segunda-feira, setembro 27, 2010

A Arte do Bonsai

O Bonsai é uma obra de arte produzida pelo homem através de cuidados especializados. O termo Bonsai, significa (em Japonês) "árvore em bandeja".
Apesar da forte associação entre o cultivo de bonsai e a cultura japonesa, na verdade foram os chineses os primeiros a cultivar árvores e arbustos em vasos de cerâmica. Há provas de que, já em 200 d.C., os chineses cultivavam plantas envasadas como prática habitual da sua actividade de jardinagem.
A planta deve ser uma réplica artística de uma árvore natural, em miniatura.
Existem inúmeras espécies de bonsai, algumas passam pela flor para chegar ao fruto, enquanto outras apenas florescem em grande esplendor.
Os bonsai apresentam-se nos mais variados tamanhos e estilos, estando divididos em quatro principais modelos: tronco único e erecto; tronco projectado para baixo; tronco composto e raízes.

domingo, setembro 26, 2010

É o nosso fim!

Um filme (Somos Todos Um) que precisamos ver... e tornar a ver... tantas e quantas vezes forem necessárias, até termos consciência de que tudo está interligado. Afinal... somos todos uma família!!!
Não é um filme religioso... não é um filme científico... não é um filme espiritual ou de auto-ajuda.
Ele, simplesmente... É o nosso fim! Ou melhor fala do fim do futuro!
Não percebeu nada? Então veja o vídeo. Já vai entender tudo!


sábado, setembro 25, 2010

Desconhecido nesta morada

"Desconhecido nesta morada" é um livro de Kathrine Kressmann Taylor.
"Desconhecido nesta morada" é uma espécie de manifesto contra o nazismo, publicado inicialmente nos anos 30 e agora reeditado sob a forma de narrativa epistolar. As cartas, trocadas entre Munique, Alemanha, e São Francisco (Estados Unidos), em 1932, mostram, de forma muitas vezes cruel, como foi nascendo uma "outra Alemanha". A Alemanha do nacional-socialismo, das perseguições, da xenofobia, dos campos de concentração, da censura, das SS, etc.
Martin Shulse e Max Eisenstein possuem uma galeria de arte. O último é judeu.
Será que a sua amizade pode sobreviver à ideologia?

sexta-feira, setembro 24, 2010

Presto

Assista à genial curta metragem de animação, da Pixar/Walt Disney Productions, “Presto”.


Conta a história de um mágico e de um coelho. O mágico quer fazer o seu número e agradar à platéia. Mas, o coelho tem fome! Só pensa numa cenoura deliciosa que faz parte do número do mágico.
É uma história absolutamente hilariante e imperdível! Ficou curioso?
Então veja-a já, aqui.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Obesidade Mental

Sugiro-lhe que leia o texto (que abaixo transcrevo) de João César das Neves (datado de Fevereiro de 2010) a propósito do livro Obesidade Mental. É importante reflectirmos sobre a força dos media... É importante sermos críticos, é importante questionarmos, é importante sabermos como reagir.
A Educação para os Media deveria ser um assunto de debate e reflexão nas escolas!

De acordo com João César das Neves "o prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna. «Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.» Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.» O problema central está na família e na escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate.Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.» Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma: «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.» O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.» Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras. «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental."

quarta-feira, setembro 22, 2010

Sei de um rio

Camané (1967) é um fadista português considerado como uma das mais representativas vozes da nova geração do fado.
Com apenas 12 anos ganhou a Grande Noite do Fado. O facto de à época não haver competição em separado para os mais novos, possibilitou-lhe a gravação de um álbum produzido por António Chainho.
Durante alguns anos fez uma interrupção na sua actividade artística. Retomou-a, depois, tendo participado em produções de Filipe La Féria - "Grande Noite"; "Maldita Cocaína" e "Cabaret".
Em 1995, Camané grava o disco "Uma Noite de Fados" com a colaboração de José Mário Branco e, em 1998, edita o álbum "Na Linha da Vida". "Esta Coisa da Alma" é o disco de 2000 e em 2001, lança "Pelo Dia Dentro". Grava, ainda ao vivo, o disco "Como sempre… Como dantes".
A partir de 2004 envolve-se no projecto "Humanos" ao lado de Manuela Azevedo e David Fonseca. Desta parceria resultaram dois álbuns (Humanos e Humanos ao Vivo) e um DVD em Junho de 2005, onde Camané revelou uma grande versatilidade de interpretação. Em 2006, é lançado o DVD "Ao vivo no São Luíz".
O álbum "Sempre de Mim", editado em 2008, marca o regresso aos discos de estúdio. Ainda Camané ao vivo no Coliseu (CD + DVD), em 2009.
Fez também parcerias musicais com os Xutos & Pontapés e com Sérgio Godinho.
Ouça-o agora em Sei de um rio.

terça-feira, setembro 21, 2010

A Expo 2010

A Expo 2010, está a decorrer em Xanghai na China. Localiza-se naquela cidade ao longo de ambas as margens do rio Huangpo e está a acontecer desde o dia 1 de Maio até ao encerramento previsto para 31 de outubro de 2010.
É uma exposição mundial, na tradição das feiras e exposições internacionais com o tema "Cidade Melhor, Vida Melhor". Este tema tem a ver com o novo "status" de Xangai no século XXI, pois já é considerada a "próxima grande cidade global".
O logotipo da exposição retrata o caractere chinês 世 que significa "mundo".
É a Expo mais cara da história. A Exposição Mundial de Xangai ocupa, também, o maior espaço já construído para o efeito (com 5,28 quilómetros quadrados).
Participam neste evento mais de 50 organizações internacionais e mais de 190 países. Estes são números nunca antes vistos.
A China espera receber até ao final da exposição mais de 100 líderes estrangeiros e 70 milhões de pessoas vindas de todo o mundo, para a visitar. É de salientar que estes números também nunca foram atingidos em acontecimentos semelhantes.
Se não pode ir até lá, aprecie a apresentação que escolhi para hoje. Mostra-lhe os diferentes pavilhões, a localização da exposição e outros aspectos curiosos.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Soneto XXIII

Como no palco o actor que é imperfeito
Faz mal o seu papel só por temor,
Ou quem, por ter repleto de ódio o peito
Vê o coração quebrar-se num tremor,
Em mim, por timidez, fica omitido
O rito mais solene da paixão;
E o meu amor eu vejo enfraquecido,
Vergado pela própria dimensão.
Seja meu livro então minha eloquência,
Arauto mudo do que diz meu peito,
Que implora amor e busca recompensa
Mais que a língua que mais o tenha feito.
Saiba ler o que escreve o amor calado:
Ouvir com os olhos é do amor o fado.
William Shakespeare (Tradução: Barbara Heliodora)

domingo, setembro 19, 2010

Georgia on my Mind

Ray Charles (1930 — 2004) foi um pianista e cantor de música soul. Ajudou a definir este estilo musical ainda no fim dos anos 50, além de ter sido um inovador intérprete de R&B.
É considerado um dos maiores génios da música negra americana e foi também um dos responsáveis pela introdução de ritmo "gospel" nas músicas de R&B.
Órfão na adolescência e cego desde os sete anos, Ray Charles iniciou a sua carreira tocando piano e cantando em grupos de "gospel", no final dos anos 40. A princípio foi influenciado por Nat King Cole, no entanto em 1952, enveredou pelo R & B. Após 1955 e devido ao sucesso de Elvis Presley, Ray Charles aproveitou e lançou sucessos como "I Got a Woman" (gravada depois por Elvis), "Talkin about You", "What I'd Say", "Litle girl of Mine", "Hit the Road Jack", entre outros, tornando-o um astro reverenciado do pop negro.
A partir de então, embora sempre ligado ao soul, não se ateve a nenhum género musical negro específico: conviveu com o jazz, gravou baladas românticas, etc. Entre os seus sucessos desta fase, estão canções como "Unchain My Heart", "Ruby", "Cry Me a River", "Georgia on My Mind" e baladas country tais como "Sweet Memories", e o seu maior sucesso comercial, "I Can't Stop Loving You", de 1962.
Apesar dos problemas com drogas que lhe prejudicaram a carreira, as interpretações de Ray Charles sempre foram apreciadas, não importando as músicas que cantasse. Uma "aura" de genialidade reconhecida acompanhou-o até o fim da vida. Mais do que nos álbuns que gravou, era nas apresentações ao vivo que o seu talento único podia ser apreciado. Ouça-o agora em "Georgia on my Mind" e verifique isso mesmo.

sábado, setembro 18, 2010

Porto Alegre

Hoje proponho-vos que apreciem dois vídeos sobre a cidade brasileira de Porto Alegre.
O primeiro, é um vídeo em inglês, que de uma maneira extraordinária consegue captar a eclética personalidade de Porto Alegre.
O segundo, é um vídeo em português, feito em homenagem a esta cidade do sul do Brasil.
Porto Alegre é um município brasileiro e a capital do estado do Rio Grande do Sul.
Com uma área de 476,3 km², possui uma geografia diversificada, com morros, regiões planas e um grande lago, o Guaíba, distando 2.027 quilômetros de Brasília, a capital nacional.
A cidade constituiu-se a partir da chegada de casais portugueses açorianos, na primeira metade do século XVIII. No século XIX contou com o afluxo de muitos imigrantes alemães e italianos, recebendo também contingentes menores de espanhóis, africanos, polacos e libaneses. Desenvoleu-se com rapidez, e hoje abriga mais de 1,4 milhões de habitantes. A cidade enfrenta muitos desafios, comuns a outras grandes metrópoles, entre eles a grande quantidade de população que ainda vive em condições de pobreza extrema. Apesar de tudo é uma cidade que ostenta mais de 80 prémios e títulos que a distinguem como uma das melhores capitais brasileiras para morar, trabalhar, fazer negócios, estudar ou para o entretenimento. A ONU considerou, recentemente, Porto Alegre como a Metrópole nº1 em qualidade de vida do Brasil. Em 2009, foi a capital brasileira que apresentou a menor taxa de desemprego tendo figurado na lista da PricewaterhouseCoopers entre as cem cidades mais ricas do mundo.


Agora aprecie também o segundo vídeo, daquela que é considerada a cidade Capital dos Gaúchos.
Já agora, sabia que é em Porto Alegre que se realiza o Fórum Social Mundial?

sexta-feira, setembro 17, 2010

Metodologia ou Tecnologia?

Metodologia ou Tecnologia? Eis a questão!
Mais outro excelente vídeo destinado à reflexão de pais, alunos, professores e educadores, no geral.
Será que só por si as novas tecnologias são ferramentas mágicas na melhoria da educação e do processo de ensino aprendizagem?
Vale a pena ver! Vale a pena reflectir!

quinta-feira, setembro 16, 2010

Berlim Alexanderplatz

Berlim Alexanderplatz, é considerado uma das obras-primas da moderna literatura europeia, e um romance de Alfred Döblin publicado em 1929, na época do expressionismo alemão.
O romance conta a história de Franz Biberkopf, um homem forte com uns 30 anos de idade e 1,80m de altura, que trabalhava como transportador antes de ser preso.
O romance foi transposto (1980) para televisão sob a forma de uma minissérie adaptada e dirigida por Rainer Werner Fassbinder, tendo no elenco Günter Lamprecht, Hanna Schygulla, Barbara Sukowa, Elisabeth Trissenaar e Gottfried John.
Alfred Döblin (1878) é um médico alemão de origem judaica. Em 1929 obtém sucesso mundial com o romance "Berlim Alexanderplatz". Fugindo ao nacional-socialismo e ao clima de perseguição enfrentado pelos judeus, Alfred Döblin emigra primeiramente para França em 1933 e foge para os EUA em 1940 depois da invasão nazi. Em 1941 Döblin converte-se à religião católica num acto revestido de alguma polémica entre a comunidade intelectual alemã exilada nos EUA.
Em Outubro de 1945, Alfred Döblin é um dos primeiros e regressar do exílio e a envolver-se activamente no "saneamento" e renascimento da actividade cultural alemã do pós-guerra.
Não deixe de ler Berlim Alexanderplatz. É considerado um dos 100 livros mais importantes de sempre.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Feira Alternativa

A Feira Alternativa é uma tradição na cidade de Lisboa. Vai acontecer de novo (sexta edição) nos dias 17, 18 e 19 de Setembro de 2010 em Lisboa, no Jardim Tropical, em verdadeira comunhão com a natureza.
Esta é uma boa notícia para quem simpatiza com estilos de vida saudáveis e alternativos. Ali encontrará novidades sobre alimentação natural, ecologia e sustentabilidade, artesanato ambiental, turismo rural, medicinas e terapias alternativas e desenvolvimento pessoal.
Haverá também palestras, workshops , aulas, espectáculos, e partilha de experiências.
Poderá aprender a reciclar e a poupar recursos que não são inesgotáveis!
Poderá aprender a transformar o seu quotidiano tornando a vida mais simples mas cheia de sentido.
Poderá aprender, em suma, a mudar velhos hábitos...
Ver o mundo de outra maneira e não contribuir para a sua degradação, são as ideias base da Feira Alternativa, que tem contado com o apoio e envolvimento de entidades como a Quercus, a AMI, a Liga Portuguesa do Direito do Animal, a CML e o Turismo de Lisboa.

terça-feira, setembro 14, 2010

Estudo Errado

Para comemorar o início de mais um ano lectivo escolhi o vídeoclipe Estudo Errado que tem como base uma canção de Gabriel O Pensador.
Esta postagem é destinada a professores, pais e alunos. Com ela é possível reflectirmos sobre o papel da família, da escola e do estudante no processo de formação da sociedade.
Gabriel O Pensador (1974) é o nome artístico de um cantor e compositor brasileiro.
Gabriel transformou-se num dos maiores nomes do rap e pop brasileiro e diferenciou-se de boa parte dos seus pares por ser branco e da classe-média. Mas, desde o começo da sua actividade profissional que tem feito letras de crítica social e moral, como acontece na música rap.
O Pensador apareceu no fim de 1992, quando ainda era estudante de Comunicação Social, com a música "Tô Feliz (Matei o Presidente)". O personagem da letra era Fernando Collor de Mello, que tinha acabado de renunciar ao cargo. Gabriel lançou em 1993 o seu primeiro disco (Gabriel o Pensador), que foi um sucesso graças às faixas, "Lôraburra" e "Retrato de um Playboy", além de "Lavagem Cerebral".
Em 1995, lançou o álbum "Ainda É só o Começo", que provocou polémica com as músicas "Estudo Errado" e "FDP³".
Dois anos depois, lança "Quebra-Cabeça". Com o sucesso em Portugal, e após ser a atracção escolhida pela banda irlandesa U2 para fazer a abertura dos seus shows brasileiros em 1998, Gabriel prosseguiu com o disco "Nádegas a Declarar", lançado no fim de 1999.
Em 2001, Gabriel lançou o seu quinto disco, "Seja Você Mesmo (Mas Não Seja Sempre o Mesmo)".
Em 2003, Gabriel lança em CD e DVD, os seus maiores sucessos. "Cavaleiro Andante" foi o sétimo disco de Gabriel, o Pensador, lançado em 2005.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Nenhuma Estrela Caiu

Proponho-lhe que oiça Mísia a cantar o poema de José Saramago - Nenhuma Estrela Caiu.
Mísia (nome artístico) é uma cantora de fado, nascida no Porto, fruto do amor de um português por uma salerosa bailarina espanhola. A sua vida pessoal e artística tem girado entre Portugal e Espanha. Esta mulher de pele branca, cabelo preto, olhos em arco e ar arrojado suscitou, por vezes algum espanto no meio artístico português. Quem era aquela jovem de franja negra e olhos intensos que aparecia a querer saber o que era o fado sem pedir licença a ninguém? Ainda por cima a querer romper com a tradição usando sonoridades e letras pouco vulgares?
Mísia às origens mais formais do fado foi buscar sustentação para se lançar noutros voos. Juntou sonoridades (instrumentos que este género não ouvia há muitos anos - o violoncelo, o acordeão e o piano) e principalmente, descobriu um mundo novo de palavras, rico em liberdades poéticas. Começou a cantar os mais importantes nomes da literatura portuguesa: Lídia Jorge, Mário Cláudio, Eduardo Prado Coelho, Vasco Graça Moura, Agustina Bessa Luís e José Saramago.
Os discos foram-se sucedendo:"Mísia" (1991); "Fado" (1993); "Tanto menos, tanto mais" (a meio da década de 90) e "Garras dos Sentidos" (1998). Maria João Pires acompanha-a no disco lançado quase de imediato, "Paixões Diagonais" que cruza muitas estreias de autores, tantos nas melodias como nas letras.
A nova década, porém, dá lugar à tradição. Quer fazer uma evocação às casas de fado, aos textos populares, e grava Ritual (em 2001). Carlos Paredes e as suas melodias, que Mísia enche das palavras comovidas de uma verdadeira homenagem ao mestre da guitarra, dão corpo a "Canto", em 2003, premiado pela crítica especializada na Alemanha.
Outras histórias, influências e tradições misturam-se em "Drama Box" (2005): como o tango, o bolero e o fado. Este é um disco repleto de afectos sonoros e cumplicidades artísticas: Fanny Ardant, Miranda Richardson, Ute Lemper, Carmen Maura, Maria de Medeiros e Sophia Calle participam no projecto, depressa transformado em espectáculo ao vivo. Esta procura das emoções que ilustram o "fado" de outras culturas está aliás agora bem presente em "Ruas" (de 2009).
Já agora, sabia que Mísia foi declarada pelo jornal El País, uma das 100 personalidades mais importantes de 2009? Sabia que em Espanha já a chamam de "La Reina Del Nuevo Fado"?
Já agora sabia que há também uma cantora japonesa com o mesmo nome? É verdade! Há mesmo!

domingo, setembro 12, 2010

Palavras para quê...

Não há palavras para descrever o desastre ecológico provocado pelo derrame de petróleo (BP) no Golfo do México e as suas consequências. Proponho-lhe que veja a apresentação que escolhi para hoje. Contém imagens que dificilmente encontrará na comunicação social.
O início deste desastre ocorreu no dia 20 de Abril, quando a plataforma Deepwater Horizon explodiu no Golfo do México. Onze trabalhadores morreram.
Dias depois, a plataforma afundou-se. Começou, então, a maré negra.
As primeiras observações estimaram que mil barris de petróleo fossem derramados por dia, mas os testes da Guarda Costeira americana elevariam o número para 5 mil barris diários. A estimativa viria a ser revista, em alta, várias vezes.
As tentativas de estancar duas fugas no oleoduto ligado à plataforma, com submarinos robotizados, fracassaram. Equipas de emergência efectuaram a queima controlada da mancha negra.
No início de Maio, o Governador da Flórida decretou o estado de emergência. O mesmo fez o Louisiana, onde também chegou a maré negra.
Doze dias após a explosão da plataforma, o presidente dos Estados Unidos visitou a zona afectada e incriminou a BP. Obama haveria de regressar mais três vezes.
No dia 10 de Maio, a BP reconheceu que a instalação de uma “tampa” no poço de petróleo não resultou.
A 17 de Junho, o presidente executivo da BP foi ouvido no Congresso. Tony Hayward pediu desculpas e disse que tudo estava a ser feito para parar o derramamento. Depois de ter atingido Louisiana, Mississipi, Alabama e Flórida, a maré negra chegou ao Texas.
Em meados de Julho, a BP conseguiu, pela primeira vez, estancar a fuga de petróleo, fechando todas as válvulas da nova tampa colocada nos tubos danificados.
Neste momento a selagem definitiva do poço de petróleo está concluída e o derrame foi contido. Quem sabe o que acontecerá naquela região nos próximos anos? Há quem diga que o impacto ambiental provocado por este desastre far-se-á sentir durante 100 anos!

sábado, setembro 11, 2010

A Vida

Foi-se-me pouco a pouco amortecendo
a luz que nesta vida me guiava,
olhos fitos na qual até contava
ir os degraus do túmulo descendo.

Em se ela anuviando, em a não vendo,
já se me a luz de tudo anuviava;
despontava ela apenas, despontava
logo em minha alma a luz que ia perdendo.

Alma gémea da minha, e ingénua e pura
como os anjos do céu (se o não sonharam…)
quis mostrar-me que o bem bem pouco dura!

Não sei se me voou, se ma levaram;
nem saiba eu nunca a minha desventura
contar aos que inda em vida não choraram…
João de Deus

sexta-feira, setembro 10, 2010

Façam o favor de ser felizes...

Um ano após a sua morte não poderíamos deixar de relembrar Raúl Solnado.
Raúl Solnado nasceu em Lisboa em 1929, tendo falecido em 2009. Foi actor, humorista, apresentador de televisão, produtor e roteirista.
Unanimemente reconhecido como um dos maiores nomes do humor português (quer em
Portugal, quer no estrangeiro), começou a fazer teatro na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul (1947), profissionalizando-se em 1952.
Em 1960 adapta para português um sketch do espanhol Miguel Gila - "A Guerra de 1908" - e, em Outubro de 1961, interpreta-o na revista "Bate o Pé", no Teatro Maria Vitória. A edição em disco deste sketch, juntamente com outro muito popular - "A história da minha vida", bate todos os recordes de vendas.
A sua passagem pela televisão ficou marcada pelos programas "Zip Zip", "A Visita da Cornélia" ou ainda "O Resto São Cantigas".
A RTP preparava o regresso do actor e humorista à televisão, num programa ao lado de Bruno Nogueira, sobre 50 anos de humor em Portugal.
Será para sempre um ícone do povo português e de Portugal. Foi, até à sua morte, Director da Casa do Artista, sociedade de apoio aos artistas, que fundou juntamente com Armando Cortez (1928-2002), entre outros.
Veja-o agora com Zeloni (no Brasil) no início da carreira. Não perca porque vale muito a pena. Se quiser ver alguns dos seus outros trabalhos, clique aqui e aqui. Entretanto, tal como dizia Solnado, faça o favor de ser feliz!


quinta-feira, setembro 09, 2010

Angola: A Segunda Revolução

Vai ser lançado hoje (pela Sextante) mais um livro sobre Angola: Angola: A Segunda Revolução de Jardo Muekalia.
Um relato na primeira pessoa das batalhas travadas em prol da democracia após a independência de Angola.
É mais um documento histórico sobre o pós independência daquele país.
Angola – A Segunda Revolução é o testemunho de Jardo Muekalia, que relembra momentos e personalidades marcantes no processo de democratização do seu país.
Através de uma narrativa atenta e incisiva e de um conjunto de fotografias, Jardo Muekalia dá-nos acesso privilegiado aos bastidores de um país devastado por anos de guerrilha em busca de uma democracia rechaçada por vontades, desacordos e ambições da geração mais velha.

Este é o tipo de livros que nos faz virar as páginas rapidamente para descobrirmos o que vem a seguir. Durante duas décadas considerei o Jardo como um amigo, mas nunca imaginei que fosse capaz de escrever um livro tão impressionante. Este livro deve ser lido em todo o espaço de expressão portuguesa e, eventualmente traduzido para outras línguas… (Jerry Bender,
Professor de Relações Internacionais, Universidade da Califórnia do Sul)

Um texto autobiográfico cativante porque não se limita a narrar e constatar os factos. Analisa com profundidade os eventos, os diferentes contextos nacionais, regionais e internacionais quemarcaram os longos anos da guerra civil em Angola, os protagonistas tanto fora como dentro daUNITA; aborda com um louvável esforço de objectividade e bastante coragem os eventos trágicos mais marcantes e controversos, e bastante falados, que ocorreram no seio do seu partido. Este livro é sem dúvida uma contribuição valiosa para a história política contemporânea de Angola. (Jean-Michel Mabeko-Tali, Historiador e Professor Catedrático de História Africana, Howard University, Washington DC).

quarta-feira, setembro 08, 2010

O Urso

O filme The Bear de Jean Jacques Annaud conta, quase sem palavras, uma bela história de luta pela sobrevivência. É um filme envolvente e pouco habitual, que nos dá uma perspectiva interessante do mundo animal. Se quiser ver o filme por inteiro é só seguir esta ligação.
Entretanto não perca este pequeno extracto! Só por si conta uma história fabulosa. Veja-o com atenção até ao fim! Olhe que vale a pena.
Jean-Jacques Annaud (1943) é um cineasta francês. A China proibiu a sua entrada no país devido às filmagens de Sete Anos no Tibete.
Recebeu duas indicações para o César, na categoria de Melhor Filme, por "A Guerra do Fogo" (1981) e "O Urso" (1988). Venceu em 1981.
Ganhou dois Césares de Melhor Realizador, com "A Guerra do Fogo" (1981) e "O Urso" (1980).
Recebeu ainda duas indicações para o César, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, com "O Nome da Rosa" (1986) e "O Amante" (1991). Venceu em 1986.





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terça-feira, setembro 07, 2010

Se o acidente do Golfo do México tivesse sido em África...

Proponho-lhe que leia alguns excertos de uma reportagem publicada no Estadão (Estado de S. Paulo), sob o título: Petróleo vaza há 50 anos na Nigéria.
"Grandes vazamentos de petróleo não são novidade na Nigéria. O Delta do Níger, onde a riqueza em baixo da terra é desproporcional à pobreza na superfície, é submetido, há 50 anos, ao equivalente a um derramamento do navio Exxon Valdez (de 41 milhões de litros, ocorrido no Alasca, em 1989) ao ano, segundo estimativas. O petróleo vaza quase todas as semanas, e alguns pântanos há muito tempo não têm mais vida.
É provável que nenhum outro lugar da Terra tenha sido tão castigado pelo petróleo, e os habitantes estão impressionados com a atenção constante que é dada ao vazamento do Golfo do México. Há poucas semanas, um oleoduto da Royal Dutch Shell que havia estourado nos mangues foi fechado após vazar por dois meses: agora, não há um ser vivo em um mundo preto e marrom outrora povoado por camarões e caranguejos".
(...)"Os vazamentos são causados por oleodutos enferrujados, nunca fiscalizados em razão de regulamentação ineficiente ou criminosa e afetados por manutenção deficiente e sabotagens. Apesar da maré negra, os protestos não são frequentes - no mês passado, os soldados que guardam um local da Exxon Mobil espancaram mulheres que realizavam uma manifestação. "Não temos a imprensa internacional para cobrir o que acontece aqui, então ninguém se preocupa", lamenta Emman Mbong, de Eket.
As crianças nadam no estuário poluído, os pescadores levam seus barcos cada vez mais longe e as mulheres do mercado andam com esforço entre os riachos de petróleo. O petróleo da Shell está no meu corpo, afirmou Hannah Baage".
"O fato de o desastre do golfo paralisar um país e um presidente que tanto admiram é motivo de espanto para as pessoas daqui. "O presidente Obama está preocupado com aquele vazamento", comentou Claytus Kanyie, funcionário da prefeitura. "Ninguém está preocupado com este aqui."
"Nada menos que 2 bilhões de litros vazaram no Delta do Níger nos últimos 50 anos ou cerca de 41 milhões ao ano, concluíram especialistas em relatório de 2006. Portanto, as pessoas daqui olham com compaixão a situação no golfo. "Sentimos muito por eles, mas é o que acontece aqui há 50 anos", disse Mbong".
"Embora grande parte da área tenha sido destruída, restam muitos espaços imensos de verde. Os ambientalistas afirmam que, com um programa de recuperação intensiva, o delta poderia voltar a ser o que era".
"A Nigéria produziu mais de 2 milhões de barris de petróleo ao dia, no ano passado, e em mais de 50 anos milhares de quilômetros de oleodutos foram instalados nos pântanos. A Shell, principal empresa exploradora, opera em milhares de quilômetros quadrados, segundo a Amnistia Internacional. Colunas envelhecidas de válvulas nos poços de petróleo se destacam entre palmeiras. Às vezes o petróleo jorra delas, mesmo que os poços estejam desativados".
Como conclusão pode-se dizer que O "AZAR" DA "BP" FOI TER SIDO NO GOLFO DO MÉXICO…

segunda-feira, setembro 06, 2010

A Estrela de Luan



Luan Santana é o novo fenómeno da música brasileira. Jovem, bonito, simples e com boa voz tem conquistado o Brasil com a sua música sertaneja.
Com apenas 19 anos o cantor tem já dois Discos de Platina , pelos álbuns Luan Santana - Ao Vivo e Tô de Cara.
Apresentou-se pela primeira vez para uma grande platéia em 2008. Em Março de 2010, recebeu o prémio de "revelação musical" no troféu Melhores do Ano 2009, realizado pelo programa Domingão do Faustão, da Rede Globo.
Enquanto não vem em digressão a Portugal, veja-o a interpretar o mega-sucesso "Meteoro".

domingo, setembro 05, 2010

Sita Valles: Uma vida Desperdiçada

Sita Valles é uma personagem importante mas desconhecida na história contemporânea de Portugal e de Angola, segundo uma biografia que foi lançada recentemente, em Lisboa, de autoria da jornalista e escritora portuguesa Leonor Figueiredo.
O livro que hoje proponho, intitula-se "Sita Valles - Revolucionária, Comunista ate à Morte (1951-1977)"da Alêtheia Editores. Ali, Leonor Figueiredo, reconstitui o percurso desta mulher que foi militante do PCP e do MPLA.
Sita Valles é hoje um nome maldito para ambos os partidos e a sua vida quase um enigma em ambos os países. Acusada de ser um dos cérebros do chamado "golpe Nito Alves", em 27 de Maio de 1977, seria presa em Luanda, violada e torturada e, três meses depois, fuzilada (tinha 26 anos). O percurso dessa figura polémica é reconstituído no livro, com recurso a documentos e dezenas de testemunhos.
Passaram 33 anos e ainda hoje não se sabe onde estão enterrados os corpos de Sita Valles, do seu irmão Ademar (morto um ano depois) e de um número indeterminado de vítimas ("entre 20 mil e 80 mil, incluindo muitos portugueses"). Sita Valles continua a ser tabu no país que escolheu como seu e onde as circunstâncias da morte a transformaram num mito. Recusou ser vendada e olhou o pelotão de fuzilamento de frente. Este comportamento continua a impressionar até hoje os seus inimigos.
Leia a biografia desta mulher admirável. É preciso continuar a lembrar para não esquecer esta e outras atrocidades, este e outros atentados aos direitos mais elementares de qualquer cidadão.

sábado, setembro 04, 2010

A Valsa Com Bashir

Uma noite num bar, o realizador de cinema Ari Folman, conversa com um velho amigo. Este conta-lhe o pesadelo recorrente que o martiriza todas as noites. É perseguido por 26 cães. Todas as noites o mesmo pesadelo, todas as noites o mesmo número de bestas.
Os dois homens chegam à conclusão que há uma conexão entre o pesadelo e a sua missão no Exército Israelita, durante a primeira Guerra no Líbano, que ocorreu no início dos anos 80. Ari fica surpreendido pelo facto de não conseguir lembrar-se de nada acerca deste período da sua vida. Descobriu que precisava de saber a verdade acerca daquela fase e acerca de si próprio.
Daí o fime a Valsa Com Bashir.
Este filme do israelita Ari Folman conta a história de um ex-combatente que tenta recuperar as suas memórias da guerra do Líbano de 1982 - a entrada das tropas israelitas em Beirute, e depois os massacres nos campos de refugiados.
É aqui que se coloca uma questão que é recorrente nestes temas de responsabilidade militar. Até que ponto quem vê percebe o que está a acontecer?
Como lê um soldado o mundo em que se move?
"Eu vi coisas estranhas, mas nunca me passou pela cabeça que fosse isso" - é uma resposta aceitável?
A música, o desenho e a história são apenas alguns dos bons motivos para não perder A Valsa com Bashir (2008). Aprecie agora os vídeos prmocionais do filme. Não perca!



sexta-feira, setembro 03, 2010

Tudo o que eu tenho trago comigo

Roménia no fim da guerra. A população alemã vive com medo. «Eram 3 da madrugada do dia 15 de Janeiro de 1945 quando a patrulha me foi buscar. O frio apertava, estavam -15º C.» O jovem narrador começa assim o seu relato. Tem cinco anos diante de si, dos quais ainda nada sabe. Cinco anos num campo de trabalho. Cinco anos, ao fim dos quais regressa um homem diferente.
"Tudo o que eu tenho trago comigo" é o livro de Herta Müller que lhe proponho hoje. Não perca a oportunidade de conhecer esta autora.
Laureada com o Nobel da Literatura em 2009, Herta Müller, nasceu em 1953 na cidade romena Nitzkydorf, na região de Banat, e vive actualmente em Berlim.
Proibida de publicar na Roménia por ter criticado publicamente o regime de Ceausescu, a escritora emigrou em 1987 para a Alemanha com o marido, o poeta Richard Wagner, também nascido naquela região romena.
Em 2009, Herta Müller publicou o romance Atemschaukel. Tratou-se do 19.º livro publicado, entre romances, contos e ensaios.
O pai prestou serviço nas Waffen SS, a tropa de elite chefiada por Himmler na II Guerra Mundial.
Muitos romeno-alemães foram deportados para a então União Soviética em 1945, incluindo a mãe de Herta que passou cinco anos num campo de trabalho na actual Ucrânia. De 1973 a 1976, estudou literatura alemã e romena na Universidade de Timisoara, na Roménia, fez parte do Aktionsgrupp Banat, um círculo de jovens germanófonos de oposição ao regime de Ceausescu que defendiam a liberdade de expressão.
Depois de terminar os estudos, trabalhou como tradutora numa fábrica de máquinas, entre 1977 e 1979. Foi despedida por se ter recusado a ser informadora da polícia secreta, o que lhe valeu ser perseguida pela Securitate.
Müller começou a publicar com a colecção de contos Niederungen (1982), censurada na Roménia. Dois anos depois, publicou uma versão não censurada na Alemanha e, no mesmo ano, Drückender Tango, na Roménia. Nestes dois trabalhos, Müller descreve a vida numa pequena aldeia germanófona, marcada pela corrupção, a intolerância e a repressão.
A imprensa romena criticou negativamente estes trabalhos que foram muito bem recebidos pela crítica alemã. Por ter criticado publicamente a ditadura romena, foi proibida de publicar no seu país.
Desde que, em 1984, foi distinguida com o Prémio Aspekte, Herta Müller tem acumulado galardões sobretudo na Alemanha. Em 1995, recebeu o prémio europeu de literatura Aristeion e foi eleita para a Academia Alemã para Língua e Poesia. Em 1998, recebeu o prémio irlandês IMPAC, no ano seguinte o Prémio Franz Kafka. Em 2003, o prémio Joseph Breitbach de literatura alemã, em 2004 o prémio de literatura da Fundação Konrad Adenauer e, em 2006, o Prémio Würth de literatura europeia.
"A sua obra, cuja força se alimenta do horror, é simultaneamente rica em beleza e uma grande ventura para o leitor"(Volker Weidermann - Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung).
"Tudo o que eu tenho trago comigo" é um romance poético avassalador.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Amigo

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill

quarta-feira, setembro 01, 2010

Com'è triste Venezia

Esta é a versão mais bela da clássica canção de Charles Aznavour, "Que C'est Triste Venise." Fora de Itália é muito rara. "Que c'est triste Venise", cantada em francês, em italiano ("Com'è triste Venezia"), espanhol ("Venecia sin tí"), inglês ("How sad Venice can be", "The Old-Fashioned Way") e alemão ("Venedig im Grau") está entre as mais famosas canções poliglotas de Aznavour. Espero que goste. Aprecie também as belíssimas imagens da mais bonita das cidades: Veneza.
Charles Aznavour, cujo nome verdadeiro é Aznavourian, nasceu em Paris. É filho de pais imigrantes de origem arménia.
Descobriu a paixão pelo mundo do entretenimento, no restaurante da família, onde o seu pai cantava. Conseguiu, mais tarde, alguns pequenos papéis no cinema e no teatro. Em 1941, trabalha para Edith Piaf, que o incentiva a lançar-se a solo.
A partir daí conhece o sucesso que se tem prolongado no tempo.
Além de ser um dos mais populares cantores da França, é também um dos cantores franceses mais conhecidos no exterior. Actuou em mais de 60 filmes, compôs cerca de 850 canções (incluindo 150 em inglês, 100 em italiano, 70 em espanhol e 50 em alemão) e já vendeu bem mais que 100 milhões de discos. Nos anos 1970, Aznavour tornou-se um grande sucesso no Reino Unido, onde a sua canção "She" saltou para o número um, no ranking de sucessos a nível mundial.
A lista de artistas que já cantaram Aznavour abrange de Fred Astaire a Bing Crosby, de Ray Charles a Liza Minelli. Elvis Costello gravou "She" para o filme Notting Hill. O tenor Plácido Domingo é um grande amigo de Aznavour e frequentemente canta os seus sucessos, principalmente a versão de Aznavour de Ave Maria, de 1994.
Aznavour começou a sua turnê global de despedida no fim de 2006. Obteve a cidadania arménia em Dezembro de 2008 e em 2009 tornou-se embaixador da Arménia na Suíça.
Em 1997, o Presidente da República francesa, Jacques Chirac, nomeou-o oficial da Legião de Honra. Esta é, certamente, a melhor prova de que Charles Aznavour se tornou um pilar da cultura francesa.

Com'è triste Venezia
Soltanto un anno dopo
Com'è triste Venezia
Se non si ama più

Si cercano parole
Che nessuno dirà
E si vorrebbe piangere
Non si può più

Com'è triste Venezia
Se nella barca c'è
Soltanto un gondoliere
Che guarda verso te

E non ti chiede niente
Perché negli occhi tuoi
E dentro la tua mente
C'è soltanto Lei

Com'è triste Venezia
Soltanto un anno dopo
Com'è triste Venezia
Se non si ama più

I musei e le chiese
Si aprono per noi
Ma non lo sanno
Che ormai tu non ci sei

Com'è triste Venezia
Di sera la laguna
Se si cerca una mano
Che non si trova più

Si fa dell'ironia
Davanti a quella luna
Che un dì ti ha vista mia
E non ti vede più

Addio gabbiani in volo
Che un giorno salutaste
Due punti neri al suolo
Addio anche da lei

Troppo triste Venezia
Soltanto un anno dopo
Troppo triste Venezia
Se non si ama più

domingo, agosto 29, 2010

Hay Unos Ojos

Linda Ronstadt (1946) é uma cantora americana que tem cantado uma enorme variedade de géneros musicais, graças à sua bela voz. Tal facto, tem-lhe rendido muitos prémios e um enorme prestígio e reconhecimento.
Começou a sua carreira no final dos anos 60, como vocalista dos The Poneys Stone, uma banda de folk californiano. Depois de três álbuns com a banda, decidiu seguir uma carreira a solo.
Linda Ronstadt lançou mais de 30 álbuns de estúdio, apareceu em mais de 100 álbuns de outros artistas e vendeu quase 100 milhões de álbuns em todo o mundo.
No álbum "Canciones de Mi Padre", a cantora presta homenagem à sua herança e raízes mexicanas. Possui aqui o apoio do excelente e mundialmente famoso Mariachi Vargas e a direção do experiente mestre arranjador/compositor/produtor Ruben Fuentes.
De salientar canções como: "Tu Solo Tu"; "Por un Amor" e "Los Laureles", que são antigos clássicos da música mexicana. Este CD que se pode englobar no género popular/mariachi, facilmente se classifica entre os melhores.
Ouça-a em "Hay unos ojos" de "Canciones de mi padre".
Este post é também uma homenagem às "Canciones de mi padre e de mi hermano".

domingo, agosto 22, 2010

Encosta-te a Mim

Jorge Palma (Lisboa - 1950) é um compositor e cantor português.
Aos seis anos, iniciou os seus estudos de piano. Foi no Conservatório Nacional a sua primeira audição, aos oito anos.
Durante a adolescência e a par da formação erudita, começa a interessar-se pelo rock’n’roll, e, de um modo geral, pela música popular americana e inglesa. É por esta altura que descobre a guitarra. Bob Dylan, Led Zeppelin e Lou Reed são algumas das suas influências.
Integrou vários grupos musicais de 1967 a 1971. A estreia a solo de Jorge Palma acontece com o single The Nine Billion Names of God (1972), título de um conto de Arthur C. Clarke e inspirado também no livro "O Despertar dos Mágicos", de Louis Pauwels e Jacques Bergier. Por esta altura, inicia uma colaboração com José Carlos Ary dos Santos, que o ajuda a aperfeiçoar a escrita poética, e com quem estabelece uma relação de aluno-mestre.
Em Setembro de 1973, recusando-se a cumprir o serviço militar obrigatório e, consequentemente, a embarcar para a guerra no Ultramar, parte para a Dinamarca, onde lhe foi concedido asilo político.
Regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974, iniciando uma carreira como orquestrador, entre 1974 e 1977, na indústria discográfica.
Em 1975, concorreu ao Festival RTP da Canção e gravou o seu primeiro LP "Com uma Viagem na Palma da Mão", com canções compostas durante o exílio político em Copenhaga.
Depois da gravação do seu segundo trabalho discográfico - "Té Já "(1977), partiu em viagem, cantando e tocando guitarra nas ruas de várias cidades espanholas e francesas, nomeadamente Paris, interpretando repertório de compositores de música popular americana, como Bob Dylan, Crosby, Stills and Nash, Leonard Cohen, Neil Young, Simon & Garfunkel, entre outros.
Em 1979, grava "Qualquer Coisa Pá Música", o seu terceiro álbum de originais.
O ano de 1985 é marcado pelo lançamento do seu sexto álbum de originais e um dos mais aclamados da sua carreira, "O Lado Errado da Noite". O single "Deixa-me Rir" é dele extraído e teve um enorme sucesso, sendo, ainda hoje, uma das músicas que funciona como uma espécie de imagem de marca e uma das mais requisitadas pelos fãs nos concertos.
Em 1986, gravou o seu sétimo álbum de originais – "Quarto Minguante".
Em 1989, edita Bairro do Amor, considerado pelos jornais Público e Diário de Notícias como um dos álbuns do século da música portuguesa.
Compondo, escrevendo letras, fazendo arranjos e desempenhando a direcção musical nas gravações dos seus fonogramas, foi acompanhado por músicos com experiência em diversos domínios musicais, como o pop-rock, a MPP, a música improvisada, a música erudita e o jazz, dos quais se salientam Carlos Bechegas, Carlos Zíngaro, Edgar Caramelo, Guilherme Inês, Jorge Reis, Júlio Pereira, Rui Veloso, Zé Nabo, José Moz Carrapa, Zé da Ponte e Kalu, entre outros.
Durante a década de 1990 suspendeu a gravação de composições originais para se dedicar à reinterpretação da sua obra, participando regularmente noutros agrupamentos, realizando gravações para intérpretes próximos de si, compondo música para teatro, bem como preconizando inúmeros concertos pelo país, que se traduziram num aumento significativo da sua popularidade, sobretudo junto do público mais jovem.
Integrou o agrupamento Rio Grande, em 1996, formado por Tim (Xutos & Pontapés), João Gil Ala dos Namorados, Rui Veloso e Vitorino, que alcançou uma considerável popularidade.
Nesse mesmo ano, musicou poemas de Regina Guimarães, integrados na peça de Bertolt
Brecht "Lux in Tenebris" - levada à cena pela companhia de teatro de Braga - e colaborou com Sérgio Godinho, João Peste, Rui Reininho e Al Berto no espectáculo "Filhos de Rimbaud", apresentado no Coliseu dos Recreios de Lisboa.
Foi director musical do espectáculo teatral "Aos que Nasceram Depois de Nós", baseado em textos de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weill, Hans Eisler, do próprio dramaturgo e com uma composição de JP ("Do Pobre B.B.").
Em 1997, sai o segundo álbum dos Rio Grande - Dia de Concerto - ao vivo no Coliseu dos Recreios. Nele se estreia o original de Jorge Palma "Quem És Tu de Novo?".
Em 2001, edita, então, o seu novo álbum, muito bem recebido pela crítica e ainda mais pelo público, ávido de novas músicas, mais de doze anos decorridos sobre o lançamento do seu último disco de originais.
Em Agosto de 2004 gravou, no Porto, o álbum "Norte" que contou com participações especiais de muitos músicos portugueses com quem ainda não tinha trabalhado até então.
Lançou em 2007 o disco "Voo Nocturno" e em 2010 o single "Tudo por um beijo", que é a banda sonora do filme A Bela e o Paparazzo.

domingo, agosto 15, 2010

Mon Homme

Zaza Fournier é uma óptima surpresa e uma das novas vozes da canção francesa.
Fournier nasceu em 1985 em Paris (França). Começou a cantar nas ruas e nos bares desta cidade.
Apresenta-se ao vivo misturando um I Pod e um acordeão, que pratica desde os 15 anos. Sob o seu comando as notas que dele retira adequirem ritmos modernos entre eles o funky. “As pessoas associam frequentemente o acordeão a um instrumento ultrapassado. Queria mostrar-lhes outra coisa”, diz Fournier.
Ao som deste instrumento, canta o amor sempre com uma ponta de ironia na voz. O primeiro álbum (chamado simplesmente Zaza Fournier) foi lançado no final de 2008. É denso e doce, lírico e enérgico, dominado pela voz sensual da bela Mademoiselle Fournier, forjada nas apresentações que fazia pelas ruas e bares de Paris.
Do seu repertório próprio não deixe de ouvir, La Vie a Deux, Rêve Américain e da faixa-título de seu CD, Les Mots Tocs. Ela evoca a tradicional canção francesa com um clima de cabaré pop.
Admiradora de Edith Piaf, Elvis Presley, Tom Waits e Brigitte Fontaine, a compositora já foi distinguida com críticas positivas do Le Figaro, France Soir e L´Express. “Vê-la no palco, com a sua franja, com a sua presença de artista de cabaré, de estrela do Rock dos anos cinquenta… Zaza Fournier é uma mistura de estilos que faz girar pescoços e balançar pernas”, refere o site/da agência France Info.
Para descobrir, descontrair e consumir sem moderação. Veja ZAZA FOURNIER em concerto,em Bretigny, em Março de 2009, interpretando Mon Homme.


domingo, agosto 08, 2010

Cornflake Girl

Tori Amos é o pseudónimo de Myra Ellen Amos (1963)que é uma cantora, compositora e pianista norte-americana.
Amos esteve à frente de um grupo de cantoras e compositoras no começo da década de 90, sendo digna de nota, no começo da sua carreira, como uma das poucas cantoras e intérpretes pop que usam o piano como instrumento principal.
Ela é conhecida por músicas emocionalmente intensas, que tratam de uma variedade de temas, como a a sexualidade, a religião e a tragédia pessoal. Ficam aqui alguns dos seus singles mais bem-sucedidos: “Crucify”, “Silent All These Years”, “Cornflake Girl”, “Caught a Lite Sneeze”, “Profesional Widow”, “Spark” e “A Sorta Fairytale”.
Amos vendeu 12 milhões de discos ao redor do mundo até 2005, e é muito admirada e seguida no mundo cult.
Não perca agora, o vídeoclipe de Cornflake Girl , de Tori Amos.

Tori Amos - Cornflake Girl
Enviado por djoik. - Ver os últimos vídeos de musica em destaque

domingo, agosto 01, 2010

Simplicidade



Este mês estarei menos por aqui.
Vou de férias. O descanso é necessário e fundamental.
Para iniciar bem o mês e este período de descanso estival, proponho-lhe Simplicidade, da banda mineira de rock Pato Fu, com a voz da Fernanda Takai.