sábado, abril 03, 2010

Ilha de Páscoa: O Umbigo do Mundo

A ilha de Páscoa é uma ilha da Polinésia oriental, localizada ao sul do Oceano Pacífico. Está situada a 3.700 km de distância da costa oeste do Chile. A população é de 3.791 habitantes, 3.304 dos quais vivem na capital Hanga Roa. Famosa pelas suas enormes estátuas de pedra, faz parte da Região de Valparaíso, pertencente ao Chile(desde 1888).
Em rapanui, o idioma local, é denominada Rapa Nui (Ilha Grande), Te pito o te henúa(Umbigo do Mundo) e Mata ki te rangi (Olhos Fixados no Céu).
Páscoa é uma ilha vulcânica com um clima demasiado quente para os europeus e demasiado frio para os polinésios. É, também, bastante ventoso e o mar demasiado frio. Outro problema que enfrenta a Ilha de Páscoa é o da falta de água. O seu território tem a forma triangular e é o pedaço de terra mais isolado do mundo.
Pensa-se que o polinésio Hotu Matu’a terá chegado de canoa à ilha entre 300 e 800 d.C. No entantao, a primeira expedição europeia a visitar Páscoa foi a do espanhol Gonzalez (1770), que nada registou nos seus diários de bordo. Em 1722, o explorador holandês Jacob Roggeveen atravessou o Pacífico partindo do Chile em três grandes navios europeus. Após 17 dias de viagem desembarca na ilha num domingo de Páscoa (5 de Abril), daí o seu nome, que permanece até hoje.
A primeira e mais adequada descrição da ilha foi feita, contudo, pelo Capitão James Cook, em 1774. Cook tinha a vantagem de estar acompanhado por um taitiano, cujo polinésio era similar ao dos insulares, possibilitando o entendimento entre eles.
O rongorongo foi o sistema de escrita dos povos da ilha que, apesar de diversas tentativas, ainda não foi completamente decifrado. A maioria dos especialistas em Páscoa conclui que a invenção do rongorongo foi inspirada pelo primeiro contacto dos insulares com a escrita (desembarque espanhol de 1770), ou pelo trauma da escravidão quando, por volta de 1805 (ano muito sombrio da história de Páscoa), duas dúzias de navios peruanos sequestraram metade da população (1500 pascoenses). Venderam-nos, depois num leilão, para trabalho escravo nas minas peruanas de guano. A maioria dos sequestrados morreu em cativeiro.
Todos conhecem as enormes cabeças de pedra (Moai) da fascinante Ilha de Páscoa, situada numa região isolada no meio do Oceano Pacífico. O que desconhecem, provavelmente, é que as pedras usadas para a construção das extravagantes estátuas foram retiradas de crateras circulares de mais de 500 metros de diâmetro, cravadas no centro dos montes Rano Raraku e Rano Kao.
Os Moais, estátuas gigantestas,foram colocadas junto à costa como sentinelas eternos. Estas estátuas estão dispostas em diversos santuários que tinham em média 5 estátuas. O maior deles, Paro, tem 22 metros e está inacabado.
Os Moai têm de 5 a 21 metros de altura, personificam os chefes fundadores das dez tribos da ilha. Muitas tiveram que ser transportadas de grandes distâncias,para junto do mar. Perto do vulcão Raraku,várias delas estão espalhadas pelo chão,indicando que deixaram de ser produzidas de repente... A maioria dos Moai foi construída de costas voltadas para o mar. Mais um dos mistérios da Ilha de Páscoa que é hoje considerada uma das 7 Maravilhas do Mundo.
Ora veja!


sexta-feira, abril 02, 2010

Peixes



O Festival Internacional de Cinema de Berlim , também conhecido com "Berlinale", é um dos mais importantes festivais de cinema da Europa e do mundo. Acontece todos os anos em Fevereiro em Berlim. Foi inaugurado em 1951, por iniciativa dos Estados Unidos, que ocupavam parte da cidade depois da Segunda Guerra Mundial. O júri sempre deu ênfase a filmes representativos de todos os lugares do mundo, quer do antigo bloco de leste quer dos países ocidentais. Os prémios são chamados de Urso de Ouro e Urso de Prata porque o urso é o símbolo de Berlim.
Aprecie, agora, aquele que foi considerado o melhor filme na classe de curtas metragens do Festival de Cinema de Berlim.

quinta-feira, abril 01, 2010

A Mentira

Mentira, s. f. Afirmação contrária à verdade; falsidade; ficção; ilusão; acto de mentir.

A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.

A mentira tem um dia especial. O dia 1 de Abril é o Dia das Mentiras.
Há muitas explicações para que o dia 1 de Abril se tenha transformado no Dia das Mentiras. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI que o Ano Novo era festejado no dia 25 de Março, data que marcava a chegada da Primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de Abril.
Em 1564, depois da adopção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de Janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano se iniciava no dia 1 de Abril.
Alguns brincalhões passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.
Nos países de língua inglesa o Dia das Mentiras costuma ser conhecido como April Fool's Day ou Dia dos Tolos, na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, o que significa literalmente "peixe de abril".
Neste dia as mentiras já se esperam e, por isso, na maior parte dos casos não surtem o efeito desejado. Mas há quem se descuide e caia nas partidas, mas, neste dia ninguém leva a mal. O melhor é criar situações engraçadas que resultem numa boa risota!

quarta-feira, março 31, 2010

O Convento

A fundação deste antigo convento (século XVII-XVIII) deveu-se ao voto de agradecimento, que a Rainha D. Luísa de Gusmão fez, pelo facto do rei D. João IV ter saído ileso da tentativa de regicídio de que foi alvo, em 1647.
O autor do atentado, Domingos Leite Pereira, terá aproveitado a procissão do Corpo de Deus, Corpus Christi, que decorria na zona da actual Rua dos Fanqueiros, para tentar disparar contra o rei, mas falhou na tentativa e fugiu para Madrid.
As obras de construção do convento tiveram início em 1648. O Convento de Corpus Christi foi consagrado em 1661, sendo entregue aos frades carmelitas descalços de Santo Alberto ou dos Torneiros, porque o convento era vizinho da antiga Rua da Tanoaria.
Destruído em 1755 pelo terramoto e pelo consequente incêndio, sobreviveram parte do corpo da igreja e alguns espaços conventuais, que foram adaptados à estrutura arquitectónica e às ordens impostas para a reconstrução da baixa da cidade e implementadas pelos arquitectos da Casa do Risco.
Em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o convento foi vendido e transformado em habitação e arrendamento comercial.
A original igreja de planta circular com o zimbório octogonal encimado por um pináculo é ainda hoje visível , bem como o portal da entrada da igreja, hoje convertido em acesso a um prédio típico da baixa lisboeta. (localização - Rua de São Nicolau nº 2-16, Rua dos Fanqueiros nº 113-117, Rua dos Douradores nº 50-62 - na Freguesia de São Nicolau).
Aprecie o que resta deste convento e passeie em Lisboa através de mais um episódio de "Lisboa Debaixo de Terra).



terça-feira, março 30, 2010

O Curdistão

O Curdistão é uma região com cerca de 500.000 km² distribuídos pela Turquia, Iraque, Irão, Síria, Arménia e Azerbeijão. O nome, que vem do persa, significa "terra dos curdos". Actualmente os curdos são a mais numerosa etnia sem Estado no mundo.
O Curdistão é, então, a "pátria" de cerca de 30 milhões de curdos. A grande maioria, mais de metade, vive no sul da Turquia e representa 20 % da população turca. É um povo com língua própria, hábitos e tradições seculares e que aspira à constituição de um estado. Os curdos são na sua maioria muçulmanos sunitas, que se organizam em clãs e, em algumas regiões, falam o idioma curdo. As maiores cidades curdas são Mossul, Irbil, Kirkuk, Saqqez, Hamadã, Erzurum e Diyarbakır.
Em Dyarbakir, a "capital" curda da Turquia, regista sinais de uma convivência difícil entre a maioria curda e os turcos. Se quiser saber um pouco mais clique, aqui.
Sobre este assunto veja, também, a apresentação elaborada pelos alunos do 12º A.

segunda-feira, março 29, 2010

A Estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
Manuel Bandeira

domingo, março 28, 2010

Duzentos Anos

Comemoram-se hoje os 200 anos do nascimento de Alexandre Herculano.
Figura ímpar da literatura, da história e da cultura portuguesas, anda, contudo, um bocado esquecido pelos nossos estudiosos e políticos.
Alexandre Herculano nasceu em Lisboa em 28 de Março de 1810. A sua vida foi marcada pelas lutas políticas, pela literatura e pela história de Portugal. Foi um dos mais importantes romancistas do século XIX (as suas obras são de cunho romântico) e vão desde a poesia, ao drama, ao teatro e ao romance. Não se limitou, contudo a escrever romances fez uma literatura. Elaborou, também, a primeira História de Portugal e o primeiro Código Civil.
Para escrever e dedicar-se aos seus objectivos renunciou a qualquer vida familiar. Casa-se tarde (em 1866), com uma senhora também já idosa por quem era apaixonado desde a juventude. Morre em 1877, rodeado de enorme prestígio, traduzido numa manifestação nacional de luto organizada pelo escritor João de Deus.
Alexandre Herculano foi em vida a maior glória nacional, tendo sido homenageado por todas as academias da Europa e da América. Conheceu o triunfo em vida ao contrário de muitos dos nossos outros poetas e escritores.
De entre os seus romances e narrativas gostaria de destacar: O Bobo (1843);Lendas e Narrativas I e II (1839 e 1844); Eurico, o Presbítero (1844); História de Portugal I, II, III e IV (1846 e 1853).

sábado, março 27, 2010

Icebergues

Já viram um icebergue completo?

Esta fotografia foi enviada pelo administrador de uma Plataforma Petrolífera da Global Marine Drilling, estacionada em St.Johns Newfoundland.

Eles têm que mudar o rumo dos icebergues, puxando-os com rebocadores para evitar que se choquem com as plataformas.
Neste caso particular, o mar estava calmo, a água cristalina e o sol quase directamente sobre o icebergue. Assim, um mergulhador pode tirar esta fotografia fantástica. O peso estimado deste icebergue é de 300 milhões de toneladas.
Coisas como esta, fazem-nos perceber porque uma fotografia vale mais do que mil palavras ...
Não tanto pela imponência do icebergue, mas principalmente pela sua beleza.
Esta fotografia é simplesmente impressionante !

Veja agora Esta apresentação.

sexta-feira, março 26, 2010

A Chechénia

A Chechénia é o nome que se dá à região do Cáucaso onde está localizada a República da Chechénia, uma das repúblicas da Federação da Rússia. Faz fronteira a noroeste com a república de Stavropol Krai, a nordeste e leste com a república do Daguestão, a sul com a Geórgia, e a oeste com as repúblicas da Inguchétia e da Ossétia do Norte-Alânia. Está localizada nas montanhas do norte do Cáucaso (portanto o relevo é muito acidentado), entre os mares Cáspio e Negro. O clima desta região é predominantemente temperado seco, com baixas temperaturas no inverno e nas áreas de elevadas altitudes. Para o governo russo, esta república é estratégica, principalmente devido à passagem de oleodutos e gasodutos. Parte significativa do petróleo que a Rússia exporta para a Europa vem do Mar Cáspio e passa por esta região.É também uma importante região estratégica devido à rede hidográfica, às vias de comunicação e transporte e às importantes jazidas de gás natural e de petróleo.
A Chechénia situa-se no Cáucaso e é habitada principalmente por muçulmanos. Integra a Rússia apenas desde a época dos czares. Há décadas que luta pela sua independência.
Depois do fim da União Soviética, um grupo de líderes chechenos declarou a independência deste território como República Chechena da Ichkéria. Até hoje, a sua independência não foi reconhecida por nenhum país. Entretanto, esta declaração tem causado conflitos armados entre diversos grupos rivais chechenos e o exército da Rússia. Entre 1994 e 2003, o número de mortos era de cerca de 150 mil. Os separatistas fazem ataques frequentes às tropas russas. Numa das acções mais ousadas, os rebeldes tomaram um teatro em Moscovo, em 2002. Aí morreram 41 separatistas e 129 civis, a maioria por causa do gás tóxico utilizado pelas forças russas.
Para a Rússia, manter a Chechénia é fundamental, porque caso os separatistas vençam, a existência da Rússia enquanto país está ameaçada. É que os vários povos dominados por estes e que se encontram na mesma situação, poderiam exigir a independência, levando a Rússia mais uma vez à fragmentação.

Veja agora mais uma apresentação, elaborada pelos alunos do 12º C, sobre este complexo conflito regional.

quinta-feira, março 25, 2010

A Indisciplina Nas Escolas

Segundo Fernando Savater, o aumento da violência nas escolas reflecte a crise de autoridade familiar (aqui ficam algumas ideias resultantes de um encontro realizado em Espanha).
Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.
'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.
'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.
Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.
No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa..
'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.


Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.
Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.
A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.
'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.
'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.
Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.
'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.
Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.
Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

quarta-feira, março 24, 2010

Júlio Verne

Júlio Verne, (1828 - 1905) foi um escritor francês.Júlio Verne foi o filho mais velho dos cinco filhos de Pierre Verne, advogado, e Sophie Allote de la Fuÿe, esta de um família burguesa de Nantes. É considerado por alguns críticos literários o precursor do género de ficção científica.Os seus livros falam sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, as máquinas voadoras e a viagem à Lua.
O pai mandou-o para Paris para estudar Direito, mas, ali começou a interessar-se mais pelo teatro do que pelas leis, tendo escrito alguns libretos de operetas e pequenas histórias de viagens. É também em Paris que conhece os escritores Alexandre Dumas e Victor Hugo.
O primeiro grande sucesso de Júlio Verne foi Cinco Semanas Num Balão. Este livro rendeu-lhe fama e dinheiro. A sua produção literária continuou a partir daqui num ritmo acelerado. Quase todos os anos publicava um novo livro, que era quase sempre um grandes sucesso. Dentre eles encontram-se: Vinte Mil Léguas Submarinas, Viagem ao Centro da Terra, A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, Da Terra à Lua, Robur - O Conquistador.
O seu último livro publicado(póstumamente) foi Paris no Século XX.
Até hoje Júlio Verne é o escritor cuja obra foi mais traduzida em toda a história, com traduções em 148 línguas, segundo estatísticas da UNESCO, tendo escrito mais de 100 livros.

terça-feira, março 23, 2010

O Sono das Águas

Há uma hora certa,
no meio da noite, uma hora morta,
em que a água dorme.

Todas as águas dormem:
no rio, na lagoa,
no açude, no brejão, nos olhos d’água,
nos grotões fundos
E quem ficar acordado,
na barranca, a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir…

Águas claras, barrentas, sonolentas,
todas vão cochilar.
Dormem gotas, caudais, seivas das plantas,
fios brancos, torrentes.
O orvalho sonha
nas placas da folhagem
e adormece.
Até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes…

Mas nem todas dormem, nessa hora
de torpor líquido e inocente.
Muitos hão de estar vigiando,
e chorando, a noite toda,
porque a água dos olhos
nunca tem sono…
Guimarães Rosa

segunda-feira, março 22, 2010

A Água

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Água.
Não se esqueça que por dia se gastam muitos litros de água: 10 litros numa descarga de autoclismo, 80 litros num banho rápido, 100 litros numa lavagem de roupa (na máquina) e 50 litros numa lavagem de louça (na máquina). O esforço para poupar água é uma obrigação. Aqui ficam algumas dicas:
- De cada vez que utiliza o autoclismo deita muita água fora, desnecessariamente. Tente regulá-lo de forma a poupar água. Se não consegue baixar a bóia, pode pôr um objecto que não flutue no depósito e os gastos de água serão reduzidos.
- Verifique se o seu autoclismo perde água Ponha umas gotas de corante no depósito e, se vir água corada na sanita sem ninguém ter puxado o autoclismo, é porque existe uma fuga.
- O caudal de uma torneira é de 11 a 19 litros de água por minuto. Instale um compressor redutor de caudal e poderá reduzir o consumo em 50%.
- Não deixe correr a água enquanto lava os dentes ou faz a barba, pois abrir e fechar a torneira várias vezes é melhor do que deixar a correr água, sem necessidade.
- Quando se está a lavar, feche a torneira enquanto se ensaboa. Poupará muita água.
- Prefira o duche ao banho de imersão.
- Uma torneira a pingar durante 24 horas, de 5 em 5 segundos, perde 3 litros de água, o que corresponde a mais de 1000 litros de água por ano. Verifique as torneiras e repare as fugas de água.
- Só utilize a máquina de lavar louça ou roupa quando estiverem cheias ou se possuírem programas de meia-carga.
- Para poupar água, não lave a loiça com água corrente - encha o lava-loiça.
- Proceda à rega das suas plantas de manhã cedo ou ao cair da noite. Nessa altura, a evaporação de água causada pelo Sol é menor, pelo que poupará este recurso.
- Antes de lavar a loiça mais suja, limpe-a com papel e, se necessário, deixe-a "de molho".
- Regue as plantas da casa com a água recuperada da chuva ou com a que sobra na panela depois de alguém ferver ou aquecer vegetais. Esta será mais rica em nutrientes, embora seja necessário deixá-la arrefecer antes da rega.
Não se esqueça: A água é um bem essencial.
Entretanto, veja a apresentação que escolhi para hoje, sobre o que está a acontecer em alguns países ou regiões do mundo.

domingo, março 21, 2010

ANUNCIAÇÃO



A Primavera começa no Dia Mundial da Poesia e no Dia Mundial da Árvore (ou da Floresta).






Anunciação

Surdo murmúrio do rio,
a deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso
dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido
dos salgueirais:
a neve derreteu
nos píncaros da serra;
o gado berra
dentro dos currais,
a lembrar aos zagais
o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro
a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.
Miguel Torga

sábado, março 20, 2010

Ilse Losa

Ilse Losa, escritora portuguesa de origem alemã e de ascendência judaica, nasceu a 20 de Março de 1913, em Bauer, numa cidade perto de Hanover. A primeira infância foi passada com os avós paternos. Frequentou o liceu em Osnabrük e Hildesheim e o Instituto Comercial em Hanover.
Em 1930 vai para Londres onde toma conta de crianças durante um ano. De regresso à Alemanha e devido à sua condição de judia é perseguida pela Gestapo e tem de abandonar o seu país, refugiando-se em Portugal onde chega em 1934, radicando-se no Porto. Casa com o arquitecto Arménio Losa e adquire a nacionalidade portuguesa.
A sua obra inclui romances, contos, crónicas, trabalhos pedagógicos e literatura para crianças.
Paralelamente à sua actividade de escritora desenvolveu outras ocupações quer no domínio da tradução, quer como colaboradora em jornais e revistas, quer alemães quer portugueses, de que salientamos o Jornal de Notícias, o Comércio do Porto, o Diário de Notícias, Neue Deutsche Literatur, entre outros.
Ilse Losa está representada em várias antologias de autores portugueses, tendo ela própria colaborado na organização e tradução de antologias de obras portuguesas publicadas na Alemanha. Traduziu do alemão alguns dos mais consagrados autores.
Em 1984 recebeu o Grande Prémio Gulbenkian, pelo conjunto da sua obra para crianças. Em 1998 recebeu o Grande Prémio de Crónica, da APE (Associação portuguesa de Escritores) por À Flor do Tempo.
As experiências da nazificação do seu país natal e as dificuldades de adaptação à sua pátria de exílio constituem alguns dos motivos das suas obras, entre as quais se contam:
O Mundo em Que Vivi (1949), Histórias Quase Esquecidas (1950), Rio Sem Ponte (1952), Aqui Havia Uma Casa (1955), Sob Céus Estranhos (1962), Encontro no Outono (1965), Estas Searas (1984), Caminhos sem Destino (1991) e À Flor do Tempo (1997).
Distinguiu-se, também, como autora de literatura infantil, com os livros A Flor Azul (1955), Na Quinta das Cerejeiras (1984), A Visita do Padrinho (1989) e Faísca Conta a Sua História (1994). Escreveu ainda uma obra de crónicas de viagem, Ida e Volta — À Procura de Babbitt (1959).
O primeiro dia da escola. A saca às costas, caminhei ao lado da minha mãe, cheia de curiosidade e de receios. O sr. Brand, o professor, distribuía sorrisos animadores aos meninos, que o fitavam com desconfiança. A barba grisalha e o colarinho engomado davam-lhe um ar de austeridade, mas os olhos alegres protestavam contra tal impressão. Começou por nos falar, e doseava serenidade com humor para afugentar os nossos medos. De todas as escolas por que passei, a de que verdadeiramente gostei foi a escola primária. Quando o sr. Brand tomou nota do meu nome ninguém se virou para mim com sorrizinhos por soar a judaico, ninguém achou estranho eu responder «Israelita» à pergunta do sr. Brand à minha religião. Fora a mãe que me recomendara: «Quando o sr. Brand te perguntar pela religião, diz-lhe que és israelita. Soa melhor do que judia». Eu não concordava, porque achava «israelita» uma palavra estranha que não parecia pertencer à minha língua e, por isso, corei de embaraço ao pronunciá-la. E quando o sr. Brand quis saber a profissão do meu pai respondi «negociante de cavalos». Coisa natural. Muitos alunos eram filhos de lavradores e conheciam o meu pai. Não me sentia envergonhada daquilo que eu e o meu pai éramos, como aconteceria mais tarde, no liceu, quando a minha mãe me recomendou que às perguntas respondesse, além de «sou israelita», que o meu pai era «comerciante».
Ilse Losa - Excertos de O Mundo Em Que Vivi.

sexta-feira, março 19, 2010

Uma Voz Inesquecível

Uma voz e uma música inesquecíveis: Jacques Brel na celebérrima La Valse à Mille Temps. Brel foi um cantor e autor/compositor de canções, belga francófono. Esteve ainda ligado ao cinema de língua francesa. Tornou-se internacionalmente conhecido por músicas como Ne Me Quitte Pas, Je T'aime, Les Bourgeois, Amsterdam, Quand on n'a Que L'Amour, etc.
Este génio da música morreu há mais de 32 anos, mas, deixou-nos o seu talento e a sua incrível música !
A canção mais representativa e conhecida de Brel é Ne Me Quitte Pas (1959), dedicada a um dos
seus múltiplos amores, Suzanne Gabriello.
Realmente é uma canção de uma beleza arrebatadora e talvez uma das melhores canções de amor de todos os tempos. Ne Me Quitte Pas foi interpretada por múltiplos artistas de todo o mundo (Edith Piaf, Charles Aznavour, Nina Simone, Frank Sinatra, Sylvie Vartan, Juliette Gréco, Marlene Dietrich, Shirley Bassey, Johnny Halliday, Yves Montand, Mari Trini, Marianne Faithfull, Sting, Mireille Mathieu, Dalida, Fagner, Ray Charles, Maysa, Ute Lemper, Nina, Mikel Laboa, Neil Diamond, Sandy Shaw, Tom Jones, Sheena Easton, Paco Ibáñez, Estrella Morente, Miguel Bosé, Raphael, Julio Iglesias, Alison Moyet, Toots Thielemans, Shirley Horn, Patty Pravo, etc…).
"Demasiado feio" diziam uns, "fala com sotaque" diziam outros. Nada parecia ajudar Brel nas suas primeiras incursões na televisão francesa. O que é certo é que, quando se tem talento não importa se se tem cara de cavalo ou um discurso pouco eficaz. No entanto, seria preciso toda a década de 50, para Brel poder enfim dividir o palco com o mais célebre cantor francês da altura, Charles Aznavour .
O mundo acabou por repar nele. Não só pelas canções, mas também pelas representações. Cada música de Brel é uma história que tinha de ser representada através de gestos, voz e postura. Esta forma de cantar, meio ópera meio burlesco, atraiu a atenção de vários artistas que procuravam novas formas de estar em palco: Sérgio Godinho, Chico Buarque, David Bowie ,Nick Cave, Nina Hagen só para citar alguns.
Infeliz com as mulheres, sufocado pela fama e abatido pelo cancro, Jacques Brel refugiou-se nas Ilhas Marquesas, onde morreu em 1978. Encontra-se ali sepultado junto à campa de Gauguin.
De destacar duas outras músicas de Brel: "Les Flamandes" (onde é crítico e corrosivo) e "Mon Enfance" (que se evidencia pela poesia, acima de tudo).
Ouça-o e veja-o , agora, na La Valse à Mille Temps.


quinta-feira, março 18, 2010

A Guerra Civil na Colômbia

A Colômbia é um país da América do Sul. Faz fronteira a norte com o Mar das Caraíbas, a leste com a Venezuela e o Brasil, a sul com o Peru e o Equador e a oeste com o Oceano Pacífico e o Panamá. É o segundo país mais populoso da América do Sul, com aproximadamente 45 milhões de habitantes.
Bogotá,a capital, possui quase sete milhões de habitantes e é a maior cidade do país e uma das mais populosas da América do Sul e do mundo.
O conflito colombiano é um dos mais antigos da América Latina. Deriva da disputa pelo poder entre liberais, conservadores e socialistas.
Os liberais aliaram-se aos sectores socialistas numa guerra civil contra os conservadores que durou 16 anos, de 1948 a 1964.
Em 1964, temendo a radicalização da guerrilha camponesa, influenciada pela revolução cubana, os liberais aliam-se aos conservadores e apoiam o envio de tropas para o povoado de Marquetália. Os camponeses comunistas, na fuga para as regiões montonhosas da selva, constituem as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia(FARC).
Sob a liderança de Manuel Marulanda,as Farc nos anos 60 tinham como objectivo lutar pela criação de um estado marxista. Contudo, outros grupos de esquerda - como o guevarista Exército de Libertação Nacional (ELN) - e milícias de extrema direita entram no conflito. A partir dos anos 80, a Guerra Cívil ganha um novo protagonista: o tráfico de drogas. As FARC-EP financiam a luta armada à custa dos serviços de protecção vendidos aos traficantes e tanto as FARC quanto o ELN financiam a sua luta à custa do sequestro de civis. A violência já matou cerca de 30 mil pessoas desde os anos 60 e tem dado origem a maciças migrações internas.
A Guerra Civil colombiana é um conflito problemático sem solução definitiva, reflectindo-se as suas consequências até hoje no cenário político da Colômbia.
Agora, veja a apresentação que os alunos do 12º ano (B), elaboraram sobre este tema.

quarta-feira, março 17, 2010

Sapateado


O sapateado é um estilo de dança, originalmente irlandesa, na qual os dançarinos produzem sons sincopados, ritmados com os pés.
Desde simples palmas e batidas de pés, até os mais complexos movimentos e sonoridades, os dançarinos expressam-se de forma mais lenta ou mais rápida seguindo o ritmo das músicas.
Não deixe de ver este arrasador espectáculo de sapateado.
É absolutamente fantástico!

terça-feira, março 16, 2010

Nelson Mandela

''Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, pela sua origem ou pela sua religião. Para odiar, as pessoas precisam de aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois, o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.
A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta''.
Nelson Mandela

Nelson Mandela é um importante líder político da África do Sul, que lutou contra o sistema de apartheid no país. Nasceu em 18 de Julho de 1918 na cidade de Qunu (África do Sul). Mandela esteve preso de 1964 a 1990. Nesses 26 anos, tornou-se o símbolo da luta anti-apartheid na África do Sul. Mesmo na prisão, conseguiu enviar cartas para organizar e incentivar a luta pelo fim da segregação racial no país. Neste período de prisão, recebeu apoio de vários segmentos sociais e governos do mundo todo.
Mandela, formado em direito, foi presidente da África do Sul entre os anos de 1994 e 1999. Em 1994, Mandela tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul e foi responsável pelo fim do regime segregacionista no país e também pela reconciliação de grupos internos.
A partir deste ano, será celebrado em 18 de Julho de cada ano o Dia Internacional de Nelson Mandela. A data foi definida pela Assembléia Geral da ONU e corresponde ao dia de seu nascimento.
"A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até ao fim dos meus dias."
"A educação é a arma mais forte que pode usar para mudar o mundo."
Nelson Mandela

segunda-feira, março 15, 2010

Convite


Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.
Lya Luft