparecem misteriosamente para serem transformadas em escravas sexuais. Que terrível conspiração domina a cidade?

Sinopse:
No verão de 1758, menos de três anos depois do grande terramoto que destruiu Lisboa, a população vive alarmada com o desaparecimento de sete raparigas cujos corpos nunca foram encontrados. Incomodado, Sebastião José de Carvalho e Melo, poderoso ministro do rei D. José, nomeia um recém-formado em Direito, Pina Manique, para investigar essas estranhas ocorrências.
No entanto, existem apenas vagas suspeitas sobre uns mercadores árabes. Para tentar acusá-los, Sebastião José dirige-se às masmorras da Torre de Belém para convencer Santamaria, um piloto de barcos, a auxiliá-lo na investigação, uma vez que o prisioneiro fala a língua dos árabes. A troco dessa ajuda, oferece-lhe a liberdade.
Santamaria recusa a proposta, até saber que uma das raparigas desaparecidas é a sua filha Assunção. É então que aceita ajudar na investigação, mergulhando numa cidade ainda atordoada pelo cataclismo. Nela, o piloto cruza-se com o seu filho Filipe, a antiga escrava Ester, o místico Abraão e o seu rival do passado, Hugh Gold, que em tempos disputou com ele o amor de Margarida, a paixão que Santamaria deseja agora rever.
De repente, Santamaria vê-se envolvido numa terrível conspiração, pois enquanto tenta encontrar a sua filha e desvendar os desaparecimentos, tem de evitar ser implicado no processo dos Távoras.
Numa Lisboa onde Sebastião José já começara a impor a sua lei de ferro, surge então esta história de amor de um pai pelos seus filhos e a sua simultânea tentativa de reencontrar a mulher por quem um dia se apaixonou.

quarta-feira, abril 15, 2026

Encontro de Oceanos

 O ponto oficial de encontro entre o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico é o Cabo Horn, no extremo sul da América do Sul (Terra do Fogo), com a fronteira técnica seguindo o meridiano 67°14'W. A Passagem de Drake também é uma zona de transição, onde as águas, embora se misturem devido a fortes correntes, podem apresentar diferenças temporárias de densidade. 

O encontro é uma zona turbulenta conhecida pelos navegadores como um dos trechos mais difíceis de se navegar, e não uma barreira invisível permanente. 

A saber:
Localiza-se no extremo sul do Chile/Argentina, na Terra do Fogo, passando pelo Cabo Horn e Estreito de Magalhães.
Ao contrário de alguns vídeos populares que mostram uma separação total das águas, os oceanos misturam-se de forma gradual e contínua devido às correntes oceânicas.
Alguns vídeos virais que mostram uma linha divisória clara de cores diferentes retratam, geralmente, o encontro de águas de degelo de glaciares com o oceano no Golfo do Alasca, e não o encontro entre os Oceanos Atlântico e Pacífico.
Acredita-se que, em dias calmos, a diferença de densidade, temperatura e salinidade entre os dois oceanos (o Atlântico é geralmente mais salgado) pode criar um efeito visual temporário de fronteira. 
No vídeo abaixo do Manual do Mundo, vai descobrir a verdade por trás das fotos e vídeos que circulam pela internet — e entender por que o mar não tem fronteiras visíveis.

terça-feira, abril 14, 2026

Canção da Primavera


Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando. 

Catavento enlouqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando. 

Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até
Não mais saber-se o motivo…

Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!
Mario Quintana

segunda-feira, abril 13, 2026

As Cornucópias de Alcobaça

 As Cornucópias de Alcobaça são um dos doces conventuais mais emblemáticos de Portugal, destacando-se pela sua massa crocante e recheio rico.

Embora seja incerta a origem das Cornucópias de Alcobaça, tudo indica que foram criadas no Mosteiro de Santa Maria de Cós (ou Coz), fundado no século XII e dependente do Mosteiro de Alcobaça (Património Mundial da Humanidade - UNESCO). 

O nome deste doce e o seu formato derivam do latim cornu copiae (corno da abundância), um símbolo da antiguidade que representava a fertilidade e a abundância. 

As Cornucópias fazem parte do vasto legado gastronómico dos monges de Cister, que utilizavam o excesso de gemas (após o uso das claras para engomar hábitos ou clarificar vinho) para criar uma doçaria rica em açúcar.

As Cornucópias de Alcobaça são recheadas de ovos-moles, confecionados com gemas e açúcar, quase os únicos ingredientes que entram no receituário da doçaria conventual portuguesa, depois da utilização das claras com objetivos mais prosaicos. Já a massa é fina e crocante, moldada em forma de cone e tradicionalmente frita em azeite (ou óleo). Geralmente é feita com farinha, manteiga, um toque de açúcar e banha. Após a fritura, a massa é muitas vezes passada por açúcar e canela antes de ser recheada. 

Para além das cornucópias, em Alcobaça, o Torresmo do Céu e as Nozes Caramelizadas também merecem uma oportunidade.
Receita de Cornucópias (20 pessoas)
Ingredientes: 
Para a massa: 250g de farinha; 3 colheres (sopa) de manteiga; 1 colher (chá) de fermento em pó; sal q.b.; água q.b.; azeite ou óleo (para fritar); açúcar e canela (para polvilhar). 
Para o recheio: 1 chávena (almoçadeira) de doce de ovos-moles. 
Preparação:
Misture e amasse a farinha, a manteiga, o fermento, o sal e a água até conseguir obter uma massa própria para tender. Tenda a massa com a espessura de cerca de 2 ou 3 mm. Corte em tiras de 1,5 cm de largo, e enrole em espiral, partindo de cima para baixo em forma de cornucópia, aconchegando bem. Frite em azeite ou óleo, ou mistura dos dois, a 160º C. 
Retire as cornucópias, passe-as por açúcar e canela e recheie com doce de ovos-moles.
Colaboração da D. Paula da «Pastelaria Alcoa», em Alcobaça
(Livro: Doçaria Conventual na Mostra de Alcobaça, Texto Editores, 2004)

domingo, abril 12, 2026

As 6 Saias Que Deve Ter No Seu Roupeiro

  Preste atenção ao vídeo abaixo, onde Luciane Cachinski lhe mostra as 6 saias que qualquer mulher madura deve ter no seu roupeiro.
Luciane Cachinski é uma influencer e 
youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante 27 anos. 

Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha.

Para mulheres maduras que procuram ser elegantes e modernas, existem alguns modelos de saias que se destacam por valorizar a silhueta feminina com conforto e sofisticação. Estes modelos intemporais são pensados para oferecer versatilidade, transitando facilmente entre o casual e o formal.

As 6 saias essenciais são, entre outras:
A saia em A ou Evasé (midi) porque o corte em "A" desenha o corpo sem marcar, equilibrando as proporções e alongando a silhueta;
A saia Envelope (ou trespassada) porque o seu ajuste personalizável na cintura, se adapta a qualquer tipo de corpo, proporcionando leveza e um toque atual;
A saia Lápis (em alfaiataria) que é a versão moderna da clássica saia justa, feita com tecidos estruturados (muitas vezes com elástico no cós), porque realça a feminilidade com conforto;
A saia Plissada (midi) porque une movimento e elegância. O efeito das pregas ajuda a alongar o visual e a disfarçar volumes indesejados;
A saia Jeans ou de ganga (lavagem escura) em corte reto ou evasé, porque é a peça ideal para looks casuais chiques, mantendo um ar alinhado e jovial;
A saia de Cetim ou Seda, porque sendo fluida traz sofisticação imediata ao look, sendo perfeita tanto para ocasiões formais quanto para um jantar elegante.

Veja então este vídeo, sobre os 6 modelos de saias que com certeza são intemporais e vão durar para a vida toda!

sábado, abril 11, 2026

Paisagem Com Lanternas

Paisagem Com Lanternas (Landscape With Lanterns), 1958, é uma obra do artista belga Paul Delvaux (1897-1994).

Nesta paisagem onírica surrealista, uma mulher misteriosa está de costas. Se a mulher nos conduzir pelo caminho, certamente jamais retornaremos ao mundo dos vivos. Os fios de telefone pendurados após terem sido cortados indicam que a comunicação entre o mundo dos vivos e o dos mortos é impossível. À frente, vemos duas figuras carregando um cadáver envolto num lençol branco. Uma luz rasante e inquietante vinda da esquerda projeta sombras sinistras no chão sob as lanternas, e não das lanternas, como seria de esperar.

Paul Delvaux (1897–1994) foi um dos mais influentes pintores surrealistas belgas, conhecido pelas cenas oníricas que misturam o clássico com o estranho. 

O seu trabalho é imediatamente reconhecível por temas recorrentes que criam um universo de silêncio e imobilidade. 

As Figuras Femininas, são frequentemente retratadas como mulheres nuas ou vestidas de forma elaborada, com olhares fixos e ausentes, movendo-se como sonâmbulas por paisagens desoladas.
As Estações de Comboio eram recorrentes na sua pintura. Inspirado por memórias de infância, Delvaux pintava frequentemente comboios e estações ferroviárias solitárias sob o luar.
Outro dos temas utilizado pelo pintor era a Arquitetura Clássica. Ruínas gregas e romanas servem de pano de fundo para as suas cenas, evocando uma sensação de tempo suspenso.

 Paul Delvaux, pintor que misturava temáticas oníricas e pessoais, formou-se pela Academia de Belas Artes de Bruxelas, onde mais tarde se tornou professor, desenvolveu uma linguagem visual única, frequentemente associada ao Surrealismo. 

Das suas obras podemos destacar: Esqueletos, Jardim Noturno, A tentação de Santo António e A Vénus Adormecida.

Com a perda progressiva da visão, Delvaux deixou de pintar em 1986. A sua última grande exposição ocorreu em Paris, em 1992. Faleceu em 1994, aos 96 anos, deixando um legado artístico marcado por atmosferas misteriosas e cenários poéticos.

sexta-feira, abril 10, 2026

Benguelinha

 Passarinho primoroso
E gentil, plumeo cantor,
Que d'aromas tão fragrantes
Não esparzes com candor,
Quando trinas mavioso
Nesse insólito rigor
De um sol forte e constante
Suaves cantos d'amor?!

         Ás vezes contemplo
         Do dia no albor,
         Sentir o rigor
         De escravo viver;

         Suspiras e gemes
         Em cantos d'amor,
         Ah! sê meu primor
         Não queiras morrer!

         Anhélas no mato
         Andar pelas fragas,
         Viver só de bagas,
         Nos ramos dormir?

         Esvoaça saltando
         Na tua prisão
         Ai! Tem compaixão
         Não vive a carpir!

         Infiltra bondoso
         No meu coração
         O doce condão -
         Do  meigo trinar;

         Que juro contigo
         Do muito viver
         Comtigo morrer,
         Comtigo findar!

         E as azas abrindo
         O plumeo cantor,
         As juras d'amor,
         Ouvio a sorrir -

         Em magos acentos
         Endeixas trinou,
         Que d'alma exalou,
         Que d'alma sentiu! -

quinta-feira, abril 09, 2026

A Costa dos Murmúrios

 A Costa dos Murmúrios (2004) é um filme de ficção realizado pela cineasta Margarida Cardoso, com roteiro de Cedric Basso, Margarida Cardoso e Lídia Jorge, que contou no elenco com Beatriz Batarda, Filipe Duarte e Monica Calle. 
O filme passou na RTP 2 no sábado passado, 4/Abril às 22,30 h, mas, se o quiser ver agora basta clicar aqui.

Sinopse:
Baseado no romance homónimo de Lídia Jorge, o filme acompanha as vicissitudes da protagonista Evita, que nos anos 60 segue para Moçambique para casar com Luís, que ali cumpre o serviço militar.

Em Moçambique começou há algum tempo a guerra colonial e Luís já não é o mesmo homem que Evita conheceu. Quando os homens partem para uma operação militar no Norte do país, Evita fica sozinha e, no desespero de tentar compreender o que modificou Luís, procura a companhia de Helena, a mulher do capitão do marido, Forza Leal.   

Com o tempo, ela descobre mais sobre o marido e Moçambique do que teria imaginado na sua pacífica casa europeia. Racismo, violência, injustiça e fatalismo tornam a vida insuportável.

O filme centra-se na visão das mulheres que acompanham os militares portugueses e oferece uma perspectiva peculiar sobre a violência de um tempo colonial à beira do fim.