terça-feira, outubro 22, 2019

O Museu Rafael Bordalo Pinheiro: Visita Guiada

Caso não possa vir até Lisboa para visitar este museu, não deixe de assistir a mais este episódio do programa televisivo, de Paula Moura Pinheiro: Visita Guiada ao Museu Rafael Bordalo Pinheiro.
A icónica figura do Zé Povinho foi inventada por Rafael Bordalo Pinheiro (RBP) na madrugada de 13 de Junho de 1875. Há muito quem ache que Rafael Bordalo Pinheiro é o mais genial artista português de todos os tempos. Virtuoso desenhador, caricaturista, ceramista, RBP colocou o seu imenso talento plástico ao serviço das suas convicções cívicas e políticas e as suas criações satíricas servem-nos hoje como serviram há 150 anos.
Brilhantíssimo, de humor felino, a torrencial produção de RBP deixou-nos um espólio impressionante que passa ainda pelos variadíssimos jornais que fundou e por uma fábrica que hoje exporta as suas criações em cerâmica para o mundo inteiro. Artistas contemporâneos reinventam-no com sucesso internacional.
João Alpuim Botelho, Elsa Rebelo e Bela Silva guiam-nos do Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, à Fábrica e à Casa Museu Bordalo Pinheiro nas Caldas da Rainha.

segunda-feira, outubro 21, 2019

A Paródia

Em 1900, em Lisboa, nascia "A Paródia", o último jornal humorístico criado e ilustrado por Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905).
À semelhança de outras publicações que saíram das suas mãos, o caricaturista realçava o ridículo da sociedade e das suas personalidades.
No dia 17 de Janeiro de 1900 surgia nas bancas o primeiro número de "A Paródia", mais uma publicação de Rafael Bordalo Pinheiro, o caricaturista responsável pela criação da figura do Zé Povinho.
"A Paródia" tinha como objetivo pôr "a caricatura ao serviço da tristeza pública" e dedicava especial atenção ao dia a dia à vida social e política da capital portuguesa.
O jornal semanal viria a ultrapassar a centena e meia de números, sempre num tom de humor sarcástico muito  característicos de Bordalo Pinheiro.

domingo, outubro 20, 2019

Praias diferentes...

A Índia abriga praias com características especiais.
Em Cow Beach, bois, vacas e búfalos dividem a praia, normalmente, com os banhistas.
Por serem considerados sagrados no país, o governo não permite que os animais sejam de lá retirados.



Na Irlanda do Norte, na White Park Bay Beach, acontece o mesmo, como pode ver na foto ao lado.

Se na Índia as vacas e bois têm na praia um lugar sagrado, no Gabão, país da África, a praia de Loango, localizada no Parque Nacional de Loango (conhecido como o último Éden de África), abriga elefantes, búfalos, porcos selvagens, gorilas e hipopótamos - que dividem o mesmo espaço, como num safari a céu aberto.

sábado, outubro 19, 2019

Desculpa!


Desculpa! é um filme holandês de 2013 do género drama realizado por Dave Schram, baseado no livro de Carry Slee e que aborda a temática do bullying nas escolas.


Sinopse:
Jochem (Stefan Collier) é um adolescente atormentado na escola por um grupo de colegas da sua turma. Os seus colegas testemunham a situação mas fingem que não estão a ver, por medo de represálias. Vera (Dorus Witte) e David (Robin Boissevain) são os únicos que se mostram decididos a ajudá-lo.
Jochem encontra um cachorro abandonado nas dunas e, mais tarde, visita o abrigo para animais onde conhece Vera e, desde então, começam a encontrar-se com frequência. Apaixona-se por Vera e decide falar disso na festa da turma. No mesmo dia, Jochem sofre bullying e é forçado a beber bebidas alcoólicas. No fim da festa, todos voltam para casa exceto Jochem. A mãe (Jessica Zeylmaker) fica preocupada e comunica a polícia.
Uma manhã, o diretor da escola conta à turma que Jochem não voltou para casa depois da festa. David sente‐se culpado e juntamente com outra colega vai à procura de Jochem para lhe dizer que está arrependido. Será que é tarde demais?

sexta-feira, outubro 18, 2019

O Caso de Nero Wolfe

O Caso de Nero Wolfe é um livro de Robert Goldsborough cujo enredo e mistério, segundo o autor, deu início à lendária dupla da literatura policial: Nero Wolfe e Archie Goodwin.
Robert Gerald Goldsborough (1937 - 2004) é um jornalista americano e escritor de romances de mistério. Trabalhou durante 45 anos para o Chicago Tribune e o Advertising Age.  Após a morte de Rex Stout, o escritor Robert Goldsborough continuou, a partir do final dos anos 80,  as aventuras de Nero Wolte, tendo ganho destaque como o autor de uma série de histórias daquele detetive, publicadas de 1986 a 1994.

Sinopse:
Em 1930, o jovem Archie Goodwin chega a Nova Iorque ansioso por viver em primeira mão o frenesim da cidade. Esse excesso de entusiasmo começa por lhe trazer dissabores mas acaba por lhe dar notoriedade suficiente para iniciar uma carreira de investigador. Mas será o rapto de Tommie Williamson, filho de um magnata, a pôr Archie frente ao homem que alterará o rumo da sua vida para sempre.
O desaparecimento do pequeno Tommie, de oito anos, está a deixar Nova Iorque em alvoroço. Apenas uma pessoa parece ter a capacidade de deslindar este caso: o genial e excêntrico Nero Wolfe. Mas o detetive vive em luxuosa reclusão e vai precisar de ajuda no terreno. Archie quer desesperadamente encontrar o rapazinho e mostrar que tem a aptidão necessária para formar uma parceria com Wolfe… mas conseguirá ele aquilo que nunca ninguém conseguiu antes?
O Caso de Nero Wolfe fala-nos das origens do duo detetivesco criado por Rex Stout. Robert Goldsborough capta gloriosamente o espírito da Nova Iorque dos anos 30 e revela como Nero Wolfe e Archie Goodwin uniram forças e se transformaram em lendas da literatura policial.

quinta-feira, outubro 17, 2019

Belo e diferente


Yang Shih Hao de Taiwan conta-nos uma bela história  Asia Got Talent de 2019.
É algo de Belo e diferente!
Ora veja. Vale bem a pena.

quarta-feira, outubro 16, 2019

Ave-do-paraíso-de-vitória

O Ptiloris victoriae, também conhecido como o duwuduwu para o povo Yidinji, é uma ave do paraíso endémica da região de Atherton Tableland, uma região localizada no estado de Queensland, na Austrália, onde reside o ano todo.
Esta ave foi descoberta em 1848 e posteriormente nomeada Rainha Vitória  Os machos têm uma linda plumagem roxa, que fica mais azul com tons esverdeados na cabeça e bronze na parte de baixo do peito. Os machos têm uma curiosa mancha azul em forma de triângulo no pescoço. As fêmeas são castanhas, com "sobrancelhas" brancas.
A forma como o macho procura atrair as fêmeas é fascinante – ele curva as asas em torno do corpo e dança para os lados, enquanto insufla a garganta para acentuar a linda plumagem colorida do pescoço.

terça-feira, outubro 15, 2019

Por Mis Pistolas

Cantinflas, é o nome artístico de Mario Moreno (1911-1993), que foi um ator e humorista mexicano.

Cantinflas nasceu numa família muito humilde e tinha 12 irmãos. Teve uma adolescência marcada pela pobreza o que o levou a começar a trabalhar muito cedo, primeiro como engraxador e depois como aprendiz de toureiro, motorista de táxi e pugilista.
A sua vida mudou quando aos vinte anos, trabalhando como empregado num teatro popular, teve a oportunidade de substituir o apresentador do espetáculo que adoeceu. Ao inverter frases, trocar palavras e abusar do improviso, Cantinflas, conquistou o público hispânico.

As suas origens inspiraram várias personagens, entre eles o famoso "El Peladito". A sua maneira de falar acabou por prejudicar a sua carreira internacional. Dos mais de 40 filmes que fez, a maior parte foi produzida pela sua própria companhia.
Em Hollywood fez apenas dois filmes: A Volta ao Mundo em 80 Dias, um sucesso de bilheteira e vencedor do Óscar de Melhor Filme em 1956, e Pepe, um fracasso de público e crítica.
Hoje proponho-lhe que assista ao filme Por Mis Pistolas, onde Cantinflas cruza o muro na fronteira.

domingo, outubro 13, 2019

O Arquipélago das Quirimbas

As Quirimbas são um arquipélago de ilhas coralinas do Oceano Índico que se estendem ao longo da costa da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.
Estas ilhas foram descritas pelo cronista e geógrafo português António Bocarro em 1634.
O arquipélago é constituído por cerca de cinquenta pequenas ilhas dispostas aproximadamente na direção norte-sul, localizadas entre a foz do rio Rovuma, que faz fronteira entre Moçambique e a Tanzânia, e a baía da Quissanga, a cerca de vinte quilómetros a norte de Pemba.
Uma das ilhas tem igualmente o nome de Quirimba, mas a maior e mais populosa é a do Ibo, vizinha à anterior, que chegou a ser capital da colónia. Onze ilhas fazem parte do Parque Nacional das Quirimbas que abrange seis distritos da província de Cabo Delgado numa área total de 7500 km².

sábado, outubro 12, 2019

Boombayah

Oiça um dos grupos fenómeno da K - pop, as Blackpink, que arrastam uma legião de fãs por todo o mundo, em BOOMBAYAH. 
Este grupo é composto por quatro integrantes: Jennie, Jisoo, Lisa e Rosé. A sua estreia oficial ocorreu em 2016 com o lançamento dos singles "Boombayah" e "Whistle" do mini-álbum Square One.
A K-pop é um género musical originado na Coreia do Sul, que se caracteriza por uma grande variedade de elementos audiovisuais. Embora designe todos os géneros de "música popular" dentro da Coreia do Sul, o termo é usado mais frequentemente num sentido mais restrito, para descrever uma forma moderna da música pop sul-coreana, que abrange estilos e géneros incorporados do ocidente como pop, rock, jazz, hip hop, R&B, reggae, folk, country, além das suas raízes tradicionais de música coreana. Este género musical surgiu com Seo Taiji and Boys, um dos primeiros grupos de K-pop e formado em 1992.
A K-pop conquistou popularidade primeiro no Leste da Ásia no final da década de 1990 e entrou no mercado de música japonês no início do século XXI.
No final dos anos 2000, passou de um género musical comum entre adolescentes e jovens adultos pertencentes ao Oriente e Sudeste da Ásia, para uma subcultura.
Atualmente, com o advento dos serviços de redes sociais online, a atual disseminação global da K-pop e do entretenimento coreano, conhecidos como a Onda Coreana, podem ser vistos na América Latina, na Índia, no Norte da África, no Médio Oriente, na Europa, etc.

sexta-feira, outubro 11, 2019

As Asas do Desejo

As Asas do Desejo é um filme (drama) realizado em 1987 pelo cineasta alemão Wim Wenders e que conta no elenco com: Bruno Ganz, Otto Sander, Peter Falk, Solveig Dommartin.
O roteiro do filme foi escrito por Wim Wenders e pelo Prémio Nobel da Literatura 2019, Peter Handke

Sinopse:
Na Berlim fria e devastada do pós-guerra, um batalhão de anjos vela pelas almas perdidas que sofrem em silêncio. Entre a guarda divina estão os anjos Damiel (Bruno Ganz) e Cassiel (Otto Sander). Os dois observam o dia-a-dia dos seres humanos com curiosidade e admiração mas, no fundo, desejam viver as suas experiências, sentir as suas emoções - o que a condição de anjos não lhes permite. Um dia, Daniel fica encantado ao ver uma bela trapezista de circo, Marion (Solveig Dommartin), e apaixona-se por ela. Para poder tocá-la, tem de deixar de ser anjo e tornar-se humano, perdendo para sempre a sua imortalidade. Para ajudá-lo aparece Peter Falk, um anjo caído que soube fazer a transição entre os dois mundos. "As Asas do Desejo" narra a disputa entre o divino e o efémero, com uma lentidão poética pontuada por imagens a cores e preto e branco, que valeu a Wim Wenders a Palma de Ouro em Cannes.
Fonte: Jornal Público

quinta-feira, outubro 10, 2019

Um Comboio Movido a Hidrogénio

Sabia que existem comboios movidos a hidrogénio?
O grupo  francês Alstom lançou o primeiro comboio movido a hidrogénio destinado ao serviço ferroviário comercial, no norte da Alemanha. O objetivo é substituir o diesel, nas linhas não eletrificadas.
Informe-se, se assim o desejar, vendo os vídeos abaixo.
Não perca esta oportunidade.
Vale mesmo a pena!
Assista agora à reportagem do canal televisivo ARTE Junior sobre o mesmo assunto.
Em Salzgitter, o  construtor ferroviário francês Alstom fabrica comboios que circulam por todo o mundo. Mas, o vídeo mostra o Coradia que não precisa de linhas elétricas ou de diesel para circular. O Coradia carbura a hidrogénio. Ora veja!

terça-feira, outubro 08, 2019

Pão de Açúcar

Pão de Açúcar é o último livro do jovem escritor português Afonso Reis Cabral (1990).
Afonso Reis Cabral aos quinze anos publicou o livro de poesia Condensação. 
Em 2014, ganhou o Prémio LeYa com o romance O Meu Irmão, que se encontra em tradução em Espanha e já foi publicado no Brasil e em Itália.
No final de 2018, publicou este seu segundo romance, Pão de Açúcar, com forte acolhimento por parte da crítica.
Afonso Reis Cabral, foi ontem anunciado como o vencedor do Prémio José Saramago, no valor de 25.000 euros, pelo seu romance "Pão de Açúcar".

Sinopse
Em Fevereiro de 2006, os Bombeiros Sapadores do Porto resgataram do poço de um prédio abandonado um corpo com marcas de agressões e nu da cintura para baixo. A vítima, que estava doente e se refugiara naquela cave, fora espancada ao longo de vários dias por um grupo de adolescentes, alguns dos quais tinham apenas doze anos.
Rafa encontrara o local numa das suas habituais investidas às zonas sujas, e aquela espécie de barraca despertou-lhe imediatamente o interesse. Depois, dividido entre a atracção e a repulsa, perguntou-se se deveria guardar o segredo só para si ou partilhá-lo com os amigos. Mas que valor tem um tesouro que não pode ser mostrado?
Romance vertiginoso sobre um caso verídico que abalou o País, fascinante incursão nas vidas de uma vítima e dos seus agressores, Pão de Açúcar é uma combinação magistral de factos e ficção, com personagens reais e imaginárias meticulosamente desenhadas, que vem confirmar o talento e a maturidade literária de Afonso Reis Cabral.

A falsa sensação de liberdade


A falsa sensação de liberdade alimentada pela sociedade, quepara a qual o escritor Étienne de La Boétie já nos havia alertado no século XVI, explicando que o princípio supremo dos novos tempos era que as pessoas tinham a "liberdade" de fazer o que deviam.
Pouco mudou nos últimos séculos.

That's Life

Oiça Frank Sinatra em That's Life.

That's life (that's life) that's what people say
You're riding high in April
Shot down in May
But I know I'm gonna change that tune
When I'm back on top, back on top in June

I said, that's life (that's life) and as funny as it may seem
Some people get their kicks
Stompin' on a dream
But I don't let it, let it get me down
'Cause this fine old world it keeps spinnin' around

I've been a puppet, a pauper, a pirate
A poet, a pawn and a king
I've been up and down and over and out
And I know one thing
Each time I find myself flat on my face
I pick myself up and get back in the race

That's life (that's life) I tell ya, I can't deny it
I thought of quitting, baby
But my heart just ain't gonna buy it
And if I didn't think it was worth one single try
I'd jump…

segunda-feira, outubro 07, 2019

A Arte do Barro Preto

Bisalhães é uma aldeia histórica situada na encosta sul da freguesia de Mondrões, concelho de Vila Real, em Portugal.
É célebre pela olaria de Bisalhães, mais conhecida por "barro preto de Bisalhães".
O processo de fabrico da Olaria Negra de Bisalhães foi declarado Património Cultural Imaterial da Unesco em 29 de novembro de 2016 durante a reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial em Adis Abeba, na Etiópia.
Embora o processo de fabrico do barro preto de Bisalhães, tenha sido inscrito na lista do Património Cultural Imaterial da  UNESCO, necessita de salvaguarda e de cuidado urgente.
Este é considerado um ofício duro, exigente, com recurso a processos que remontam, pelo menos, ao século XVI.
O processo de fabrico inclui desde o tratamento inicial que se dá ao barro até à cozedura.
As peças que nascem pelas mãos dos artesãos são depois cozidas em velhinhos fornos abertos na terra, onde são queimadas giestas, caruma, carquejas e abafadas depois com terra escura, a mesma que lhe vai dar a cor negra.
Este processo é bastante antigo, com características muito peculiares e próprias da aldeia de Bisalhães e que tem vindo a ser mantido com muito sacrifício por parte dos oleiros atuais. Veja agora como é feita esta produção de peças artísticas e utilitárias em barro preto.

domingo, outubro 06, 2019

A Ave-do-paraíso de Wilson





A Ave-do-paraíso de Wilson (Cicinnurus respublica) é uma das menores aves do paraíso. Mas, é uma das mais lindas e coloridas espécies deste tipo de aves.
Os machos têm as cores vermelha, preta, azul e violeta na plumagem, e a cabeça é adornada por um tipo de desenho em forma de cruz preta dupla. A belíssima cauda faz uma curva em espiral.
Contrastando com os machos, as fêmeas são acastanhadas, com um pouco de azul na coroa.
As aves do paraíso são típicas da Australásia e estão presentes nas regiões tropicais do Norte da Austrália, Nova Guiné, Indonésia e Ilhas Molucas. As aves-do-paraíso habitam principalmente zonas de floresta tropical e manguezais.


sábado, outubro 05, 2019

Elevar

Professor, “sois o sal da terra e a luz do mundo”.
Sem vós tudo seria baço e a terra escura.
Professor, faze de tua cadeira,
a cátedra de um mestre.
Se souberes elevar teu magistério,
ele te elevará à magnificência.
Tu és um jovem, sê, com o tempo e competência,
um excelente mestre.

Meu jovem Professor, quem mais ensina e quem mais aprende?
O professor ou o aluno?
De quem maior responsabilidade na classe,
do professor ou do aluno?
Professor, sê um mestre. Há uma diferença sutil
entre este e aquele.
Este leciona e vai prestes a outros afazeres.
Aquele mestreia e ajuda seus discípulos.
O professor tem uma tabela a que se apega.
O mestre excede a qualquer tabela e é sempre um mestre.
Feliz é o professor que aprende ensinando.
A criatura humana pode ter qualidades e faculdades.
Podemos aperfeiçoar as duas.
A mais importante faculdade de quem ensina
é a sua ascendência sobre a classe
Ascendência é uma irradiação magnética, dominadora
que se impõe sem palavras ou gestos,
sem criar atritos, ordem e aproveitamento.
É uma força sensível que emana da personalidade
e a faz querida e respeitada, aceita.
Pode ser consciente, pode ser desenvolvida na escola,
no lar, no trabalho e na sociedade.
Um poder condutor sobre o auditório, filhos, dependentes, alunos.
É tranquila e atuante. É um alto comando obscuro
e sempre presente. É a marca dos líderes.

A estrada da vida é uma reta marcada de encruzilhadas.
Caminhos certos e errados, encontros e desencontros
do começo ao fim.
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
O melhor professor nem sempre é o de mais saber,
é sim aquele que, modesto, tem a faculdade de transferir
e manter o respeito e a disciplina da classe.
Cora Coralina

sexta-feira, outubro 04, 2019

Lisboa

Carlos Botelho
De certo, capital alguma do Ocidente
Tem mais afável sol, ou um céu mais clemente,
Mais colinas azuis, rio d’águas mais mansas,
Mais tristes procissões, mais pálidas crianças,
Mais igrejas e cães — e vargens, onde a esteira
Seja em tardes d’estio a flor da laranjeira!


A cidade é garrida e esbelta de manhã! —
É mais alegre então, mais límpida, mais sã.
Com certo ar virginal ostenta suas graças…
Há vida, confusão, murmúrios pelas praças.
— E, às vezes, em roupão, uma violeta bela
Vem regar o craveiro e assoma na janela.

A cidade é beata — e, às lúcidas estrelas,
O vicio, à noite, sai aos becos e às ruelas
Sorrindo, a perseguir burgueses e estrangeiros…
E à triste e dubia luz dos baços candeeiros,
— Em bairos imorais, onde se dão facadas —
Corre às vezes o sangue e o vinho nas calçadas.

Pintura Naïf
As mulheres são gentis. — Umas altas, morenas,
Graves, sentimentais, amigas de novenas,
Ébrias de devoções, relêem as suas Horas.
— Outras fortes, viris, os olhos cor d’amoras,
Os lábios sensuais, cabelos bons, compridos,
— Às vezes, por enfado, enganam os maridos!

Os burgueses banais são gordos, chãos, contentes,
Amantes de cupido, egoistas, indolentes,
Graves nas procissões, nas festas, e nos lutos.
Bastante sensuais, bastante dissolutos,
Mas humildes cristãos!.. e, em místicos momentos,
— Tendo, ainda, crueis saudades dos conventos!

Viciosa ela se apraz num sono vegetal,
Adversa ao Pensamento e contrária ao Ideal.
David Levy
— Mas, mau grado assim ser viciosa, egoista, à lua,
Como Nero também dá concertos na rua,
E, em noites de verão quando o luar consola,
— Põe ao peito a guitarra e a lírica viola.

No entanto a sua vida é quase intermitente,
Chafurda na inação, feliz, gorda, contente.
E, eclipsando as acções dos seus navegadores,
Abrilhanta a batota e as casas de penhores.
Faz guerra à Vida, à Acção, ao Ideal!.. e ao cabo
— É talvez a melhor amiga do Diabo!
Gomes Leal (1848-1921)Claridades do Sul, Lisboa, 1901.

quinta-feira, outubro 03, 2019

O Vira do Minho



O Vira do Minho é uma dança típica do folclore do Alto Minho.
O Vira embora mais conhecido como característico do Minho, é também dançado noutras regiões de Portugal, entre as quais a Estremadura. São vários os tipos de viras conhecidos: O Vira Antigo (Reguengo Grande, Lourinhã e Casais Gaiola, Cadaval), o Vira das Sortes (Olho Marinho, Óbidos), o Vira Valseado (Outeiro da Pedra, Leiria), o Vira de Costas (Colaria, Torres Vedras), o Vira das Desgarradas (Reguengo Grande, Lourinhã), o Vira Batido (Casais Gaiola, Caldas da Rainha), o Vira de Três Pulos (Assafora, Sintra), o Vira de Dois Pulos (Lagoa, Mafra) e o Vira de Seis, em terras de pescadores.
Imagine, dispostos em roda os pares de braços erguidos, que vão girando vagarosamente no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Os homens vão avançando e as mulheres recuando. A situação arrasta-se até que a voz de um dançador se impõe, gritando "fora" ou "virou". Dão meia-volta pelo lado de dentro e colocam-se frente-a-frente com a moça que os precedia. Este movimento vai-se sucedendo até todos trocarem de par, ao mesmo tempo que a roda vai girando, no mesmo sentido. Para ajudar a completar o cenário imagine os dançarinos (as) com os fatos minhotos e as mulheres com as arrecadas.
Mas este Vira do Minho é apenas o mais simples dos viras de roda, pois outros há com marcações mais complexas. E são muitos os nomes em que se desdobram: vira, fandango de roda, fandango de pares, ileio, tirana, velho, serrinha, estricaina, salto, entre outros.
Viana do Castelo é famosa quando se trata de encenar o vira. Mas não é a única. Chegamos à região de Braga e logo nos surge o "vira galego", “despido da opulência primitiva”, como o definiu, Pedro Homem de Mello.
As origens do Vira, de acordo com alguns estudiosos situam-se no século XVIII enquanto outros referem a sua origem antes do séc. XVI.
Tomaz Ribas considera o Vira uma das mais antigas danças populares portuguesas, salientando que já Gil Vicente a ele fazia referência na peça Nau d’Amores, onde o dava como uma dança do Minho. Note-se, a respeito de filiações e semelhanças, a proximidade do Vira de Dois Pulos de Lagoa e Mafra com o Fandango.
E agora assista ao Grupo Folclórico Das Lavradeiras Da Meadela,Viana do Castelo.

quarta-feira, outubro 02, 2019

Os Furoshiki

Os Furoshiki são um tipo de panos de embalagem japoneses, tradicionalmente usados para transportar roupas, presentes ou outros bens.
Este nome, que possivelmente remonta ao período Nara, significa "espalhamento de banho", que deriva da prática do período Edo de usá-los para empacotar roupas enquanto as pessoas estavam no sentō (banhos públicos) para evitar a mistura das roupas dos banhistas.
Antes de se associarem a banhos públicos, os furoshiki eram conhecidos como hirazutsumi, ou agasalho dobrado. Eventualmente, os furoshiki serviam como um meio para os comerciantes transportarem as suas mercadorias ou para proteger e decorar um presente.
Há um exemplo histórico da utilização de um Furoshiki, por um soldado japonês, durante a Segunda Guerra Mundial. Este soldado foi capturado e o seu Furoshiki tem um mapa impresso num destes panos.
O mapa foi obtido por um soldado australiano, EJ Knight, do soldado japonês capturado em South Bougainville, em 1945. É um furoshiki de tecido sintético. O tecido tem impresso em azul, cinza, castanho, malva e laranja, um mapa do Sudeste Asiático, um avião, um navio e uma música que é uma marcha patriótica. Tem também um poema escrito, indicando que Tsuchiya é o terceiro filho de um escritor que se alistou: "Eu vi meus filhos partir para os campos de batalha três vezes num bom dia de jogo". Também no tecido está escrito "Para Tsuchiya Akira de toda a equipe do escritório de Minenobu ".

Os furoshiki modernos podem ser feitos de uma grande variedade de panos, seda, algodão, rayon e nylon, etc,.
Os Furoshiki são muitas vezes decorados com desenhos tradicionais e não têm um tamanho definido. Podem variar dos tamanhos mais comuns, com 45 cm, 68 ou 72 cm, até ao tamanho de lençóis.
A utilização dos furoshiki no Japão, diminuiu no período do pós-guerra, devido à proliferação dos sacos de plástico .
Nos últimos anos, contudo, devido às preocupações ambientais, o interesse pela utilização deste tipo de panos de embalagem tem vindo a aumentar.
Em 2006, o ministro japonês do Meio Ambiente, Yuriko Koike , criou um pano furoshiki para promover o seu uso no mundo moderno.
Se quiser aderir a esta arte milenar de embrulho japonês usada para transportar objetos e embalar presentes, numa lógica sustentável de reaproveitar tecidos, não deixe de ver o vídeo abaixo que nos ensina como fazer uma bolsa com esta técnica.

terça-feira, outubro 01, 2019

Velha Infância

Oiça o grupo brasileiro Tribalistascomposto pelos cantores Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte em Velha Infância.
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
é o meu amor

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância

Seus olhos, meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só

Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor

E a gente canta
A gente dança
A gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância

Seus olhos, meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só

Você é assim
Um sonho pra mim
Você é assim
Você é assim
Um sonho pra mim
Você é assim

(Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito)

(Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor)

segunda-feira, setembro 30, 2019

A Poesia Não se Inventou para Cantar o Amor

Leia e medite sobre o excerto que se segue, da obra do escritor português, Eça de Queirós - "A Correspondência de Fradique Mendes"

"A poesia não se inventou para cantar o amor — que de resto não existia ainda quando os primeiros homens cantaram. Ela nasceu com a necessidade de celebrar magnificamente os deuses, e de conservar na memória, pela sedução do ritmo, as leis da tribo. A adoração ou captação da divindade e a estabilidade social, eram então os dois altos e únicos cuidados humanos: — e a poesia tendeu sempre, e tenderá constantemente a resumir, nos conceitos mais puros, mais belos e mais concisos, as ideias que estão interessando e conduzindo os homens. Se a grande preocupação do nosso tempo fosse o amor — ainda admitiríamos que se arquivasse, por meio das artes da imprensa, cada suspiro de cada Francesca. Mas o amor é um sentimento extremamente raro entre as raças velhas e enfraquecidas. Os Romeus, as Julietas (para citar só este casal clássico) já não se repetem nem são quase possíveis nas nossas democracias, saturadas de cultura, torturadas pela ânsia do bem-estar, cépticas, portanto egoístas, e movidas pelo vapor e pela electricidade. Mesmo nos crimes de amor, em que parece reviver, com a sua força primitiva e dominante, a paixão das raças novas, se descobrem logo factores lamentavelmente alheios ao amor, sendo os dois principais aqueles que mais caracterizam o nosso tempo: o interesse e a vaidade. Nestas condições, o amor que voltou a ser, como na Grécia, um Cupido pequenino e brincalhão, que esvoaça, surripiando aqui e além um prazer fugitivo — é removido para entre os cuidados subalternos do homem, muito para baixo do dinheiro, muito para baixo da política... É uma ocupação, sem malícia o digo, que se deixa para quando acabar o dia verdadeiro e útil, e com ele os negócios, as ideias, os interesses que prendem. «Já não há hoje nada de produtivo a fazer? Já não há nada de sério em que pensar?... Bem! Então, um pouco de perfume nas mãos, e abra-se a porta ao amor que espera!» A isto está reduzida a Vénus fatal e vencedora!
Ora quando uma arte teima em exprimir unicamente um sentimento que se tornou secundário nas preocupações do homem — ela própria se torna secundária, pouco atendida e perde a pouco e pouco a simpatia das inteligências. Por isso hoje, tão tenazmente, os editores se recusam a editar, e os leitores se recusam a ler, versos em que só se cante de amor e de rosas. E o artista que não quer ser uma voz clamando no deserto e um papel apodrecendo no armazém, começa a evitar o amor como tema essencial da sua obra".
Eça de Queirós - A Correspondência de Fradique Mendes

domingo, setembro 29, 2019

A Faiança Miragaia

A Faiança Miragaia refere-se a louças identificadas nos mercados das velharias por "Miragaia" que são um caso bem curioso da faiança portuguesa.
A origem do motivo que as identifica é a célebre loiça inglesa do Willow pattern (o padrão do Salgueiro, desenhado por Thomas Minton em 1790) e que no nosso país se designa como Cantão Popular ou o Cantão de Miragaia.
Basicamente, o motivo inglês, é a narração da história de um amor contrariado passado na China, que tal como Romeu e Julieta, termina mal. Se quiser ficar a saber mais sobre este padrão basta clicar aqui.  Este padrão inglês ter-se-á  inspirado nos motivos chineses de Cantão.
Contudo, os fabricantes portugueses dos "miragaias", libertaram-se das amarras do padrão original do salgueiro e interpretaram-no livremente, com pinceladas rápidas, num resultado cheio de energia e com um gosto muito popular.
Na loiça de Miragaia, as motivos que constituem o padrão do salgueiro são simplificados e esvaziados do seu significado original. No fundo há um processo de abstracção muito grande, só que em vez de ser levado a cabo por pintores modernistas em Paris, é feito por artesãos populares.
Há pouca coisa escrita sobre esta faiança. Sabe-se que houve vários fabricantes ao longo de um período de tempo muito grande (inícios do século XIX até à segunda metade do século XX), que produziram este motivo com muitas variantes entre si. Contudo, as peças nunca têm marcas. De acordo com alguns estudiosos chama-se Cantão Popular ou Cantão de Miragaia, por esta fábrica se ter destacado na sua produção. Mais tarde seriam as oficinas de Coimbra a darem-lhe continuidade pelo que chegou até nós popularizado como Cantão de Coimbra. 

Contudo, numa exposição que se fez em 2008, no Porto, no Museu Soares dos Reis, intitulada Fábrica de Louça de Miragaia, refere-se que nunca se encontrou nenhuma loiça com o motivo do salgueiro, com as marcas características da Fábrica Miragaia. No catálogo da exposição adianta-se que essa fábrica se tornou famosa por fazer um tipo de motivo com uma paisagem em azul, conhecida por "País"  e que daí em diante toda a louça em azul com paisagens passou a ser conhecida por Miragaia.