domingo, novembro 06, 2011

Comboio Mala de Benguela

Manuel d'Oliveira (mentor do projecto, director musical, produtor e guitarrista), Janita Salomé (voz), Filipa Pais (voz), o angolano Yami (co-director musical, voz e baixo) e a cabo-verdiana Ritinha Lobo (voz) juntaram-se, constituiram o grupo Muxima, para fazer uma merecida e justificada homenagem, ao Duo Ouro Negro (50 anos depois do início deste Duo de angolanos). Com eles estão também o pianista Filipe Raposo e o baterista e percussionista Quiné. Recuperando as canções mais emblemáticas do Duo Ouro Negro, o tributo tem
como nome “Muxima”. O 1º disco surgiu em 2010 e marcou o inicio da caminhada do grupo, tendo atingido o 3º lugar do top nacional de vendas. Este disco, conta com as novas canções “Mulowa”, N’Zambi”,
“Kalunga”, “Comboio Mala de Benguela” e “Yemanja”.
Já agora o COMBOIO MALA, era um comboio do Caminho de Ferro de Benguela, que transportava passageiros entre a cidade do Lobito (no litoral ) e Vila Teixeira de Sousa (no interior leste de Angola), hoje conhecida como Dilolo.
Ouça os Muxima, nesta belíssima homenagem ao Duo Ouro Negro e ao Comboio Mala.

sábado, novembro 05, 2011

"A memória dos amigos"

Este ano assinala-se o centenário dos escritores, António Alves Redol (Vila Franca de Xira, 29 de Dezembro de 1911) e Manuel Lopes Fonseca, mais conhecido como Manuel da Fonseca (Santiago do Cacém, 15 de Outubro de 1911). Assinalamos, aqui, esta efeméride, através das sábias palavras do jornalista e escritor Baptista Bastos.

"A memória dos amigos"
"O Governo deixou passar em escuro os centenários do nascimento de Alves Redol e de Manuel da Fonseca. São dois dos maiores escritores da literatura portuguesa. Mas eram neo-realistas e, por isso, desdenhados pela miuçalha que voeja nos canais da cultura. E o Governo actual não é propriamente um arfante frequentador de livros. Basta ouvi-los. Aquela constante troca da expressão "competitividade" por "competividade" causa apreensão. Enfim. A verdade é que qualquer dos dois autores nos legou uma obra incomum e algumas obras-primas. Gaibéus, inaugura o movimento, cujas características se aproximavam do "realismo socialista", ou Barranco de Cegos ou, ainda, entre outros mais, o extraordinário A Barca dos Sete Lemes, de Redol, são textos definitivos, se a expressão não vai incomodar os espíritos de libélula. E O Fogo e as Cinzas, Cerromaior e Seara de Vento, de Manuel da Fonseca, instituem uma nova maneira de se entender a literatura, para se compreender o mundo. Fonseca introduz a short storie e escreve com, apenas setecentas palavras, reduzindo a zero as gorduras da retórica.

Não me interessa, agora, escarmentar um actual membro do Executivo que, em tempos, qualificou de medíocre os livros de Redol. As acções e as definições ficam para quem as pratica. Mas a memória regista e conserva a pelintrice. Manuel da Fonseca e Alves Redol eram amigos, companheiros e camaradas. Redol morreu novo, com 58 anos, e o seu funeral, em Vila Franca de Xira, por um dia embatente de frio, mobilizou muitos milhares de pessoas. A cidade estava cercada de pides, e a emoção popular só teve paralelo com o enterro de António Sérgio. Do património da Esquerda fazem parte integrante esses protagonistas anónimos que, quando é preciso, enchem as ruas, as praças e as cidades, e obrigam a Direita, que dispõe da polícia e da violência, a posar de fera sem unhas.

Redol era o mais bondoso e generoso de todos os homens que conheci. Até os desaforos de que era alvo, as injúrias com que o feriam, pareciam não o afectar grandemente. Uma alma de mármore num corpo de porcelana. E um escritor incansável, com larguíssimo volume de leitores, consciente da responsabilidade do ofício, e do efeito que as palavras podem ter. Manuel da Fonseca, um amigo devotado e o mais felino dos sarcastas. Certa ocasião, uma senhora que muda a cor do cabelo consoante os dias pares ou ímpares, escreveu, numa gazeta semanal, que o Manuel da Fonseca era muito simpático, mas o facto de ser neo-realista a espavoria. Rimo-nos da alarvidade presunçosa. E o Manuel da Fonseca, que não era para graças, resumiu numa frase mortal, o seu desprezo monográfico: "Coitada, é tão feia!"

O Governo cumpre o seu papel de os esquecer. O nosso, é o de sacudir estas inércias, e relembrá-los, com emoção e orgulho".
por BAPTISTA-BASTOS, 02 Novembro 2011 - Diário de Notícias

sexta-feira, novembro 04, 2011

Corre, raio de rio, e leva ao mar

Corre, raio de rio, e leva ao mar
A minha indiferença subjetiva!
Qual "leva ao mar"! Tua presença esquiva
Que tem comigo e com o meu pensar?

Lesma de sorte! Vivo a cavalgar
A sombra de um jumento. A vida viva
Vive a dar nomes ao que não se ativa,
Morre a pôr etiquetas ao grande ar...

Escancarado Furness, mais três dias
Te aturarei, pobre engenheiro preso
A sucessibilíssimas vistorias...

Depois, ir-me-ei embora, eu e o desprezo
(E tu irás do mesmo modo que ias),
Qualquer, na gare, de cigarro aceso...
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) - Barrow-On-Furness

quinta-feira, novembro 03, 2011

Dicionário Camões

Portugal e os países de expressão portuguesa vão dispôr a partir da segunda quinzena de novembro de mais uma ferramenta: O Dicionário Luís de Camões.
É o primeiro dedicado à vida e obra do poeta. Foi elaborado por especialistas nacionais e estrangeiros sob coordenação de Vítor Aguiar e Silva, numa edição da Caminho.
A obra, envolveu 69 colaboradores de várias nacionalidades e reúne cerca de 200 artigos sobre aquele que é considerado “o poeta da nacionalidade”, pelo facto de ter escrito a epopeia moderna “Os Lusíadas”.
“Para nós portugueses, Camões cria a única mitologia cultural digna desse nome ainda viva e, apesar das aparências, mais viva do que nunca como texto profético da nossa perenidade sempre em instância do naufrágio”, escreveu o pensador Eduardo Lourenço num ensaio sobre o dicionário publicado na revista Ler de Outubro.
Ao longo de mil páginas, o Dicionário de Luís de Camões, considerado o grande acontecimento editorial de 2011, fornece aos leitores informação rigorosa e atualizada sobre a biografia, a obra lírica, épica, dramatúrgica e epistolar de Camões, a respetiva contextualização histórico-literária, os seus problemas filológicos e a influência e a crítica camonianas nos diversos períodos da literatura portuguesa.
Este dicionário dedicado ao poeta quinhentista inclui ainda informação sobre a receção da sua obra nas principais literaturas mundiais, da espanhola à brasileira e à norte-americana.

quarta-feira, novembro 02, 2011

Calimero

Calimero é um desenho animado de origem italiana que narra a história de um meigo, mas infeliz pintinho (o único negro da família de galos amarelos). Este pintinho tem a particularidade de ter metade de uma casca de ovo na cabeça.
Os personagens, destes desenhos animados, nasceram das mãos de Nino e Toni Pagot e começaram como estrelas de uma série de anúncios publicitários (de sabão) italianos. Toda a gente rejeitava o Calimero por causa de sua aparência, mas quando era lavado, ficava branco e tudo mudava. O sucesso destes anúncios foi de tal ordem que os personagens voaram até ao Japão e transformaram-se numa série de filmes de animação destinados ao público infanto-juvenil.
Calimero atua juntamente com a sua eterna noiva Priscila (uma tímida ave com senso comum), o pássaro esverdeado Valério ( que é o aprendiz de cineasta), a pata de peso Susi, outro pato esverdeado de peso Piero (que é o eterno noivo de Susi), e uma outra tímida ave Rosella (a eterna noiva de Valério). Na maioria das vezes, a série consiste nas muitas aventuras dos personagens para resolverem mistérios e fazerem documentários. Aventuras, contudo, que os colocam em grandes riscos.
A série é uma co-produção (de 1973 a 1974 e de 1993 a 1994) entre a Itália e o Japão e pode ser englobada nos géneros: comédia, ação, aventura, infanto-juvenil.
Se não conhece não perca! Se já conhece o Calimero, recorde esta ternurenta personagem.

terça-feira, novembro 01, 2011

Um "Pão Por Deus"

A Igreja Católica celebra a Festum Omnium Sanctorum
a 1 de novembro (a festa do dia de Todos-os-Santos é celebrada em honra de todos os santos e mártires, conhecidos ou não) a que se segue o dia dos fiéis defuntos, a 2 de novembro.
Em Portugal, no dia de Todos-os-Santos as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos grupos para pedir o pão por Deus de porta em porta. As crianças quando pedem o pão por Deus cantam e recitam versos após o que recebem como oferendas: pão, broas, bolos, romãs e frutos secos (nozes, amêndoas ou castanhas) que colocam dentro de sacos de pano. É também costume em algumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo, o San
toro
. Em algumas povoações chama-se a este dia o "Dia dos Bolinhos".
Pensa-se que esta tradição teve origem em 1756, na cidade de Lisboa (1 ano depois do grande terramoto que destruiu a cidade). A 1 de novembro de 1755 ocorreu o terramoto que afectou Lisboa, no qual morreram milhares de pessoas. A população da cidade, que era na su
a maioria pobre, mais pobre ficou, após tal catástrofe.
Como a data do terramoto coincidiu com uma data com significado religioso (1 de novembro), de forma espontânea, no dia em que se cumpria o primeiro aniversário do sismo, a população aproveitou a solenidade do dia para desencadear, por toda a cidade, um peditório, com a intenção de minorar a situação difícil em que se encontrava. As pessoas, percorriam a cidade, batiam às portas e pediam que lhes fosse dada qualquer esmola, mesmo que fosse pão, dado grassar a fome pela cidade. E, ao fazê-lo as pessoas pediam: "Pão por Deus".

Esta tradição perpetuou-se no tempo, sendo sempre comemorada neste dia e tendo-se propagado gradualmente a todo o país. Atravessou, depois, o oceano chegou aos Açores, e à Madeira e viajou até o Brasil.
Na cidade de Lisboa o Pão por Deus é, contudo, uma tradição em vias de extinção. Só esporadicamente e em alguns bairros é que as crianças andam a fazer este peditório.
Até a comunicação social, contribui para o empobrecimento da nossa memória coletiva e o desaparecimento de algumas destas tradições. Neste dia, as estações de TV, a Rádio e os jornais, falam mais no Halloween, do que no "Pão por Deus".
Para que não esqueça o " Pão por Deus", aprecie agora os versos de uma das cantilenas usadas para o pedir:

“Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus.”

Ou então:
“Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu’estão mortos, enterrados
À porta daquela cruz

Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro

Assentada num banquinho
Faz favor de s’alevantar

P´ra vir dar um tostãozinho.”

Quando os donos da casa dão alguma coisa:
“Esta casa cheira a broa
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho.”

Quando os donos da casa não dão nada:
“Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto.”

segunda-feira, outubro 31, 2011

dou.pt


O dou.pt é um portal que entrará em funcionamento hoje dia 31 de Outubro, Dia Mundial da Poupança. O projecto dou.pt será apresentado, oficialmente, na Gulbenkian no dia 3 de Novembro.
O site http://dou.pt ajuda-o a desfazer-se daquilo de que já não precisa porque é um Portal de Doações e pretende revolucionar a forma como os bens circulam em sociedade. Esta plataforma online destina-se a unir quem já não quer a quem ainda precisa. O conceito é muito simples. Na própria definição dos criadores do projecto, a lógica é esta: o dou.pt é uma "plataforma nacional para a reutilização de bens, que faz a ponte entre quem se quer desfazer de um bem e quem o pretende receber".
Este projecto é a criação de "um grupo de amigos, todos entre os 25 e 35 anos, que trabalham no mesmo, em regime de voluntariado, ou seja como hobby".
A quem poderá interessar o dou.pt? Virtualmente a qualquer pessoa, que irá doar ou receber. Imagine que tem um mono lá em casa - um frigorífico ou uma máquina de lavar, por exemplo - e que se vai mudar para uma casa nova que já tem tudo isso. Talvez seja difícil vender esse mono, porque já lhe deu muitos anos de uso, mas será certamente fácil encontrar alguém que precise mesmo desse eletrodoméstico e que ainda lhe possa dar mais uns anos de vida. Imagine que, por outro lado, quer comprar uma mesa e quatro cadeiras e que não tem dinheiro para isso. Basta ir ao dou.pt e poderá encontrar alguém que se queira desfazer de semelhante conjunto. É o equivalente online, do antigo método de pôr as mobílias velhas à porta de casa, à disposição dos transeuntes.
No dou.pt, todos os artigos vão estar georeferenciados e organizados por categorias o que permitirá uma grande facilidade de consulta. O projecto prevê ainda que todos os objectos que não encontrem novos donos, possam ser reciclados de forma sustentável.

domingo, outubro 30, 2011

Dizendo que é só amor

Dizendo que é só amor
fazes Deus menor que Deus
cercas o ilimitado
dos limites que são teus.

Deixa de estufar o peito
quando fazes tuas rondas
talvez teu cérebro seja
só um bom detector de ondas.

Do que é o Espírito Santo
só diga quem fique mudo
que palavra há que me leve
àquele nada que é tudo.

E venha filosofia
teologia que farte
o que se pense de Deus
é só de Deus uma parte.

Nunca voltemos atrás
tudo passou se passou
livres amemos o tempo
que ainda não começou.

É só bem dentro de nós
que o projeto se anuncia
se retoma se reforma
e se volta à luz do dia.


É o mundo que nos coube
perpétua ronda de amor
do criado ao incriado
por sua vez criador.

Mais longe estás se houve início
mais perto se o tempo finda
e a rosa que em ti abriu
é em mim botão ainda.

Mais que a teu Deus sê fiel
ao que tu sejas de Fé
talvez o Deus que te crias
oculte o Deus que Deus é.
Mais que tudo quero ter
pé bem firme em leve dança
com todo o saber de adulto
todo o brincar de criança.

O mundo é só o poema
em que Deus se transformou
Ele existe e não existe
tal a pessoa que sou.

Todo momento que foge

a eternidade encerra
só atingirás o céu
por cuidado passo em terra.

Talvez seja isto somente
o de mais perfeito ensino
ter homem a liberdade
de se entregar ao destino.

Divino espírito santo
senhor do imprevisível
me toma pois da verdade
só quero o que for incrível.

Como durmo sossegado
sabendo que por mim vela
uma coisa que sonhando
vivo me tem dentro dela.
Agostinho da Silva

sábado, outubro 29, 2011

Maria Flor

Proponho-lhe que aprecie, hoje, uma curta metragem de animação de uma jovem artista brasileira, Camila Carrossine.
Camila Carrossini vive em São Paulo tendo feito o bacharelato em Artes Plásticas em 2005.
Da sua curta filmografia fazem parte alguns filmes de animação, que estiveram presentes em vários certames, onde receberam prémios e menções honrosas.

sexta-feira, outubro 28, 2011

Fotos com história(s)

A fotografia é uma técnica de criação de imagens, por meio de uma exposição luminosa, que se fixam depois numa superfície sensível. A primeira fotografia reconhecida remonta ao ano de 1826 e é atribuída ao francês Joseph Nicéphore Niépce. Contudo, a invenção da fotografia não é obra de um só autor, mas um processo para o qual contribuiram muitas pessoas, que trabalharam juntas ou em paralelo ao longo de muitos anos.
O daguerreótipo é um também um processo fotográfico, mas, feito sem uma imagem negativa. Foi criado pelo francês Louis Daguerre em 1837 e anunciada em 1839.
Embora os princípios fundamentais da fotografia se tenham estabelecido há décadas e, desde a introdução do rolo (filme) colorido, quase não tenham sofrido mudanças, os avanços tecnológicos têm possibilitado melhorias quer na qualidade das imagens produzidas, quer na agilização das etapas do processo de produção, quer na redução de custos, o que popularizou o uso da fotografia.
Atualmente, a introdução da tecnologia digital modificou, drasticamente, o mundo da fotografia.
De uma forma ou de outra, esta tecnologia permitiu a fixação para a posteridade, de acontecimentos ou factos que fizeram história. Deixo-lhe aqui uma belíssima apresentação com 45 fotografias que contam algumas das histórias da história. Ora veja!

quinta-feira, outubro 27, 2011

Oh Lua

Os Mercado Negro são um grupo de música portuguesa onde a miscigenação e a multiculturalidade são um dos traços dominantes. As músicas do grupo são o fruto e o reflexo da cidade onde vivem, que é Lisboa… Lisboa cada vez mais rica culturalmente devido à cada vez maior diversidade étnica, linguística e religiosa.
Os Mercado Negro demonstram, através da música, que é possível uma convivência harmoniosa entre culturas diferentes, pois aquela é o resultado de uma mistura das suas raízes afro, com os sons da lusofonia e com o Reggae que constitui a sua espinha dorsal.
Os Mercado Negro já passaram pelos principais festivais portugueses tais como: o Festival do Sudoeste, o Delta Tejo, o Super Bock Super Rock, o Sagres Surf Festival, o Festival de Paredes de Coura, a Festa do Avante, etc.
A primeira aparição pública do grupo deu-se em 1999 no lendário Ritz Club e o disco de estreia em 2004. Deste disco destacaram-se dois enormes êxitos: “Beija-Flor" e “Oh Lua”.
Em 2006, sai o 2º disco ao qual chamaram “Aquecimento Global”. Deste deve chamar-se a atenção para o megahit “Leoa Tigresa". Em 2010 saiu o 3º álbum intitulado “Conversas de Quintal”, considerado como o melhor álbum da banda.
Ouça-os agora em Oh Lua e não deixe de os conhecer melhor visitando o seu excelente site oficial. Para isso, basta clicar aqui.

quarta-feira, outubro 26, 2011

O Lago Baikal

O lago Baikal é um lago que se localiza no sul da Sibéria, Rússia, perto de Irkutsk. Com 636 km de comprimento e 80 km de largura, é o maior lago de água doce da Ásia. É, também, o maior em volume de água do mundo, o mais antigo (25 milhões de anos) e o mais profundo da terra, com 1680 metros de profundidade.
A superfície do Lago Baikal é de 31 500 km² e aí desaguam cerca de 300 rios. Este lago é responsável por 20% da água doce líquida do planeta.
Tem um habitat rico em biodiversidade, com cerca de 1085 espécies de plantas e 1550 espécies e variedades de animais, sendo conhecido como as "Galápagos" da Rússia. Mais de 60% dos animais são endémicos. Por exemplo, das 52 espécies de peixes, 27 são endémicas.
Confira tudo isto na apresentação que selecionei para hoje.

terça-feira, outubro 25, 2011

Maria Campaniça

Debaixo do lenço azul com sua barra amarela
os lindos olhos que tem!
Mas o rosto macerado
de andar na ceifa e na monda
desde manhã ao sol-posto,
Mas o jeito
das mãos torcendo o xaile nos dedos
é de mágoa e abandono...
Ai Maria Campaniça,
levanta os olhos do chão
que quero ver nascer o sol!
Manuel da Fonseca

segunda-feira, outubro 24, 2011

À Descoberta da Aventura : O Livro (Book)

O Dia Internacional da Biblioteca Escolar é celebrado todos os anos no 4ª segunda-feira de Outubro. Foi comemorado pela primeira vez a 18 de Outubro de 1999. Este ano, o Dia Internacional da Biblioteca Escolar é hoje, 24 de Outubro, e o tema de reflexão para este ano é “À Descoberta da Aventura”.
Para assinalar este dia sugiro-lhe dois pequenos vídeos. Um mostra o livro (Book) como um produto inovador nesta era da tecnologia digital e que é uma excelente ferramenta de incentivo à leitura! O outro sintetiza em dois minutos a história do livro.
Não perca!


domingo, outubro 23, 2011

A menina que odiava livros



Com o selo de qualidade de The National Film Board of Canada, "A menina que odiava livros" é um pequeno filme de animação que conta a história de Nina, uma menina que não gostava de ler, mas que, ao deparar-se com o rico universo da leitura, descobre uma nova realidade e um mundo de prazer.
Não perca esta preciosidade.
Já agora a autora do livro que serviu de base a esta aninação, é advogada e chama-se Manjusha Pawagi. É indiana mas depois, ainda criança, foi para o Canadá onde ainda hoje vive.

sábado, outubro 22, 2011

Ser professor

Ser professor é ser artista,
malabarista,
pintor, escultor, doutor,
musicólogo, psicólogo...
É ser mãe, pai, irmã e avó,
é ser palhaço, estilhaço,

É ser ciência, paciência...
É ser informação,
é ser acção.
É ser bússola, é ser farol.
É ser luz, é ser sol.

Incompreendido?... Muito.
Defendido? Nunca.
O seu filho passou?...
Claro, é um génio.

Não passou?
O professor não ensinou.

Ser professor...
É um vício ou vocação?
É outra coisa...
É ter nas mãos o mundo de
AMANHÃ

AMANHÃ
os alunos vão-se...
e ele, o mestre, de mãos vazias,
fica com o coração partido.
Recebe novas turmas,
novos olhinhos ávidos de
Cultura
e ele, o professor,
vai despejando
com toda a ternura,
o saber, a Orientação
nas cabecinhas novas que
amanhã
luzirão no firmamento da
Pátria.
Fica a saudade...
a Amizade.
O pagamento real?
Só na eternidade.
Autor desconhecido

sexta-feira, outubro 21, 2011

Show de computação gráfica


Veja um show de criatividade e de computaçao gráfica (3D) numa fachada de um prédio em Berlim. Este evento foi realizado por uma empresa sul coreana, a LG.
É impressionante.
Não perca!

quinta-feira, outubro 20, 2011

Uma escola na Austrália


Este é mais um um vídeo a não perder!
É simplesmente inacreditável e sintomático o que as escolas vivem por esse mundo fora.
Pouco falta para que algumas das escolas portuguesas tenham de adotar uma estratégia semelhante.
Assista com atenção!


quarta-feira, outubro 19, 2011

Último Beijo

Ouça o Último Beijo de Garda. Garda foi a primeira angolana a gravar um disco, mas, passou ao lado da fama por teimosia. Mais de 50 anos depois e já com 79 anos, regressou a estúdio.
Quando pequena colocava-se debaixo da mesa da sala dos pais, em Luanda, para ouvir os amigos da família cantarem e tocarem pela noite fora. "Muita tareia levei da minha mãe, de cada vez que ela descobria que, em vez de estar a dormir, estava ali debaixo da mesa."
"Comecei na música na brincadeira. Não tive professores. Em Angola, não havia academia. Aprendi tudo sozinha e depois fiz o conjunto com os meus irmãos, mas nunca pensei que iria ter projeção."
Hoje, quando a saúde lhe permite, organiza festas ou vagueia de bar em bar pela noite alfacinha, animando um séquito que a idolatra carinhosamente e muito lamenta a negação que ela faz da sua natureza artística.
Até se assustar com a sua hipertensão, fazia "diretas" de segunda a sábado: "Não descansava nada... Era um vai aqui e vai ali. Por isso é que digo que não sou artista. Sou uma louca por música. Uma doida, vadia, boémia, independente, despistada. Não tenho horários e gosto de fazer o que me apetece. Não gosto de me arranjar. Sou simples. Não sou coquete. Toco para a malta toda. Sou a velha vadia de Portugal."
Garda tem um fado corrido - que acabou por não ser incluído no seu último disco - que usa para se apresentar:
"Chamaste-me velha vadia
isso não importa nada
sou da noite
gosto de fado
sou vadia sim senhor
visto o meu camuflado
e aí vou eu
por ridículo que pareça
cá tenho a minha razão
assim não sou roubada nem violada
pois as velhas escapam à pedalada
Convento da Encarnação é a minha casa
hei de morrer a ouvir o fado vadio
sou vadia sim senhor
."
Ildegarda (Garda) Oliveira
Este Último Beijo de Garda é sensacional. Ora, ouça!

terça-feira, outubro 18, 2011

Porque é que se vive?

Veja este pequeno filme, por favor. É um anúncio criado pela Ogilvy para o TC Bank de Taiwan. O vídeo é baseado numa historia real, está legendado em português e é de boa qualidade.
É a história de cinco amigos que se reúnem após a morte de um sexto. Têm uma média de idades de 81 anos e problemas de saúde. Vivem das lembranças do passado e dos amigos que já se foram. Com a morte do amigo resolvem dar um reviravolta na vida que levavam. Decidem, então, revisitar a sua juventude de motoqueiros. Recuperam as suas velhas motos que estavam encostadas, fazem seis meses de preparação física e empreendem uma viagem de moto de treze dias. Percorrem 1.139 km para atravessar o país de norte a sul, reviver uma aventura, recuperar os sonhos perdidos e encontrar um novo sentido para a vida. Os cinco amigos desta história real são os actores deste pequeno filme.
É uma história muito bonita, retratada por esta agência publicitária de forma brilhante.
Não espere pelos 81 anos, pense no que diz um provérbio chinês : “Vive a vida. É mais tarde do que tu pensas".

segunda-feira, outubro 17, 2011

TERRA TÍSICA

terra sahel

vento

cinzento

esboçando

voos amargos

movediços

esperança a esvaiar

das alturas do futa djalon

-o bombolom

lamina ventos

anuncia eventos

repica forte

e geme

no corpo

do vento saheliano

dores saheis

em contravento

a seca

é um gemido ululante

sublimado

nas cordas adelgaçadas

do nhanhero griot

a chuva

que o vento

levou

mora no imaginário

sumido

de um choro

sem tambores

sem cana sem

lágrimas

o vento

deixou-nos

a ânsia gotejando

no pulmão da terra tísica

tony tcheka - (in “Os rumos de vento”- Fundão Portugal)

domingo, outubro 16, 2011

A Alimentação

O Dia Mundial da Alimentação celebra-se anualmente a 16 de Outubro, porque este dia marca o dia da fundação da organização das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura (FAO), em 1945.
Mas a decisão da sua celebração só foi estabelecida em 1979, na 20ª Conferência da Organização das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura.
Os objetivos do Dia Mundial da Alimentação são:
•Alertar para a necessidade da produção alimentar e reforçar a necessidade de parcerias a vários níveis;
•Alertar para a problemática da fome, da pobreza e da desnutrição no mundo;
•Reforçar a cooperação económica e técnica entre países em desenvolvimento;
•Promover a transferência de tecnologias para os páises em desenvolvimento;
•Encorajar a participação da população rural, na tomada de decisões que influenciem as suas condições de vida.
Em 2011 o tema central do Dia Mundial da Alimentação é: "Preços da alimentação - da crise à estabilidade."
Assista, agora, a um excelente vídeo sobre a roda dos alimentos.

sábado, outubro 15, 2011

O Top 10



Hoje deixo-o com uma apresentação interessante. Mostra o Top dos mares mais profundos ou dos maiores rios e lagos. Pode ainda ver os 10 maiores países, os 10 países mais povoados ou os 10 mais limpos, etc.
Vale a pena perder uns minutinhos para analisar os dados nele contidos.

sexta-feira, outubro 14, 2011

Fundo di Matu

Ouça e veja Manecas Costa interpretando "Fundo di Matu", no programa Embondeiro.
Manecas Costa é um cantor de Guiné-Bissau, que vive nos arredores de Lisboa. O seu estilo musical é o Gumbé.
Manecas é um músico e compositor de reconhecida capacidade e é considerado um dos maiores artistas da Guiné - Bissau e da Africa Negra. Já realizou espetáculos por todo o mundo. De destacar as suas actuações no Rock in Rio e na Casa da Música no Porto.

quinta-feira, outubro 13, 2011

Vai um cafezinho?

Vamos tomar um cafezinho?
Então sugiro-lhe que o saboreie nos mais belos cafés do mundo! De Portugal ao Brasil, passando pela república Checa, pela Austria ou por França, entre outros países.
Entre, sente-se, aspire o aroma e saboreie esta deliciosa bebida.
O café é uma bebida produzida a partir dos grãos torrados do fruto do cafeeiro. É servido tradicionalmente quente, mas também pode ser consumido gelado. O café é um estimulante, por possuir cafeína (de 80 a 140 mg por cada 207 ml, dependendo do método de preparação).
Sabia que nalguns períodos da década de 1980, o café foi a segunda "commodity" mais negociada no mundo (tendo em conta o valor monetário), atrás apenas do petróleo? E que em 2003, o café foi o sétimo produto agrícola de exportação mais importante em termos de valor, atrás de culturas como o trigo, o milho e a soja?
Sempre vamos ao tal café?
Então venha daí!

quarta-feira, outubro 12, 2011

Três mulheres de armas

Este ano o Prémio Nobel da Paz foi para três mulheres: Ellen Johnson Sirleaf, Leymah Gbowee (da Libéria) e Tawakul Karman (do Iémen).
O Comité Nobel Norueguês distinguiu as três mulheres «pela luta pacífica em defesa da segurança das mulheres e dos direitos das mulheres na participação total no trabalho de construção da paz».
Johnson Sirleaf, de 72 anos, economista formada em Harvard, é a primeira mulher presidente de África, eleita democraticamente em 2005.
A activista liberiana Leymah Gbowee organizou um grupo de mulheres cristãs e muçulmanas para desafiar os senhores da guerra na Libéria e foi a protagonista de uma «greve de sexo» que acabou por acabar com a guerra civil de 13 anos no país.
Tawakul Karman, de 32 anos, tem três filhos e liderou a organização Mulheres Jornalistas sem Correntes, um grupo de defesa dos direitos humanos. Tem desempenhado um papel fundamental na organização dos protestos no Iémen contra o governo do Presidente Ali Abdullah Saleh, que se iniciaram no final de Janeiro.

terça-feira, outubro 11, 2011

Lisboa

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas
Subidas.
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos.
Eles acenavam através das grades.
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados!

"Mas aqui", dizia o revisor e ria baixinho como um afectado
"aqui sentam-se os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
e em cima, a uma janela, um homem,
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando
para além do mar.

A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos depois, peguntei a uma dama de Lisboa:
Isto é real, ou fui eu que sonhei ?
Tomas Tranströmer - (Traduzido por Luís Costa)

segunda-feira, outubro 10, 2011

Assuão

Proponho-lhe um passeio até ao Egito. Mais propriamente até à província e cidade de Assuão.
A província de Assuão é uma província do Egito cuja capital é a cidade de Assuão e que se localiza no Alto Egipto, no sul do país. Estende-se ao longo do rio Nilo, desde Qina até à fronteira com o Sudão. Tem uma área de 679 km² com uma população, de 1 184 432 habitantes. O sítio arqueológico de Abu Simbel encontra-se na província de Assuão.
A cidade de Assuão dista 950 quilómetros do Cairo. Nesta cidade existem vários lugares interessantes para serem visitados: o Museu da Núbia, que possui 300 peças representando diferentes épocas: pré-histórica, faraónica ptolomaica, copta e islâmica; a Ilha Elefantina que separa o Nilo em dois canais em frente da cidade. Esta ilha possui, para além do mais, ruínas dos templos de Jnum, de Sadet e do seu filho Anukis. O nome atribuído à ilha (Abú-elefante), é de origem árabe, pois as rochas assemelham-se a estes animais pela sua cor e pelas formas que detêm. Nesta ilha situa-se também o Nilómetro, sistema utilizado pelos antigos egípcios para medir a altura das águas do Nilo. Entre outros lugares a visitar estão o Jardim Botânico; o Mausoléu do Aga Khan que é um túmulo fatimida, o Mosteiro de São Simão, construído no século XII e que acolheu os monges missionários que converteram alguns dos núbios ao Cristianismo.
Pode ainda visitar o Obelisco Inacabado (com cerca de 41 m e que poderá pesar cerca de 1.168 toneladas), construído com granito vermelho proveniente das pedreiras de Assuão; o cemitério fatimita onde os Túmulos dos Nobres que datam do Império Antigo, revelam no seu interior cenas da vida quotidiana. Pode ainda conhecer o Templo de Filae, dedicado à Deusa Isis, onde se pode assistir a um maravilhoso espectáculo de luz e som e a Grande Barragem, construída nos anos 60, que fornece água e electricidade a todo o Egito. No entanto, a diminuição das inundações devido à barragem prejudicou a agricultura; o rico fertilizante do Nilo já não se deposita periodicamente nas terras de cultivo. Apesar de tudo, a barragem de Assuão foi considerada uma dádiva para a economia egípcia. Da barragem pode ainda avistar o Templo de Kalabsha.

domingo, outubro 09, 2011

O visionário da maçã

O mago da tecnologia deixou o mundo dos vivos. Steve Jobs morreu aos 56 anos e o mundo não ficou indiferente. O anúncio da sua morte espalhou-se por todo os cantos deste planeta.
Deixo-o com um vídeo, e algumas das ideias deste visionário criador da Apple.

"Tem que encontrar aquilo de que gosta. E isso é verdade tanto para o trabalho quanto para os seus companheiros. O seu trabalho vai ocupar uma grande parte da sua vida, e a única maneira de estar verdadeiramente satisfeito é fazer aquilo que acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um ótimo trabalho é fazer o que ama fazer. Se ainda não encontrou, continue procurando. Não se contente. Assim como com as coisas do coração, saberá quando o encontrar. E, como qualquer ótimo relacionamento, fica melhor e melhor com o passar dos anos. Então continue procurando e acabará por encontrar. Não se contente".
Steve Jobs

"Ser o mais rico do cemitério não é o que mais me importa a mim. Ir para a cama à noite e pensar que foi feito alguma coisa grande. Isso é o que mais me importa a mim".
Steve Jobs

"Você pode encarar um erro como uma ninharia que deve ser esquecida, ou como um resultado que aponta para uma nova direção".
Steve Jobs

"Tenha coragem de seguir o que o seu coração e a sua intuição dizem. Eles já sabem o que realmente deseja. Tudo o resto é secundário".
Steve Jobs

sábado, outubro 08, 2011

Memórias de uma aula no Liceu de Setúbal

Há professores e há aulas que nos marcaram ou marcam. Esta aula teria celebrado dia 4 de outubro mais um aniversário. Este professor diferente, deixou uma marca em Portugal, na Galiza, nos países lusófonos, enfim... no Mundo. Aqui ficam as "Memórias de uma aula no Liceu de Setúbal".

"Barreiro, 4 de Outubro de 1967 - (Quarta-feira)"

Segundo dia de aulas. Continua o desassossego, com o pessoal a trocar beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram 3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no
1º andar e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser mais do que velho. Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º 34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é o lugar dos mais altos.
Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal, dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política. Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e contente porque dizem que e
le é um fadista afamado. Tenho realmente uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inêscontou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza. Quando entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:
- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também não vos vou chatear.

Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que
já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto, rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em
silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala, impecavelmente limpas.
Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer
professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se, efectivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia. Depois, veio o mais surpreendente:
- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo dizer-vos qu
e não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu. Gargalhada geral.
- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em palhaçadas. Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele ficou impávido e ser
eno. Continuava a mostrar um semblante discreto, calmo, simpático.
- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem´interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.
Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha passado pela frente um professor com tamanha ousadia.
- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse, como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que nos governa é uma ditadura desumana e cruel.
Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o sorriso e estavam
agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente
como uma nuvem de fumo branco, que se sente mas não se apalpa.
- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria. Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque, no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês têm que fazer. Estudar. Para serem homens e mulheres cultos para poderem combater, cada um onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que lutar por um novo país. Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha, basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida, mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão, educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei. Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país, carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e cultural.
Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem
os vossos mais altos
objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas. Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar
princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam? Bem, por hoje é tudo, podem sair.
Vemo-nos na próxima aula.

Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que fenómeno é este que aterrou em Setúbal? Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de Organização Política, chama-se Zeca Afonso".
Hélida Carvalho Santos

sexta-feira, outubro 07, 2011

HISTÓRIAS DE MARINHEIROS

Há dias de inverno sem neve em que o mar é parente
de zonas montanhosas, encolhido sob plumagem cinza,
azul só por um minuto, longas horas com ondas quais pálidos
linces, buscando em vão sustento nas pedras de à beira-mar.

Em dias como estes saem do mar restos de naufrágios em busca
de seus proprietários, sentados no bulício da cidade, e afogadas
tripulações vêm a terra, mais ténues que fumo de cachimbo.

(No Norte andam os verdadeiros linces, com garras afiadas
e olhos sonhadores. No Norte, onde o dia
vive numa mina, de dia e de noite.

Ali, onde o único sobrevivente pode estar
junto ao forno da Aurora Boreal escutando
a música dos mortos de frio).
1954 - Thomas Tranströmer - Prémio Nobel da Literatura 2011

quinta-feira, outubro 06, 2011

A Crise e o Humor


"Portugal 2011, Ano Nacional da Crise" é um projecto de dois criativos (um designer e um redator) que decidiram criar produtos que nos levassem a sorrir com a crise. O projecto envolve produtos como cartões de visita, cartazes, sacos para compras, gravatas, etc.
O humor não paga as contas, mas, ajuda-nos a superar este quotidiano cinzentão.
Ouça e veja agora os objectivos destes amigos: João Madeira e Paulo Freitas.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Dois Poetas da República

Guerra Junqueiro e Antero de Quental foram dois dos poetas que representam a poesia com orientação política republicana.
Antero Quental (Ponta Delgada, 1842 — 1891) foi um escritor e poeta de Portugal que teve um papel importante no movimento da Geração de 70.
Guerra Junqueiro (Freixo de Espada à Cinta,1850 — Lisboa, 1923) foi bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta. Foi o poeta mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada "Escola Nova". Poeta panfletário, a sua poesia ajudou criar o ambiente revolucionário que conduziu à implantação da República (em 5 de outubro de 1910).“ O fim duma nação é derramar justiça, divulgar virtude, criar formosura,
produzir ciência
." ( Discurso de Guerra Junqueiro)“ O que há de mais baixo no homem, a imbecilidade, a cobiça – gula de porco, veneno de réptil, cinismo de macaco, rancor de fera – eis o governo da nação, eis o guia do povo, eis a norma da pátria”. (Ibid.)
“ Quem sobre a terra portuguesa defender a justiça, pugnar pelo direito ou batalhar pela verdade, granjeia em premeia a calúnia, o cárcere, o desterro, a miséria e a morte”. (Ibid.)
Foram poucos mas marcaram uma época. Estes poetas pretendiam através dos seus versos lutar por uma causa e ajudar uma mudança político-social que vinha florescendo em Portugal. É um erro, contudo, pensar que todos os poetas que viveram o acontecimento lutaram por ele nos seus escritos.
O projecto de leitura de poesia em língua portuguesa “Jograis do Atlântico”, formado por Francisco Félix Machado e Edite Gil preparou, no âmbito do centenário da Primeira República, uma selecção de textos que divulgou durante aquelas comemorações . Aqui lhes deixo dois vídeos alusivos a este facto e a estes poetas.


terça-feira, outubro 04, 2011

Dados biográficos

Mas que dizer do poeta
Numa prova escolar?
Que ele é meio pateta
E não sabe rimar ?
Que veio de Itabira,
Terra longe e ferrosa ?
E que seu verso vira,
De vez em quando, prosa ?
Que é magro, calvo, sério
(na aparência ) e calado,
com algo de minério
não de todo britado?
Que encontrou no caminho
Uma pedra e, estacando,
Muito riso escarninho
O foi logo cercando?
Que apesar dos pesares
Conserva o bom-humor
Caça nuvens nos ares,
Crê no bem e no amor ?

Mas que dizer do poeta
Numa prova escolar
Em linguagem discreta
Que lhe saiba agradar? (1)
Carlos Drummond de Andrade - (1) Viola de bolso II

segunda-feira, outubro 03, 2011

"Lua nha Testemunha"

Fique com Nuno Guerreiro e Nancy Vieira em "Lua nha testemunha" (letra e música
de Dany Silva ).
Nuno Guerreiro (1972) é um cantor português e ex-vocalista na banda Ala dos Namorados, onde ganhou enorme popularidade. Nuno é um contra-tenor, pelo que a sua voz lhe permite explorar diversas sonoridades. Possui assim, a capacidade de interpretar repertório barroco - oratória, árias de Handel ou Purcell, assim como fado, pop ou música soul. Estudou canto lírico no Conservatório Nacional português, onde também obteve o seu diploma como bailarino profissional
Nancy Vieira está ligada a Cabo Verde e à Guiné - Bissau. Tem três discos editados – Nôs Raça, Segred e Lus e tem cantado em Portugal, Cabo Verde e um pouco por todo o mundo. A sua voz tão peculiar tem sido pretexto para ser convidada a participar em discos e espectáculos de inúmeros artistas de entre os quais se destacam Rui Veloso, Ala dos Namorados e Dany Silva.

"Lua nha Testemunha" (letra)

Bô ca ta pensa nha cretcheu
Nem bô ca ta imaginá
O que longe di bô `m tem sofridoPergunta lua na céu, lua nha companheira di solidão


Lua vagabunda di espaço, qui conchê tudo nha vida
Nha disventura, ele qui ta contabo nha cretcheu

Tudo o c`um tem sofrido
Na ausência e na distância.
Mundo, bô tem rolado cu mim
Num jogo di cabra cega, sempre ta persegui`m
Pa cada volta qui mundo dá
El ta traze`m um dor pa`m tchiga más pa Deus
Mundo, bô tem rolado cu mim
Num jogo di cabra cega, sempre ta persegui`m
Pa cada volta qui mundo dá
El ta traze`m um dor pa`m tchiga más pa Deus

domingo, outubro 02, 2011

A Crise By Einstein

"Não pretendemos que as coisas mudem, se fazemos sempre o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e com os países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera-se a si mesmo sem ficar "superado".
Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la."

Albert Einstein