sábado, novembro 05, 2022

TUT, o Rei Menino

Tutancámon (c. 1 341 a.C. — c. 1 323 a.C.) foi um faraó da décima oitava dinastia (governou de c. 1332–1323 a.C.), durante o período da história egípcia conhecido como Império Novo.

Desde a descoberta de sua tumba quase intacta, foi chamado coloquialmente como Rei Tut. O seu nome original, Tutankhaten, significa "Imagem viva de Áton", enquanto que Tutankhamun significa "Imagem viva de Amom". 

A descoberta a 4 de novembro de 1922, por Howard Carter, da tumba de Tutancámon, financiada por Lord Carnarvon, recebeu a cobertura da imprensa mundial. Isto despertou um enorme interesse público pelo antigo Egito, do qual a Máscara mortuária de Tutancámon continua a ser um símbolo popular. 

Tutancâmon foi enterrado num túmulo excepcionalmente pequeno tendo em conta o seu status. A sua morte pode ter ocorrido inesperadamente, antes da conclusão de uma grandiosa tumba real, fazendo com que a múmia de Tutancámon fosse sepultada num túmulo destinado a outra pessoa. Assim se preservaria a observância dos habituais 70 dias entre a morte e o enterro.

A tumba, encontrada quase intacta e repleta de tesouros, foi saqueada pelo menos duas vezes na antiguidade.  Mas, com base nos itens retirados (incluindo óleos e perfumes perecíveis) e a evidência de restauração da mesma após as intrusões, esses saques provavelmente ocorreram alguns meses depois do enterro inicial. Entretanto, a localização do túmulo perdeu-se no tempo, porque ficou soterrado por detritos de tumbas posteriores, além disso, foram construídas casas de trabalhadores sobre a sua entrada.

O túmulo continha 5,398 items, incluindo um caixão de ouro maciço, a máscara mortuária de Tutancámon, tronos, arcos e flechas, trombetas, um cálice de alabastro, 130 bengalas e suportes, comida, vinho, sandálias e roupas íntimas de linho. Howard Carter levou 10 anos a catalogar todos estes itens. Uma análise efetuada em 2016 descobriu que a lâmina de punhal de ferro de Tutancâmon, uma adaga recuperada da tumba, tinha uma lâmina de ferro confeccionada a partir de um meteorito.

Em fevereiro de 2010, os resultados dos testes de DNA realizados confirmaram que ele era o filho de uma múmia que alguns acreditavam ser de Aquenáton. A  mãe era a irmã e a esposa de seu pai, cujo nome é desconhecido, mas cujos restos mortais são positivamente identificados como a múmia "Dama Jovem" (possivelmente Nefertiti).  

Cem anos depois da descoberta do túmulo de Tut, o Rei Menino, repleto de tesouros maravilhosos, este continua a deslumbrar-nos e a proporcionar-nos novos conhecimentos acerca dos costumes egípcios. Tut transformou-se, assim, num dos faraós mais famosos do Egito. 

sexta-feira, novembro 04, 2022

A Gastronomia Cubana

As comidas típicas (ou principais pratos) de Cuba são: 

  • Moros y Cristianos: é um prato tradicional  servido tanto nos restaurantes como nas casas cubanas  (veja a receita no vídeo abaixo). É a versão cubana do arroz com feijão, que é um prato encontrado em toda a América Latina, Caraíbas e no sul dos E.U.A..

Moros y Cristianos significa literalmente em português, Mouros e Cristãos, que é um festival que ocorre na Espanha, de forma a celebrar a Reconquista aos mouros entre os séculos VIII e XV. Uma versão deste festival existe nas Filipinas como o nome de moro-moro. Em Portugal e nos países lusófonos, esta festa ocorre de forma parecida, com o nome de Cavalhadas.
Moros y Cristianos é a versão cubana do arroz com feijão, em que os Moros são representados pelo feijão e os Cristianos pelo arroz.

  • Ajiaco: Um prato muito famoso, não só em Cuba, mas também em outros países latinos. É um prato feito à base de batata, frango e milho. A especificidade do Ajiaco tem a ver com o uso de ervas nativas. Neste caso, especificamente, é adicionada uma erva chamada Guasca e as batatas utilizadas são originais de Cuba. 
  • Arroz Con pollo: Um dos pratos mais comuns e badalados de Cuba. A especificidade deste prato é a cor amarelada do arroz que  é misturado e cozido com Achiote. O acompanhante principal deste arroz é o frango, que também é cozido com o arroz.
  • Ropa Vieja: Um prato muito tradicional, básico e de sabor é excelente. Os ingredientes são: carne de vaca desfiada misturada com arroz branco, feijão e salada para fechar o prato. O grão de bico é algo fundamental também nesta refeição. 
  • Tamales: Um prato que pode encontrar noutros países, mas cada um deles tem um tempero específico. O cubano é uma mistura de frango e milho.  Os tamales são parecidos com uma pamonha, bem macia e deliciosa! 

E agora quais são as sobremesas cubanas?

As suas tradicionais sobremesas são: rosquita, tortica de morón e biscocho. No fundo são bolachinhas mais secas, mas deliciosas.

quinta-feira, novembro 03, 2022

Oxalá te Veja

Ouça a banda portuguesa O'queStrada (exclusivo Antena 3) em Oxalá te Veja. 

Tenho dores fechadas em caixinhas

Contra mim, contra ti, contra lá

Contra os dias que passam a meu lado

Tenho dores fechadas em caixinhas

Contra aqui, contra ali, contra cá

Que me dizem "estou aqui, estamos lá"

Ai diz-me lá-á

Diz-me aqui

Oxalá oxalá te veja a meu lado ao pé de mim

Tenho dores fechadas em caixinhas

Contra mim, contra ti, contra lá

Contra os dias que passam a meu lado

Tenho dores fechadas em caixinhas

Contra aqui, contra ali, contra cá

Mas que me dizem "estou aqui, estamos lá!"

Ai diz-me lá-á

Diz-me aqui

Oxalá oxalá te veja a meu lado ao pé de mim

Ao pé de mim

Ai oxalá te veja a meu lado ah

Oxalá te veja vem aqui

Ai oxalá te veja a meu lado ao pé de mim

Ao pé de mim

Glória à Hirmínia, ao merceneiro e tais fadistas

Glória à ginjinha, ao medronho e à revista

Glória à Hirmínia!

Glória!

À Hirmínia, ao merceneiro e tais fadistas

À ginjinha, ao medronho e à revista

Contra mim, contra ti, contra lá

Contra aqui, contra ali, contra cá

Conta mim, contra ti, contra lá

Contra mim, contra ti, contra lá

segunda-feira, outubro 31, 2022

Broas De Café

As Broas são uma tradição na época dos Santos ou no Natal em algumas regiões portuguesas. Aprenda a fazer broas de café com um toque de mel e nozes.  Para isso, deixo-lhe aqui várias receitas: nos vídeos abaixo, nos links e ainda outra já a seguir. 

Ingredientes 

700 g de açúcar amarelo
500 ml de café forte
500 ml de água
20 g de erva doce em pó
50 g de canela
1 colher de chá de sal
250 g de nozes moídas
500 ml de azeite
1 kg de farinha
4 colheres de sopa de mel

Preparação

Ferva os ingredientes todos com excepção da farinha.
Depois com o tacho fora do lume deita-se a farinha e leva-se novamente ao lume e deixa-se cozer um pouco.
Vão ao forno em tabuleiro untado a secar um pouco, eu deixo cerca de 20 minutos.
Ainda quentes passam-se por açúcar.

Algumas dicas:

A confecção das broas de café tem 2 segredos principais: a qualidade do café e a consistência da massa. Eis como proceder em cada uma das situações:

1. Para obter um café bem forte: ferva a água e adicione o café. Mexa bem e volte a ferver novamente.
2. Para saber quando a massa está com a consistência certa: mexa insistentemente até que comece a ficar com um comportamento semelhante à plasticina, em que a massa descola do fundo da panela. Se for necessário, adicione um pouco mais de farinha.
3. Pode substituir o mel por caramelo. Também pode alterar a quantidade de açúcar consoante o seu gosto pessoal.
4. A erva doce proporciona um aroma ótimo e contrasta bem com o sabor do café. Mas se não gostar, pode eliminar este ingrediente.

Agora as Broas de Café e Mel (de Pedrógão - Torres Novas), também conhecidas como como Broas Fervidas, ou Podres.

As Broas de Café e Mel são um dos doces tradicionais do Ribatejo, e são broas rápidas e fáceis de fazer. 

Ingredientes:

250ml azeite
200ml água
10gr café solúvel
250gr açúcar amarelo
10gr mel
500gr farinha T65
7gr erva doce
10gr canela
4gr fermento em pó
1 pitada cravinho
1 pitada de sal
100gr frutos secos grosseiramente picados (amêndoa - noz - pinhão - mistura de vários frutos secos)*
q.b. açúcar branco para polvilhar. Para as preparar não deixe de ver o vídeo a seguir. 

domingo, outubro 30, 2022

La Bodeguita del Medio

La Bodeguita del Medio, ou La Bodeguita, é um bar e restaurante de comida típica cubana localizado em Havana Velha, Cuba. 

Hoje em dia é uma  notória atração turística da cidade. As suas paredes estão repletas de escritos e assinaturas de visitantes, ilustres ou não. Dentre os seus frequentadores célebres, contam-se Salvador Allende, Pablo Neruda, Errol Flynn e Ernest Hemingway, que escreveu nas paredes: "My mojito in La Bodeguita, My daiquiri in El Floridita", ou seja, O Meu mojito na Bodeguita, o meu daiquiri no Floridita. O poeta cubano, Nicolás Guillén, por sua vez, dedicou-lhe estes versos:

La Bodeguita es ya la bodegona,

que en triunfo al aire su estandarte agita,

más sea bodegona o bodeguita

La Habana de ella con razón blasona.

Hártase bien allí quien bien abona

plata, guano, parné, pastora, guita.

Mas si no tiene un kilo y de hambre grita.

No faltara cuidado a su persona.

La copa en alto, mientras Puebla entona

su canción, y Martínez precipita.

Marejadas de añejo, de otra zona.

Brindo porque la historia se repita,

y porque es ya la bodegona,

nunca deje de ser La bodeguita.

E agora fique também com Carlos Puebla em La Bodeguita del Medio. Aqui, no documentário para a televisão cubana (1989), Carlos Puebla é acompanhado por Los Tradicionales. 

sábado, outubro 29, 2022

O Pai Tirano

O Pai Tirano (1941) é um filme português de António Lopes Ribeiro que conta no elenco com: Vasco Santana, Ribeirinho, Leonor Maia, Barroso Lopes, Graça Maria, Luísa Durão, Laura Alves e Eliezer Kamenesky.

O Pai Tirano é um dos maiores e mais representativos sucessos da época dourada do cinema português. 

Este filme é considerado a maior obra-prima do cinema em Portugal. É, também, considerado pelos especialistas, pelos fãs e pelos maiores cineastas internacionais como "O Melhor Filme Português de Sempre", incluindo "o maior clássico do cinema português". Foi, também, o maior desempenho de Vasco Santana no cinema, depois de  "A Canção de Lisboa" e antes de «O Pátio das Cantigas», a estreia de João Villaret no cinema e o início do sucesso de Ribeirinho.

Sinopse: 

O filme retrata a tempestuosa paixão de um jovem amador dramático, caixeiro nos Armazéns Grandella, por uma simpática empregada da Perfumaria da Moda.

O protagonista é Chico Mega (Ribeirinho), empregado de sapataria dos Grandes Armazéns do Grandella, que nutre uma grande paixão por Tatão (Leonor Maia), empregada na Perfumaria da Moda. Esta, por seu turno, é cortejada por Artur Castro (Arthur Duarte), um bon-vivant. Como Tatão é uma fervorosa cinéfila, Chico esconde-lhe que é ator num grupo de teatro amador: os "Grandelinhas", dirigidos pelo mestre José Santana (Vasco Santana). Do grupo fazem também parte Gracinha (Graça Maria), apaixonada por Chico, Dona Cândida (Luísa Durão), Lopes (Barroso Lopes), Seixas (Seixas Pereira), o contrarregra Machado (Armando Machado) e o ponto Pinto (Reginaldo Duarte). O grupo decide levar à cena a peça "O Pai Tirano ou o Último dos Almeidas".

Enquanto que o Mestre Santana procura ocultar de Gracinha a paixão de Chico por Tatão, este resolve albergar-se na mesma pensão onde mora Tatão, só para ficar mais próximo dela. A pensão é dirigida por Dona Emília (Emília de Oliveira), auxiliada pela criada Laura (Laura Alves) e entre os hóspedes encontram-se o contabilista Prata (Joaquim Prata), a dactilógrafa Amélia (Nelly Esteves) e o refugiado russo Ciriloff (Eliezer Kamenesky). Tatão vai rejeitando os avanços de Chico até ao dia em que ela erroneamente se convence que Chico é o herdeiro rico de uma família aristocrata.

Decide então aceitar o pedido de namoro de Chico e pede-lhe para conhecer a sua família. Confrontado com esta situação, Chico resolve pedir ajuda ao Mestre Santana, que decide ensaiar um ato da peça num palacete onde trabalha como governanta a sua prima Teresa (Teresa Gomes), uma alcoólica inveterada. Conseguem enganar Tatão, até ao dia em que Artur descobre que Chico é ator e resolve convidar Tatão e todos os hóspedes da pensão para a estreia da peça.

sexta-feira, outubro 28, 2022

Cabra-Cega

Ouça a cantora Márcia em "Cabra-Cega"  (vídeo oficial).

Ana Márcia de Carvalho Santos (1982) é uma cantora e compositora portuguesa.

Estudou Pintura na Faculdade de Belas Artes e estagiou em cinema documental, mas à parte da sua formação académica frequentou o curso de canto na Escola de Jazz Hot Clube. Fez parte do grupo popular Real Combo Lisbonense.

Zero a zero, não me espanta o impasse

Se você quer, escondo o medo sem mostrar como o faço

No entanto amargo a cada som que não me sai, que adormeço

Tenho cara de quem morde mas apenas sou o que mereço

Uma oração pra perder o meu embaraço

Em hora sã hei-de por termo ao que só me traz cansaço

A cada cara à minha volta que me fita só que eu não posso ver

Que tem a fé num perfeito que eu não sei fazer

E eu sei de mais ou menos cem

Quiçá eu não apareço hoje...

Quero ficar bem a sós

Amuada no meu canto e a aquecer a voz.

Eu sei que é fácil de montar o aparato da menina que é culta

Mas também, sorrir sai mais barato que cuspir pensamentos à solta

E olha quem, tem a fome da sinceridade ao menos não te dei a volta

E eu não volto a jogar à cabra-cega com usted

Nunca sei porquê o maltrato é um unguento

Que sem ninguém ver vai guardando cimento

A cada cara à minha volta vou lhe dizer só que eu não posso mais...

Quero sedar o meu som confinar-me a afinar em silêncio


Eu sei que é fácil de montar o aparato da menina que é esperta

Mas também, fugir pra ti faz parte de investir na pessoa certa

E olha quem vem agora pra ficar é que eu ao menos não deixei aberta

A minha porta a ver quanto tempo sobra pra quem vem

A minha porta a ver quanto tempo sobra

Eu sei que é fácil de montar o aparato da menina que é culta

Mas também sorrir sai mais barato que cuspir pensamentos à solta...

E olha quem tem a fome da sinceridade ao menos não te dei a volta

E eu não volto a jogar à cabra-cega com usted

E eu não volto a jogar à cabra-cega

E eu não volto a jogar à cabra-cega

E eu não volto a jogar à cabra-cega

quinta-feira, outubro 27, 2022

O Jogo da Cabra-cega

A Cabra-cega é um jogo conhecido em toda a Europa. Na França é denominado como colin-maillard, em homenagem a um homem chamado Colin, que numa luta medieval, ficou cego.

Na Itália chama-se Mosca cieca ("mosca cega"); na Alemanha, Blindekuh ("vaca cega"). Nos Estados Unidos a brincadeira é conhecida como blindman’s buff. A cabra-cega é uma brincadeira extremamente comum em vários países ao redor do mundo.

Na Idade Média e na Era Vitoriana, era um divertimento aristocrático: na Casa dos Tudor (dinastia inglesa que reinou entre 1485 e 1603), os jogos de cabra-cega eram opção para recreação.

F. Goya - Cabra-cega

Acredita-se, contudo, que esta brincadeira tenha surgido durante a Dinastia Zhou, da China, perto do ano 500 a.C. Há quem defenda também que a Cabra-cega é uma brincadeira de crianças surgida há mais de 2.000 anos atrás, na Grécia. Hoje em dia é um jogo infantil, mas na Idade Média foi um passatempo palaciano. 

A cabra-cega é, portanto, um jogo recreativo infantil (uma brincadeira a partir dos 6 anos) que estimula a atenção, a concentração e a orientação espacial.

Nesta brincadeira um dos participantes, de olhos vendados (escolhido ou sorteado), será a cabra-cega e, procura adivinhar e apanhar os outros participantes da brincadeira. Aquele que for agarrado, passará a ficar com os olhos vendados. Neste jogo não há um número certo de jogadores e o material necessário é apenas uma venda para tapar os olhos da pessoa que faz de cabra-cega.

O jogo começa com os jogadores a fazer uma roda à volta da cabra-cega que está de joelhos e, claro, de olhos tapados, entretanto começam a dizer o seguinte:

"Cabra-cega, donde vens?"
"Venho da serra."
"O que me trazes?"
"Trago bolinhos de atum."
"Dá-me um!"
"Não dou."

Depois, começam todos a dizer "Gulosa, gulosa, gulosa,…" e a fugir, até que ela, ao apanhar alguém, terá de adivinhar quem é. Se assim for, essa pessoa passa a ser a cabra-cega. Antes de começar a apanhar, dá três voltas sobre si mesma, enquanto fogem os jogadores cantando:

"Cabra-cega! Cabra-cega! Tudo ri, mãos no ar, a apalpar, tatear, por aqui, por ali. Tudo ri! Cabra-cega! Cabra-cega! Mãos no ar, apalpando, tateando, por aqui, por ali, agarrando o ar! Tudo ri…"

Se a cabra-cega sair do local, poderá ser avisada pelos jogadores da seguinte forma: "Cabra-cega o que perdeste?"
"Fina ou grossa?"
"Fina" ou "Grossa"
"Então anda achá-la."

quarta-feira, outubro 26, 2022

A Borlunga, Quissângua ou Mageu

A Borlunga como é conhecida no sul de Angola e em especial em Moçâmedes - Namibe, é uma bebida agradável e energética. Também é conhecida por Quissângua (ou Garapa). 

A Kissangua é uma bebida tradicional do povo Ovimbundu do sul de Angola. A sua forma original é feita de milho a germinar designado em umbundu de osovo. É uma bebida tradicionalmente obtida a partir de produção artesanal, contudo, na atualidade há a produção industrial da mesma.

A maioria das pessoas fabricam esta bebida com fuba ou sêmola de milho (ver vídeo abaixo), batata doce , arroz, ou mesmo Massambala, contudo pode ser fabricada com frutos, em especial o abacaxi que é posto a fermentar. A mais comum é a feita com fuba e a sua fabricação estende-se até à África do Sul, onde é produzida industrialmente e conhecida por: "Mageu". 

A receita de "Borlunga" ou "Quissângua" que lhe deixo aqui é feita com as cascas do abacaxi e com a parte dura existente no centro do fruto. 

Preparação:

1 - Descascar o abacaxi generosamente deixando um bom bocado da polpa do fruto agarrada à casca e retirar o centro duro do fruto. Não utilizar as rodelas do abacaxi. Podem-se comer ou fazer-se uma salada de frutas com elas. 

2 - Cortar as cascas e o centro em bocados e colocá-las a cozinhar com pouca água. 

3 - Fazer, com o preparado anterior, uma pasta com o pilão ou com a varinha mágica. Deitar essa pasta num garrafão dos de água (de 5 L). 

4 - Encher o garrafão até cerca de 2/3 da sua capacidade com água. Acrescentar, depois, uma chávena de açúcar e para facilitar a fermentação juntar uma colher de chá de "fermipan". 

5 - Fechar o garrafão com a rolha. Este deve ser colocado depois numa varanda sem exposição direta ao sol (não sei se o sol prejudica ou não a fermentação, mas os garrafões em Angola eram pendurados à sombra duma árvore, talvez para o vento ir agitando a bebida). 

6 - No verão, ao fim de dois dias a bebida está pronta. Deve em seguida ser transferida para garrafas de água, depois de ser passada por um coador. As garrafas de bebida devem ser colocadas na geleira (frigorifico). É uma bebida muito agradável e nutritiva, posso dizer mesmo deliciosa, quando tomada bem geladinha. 

- Normalmente usa-se o garrafão para mais dois fabricos e depois começa-se com novo abacaxi. Durante o fabrico, uma ou duas vezes por dia, deve agitar-se a mistura e tirar-se a pressão do CO2 produzido no processo de fermentação. A fermentação não se completa para o açúcar não aumentar o teor alcoólico que se deseja muito baixo ou quase nulo. 

Cuidado: Esta bebida é tão boa, tão boa, que pode produzir viciação e tornar-se num borlungo-dependente. 

Divirta-se fabricando e saboreando esta deliciosa bebida.

Faça bom proveito.

terça-feira, outubro 25, 2022

O Machimbombo

Embora o Dicionário Eletrónico Houaiss diga que o vocábulo machimbombo é de origem controversa, o Dicionário da Língua Portuguesa de 2008, da Porto Editora, considera que se trata de uma palavra vinda "do inglês, machine pump, bomba mecânica".

Machimbombo é , portanto "ascensor mecânico; qualquer veículo pesado e ronceiro" e, em Angola e Moçambique, "autocarro de transporte público".



Além das fotografias e do texto ao lado e abaixo, da Ilustração Portuguesa n.º 386, 17.07.1913, serem muito curiosos e interessantes, fique-se então a saber que machimbombo não é uma palavra com origem em África, mas que já se usava em Portugal no início do século XX.





O que aqui está ao lado é o antecessor do eléctrico 28, sempre cheio de turistas e alguns ladrões e que muitos de nós continuamos a utilizar.




Machimbombo da Bica, Machimbombo do Lavra... ficava realmente muito extenso.



Concluindo, a palavra Machimbombo é, portanto, uma palavra bem portuguesa que significa elevador mecânico (Ascensor mecânico para ladeiras íngremes = Elevador), mas que caiu totalmente em desuso. 




Em África (Angola e Moçambique) significa: grande veículo automóvel de transporte coletivo de passageiros, ou seja, Autocarro.  Este termo aparece, por vezes, como sinónimo de carro velho =  Carripana e Cangalho.

domingo, outubro 23, 2022

Tuareg

Ouça o cantor brasileiro Lulu Santos em Tuareg.

Na areia branca

Do deserto escaldante

Ele nasceu, cresceu guerreando

Caminhando dia e noite

No deserto sem errar

Pois com muita fé

Ele só pára rezar

Pois pela direção do sol e das estrelas

No oásis escondido

Água ele vai achar

Pois o homem de véu azul

É o prometido de Alá

Galopando seu cavalo preto brilhante

Ele vem todo dia azul

Orgulhoso e confiante

Trazendo seu rifle embalado

Sua adaga tira-colo

Sempre pronto para o que der

E o que vier

Pois ele é sentimental

Humano, é nobre é mouro

È muçulmano

Pois ele é guerreiro

Ele é bandoleiro

Ele é justiceiro

Ele é mandingueiro

Ele é um tuareg.


Pois ele é guerreiro

Ele é bandoleiro

Ah! Ele é justiceiro

Ele é mandingueiro

Ele é um tuareg

sábado, outubro 22, 2022

Como Usar O Vestido Camiseiro: Um Vestido Para Todas As idades

Saiba como usar o vestido camiseiro vendo mais um vídeo da influencer brasileira Luciane Cachinski.

Luciane Cachinski é uma influencer e youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante 27 anos. 

Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha. 

Neste vídeo Luciane  mostra-lhe que o Vestido Camiseiro é um modelo clássico, mas sempre atual e adequado para todos os tipos de corpo e para todas as idades. 

Este vestido é um ótimo investimento. Inspirado na camisa masculina, tem um corte que favorece a silhueta feminina. Comece por escolher um numa cor básica e vai ver que vai adorar, pois, este modelo dá-lhe estilo, conforto, elegância e ainda a deixa despojada. É maravilhoso!

Espero que goste. 
Ora veja. 
Vale bem a pena.

sexta-feira, outubro 21, 2022

Dália da Cunha-Sammer: Uma mulher À Frente do Seu Tempo

Dália da Cunha-Sammer (1928 - 2022) -  foi uma ginasta portuguesa e uma mulher à frente do seu tempo. Dália Cunha Sammer faleceu esta 4ª feira dia 18/10/22, com 93 anos.

Competiu nos Jogos Olímpicos de Verão de 1952 (com a irmã Natália) e nos Jogos Olímpicos de Verão de 1960

Frequentou um colégio de freiras onde aprendeu a jogar Basquetebol. Fez parte da equipa (com a irmã) de Atletismo feminino do Sporting Clube de Portugal em 1946, dando um contributo decisivo no sector dos lançamentos. Dália Cunha, foi campeã de Portugal no lançamento do peso, nas épocas de 1946 e 1947, e campeã de Lisboa nos 80 m barreiras, no salto em altura e no lançamento do peso. 

Foi também praticante de ginástica no Ginásio Clube Português, e nesta modalidade tornou-se numa das primeiras mulheres portuguesas a participar nos Jogos Olímpicos, marcando presença nas Olimpíadas de 1952, disputadas em Helsínquia, obtendo um 109º lugar, entre 159 atletas inscritas, e onde se fez acompanhar por Josef Sammer, o seu treinador e namorado, um alemão com quem casaria mais tarde.

Foi ainda campeã de ciclismo, patinadora e praticante de saltos acrobáticos, pelo que nessa altura já era a desportista portuguesa com maior popularidade, também graças à sua invulgar ousadia, que lhe permitiu tourear a cavalo no Campo Pequeno, participar na primeira Volta a Portugal em Automóvel e ter aulas de pilotagem de aviões, escapando à morte por uma coincidência, que a impediu embarcar no dia em que se preparava para pilotar um CUB, que se viria a despenhar num trágico acidente.

Em 1955 tornou-se monitora da classe de Ginástica Desportiva Aplicada Feminina do Sporting Clube de Portugal.

Lobito - Angola
Deu aulas de ginástica em Portugal (Lisboa e Torres Vedras) e em Angola (no Lobito e Benguela). No Lobito deu aulas no Colégio de Santa Doroteia para o qual organizou numerosos saraus. No Lobito Sports Club (juntamente com o marido Josef Sammer) foi professora de Ginástica Rítmica e Aplicada

No Lobito (Angola), Dália da Cunha-SammerJosef Sammer, foram duas importantes figuras, principalmente para os jovens, que os consideravam uma referência. 

Como ex-aluna, em Angola, aqui fica esta modesta homenagem à minha professora de ginástica. Que descanse em paz.

quinta-feira, outubro 20, 2022

Shahnameh: O Épico dos Reis Persas

O Épico dos Reis ou Livro dos Reis ou mesmo Xanamé (Shahnameh em persa)  é uma grande obra poética escrita no século X, pelo escritor iraniano Ferdowsi, que narra a história e a mitologia do Irão, desde a criação do mundo até à sua conquista pelos árabes no século VII. A elaboração desta obra levou cerca de 30 anos e o livro é constituído por 62 histórias (990 capítulos) e 56 700 dísticos (estrofes de dois versos).

Após a conquista árabe, o pálavi falado no Império Sassânida desapareceu dos documentos escritos, sendo substituído pelo árabe. O idioma reaparece no século IX, já como persa moderno, resultante da transformação oral do pálavi, mediante a incorporação de palavras árabes. Embora o persa já fosse então utilizado por alguns escritores iranianos, nenhum deles tinha produzido uma obra literária tão significativa como a de Ferdowsi. 

O Épico dos Reis é, por isso, visto como o momento do ressurgimento da língua persa e Ferdowsi considerado um herói nacional. Tal como a Divina Comédia de Dante estabeleceu os padrões da língua italiana, o Épico dos Reis correspondeu à certidão de nascimento da língua persa.

No vídeo abaixo pode ver o Shahnameh ou o Épico dos Reis Persas, obra-prima da literatura mundial, adaptado para a atualidade.

quarta-feira, outubro 19, 2022

Descomplicar a Menopausa

Descomplicar a Menopausa é um livro de Cristina Mesquita de Oliveira (presidente da Associação Portuguesa de Menopausa) e fundadora de  VIDAs (Associação Portuguesa de Menopausa e a Comunidade de Saúde em Menopausa MMDP — Movimento Menopausa Divertida Portugal).

Sinopse:

Menopausa não é doença. É, somente, uma etapa na vida da mulher, tal como a puberdade. No entanto, continua a ser alvo de preconceitos e de muita informação contraditória. 

Stress e exaustão, mudanças de humor, alterações no padrão de sono, confusão mental, baixa libido, ondas de calor, suores noturnos e aumento de peso são alguns dos efeitos do processo de menopausa. Uma etapa de vida desafiante, que pode parecer solitária, mas não tem de ser assim! 

Com este livro, a autora, oferece conhecimento, combatendo mitos e mal-entendidos, para ajudar todas as mulheres a transformarem esse momento desafiante num processo emocionante e positivo.

* Descubra o que acontece ao seu corpo durante as três fases do processo de menopausa; 

* Saiba o que esperar, os efeitos mais comuns, porque se manifestam e como lidar com eles; 

* Obtenha orientação abrangente sobre a variedade de tratamentos disponíveis, incluindo medicina tradicional e complementar. 

Deixe a menopausa das suas mães e avós para trás e viva sem medos a menopausa do século XXI!

terça-feira, outubro 18, 2022

Os S'more

O S'more é um petisco tradicional famoso em acampamentos e filmes norte-americanos, que tem direito a Dia Nacional e tudo (é comemorado anualmente em 10 de agosto). 

Os s’mores são sanduíches de bolacha com marshmallow e chocolate, muito populares nas fogueiras noturnas dos acampamentos nos Estados Unidos e no Canadá, consistindo num marshmallow assado no fogo e numa camada de chocolate entre duas fatias de graham cracker.

S'more é uma contração da frase "some more (um pouco mais)". Uma das primeiras receitas publicadas para um s'more foi encontrada num livro de receitas publicado pela empresa Campfire Smores na década de 1920 onde foi chamado de "Graham Cracker Sandwich". O texto indica que o petisco já era popular entre os escoteiros e as escoteiras. Em 1927, uma receita de "Some More" foi publicada em Tramping and Trailing with the Girl Scouts.

A contração "s'mores" aparece, em conjunto com a receita,  numa publicação de 1938 destinada a acampamentos de verão. Uma receita de 1956 usa o nome "S'Mores", e lista os ingredientes como "um sanduíche de dois biscoitos, marshmallow tostado e 1 ½ barra de chocolate". Um livro de receitas de Betty Crocker de 1957 contém uma receita semelhante sob o nome de "s'mores".

Os S'mores são cozinhados tradicionalmente usando uma fogueira, embora também possam ser feitos em casa, num forno, num micro-ondas ou com um kit especial para fazer s'mores. O marshmallow, normalmente seguro por um espeto de metal ou madeira, é aquecido sobre o fogo até ficar dourado. O marshmallow quente é então colocado no topo de uma metade de bolacha com um pedaço de chocolate. A segunda metade da bolacha cracker é então sobreposta no topo da primeira metade.

Vários doces contendo graham cracker, chocolate e marshmallow são frequentemente vendidos como variações de s'mores, mas não são necessariamente aquecidos ou servidos na mesma forma que os tradicionais s'mores. O s'more em barra da Hershey é um exemplo. 

Este lanchinho delicioso tem uma receita simples: marshmallows derretidos com chocolate, colocados no meio de duas bolachas no estilo cream cracker. 

Mas não precisa de uma fogueira para prepará-los, basta ter um forno ou micro-ondas, como pode ver na receita abaixo.

segunda-feira, outubro 17, 2022

A Canção de Lisboa

A Canção de Lisboa (1933) é um filme português (comédia) realizado por José Cottinelli Telmo. Foi a segunda longa metragem sonora portuguesa (a primeira foi A Severa; uma cinebiografia de 1931 da fadista Maria Severa Onofriana) e teve como protagonistas Vasco Santana, Beatriz Costa, António Silva, Teresa Gomes, Sofia Santos, Manoel de Oliveira, Alfredo Silva, Eduardo Fernandes, Ana Maria, Manuel Santos Carvalho e Silvestre Alegrim.

Foi a primeira longa-metragem totalmente produzida em Portugal, nos laboratórios da Lisboa Filme e com equipamento Tobis. Estreou no Teatro São Luiz de Lisboa em Novembro de 1933, sendo a primeira de uma longa série de comédias populares genericamente designadas por comédia à portuguesa.

Na equipa estiveram alguns dos maiores nomes da cultura portuguesa da época, como o pintor Carlos Botelho (como assistente de direção) e o poeta José Gomes Ferreira (assistente de redacção). O artista Almada Negreiros foi autor de ambos os cartazes promocionais. A Canção de Lisboa continua a ser um clássico do cinema em Portugal, e várias das suas linhas e canções entraram na gíria comum dos portugueses.

Sinopse:

Vasco Leitão (Vasco Santana), vive da mesada das tias, que vivem em Trás-os-Montes, que nunca vieram à capital, e o consideram um aluno cumpridor. Ora, o Vasco prefere os retiros e os arraiais, as cantigas populares e as mulheres bonitas, em particular Alice (Beatriz Costa), uma costureira do Bairro dos Castelinhos, o que não agrada ao pai, o alfaiate Caetano (António Silva), sabendo-o crivado de dívidas...

Os azares de Vasco sucedem-se: no mesmo dia em que é reprovado no exame final de curso, recebe uma carta em que as tias lhe anunciam uma visita a Lisboa!...

domingo, outubro 16, 2022

Amanhecemos

dos capins seco-verdosos dos ventos areal pitanga

todos cantos

nossos cantos     aos galos das manhãs ngolas

povoação ao povo

cântico novo

kuku kukuééé

mumu mumuééé kuakiééé

amanhecemos

a festa reverdesce menino o luto das queimadas

as tetembua pirilampeando

outro clatrear

kimenemene gargalhos

sangas e fontes se beijam

no kuakiár os pássaros voados

Jorge Macedo (Poeta angolano)