sexta-feira, abril 18, 2025

Luciano Pavarotti: Lucia di Lammemoor & L´Arlesiana

Ouça o tenor italiano Luciano Pavarotti em Lucia di Lammemoor & 

L´Arlesiana (Londres1982). 

Lucia di Lammermoor, é uma ópera em 3 atos de Gaetano Donizetti, com libreto de Salvatore Cammarano, baseada no romance "The Bride of Lammermoor" (A Noiva de Lammermoor), de Walter Scott. 

Juntamente com Don Pasquale L'elisir d'amore, é uma das óperas mais representadas de Donizetti na atualidade. A sua estreia ocorreu no Teatro San Carlo em setembro de 1835.


L'Arlesiana é uma ópera em três atos de Francesco Cilea com libreto italiano de Leopoldo Marenco. Foi originalmente escrito em quatro atos e foi apresentado pela primeira vez em novembro de 1897 no Teatro Lirico em Milão. Foi revista como uma ópera de três atos em 1898, e um prelúdio foi adicionado em 1937. É baseada numa história de Alphonse Daudet

L'Arlesiana é uma trágica história de amor, frustração e obsessão.

quinta-feira, abril 17, 2025

O Folar de Valpaços

 O folar era tradicionalmente confecionado na época da Páscoa. O clero recolhia o folar das famílias no Domingo de Páscoa, no denominado "Compasso ou visita Pascal". Hoje o folar está na mesa de todos os transmontanos sempre que há um casamento ou um batizado.

A primeira referência à receita com a designação de "Folar de Valpaços" surge, em 1959, no Livro de Pantagruel (Bertha Rosa Limpo, 1959), aparecendo posteriormente em várias publicações nacionais de culinária, destacando-se, entre elas, o livro Cozinha Tradicional Portuguesa, de Maria de Lurdes Modesto (1982). 

A reputação e utilização direta do nome "Folar de Valpaços" é referida por Virgílio Nogueiro Gomes, na sua obra "Transmontanices – Causas de Comer" (2010) e nas suas crónicas "Folares e a Páscoa" (2009) e "Cadernos de Receitas" (2012).  

Pra que não deixe de seguir a tradição aqui lhe deixo uma receita de Folar de Valpaços transmitida na Praça da Alegria da RTP.

Ingredientes:
Farinha – 1kg
Ovos – 10
Sal – 20g
Fermento de padeiro – 50g
Azeite – 120ml
Manteiga – 120g
Linguiça cortada – a gosto
Salpicão – a gosto
Presunto – a gosto
Toucinho – a gosto

Preparação:
Num recipiente junte o sal e os ovos e bata tudo.
Numa taça, dissolva o fermento com um pouco de água morna.
Adicione a farinha à mistura de sal e ovos. Junte depois os restantes ingredientes. Misture tudo e bata energicamente até formar uma bola de massa elástica.
Deixe essa bola de massa levedar até dobrar de tamanho e ganhar algumas bolhas.
Corte a massa levedada em porções. Estenda a massa, recheie com as carnes e enrole a massa.
Coloque a massa numa forna untada com manteiga e deixe a levedar por cerca de 30 a 40 minutos.
Por fim, leve ao forno pré-aquecido a 90ºC.

quarta-feira, abril 16, 2025

Stardust

 Hoje proponho-lhe que ouça Nat King Cole em Stardust.
Nat King Cole,  (1919 - 1965), foi um cantor e pianista de jazz norte-americano, pai da cantora Natalie Cole. O apelido de "King Cole" veio de uma popular cantiga de roda inglesa conhecida como Old King Cole.

A Sua voz marcante imortalizou várias canções, como: "Mona Lisa", "Stardust", "Unforgettable", "Nature Boy", "Christmas Song", "Quizás, Quizás, Quizás", entre outras, algumas das quais nas línguas espanhola e portuguesa.
And now the purple dusk of twilight time
Steals across the meadows of my heart
High up in the sky the little stars climb
Always reminding me that we're apart

You wandered down the lane and far away
Leaving me a song that will not die
Love is now the stardust of yesterday
The music of the years gone by

Sometimes I wonder how I spend
The lonely night
Dreaming of a song
The melody haunts my reverie
And I am once again with you

When our love was new
And each kiss an inspiration
But that was long ago
And now my consolation
Is in the stardust of a song

Besides the garden wall
When stars are bright
You are in my arms
The nightingale tells his fairytale
Of paradise where roses grew

Though I dream in vain
In my heart it will remain
My stardust melody
A memory of love's refrain

terça-feira, abril 15, 2025

Mario Vargas Llosa & Conversa na Catedral

Mario Vargas Llosa (1936-2025), Prémio Nobel da Literatura em 2010, morreu aos 89 anos.

Mario Vargas Llosa, foi um escritor, político, jornalista, ensaísta e professor universitário peruano. Vargas Llosa foi um dos romancistas e ensaístas mais importantes da América Latina e um dos principais escritores de sua geração. 

"Conversa na Catedral" (1969) é um livro de Mario Vargas Llosa que é considerado uma obra prima e um dos títulos mais importantes do autor, porque reúne muitos dos ingredientes que fizeram a fama do autor peruano - as críticas ácidas, a irreverência, a rebeldia e o humor sarcástico. 

Esta história esplêndida é a crónica de uma ditadura e da resistência possível graças à palavra. Uma aguda reflexão sobre a identidade latino-americana e sobre a perda da liberdade. Um romance que, mais do que um marco na carreira literária do autor, é um ponto de referência inevitável na história da literatura universal.

Este é um livro recomendado pelo PNL2027 dos 15-18 anos.


Sinopse:
Sentados a uma mesa da taberna A Catedral, o jornalista Santiago Zavala, filho de uma família de classe média alta, conversa com o seu amigo e antigo motorista de seu pai, Ambrosio. Estamos em Lima, na época ditatorial do general Manuel A. Odría (1948-1956), e dessa conversa acompanhada de cerveja emerge um Peru cruel, corrupto, desesperançado, matéria-prima ideal, portanto, para um romance que só um grande jornalista e escritor como Vargas Llosa poderia ter produzido.

segunda-feira, abril 14, 2025

Cabrito Assado à Moda de Braga

Estamos na Quaresma e já muito próximos de celebrar a Páscoa
Nalgumas regiões do nosso país o cabrito, o borrego e o anho fazem parte da
mesa do almoço do Domingo de Páscoa.

O Cabrito Assado à Moda de Braga é um prato de destaque à mesa dos minhotos no Domingo de Páscoa. Com algumas variações na forma de assar o cabrito, o Minho opta pela versão assada no forno, acompanhada com batatas assadas e arroz com miúdos.

Cabrito, borrego e anho não são a mesma coisa. O cabrito é da raça caprina e os seus progenitores a cabra e o bode.
A ovelha, o carneiro e o cordeiro pertencem à mesma família, ou seja, são da mesma espécie animal: ovinos
A ovelha é o ovino fêmea, dos 7 meses até o primeiro parto - 12-24 meses, enquanto o carneiro é o macho.
borrego é um cordeiro com menos de um ano, da raça ovina e a sua carne é mais clara e macia. Finalmente o anho, é por sua vez, nada mais do que um cordeiro (o cordeiro é o filhote da ovelha e tem até 7 meses e a sua carne é suculenta, macia e vermelha ou rosada). O borrego tem entre 7 e 15 meses. A carne é macia, mas de um vermelho mais forte.

Os cabritos são cuidadosamente selecionados quando têm apenas um mês e meio de vida, concentrando um peso entre os três e os cinco quilos no máximo - sendo a carne mais tenra e rosada. Variando de região para região é possível assá-lo de diferentes maneiras.
Assim, perto de Coimbra chega a ser assado à moda do leitão. Contudo, na região minhota manda a tradição uma versão assada no forno, acompanhada por batatas assadas e por arroz com miúdos. Deixo-lhe, pois aqui, uma receita de Cabrito à Moda de Braga.
  
Ingredientes:  
500 gramas de batatas pequenas para assar
1 perna e 1 pá de cabrito
4 dentes de alho
1 colher de chá de colorau
2 folhas de louro
pimenta q.b.
sal q.b.
2.5 dl de vinho branco
50g de banha
150g massa pimentão
Tomilho e alecrim qb.


Preparação: 
1. Para a Marinada: Colocar o pimentão numa taça e num almofariz esmagar a 2 c.chá pimenta preta e 2 dentes de alho. Esmagar até formar uma pasta. Colocar ainda sal, alecrim, tomilho, vinho branco. Misturar muito bem, no caso de estar liquido juntar mais pimentão doce. Finalizar com 1 fio de azeite.
2. Colocar as partes do cabrito num recipiente, juntamente com o líquido.
3. Deixar marinar durante 24h. Virar a carne de 6 em 6 horas.
4. Confeção: Pré-aquecer o forno a 180ºC.
5. Aquecer uma frigideira, com banha e azeite, e colocar as partes no cabrito a selar até caramelizar.
6. De seguida colocar as mesmas num tabuleiro de ir ao forno, juntamente com o liquido da marinada, coberto com folha de aluminio, até aos últimos 30 minutos. Deixar no forno pelo menos 2 horas ou até a carne se começar a soltar do osso.
7. Cortar a batata em gomos e esmagar dois dentes de alho. Colocar tudo num tabuleiro, juntamente com alecrim, azeite, sal e colorau. Colocar no forno quando faltar 1 hora para terminar o cabrito.
8. Ao molho juntar um pouco da marinada e um pouco de água, e colocar num pequeno tacho.
9. Esmagar a batata com um esmagador, e temperar com alecrim picado e o molho da carne, pimenta e envolver tudo muito bem.
10. Desfiar o cabrito, e servir sobre a cama de esmagada de batata.

domingo, abril 13, 2025

A Capela de Santa Catarina

A Capela de Santa Catarina, primeira construção cristã na Índia, por Afonso de Albuquerque, em homenagem à reconquista de Goa aos muçulmanos, é uma capela dedicada a Catarina de Alexandria, situada em Velha Goa, pertencente ao conjunto de Igrejas e Conventos desta cidade.

Em 1510, as tropas de Afonso de Albuquerque penetraram na cidade de Goa. Foi erguida uma capela junto à porta da muralha da Goa muçulmana, por onde os portugueses invadiram. Essa capela situava-se perto do local do Hospital Real, que se erguia a norte do Convento de São Francisco próximo do Arsenal e que não sobreviveu aos nossos dias, ou seja, respectivamente entre um local de armas e o centro da vida interior e mística. Era uma modesta construção de taipa e de cobertura de palha, que seguiu aos planos deixados por Afonso de Albuquerque e executados por Diogo Fernandes. Foi reconstruída em 1550 por ordem do governador Jorge Cabral. Em 1607, a capela voltou a passar por uma grande reforma.
Durante o século XIX, esteve sob os cuidados dos Franciscanos, antes de retornar ao clero secular e à administração da Arquidiocese de Goa e Damão.
Por ocasião da exposição das relíquias de São Francisco Xavier em 1952, foi o primeiro edifício a sofrer intervenção pelo arquitecto Baltasar de Castro, funcionário da Direcção‑Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, numa grande operação de restauro e saneamento de Velha Goa.

A capela é muito singela. De construção retangular, é composta apenas por uma nave. As várias intervenções de reconstrução que teve ao longo dos anos retiraram-lhe muito do aspeto original. Porém, é prova das primeiras construções religiosas mais modestas e despojadas de ornamentação.

sexta-feira, abril 11, 2025

Erva Cidreira & A Saia da Carolina


Uxu Kalhus, cujo nome é uma espécie de transcrição fonética de Os Chocalhos (Los cencerros) são um grupo de música trad-folk-rock



O grupo que já tem 25 anos, é formado por Eddy Slap (baixo), Luis Salgado (bateria), Joana Margaça (voz), Miguel Tapadas (teclados e acordeão), Rúben da Luz (trombone) e Sérgio Galante (guitarras e viola campaniça). 

Ouça agora Os Chocalhos (Uxu Kalhus) em Erva Cidreira 
(RTP1, Portugal no Coração).


E agora a A Saia da Carolina com  Uxu Kalhus e a Banda Filarmónica de São Mamede de Ribatua (Filarmónica Extravagante, Concerto de encerramento da 1ª Edição da Alifeira em julho de 2018, em Alijó).

quinta-feira, abril 10, 2025

Os Sameirinhos

A cidade de Braga é rica e diversificada no que se refere à oferta gastronómica. 

Nos seus pratos destacam-se, durante o período da Páscoa, o bacalhau e o cabrito, graças às suas influências religiosas.

No que diz respeito a receitas de doçaria, Braga é grandiosa devido à influência conventual! 

O Pudim Abade de Priscos, ou Pudim de Toucinho, é um doce de origem conventual, sendo um dos marcos gastronómicos desta cidade e, de certa forma, da região do Minho e, uma iguaria tradicional na quadra festiva da Páscoa, que se aproxima. 

Mas, pode optar por outros doces típicos desta cidade, como por exemplo: os Suspiros de Braga; as Tíbias; os Fataúnços ou os Fidalguinhos de Braga.

Hoje proponho-lhe que conheça, contudo, outra especialidade desta cidade: Os Sameirinhos.

Os Sameirinhos (cuja receita pode ver aqui) são um doce conventual criado pelas freiras do Sameiro e que é, de acordo com os entendidos, a única especialidade de doçaria genuinamente bracarense.


 Estes pequenos "barquinhos" (porque são moldados numa forma que faz lembrar um barco) são envolvidos numa massa crocante e estaladiça e recheados de doce de ovos e amêndoa, revelando-se um doce único e delicioso. 

Se for passar a Páscoa ao Minho, não deixe de passar por Braga e provar estas especialidades.

quarta-feira, abril 09, 2025

Torre Dos Clérigos

quando uma torre se levanta é para usar da palavra
traz algo nos lábios para dizer    histórias
lembranças   saudações   augúrios

quando esta porém se erige acima de todos os coruchéus
acima dos outros campanários   acima do nevoeiro
não estira apenas o pescoço da curiosidade
para saber se o rio que desliza no sonho dos séculos
vai vestido de azul ou de ouro
ou para espreitar os acenos brancos das velas dos rabelos
ou o sulco das outras embarcações

orador sagrado num púlpito excelso
ébrio da eloquência de um  infinito azul
aponta o incomensurável como rumo
faz o panegírico da verticalidade
promete a bem-aventurança que mora no alto

sineira e crucífera deveria talvez
apetecer-lhe apenas a salvação das almas
mas esta torre granítica ereta acima das demais
já ali estava há muito de olhos postos no poente
vaticinando que seria do mar que chegaria
a auspiciosa palavra liberdade
semente sonhada de um paraíso terreno
chegou e logo chamaram invicta à cidade

a torre achando merecer também o epíteto
põe-se nos bicos dos pés de justificado orgulho
e cresce ainda um pouco mais
Anthero Monteiro - Helder Pacheco, Porto A Torre da Cidade nos 250 anos da Torre dos Clérigos, 
Porto, Edições Afrontamento, 2013

terça-feira, abril 08, 2025

A Velha Goa ou Goa Velha

Basílica de Bom Jesus
Velha Goa ou Goa Velha foi capital rica e porto internacional próspero. Foi o centro da evangelização do Oriente e o coração do Império Português do Oriente. Hoje, a Velha Goa é uma cidade menor que conta só com cerca de cinco mil habitantes.

A costa ocidental da Índia era um ponto estratégico muito cobiçado nas rotas comerciais marítimas. O porto de Velha Goa, construído no século XV pelo Sultanado de Bijapur, era um dos melhores portos na rota das especiarias da Índia. Com a chegada dos portugueses, liderados por Afonso de Albuquerque, a cidade conhece uma prosperidade enorme. Ao longo dos séculos XVI e XVII a população aumenta exponencialmente atraída pela riqueza gerada e pela fama alcançada. O investimento na cidade é tão grande que compete em grandeza, demografia e importância com Lisboa. Goa vê pela primeira vez edifícios grandiosos: palácios, mansões e igrejas, muitas igrejas, de traçado ocidental. O mundo passa a designá-la por "Roma do Oriente", o núcleo da evangelização por terras orientais. Em 1835 a cidade tem um fim tão meteórico como a sua ascensão. As epidemias dizimam a população e o assoreamento do rio que alimenta o porto traz a ruína do comércio. Goa é abandonada.

Os palacetes das famílias portuguesas endinheiradas, as grandes quintas e as mansões não resistiram à inclemência do clima húmido, à ruína das fortunas e ao abandono. Da cidade original do período de domínio português permanece apenas a herança religiosa: as igrejas de pedra e a igreja humana.

O que impressiona quando se visita a Velha Goa é a quantidade de edifícios religiosos de tão grande imponência num espaço tão pequeno e que é facilmente percorrido a pé. Segundo a Unesco, "as igrejas e conventos de Goa ilustram a evangelização da Ásia. Estes monumentos foram determinantes na difusão dos estilos artísticos manuelino, maneirista e barroco por todos os países da Ásia onde se estabeleceram missões religiosas." O estado de preservação é exemplar atendendo a que estamos na Índia e toda a cidade desapareceu no espaço de um século. Talvez o facto de serem edifícios sagrados tenha contribuído para tal. 

De visita obrigatória a Basílica do Bom Jesusque é uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo, é o mais emblemático edifício religioso da Velha Goa. Foi construído em basalto e laterite. É também nesta Basílica que se encontram as relíquias de São Francisco Xavier, o missionário jesuíta que mais contribuiu para a evangelização da Ásia, daí ser conhecido como o "Apóstolo do Oriente."

A cada dia 3 de dezembro milhares e milhares de peregrinos, em filas intermináveis, esperam a sua oportunidade de ver a urna sagrada e prestar a sua homenagem ao santo. O culto a São Francisco Xavier tem ainda hoje, uma intensidade notável na vida religiosa da Índia.

 Sé Catedral de Goa

A Sé Catedral de Goa, também conhecida como Sé de Santa Catarina, de visita obrigatória, é um dos elementos do conjunto religioso de Igrejas e Conventos de Goa. Foi construída para comemorar a conquista da cidade aos muçulmanos. Afonso de Albuquerque capturou a cidade de Goa em 1510, que se tornaria a capital do Estado Português da Índia. Como a vitória foi em 25 de novembro, dia de Santa Catarina de Alexandria, a obra foi-lhe dedicada.
Uma capela (Capela de Santa Catarina) foi construída para comemorar esta vitória portuguesa, contudo, foi encomendado pelo governador Jorge Cabral a construção de um templo maior em 1552 sobre as ruínas de uma estrutura anterior, provavelmente uma mesquita. A atual construção começou em 1562, sob o reinado de Dom Sebastião de Portugal, após a elevação à dignidade de arquidiocese metropolitana de Goa. A catedral foi concluída em 1619 e consagrada em 1640. Foram precisos mais de 50 anos para concluir a sua construção. Hoje é património da Humanidade. É considerada a maior igreja construída pelos portugueses em todo o mundo e a sua influência, enquanto sede de bispado, estendia-se de Moçambique à China e é a prova da vontade do Portugal dos Descobrimentos de impressionar o mundo. 
 Sé Catedral de Goa
O estilo arquitetónico é de inspiração maneirista, como era típico nas construções religiosas portuguesas da época. Uma tempestade destruiu a torre direita em 1766, que não voltou a ser reconstruída. O interior é duma beleza impressionante. O retábulo do altar em talha dourada acolhe uma imagem da Santa Catarina de Alexandria a quem a igreja é dedicada. À direita existe uma capela, da Cruz dos Milagres, onde diz-se ter aparecido uma visão de Cristo em 1919. Nas naves laterais há altares a outros santos e a pia batismal do século XVI foi utilizada por São Francisco Xavier, santo padroeiro de Goa, para batizar os goeses convertidos.
A torre da Sé abriga um grande sino conhecido como o "Sino de Ouro", devido ao seu rico tom. Diz-se que é o maior em Goa, e um dos melhores do mundo.
Do restante património religioso de Velha Goa daremos nota em posts posteriores, entretanto, não deixe de a visitar virtualmente, através dos dois vídeos que se seguem. Aqui vai o primeiro.
E agora o segundo. 

segunda-feira, abril 07, 2025

Una furtiva lagrima e Nessun dorma

Ouça o tenor italiano Luciano Pavarotti (1935 -2007) em Una furtiva lagrima, ária da ópera L'elisir d' amore e Nessun dorma da ópera Turandot de Giacomo Puccini (Londres, 1982). 

L'elisir d'amore é uma ópera-bufa em dois atos de Gaetano Donizetti, com libreto de Felice Romani. Estreou no Teatro della Canobbiana de Milão, Itália, em 12 de maio de 1832. A ação decorre numa pequena aldeia basca, no final do século XVIII.

A obra foi criada em duas semanas, sendo uma semana para a poesia e outra para a música, a pedido do gerente do teatro, que precisava de uma peça com urgência, já que o compositor originalmente contratado não entregara a obra prometida.

As árias famosas desta ópera são:

Quanto è bella (Nemorino);
Come paride (Beclore);
Udite, udite o rustici (Dulcamara);
Una furtiva lacrima (Nemorino)
Prendi, per me sei libero (Adina).

"Nessun dorma" ("Ninguém durma", em italiano) é uma famosa ária do último ato da ópera Turandot criada em 1926 por Giacomo Puccini. A ária refere-se à proclamação da princesa Turandot, determinando que ninguém deve dormir: todos passarão a noite tentando descobrir o nome do príncipe desconhecido, Calaf, que aceitou o desafio. Calaf canta, certo de que o esforço deles será em vão.
Turandot, última ópera de Giacomo Puccini, composta em três atos, com libreto de Giuseppe Adami e Renato Simoni, baseado numa peça (1762) de Carlo Gozzi com a adaptação de Friedrich von Schiller. Estreou no Teatro alla Scala em Milão em 25 de abril de 1926, sob a regência de Arturo Toscanini. Esta ópera ficou inacabada por causa da morte do autor, a 29 de novembro de 1924, sendo completada por Franco Alfano.

domingo, abril 06, 2025

O Beijo

 Auguste Rodin (1840 -1917), foi um escultor francês. e é considerado o pai da escultura moderna.

Paixão, movimento e entrega total emanam de uma das mais famosas esculturas de Auguste Rodin, O Beijo.

O Beijo está atualmente no Museu Rodin, em Paris. Nesta obra, o artista inspirou-se nos delírios amorosos vividos com Camille Claudel, sua assistente. Como muitos dos mais conhecidos trabalhos de Rodin, incluindo "O Pensador", o casal que se abraça retratado na escultura apareceu originalmente como parte de um grupo, no trabalho de Rodin os "Os Portões do Inferno". O casal foi posteriormente removido e substituído por outro casal de namorados localizado na coluna direita dos "Portões".

sábado, abril 05, 2025

Ninguém meu amor

Paul Mathieu
Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigá-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos.
Sebastião Alba (1940 - 2000)

sexta-feira, abril 04, 2025

O Bolo Chibo

O Bolo Chibo é mais uma delícia da gastronomia tradicional alentejana. Um bolo com um nome muito curioso e divertido do qual não consegui obter nenhuma explicação plausível.

Este bolo, feito com mel e canela, é típico de Almodôvar e faz parte – e uma parte feliz – do quotidiano mais autêntico desta região.
Aqui lhe deixo hoje uma das receitas que pesquei na net.

Ingredientes:
• 1 kg de açúcar;
• 500 g de farinha;
• 250 g de manteiga;
• 25 g de canela em pó;
• 1 l de leite;
• 2 dl de mel;
• 6 ovos;
• 2 colheres de chá de bicarbonato de sódio;
• Margarina para untar q.b.;
• Papel vegetal para forrar q.b.
Preparação:
Misture os ovos com o açúcar, a canela e o mel. Junte a manteiga, metade do leite, a farinha misturada com o bicarbonato de sódio.
Amasse bem e junte o resto do leite. Misture de novo.
Leve, a forno médio, numa forma untada e forrada com papel vegetal.
O interior deve ficar ainda um pouco húmido. Ir fazendo o teste do palito. 

quinta-feira, abril 03, 2025

Os Jogos Do Burro

Estamos quase nas férias escolares da Páscoa
Aqui lhe deixo a sugestão de dois jogos para ocupar crianças e jovens e os manter afastados dos telemóveis.

Existem vários jogos chamados "Jogo do Burro", incluindo um jogo de cartas e um jogo com pesos (ou malhas). 
No Jogo do Burro de cartas o objetivo é ficar sem cartas na mão o mais rápido possível.
Cada vez que um jogador perde, é assinalada uma letra da palavra "burro". O jogador que completar primeiro a palavra "burro" é o perdedor. O vencedor é o último que não tenha completado a palavra

Possivelmente com origem nos jogos com malha, jogados por gregos e romanos com ferraduras, o Jogo do Burro com pesos é jogado por todo o país há mais de um século. Existem
várias variantes, de norte a sul do país, sempre com uma caixa de madeira, alta - Jogo do Burro
de Pé
, ou baixa - Jogo do Burro Deitado.
Geralmente jogado em equipa, e após marcada no chão uma linha de 4 metros de distância do tabuleiro do Burro, sorteia-se a ordem dos jogadores, que deve ser mantida até ao fim do jogo. Cada jogador lançará 2 malhas consecutivamente, e após
confirmada a pontuação adquirida retira as malhas de cima da marcação, jogando de seguida o outro jogador. A pontuação é definida pela maior soma de valores inscritos na marcação. Caso o jogador acerte na marcação com o Burro inscrito perderá 10
pontos.

quarta-feira, abril 02, 2025

A Dama Negra da Ilha dos Escravos

 A Dama Negra da Ilha dos Escravos (Memórias de Dona Simoa Godinha) é um livro da escritora Ana Cristina Silva.
Da autora de As Fogueiras da Inquisição, este livro é um romance histórico magnífico que retrata uma personagem fascinante de São Tomé do século XVI.

Este livro é recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

Sinopse:
A personagem central deste romance, D. Simoa Godinho, é uma das figuras históricas mais intrigantes e misteriosas da Lisboa do século XVI. Tendo nascido em S. Tomé, no seio de uma família rica de fazendeiros, acabaria mais tarde, já casada com o fidalgo Luís de Almeida, por vir viver para a capital do reino, onde viria a expressar o seu carácter profundamente humano através de inúmeras obras de solidariedade, nomeadamente junto da Misericórdia. Ficamos a conhecer toda a sua vida - a infância e juventude no exotismo de S. Tomé, a paixão por Luís de Almeida, a sua influência na sociedade lisboeta da época neste romance soberbo que tão bem soube captar as múltiplas nuances desta personalidade que tem apaixonado sucessivas gerações de historiadores.

terça-feira, abril 01, 2025

As Mentiras do Dia das Mentiras...

Assista ao vídeo abaixo intitulado As Descobertas da Analógica, sobre as Mentiras da RTP no dia 1 de abril.

Nesta edição d'As Descobertas da Analógica, a Ana Galvão recupera algumas das melhores mentiras noticiadas pela RTP nos anos 80 e 90. A descoberta de OVNIs e extraterrestres, uma taxa para peões ou o fim das portagens na ponte 25 de abril dão o mote a estas partidas. 
Não perca porque vale bem a pena.
Ora veja.

segunda-feira, março 31, 2025

Erro Gostoso



Ouça a cantora brasileira Simone Mendes em Erro Gostoso (DVD Cintilante).
Simone Mendes, é uma cantora e compositora brasileira do género sertanejo. Tornou-se conhecida por por ser uma das integrantes da dupla Simone & Simária de 2012 até 2022. Atualmente, Simone está a desenvolver uma carreira a solo.
Em 2023, lançou o seu primeiro DVD, intitulado Cintilante. O primeiro single do projeto, "Erro Gostoso", foi lançado em janeiro do mesmo ano.

domingo, março 30, 2025

A Portuguesa

Estamos quase na Páscoa. Há que começar a pensar nos doces e bolos a fazer para mais esta época festiva. 

Embora a receita que lhe deixo aqui hoje (e que descobri no blogue As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda), não seja propriamente tradicional da gastronomia portuguesa, é muito interessante quanto mais não seja pelo nome: A Portuguesa (La Portugaise).

Aqui vai ela.

Ingredientes:
Descasque 1 quilo de maçãs bem maduras e 1 quilo de peras. Retire as sementes e corte as frutas em pedaços; coza-as suavemente com açúcar, muito pouca água e um pau de baunilha até ficarem rosadas e transparentes. Esta marmelada deve ficar bem espessa. Adicione alguns cubos de ananás e frutas cristalizadas conforme desejar. Coloque esta preparação numa tigela e tempere com duas a três colheres de sopa de kirsch ou maraschino muito bom. 

Por outro lado, prepare um creme inglês com 1 litro de leite, 1 pau de baunilha, 150 g de açúcar e 8 gemas. Se achar este creme um pouco oneroso, pode fazê-lo com 1 litro de leite, baunilha, açúcar e 5 ovos inteiros. Passe o creme por um passador fino para uma tigela e adicione o mesmo álcool utilizado na marmelada. 

Pegue numa forma de charlotte, cubra-a com caramelo muito claro, depois coloque uma camada de creme no fundo, uma camada da marmelada e assim sucessivamente até ao topo. Coloque o molde num recipiente com água a ferver, depois leve o bolo ao forno durante 3/4 de hora ou 1 hora dependendo da intensidade do calor do lume. 

Deixe arrefecer bem e desenforme o bolo A Portuguesa para o prato de servir. Decore com metades de pêssego e alperce como vê na foto, ou com cubos de ananás, frutas cristalizadas ou frescas da época. 

Esta sobremesa é muito fácil de fazer, é aromática e tem a vantagem de ser preparada no dia anterior. É uma delícia servida com natas ou crème fraîche batido e adoçado.
Fonte: Blogue As Receitas da Avó Helena e da Avó Eduarda  (Cahiers du Jardin des Modes, La Portuguaise - A Portuguesa)

sábado, março 29, 2025

O Nascimento de Vénus

O Nascimento de Vénus é uma pintura (1482) de Sandro Botticelli. É de têmpera sobre tela e mede 172,5 cm de altura por 278,5 cm de largura.

Faz parte, em conjunto com a tela A Alegoria da Primavera realizada entre 1477 e 1478, de uma encomenda de Lorenzo di Pier Francesco de Médici, primo do influente Lourenço de Medicis, o Magnífico, que as queria colocar na Villa Medicea di Castello, uma das Villas da família.

Vénus, deusa do amor, nasceu assim, segundo Botticelli, em O Nascimento de Vénus. Ao pintar o amor encarnado, o ideal de perfeição, ele traduz, talvez, a nossa esperança de que o amor seja perfeito?!