sábado, julho 30, 2011

Panteísmo

Tarde de brasa a arder, sol de verão
Cingindo, voluptuoso, o horizonte…
Sinto-me luz e cor, ritmo e clarão
Dum verso triunfal de Anacreonte!

Vejo-me asa no ar, erva no chão,
Oiço-me gota de água a rir, na fonte,
E a curva altiva e dura do Marão
É o meu corpo transformado em monte!

E de bruços na terra penso e cismo
Que, neste meu ardente panteísmo
Nos meus sentidos postos e absortos

Nas coisas luminosas deste mundo,
A minha alma é o túmulo profundo
Onde dormem, sorrindo, os deuses mortos!
Florbela Espanca - Charneca em Flor

sexta-feira, julho 29, 2011

Não há só tangos em Paris

"Não há só tangos em Paris" é um dos temas do último disco de Cristina Branco, uma cantora portuguesa nascida em 1972.
Cristina Branco, aos 18 anos passou a ter por Amália uma profunda admiração quando o avô lhe ofereceu o disco "Rara e Inédita". Mas, foi num jantar de amigos que cantou fado pela primeira vez, embora não se considere fadista.
A cantora grava "Cristina Branco Live in Holland" em 1996. Foi com este cd que tudo começou.
O disco "Murmúrios" foi editado na Holanda e reúne 14 temas. Há ali fados tradicionais como "Abandono" (imortalizado por Amália, com texto de David Mourão-Ferreira) a versões de Sérgio Godinho "As certezas do meu mais brilhante amor" ou José Afonso "Pomba branca". Em 1999, recebeu o Prix Choc da revista "Le Monde de la Musique" pelo melhor CD de música tradicional.
Em Fevereiro de 2000 sai o álbum "Post-Scriptum" (título de um poema de Maria Teresa Horta). Conquistou o Prix Choc, deste vez para o melhor álbum do mês de Março, em França.
Na Holanda foi editado o disco "Cristina Branco Canta Slauerhoff", o segundo desse ano, com textos do poeta holandês J. J. Slauerhoff (1898-1936). A tradução dos textos foi de Mila Vidal Paletti e a música de Custódio Castelo. O disco foi como que uma prova de agradecimento de Cristina Branco, ao país que lhe abriu as portas do sucesso, embora ali nunca tenha vivido.
O sexto álbum de Cristina Branco, com o título "Sensus" foi editado em 2003. A música é assinada por Custódio Castelo. O álbum conta com letras de David Mourão-Ferreira, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Eugénio de Andrade, Camões e Shakespeare, entre outros. "Ulisses" é o nome do disco seguinte, editado em 2005.
A cantora começa o ano de 2007 com vários espectáculos de revisitação à obra de José Afonso. Lança o álbum "Abril". Em 2009 é editado o disco "Kronos", o primeiro sem a colaboração de Custódio Castelo. Em 2011 lança o álbum "Não há só tangos em Paris", escolhendendo como música de apresentação, o tema com o mesmo nome do álbum.

quinta-feira, julho 28, 2011

10 Mitos da Língua Portuguesa


Sugiro-lhe que veja com cuidado este pequeno vídeo. Sandra Duarte Tavares fala-nos dos 10 maiores mitos da Língua Portuguesa. Ajuda-nos a corrigir alguns eventuais erros ou a tirar dúvidas acerca da nossa língua mãe. É aconselhável tanto para miúdos como para graúdos.

quarta-feira, julho 27, 2011

Ultimate Kizomba




Aprecie Avelino Chantre e Joana Machado a dançarem "Ultimate Kizomba" no programa da RTP, Embondeiro.

terça-feira, julho 26, 2011

Kalumba

Kalumba foi mais um dos grandes sucessos do cantor angolano (dos anos 60/70) Sofia Rosa. No tema "kalumba", Sofia Rosa louva a beleza da mulher.
Ouça-o lá agora!

segunda-feira, julho 25, 2011

Maria Diapambala

Esta é uma pequena homenagem a uma das figuras mais interessantes, da música angolana de meados do século XX. Sofia Rosa era dotado de uma voz inesquecível e cheia de swing. Dela sobraram alguns registos em disco. Aqui fica um deles. Maria Diapambala é uma canção de (Fernando) Sofia Rosa cantor angolano dos anos 60/70.
Em 1963, Sofia Rosa, integra como cantor o agrupamento Teatral Ngongo, fundado por José de Oliveira Fontes Pereira. Participa numa digressão do grupo a Portugal e grava para a televisão. O seu primeiro "single" foi gravado em 1970, seguindo-se depois sete, todos pela Valentim de Carvalho. Sofia Rosa foi um dos melhores criadores e intérpretes da música em língua nacional kimbundu, traduzindo o pulsar da vida da gente pobre.
O dia a dia, as lamúrias proferidas pelas gentes das sanzalas, bairros e musseques, o sentimento do amor e perseverança estão contidos nos seus trechos que transportam o público para o mundo da saudade nas aguarelas angolanas, no dia do trabalhador, nas kutonocas e nas farras onde Sofia Rosa arrastava multidões. Sofia Rosa esteve também vinculado aos Corvos, mas todo o seu talento artístico veio à tona com "Os Astros" com quem gravou "Kalumba" e "Ngue Xile Ku Tunda Bu Sambila".
Sofia Rosa morreu, em 1975, numa época de instabilidade e em circunstâncias estranhas.
Ouça-o agora em Maria Diapambala.

domingo, julho 24, 2011

Back To Black

A famosa cantora britânica Amy Winehouse, foi encontrada morta, ontem, na sua casa. Esta cantora de ar frágil e voz de diva soul, morreu após uma vida marcada por excessos devidos ao seu envolvimento com drogas e álcool.
Amy estudou em várias escolas artísticas e ouviu com insistência Madonna, TLC, Salt N´Pepa, Mos Def, Beastie Boys, mas também Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan, o que explica em parte o ecletismo da sua música, que convoca o jazz, o hip hop, a soul e o r&b.
Amy Winehouse nasceu em Londres no dia 14 de Setembro de 1983 e lamentavelmente deixa-nos com apenas 27 anos, a mesma idade com que morreram outros ícones da música como Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Jim Morrison, Brian Jones (ex-Rolling Stones) e Janis Joplin.

sábado, julho 23, 2011

E AQUI ESTOU, CANTANDO

Eu canto porque o instante existe
E a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento,
Atravesso noites e dias
No vento.

Se desmorono ou se edifico,
Se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
CECÍLIA MEIRELES

sexta-feira, julho 22, 2011

O mistral e outros ventos

A propósito da ventania forte que tem assolado algumas regiões do país e em particular a região de Lisboa, lembrei-me hoje de falar de ventos.
O vento, de uma forma simplista, é o ar em movimento e pode ser de vários tipos. Assim, temos os ventos constantes (regulares ou planetários) como os alísios e os contra-alísios, os ventos de oeste e os ventos de leste. Há ainda os ventos periódicos, como por exemplo, as monções, as brisas (da terra e do mar), os furacões (ou tufões) e os tornados.
Mas, vou falar com mais pormenor dos ventos locais porque são menos conhecidos.
O Mistral é um vento catabático (que significa "descendo colinas"). É também conhecido com o nome de "drainage wind". O mistral caracteriza-se por ser um vento seco e frio (por isso é, por vezes, chamado de "vento de Outono") do quadrante norte, que sopra no sul da França. Faz-se sentir entre esta região, as Baleares, a Sardenha e a Córsega.
O Bora é um vento frio e seco que sopra no sentido Norte - nordeste, no litoral da ex - Jugoslávia.
O Simum: Vento quente e seco que sopra no Saara, no sentido Sul - Norte.
O Foehn é um vento quente, seco e violento que sopra nas regiões alpinas. Quando o ar encontra uma montanha, em determinadas condições é forçado a subi-la. Ao subir, expande e arrefece, levando muitas vezes à condensação da humidade e à formação de nuvens. Algumas vezes as nuvens podem gerar precipitação. Quando o ar volta a descer, é mais quente e mais seco do que quando iniciou a subida da montanha. Este fenómeno é muito comum em certos locais com ventos dominantes de uma determinada direcção, por exemplo nos Alpes (de onde provém o nome), na Serra de Sintra, na Madeira, em Tenerife... Nesta ilha o vento predominante de Norte faz com que a parte norte da ilha seja verdejante e cheia de vida, enquanto a parte sul faz lembrar uma paisagem desértica, em certos locais quase marciana.
O Chinook: Sopra nas montanhas Rochosas.
O Pampeiro é um vento que sopra nos pampas argentinos e no Rio Grande do Sul, Brasil, (onde se denomina Minuano). É característico do hemisfério Sul.
O Harmatã: Sopra do deserto do Saara para a África Ocidental. É um vento quente e seco.
O Siroco é um vento que sopra do deserto do Saara para o sul da Europa (afectando muitas vezes a ilha de Malta). É um vento seco e quente.

quinta-feira, julho 21, 2011

Mais notícias sobre o Tsunami no Japão

Proponho-lhe que assista a mais um vídeo. Este contém imagens arrepiantes do tsunami que ocorreu no Japão a 11 de março, após um violento terramoto.
Veja como as pessoas foram apanhadas desprevenidas e não tivéram tempo para nada.
Algumas ainda se aperceberam do que estava a acontecer, mas, não tivéram sequer hipótese de se salvar.
As imagens do tsunami, que fazem parte deste vídeo, foram obtidas a partir do interior de um automóvel.
Este vídeo é absolutamente incrível e demonstra a impotência dos humanos perante esta força da natureza, que tem um avassalador grau de destruição.

quarta-feira, julho 20, 2011

Um Porto Diferente


Proponho-lhe que se delicie com este magnífico filme (2011) sobre a cidade do Porto.
Emílio de Azevedo Campos, S.A. (Filmesdamente.com) mostra-lhe o Porto visto de um modo diferente!
Espero que goste! Ora veja!

PORTO with a SONY PMW-F3 from FilmesDaMente on Vimeo.

terça-feira, julho 19, 2011

Seca pode matar meio milhão em África

A Unicef, através de Anthony Lake, alertou para o facto de a seca poder matar 500 mil crianças no nordeste da África. A forte seca, a pior em seis décadas, que afecta aquela região do mundo está a aumentar o drama da desnutrição. Na Somália, o país mais afectado, um em cada três habitantes precisa de ajuda alimentar de emergência, de acordo com as estimativas da União Africana.
"Meio milhão de crianças sofrem de desnutrição severa e estão em risco iminente de morrer. Precisam de ajuda imediata (...). Esta é uma crise muito grave", alertou Lake, à imprensa local.
Milhares de famílias somalis estão a fugir da fome e da miséria e a procurar auxílio no campo de refugiados de Dadaab (no leste do Quénia). Este campo foi desenhado para 90 mil pessoas (sendo considerado o maior do mundo), mas actualmente, acolhe mais de 300 mil refugiados.
"O que estamos a ver é quase uma tempestade perfeita: o conflito da Somália, os crescentes preços dos combustíveis e dos alimentos, a seca e a falta de chuvas. Ainda por cima faltam quatro ou cinco meses para a próxima colheita. Temos uma enorme tarefa pela frente", ressaltou Lake (director-executivo da Unicef).
"Esta não é uma crise de refugiados. Esta é uma crise regional. Temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para diminuir o impacto e salvar estas pessoas".
Na árida região de Turcana (norte do Quénia), Lake viu o "verdadeiro sofrimento" e o "rosto silencioso da crise", ao comprovar que as crianças, se têm sorte, sobrevivem comendo apenas uma vez por dia.
"Não se trata só de salvar vidas ameaçadas, mas de salvar um modo de vida ameaçado", afirmou Lake, que admitiu que a comunidade internacional "reagiu um pouco tarde" diante das consequências da seca no Nordeste da África, a região mais oriental do continente.
A comunidade internacional deveria reconhecer a gravidade do que está ocorrer naquela região e diligenciar no sentido de impedir que esta situação terrível, piore.



segunda-feira, julho 18, 2011

As Jóias Negras do Império

Aqui fica mais uma sugestão para um passeio cultural por Lisboa. Desta feita ao Centro Cultural de Belém. Esta instituição foi concebida, originalmente, para acolher a sede da presidência portuguesa da Comunidade Europeia e posteriormente para desenvolver actividade cultural.
Assim, não esqueça a minha proposta, no dia 22 de Julho, pelas 21:30, visite o CCB (Centro Cultural de Belém) e assista ao Ciclo de Cinema Ficheiros da Imigração, nomeadamente ao Documentário, JÓIAS NEGRAS DO IMPÉRIO", assinado pela jornalista Anabela Saint-Maurice (Portugal ⁄ RTP, Ano 1998, Duração 55').
Comemorando os cem anos da abolição oficial da escravatura, este documentário é um dos raros trabalhos realizados sobre a história dessa prática em Portugal, desde as caravelas que, em 1444, “descarregaram” os primeiros 235 escravos africanos em Lagos, no chamado Mercado dos Escravos.
Calcula-se que na Lisboa seiscentista já cá viviam quase dez mil escravos o que correspondia a cerca de dez por cento da população total.
O Centro Cultural de Belém (localiza-se em Lisboa, na praça do Império)
volta a apresentar os vários tentáculos da arte de 15 de julho a 14 de agosto. O programa do fes
tival Fora de Si 2011, oferece na sua 5ª edição, cinco semanas dedicadas ao cinema, ao teatro, à performance, ao workshop e à música. José António Fernandes Dias, comissário do ciclo de cinema Ficheiros da Imigração realça os onze filmes, nove dos quais são documentários, que serão transmitidos nos auditórios do Centro Cultural. Jóias Negras do Império, de Anabela Saint-Maurice, Cidade de Ouro, de Andrey Romashov e Lisboetas de Sérgio Tréfaut, são alguns dos filmes a ser exibidos e que deixam a sua marca no festival.


domingo, julho 17, 2011

Dia de Domingo




Mais uma vez lhe sugiro que oiça Tim Maia num dos seus muitos sucessos: "Dia de Domingo".
Já que estamos no verão deixo-lhe, também, uma frase célebre e muito divulgada deste fabuloso cantor brasileiro.
"Comecei uma dieta: cortei a bebida e as comidas pesadas e em quatorze dias perdi duas semanas de vida".
Tim Maia

sábado, julho 16, 2011

Paris Inundada


Gostaria hoje que fizesse uma viagem no tempo e no espaço. Vamos até à Paris do início do século XX. Recuemos, então, até 1910.
Através da apresentação que seleccionei, poderá ver imagens inesperadas daquela cidade. O Sena galgou as margens e inundou Paris, porque o Inverno foi muito rigoroso.

sexta-feira, julho 15, 2011

Soneto

Formoso Tejo meu, quão diferente
Te vejo e vi, me vês agora e viste:
Turvo te vejo a ti, tu a mim triste,
Claro te vi eu já, tu a mim contente.

A ti foi-te trocando a grossa enchente
A quem teu largo campo não resiste;
A mim trocou-me a vista, em que consiste
O meu viver contente ou descontente.

Já que somos no mal participantes,
Sejamo-lo no bem. Oh! quem me dera
Que fôramos em tudo semelhantes!
Mas lá virá a fresca Primavera:
Tu tornarás a ser quem eras de antes,
Eu não sei se serei quem de antes era.
Francisco Rodrigues Lobo

quinta-feira, julho 14, 2011

O "Gago Coutinho" foi engolido

O «Rochedo Gago Coutinho», imagem emblemática da praia de Olhos de Água, desapareceu engolido pelo mar. Esta foi durante décadas uma das perspectivas mais fotografadas pelos turistas. Foi também ,uma referência importante nos postais ilustrados da região algarvia.
Muitos destes monumentos naturais já desapareceram. O primeiro foi o "Sacadura Cabral", em meados dos anos 60.
Além do desaparecimento deste tipo de rochedos, o Algarve tem assistido a derrocadas de arribas. É a natureza em ação. As tempestades de inverno, a força das marés e das correntes marítimas e a erosão provocada por diversos agentes, explicam estes acontecimentos.
Segundo algumas pessoas a destruição deste "monumento natural" podia ter sido travada mas, quer os especialistas quer o senso comum dizem que se trata do resultado da ação da natureza.
Se quiser recordar a praia dos Olhos de Água com e sem o Gago Coutinho, aqui ficam estas duas imagens alusivas a este facto.

quarta-feira, julho 13, 2011

Um Sistema de Saúde Universal

Hoje proponho-lhe que veja um pequeno vídeo com o título "Um Sistema de Saúde Universal". Actualmente vivemos tempos de mudança e de crise. Verificamos que alguns direitos e valores são postos em causa. Convém, pois, reflectirmos todos sobre alguns destes assuntos.
Michael Moore é o polémico cineasta americano, autor do filme anti-Bush Fahrenheit -11de Setembro, que fez em 2007 um filme, dedicado ao sistema de saúde americano.
“Os Estados Unidos é o único país industrializado e rico que não tem sistema universal de saúde. A maior parte das pessoas tem seguro-saúde, na maioria dos casos (60%) pago pelo empregador. Há programas governamentais de ajuda a pobres, idosos, crianças. E cerca de 50 milhões de americanos não têm qualquer cobertura de assistência médica”- Michael Moore."Assim como os outros filmes, não o discutimos enquanto o fazemos. Se nos perguntam, dizemos que Sicko é uma comédia sobre as 45 milhões de pessoas sem sistema de saúde no país mais rico do mundo", referiu Michael Moore numa entrevista.
Este filme de Michael Moore ("Sycho") descreve o falhanço do sistema
de saúde dos EUA ("a última nação industrializada sem um sistema universal de saúde", e onde a Saúde é essencialmente um negócio entregue às grandes indústrias) e termina com Moore a levar para Cuba 911 trabalhadores de equipas de salvamento do 11 de Setembro, cujos cuidados médicos lhes foram negados nos EUA. Os Estados Unidos têm uma população de 301 milhões de habitantes e 47 milhões não têm plano de saúde, o que acarreta cerca de 18 mil mortes por ano. Até o transporte de ambulância para o hospital é cobrado aos pacientes, ainda que se trate de remoção por acidente grave.
Para comparar os sistemas de saúde, Moore visitou o Canadá, a França e a Inglaterra, países com sistemas de saúde gratuitos e universais.

terça-feira, julho 12, 2011

segunda-feira, julho 11, 2011

Nasceu o Sudão do Sul

Num continente politicamente instável nasceu a 9 de Julho um novo país: A República do Sudão do Sul. Seis meses depois de um referendo fiscalizado pela ONU nasceu o 193º país, pondo-se assim fim a uma guerra civil com 50 anos e um saldo de cerca de 1 milhão de mortos.
Além da divisa com o Sudão do norte, o Sudão do Sul faz fronteira a leste com a Etiópia, ao sul com o Quénia, Uganda e República Democrática do Congo e a oeste com a República Centro-Africana.
O Sudão do Sul, também chamado de Novo Sudão, possui quase todos os seus órgãos administrativos em Juba, a capital, que é também a maior cidade.
Apesar de ser rico em petróleo, o Sudão do Sul nasce como um dos países mais pobres do mundo. Altas taxas de mortalidade materna e infantil, a maioria das crianças não frequentam a escola e consequentemente um alto índice de analfabetismo que, entre as mulheres, chega aos 84%.
No Sudão do Sul estão 75% das reservas de petróleo do antigo Sudão, localizadas sobretudo na região de Abyei. Porém, é no norte que se encontram os oleodutos e os portos.
O governo de Cartum foi o primeiro a reconhecer a nova nação, num sinal de secessão tranquila para aquele que foi, até sexta-feira, o maior país da África - que agora passa a ser a Argélia.
Mas o reconhecimento não elimina os temores a respeito do futuro. Os líderes do sul e do norte ainda precisam chegar a acordo acerca de várias questões, a começar pela exata demarcação da fronteira e pela partilha dos dividendos petrolíferos.

domingo, julho 10, 2011

Curiosidades Geográficas

Se é uma pessoa curiosa e/ou se gosta de Geografia, aconselho-o(a) a ver esta apresentação que me chegou às mãos e que agora partilho aqui. Embora sendo anónima, sintetiza de forma eficaz e aliciante algumas curiosidades geográficas.
A Geografia é uma ciência que tem por objetivo o estudo da superfície terrestre e a distribuição espacial de fenómenos significativos na paisagem. Também estuda a relação recíproca entre o homem e o ambiente (Geografia Humana). Um dos temas centrais da geografia é a relação homem-natureza. A natureza é entendida aqui como o conjunto de forças que geram ou contribuem para moldar o espaço geográfico, isto é, a dinâmica e interações que existem entre a atmosfera, litosfera, hidrosfera e biosfera. O homem é entendido como um organismo capaz de modificar consideravelmente as forças da natureza através da tecnologia.
Não perca esta apresentação!

sábado, julho 09, 2011

Me Dê Motivo

Do último e emocionante show do cantor brasileiro, Tim Maia, veja o seu sucesso "Me dê Motivo".
Tim ou Tião Maia foi um cantor, compositor, guitarrista, baterista, multi-instrumentista, e um dos pioneiros na introdução do estilo soul na MPB . Foi, também, um dos maiores ícones da música no Brasil.
Sebastião Maia (popularmente conhecido como Tim Maia) nasceu no Rio de Janeiro, em 1942. Foi o penúltimo de 19 irmãos. Aos oito anos já compunha as suas primeiras músicas e aos 14 anos, formou o primeiro conjunto musical, Os Tijucanos do Ritmo. Aí tocava bateria. Em 1957 formou o conjunto Os Sputniks, que tinha também como integrantes Erasmo Carlos e Roberto Carlos. Em 1959, ainda antes de completar 17 anos e devido à morte do pai, foi para os EUA, onde fez cursos de inglês e iniciou a sua carreira de vocalista, num conjunto chamado The Ideals. Permaneceu nos EUA até 1963, quando foi preso por ser portador de maconha. Foi depois deportado para o Brasil.
O seu primeiro trabalho a solo foi editado em 1968. Este incluía as músicas "Meu País" e "Sentimento". A carreira no Brasil fortaleceu-se a partir de 1969, quando gravou um compacto simples com "These are the Songs" e "What You Want to Bet". Em 1970 gravou o primeiro LP, Tim Maia, que permaneceu em primeiro lugar no Rio de Janeiro por 24 semanas. Os principais sucessos desse disco foram Coronel Antônio Bento, Primavera e Azul da Cor do Mar. Nos três anos seguintes, lançou os discos Tim Maia volume II (onde se destacou Não quero dinheiro -Só quero amar), Tim Maia volume III e Tim Maia volume IV (com Gostava tanto de você e Réu confesso).
Em 1978 gravou um dos seus maiores sucessos, "Sossego".
Lançou em 1983 o LP Descobridor dos Sete Mares, com destaque para a música-título e "Me dê motivo" (de Sullivan e Massadas). Outro disco importante da década de 1980 foi Tim Maia (1986), que trazia a música "Do Leme ao Pontal".
Lançou em 1990: "Tim Maia interpreta clássicos da bossa nova". Em 1993, dois acontecimentos animaram de novo a sua carreira: a citação feita por Jorge Ben Jor na música W/Brasil e uma regravação que fez de "Como uma onda" (Lulu Santos e Nelson Mota) para um anúncio de televisão. Assim, aumentou muito a sua produtividade nessa década, gravando mais de um disco por ano. O seu repertório apresentava uma grande versatilidade pois passou a abranger bossa nova, canções românticas, funks e souls. Também viu muitas das suas músicas regravadas por artistas jovens como os Paralamas do Sucesso, Marisa Monte e Skank.
Em 1997 lançou mais três CDs, perfazendo 32 discos em 28 anos de carreira.
Na década de 90 diversos problemas assolaram a vida do cantor: quer problemas profissionais quer ainda de saúde. A sua saúde era precária, devido ao uso constante de drogas ilícitas e ao agravamento da obesidade.
Durante a gravação de um show para a TV sentiu-se mal, vindo a falecer em 15 de Março de 1998 em Niterói, após internamento hospitalar devido a uma infecção generalizada.

sexta-feira, julho 08, 2011

Erro de português




Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.
Oswaldo de Andrade

quinta-feira, julho 07, 2011

Rumo a Yakutsk

A estrada federal para Yakutsk na Sibéria (Rússia) é considerada uma das 10 estradas mais perigosas do mundo. O intenso frio, as geadas e as enormes tempestades fazem com que, literalmente, o inverno arrase com as estradas da Sibéria. A maior evidência deste fenómeno é a estrada federal para Yakutsk. Esta rodovia é a única hipótese de acesso à região e, se uma tempestade ou nevão ocorrem, centenas de veículos ficam presos no barro. Sair desta situação pode levar mais de uma semana e, às vezes, as autoridades de Yakutsk têm que pedir ajuda ao Governo central, para mobilizar o exército e enviar comida ao local, de maneira a evitarem uma tragédia.
Se não acredita, convém recordar que Yakutsk é a cidade mais fria do mundo. A temperatura média anual desta cidade é de -21ºc. Yakutsk localiza-se no Nordeste da Rússia e fica a mais de 6.000 Km de distância de Moscovo.
Por ser uma das regiões mais geladas da Sibéria, Yakutsk serviu como "prisão/asilo" para condenados politícos na época da Revolução Russa, em 1917. Em Yakutsk, temperaturas de -50ºC são "normais" tal como pode ver na apresentação e no vídeo que lhe proponho que veja, hoje.
Embora Yakutsk detenha o título de cidade mais fria da Terra, Oimyakon detém o recorde do lugar habitado, mais frio da Terra. Nesta pequena aldeia, as temperaturas já atingiram os - 71,2º C.


quarta-feira, julho 06, 2011

África quer banir mutilação genital feminina

Os chefes de diplomacia da União Africana estão, entre outros assuntos, a estudar a criação de uma frente comum para combater a mutilação genital de que são vítimas milhares de mulheres no continente africano.
A proibição da Mutilação Genital Feminina (MGF) fez parte da agenda dos trabalhos da 19ª sessão ordinária do Conselho Executivo (CE) da União Africana (UA), que se realizou recentemente, em Malabo, na Guiné Equatorial. O ponto relativo à MGF foi proposto pelo Burkina Faso para sensibilizar os Estados africanos a apoiar plenamente um projeto de Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas destinado a interditar a MGF no mundo inteiro, enquanto prática “prejudicial para a saúde das mulheres”.
O projeto de Resolução em causa resultou de uma campanha levada a cabo nomeadamente pelo Burkina Faso e pelo Egito, entre outros países, depois de evidências que apontavam para 91,5 milhões de vítimas deste fenómeno no mundo, essencialmente crianças abaixo dos nove anos idade.
Este dado foi ainda reforçado pela constatação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que, apesar dos esforços envidados há mais de duas décadas para a eliminação das MGF no mundo, “quase três milhões de raparigas ainda vivem o risco de sofrer mutilações genitais cada ano”.
Nesta sessão de Malabo, os chefes de diplomacia da UA vão, entre outros assuntos, estudar a criação de uma frente comum e harmonizada de forma a combater este fenómeno “prejudicial” para as mulheres, mas ainda considerado tabu nalgumas sociedades africanas e do mundo. No continente africano, as principais ações de combate contra este fenómeno são atribuídas ao Comité Interafricano sobre Práticas Tradicionais que Afetam a Saúde das Mulheres e Crianças (CIAC), presidido pelo Burkina Faso desde 2008 (um país onde, segundo estimativas oficiais, esses rituais ainda são praticados em cerca de 49,5 por cento das mulheres), e com comités nacionais presentes em 28 Estados do continente tidos como os mais afetados.
As suas iniciativas e as de outros intervenientes conduziram à adoção, em 2003, do Protocolo da Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos sobre os Direitos das Mulheres, conhecido como o Protocolo de Maputo.
Este instrumento consagra disposições para a proteção e a garantia dos direitos das mulheres, e obriga os Estados africanos a tomarem “medidas políticas e legislativas” para a eliminação das mutilações genitais femininas.
O Benin, a Costa do Marfim, o Djibuti, o Egito, a Eritreia, a Etiópia, o Gana, a Guiné, o Níger, a Nigéria, o Quénia, a República Centro-Africana, o Senegal, o Tchad, a Tanzânia, o Togo e o Uganda também já legislaram contra as MGF.
Em África, a maior incidência deste fenómeno foi identificada em nove países (Djibuti, Egito, Eritreia, Etiópia, Guiné, Mali, Serra Leoa, Somália e Sudão) onde mais de 85 porcento das mulheres são vítimas de mutilações genitais.
Nalguns países, a proporção varia “segundo a etnia, a categoria social e a geração”, e somente certas frações da população são atingidas, oscilando entre os 25 e os 85 porcento, enquanto noutros ela é inferior a 25 porcento.
Na primeira categoria situam-se nações como o Burkina Faso, a Costa do Marfim, o Egito, a Gâmbia, a Guiné-Bissau, a Libéria, o Quénia, o Senegal e o Tchad; e na segunda o Benin, os Camarões, o Gana, o Níger, a Nigéria, o Uganda, a República Centro-Africana, a RD Congo, a Tanzânia e o Togo.

terça-feira, julho 05, 2011

O Museu do Oriente

A propósito da proximidade das férias grandes e das garrafinhas de rapé, aqui vai uma sugestão de ocupação dos tempos livres: Uma visita ao Museu do Oriente, em Lisboa.
O Museu do Oriente é uma instituição tutelada pela Fundação Oriente, que tem por missão a valorização dos testemunhos quer da presença portuguesa na Ásia quer das diferentes culturas asiáticas. É um museu de âmbito territorial internacional e de carácter transdisciplinar, que procura cruzar vários pontos de vista que vão da História, à
Arte e à Antropologia. Busca também, proporcionar aos portugueses e aos que o visitam, uma memória viva e actuante das culturas asiáticas e da relação secular que foi estabelecida entre o Oriente e o Ocidente, sobretudo através de Portugal.Não perca a possibilidade de conhecer o diversificado património cultural de interesse histórico, artístico, documental, etnográfico e antropológico relacionado tanto com a cultura popular e as religiões orientais como com os mais variados aspectos da presença portuguesa na Ásia
(incluindo Timor-Leste) ao longo de cinco séculos.
Mas, visistar este museu é também, uma outra forma de conhecer melhor vultos da cultura e história do nosso país, como Camilo Pessanha (através da sua coleção de bronzes e pinturas) ou Manuel Teixeira Gomes (através da sua coleção de frascos de rapé, que é considerada a 2ª maior da Europa). O Museu do Oriente está organizado em torno de duas grandes exposições permanentes:
A PRESENÇA PORTUGUESA NA ÁSIA e os DEUSES DA ÁSIA.
Em simultâneo com as exposições permanentes, o Museu apresenta um programa de exposições temporárias vocacionado para a divulgação das artes da Ásia (BRINQUEDOS E JOGOS DA ÁSIA, OLHEM PARA NÓS, MASCOTES JAPONESES, MANUEL VICENTE, A PÁTRIA DE BALDEMOR e ACESSÓRIOS IMAGINÁRIOS).
Quando vier a Lisboa não perca a oportunidade de visitar este museu.

segunda-feira, julho 04, 2011

Garrafinhas de Rapé

No final da Dinastia Ming, o rapé chegou à China, tendo surgido assim, de forma gradual, as garrafinhas de rapé. A pintura dentro da garrafa de rapé surgiu durante o reinado do Imperador Jia Qing. A difusão e manufactura destes frascos foi, contudo, muito intensa na Dinastia Qing. Este tipo de actividade requer(ia) muita perícia porque implica(va) a pintura do interior destes frascos. Inserir uma caneta delgada especialmente concebida com uma curva na ponta, através do gargalo, requer(ia) contar com um talentoso artista. Este tem (tinha) de trabalhar no espaço apertado da cavidade da garrafa, de maneira a gravar os desenhos e as caligrafias na superfície interna da garrafa. Assim, a pintura interna das garrafas de rapé é uma forma de arte única. O resultado é um conjunto de miniaturas requintadas de paisagens, naturezas mortas, retratos e caligrafias que têm extasiado muitos colecionadores. O rapé é um tabaco em pó com a finalidade de ser inalado. Foi um hábito muito difundido na Europa e no Brasil. Neste país teve maior impacto na segunda metade do séc. XIX e primeira do século XX. As caixinhas para rapé eram confeccionadas nos mais variados materiais, marfim, prata, ouro e, às vezes, constituíam-se em verdadeiras jóias. Considerado por muitos utilizadores como um hábito elegante, foi muito combatido porque ao inalar-se o rapé, o espirro era imediato, espalhando-se assim, os mais variados vírus.
Vale a pena ver a apresentação que seleccionei para hoje que mostra algumas destas garrafinhas. Algumas delas são autênticas preciosidades e mostram a enorme perícia e paciência destes artistas orientais.

domingo, julho 03, 2011

Povoamento

No teu amor por mim há uma rua que começa
Nem árvores nem casas existiam
antes que tu tivesses palavras
e todo eu fosse um coração para elas
Invento-te e o céu azula-se sobre esta
triste condição de ter de receber
dos choupos onde cantam
os impossíveis pássaros
a nova primavera
Tocam sinos e levantam voo
todos os cuidados
Ó meu amor nem minha mãe
tinha assim um regaço
como este dia tem
E eu chego e sento-me ao lado
da primavera
Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"