segunda-feira, outubro 06, 2014

Poirot Está De Volta

Poirot está de volta.
Poirot é o inconfundível detetive belga criado por Agatha Christie. Este personagem acompanhou a escritora ao longo da sua longa carreira literária.
Poirot, com as suas "celulazinhas cinzentas" capazes de solucionar qualquer crime, por mais intrincado que seja, é conhecido e amado por milhões de pessoas de várias gerações que leram as suas aventuras escritas pela sua brilhante criadora, Agatha Christie.
Quem ressuscitou agora Poirot, foi a escritora inglesa Sophie Hannah. Escritora de créditos firmados na poesia e autora de romances policiais que são bestsellers, teve que ser corajosa para "se atravessar" no caminho da rainha do crime e do seu mais famoso personagem.
Á natural curiosidade pelo livro e por mais uma aventura deste detective, alia-se a desconfiança dos muitos e muitos fãs de Poirot, face à notícia do seu regresso pela mão de uma nova autora. Sophie Hannah, no entanto,  teve o apoio da família de Agatha Christie neste empreendimento.

Sinopse
"Sentado no seu café preferido, Hercule Poirot prepara-se para mais um jantar de quinta-feira quando é surpreendido por uma jovem mulher. Ela chama-se Jennie e diz estar prestes a ser assassinada. Mais insólita do que esta afirmação é a sua súplica para que Poirot não investigue o crime. A sua morte é merecida, afirma Jennie, antes de desaparecer noite dentro, deixando o detective perplexo e ansioso por mais informação. Perto dali, o elegante Hotel Bloxham é palco de três assassinatos. Os crimes têm várias semelhanças entre si: os três corpos estão dispostos em linha reta com os braços junto ao corpo e as palmas das mãos viradas para baixo. E dentro das bocas das vítimas, encontra-se o mais macabro dos pormenores: um botão de punho com o monograma PIJ. Poirot junta-se ao seu amigo Catchpool, detetive da Scotland Yard, na investigação deste estranho caso. Serão os crimes do monograma obra do mesmo assassino? E poderão de alguma forma estar relacionados com a fugidia Jennie que, por uma razão indecifrável, não abandona os pensamentos do detetive belga? Hercule Poirot está de regresso num mistério diabólico que vai testar ao limite as suas célebre celulazinhas cinzentas".


domingo, outubro 05, 2014

O Futuro da Língua Portuguesa Em Verbos & Letras

Se quiser ficar a conhecer mais um ponto de vista acerca do futuro da língua portuguesa, assista à entrevista (abaixo) realizada a Roberto Moreno pela TVL - Televisão da Grande Lisboa, em 2013.
Roberto Moreno é um idealista e um homem do mundo e está ligado por traços imediatos a múltiplas origens. O pai, a mãe e os avós têm origens muito diferentes.
Roberto Moreno tem, contudo,  uma paixão que se chama "Língua Portuguesa" e por ela, pelo seu desenvolvimento e divulgação tem andado pelo mundo inteiro, recolhendo contribuições para uma causa que quer tornar universal. Não perca esta entrevista. Ora veja!
 

sábado, outubro 04, 2014

Uma Língua Com 800 anos de História

Este ano comemoraram-se os 800 anos da língua portuguesa. Daí a proliferação de artigos e documentários sobre o assunto. Proponho-lhe que leia um artigo do jornal Público, do qual respiguei o parágrafo que se segue e que veja um vídeo sobre a língua portuguesa no mundo (com 250 milões de falantes), publicado no Observador, clicando aqui e aqui.
"A língua que falamos não é apenas comunicação ou forma de fazer um negócio. Também é. Mas é muito mais.(...)
Na era da globalização, falar português, uma das grandes línguas globais do planeta, que partilha e põe em comum culturas da Europa, das Américas, de África e da Ásia e Oceânia, com centenas de milhões de falantes em todos os continentes, é um imenso património e um poderoso veículo de união e progresso". Jornal Público

sexta-feira, outubro 03, 2014

Eskimal

Hoje proponho-lhe que veja "Eskimal", uma curta metragem realizada pelo animador mexicano Homero Ramírez (1983).
Este jovem autor, realizador e produtor viu Eskimal, a sua primeira curta-metragem de animação, vencer a quarta IMCINE / CONACULTA, Concurso Nacional de Apoio à Pós-produção de curtas-metragens.
Neste filme Eskimal e a sua amiga Morsa vivem numa região gelada. Contudo, o impacto da industrialização está a ter um efeito profundo no seu habitat.
Será que os dois podem salvar o seu mundo? Criada por Homero Ramirez e a sua equipa, esta multipremiada curta-metragem, que mistura animação e stop-motion, mostra o impacto que a superpopulação e a nossa busca por recursos a qualquer preço pode propiciar ao planeta, particularmente para aqueles que ainda vivem de forma harmoniosa com o ambiente. Ora veja!
Eskimal / Shortfilm from Homero Ramirez on Vimeo.

quinta-feira, outubro 02, 2014

O Papiamento

O Papiamento ou Papiamentu é uma língua crioula.  É hoje a principal língua falada nas ilhas das Caraíbas, como Aruba, Curaçau e Bonaire. Recentemente, ganhou o estatuto de língua oficial nestas três ilhas.
O papiamento originou-se do pidgin português conhecido como guene, por ser falado pelos escravos africanos (originários das regiões da Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e do Golfo da Guiné, entre outras) trazidos para as caraíbas pelos holandeses para o trabalho na lavoura da cana-de-açúcar.
Após a retomada de Cabo Verde por Portugal e da reconquista da Nova Holanda pelos portugueses, alguns judeus sefarditas, portugueses de Cabo Verde e quase todos os do nordeste brasileiro foram para as antilhas holandesas levando consigo o idioma português. A linguagem judaico-portuguesa iria misturar-se ao guene dos escravos africanos, dando origem à primeira forma do papiamento no século XVIII. Com a administração do império colonial holandês nas ilhas, a influência holandesa legou muitas palavras do seu idioma ao papiamento.
No final do século XIX, a influência do castelhano ocorreu com o contato com os países vizinhos, especialmente a Venezuela. O papiamento sofreu tambem influencia do idioma inglês pelos missionarios que se estabaleceram nas ilhas e posteriormente pela presenca de turistas vindos de paises anglófonos.
O nome desta língua crioula procede da palavra papiá, que significa "conversar", derivada originalmente da palavra portuguesa "papear" (já agora, termo muito utilizado no Brasil). Origina-se igualmente deste verbo coloquial o nome do crioulo de base lusófona de Malaca, o papiá kristáng. O verbo papiâ ainda existe no crioulo cabo-verdiano e significa falar.
Já existem jornais em papiamento e dicionários bilíngues. Alguns intelectuais portugueses interessam-se pela criação de uma rede de pesquisadores de crioulística que entrelace os interessados nestas manifestações linguísticas mestiças, incluindo o papiamento.

Memórias

Oiça o novíssimo grupo de rock brasileiro, Malta, interpretando a música Memórias , do seu álbum Supernova.
Nem só de caveiras, tatuagens e camisas pretas vive o rock n'roll. A banda Malta provou isso mesmo no palco do concurso SuperStar, onde conquistou o primeiro lugar.
A banda Malta, que venceu a primeira temporada do reality musical Superstar com 74% dos votos, ficou famosa pelo seu repertório romântico e autoral.
Esta banda é formada por Diego Lopes no contrabaixo, Thor Moraes na guitarra, Adriano Daga na bateria e Bruno Boncini nos vocais.
O quarteto mistura o peso dos riffs de guitarra com letras que falam de amor. Ora oiça.

quarta-feira, outubro 01, 2014

Aruba e o papiamento

Aruba é um território autónomo holandês (pois integra o Reino dos Países Baixos), situado nas Caraíbas, ao largo da costa da Venezuela (a 31 km da península de Maracaibo). Além da Venezuela, os seus vizinhos mais próximos são Curaçau, São Martinho e a Península de La Guajira, na Colômbia, da qual dista cerca de 130 km . Este território, com clima tropical, tem como capital a cidade de Oranjestad.
Aruba foi descoberta e ocupada em 1499 por exploradores espanhóis e adquirida pelos Países Baixos em 1636.
A ilha separou-se das Antilhas holandesas em 1986 e tornou-se uma dependência autónoma do Reino dos Países Baixos, podendo considerar-se, por isso, parte de uma monarquia constitucional, em que o monarca (o Rei Guilherme Alexandre dos Países Baixos) é representado na ilha por um Governador. No entanto, a ilha tem um governo próprio, dirigido por um Primeiro Ministro, nomeado de acordo com as eleições democráticas para o parlamento.
A economia de Aruba é dominada pelo turismo e por uma refinaria de petróleo, aberta em 1924.
A maioria da população desta ilha descende de europeus e indígenas caribenhos. Houve também imigração de países latino-americanos e norte-americanos.
A religião dominante é a católica, mas, há uma minoria protestante e pequenos núcleos judeus, muçulmanos e hindus.
As línguas oficiais são: o holandês e o papiamento. Mas a população costuma utilizar, predominantemente o papiamento, que é uma língua derivada do português (que era falado pelos judeus e escravos vindos do nordeste brasileiro e das colónias portuguesas na África e que constitui sessenta por cento do seu léxico), com influência do castelhano, do inglês, do holandês e de línguas africanas.
Para constatar a influência do português no papiamento, aqui ficam algumas palavras que derivam do nosso idioma: Bonbini (Bem-vindo); Bon dia (Bom dia); Bon tardi (Boa tarde); Bon nochi (Boa noite); Pasa bon dia (Tenha um bom dia); Refresco (Refresco ou sumo) e Por fabor (Por favor). Entretanto conheça Aruba, a ilha feliz, através dos dois vídeos abaixo. Aqui vai o primeiro. E agora o outro vídeo sobre Aruba.

terça-feira, setembro 30, 2014

Parabéns Mafalda

A Mafalda fez ontem 50 anos e continua sempre actual. Parabéns Mafalda.
A Mafalda foi uma tira escrita e desenhada pelo cartunista argentino Quino.
As histórias, apresentando uma menina (Mafalda) preocupada com a Humanidade e a paz mundial que se rebela com o estado atual do mundo, apareceram de 1964 a 1973.
A Mafalda é uma menina de seis anos de idade, que odeia sopa e adora os Beatles e o desenho Pica-Pau. Ela comporta-se como uma típica menina na sua idade, mas tem uma visão aguda da vida e vive questionando o mundo à sua volta, principalmente o contexto dos anos 60 em que se encontra. Tem uma visão mais humanista e aguçada do mundo se a compararmos com os outros personagens (Manolito, Susanita, Filipe, Liberdade, etc.).
Usufruindo de uma altíssima popularidade na América Latina e Europa, a Mafalda foi muitas vezes comparada ao personagem Charlie Brown, de Charles Schulz, principalmente por Umberto Eco, em 1968.
A personagem, cujo nome foi inspirado pela novela "Dar la cara", de David Viñas, e alguns outros, foi criada em 1962 para um cartoon de propaganda que deveria ser publicado no diário argentino Clarín. No entanto, o Clarín rompeu o contrato e a Mafalda somente se tornou um cartoon de verdade sob a sugestão de Julián Delgado, na época o editor-chefe do hebdomadário "Primera Plana" e amigo de Quino. 
A primeira tira foi publicada no jornal de 29 de Setembro de 1964, apresentando somente as personagens de Mafalda e seus pais. As personagens Manolito e Susanita aparecem nas semanas seguintes enquanto Filipe só surge em Janeiro de 1965.
Após 1973, Quino desenhou a Mafalda muito poucas vezes e principalmente para promover campanhas sobre os Direitos Humanos. Por exemplo, em 1976 fez um poster para a UNICEF ilustrando a Declaração Universal dos Direitos da Criança.

segunda-feira, setembro 29, 2014

Nuvem Misteriosa...

Serviços Meteorológicos dos E.U.A.
Durante dias, os meteorologistas norte americanos deram voltas à cabeça por causa de uma nuvem misteriosa captada por radar sobre a cidade de S.Louis. Agora resolveu-se o enigma: a nuvem misteriosa era, afinal... um bando de milhares de borboletas.
Já agora, como pode ver na imagem ao lado, a forma da nuvem dava uma excelente pista, pois tinha a configuração de uma borboleta. Mais, os sinais captados pelo radar davam conta que a massa misteriosa se agitava, como se batesse asas, era plana e teria vida.
O caso é que ninguém conseguia identificar que "aquilo" era de facto a soma de muitos milhares de borboletas.
Não se chegando lá pela análise das imagens captadas, o caso deslindou-se por outra via, a do processo migratório das borboletas -  Monarca.
A borboleta-Monarca com ampla distribuição nas Américas, tem cerca de 70 mm de envergadura, asas laranjas com listas pretas e marcas brancas.
Há indícios de que esta espécie poderá estar a colonizar o sul de Portugal.
A aparição da "nuvem" coincidiu com a viagem dessa espécie da região dos Grandes Lagos, entre o Canadá e os Estados Unidos, para o centro da região oeste do México.
Normalmente, as borboletas-Monarca migram sozinhas ou aos pares, mas neste caso ter-se-ão agrupado às dezenas de milhar aproveitando as condições meteorológicas favoráveis. Com os ventos de feição, acabaram por formar uma massa o que lhes permite poupar  parte da energia de que precisam, para concluir a viagem de dois meses até ao solarengo México.

domingo, setembro 28, 2014

La Isla Negra

Foto de Edson Maiero
A "Isla Negra" é a mais famosa das casas de Pablo Neruda e situa-se a cerca de 120 km de Santiago do Chile.
A beleza do lugar, o enquadramento paisagístico, a casa, a decoração interior, o porquê de certos pormenores que a vivenda possui, os testemunhos do que foi a sua vida, têm transformado esta casa num local de romagem.
Pablo Neruda (1904-1973 ) era filho de um operário ferroviário e de uma professora primária, tendo como verdadeiro nome Ricardo Eliecer Neftali Reyes Basoalto.
Em 1920, utilizou pela primeira vez o pseudónimo Pablo Neruda com que viria a alcançar fama mundial. Em 1924, publica uma das suas obras de maior impacto, "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada".
A escolha que fez deste pseudónimo, mostra a sua enorme paixão pela poesia. Pablo vem de Paul Verlaine que foi um importante poeta francês do século XIX, cuja obra era muito admirada pelo pelo poeta chileno. Jan Neruda, era um poeta checo, também do século XIX, igualmente por si muito apreciado e daí o apelido escolhido: Neruda.
É a sua segunda mulher, Delia del Carril, que lhe compra o embrião da hoje mundialmente célebre casa de "Isla Negra". Contudo, foi a sua terceira mulher, Matilde Urrutia, que com ele partilhou a vivência desta casa, que o abrigou até à sua morte em 1973.
A Isla Negra, é a mais conhecida das três casas de Pablo Neruda. É de referir, que após o sangrento golpe de estado de Pinochet, em 11 de Setembro de 1973, a ditadura mandou destruir "La Chascona", e a outra casa, "La Sebastiana", em Valparaíso, também foi pilhada e vandalizada.

sábado, setembro 27, 2014

Lantanda

Esteve a concurso no Festival de Cinema de San Sebastian (País Basco, Espanha) um documentário, de 63 minutos, sobre a Guiné Bissau, focado na música e no crioulo deste país. "Lantanda" é o título deste filme realizado por Gorka Gamarra.
Lantanda, palavra em crioulo que significa "erguer", "pôr de pé", está a ser apresentado desde os dias 24 (Dia da Independência da Guiné-Bissau) , 25 e 27 de setembro no 62.º Festival de Cinema de San Sebastian.
"O filme percorre a história da Guiné-Bissau desde a década de 1960 através da música, com os primeiros temas em crioulo dos Cobiana Djazz e a sua relação com a luta da independência, até à nova geração, com Karyna Gomes, Binhan ou Patche de Rima", explica Gorka Gamarra.
A ideia do filme surgiu enquantoo realizador era funcionário das Nações Unidas em solo guineense. O objetivo passou por "ajudar a mostrar uma realidade da Guiné-Bissau muito diferente das razões pelas quais o país tem sido conhecido nos últimos anos" - como parte de uma rota de narcotráfico e devido à instabilidade político-militar. Subjacente à música, "surge a questão do crioulo e das línguas maternas", discussão para a qual contribuem as participações no documentário de figuras da cena cultural guineense como Abdulai Sila, Tony Thecka ou Nelson Medina.
Gorka Gamarra e a equipa que deu vida a "Lantanda", querem participar em festivais e dar a maior visibilidade possível ao filme, que "tem levado muitas pessoas a descobrir a Guiné-Bissau", refere.
Um dos temas musicais escolhidos para o filme "Lantanda" é um hino da revolução chamado "Mindjeris di Panu Pretu". A releitura deste tema clássico da música Guineense é feita por Karyna Gomes e Ernesto Dabó.   Assinalando mais um aniversário da Independência da Guiné-Bissau, aqui fica uma homenagem à riqueza da cultura desse país!

sexta-feira, setembro 26, 2014

Me Leva

A cantora Marjorie Estiano lançou recentemente o novo single, "Me Leva" que lhe proponho que oiça.  A música faz parte do repertório de seu terceiro disco, "Oito", que será lançado em breve. O disco conta com a produção de André Aquino, tem 11 faixas, sendo 8 da autoria de Marjorie e outra é uma versão especial para o sucesso de Carmem Miranda, "Tahí", de Joubert De Carvalho. O álbum tem ainda as participações especiais de Gilberto Gil em "Luz do Sol" e de Martinália em "A Não Ser o Perdão".
Desde que o mundo se fez mundo
Não se deve magoar
E se houver gente que ainda sente
A solidão não mais virá

Te procurei a noite inteira
Não posso mais com brincadeira
A vida é curta
E a minha sina é te querer demais

Anuncia, me diga
Aonde for
Só me deixe estar
Me deixe estar

Aonde você foi, me diz
Pra onde for, me leva
Só me deixe estar
Me deixe estar

Anuncia, me diga
Aonde for
Só me deixe estar
Me deixe estar

Aonde você foi, me diz
Pra onde for, me leva
Só me deixe estar
Me deixe estar

A noite fez, e em mim se deu
Sem ele não abuso, não vou suportar

Aonde você foi, me diz
Pra onde for, me leva
Só me deixe estar
Me deixe estar

A noite fez-se, em mim se deu
Sem ele não abuso, não vou suportar

Aonde você foi, me diz
Pra onde for me leva
Só me deixe estar
Me deixe estar

Aonde você foi (Me deixe estar)
Me leva
Só me deixe estar
Me deixe estar (Me leva)

Anuncia, me diga
Aonde for
Só me deixe estar
Me deixe estar

A noite fez, e em mim se deu

Aonde você foi, me diz
Me leva
Só me deixe estar
Me deixe estar (Me leva)

A noite fez, e em mim se deu
A noite fez, e em mim se deu

Aonde você foi, me diz
Só me deixe estar
Me deixe estar

Anuncia, anuncia, me diga
Aonde for
Me leva
Só me deixe estar
Me deixe estar

quinta-feira, setembro 25, 2014

Vivian Maier: Uma Mulher Enigmática

Vivian Maier (1926 - 2009) foi uma fotógrafa norte - americana, postumamente, considerada uma das maiores fotógrafas de quotidiano do século XX. A sua especialidade era a "street photography" ou fotografia de rua.
Maier passou a sua infância em França tendo,voltado, posteriormente, para os Estados Unidos, onde trabalhou como ama durante mais de 40 anos. Ao longo deste tempo, nos seus dias de folga, fotografou a cidade de Nova Iorque. As ruas, as pessoas e os edifícios, eram o alvo da sua máquina Rolleiflex. Fez mais de 150 mil fotografias mostrando as pessoas e a arquitectura da sua cidade natal, além de fotos de Los Angeles e Chicago, entre as décadas de 1950 e 1960.
Vivian também fez viagens internacionais, tendo fotografado as cidades de Manila, Bangkok, e Pequim, bem como as ruas de cidades do Egipto e de Itália,
Vivian viveu uma velhice com dificuldades financeiras, tendo chegado a morar em lares pagos pela segurança social. Alguns amigos compraram-lhe, depois, um apartamento em Chicago e passaram a pagar as suas contas. Entre estes amigos, estavam várias pessoas de quem Vivian tinha cuidado enquanto crianças.
Durante toda a sua vida, guardou as fotografias, os negativos e as fitas de áudio com pequenas entrevistas que fazia, com as pessoas que fotografava. Este material só foi descoberto em 2007, por John Maloof. Nesta altura, John Maloof comprou uma caixa que continha 40 mil negativos numa leiloeira de Chicago por 380 dólares (cerca de 276 euros). Estava longe de imaginar que tinha acabado de tropeçar nos inéditos de Vivian Maier, a ama americana de ascendência francesa nascida em 1926 e que foi postumamente considerada uma das maiores fotógrafas americanas do quotidiano do século XX. Por isso, foi só após a sua morte, em 2009, que houve o reconhecimento do seu trabalho e o material começou a ser reproduzido na internet e em revistas especializadas, além da publicação de livros com o seu acervo e da realização de exposições.

quarta-feira, setembro 24, 2014

A boa educação...

P. António Vieira evangelizando os índios brasileiros
 (Arquivo Ultramarino de Lisboa)




A boa educação é moeda de ouro,
em toda a parte tem valor.
Padre António Vieira.

terça-feira, setembro 23, 2014

O Palacete do Chafariz D’El Rei

O Palacete do Chafariz D’El Rei (1915) situa-se em Lisboa, na freguesia da Sé, ao pé de Alfama, um dos bairros mais antigos da capital portuguesa. Este edifício não passa despercebido, pois era exactamente esse o objetivo de João Antonio Santos, quando o decidiu construir, em 1909.
João Santos tinha acabado de voltar do Brasil, onde tinha feito fortuna e queria fazer-se notar na capital, pelo que mandou construír um palacete com uma uma mistura desordenada de estilos e de referências: estilo neo - islâmico, elementos neo-barrocos e neo-clássicos somados a referências art nouveau, com pinceladas de exotismo. Uma extravagância sem fim!
O resultado foi um prédio em oposição extrema ao gosto da tradicional burguesia lisboeta, de então.
No seu conjunto, o edifício é representativo de um revivalismo e espírito romântico que se vai prolongar até á segunda década do século XX no nosso país. Esse espírito romântico e ecléctico está patente na intenção de conciliar num mesmo espaço soluções decorativas referentes a várias influencias estilísticas, assim como recorrendo a uma grande variedade de materiais e técnicas decorativas e construtivas.
O Palacete do Chafariz d’El Rei tem este nome devido à fonte sobre a qual foi construído e mantém-se mais imponente do que nunca. Já agora saiba que o Chafariz d'El Rei é o chafariz mais antigo de Lisboa, tendo sido construido no século XII. Foi uma importante fonte de água doce no século XVI, para as embarcações dos descobrimentos portugueses.
Cem anos depois da sua construção como palacete privado, este edifício romântico abriu portas como um dos mais charmosos hotéis de Lisboa, graças ao madrilenho Emilio Castillejos que o comprou em 2009 e se uniu a Rui Teixeira, para lhe devolver toda sua majestade, após dois anos de restauro.
Se vier de férias até Lisboa, não deixe de passar ali uns dias.
Olhe que vale bem a pena!

segunda-feira, setembro 22, 2014

Poema de Outono

Quero apenas cinco coisas.
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser… sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda

domingo, setembro 21, 2014

Aves de Angola

Galinha d'Angola
Angola é um dos mais excitantes biótipos de África. No interior deste país africano há uma multiplicidade de habitats.
Desertos a sudoeste, savanas áridas no sul, montanhas a oeste, associadas a florestas, várzeas e pastagens.
No norte e em especial em Cabinda, bosques juntamente com áreas de floresta, de onde se destaca a floresta do Maiombe.
Angola tem, pois, uma multiplicidade de espécies diferentes de aves, mais de novecentas e oitenta, sendo muitas delas autóctones e algumas, exclusivas do território angolano, não se encontrando em mais nenhuma parte do mundo.
Se quiser ficar a conhecer algumas destas belas aves basta ver com atenção as apresentações e o vídeo que se seguem. Não perca esta oportunidade. Ora veja! Aqui vai, então, a segunda apresentação.
E agora o vídeo realizado pelo Fórum Kandando Angola.

sábado, setembro 20, 2014

Falésias Brancas

Beachy Head é um cabo situado ao sul da Inglaterra, perto da cidade de Eastbourne, no condado de East Sussex (Reino Unido).
Qual é a particularidade deste cabo? Em termos geológicos é constituído por calcário branco do período cretácico. Assim, o penhasco de Beachy Head é o mais alto penhasco marítimo, com arribas completamente brancas, da Grã Bretanha, elevando-se a 162 metros acima do nível do mar.
O cume proporciona vistas extraordinárias para a costa sudeste de Dungeness (a leste) e para Sealsey Bill (a oeste). A sua altura fez com que se tornasse um dos pontos de suicídio mais famosos do mundo.
Aprecie esta extraordinária paisagem de falésia brancas, através da excelente apresentação que se segue. Esta paisagem é de uma beleza extraordinária.... Ora veja! 

sexta-feira, setembro 19, 2014

Alentejo, tempo para ser feliz

"Alentejo, tempo para ser feliz", é uma curta metragem que mostra, em cerca de seis minutos, as emoções que os turistas podem viver no Alentejo.
O filme foi produzido pela Flavour Productions, conta com a direcção de fotografia e realização de Eduardo Sousa e co-realização de Tito Costa. A banda sonora é de Nuno Maló, compositor português que esteve na "shortlist" para os Óscares deste ano com o filme "LUV" e foi nomeado para os "Hollywood Music in Media Awards".
Este pequeno filme é protagonizado pela atctriz britânica Ela Clark e muitos habitantes do Alentejo.
Esta pequena aventura tem como ponto de partida a busca da felicidade.
Não perca, também, a oportunidade de ter tempo para ser feliz no Alentejo, nem que seja virtualmente! Ora veja!

quinta-feira, setembro 18, 2014

Adorai, montanhas

Adorai, montanhas,
o Deus das alturas,
também das verduras.

Adorai, desertos
e serras floridas,
o Deus dos secretos,
o Senhor das vidas.
Ribeiras crescidas,
louvai nas alturas
Deus das criaturas.

Louvai, arvoredos
de fruto prezado,
digam os penedos:
Deus seja louvado!
E louve meu gado,
nestas verduras,
o Deus das alturas.
Gil Vicente

quarta-feira, setembro 17, 2014

Cabide

Oiça a Ana Carolina (cantora, compositora, arranjadora e instrumentista brasileira) a interpretar "Cabide" aqui com a ilustre participação do grande Luiz Melodia.
E se eu fugir e sair por ai na noitada
Me acabando de rir
E se eu disser que não digo, e não ligo, e que fico
E que só vou aprontar
É que eu sambo direitinho, assim bem miudinho,
Cê não sabe acompanhar
Vou arrancar sua blusa e pôr no meu cabide só pra pendurar
Quero ver se você tem atitude
E se vai me encarar

E se eu sumir dos lugares, dos bares, esquinas
E ninguém me encontrar
E se me virem sambando até de madrugada
E você for até lá
É que eu sambo direitinho assim bem miudinho,
Sei que você vai gostar
Vou arrancar sua blusa e pôr no meu cabide só pra pendurar
Quero ver se você tem atitude e se vai me encarar

Chega de fazer fumaça, de contar vantagem
Quero ver chegar junto pra me juntar
Me fazer sentir mais viva
Me apertar o corpo e a alma
Me fazendo suar
Quero beijos sem tréguas
Quero sete mil léguas sem descansar
Quero ver se você tem atitude e se vai me encarar.

E se eu fugir e sair por ai na noitada
Me acabando de rir
E se eu disser que não digo, e não ligo, e que fico
E que só vou aprontar
É que eu mando direitinho, assim bem miudinho,
Sei que você vai gostar
Vou arrancar sua blusa e pôr no meu cabide só pra pendurar
Quero ver se você tem atitude e se vai encarar
Quero ver se você tem atitude e se vai me encarar
Quero ver se você tem atitude e se vai me encarar
 

terça-feira, setembro 16, 2014

Um Passeio pelo Museu

A proposta de passeio virtual de hoje é até ao Museu Nacional de História Natural, dos E.U.A. Esta visita virtual permitir-lhe-á descobrir uma das coleções de História Natural mais completas que existem: fósseis, borboletas, diamantes, mamíferos empalhados e, principalmente, dinossauros.
O museu é administrado pela Instituição Smithsoniana, e, localiza-se em Washington, D.C.  Foi fundado em 1910 e o edifício, de estilo neoclássico, foi o primeiro a ser construído naquela parte da cidade de Washington, como parte do plano da Comissão McMillan, em 1901.
A sua colecção totaliza mais de 125 milhões de espécies de plantas, animais, fósseis, minerais, rochas, meteoritos e objetos culturais humanos.
No museu trabalham mais de 185 profissionais especialistas em história natural, o maior grupo dedicado ao estudo cultural e natural de todo o mundo.
As amostras mais importantes do piso inferior estão no salão de mamíferos, que expõe mamíferos dessecados de todo o mundo, alguns dos quais foram colecionados pelo presidente Theodore Roosevelt. Também no piso inferior está a sala dos dinossauros. Ao lado desta sala fica a exposição sobre a evolução da Terra, que vai até ao Pré-Cambriano.
O primeiro piso contém a Coleção Nacional de Gemas, onde a peça de maior destaque é o diamante Hope.  O resto do piso contém ainda o cine IMAX que projecta filmes sobre a vida selvagem, geografia e natureza.
 No piso superior ficam as lojas do museu, a cafeteria e o auditório. Neste piso pode-se contemplar, também, uma coleção de 100 pássaros que vivem na zona metropolitana de Washington
Recomendo-lhe que veja com calma o site deste Museu Nacional da História Natural, clicando aqui. Olhe que vale bem a pena.

segunda-feira, setembro 15, 2014

O Parque dos Poetas

O Parque dos Poetas , situa-se em Oeiras, e é um projecto da Câmara Municipal  que pretendeu homenagear a cultura portuguesa.
Foi inaugurado em Junho de 2003 (1ª fase), proporcionando um espaço de lazer, de cultura e de desporto. Tem jardins, alamedas, parque infantil, fontes, parque de merendas, anfiteatro ao ar livre, entre outras possibilidades a descobrir e, procurou cruzar a poesia e a arte dos jardins.
Estão ali representados os seguintes poetas: Carlos de Oliveira, Camilo Pessanha, Teixeira de Pascoaes, Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca, José Gomes Ferreira, José Régio, Vitorino Nemésio, Miguel Torga, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, Natália Correia, Eugénio de Andrade, Manuel Alegre, Fernando Pessoa, Alexandre O'Neill, António Ramos Rosa, David Mourão-Ferreira, António Gedeão e Ruy Belo. Destes poetas, para além da sua poesia, há esculturas da autoria do escultor Francisco Simões.
Depois das obras da 2ª fase  (2010 e 2013) o Parque dos Poetas  ficou com 27 ha e, o projecto ainda não terminou por aqui.
Se não tem possibilidades de se deslocar até Oeiras, aprecie a excelente apresentação que se segue e fique a conhecer este excelente parque de cultura e recreio..

domingo, setembro 14, 2014

ROMAGEM

Aqui lhe deixo um poema de saudade.
É longo, mas ficam avivadas as memórias dos nomes das cidades e dos sítios que enfeitiçaram algumas pessoas que passaram por Angola.

MEU SER ORGULHOSO EXIBE
A SAUDADE QUE O ASSOLA:
SAUDADE DO MEU NAMIBE,
SAUDADE DA MINHA ANGOLA
1
Quero ver Namibe, Huila,
Onde o meu passado mora,
Numa romagem tranquila
Ir por essa Angola fora
Do mar à fronteira Leste,
Da fronteira Leste ao mar,
Por chanas, serras agrestes,
Minha saudade adoçar
Nos sabores divinais,
Nas majestosas miragens,
Nos sons ledos, celestiais,
Nos odores, nas paisagens.
2
Ouvir silvar a garrôa,
A calema marulhar,
Apanhar cacimbo à-toa,
No Vento-Leste abrasar;
Botar colar de missanga,
Pulseira de couro usar,
Vestir panos, vestir tanga,
Sandália de pneu calçar;
Queimar-me ao Sol nas anharas,
Molhar-me à chuva nas chanas,
Sentir gelar-me na cara
À noite o ar da savana.
3
Jogar o balde e, puxando,
Tirar água da cacimba,
Deixar na sanga, pingando,
Beber, fresca, da muringa;
Ir de chata ao alto mar,
Machimbombo em rota longa,
Camangas ir garimpar,
Fazer venda na kandonga;
Ir de ginga p’los muceques,
Dar pé num forro de arromba,
Entre cafekos, moleques,
Dar semba ao som de um kizomba;
Ouvir guizos de chingange,
Cazumbis sentir no ar,
Ouvir trinar o kissange,
Gemendo a puíta soar.
4
Pegar saltão no deserto,
Aranhuço no capim,
Ver um olongo de perto,
De longe a onça ou afim;
Botar pedra na chifuta
P’ra chirikuata caçar,
Pôr visgo em galho de fruta
Bico-de-Lacre pegar;
Pôr rede p’ra Papa-Areia,
Armar laço ao garajau,
Ver no fogo que se ateia
O haraquiri do lacrau
5
Sentir no corpo, qual forno,
Palúdica tremideira,
Ter do makulo o transtorno,
Da bitacaia a coceira;
Sentir o ardente prurido
Do ferrão do marimbondo,
O ruborizar dorido
Da picada do kissonde.
6
Comer maboque, pitanga,
Sape-sape, fruta pinha,
Anona, abacate e manga,
Cola e mandioca em farinha;
Comer múkua, tamarindo,
E tabaibo, e miramgôlo,
Beber bulunga e, convindo,
De caxipembe um bom golo;
Pegar milho e fazer fuba,
Tirar do dendem o azeite,
Comer doce de jinguba,
Do coco sugar o leite;
Fazer fogueira no chão,
Na brasa mulamba assar,
Comer com funje ou pirão
E jindungo de abrasar;
Comer guibulo gostoso,
Mucunza, ginguinga rica,
Um gulungo saboroso,
Uma pesada cangica;
Comer mukeca e fartar-me,
Em muamba me empanturrar,
De muzonguê lambuzar-me
Com farofa a acompanhar;
De peixes comer a zaza,
De carapau o bufete,
Chôco seco assar na brasa,
Saborear o mufete;
Comer matete adoçada,
Pirão frito, tapioca,
Beber Cuca acompanhada
De salgadinha macoca;
P’ra terminar numa boa,
Por sobremesa sublime,
Um dionjo ou dinhangoa,
Quitando ou, talvez, mahime.
7
De recordações liberto,
De sabores satisfeito,
No ar puro do deserto
Revitalizar o peito
E partir com ar solene
Nessa viagem tão linda
Que ligue a foz do Cunene
Ao Chiloango, em Cabinda.
Ver os Tigres, ver o Pinda,
Ter o Iona na retina,
S. João do Sul e, ainda,
O Coroca e Ponta Albina;
Transpor do Namibe as dunas
P’ra ver Tômbua, a cidade,
Recordar naus e escunas
Do Cabo Negro a saudade;
Admirar tômbua, a planta,
Espreguiçando ao deserto.
E a cidade-mãe que encanta
Qual milagre em céu aberto.
8
Ver florir as oliveiras
No meio do areal,
Pender cachos das videiras
Nesse Namibe infernal;
Sentir do mar as aragens,
Desde o Saco ao Pau-do-Sul,
Ir à Praia das Miragens,
Praia Amélia e Praia Azul;
Ir ao Cabo Submarino,
A Santa Rita, ao Quipola,
Torre-Tombo onde, menino,
Brinquei, cresci, fui à escola;
Ir às ostras na Lucira,
Ao burrié no Farol,
Secar choco em bruto ou tiras
No Chapéu Armado, ao Sol;
No Canjeque pescar mero,
Nas Furnas rever as grutas,
Beber das águas do Bero,
Ir às Hortas roubar fruta;
Ir ao Pico do Azevedo,
Olhar o Morro Maluco,
Ver a Bibala e, sem medo,
Aventurar-me p’lo Bruco.

Subir a Chela de dia
Pela Leba, essa obra-prima,
Enquanto o olhar se extasia
Na paisagem, serra a cima;
Sentir Lubango defronte
Pelos perfumes que exala,
Ir à Senhora do Monte,
À fenda da Tundavala;
Olhar a terra fecunda,
Ver a beleza da muíla,
Ver Humpata, ir à Mapunda,
Chibia, Kipungo e Huila;
Ir a Hoque e Capelongo,
Ver as minas no Cassinga,
Ir a Ondjiva e Menongue,
A Nriquinha e Mavinga.
10
Do Lumbala ao Cazombo ir,
Por Luau Luena ver,
Passar Munhango e seguir
P’ra Kamacupa rever;
Passar Wama, ir ao Andulo,
No Kuito ver a embala,
Ao Huambo dar um pulo,
Ir mais p’ra Sul na Kaala;
De Caconda ir ver o mar
Entre Lobito e Benguela,
Na Restinga descansar,
Ver Cavaco e Catumbela;
De Sumbe à Cela subir
Para à Gabela descer,
Ir à Quibala e partir
P'ra Calulo à vista ter.
11
Dondo e Massangano olhar
E por Muxima passando
Seguir em frente e buscar
Catete e Ndalatando;
Ir a Malanje e Saurimo,
Embrenhar-me em densas matas,
Rever Cacolo e Luachimo,
Lucala e as cataratas;
Caungulo descobrir,
Ver Uíge, Sanza Pombo,
Kuango, Dambe, e prosseguir
Até Maquela do Zombo;
Ir de Mbanza a Cabinda,
Ver do Zaire a foz tão bela,
Nzeto, Quimbambe e, ainda,
Quiteche e Camabatela,
Por Nambuangongo passar,
Ir a Quibaxi e Caxito,
No Cacuaco findar
Este deambular bonito.
PORQUE PERTO, JUNTO AO MAR,
JÁ LUANDA SE PRESSENTE,
DA PÁTRIA NATAL ALTAR,
DESTA SAUDADE SEMENTE.
José António Teixeira