segunda-feira, fevereiro 21, 2011

O Museu de Frida

Frida Kahlo (1907 — 1954) foi uma pintora mexicana. O nascimento de Frida ocorreu na casa dos pais, conhecida como La Casa Azul, em Coyoacán, que naquela época era uma pequena cidade nos arredores da Cidade do México.
Embora o casamento dos pais tenha sido muito infeliz, Guillermo e Matilde tiveram quatro filhas, sendo Frida a terceira.
Com seis anos, Frida contrai poliomielite, sendo esta a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofre ao longo da vida. A poliomielite deixou-lhe uma lesão no pé direito e a partir daí começa a usar calças. Mais tarde, usa também longas e exóticas saias, que vieram a ser uma das suas marcas pessoais.
Ao contrário de muitos artistas, Kahlo não começou a pintar cedo.
Entre 1922 e 1925 frequenta a Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México e assiste a aulas de desenho e modelagem.
Em 1925, com 18 anos aprende a técnica da gravura com Fernando Fernandez. Porém sofre, nessa altura, um grave acidente. O eléctrico onde viajava chocou com um combóio. O pára-choque de um dos veículos perfurou as costas de Frida, atravessou-lhe a pélvis tendo saído pela vagina. As sequelas deste acidente obrigaram-na a ter de usar vários coletes ortopédicos de materiais diferentes. Chegou inclusive a pintar alguns deles (por exemplo o colete de gesso na tela intitulada "A Coluna Partida"). Por causa desta tragédia, fez várias cirurgias e ficou muito tempo acamada. Durante a longa convalescença, começou a pintar com uma caixa de tintas que pertenciam ao seu pai, e com um cavalete adaptado à cama.
Em 1928, Frida Kahlo adere ao Partido comunista mexicano. Aí conhece o muralista Diego Rivera, com quem se casa(tinha 21 anos) no ano seguinte. Foi um casamento tumultuoso, visto que ambos tinham temperamentos fortes e casos extraconjugais. Kahlo, que era bissexual, esteve relacionada com Leon Trotski depois de separar-se de Diego. Rivera aceitava abertamente os relacionamentos de Kahlo com mulheres, embora não aceitasse os seus casos com homens.
Sob a influência da obra do marido, adotou o emprego de zonas de cor amplas e simples num estilo propositadamente reconhecido como ingénuo. Procurou através da sua arte afirmar a identidade nacional mexicana. Por isso, adotava com muita frequência temas do folclore e da arte popular do México.
Entre 1930 e 1933 passa a maior parte do tempo em Nova Iorque e Detroit com Diego Rivera. Entre 1937 e 1939 Leon Trotski vive na sua casa de Coyoacan.
Em 1938 André Breton qualifica a sua obra como surrealista, num ensaio que escreve para a exposição de Kahlo, na galeria Julien Levy de Nova Iorque. Porém Frida, declara mais tarde: "pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade".
Alguns dos seus primeiros trabalhos incluem o Auto-retrato num vestido de veludo (1926), Retrato de Miguel N. Lira (1927), Retrato de Alicia Galant (1927) e Retrato de minha irmã Cristina (1928).
Agora proponho-lhe que visite a Casa Azul de Frida que está hoje transformado no fabuloso museu desta extraordinária mulher.
A visita ao Museu de Frida Kahlo percorre todos os espaços da casa (de forma panorâmica) que está decorada de forma extraordinária com os objectos desta pintora mexicana.
Não desperdice a oportunidade de conhecer Frida Kahlo e visitar a Casa Azul que tanto amou.

sábado, fevereiro 19, 2011

Sobre o Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo.
Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Herberto Helder

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Deslizamento

Impressionante deslizamento de terra no Japão.
Impressionante é como os japoneses o detectaram antecipadamente e cercaram a estrada, exatamente, no troço perigoso. Como diz o velho ditado, "Vale Mais Prevenir do que Remediar".
Um deslizamento de terra é um fenómeno geológico que inclui vários tipos de movimentos do solo: quedas de rochas, falência de encostas em profundidade e fluxos superficiais de detritos. Embora a ação da gravidade sobre encostas demasiado inclinadas seja a principal causa dos deslizamentos de terra, existem outros factores: a erosão provocada por rios, glaciares ou ondas oceânicas nas encostas; a ação das chuvas sobre as encostas; a ação de sismos, vulcões ou trovoadas; a ação de tráfego intenso ou de maquinaria diversa em funcionamento; o excesso de peso por acumulação de chuva ou neve, deposição de rochas ou minérios, pilhas de resíduos criados por estruturas feitas pelo homem e os aluimentos.
Para evitar estes acontecimentos temos mesmo que aprender com os japoneses porque vale mais prevenir do que remediar. Assim, deve impedir-se a construção em zonas de risco, deve impedir-se a desflorestação ou incentivar-se o reflorestamento das áreas sujeitas a estes fenómenos.
Agora, veja o vídeo e observe a precisão cirúrgica dos japoneses.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Os Livros de Fernando Pessoa

Os livros da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa estão, agora, disponíveis gratuitamente online no site da Casa Fernando Pessoa.
Até agora, só uma visita à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitia consultar este acervo que é "riquíssimo", mas com o site, bilingue (português e inglês), e disponível em, http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/ , em qualquer lugar do mundo, com uma ligação à internet é possível consultar, página a página, os cerca de 1140 volumes da biblioteca, mais as anotações - incluindo poemas - que Fernando Pessoa foi fazendo nas páginas dos seus livros.
Se não dispõe de tempo para visitar a Casa do Poeta maior da língua portuguesa ou, se vive longe, pode virtualmente aceder à casa e ao acervo de Fernando Pessoa. Não desperdice esta oportunidade.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

"HOJE BATTISTI, AMANHÃ TU"

Cesare Battisti (Sermoneta, 1954) é um escritor italiano, antigo membro dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Este grupo armado de extrema esquerda, esteve ativo na Itália no fim dos anos 1970 – os chamados anos de chumbo – período marcado por ataques terroristas de organizações da extrema esquerda e da extrema direita.
Em 1987, Battisti foi condenado pela justiça italiana à prisão perpétua, com restrição de luz solar, pela autoria direta ou indireta dos quatro homicídios atribuídos aos PAC – além de assaltos e outros delitos menores, igualmente atribuídos ao grupo. Na Itália é considerado um terrorista. No entanto, Battisti diz-se inocente.
Viveu em França de onde fugiu em 2004, para o Brasil. Em 2007 o governo da Itália apresentou o pedido de extradição, seguindo-se a prisão preventiva de Battisti. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal brasileiro autorizou a extradição mas definiu que a decisão final caberia ao presidente da República. Battisti permaneceu preso num Complexo Penitenciário, em Brasília, até dezembro de 2010. No final de dezembro o presidente Lula da Silva anunciou que decidira não conceder a extradição do ex-militante italiano. Esta atitude teve grande repercussão e foi duramente criticada tanto pela opinião pública quanto pelo governo de Itália, que anunciou a convocação do seu embaixador em Brasília.
"Hoje Battisti, Amanhã Tu" é uma canção inédita de Manuela de Freitas e José Mário Branco (letra e música). Um grupo de cantores ( Aldina Duarte; Amélia Muge;Camané;Duo Diana & Pedro; Duo Virgem Suta; Fernando Mota; João Gil; Jorge Moniz;Jorge Ribeiro (grupo Baile Popular); José Mário Branco; Luanda Cozetti (Couple Coffee); Norton Daiello (Couple Coffee); Paulo de Carvalho; Pedro Branco e Tim) muito conhecidos na música portuguesa, juntou-se para a interpretar como forma de apoio à não extradição de Cesare Battisti, contribuindo assim para a iniciativa da Comissão de Apoio (Portugal) a Cesare Battisti.
Para além dos cantores, há a destacar a participação dos instrumentistas: José Peixoto (guitarra/violão); Norton Daiello (baixo elétrico); Fernando Mota e José Mário Branco (percussões); Paulo Curado (flauta e sax soprano). A captação e mistura áudio esteve a cargo de Fernando Mota, as imagens foram filmadas por Rui Ribeiro; a montagem vídeo é da responsabilidade de Nelson Guerreiro. Esta iniciativa foi gravada e filmada em Lisboa (Portugal), em 25 de Janeiro de 2011.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Paris Digital

Aprecie esta fotografia de PARIS. Tem 26 milhões de pixels e é considerada a maior foto digital do mundo.
Os franceses afirmam ter criado a "maior foto do mundo" com uma panorâmica de Paris. Os autores juntaram mais de 2 mil fotos da capital francesa para criar esta imagem digital. Dois fotógrafos franceses e uma empresa de informática criaram esta foto de 220º da capital francesa. Com 26 milhões de pixels é segundo eles, a maior imagem digital do mundo. A fotografia em altíssima resolução ocuparia dois estádios de futebol caso fosse impressa, afirmam os autores do projeto Paris 26 Gigapixels.
Para a comporem, os fotógrafos Arnaud Frich e Martin Loyer tiraram 2.346 fotos de Paris. Reuniram-nas numa só imagem através de um programa de computador, criado pela empresa Kolor.
Esta é uma incrível viagem virtual por Paris. Aproveite-a! Estamos em tempo de vacas magras, por isso, esta é uma hipótese económica de viajar.!

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

A Quoi Ça Sert L'amour

Louis Clichy realizou um pequeno filme de animação a partir da canção A Quoi Ça Sert L'amour (de Michel Emer) que foi eternizada por Edith Piaf e Theo Sarapo.
Veja esta deliciosa curta metragem e relembre a letra que aqui lhe deixo também.

A quoi ça sert l'amour ?
On raconte toujours
Des histoires insensées.
A quoi ça sert d'aimer ?

L'amour ne s'explique pas !
C'est une chose comme ça,
Qui vient on ne sait d'où
Et vous prend tout à coup.

Moi, j'ai entendu dire
Que l'amour fait souffrir,
Que l'amour fait pleurer.
A quoi ça sert d'aimer ?

L'amour ça sert à quoi ?
A nous donner d' la joie
Avec des larmes aux yeux...
C'est triste et merveilleux !

Pourtant on dit souvent
Que l'amour est décevant,
Qu'il y en a un sur deux
Qui n'est jamais heureux...

Même quand on l'a perdu,
L'amour qu'on a connu
Vous laisse un goùt de miel.
L'amour c'est éternel !

Tout ça, c'est très joli,
Mais quand tout est fini,
Il ne vous reste rien
Qu'un immense chagrin...

Tout ce qui maintenant
Te semble déchirant,
Demain, sera pour toi
Un souvenir de joie !

En somme, si j'ai compris,
Sans amour dans la vie,
Sans ses joies, ses chagrins,
On a vécu pour rien ?

Mais oui ! Regarde-moi !
A chaque fois j'y crois
Et j'y croirai toujours...
Ça sert à ça, l'amour !

Mais toi, t'es le dernier,
Mais toi, t'es le premier !
Avant toi, 'y avait rien,
Avec toi je suis bien !

C'est toi que je voulais,
C'est toi qu'il me fallait !
Toi qui j'aimerai toujours...
Ça sert à ça, l'amour !...
Michel Emer

domingo, fevereiro 13, 2011

A Coruja

A coruja agoira-me
e diz-me que nunca chegarei
além onde o desejo me leva
e assim evapora-se o sonho;

O tambor foi tocado
na noite densa do feitiço
enquanto Kokwana* Muhlonga
apitava o Kulungwana* mortal;

Na noite sem estrelas
dois gatos pretos iluminaram
a cabana da Kokwana Hehlise
que morreu depois dos gatos terem miado.

Eu lutando comigo só
é impossível vencer as ondas
que feitiçeiramente me esboçam
as corujas, gatos e tambores.
Malangatana

sábado, fevereiro 12, 2011

Itinerâncias de um Geógrafo

Estreia amanhã, na RTP 2 (21h), o documentário "Orlando Ribeiro: itinerâncias de um geógrafo" da autoria dos realizadores António João Saraiva e Manuel Carvalho Gomes. Nascido em 1911, o geógrafo Orlando Ribeiro é conhecido, também pelo seu lado humanista, por ser um amante das artes e um erudito explorador do mundo.
Este documentário, leva-nos para lugares e imagens onde, através do olhar de Orlando Ribeiro, é possível perceber a geografia de um país tão diverso como o Portugal de meados do século XX.
Com esta transmissão, vai ter a oportunidade de conhecer os cadernos de campo do geógrafo, as fotos da inseparável máquina fotográfica - a Leica - e os testemunhos de quem partilhou com Orlando Ribeiro a sua vida pessoal e profissional.
Orlando Ribeiro é recordado, neste documentário, através dos testemunhos de discípulos como Ilídio do Amaral, Jorge Gaspar e Raquel Soeiro de Brito, e de depoimentos de outras personalidades da cultura portuguesa, como José Mattoso e António Barreto.
Esta obra insere-se na comemoração do Centenário de nascimento de Orlando Ribeiro, considerado o «grande mestre» da Geografia portuguesa, e cuja acção tem ainda repercussão assinalável no mundo académico e nas políticas públicas nacionais, em particular no domínio do ordenamento do território. Além disso, Orlando Ribeiro marcou o ensino universitário em Portugal deixando uma herança no estudo da Geografia.
Este documentário, cuja produção foi co-financiado pelo «Programa Gulbenkian Ambiente» é o primeiro capítulo de um conjunto de eventos que, ao longo de 2011, vão assinalar os 40 anos da fundação da política pública de ambiente em Portugal, que se comemorará em Junho.
Aqui fica, também, a homenagem deste blogue a este ilustre geógrafo e professor.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Sozinho

Nada melhor do que a música para se começar bem o dia.
Proponho-lhe, hoje, que oiça Sozinho de Caetano Veloso .
Caetano Veloso (1942) é um músico e escritor brasileiro. Considerado um dos melhores compositores do século XX, já foi comparado, em termos de relevância para a música pop internacional, a nomes como Bob Dylan, Bob Marley e Lennon/McCartney.
Baiano de nascimento, é o quinto dos oito filhos de José Teles Velloso e Dona Canô (figura célebre quer em Santo Amaro da Purificação quer na Baía). Foi Caetano Veloso que escolheu o nome da irmã, Maria Bethânia, também uma cantora de referência da MPB. Na infância, foi fortemente influenciado pela arte, música, desenho e pintura. As maiores influências musicais que sofreu foram as de alguns cantores em voga na época, como "o rei do baião" Luiz Gonzaga, e canções de maior apelo regional, como sambas de roda e pontos de macumba. Em 1960 mudou-se para Salvador, onde aprendeu a tocar violão e onde se começou a apresentar como músico e cantor em bares e casas noturnas de espetáculo.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

O May be man

Deixo-vos, hoje, um texto de Mia Couto que, de forma magistral, escalpeliza um tipo de personagem que anda por aí (não só em Moçambique), com os seus disfarces e estratagemas.
"Existe o “Yes man”. Todos sabem quem é e o mal que causa. Mas existe o May be man. E poucos sabem quem é. Menos ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa criatura que todos, no final, reconhecerão como familiar. O May be man vive do “talvez”. Em português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não toma. Sim­plesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio. A diferença entre o Yes man e o May be man não está apenas no “yes”. É que o “may be” é, ao mesmo tempo, um “may be not”. Enquanto o Yes man aposta na bajulação de um chefe, o May be man não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa bota, o outro engraxa tudo que seja bota superior. Sem chegar a ser chave para nada, o May be man ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido. Ele aceitou por conveniên­cia. Mas o May be man não é exactamente do partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma. Vem da aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua ideolo­gia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se “comissão”. Há quem lhe chame de “luvas”. Os mais pequenos chamam-lhe de “gasosa”. Vivemos uma na­ção muito gaseificada. Governar não é, como muitos pensam, tomar conta dos interesses de uma nação. Governar é, para o May be Man, uma oportunidade de negócios. De “business”, como convém hoje, dizer. Curiosamente, o “talvezeiro” é um veemente crítico da corrupção. Mas apenas, quando beneficia outros. A que lhe cai no colo é legítima, patriótica e enqua­dra-se no combate contra a pobreza. Mas a corrupção, em Moçambique, tem uma dificuldade: o corrup­tor não sabe exactamente a quem subornar. Devia haver um manual, com organograma orientador. Ou como se diz em workshopês: os guidelines. Para evitar que o suborno seja improdutivo. Afinal, o May be man é mais cauteloso que o andar do camaleão: aguarda pela opi­nião do chefe, mais ainda pela opinião do chefe do chefe. Sem luz verde vinda dos céus, não há luz nem verde para ninguém. O May be man entendeu mal a máxima cristã de “amar o próximo”. Porque ele ama o seguinte. Isto é, ama o governo e o governante que vêm a seguir. Na senda de comércio de oportunidades, ele já vendeu a mesma oportunidade ao sul-africano. Depois, vendeu-a ao portu­guês, ao indiano. E está agora a vender ao chinês, que ele imagina ser o “próximo”. É por isso que, para a lógica do “talvezeiro” é trágico que surjam decisões. Porque elas matam o terreno do eterno adiamento onde prospera o nosso indecidido personagem. O May be man descobriu uma área mais rentável que a especulação financeira: a área do não deixar fazer. Ou numa parábola mais recen­te: o não deixar. Há investimento à vista? Ele complica até deixar de haver. Há projecto no fundo do túnel? Ele escurece o final do túnel. Um pedido de uso de terra, ele argumenta que se perdeu a papelada. Numa palavra, o May be man actua como polícia de trânsito corrup­to: em nome da lei, assalta o cidadão. Eis a sua filosofia: a melhor maneira de fazer política é estar fora da política. Melhor ainda: é ser político sem política nenhuma. Nessa fluidez se afirma a sua competência: ele sai dos princípios, esquece o que disse ontem, rasga o juramento do passado. E a lei e o plano servem, quando confirmam os seus interesses. E os do chefe. E, à cau­tela, os do chefe do chefe. O May be man aprendeu a prudência de não dizer nada, não pensar nada e, sobretudo, não contrariar os poderosos. Agradar ao dirigen­te: esse é o principal currículo. Afinal, o May be man não tem ideia sobre nada: ele pensa com a cabeça do chefe, fala por via do discurso do chefe. E assim o nosso amigo se acha apto para tudo. Podem no­meá-lo para qualquer área: agricultura, pescas, exército, saúde. Ele está à vontade em tudo, com esse conforto que apenas a ignorância absoluta pode conferir. Apresentei, sem necessidade o May be man. Porque todos já sabíamos quem era. O nosso Estado está cheio deles, do topo à base. Podíamos falar de uma elevada densidade humana. Na realidade, porém, essa densidade não existe. Porque dentro do May be man não há ninguém. O que significa que estamos pagando salários a fantasmas. Uma for­tuna bem real paga mensalmente a fantasmas. Nenhum país, mesmo rico, deitaria assim tanto dinheiro para o vazio. O May be Man é utilíssimo no país do talvez e na economia do faz-de-conta. Para um país a sério não serve".
Mia Couto

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Gato

Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!

De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?
Alexandre O'Neill

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Tem óculos que já não utiliza ?

Tem óculos que já não utiliza ? Graduados ou de Sol ? Então pode ajudar … Participe na campanha do Lions Club de Reutilização/Reciclagem de óculos. Envolva-se e colabore.
Nos últimos nove anos, os Lions Club enviaram cerca de 48 milhões de óculos para os Centros Leonísticos de Reciclagem de Óculos. Embora este número impressione, milhares de outros óculos permanecem esquecidos em gavetas, porta-luvas, aeroportos, hotéis e caixas de achados e perdidos em escritórios.
Desde o apelo de Helen Keller para que se tornassem “Paladinos dos Cegos” em 1925, os Lions desencadearam uma cruzada para a conservação da visão.
A necessidade é imensa - uma em cada quatro crianças não consegue ver o suficiente para ler sem óculos. Ao chegar aos 40 anos, 90% de todos os adultos precisarão de óculos. A vida de cerca de 500 milhões de pessoas no mundo inteiro melhoraria com uns simples óculos graduados. Estas estatísticas assombrosas da Organização Mundial da Saúde demonstram porque é que os Lions precisam continuar a esforçar-se para recolher e reciclar óculos.
Os óculos que são doados aos países em desenvolvimento permitem a um grande número de pessoas verem bem pela primeira vez na vida.
Reciclar óculos custa pouco, ainda assim a despesa para corrigir deficiências visuais é astronómica para muitas pessoas nos países em desenvolvimento. Em muitos países, um exame à vista custa tanto quanto o salário mensal. Além disso, muitas vezes há apenas um médico para centenas de milhares de pacientes fazendo com que seja extremamente difícil consultar um especialista em oftalmologia.
Quando os problemas de visão deficiente são deixados de lado, sem tratamento, podem levar à cegueira ou ao desemprego de adultos. Não se esqueça, este programa de doação de óculos beneficia milhões de pessoas todos os anos, em vários países.
Todos os tipos de óculos para crianças e adultos são aceites, inclusivamente os de graduação muito forte ou muito fraca. Óculos para leitura e óculos de sol são também aproveitados.
Os óculos recolhidos podem ser enviados pelos CTT ou entregues directamente no seguinte endereço(Junto ao IPO em Lisboa – à Praça de Espanha):
Distrito Múltiplo 115 do Lions Club
Rua Basílio Teles, 17 – 3º C
1070-020 Lisboa

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Imaginação versus publicidade




A imaginação e o desenho ao serviço da publicidade. O ponto de partida é um objecto do dia a dia, o telemóvel.
Estes anúncios, que proponho que veja através da apresentação que se segue, mostram com enorme criatividade algumas das imagens que identificam alguns países. Ora veja!


domingo, fevereiro 06, 2011

Manhã de Inverno

Coroada de névoas, surge a aurora
Por detrás das montanhas do oriente;
Vê-se um resto de sono e de preguiça,
Nos olhos da fantástica indolente.

Névoas enchem de um lado e de outro os morros
Tristes como sinceras sepulturas,
Essas que têm por simples ornamento
Puras capelas, lágrimas mais puras.

A custo rompe o sol; a custo invade
O espaço todo branco; e a luz brilhante
Fulge através do espesso nevoeiro,
Como através de um véu fulge o diamante.

Vento frio, mas brando, agita as folhas
Das laranjeiras úmidas da chuva;
Erma de flores, curva a planta o colo,
E o chão recebe o pranto da viúva.

Gelo não cobre o dorso das montanhas,
Nem enche as folhas trêmulas a neve;
Galhardo moço, o inverno deste clima
Na verde palma a sua história escreve.

Pouco a pouco, dissipam-se no espaço
As névoas da manhã; já pelos montes
Vão subindo as que encheram todo o vale;
Já se vão descobrindo os horizontes.

Sobe de todo o pano; eis aparece
Da natureza o esplêndido cenário;
Tudo ali preparou co’os sábios olhos
A suprema ciência do empresário.

Canta a orquestra dos pássaros no mato
A sinfonia alpestre, — a voz serena
Acordo os ecos tímidos do vale;
E a divina comédia invade a cena.
Machado de Assis, in 'Falenas'

sábado, fevereiro 05, 2011

Sapatos com histórias

Uma empresa portuguesa de reparação de calçado lançou, mais uma vez, uma campanha para recolher sapatos usados. O objectivo é que estes sejam entregues a instituições de solidariedade social.
Até 15 de fevereiro, os responsáveis da Bota Minuto convidam as pessoas a desfazerem-se dos sapatos que já não usam e a deixá-los em qualquer loja desta cadeia.
Segundo Duarte Ramos, responsável daquela cadeia de lojas, em 2010 a campanha conseguiu angariar 9000 pares de sapatos e no ano anterior 6000.
"Sendo uma cadeia de reparação de calçado, inúmeros clientes deixavam cá o calçado e não o vinham buscar, mesmo em sistema de pré-pagamento. Ocorreu-nos encaminhá-los para instituições de solidariedade social", explicou Duarte Ramos à agência Lusa.
A campanha de recolha, que se faz desde 2008, coincide com o período pós-Natal, uma altura em que "os armários se enchem de produto novos e se esvaziam do que já não é usado".
"Já temos um banco de instituições a quem perguntamos todos os anos de quantos pares de sapatos necessitam", refere Duarte Ramos.
"Sapatos com história" é o mote da campanha deste ano. Quem faz uma doação é convidado a partilhar a história do seu par de sapatos nas redes sociais.
Saiba como participar, nesta campanha, consultando aqui o site oficial.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

O Ruanda Hoje

O Ruanda ou oficialmente República de Ruanda, é um país sem costa marítima localizado em África, na região dos Grandes Lagos. Faz fronteira com o Uganda, o Burundi, a RD Congo e a Tanzânia.
Embora esteja próximo da linha do Equador possui um clima temperado fresco, devido à altitude. O relevo é constituído principalmente por planaltos e colinas suaves. Este país tem um abundante vida selvagem, incluindo os raros gorilas de montanha. Estes factos têm permitido o desenvolvimento do turismo que se transformou num dos maiores setores da economia do país.
O Ruanda chamou a atenção da comunidade internacional, por causa do genocídio que ali se registou em 1994 e que levou à morte de mais de 800 mil pessoas. Desde então, o país viveu uma grande recuperação social e, hoje em dia, o seu modelo de desenvolvimento é considerado exemplar para os países em desenvolvimento (PED).
Em 2009, uma reportagem da CNN classificou-o como tendo a história de maior sucesso do continente africano, tendo alcançado estabilidade, crescimento económico (o rendimento médio triplicou nos últimos dez anos) e integração internacional.
Já em 2007, a revista Fortune tinha publicado um artigo intitulado "Why CEOs Love Rwanda" (porque é que os CEOs amam o Ruanda, em tradução livre). A capital, Kigali, é a primeira cidade africana a ser galardoada com o Habitat Scroll of Honor Award, em reconhecimento pela "limpeza, segurança e modelo urbano."
Em 2008, o Ruanda tornou-se o primeiro país a eleger uma legislatura nacional na qual a maioria dos membros eram mulheres.
O Ruanda aderiu à Commonwealth of Nations em 29 de novembro de 2009 como 54º membro, fazendo do país, um dos apenas dois membros sem um passado colonial britânico.
Ao contrário dos países vizinhos, o Ruanda, que era um reino centralizado, não teve a sua “sorte” decidida na Conferência de Berlim (de 1885) e só foi entregue à Alemanha (juntamente com o vizinho Burundi) em 1890. No entanto, as fronteiras desta colónia – que, na altura incluíam também alguns pequenos reinos das margens do Lago Vitória – só foram definidas em 1900.
Depois da derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, o protectorado foi entregue à Bélgica. O domínio belga foi muito mais direto e duro que o dos alemães.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o Ruanda tornou-se novamente um protectorado, pelas Nações Unidas, tendo tido a Bélgica como autoridade administrativa até à independência, que correu em 1962.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Sapporo

Não deixe de assistir (em HD) a este anúncio da cerveja Sapporo Biru. É absolutamente incrível.
Até para quem não é apreciador de cerveja, esta campanha publicitária da japonesa Sapporo - Biru Légendaire - é extraordinariamente apelativa!
Provavelmente já viu dezenas de anúncios sobre cervejas, mas nenhum como este da Sapporo.
O filme, uma jornada única através de toda a herança cultural do Japão, é construído a partir de fotografias, efeitos digitais e ilustração em 2D.
Este é um trabalho conjunto da Dentsu Canada e das produtoras Sons & Daughters e Crush e implicou o esforço de muita gente (Direção de Criação: Glen Hunt, Les Soos; Redação: Glen Hunt, Dhaval Bhatt; Direção de Arte: Les Soos, David Glen; RTVC: Sharon Kosokowsky; Diretor: Mark Zibert, Sons and Daughters and Gary Thomas, Crush;
Efeitos Visuais: David Whiteson, Naveen Srivastava, Kaelem Cahil, Greg Dunlop; Animação/Computação Gráfica: Aylwin Fernando; Animação: Chris Minos, Fred Wilmot
Computação Gráfica: Josh Clifton, Mark Irish, Raphael Quirino; Colorista: Gary Chuntz
Música: Grayson Matthews).
Ora veja! Aprecie a criatividade e imaginação que este anúncio reflecte!

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Hotel Ruanda

"Hotel Ruanda" (2004) é um filme (Canadá, Itália, Reino Unido e África do Sul) realizado por Terry George. Se não viu o filme não desperdice a 1ª oportunidade que tiver para o fazer.
Em 1994, o Ruanda foi palco de uma das maiores atrocidades da história da humanidade. Em apenas 100 dias, quase um milhão de tutsis são brutalmente assassinados por milícias da etnia hutu. No cenário destas indescritíveis ações, um homem promete proteger a família que ama, acabando por encontrar coragem para salvar mais de um milhar de refugiados.
"Hotel Ruanda" conta-nos a história verídica de Paul Rusesabagina, um homem que conseguiu evitar o genocídio de mais de 1200 tutsis durante a guerra civil ao conceder-lhes abrigo no hotel que dirigia na capital daquele país.
Deixo-lhe, aqui, a opinião de alguns alunos do 12º B e C, depois de verem o "Hotel Ruanda", numa das aulas de Geografia C.
"(...) O que mais me surpreendeu foi a corrupção, o prazer pela matança e a pouca importância que era dada à vida humana". Adelma - 12º C
"Eu nunca imaginei que uma coisa destas tinha acontecido no mundo. Fiquei muito surpreendida com a morte de milhares de pessoas só por serem diferentes à vista dos outros e também com o "fechar de olhos" dos outros países face a tudo o que estava a acontecer". Carla S. - 12º B.
"O que mais me surpreendeu no fime foi a crueldade dos hutus contra os tutsis e de os estrangeiros e de outros países se recusarem a ajudá-los". Alexandra - 12º C
"O filme tem muita coisa horrível, desde o assassinato do presidente do Ruanda, mais os massacres de milhares de pessoas inocentes. Mas, também fala de um homem que por salvar a sua família salva muitas pessoas". Boubacar Bah - 12º B
"O filme transmite muito bem o terror que se fez sentir nessa época". Ricardo S. - 12º C
"Gostei do filme porque conheci um novo país e uma nova cultura. Deu para perceber que países ricos como a Inglaterra não querem saber dos países pobres como o Ruanda". Paulo S. -12º C.
"Aprendi um pouco sobre a realidade que se passou neste país e as situações que as pessoas inocentes têm que viver". Ana S. - 12º C
"(...) Surpreendeu-me a brutalidade do conflito marcado pelo ódio e pela intolerância. O protagonista mostrou grande coragem e calma perante os acontecimentos (...)". Rui V. - 12º C

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Os professores estão a adoecer...


«Não podemos esquecer que os professores de todo o mundo estão a adoecer
colectivamente. Os professores são cozinheiros do conhecimento, mas
preparam o alimento para uma plateia sem apetite. Qualquer mãe fica um pouco
paranóica quando os seus filhos não se alimentam. Como exigir saúde dos
professores, se os seus alunos têm anorexia intelectual?»
Augusto Cury

segunda-feira, janeiro 31, 2011

O 31 de Janeiro

A Revolta de 31 de Janeiro de 1891 foi o primeiro movimento revolucionário que teve por objectivo a implantação do regime republicano em Portugal.
Neste dia, na cidade do Porto, registou-se um levantamento militar contra as cedências do Governo (e da Coroa) ao ultimato britânico de 1890 por causa do Mapa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola a Moçambique.
Estes militares, além de revoltados pelo desfecho do episódio do Ultimato, estavam entusiasmados com a recente proclamação da República no Brasil, a 15 de novembro de 1889.
Para assinalar esta efeméride veja o vídeo que selecionei e que mostra um teatro de rua evocando a Reconstituição Histórica do 31 de Janeiro de 1891, organizado pelo Ateneu Comercial do Porto no âmbito das Comemorações do Centenário da República.


domingo, janeiro 30, 2011

sábado, janeiro 29, 2011

Vamos Conhecer o Grande Dragão


Aproveite a apresentação que seleccionei para hoje e fique a conhecer um pouco melhor a China, ou o Grande Dragão.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

My Sweet Lord

Não perca esta interpretacão da cancão My Sweet Lord de George Harrison, realizada por um grupo de excelentes músicos, todos amigos de George.
Este concerto foi realizado em sua homenagem, dois anos após a sua morte.
Na guitarra acústica está Eric Clapton, na guitarra elétrica o filho de George Harrison, ao piano Paul McCartney, na primera bateria Ringo Star, na segunda bateria Phill Collins, na segunda guitarra elétrica Tom Petty, no órgão e interpretando a primeira voz o incrível Billy Preston. É de referir que Billy Preston chegou a ser conhecido como o quinto Beatle. Foi ele que sempre tocou o piano e o órgão em todas as gravacões dos Beatles.
Entre as vocalistas do coro está Linda Eastman ex- esposa de Paul McCartney.
Também estiveram presentes neste concerto, Bob Dylan, Ravi Shankar, Jethro Tull e um número enorme de amigos e colegas dos Beatles, assim como todo o grupo "The Cream" de Eric Clapton. Estão todos um pouco mais gordos e envelhecidos, mas encarnaram o melhor e mais representativo dos anos 70.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Quem somos

Quem somos, senão o que imperfeitamente
sabemos de um passado de vultos
mal recortados na neblina opaca,
imprecisos rostos mentidos nas páginas
antigas de tomos cujas palavras

não são, de certo, as proferidas,
ou reproduzem sequer actos e gestos
cometidos. Ergue-se a lâmina:
metal e terra conhecem o sangue
em fronteiras e destinos pouco

a pouco corrigidos na memória
indecifrável das areias.
A lápide, que nomeia, não descreve
e a história que o historia,
eco vário e distorcido, é já

diversa e a si própria se entretece
na mortalha de conjecturados perfis.
Amanhã seremos outros. Por ora
nada somos senão o imperfeito
limbo da legenda que seremos.
Rui Knopfli, in "O Corpo de Atena"

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Lugares Perigosos

Hoje é difícil encontrar algum lugar na Terra que não esteja afetado pela poluição causada pelo homem. Infelizmente, às vezes, é preciso as coisas ficarem muito feias para que as pessoas tomem medidas para manter o planeta limpo.
Alguns dos lugares mais poluídos do mundo situam-se em países relativamente próximos de nós: Rússia, Ucrânia, Azerbeijão e Quirguistão (antigas repúblicas da U.R.S.S.). Mas, existem também lugares perigosos em países mais distantes (China, Perú, México, Zâmbia, Índia, Brasil, Argentina, etc.
Os dez lugares mais poluídos, que ficam em sete países, podem prejudicar a saúde de 12 milhões de pessoas, provocando asma, outras doenças respiratórias, problemas dermatológicos, cancro, defeitos congênitos e até a morte prematura.
A Rússia, a China e a Índia contêm a maioria das áreas onde a poluição tóxica e as pessoas convivem, com estes efeitos devastadores. A poluição é causada por lixo industrial, por esgotos que despejam os seus efluentes para rios e ribeiros, por lixeiras clandestinas, por gases lançados para atmosfera sem qualquer controle, etc.
Provavelmente projetos simples de engenharia poderiam tornar muitos destes lugares seguros para a saúde, mas frequentemente faltam a vontade política, o dinheiro e a capacidade técnica.
A ex-União Soviética responde por dez locais da lista dos 30 mais poluídos enquanto a China responde por seis. A lista anual costuma ser compilada com a ajuda de especialistas da Universidade de Harvard, da Universidade Johns Hopkins, do Hunter College em Nova York, do ITT, da Índia, da Universidade de Idaho, do Hospital Mount Sinai em Nova York, entre outros.
Proponho-lhe que veja a apresentação que escolhi para hoje para que veja como a poluição no mundo está a tomar proporções gigantescas e catastróficas. Verá que dá que pensar!

terça-feira, janeiro 25, 2011

Inundações na Austrália

O Ano Novo não começou bem na Austrália. Dias de chuva torrencial atingiram várias partes deste país, nomeadamente, o centro e o sul do estado de Queensland. Foram afectadas centenas de milhares de pessoas localizadas numa área do tamanho da França e da Alemanha juntas. Casas e negócios inundados, cortes de estradas e a evacuação forçada da totalidade da população de algumas cidades tem sido uma realidade.
As autoridades australianas, não têm tido mãos a medir, por isso, têm-se afadigado a evacuar comunidades, a distribuir alimentos e água ou a acudir aos pedidos de socorro.
Deixo-lhe aqui uma apresentação, que reune algumas fotos sobre as inundações na Austrália e que é uma pequena amostra dos seus efeitos em residentes e animais.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Dispuestos en Cruz

"Dispuestos en cruz" é um poema de José Saramago que foi musicado por Luis Pastor.
Luis Pastor nasceu em Berzocana (Cáceres), em 9 de Junho de 1952. E um cantautor espanhol, com uma vasta obra discográfica, contanto com perto de duas dezenas de discos editados, bem como diversas colaborações. Compôs uma versão da música "Coro da Primavera" de Zeca Afonso, e tem contado com a colaboração nos seus álbuns de artistas portugueses como Fausto, entre outros.


domingo, janeiro 23, 2011

Um Assalto Orquestrado

O Olsen Gang é um "bando de criminosos" dinamarquês criado para o conjunto de filmes com o mesmo nome. O chefe do "gang" é o génio do crime, Egon Olsen. Os outros membros do bando chamam-se Benny and Kjeld. Estes bandidos são inofensivos e nunca usam a violência.
É interessante referir também que, os restantes países escandinavos (Suécia e Noruega) produziram as suas próprias versões destes filmes, que na Noruega atingiram um total de 14 (realizados entre 1968 e 1999).
Veja agora algumas cenas de um dos filmes dinamarqueses "The Olsen Gang Sees Red" realizado por Erik Balling. Aproveitando a Abertura de Elverhøj de Friedrich Kuhlau o bando assalta a ópera. A sincronicidade dos actos dos "criminosos" com a música de Kuhlau é fabulosa. Ora Veja!