sexta-feira, junho 21, 2013

Canção do Mar

"Canção do Mar" é uma canção portuguesa da autoria de Frederico de Brito e Ferrer Trindade. Foi cantada por Amália Rodrigues em 1955, no filme "Os Amantes do Tejo" sob o nome de "Solidão".
Em 1987, Anamar lança o álbum "Almanave", onde incluiu uma nova versão de "Canção do Mar".  Dulce Pontes gravou depois, também, uma versão da música no seu álbum "Lágrimas", de 1993. Esta tornou-se a mais conhecida versão, sendo incluída nas bandas sonoras dos filmes americanos "A Raiz do Medo" ("Primal Fear"), no qual Richard Gere (que quis pessoalmente, que esta música fosse incluída) contracena com Edward Norton e "Atlantis: O Continente Perdido" ("Atlantis: The Lost Empire"), da Disney.
Outras artistas internacionais também se renderam a esta música, cantando as suas próprias versões em outras línguas, tal como: Hélène Segara ("Elle, tu l'aimes", 2000, com o videoclipe filmado no Alentejo e com Ricardo Pereira), Chenoa ("Oye, Mar", 2002) e Sarah Brightman ("Harem", 2003).
No Brasil, a "Canção do Mar" foi gravada inicialmente por Agostinho dos Santos em 1956, e no ano seguinte, foi gravada por Almir Ribeiro. Esta música também foi usada como tema de abertura de uma telenovela, que é  uma adaptação do romance "As Pupilas do Senhor Reitor", de Júlio Dinis.
Interpretado por Dulce Pontes, este tema tornou-se um dos maiores êxitos da música portuguesa de sempre. É, provavelmente, a canção portuguesa mais conhecida fora de Portugal, interpretada até hoje pelo mundo fora por vários artistas.
Veja agora  dois vídeos: um com a Canção do Mar cantada em português, russo e tártaro e outro com a cantora portuguesa Dulce Pontes, que transformou este tema, num hino.

Fui bailar no meu batel
Além no mar cruel
E o mar bramindo
Diz que eu fui roubar
A luz sem par
Do teu olhar tão lindo
Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração
Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar...contigo     
 E agora ouça a cantora portuguesa Dulce Pontes, a interpretar a Canção do Mar. Não há palavras, para descrever as emoções que transmite. 

quinta-feira, junho 20, 2013

Tree for Two

Proponho-lhe hoje um pequeno filme de animação. "Tree for Two" foi realizado por Joel Furtado com música de Maichael Creber. Foi elaborado em oito meses, para um trabalho que realizou enquanto estudante do Instituto Emily Carr de Art & Design, em 2006. Joel Furtado vive em Vancôver (no Canadá) e trabalha para a Microsoft. Não perca a oportunidade de ver este filme e de conhecer melhor o seu autor, clicando aqui.

quarta-feira, junho 19, 2013

Chan Chan

Oiça e veja Compay Segundo, ao vivo no Olympia, em Paris (1999), interpretando Chan Chan. Compay Segundo, (1907 - 2003) foi um clarinetista, tresero e compositor cubano. Compay Segundo costumava afirmar que, desde os cinco anos, acendia os puros (charutos) para a avó. Não é por acaso que em Santiago, fez o que grande parte da população cubana fazia: aprendeu o ofício de enrolador de charutos. Ao mesmo tempo, tinha aulas de clarinete. Foi tocando este instrumento que fez a sua primeira viagem a Havana, em 1929, com a Banda Municipal de Música.  Autodidata do tres e de violão, criou um novo instrumento de corda, que misturava aqueles instrumentos, o armónico. Muitas das suas composições musicais caracterizam-se pelo conteúdo imaginativo e por um grande sentido de humor. Na década de 30, com o quarteto Hatuey, viajou até ao México, onde participou em dois filmes, "México Lindo" e "Tierra Brava". Também foi no México que integrou, como clarinetista, o grupo "Matamoros" e teve a oportunidade de trabalhar com o músico Benny Moré. Aí, fundou ainda, em 1942, a dupla "Los Compadres", cantando com o cubano Lorenzo Hierrezuelo. Lorenzo era a primeira voz e tinha o apelido de Compay Primo (primeiro compadre), enquanto Repilado (um dos seus apelidos) era a segunda voz, o Compay Segundo, pseudónimo que o acompanhou até o fim de seus dias e pelo qual é reconhecido mundialmente.
A sua carreira sofreu inúmeras mudanças. Integrou o sexteto "Los Seis Ases", o "Cuarteto Cubanacán", e foi clarinetista da Banda Municipal de Santiago de Cuba. Em 1956 criou o grupo "Compay Segundo y sus Muchachos", com quem trabalhou até à morte.
Compay Segundo foi um artista único. Os estilos musicais em que transitava eram: o "son", a "guaracha", o  "bolero" e as "canciones" com marcados matizes caribenhos. A sua voz, grave e redonda, acompanhou célebres cantores de fama internacional. Com os "muchachos" do seu grupo, foi capaz de fazer dançar multidões de todos os continentes. Realizou digressões pela América Latina e Europa, particularmente Espanha, onde gravou os seus últimos discos. É em Espanha entre 1992 e 1995, que se iniciou a sua consagração internacional e se verificou a retomada da sua carreira artística,  a partir de uma antologia sua, organizada por Santiago Auserón.
Compay Segundo participou, também activamente, do ambicioso projecto "Buena Vista Social Club", um disco produzido por Ry Cooder, em 1996, em que se reuniram os grandes nomes da música cubana, como Ibrahim Ferrer, Juan de Marcos González, Rubén González, Manuel "Puntillita" Licea, Orlando "Cachaito" López, Manuel "Guajiro" Mirabal, Eliades Ochoa, Omara Portuondo, Barbarito Torres, Amadito "Tito" Valdés e Pio Leyva. O disco foi premiado com o Grammy e promoveu um ressurgimento fabuloso de músicos cubanos que, em alguns casos, estavam no ostracismo há mais de 10 anos. O disco é o tema central do documentário homónimo, dirigido pelo alemão Wim Wenders.
Aos 94 anos, Compay Segundo estreou-se, ainda,  nos palcos como actor, numa peça intitulada "Se secó el arroyto" (algo como "secou-se o riozinho"). Esta peça é baseada numa de suas canções e  narra os amores frustrados de um casal de jovens, nos anos anteriores à Revolução Cubana (1959).
Entre as canções mais conhecidas, interpretadas por Compay Segundo, estão: "Sarandonga", "Saludos, Compay", "¿Y tú, qué has hecho?", "Amor de la loca juventud", "Juramento" e "Veinte años". No entanto, a mais famosa de todas é "Chan Chan", que, lhe proponho que oiça hoje.

terça-feira, junho 18, 2013

Ai Margarida

Para assinalar o 125º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa, comemorado recentemente, proponho-lhe que oiça, hoje, o fado "Ai Margarida". Este poema de Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa) é interpretado pelo fadista português Camané, com música de Mário Laginha, que o acompanha ao piano. Este tema, "Ai Margarida", é um dos inéditos da compilação de êxitos que chegou às lojas em final de Abril. "O Melhor 1995-2013" é o nome do disco "best of" que reúne os principais temas do repertório do fadista de 45 anos. Camané estreou-se nos discos em 1995, com "Uma Noite de Fados", e lançou o seu mais recente álbum, "Do Amor e dos Dias", em 2010.

 Ai, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que farias tu com ela?
— Tirava os brincos do prego,
Casava c'um homem cego
E ia morar para a Estrela.

Mas, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que diria tua mãe?
— (Ela conhece-me a fundo.)
Que há muito parvo no mundo,
E que eras parvo também.

E, Margarida,
Se eu te desse a minha vida
No sentido de morrer?
— Eu iria ao teu enterro,
Mas achava que era um erro
Querer amar sem viver.

Mas, Margarida,
Se este dar-te a minha vida
Não fosse senão poesia?
— Então, filho, nada feito.
Fica tudo sem efeito.
Nesta casa não se fia.

Comunicado pelo Engenheiro Naval Sr. Álvaro de Campos (Fernando Pessoa ) em estado de inconsciência alcoólica.

segunda-feira, junho 17, 2013

As Desigualdades no Mundo

As Desigualdades no Mundo actual através de uma apresentação elaborada por alunos do 12º B.
Os grandes contrastes entre os Estados Unidos da América e a República Democrática do Congo, estão hoje em evidência.
Os Estados Unidos da América, são uma república constitucional federal composta por cinquenta estados e um distrito federal. A maior parte do país situa-se na região central da América do Norte. Os E.U.A. localizam-se entre os oceanos Pacífico e Atlântico, fazendo fronteira com o Canadá ao norte e com o México ao sul. O estado do Alasca está no noroeste do continente, fazendo fronteira com o Canadá no leste e com a Rússia a oeste, através do estreito de Bering. O estado do Havaí é um arquipélago no Pacífico Central. O país também possui vários outros territórios nas Caraíbas e no Oceano Pacífico.
Com 9,37 milhões de km² de área e cerca de 309 milhões de habitantes, o país é o quarto maior em área total, o quinto maior em área contígua e o terceiro em população. Os Estados Unidos são uma das nações mais multiculturais e etnicamente diversas do mundo, produto da forte imigração vinda de muitos países. A sua geografia e clima são extremamente diversificados, com desertos, planícies, florestas e montanhas que abrigam uma grande variedade de espécies.
A República Democrática do Congo (ex-Zaire), é  por vezes designada RDC, RD Congo, Congo-Kinshasa, para se diferenciar do vizinho Congo (que também é chamado de República do Congo, Congo-Brazzaville ou Congo-Brazavile). A RDC tornou-se o segundo maior país de África, depois da Argélia, após a independência do Sudão do Sul. Confina a norte com a República Centro-Africana e com o Sudão do Sul, a leste com Uganda, Ruanda, Burúndi e a Tanzânia, a leste e a sul com a Zâmbia, a sul com Angola e a oeste com o Oceano Atlântico, com o enclave de Cabinda e com o Congo. A capital e maior cidade é Kinshasa.
Com uma população de quase 70 milhões de habitantes, a República Democrática do Congo é o mais populoso país francófono, além de ser o décimo segundo país mais extenso do mundo. Tornou-se independente da Bélgica em 1960, e está entre um dos países com os menores valores de PIB nominal per capita, à frente apenas do Burúndi. Porém, o país é considerado o mais rico do mundo no que diz respeito a  recursos naturais e recursos económicos.
O país é cortado pelo rio Congo, que é a principal fonte de abastecimento de água do país. O clima da RDC  é, predominantemente, equatorial (quente e húmido), com chuvas frequentes quase todo o ano. Nos planaltos e montanhas a leste, predomina o clima tropical de altitude e subtropical.
 

domingo, junho 16, 2013

Afinal a quem é que devemos tanto dinheiro?

Hoje sugiro-lhe que veja e oiça  Jeremy Irons, na entrevista que deu ao programa televisivo português, de humor e crítica social,  "Cinco para a Meia Noite". Um dos assuntos abordados foi a crise na Europa, ou seja, falou das dívidas de alguns países e acerca de, a quem é que devemos tanto dinheiro?
Jeremy Irons (1948) é um premiado actor britânico. Estudou arte dramática na conceituada escola Bristol Old Vic School e acabou por entrar para a companhia de teatro Bristol Old Vic, onde ganhou experiência a trabalhar em diversas peças, desde obras de Shakespeare até dramas contemporâneos. Em 1971, mudou-se para Londres. Aí iniciou uma carreira bem sucedida num teatro no West End e na televisão. Sendo extremamente elegante e bem-falante, Jeremy Irons encaixava perfeitamente em papéis que retratassem membros da aristocracia. Assim, em 1981, desempenhou o papel principal na famosa série da BBC "Brideshead Revisited" (Reviver o Passado em Brideshead), que contava, entre outros nomes consagrados, com a presença de Laurence Olivier.  Com este trabalho, a sua fama ultrapassou as fronteiras da Europa, chegando aos EUA. Nesse mesmo ano, contracenou com Meryl Streep no filme "A Mulher do Tenente Francês".  Em 1990, desempenhou o papel de um milionário suspeito de assassínio, no filme "O Reverso da Fortuna", onde contracenou com Glenn Close, desempenho que lhe valeu o Óscar de Melhor Actor (principal) e o Golden Globe Award para Melhor Actor. Consagrado como um dos actores mais respeitados tanto na Europa como nos EUA, a sua carreira conta com outros filmes de renome como "Kafka" (1990), uma película do aclamado realizador francês Louis Malle na qual Irons contracena com Juliette Binoche, "M. Butterfly" (1993). Ainda nesse ano, Jeremy Irons deslocou-se a Portugal, onde se desenrolaram parte das filmagens de "The House of the Spirits" (A Casa Dos Espíritos), um filme inspirado no livro de Isabel Allende.

sábado, junho 15, 2013

Uma História Surpreendente...

Hoje, deixo-o com uma história surpreendente.
Lawrence Anthony, é uma lenda na África do Sul.  Autor de 3 livros, entre eles o best-seller  "O Encantador de Elefantes",  resgatou inúmeros animais selvagens e reabilitou elefantes por todo o planeta após serem vitimados por atrocidades humanas. Um dos casos mais célebres em que participou, foi o corajoso resgate dos animais do Zoológico de Bagdad, durante a invasão dos Estados Unidos, em 2003. No dia 2 de Março de 2012 Lawrence Anthony faleceu. De acordo com a família, dois dias após o seu falecimento, elefantes selvagens apareceram em sua casa guiados por duas grandes matriarcas. Outras manadas selvagens apareceram em bandos para dizer adeus ao seu amado amigo-homem. Um total de 31 elefantes havia caminhado pacientemente por mais de 12 milhas para chegar à sua residência sul-africana.
A suprema inteligência e o timing perfeito com que estes elefantes pressentiram o falecimento de Lawrence é  surpreendente.
A esposa de Lawrence ficou particularmente comovida, pois sabia que os elefantes há já três anos que não apareciam por ali! Parecia que os elefantes queriam apresentar as suas sentidas condolências, em honra do amigo que lhes salvou as vidas e tamanho era o seu respeito por ele, que ficaram por dois dias e duas noites sem comer absolutamente nada. E uma manhã partiram para a sua longa viagem de volta.

sexta-feira, junho 14, 2013

Ai Mouraria

A Mouraria é um dos mais tradicionais bairros da cidade de Lisboa, e deve o seu nome ao facto de D. Afonso Henriques, após a conquista de Lisboa, ter confinado os muçulmanos nesta zona da cidade. Foi, então, neste bairro que permaneceram os mouros após a Reconquista Cristã. Por sua vez, os judeus ficaram confinados aos bairros do Castelo.
Pensa-se que a dolência e a melancolia dos cânticos  árabes e  negros estão na origem do Fado. É preciso não esquecer que nasceu na Rua do Capelão, junto ao Beco dos Três Engenhos, Maria Severa Onofriana, primeira fadista portuguesa e expressão máxima do fado à época. Na casa em frente, nasceu já no século XX, aquele que foi considerado o "rei do fado da Mouraria", Fernando Maurício. A Rua do Capelão faz hoje parte da iconografia do Fado. Mais acima, na Travessa dos Lagares, cresceu Mariza, a mais internacional fadista portuguesa contemporânea.
Depois da abertura ao público do Centro Comercial da Mouraria no Martim Moniz, o bairro tornou-se num local bastante movimentado e acolhedor. Actualmente, a Mouraria é considerado um dos bairros mais seguros da capital. É, também, um ponto de encontro de gentes de diferentes culturas e, simultaneamente, um local que mantém vivas as suas antigas tradições populares, como se pode confirmar pela existência de várias casas de fado, bares, tabernas e colectividades culturais e desportivas a par de estabelecimentos comerciais de origem chinesa e indiana, entre outros.
A "Marcha da Mouraria" e os fados "Ai Mouraria, e  "Há Festa na Mouraria",  na voz de Amália Rodrigues, são algumas das músicas associadas a este típico bairro Lisboeta.

Ai Mouraria
da velha Rua da Palma,
onde eu um dia
deixei presa a minha alma,
por ter passado
mesmo a meu lado
certo fadista
de cor morena,
boca pequena
e olhar trocista.

Ai Mouraria
do homem do meu encanto
que me mentia,
mas que eu adorava tanto.
Amor que o vento,
como um lamento,
levou consigo,
mais que inda agora
a toda a hora
trago comigo.

Ai Mouraria
dos rouxinóis nos beirais,
dos vestidos cor-de-rosa,
dos pregões tradicionais.
Ai Mouraria
das procissões a passar,
da Severa em voz saudosa,
da guitarra a soluçar.

quinta-feira, junho 13, 2013

As Marchas Populares de Lisboa

Hoje, dia de Santo António, não poderia deixar de falar das Marchas Populares que se realizam em Lisboa. As Marchas Populares de Lisboa remontam a 1932 (tal como são conhecidas hoje), sendo uma das mais antigas e crescentes tradições da cidade de Lisboa. Às marchas, associaram-se em 1958, os Casamentos de Santo António. É importante referir-se, porém, que em Lisboa já se realizavam marchas desde o século XVIII.
As Marchas Populares são, portanto, uma antiga tradição portuguesa, cuja etapa mais importante decorre na noite de 12 de Junho, na  Avenida da Liberdade. Se quiser ver o que foi este evento, em 2012, basta clicar aqui.
Macau vai voltar este ano às Marchas de Lisboa, na noite de Santo António, na Avenida, abrindo o desfile com a dança do Leão, na qual participa também o grupo japonês Arauma Chiyo, que vai executar a dança do cavalo selvagem.
Contudo, não poderia deixar de salientar que também em Setúbal a tradição das Marchas Populares tem uma forte expressão, agregando colectividades de toda a cidade e arredores.
Agora não deixe de ver o que foi a Marcha da Madragoa em 2011.  A Madragoa é um dos bairros populares de Lisboa, e um local que vale a pena visitar. Bairro antigo, conhecido no passado por Mocambo ou Moçambo, quando no século XVI a Rua da Esperança era a estrada para Belém, e a única saída oeste de Lisboa. Antes do terramoto, no século XVIII, não era mais do que uma pequena póvoa habitada essencialmente por pessoas de origem africana. O nome Madragoa pensa-se que deriva da presença em tempos, do Convento das Madres de Goa. Na zona envolvente da encosta construíram-se conventos, palácios e grandes apartamentos burgueses, ao estilo pombalino, e a Madragoa continuou voltada ao rio. No século XIX, migrações de população da zona de Aveiro - especialmente de Ovar - enraizaram o carácter da faina do rio, e assim surgiram as varinas. Estas, comercializavam legumes frescos e peixe. Posteriormente, grande parte destas pessoas optou por ficar na Madragoa. Na maioria, eram casais de pescadores e varinas. Na actualidade e do ponto de vista social, existe uma grande incidência de população idosa. Do ponto de vista das actividades económicas as situações predominantes referem-se aos reformados, domésticas, operários, trabalhadores dos transportes, comerciantes locais e estudantes. É uma população de fracos recursos económicos, escolares e profissionais.

quarta-feira, junho 12, 2013

Os Santos Populares

A cidade de Lisboa festeja, todos os anos, durante o mês de junho, os Santos Populares. O Santo António é, contudo, aquele que é mais  festejado.
O culto a Santo António está associado a ritos de fertilidade daí ser tradição os jovens queimarem alcachofras para saber do futuro dos seus amores e pedirem a sua protecção. O auge das Festas de Santo António são as Marchas Populares, que representam os diversos bairros lisboetas. Este acontecimento leva milhares de espectadores à Avenida da Liberdade. A festa acaba com os arraiais montados nos mais típicos bairros de Lisboa, em especial em Alfama e na Madragoa, onde o centro das celebrações é a sardinha assada e a sangria. São noites de grande alegria. Decoram-se as ruas com balões e arcos de papel às cores, há bailaricos nos pequenos largos, mangericos e tronos ao Santo António.
Alfama é o mais antigo e um dos mais típicos bairros da cidade de Lisboa. Actualmente, abrange as freguesias de São Miguel, Santo Estêvão, São Vicente de Fora e parte da Freguesia da Sé (Rua do Barão e Rua São João da Praça). O seu nome deriva do árabe al-hamma, que significa banhos ou fontes.
As vistas mais espectaculares sobre Alfama têm-se do passeio público formado pelos miradouros das Portas do Sol e de Santa Luzia. Por cima e envolvendo Alfama ficam a colina do Castelo de São Jorge, e a colina de São Vicente. Para além do Castelo, os principais monumentos da zona são a Sé, a Igreja de Santo Estêvão e a Igreja de São Vicente de Fora.
Alfama é um bairro muito peculiar, porque se assemelha a uma antiga aldeia, não só no aspecto, mas também. porque tem  uma comunidade relativamente pequena e próxima. O bairro é frequentado diariamente por turistas portugueses e estrangeiros, sendo considerado como o mais seguro de toda a cidade de Lisboa. É conhecido pelos seus restaurantes e casas de fado, assim como pelos festejos dos Santos Populares, em especial na noite de Santo António, de 12 para 13 de Junho.

terça-feira, junho 11, 2013

Um Mundo de Contrastes

"Um Mundo de Contrastes", pelas mãos de um grupo de alunas do 12º B. Esta apresentação procura demonstrar as desigualdades existentes no mundo actual. Em evidência neste trabalho estão, a Nova Zelândia e o Haiti.
A Nova Zelândia é um país insular localizado no sudoeste do Oceano Pacífico e  formado por duas grandes ilhas, Ilha do Norte e Ilha do Sul e por numerosas ilhas menores, sendo as mais notáveis as ilhas Stewart e Chatham.
O nome indígena na língua maori para a Nova Zelândia é Aotearoa, normalmente traduzido como "A Terra da Grande Nuvem Branca". Os domínios da Nova Zelândia também incluem as Ilhas Cook e Niue (que se auto-governam mas em associação livre); Tokelau; e a Dependência de Ross (reivindicação territorial da Nova Zelândia na Antárctida).
A Nova Zelândia é notável pelo seu isolamento geográfico: está situada a cerca de 2 000 km a sudeste da Austrália, da qual está separada pelo mar da Tasmânia.  Os seus vizinhos mais próximos ao norte são a Nova Caledônia, Fiji e Tonga. Devido ao seu isolamento, o país desenvolveu uma fauna distinta dominada por pássaros, alguns dos quais foram extintos após a chegada dos seres humanos e dos mamíferos introduzidos por eles. A maioria da população da Nova Zelândia é de ascendência europeia, os nativos maoris são uma minoria. Asiáticos e polinésios não-maori também são grupos de minoria significativa, especialmente nas áreas urbanas. A língua mais falada é o inglês. Isabel II é a chefe de estado do país e é representada por um governador-geral cerimonial, que detém poderes de reserva. A rainha não tem nenhuma influência política substancial e sua posição é essencialmente simbólica. O poder político é mantido pelo parlamento da Nova Zelândia, sob a liderança do primeiro-ministro, que é o chefe de governo do país. O Haiti, oficialmente República do Haiti, é um país das Caraíbas que ocupa o terço ocidental da ilha Hispaniola (ou Ilha de São Domingos), possuindo uma das duas fronteiras terrestres da região, a fronteira que faz com a República Dominicana, a leste. Além desta fronteira, os territórios mais próximos são as Bahamas e Cuba a noroeste, Turks e Caicos a norte, e Navassa a sudoeste. A capital é Porto Príncipe.

segunda-feira, junho 10, 2013

Portugal

Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!
*
Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há “papo-de-anjo” que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...
Alexandre O'Neill

domingo, junho 09, 2013

Sunrise

Oiça e veja a bela Norah Jones em "Sunrise".
Norah Jones  (1979) é uma pianista, cantora e compositora dos Estados Unidos. Norah nasceu na cidade de Nova Iorque e é filha do recentemente falecido tocador de sitar indiano, Ravi Shankar, tendo vivido a sua infância com a mãe, Sue Jones, que se mudou para Dallas, Texas, quando Norah tinha quatro anos. Norah é uma artista premiada (multi-Grammy Award) cuja carreira foi impulsionada em 2002 com seu álbum de estreia "Come Away With Me", um álbum jazz piano com um toque de soul/folk, que obteve um grande êxito.O seu mais recente trabalho, lançado em Maio de 2012, é "Little Broken Hearts". Neste trabalho, a cantora mostra um novo estilo musical, com um som bem diferente de seus outros álbuns. 

sábado, junho 08, 2013

Praga de Ponto em Branco

Como é que é Praga no Inverno? Pode ficar a saber isto e muito mais vendo aqui Praga, numa noite de Inverno, através da bela apresentação que seleccionei para hoje.
Praga é a capital e a maior cidade da República Checa e situa-se na margem do rio Vltava. É conhecida como a  "cidade das cem cúpulas", e é um dos mais belos e antigos centros urbanos da Europa. Praga é famosa pelo seu extenso património arquitectónico e a rica vida cultural. É importante também porque é o principal centro económico e industrial da República Checa. Situada na Boémia central, a cidade de Praga localiza-se sobre colinas, nas margens do rio Vltava, pouco antes de sua confluência com o rio Elba. O percurso sinuoso do rio através da cidade, cheia de belas e antigas pontes, contrasta com a presença imponente do grande Castelo de Praga em Hradcany, que domina a capital na margem esquerda do Vltava. Praga tem uma área de 496 km² e uma população de 1 237 893 habitantes, de acordo com o censo de 2009, perfazendo uma densidade demográfica de 2357,07 hab./km².
Aprecie esta bela cidade através da apresentação que se segue e dê um passeio por Praga, pela mão de portugueses que lá vivem, vendo o episódio 8 do Portugueses Pelo Mundo.

sexta-feira, junho 07, 2013

Pensar é encher-se de tristeza

To think is to be full of sorrow
 J. Keats, Ode to a nightgale

 Pensar é encher-se de tristeza
 e quando penso
 não em ti
 mas em tudo
 sofro

 Dantes eu vivia só
 agora vivo rodeada de palavras
 que eu cultivo
 no meu jardim de penas

 Eu sigo-as
 e elas seguem-me:
 são o exigente cortejo
 que me persegue

 Em toda a parte
 ouço seu imenso clamor
ANA HATHERLYO pavão negro, 2003

quinta-feira, junho 06, 2013

Lisboa em Si

Lisboa em Si”, é um concerto com os sons da cidade, organizado pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Cooperativa Fora de Si, que se vai realizar na capital no dia 21 de Junho.
Mais de 15 igrejas, 25 embarcações, 6 eléctricos, 2 comboios e 6 corporações de bombeiros, com a interpretação a cargo de cerca de 100 músicos, vão proporcionar um concerto inédito, de sete minutos, com início às 22 h.
O objectivo desta iniciativa  é explorar as possibilidades musicais do anfiteatro natural de uma cidade à beira rio, recorrendo ao aproveitamento dos sons característicos da cidade, como os apitos de embarcações, das viaturas de bombeiros e dos comboios, os sinos de igrejas e as campainhas de eléctricos.
Existirão diversos pontos de escuta privilegiados: miradouros da Graça, Santa Luzia e São Pedro de Alcântara, Castelo de São Jorge, Praça Camões, Praça do Comércio e passeio ribeirinho da Ribeira das Naus. No entanto, a organização assegura que o concerto será audível dentro do perímetro onde o evento vai decorrer, isto é, em toda a zona ribeirinha da cidade de Lisboa, delineada a este pela igreja de Santo Estêvão, a oeste pela igreja de Santa Catarina e a norte pelo Miradouro de S. Pedro de Alcântara.
O principal impulsionador do projecto, Pedro Castanheira,  da Cooperativa Fora de Si, confidenciou que "a ideia nasceu há muitos anos, soprada pelo rio, quando passeava e ouvi um barco a apitar".
Reconhecendo que se trata de uma iniciativa "megalómana" e de um "sonho", o jovem autor afirma, no entanto, que "hoje em dia é o absurdo que nos salva". Por isso, há mais de um ano atrás, decidiu apresentar a ideia ao presidente da autarquia.
Pedro Castanheira destacou ainda a vertente do "exercício da cidadania e da política", como seja a recuperação de sinos com 300 anos e de todo um vasto património que é de todos". Agora, na expectativa de que nenhuma peça montada para a vasta operação venha a falhar, o autor, músico e sociólogo, espera, com o auxílio de "centenas de outros sonhadores", poder "dar ordem ao caos dos sons do quotidiano". Porque, afinal, "tudo isto é fé".

quarta-feira, junho 05, 2013

Corno do Bico

Hoje, dia mundial do ambiente, proponho-lhe um passeio até uma quase desconhecida, Paisagem Protegida do nosso país.
A Paisagem Protegida do Corno do Bico é uma área protegida dotada de elevado valor ecológico. No seu extenso coberto florestal destacam-se os carvalhais, enquanto na  fauna, podem ser observadas espécies como o lobo e a toupeira de água, com estatuto de protecção, a lontra, o tritão palmado, a gineta, o corço e o javali.

A Paisagem Protegida do Corno do Bico é gerida pelo município de Paredes de Coura.  Este território constitui um pequeno santuário natural situado nos limites sueste daquele concelho, com uma área de cerca de 2175 hectares, abrangendo cinco freguesias: Bico, Castanheira, Cristelo, Parada e Vascões. A região é essencialmente montanhosa, de contornos arredondados, sendo Corno de Bico, com 883m de altura, a elevação de maior altitude da região. A paisagem é dominada pelos ''caos de blocos'', que são aglomerados de blocos de granito, a rocha dominante da região, que conferem um aspecto caótico à paisagem e, ainda,  pelas cabeceiras de três dos principais cursos de água minhotos: Coura, Labruja e Vez. O clima é temperado, marcadamente atlântico, com elevada precipitação nos meses de Inverno e temperaturas amenas nos meses mais quentes de verão, sendo raros os períodos de neve.
Os povoados fortificados, os monumentos fúnebres do Neolítico e os marcos miliários resistem no Corno de Bico, como testemunhos de outros tempos. Nas encostas verdejantes é possível ver, retalhando a paisagem, os muretes, as sebes e os socalcos - testemunhos da influência humana na paisagem. Juntamente com os espigueiros e os moinhos, que completam a harmonia paisagística, estes testemunhos da presença humana traduzem a ainda vigente ruralidade e o esforço do povo que tem vindo a ocupar esta região.



terça-feira, junho 04, 2013

O Montenegro

O Montenegro é uma pequena e montanhosa república situada nos Balcãs, no Sudeste da Europa. Faz fronteira com o Mar Adriático a Sudoeste, com a Albânia e o Kosovo a Sudeste, com a Bósnia e Herzegovina e a Croácia a Oeste, e com a Sérvia a Norte. A capital do Montenegro é a cidade de Podgorica.
Durante muito tempo, o Montenegro constituiu um principado autónomo face ao poder hegemónico que o Império Otomano exercia nos Balcãs. A sua independência foi formalmente reconhecida pelo Tratado de Berlim de 1878 (que também reconheceu a independência da Bulgária, da Roménia e da vizinha Sérvia). Em 1910, o príncipe Nicolau proclamou-se rei. No entanto, o reino do Montenegro existiu durante apenas oito anos. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, o Montenegro foi integrado no Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (não havendo no nome do estado qualquer referência aos montenegrinos, assim como aos bósnios ou aos macedónios), o qual se tornou em 1929 o reino da Jugoslávia.
Entre 1945 e 1991 e desde então até 2003 foi uma das repúblicas constituintes da República Socialista da Jugoslávia e da República Federal da Jugoslávia, respectivamente. De 2003 e até Junho de 2006, foi uma das duas repúblicas que integraram o Estado da Sérvia e Montenegro. Em 21 de Maio de 2006 realizou-se um referendo para determinar a vontade do povo de se tornar independente ou de manter a união com a Sérvia. Os resultados indicaram que 55.5% dos eleitores haviam escolhido a independência, poucos décimos acima dos 55% requeridos pelo referendo. Em 3 de Junho de 2006 o parlamento montenegrino declarou oficialmente a independência do novo país, mas só obteve aceitação da ONU em Junho desse ano. Actualmente, o Montenegro pretende entrar na União Europeia. Se quiser ficar a conhecer melhor esta pequena república basta ver com atenção a apresentação que se segue. Olhe que vale bem a pena!

segunda-feira, junho 03, 2013

Rotunda para peões

Quando muitas vias convergem para - ou partem de - um único ponto da cidade, o trânsito costuma ficar caótico. Para resolver o problema, a melhor solução que a engenharia encontrou, foram as rotundas. Este é um recurso que permite os cruzamentos, mas não elimina a confusão. Pior, dificulta a vida dos peões, os últimos a serem notados pelos condutores, mais preocupados em sair ilesos do caos.
Mas isto não acontece no bairro de Pudong, em Xangai, na China. Ali, os peões têm uma rotunda só para eles: a passadeira circular Lujiazui, construída do lado leste do rio Huangpu, na zona económica e financeira da cidade, cercada por arranha-céus, onde não havia nada além de terra há 15 anos atrás.
Esta rotunda, inaugurada em 2012, está suspensa a quase 7 metros acima da rua. Permite que os peões passem de um lado para o outro da mesma em segurança, desde que estejam dispostos a percorrer o mesmo trajecto circular dos automóveis. A passadeira dá acesso ao edifício Oriental Pearl Tower, ligando os prédios de escritórios do centro financeiro das redondezas, a áreas de lazer e de compras, como shoppings e cafés.
Com 5,5 metros de largura, a ponte pedonal permite que 15 pessoas caminhem lado a lado, facilita o acesso aos transportes públicos e ainda é toda iluminada à noite, tornando a rotunda ideal para passeios turísticos.

domingo, junho 02, 2013

Pequenina

És pequenina e ris ... A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa ...
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve!

Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te faz tão graciosa!
Que nesta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!

O ver o teu olhar faz bem à gente ...
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
Quando o teu nome diz, suavemente ...

Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,
Que ela afaste de ti aquelas dores
Que fizeram de mim isto que sou!
Florbela Espanca,  "Livro de Mágoas"