sábado, junho 11, 2016

A Labradorite: uma pedra surpreendente

A Labradorite é  uma pedra semipreciosa fascinante devido ao seu jogo de cores e aos seus efeitos terapêuticos surpreendentes.
Terá sido descoberta pela primeira vez, há cerca de 200 anos encantando, desde então, apreciadores de jóias e de pedras de cura.
A Labradorite, é um mineral do grupo dos feldspatos, sendo frequentes os cristais maclados.
A sua característica mais facilmente reconhecível é a sua reflecção superficial com aspecto de uma mancha de óleo.
Este mineral ocorre na Ilha de Paul perto da localidade de Nain, no Labrador, Canadá, região que deu origem à sua designação. Mas, também aparece em Itália, na Gronelândia, na Finlândia, na Rússia, e na Península da Escandinávia.
Ocorre em grandes massas cristalinas exibindo iridescência ou jogo de cores.
As variedades gemológicas de Labradorite que exibem um alto grau de iridescência são designadas Espectrolites.

Os benefícios da Labradorite:
Como o cálcio é um dos principais componentes da labradorite, é indicada, no tratamento de transtornos ligados aos ossos (doenças dos ossos, doenças reumáticas, gota e elevada sensibilidade à mudança do tempo).
Mas também é benéfica, no tratamento de problemas circulatórios, no fortalecimento do sistema imunológico e no tratamento da tensão baixa.
Esta pedra semipreciosa é também eficaz na meditação, no fortalecimento da memória, ou seja, atua sobre o estado psíquico e emocional.
A labradorite é, aliás, a pedra dos médicos, dos terapeutas, das pessoas empáticas e de todas as pessoas que estão em contacto com o público (professores, taxistas, empregados de café, lojistas, entre outros…) porque ela permite que não sejam afectados pelo mal dos outros.

sexta-feira, junho 10, 2016

Aviso de porta de livraria

Não leiam delicados este livro,
sobretudo os heróis do palavrão doméstico,
as ninfas machas, as vestais do puro,
os que andam aos pulinhos num pé só,
com as duas castas mãos uma atrás e outra adiante,
enquanto com a terceira vão tapando a boca
dos que andam com dois pés sem medo das palavras.
E quem de amor não sabe fuja dele:
qualquer amor desde o da carne àquele
que só de si se move, não movido
de prémio vil, mas alto e quase eterno.
De amor e de poesia e de ter pátria
aqui se trata: que a ralé não passe
este limiar sagrado e não se atreva
a encher de ratos este espaço livre
onde se morre em dignidade humana
a dor de haver nascido em Portugal
sem mais remédio que trazê-lo n’alma.
Jorge de Sena - (25/1/1972) - Exorcismos, Poesia III

quinta-feira, junho 09, 2016

Angola – O Nascimento de Uma Nação

Angola - O Nascimento de Uma Nação, de Maria do Carmo Piçarra e Jorge António,  é uma trilogia que recomendo vivamente.
O terceiro volume da obra foi lançado recentemente, com a apresentação de Teresa Mateus e do realizador Jorge António, que também é um dos coordenadores da obra.
Depois dos dois primeiros volumes, O Cinema do Império e O Cinema da Libertação, respectivamente, O Cinema da Independência completa esta trilogia, que teve início em 2013.

O Cinema Da Independência
Sinopse:
O Volume III, aborda vários temas e entrevista protagonistas da história, historiadores e investigadores.Este livro contém ainda 40 cartazes (a cores) de filmes que fizeram a história de Angola desde a independência até aos dias de hoje.





O Cinema do Império
Sinopse:
Este é um contributo para olhar como o cinema fixou o nascimento de uma nação, Angola. Esse olhar, que não podia fechar-se às visões do colonialismo português, faz-se panorâmica integradora de múltiplos pontos de vista: o da propaganda do Estado Novo; o da ficção portuguesa feita em Angola; o dos filmes sobre o progresso económico; o da Diamang; e,finalmente, o dos filmes científicos e etnográficos.










O Cinema da Libertação
Sinopse:
Neste volume, fixa-se o olhar corte-de-navalha nascido da militância, da luta pela independência, e de afirmação da identidade angolana. 
O Cineclubismo, a militância e a vontade de cinema em textos que fazem história.

quarta-feira, junho 08, 2016

Trouble

Oiça o rei  Elvis Presley em Trouble / Guitar Man (Comeback Special '68).
Elvis Presley (1935 — 1977) foi um famoso músico e ator norte-americano, mundialmente denominado como o Rei do Rock e com a alcunha de  Elvis, The Pelvis, devido à forma extravagante e ousada como dançava e se mexia, adquirida na década de 50.
Elvis também foi um dos pioneiros do rock and roll.  Pelo virtuoso senso rítmico, força interpretativa e um timbre de voz que o destacava entre os cantores populares, tornou-se um dos maiores e melhores cantores populares do século XX.


If you're looking for trouble
You came to the right place
If you're looking for trouble
Just look right in my face
I was born standing up
And talking back
My daddy was a green-eyed mountain jack
Because I'm evil, my middle name is misery
Well I'm evil, so don't you mess around with me

I've never looked for trouble
But I've never ran
I don't take no orders
From no kind of man
I'm only made out
Of flesh, blood and bone
But if you're gonna start a rumble
Don't you try it on alone
Because I'm evil, my middle name is misery
Well I'm evil, so don't you mess around with me
I'm evil, evil, evil, as can be
I'm evil, evil, evil, as can be
So don't mess around don't mess around don't mess around with me
I'm evil, I'm evil, evil, evil
So don't mess around, don't mess around with me
I'm evil, I tell you I'm evil
So don't mess around with me
Yeah!

terça-feira, junho 07, 2016

O Jacarandá

1 – O Jacarandá
O jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosifolia, D. Don) é uma árvore ornamental da família Bignoniaceae, nativo da Argentina e Bolívia, que se encontra ameaçada no seu habitat natural.
Esta jóia da botânica, que também existe na Austrália e na Nova Zelândia, é uma árvore com belas flores em tom lilás, azul ou roxo.
É uma das poucas árvores a ter o mesmo nome comum em quase todos os idiomas do mundo. Além disso, tem dois nomes científicos porque em 1822 foi identificada por duas pessoas que lhe deram nomes científicos diferentes: jacaranda mimosifolia e jacaranda rotundifolia.
O Jacarandá é uma árvore de porte médio, que pode atingir cerca de 15 metros. No inverno, perde as folhas, que dão lugar às flores na primavera. As flores são duráveis, perfumadas e grandes. A floração estende-se por toda a primavera e início do verão e os frutos surgem no outono.
É uma árvore maravilhosa para a arborização urbana, devido à rusticidade, ao crescimento rápido e á beleza das suas flores.
Muitos países utilizam o jacarandá-mimoso na arborização de grandes cidades, entre estes podemos citar Portugal, a Argentina, o Brasil, a África do Sul, os Estados Unidos, a Austrália, a Nova Zelândia, a Itália, a Espanha e o México, entre outros.

segunda-feira, junho 06, 2016

Borboleta Brasileira

Patas de prata
losango de asas brancas
de negro debruadas
plumas cinzentas como cauda insólita


e a longa e a fina tromba alaranjada
instantânea língua
olhos de esfera negra que me fitam
da estática assustada imóvel calma
que as patas pousam na vidraça
um animal        ser vivo       e borboleta
a mosca como eu olha-a espantada.

Jorge de Sena - (5/3/1964)

domingo, junho 05, 2016

O abade de Priscos e o seu pudim...

O Abade de Priscos (1834 - 1930), que foi considerado um dos maiores cozinheiros portugueses do século XIX, colocou Priscos no mapa, devido à sua história de sucesso.
Priscos é uma freguesia portuguesa (Santiago de Priscos) do concelho de Braga, com 3,65 km² de área e 1 341 habitantes (2011) e é conhecida como a Terra do Pudim Abade de Priscos.
O abade de Priscos, que faleceu com 96 anos, e que serviu Priscos durante 47, ficou também conhecido pelos seus grandes dotes a engomar roupa, a costurar, a arranjar flores e a bordar a ouro e matiz.
O que lhe deu fama, contudo, foram os seus dotes na cozinha. O seu estilo e a sua técnica radicavam-se na escola francesa, mas também, o receituário regional português, sobretudo o nortenho, tinha nele um fervoroso adepto.
O expoente máximo da sua atividade gastronómica é o famoso pudim com o seu nome e que hoje continua a fazer parte dos cardápios dos restaurantes e de qualquer casa do Minho.
O abade era também conhecido pela maleta mágica (na qual se julgava estar o seu livro de receitas) que o acompanhava, e que, além de ter uma panóplia de temperos únicos, também resolvia qualquer imprevisto que surgisse a um dos seus colaboradores na cozinha. O tal livro de receitas ou nunca existiu ou nunca foi encontrado. Segundo alguns relatos das pessoas que com ele conviveram, ele nunca o escreveu, pois, segundo o próprio, as receitas estavam nos seus dedos e paladar.
O pudim abade de Priscos (ou Pudim de Toucinho) é uma das poucas receitas que o abade de Priscos transmitiu ao público. O pudim ficou conhecido quando Pereira Júnior, director do Magistério Primário feminino de Braga, no antigo Convento dos Congregados, pediu ao Abade de Priscos receitas para ensinar no magistério.
Outra história muito conhecida do abade de Priscos (Manuel Joaquim Machado Rebelo) aconteceu em 1887, quando o rei D. Luís I e a família real visitavam o Norte de Portugal e, o abade foi convidado para preparar o banquete real, na Póvoa de Varzim. O rei, ficou de tal maneira agradado com o banquete, que mandou chamar o abade, para o conhecer pessoalmente. D. Luís quis saber qual a composição de um determinado prato que tinha um sabor delicioso. O abade sorridente afirmou – era palha, real Senhor!
Palha!? Disse o monarca espantado. – Então dá palha ao seu rei!?
O abade baixando a cabeça e com um sorriso malandro, esclareceu: Majestade! Todos comem palha, a questão é saber dar-lha…
Entretanto, aqui lhe deixo a receitinha do Pudim Abade de Priscos ou Pudim de Toucinho. embora não lhe possa deixar os dedos e o paladar do padre Manuel Rebelo.
Receita:
O pudim é confeccionado num tacho de latão ou cobre onde é colocado meio litro de água. Quando esta estiver a ferver, coloca-se meio quilo de açúcar, uma casca de limão, um pau de canela e cinquenta gramas de toucinho (gordo e de preferência de Chaves ou de Melgaço) e deixa-se ferver até atingir ponto de espadana. Batem-se quinze gemas e mistura-se-lhes um cálice de vinho do Porto, depois deve bater novamente. A calda de açúcar é, então, passada através de um coador fino para a tigela onde estão as gemas, mexendo-se tudo.
Barra-se, depois, uma forma com açúcar em caramelo e deita-se aí o preparado que é posto a cozer durante 30 minutos em banho maria. O pudim é desenformado quando estiver quase frio.
Já agora, Bom Apetite!

sábado, junho 04, 2016

Vespertino do Rio de Janeiro

Na noite as luzes furam treva, não
para além dela, mas de mim com ela;
não sei se arranha-céus, ou se favelas
que lado a lado arranham morros para
sustento de miséria. Imenso mar,
de altíssimas sombrias transparências,
na noite em que perpasso qual silêncio.
Não sei se amor me evita ou me protege,
ou se é de amor que eu velo o brando sono
ruidoso e povoado.
Meu coração é só de amor que sabe;
mas o que sabe, de saudoso esquece,
na angústia dúplice de não ter-te ao lado.

Jorge de Sena - (22/8/1959)

sexta-feira, junho 03, 2016

Volta

Oiça a cantora brasileira Fafá de Belém em Volta (Clip Oficial).
Esta canção é uma composição de Johnny Hooker e é uma faixa do CD Do Tamanho do Meu Sorriso (2015).
Volta
Que o caminho dessa dor me atravessa
Que a vida não mais me interessa
Se você vai viver com um outro rapaz

Volta
Que eu perdoo teus caminhos, teus vícios
Que eu volto até o início
Te carregando mais uma vez de volta do bar

Volta
Que sem você eu já não posso viver
É impossível ter de escolher
Entre teu cheiro e nada mais

Volta
Me diz que o nosso amor não é uma mentira
E que você ainda precisa
Mais uma vez se desculpar

Então procurei
Nos bares da aurora me lamentei
E confesso que talvez joguei
Tuas fotos e discos no mar

Então procurei
Pelo teu cheiro nas ruas que andei
Nos corpos dos homens que amei
Tentando em vão te encontrar

Então procurei
Nos bares da aurora me lamentei
E confesso que talvez joguei
Tuas fotos e discos no mar

Então procurei
Pelo teu cheiro nas ruas que andei
Nos corpos dos homens que amei
Tentando em vão te encontrar

Volta
Que o caminho dessa dor me atravessa
Que a vida não mais me interessa
Se você vai viver com um outro rapaz

Volta
Que eu perdoo teus caminhos, teus vícios
Que eu volto até o início
Te carregando mais uma vez de volta do bar

quinta-feira, junho 02, 2016

A Figueira de Bengala

A Figueira de Bengala (Ficus benghalensis) é uma espécie de figueira endémica do Bangladesh, Índia e Sri Lanka.
Em sânscrito o seu nome é Vatavrkscha ou WataWrkscha. Foi debaixo de uma árvore destas que Buda obteve a iluminação.
É uma árvore enorme, conhecida como a Árvore de Gralha, pertencente à família das Moráceas, que dá uma sombra maravilhosa. 
A árvore Banyan (Ficus benghalensis) é a árvore nacional da Índia. No país, as pessoas adoram-na, vagando entre as suas poderosas raízes aéreas.
Esta árvore produz raízes aéreas delgadas que crescem até atingir o solo, começando depois a engrossar até formarem troncos indistinguíveis do tronco principal. Deste modo, podem crescer até ocuparem vários hectares, chegando, por vezes, a atingir uma área de um quarteirão inteiro, como, por exemplo, a Grande Árvore Banyan, que por si só é como uma floresta (sim, a foto acima á direita, é de uma única árvore).
Foi construída uma estrada de 330 metros de comprimento em torno dela, mas mesmo assim, continua a espalhar-se para além dela.

quarta-feira, junho 01, 2016

Miguel de Cervantes (1547 – 1616) foi um romancista, dramaturgo e poeta castelhano. A sua obra-prima, Dom Quixote, é muitas vezes considerada o primeiro romance moderno. É um clássico da literatura ocidental e é regularmente considerada um dos melhores romances já escritos.
O trabalho de Cervantes é considerado entre os mais importantes em toda a literatura, e a sua influência sobre a língua castelhana tem sido tão grande que o castelhano é frequentemente chamado de La lengua de Cervantes (A língua de Cervantes).
Dom Quixote de la Mancha livro escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes y Saavedra, cujo título e ortografia originais da obra eram El ingenioso hidalgo Don Quixote de La Mancha.
A primeira edição da obra foi publicada em Madrid no ano de 1605. Era composto por 126 capítulos, divididos em duas partes: a primeira surgida em 1605 e a outra em 1615. A coroa espanhola patrocinou uma edição revista, em quatro volumes, a cargo de Joaquín Ibarra, que foi niciada em 1777 e concluída em 1780.
O livro, D. Quixote, surgiu num período de grande inovação e diversidade por parte dos escritores ficcionistas espanhóis. Parodiou os romances de cavalaria que gozaram de imensa popularidade e, na altura, já se encontravam em declínio. Nesta obra, a paródia apresenta uma forma invulgar. O protagonista, já de certa idade, entrega-se à leitura desses romances, perde o juízo, acredita que tenham sido historicamente verdadeiros e decide tornar-se um cavaleiro andante. Por isso, parte pelo mundo e vive o seu próprio romance de cavalaria. Enquanto narra os feitos do Cavaleiro da Triste Figura, Cervantes satiriza os preceitos que regiam as histórias fantasiosas daqueles heróis. A história é apresentada sob a forma de uma novela realista.
Em 2002, o livro (que faz parte do Plano Nacional de Leitura e é recomendado para o ensino secundário como sugestão de leitura), foi escolhido como a melhor obra de ficção de todos os tempos. A votação foi organizada pelos Clubes do Livro Noruegueses e participaram escritores de reconhecimento internacional.
Sinopse:
 D. Quixote, um fidalgo de Castela assanhado pela leitura de romances de cavalaria, decide que é seu "ofício e exercício andar pelo mundo endireitando tortos, e desfazendo agravos" e parte à aventura na companhia de seu fiel e prosaico escudeiro, Sancho Pança. As hilariantes maluquices do Cavaleiro Andante liquidam, com a sua "moral do fracasso", as últimas ilusões da epopeia: aquilo a que Adorno chama "a ingenuidade épica". 
Depois de D. Quixote , nada mais será igual.

terça-feira, maio 31, 2016

O Hipericão (do Gerês)

Em Portugal a espécie mais conhecida e utilizada de Hipericão é o Hipericão-do-Gerês (Hypericum androsaemum), também conhecido por Androsemo, Erva-Mijadeira, Erva-da-Pedra ou Erva-do-Gerês.
O habitat desta espécie é a Europa Ocidental e Meridional e o próximo Oriente (até ao Irão).
Em Portugal, encontra-se em lugares sombrios e húmidos, do Minho, Beiras e Estremadura.
É uma planta medicinal hépato-protetora e com propriedades diuréticas e cicratizantes, sendo por isso muito utilizada no tratamento de doenças do fígado, de cólicas ou de queimaduras.
No Brasil, o Hipericão é, também, uma plana medicinal, conhecida como Erva-de-São-João, Milfurada, Ibitipoca ou Hipérico-Verdadeiro, cujo nome científico é Hypericum perforatum.
É também muito utilizada como remédio caseiro para combater a depressão, eliminar as lombrigas ou aliviar problemas respiratórios, por exemplo.
Para que serve o chá de hipericão?
O chá de hipericão serve para tratar casos de ansiedade e depressão, funcionando como um tranquilizante natural.
Trata também inflamações da bexiga (cistites), dores nos rins e alguns problemas de fígado. É ainda usado para quem sofre de dores musculares e ciática.
Usado com regularidade, dá excelentes resultados em caos de impotência e frigidez e resolve também problemas de incontinência urinária. Nas senhoras, este chá alivia ainda as dores menstruais e enxaquecas.
Como fazer o Chá de Hipericão?
O ideal será fazer o chá, com 2 colheres de sopa de hipericão para 1 litro de água a ferver. Coar e beber 3 a 4 chávenas por dia, quente ou frio.

segunda-feira, maio 30, 2016

Semente do Amor


Oiça o grupo brasileiro A Cor Do Som em Semente do Amor .
Este show foi realizado no Circo Voador (Rio de Janeiro) em 2014. A banda era constituída por: Armandinho (guitarra baiana), Mu (teclados), Dadi (baixo), Gustavo (bateria) e Ary Dias (percussão) e contou com a participação especial de Moraes Moreira (voz e violão).
A Cor do Som é um grupo brasileiro que se criou a partir do séquito de músicos que acompanhavam Moraes Moreira após a sua saída dos Novos Baianos. Originalmente este era o nome da banda instrumental que acompanhava os Novos Baianos, título sugerido por Caetano Veloso.
Sim, é como a flor

De água e ar luz e calor, o amor precisa para viver

De emoção, e de alegria, e tem que regar todo dia

No jardim da fé,

Eu já plantei um pé de esperança

No tempo do tempo,

Dia, chuva, vento e pensamento

Num jardim da vida

Já cresceu e é a consciência

Fruto da vivência é
É a consciência é
Sim, é como a flor...
E agora a mesma música, com o mesmo grupo, mas, com outra constituição. Já agora o som está melhor, porque não há tanto ruído de fundo.

domingo, maio 29, 2016

O Toucinho do Céu

O Toucinho do Céu é uma receita clássica da doçaria conventual portuguesa.
O Toucinho do Céu é uma espécie de bolo feito com açúcar em ponto (pérola) ao qual se adicionam amêndoas raladas, por vezes doce de gila (ou chila) e, finalmente, uma grande número de gemas de ovos.
Pensa-se que o nome Toucinho do Céu, se deve ao facto de a receita, na sua versão original, conter banha de porco como ingrediente.
Este doce conventual faz-se em todo o país, mas existem diferenças de região para região, sendo os toucinhos do céu mais famosos os de Guimarães e Murça (Trás-os-Montes).

O Toucinho do Céu de Guimarães está associado ao Convento de Santa Clara. Embora não se tenha encontrado, neste mosteiro, qualquer registo escrito da receita, ela surge escrita no século XIX, em cadernos de receitas supostamente herdados do convento, já depois da extinção das ordens religiosas (1834).
 Estas receitas contêm doce de chila (ou gila), gemas de ovos e nalguns casos farinha. A massa daí resultante vai a cozer, em forma redonda, em forno brando. Há receitas que incluem também pedacinhos de cidrão cristalizado.
Depois do doce pronto, é polvilhado com bastante açúcar pilé. O bolo é então colocado numa caixa de cartão, devidamente enfeitada com papel recortado e com pequenas flores, feitas também em papel recortado e colocadas sobre o bolo.


Em Murça, no Convento de S. Bento, foi encontrada a receita que ainda hoje  é utilizada na sua confecção. Acredita-se que terá sido em Murça que nasceu a receita original deste doce, uma herança das freiras beneditinas que durante séculos ali estiveram instaladas - até finais do século XIX.

Aqui o açúcar tem de atingir o ponto de espadana. Junta-se-lhe depois, a amêndoa ralada e o doce de chila. Em seguida, a canela e as gemas de ovos.
 A outra grande diferença é que vai a cozer num tabuleiro retangular. Depois de pronto, polvilha-se com açúcar pilé, e pode cortar-se em fatias regulares que se colocam em caixas forradas com papel de seda recortado.


Em Amarante, Convento de S. Gonçalo de Amarante, há um outro toucinho do céu (receita idêntica foi também encontrada no Mosteiro do Vairão em Vila do Conde).
Neste caso coloca-se o açúcar em ponto de espadana, junta-se a amêndoa, o sumo de limão, as gemas de ovo, e algumas claras. Vai a cozer em forma redonda e enfeita-se a gosto. 


Já no Alentejo, em Portalegre, há uma receita do Convento de S. Bernardo, que inclui o açúcar (em ponto de espadana), as amêndoas torradas e raladas, as gemas, algumas claras e alguma farinha. Não tem doce de chila. Também aí mas no Convento de Santa Clara, uma outra receita que inclui, manteiga de vaca. A massa fica mais cremosa.

Em Elvas, Convento de S. Domingos, o toucinho do céu surge com a denominação de Toucinho Rançoso.
 O açúcar tem de atingir o ponto de pasta, e inclui doce de chila em maior quantidade do que a de amêndoa.
Ainda em Elvas, no  Convento de Santa Clara, há um toucinho do céu menos conhecido, também apelidado de Soror Mariana. Neste, em vez de amêndoas, são utilizadas nozes.


Em Évora, a sua origem está associada  ao Convento das Mónicas. Aqui as gemas são passadas por um passador e o açúcar tem de atingir o ponto de pérola. Leva amêndoas torradas e raladas, e gemas.

Chegados ao Algarve, destaca-se o toucinho do céu de Lagos, do Convento de Nossa Senhora do Carmo (da Conceição).  Esta receita, um pouco em desuso, utiliza amêndoas, pinhões e avelãs.

Como viu são muitas, as variedades e as formas de toucinho do céu, que poderão ser encontradas no nosso país. Mas, se o quiser experimentar, aqui lhe deixo uma receita completa de uma das variantes deste doce conventual cheio de história.

Ingredientes:
300 g de amêndoas raladas e sem pele
500 g de açúcar
200 ml de água
18 gemas
2 ovos inteiros
1 pitada de sal
1 colher de café de canela em pó
Açúcar de confeiteiro e canela em pó para polvilhar q.b.
Manteiga para untar e farinha de trigo para polvilhar a forma

Preparação:
Ponha o açúcar e a água num tacho. Leve ao lume até formar uma calda em ponto de pérola. Retire e misture, na calda, as amêndoas raladas, juntamente com a pitada de sal.
Deixe arrefecer o preparado e, misture a canela e as gemas e os ovos passados por uma peneira.
A calda deve estar suficientemente fria, para que as gemas não cozinhem ao entrar em contato com ela.
Leve novamente o tacho ao lume. Vá mexendo sempre o preparado, até obter um creme grosso que caia lentamente da colher.
Retire do fogo e coloque o toucinho do céu numa forma de aproximadamente 25 cm (de fundo amovível), que deve estar bem untada com manteiga e enfarinhada.
Leve ao forno (que deve estar pré-aquecido) brando (entre os 150° - 180º C.) durante 35 minutos.
Desenforme depois de frio.  Polvilhe com a canela e o açúcar de confeiteiro.
E agora, bom apetite, porque é de comer e chorar por mais!

sábado, maio 28, 2016

Para lá de Bagdad

Para lá de Bagdad, é o novo romance histórico do escritor português Alberto S. Santos.
Este é o quarto romance de Alberto S. Santos, advogado natural de Paço de Sousa, Penafiel, que exerceu o cargo de presidente da Câmara de Penafiel durante 12 anos.
Alberto S. Santos,  apaixonado pelos livros e pela investigação histórica, comissário do prestigiado evento literário Escritaria, foi também autor de outros sucessos como: "A Escrava de Córdova" (2008), "A Profecia de Istambul" (2010) e "O Segredo de Compostela" (2013).
Sinopse:
O livro retrata o dia 21 de junho de 921, Ahmad ibn Fadlan, emissário do califa, que parte de Bagdad para uma arriscada missão na Bulgária do Volga, na Rússia atual. Para trás, deixa os mestres e companheiros da Casa da Sabedoria, que ergueram a época dourada do Islão. Os perigos que encontra ao longo do caminho levam Ahmad a alterar o rumo da viagem e a dirigir-se para as terras nórdicas do sol da meia-noite. 
Ao longo da jornada, vive um amor proibido com Zobaida, a bela escrava do tio, que o faz repensar toda a sua existência. Por entre climas adversos, costumes bárbaros de povos não civilizados e inesperados jogos de poder, o emissário do califa descobre um desconcertante mundo novo. Ao mesmo tempo, em Bagdad, assiste-se ao início de uma nova era: os sábios são perseguidos e os livros queimados na praça. 
Um romance envolvente sobre um dos momentos mais intrigantes da História da Idade Média, que dá a conhecer os alicerces de uma civilização ainda hoje tão deslumbrante quanto desconhecida.

sexta-feira, maio 27, 2016

Canção para "Paulo" (A Stuart Angel)

Vala comum de vítimas do 27 de Maio de 1977 em Angola
Eles costuraram tua boca
com o silêncio
e trespassaram teu corpo
com uma corrente.
Eles te arrastaram em um carro
e te encheram de gases,
eles cobriram teus gritos
com chacotas.

Um vento gelado soprava lá fora
e os gemidos tinham a cadência
dos passos dos sentinelas no pátio.
Nele, os sentimentos não tinham eco
nele, as baionetas eram de aço
nele, os sentimentos e as baionetas
se calaram.

Um sentido totalmente diferente de existir
se descobre ali,
naquela sala.
Um sentido totalmente diferente de morrer
se morre ali,
naquela vala.

Eles queimaram nossa carne com os fios
e ligaram nosso destino à mesma eletricidade.
Igualmente vimos nossos rostos invertidos
e eu testemunhei quando levaram teu corpo
envolto em um tapete.

Então houve o percurso sem volta
houve a chuva que não molhou
a noite que não era escura
o tempo que não era tempo
o amor que não era mais amor
a coisa que não era mais coisa nenhuma.

Entregue a perplexidades como estas,
meus cabelos foram se embranquecendo
e os dias foram se passando.

Alex Polari - Inventário de Cicatrizes

quinta-feira, maio 26, 2016

Ylang Ylang ou a Flor do Desejo

O ilangue-ilangue é uma árvore perene, de porte médio, pertencente à ordem das Malpighiales e à família das Anonaceas, que pode atingir até 20 metros de altura.
Originária do continente asiático, tornou-se conhecida desde tempos remotos, devido ao seu aroma, pelas populações da Malásia, Indonésia, Comores, Madagáscar e, posteriormente, pelas populações do continente europeu.
O nome ilangue-ilangue provém do inglês Ylang Ylang, que por sua vez deriva do idioma malaio e significa a "Flor das Flores".
Esta planta é utilizada na composição aromática de vários perfumes. O seu óleo essencial é exótico e aromático e pode ajudar a acalmar o corpo e a mente. Já foi usado em Madagáscar e outras regiões tropicais para atrair parceiros.
Atualmente, as pessoas aproveitam as suas propriedades medicinais para tratar problemas de saúde.
No Brasil, ganhou popularidade na década de 1920, sendo importada com o nome de Kananga do Japão, por causa das propriedades afrodisíacas e suavizadoras da derme.
Em 1989, deu nome a uma telenovela da Rede Manchete, chamada Kananga do Japão.

quarta-feira, maio 25, 2016

Combater Duas Vezes, Mulheres na Luta Armada em Angola


"Combater Duas Vezes, Mulheres na Luta Armada em Angola" é um livro da  investigadora Margarida Paredes.
Margarida Paredes (1953), investigadora social portuguesa, foi guerrilheira do MPLA na luta pela independência de Angola.
Em 1974 abandonou o curso universitário na Bélgica para lutar pela independência de Angola, ao lado do MPLA, movimento ao qual aderiu em  1973.
Foi uma das primeira militantes a entrar em Luanda após o 25 de Abril de 1974.
Depois da independência de Angola trabalhou na área da cultura daquele país, tendo regressado a Portugal em 1981.


Sinopse:
A história contemporânea de Angola é inseparável das guerras e conflitos que duraram entre 1961 e 2002, incluindo as Lutas de Libertação nacional e a Guerra Civil após a independência. Um dos aspetos mais marcantes destas guerras foi a participação das mulheres como combatentes.

terça-feira, maio 24, 2016

A Canção da Saudade

A Canção da Saudade (1964) - é um musical português com realização de  Henrique Campos e José Luís Monter. O argumento é de Henrique Campos e Cecília Delgado. Este filme conta com as interpretações de Florbela Queiroz, Américo Coimbra, Ismael Melro, Vítor Gomes, Tony de Matos e Madalena Iglésias.
Sinopse:
Numa família modesta, o pai, Leonel, é um pianista nostálgico das melodias do passado, enquanto o filho, Tony, chefia Os Gatos Pretos, um conjunto de "twist". A filha, Cilinha - que namora Raul, um rapaz de situação desafogada - é uma jovem muito atinada. Raul acaba por proporcionar a Leonel, a Tony e a Os Gatos Pretos, uma oportunidade para demonstrarem os seus dotes musicais, criando o "dancing" da reconciliação: Lisboa Antiga e Moderna...

segunda-feira, maio 23, 2016

Canção da Saudade


Se eu fosse cego amava toda a gente.

Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gemea que nasceu sem vida, e amo-a a fantazia-la viva na minha edade.

Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde móras, dize se vives ou se já nasceste.

Eu amo aquella mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longissimos.

Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.

Eu amo aquellas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.

Eu amo os cemiterios - as lágens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos florídos virgens núas, mulheres bellas rindo-se para mim.

Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a lua do lado que eu nunca vi.

Se eu fosse cego amava toda a gente.
Almada Negreiros - "Frisos - Revista Orpheu nº1"