sexta-feira, abril 16, 2010

Nuvens Correndo Num Rio

Nuvens correndo num rio
Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar!

Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido.

Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar?

Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar?

Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe.
Natália Correia

quinta-feira, abril 15, 2010

Zorba, O Grego

O filme Zorba, O Grego, é absolutamente inesquecível.
A cena que lhe proponho que veja hoje, junta dois talentos espantosos. O do actor Anthony Quinn e o do músico Mikis Theodorakis.




Anthony Quinn (1915 — 2001), foi um premiado actor estadunidense nascido no México. Naturalizou-se cidadão dos Estados Unidos nos anos 40 do século XX. Antes de iniciar a sua carreira como actor trabalhou num talho e foi lutador de boxe. Chegou também a estudar arquitectura.
Ganhou o seu segundo Óscar por uma participação de apenas 8 minutos. Foi o tempo de todas as suas cenas em Sede de Viver. É o vencedor do Óscar, que mais filmes fez ao lado de outros ganhadores desta estatueta, na categoria de melhor actuação. Anthony Quinn talvez seja o actor que mais papéis diversificados fez. Caracterizou-se por representar personalidades famosas como Barrabás ou o magnata grego, Aristóteles Onassis. Dentre outros gregos que interpretou, está talvez o seu papel mais carismático: Zorba. Outras personagens de gregos que interpretou foram o pai de família problemático em "Um Sonho de Reis" e o combatente de "Canhões de Navarone". Foi o esquimó de Sangue sobre a Neve (1960) e o toureiro de Sangue e Areia (1941). No filme A Vigésima Quinta Hora, que demonstra o absurdo das idéias nazis, fez o papel de um romeno católico que foi preso como judeu, cigano, revoltoso e até como um dos modelos perfeitos da genética ariana. Ainda interpretou os papéis de índio norte-americano, mexicano condenado ao linchamento (Consciências Mortas) e mafioso italiano. A sua versatilidade em cena e a extensa carreira tornaram-no um dos maiores actores do cinema.
Mikis Theodorákis (1925), é um compositor e político grego mundialmente conhecido pela banda sonora dos filmes de Hollywood, Zorba, o Grego (1964) e Serpico(1973). Em 1980-1982 foi-lhe atribuído o Prémio Lenin da Paz. Theodorákis é também conhecido pelas suas posições políticas de esquerda. Expressa-as, abertamente, mesmo durante o governo da junta militar que liderou a ditadura grega. Militou em diversas campanhas de direitos humanos, como o conflito do Chipre, as tensões entre a Turquia e a Grécia, os ataques da OTAN contra a Sérvia, o sequestro de Abdullah Öcalan ou o conflito israelo-palestiniano. Recentemente as suas declarações contra George W. Bush e Ariel Sharon, suscitaram diversas críticas.
Agora veja o vídeo que reuniu, muitos anos depois, estas duas personalidades. Mais uma vez o motivo foi a música de Zorba, O grego.

quarta-feira, abril 14, 2010

O Arquipélago da Insónia

António Lobo Antunes é um autor que dispensa apresentações. Lobo Antunes é um médico especializado em psiquiatria que se dedicou à escrita e se transformou numa figura incontornável da literatura portuguesa.
O Arquipélago da Insónia de António Lobo Antunes é um livro de 2008. Neste livro o autor regressa geograficamente a dois panoramas naturais que lhe dão prazer: o bucólico interior de um Ribatejo cujo rio que o atravessa desagua na Trafaria. É aqui, nestas duas localizações, que prende as personagens ao correr de uma divisão em três partes e fá-lo em 263 concisas páginas.
"Começamos por uma casa, pelo sentimento uma força em exercício, um poder que vem de há muito tempo, quando essa casa era igual mas era uma herdade, um latifúndio, quando nada faltava – a família, as empregadas na cozinha, o feitor, os campos, a vila ao fundo, e a voz do avô a comandar o mundo. Agora há fotografias no Alentejo em vez de pessoas, e há objectos, cientes que também acabarão sem ninguém, há memórias de quem dorme, ou morreu, mortos que não sabem se a vida foi vida, há os irmãos, um é autista, e a imagem da mãe muito nítida, sempre de costas “(alguma vez a vi sem ser de costas para mim?)".
Mas, se ainda não lhe abri o apetite para mais uma leitura, ouça o que o autor tem a dizer sobre a sua obra, assistindo ao vídeo que seleccionei para hoje.


terça-feira, abril 13, 2010

A Saudade de Otto

Otto (Maximiliano Pereira de Cordeiro Ferreira ) é um cantor, compositor e percussionista brasileiro. É considerado um dos mais importantes artistas brasileiros da nova geração e da chamada Nova MPB.
Nasceu no Agreste Pernambucano e é descendente de índios e holandeses. Se o quiser conhecer melhor clique aqui, aqui e aqui.
Passou dois anos em França onde tocou (percussão) nas ruas e no metro de Paris. Regressou ao Brasil, primeiro ao Rio de Janeiro e depois de novo a Pernambuco (Recife). Aí conheceu Chico Science e Fred Zero Quatro.
Nestas deambulações começou a interessar-se por música electrónica e a adquirir um estilo próprio
Ex-percussionista da primeira formação da Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A (com quem gravou os dois primeiros discos), Otto saiu do fundo dos palcos para trazer o ousado disco "Samba pra Burro" à tona (1998).
Resgatou os ritmos brasileiros e fundiu-os com o som eletrónico. As raízes e a modernidade somaram-se em "Samba pra Burro". Foi saudado pela imprensa como autor de um trabalho inventivo e estimulante, numa colagem do maracatu com drum'n'bass e do forró com rap.
Algumas melodias remetem às cantigas de roda. Dois anos depois, Otto lança o seu esperadíssimo segundo álbum, intitulado Condom Black. Mais recentemente editou dois outros discos: Sem Gravidade (2003); MTV Apresenta Otto (2005). Em 2009
Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos. É deste último a música que lhe proponho: Saudade.Aqui fica ela, num trecho do filme (2006) Solo Diós Sabe, de Carlos Bolado, com a música e voz de Otto e Julieta Venegas. É uma óptima música e uma excelente letra.
Como achei interessante este clipe fui procurar a sinopse do filme. Aqui está:
Dolores (Alice Braga) é uma brasileira, estudante de arte, que vive em San Diego. Quando viaja a Tihuna com as suas amigas encontra Damián (Diego Luna), um jovem e místico jornalista mexicano. É um passaporte perdido que os aproxima. Na Cidade do México, uma intensa paixão surge entre os dois, mas Damián guarda um segredo que pode separá-los para sempre. O destino conduz o casal ao Brasil, onde Dolores precisa compreender os eventos que a cercam e Damián tem que tomar uma difícil decisão.

segunda-feira, abril 12, 2010

A Muralha

Nos finais do séc. XIV a antiga Cerca Velha (ou Cerca Moura) já não defendia Lisboa. Extensos bairros formavam-se à volta da antiga muralha sem a protecção de qualquer estrutura defensiva. Estes bairros terão sofrido uma grande destruição (em 1373) quando D. Henrique II de Castela, cerca Lisboa.
Esta fraqueza defensiva de Lisboa terá levado D. Fernando a mandar construir (1373-1377) uma nova cintura de muralhas que envolvia uma área muito mais extensa que a antiga muralha. Esta muralha ficou conhecida por Cerca Nova ou Fernandina.
Foi, então, Dom Fernando I, o Formoso, que construiu a famosa Muralha Fernandina porque a cidade crescia rapidamente para fora do perímetro inicial. A construção começou pelo lado dos bairros mais pobres e acabou nos bairros da burguesia. É preciso notar que a maior parte do dinheiro utilizado, veio desta última classe social. A estratégia foi a conveniente, já que de outra forma a burguesia deixaria de financiar a obra.
É de referir também que a cidade do Porto também teve a sua Cerca Fernandina. Contudo, o passeio que proponho hoje é pela Muralha Fernandina de Lisboa. Ora veja, mais este episódio de Lisboa Debaixo de Terra.


domingo, abril 11, 2010

Penínsulas & Continentes

Maria de Medeiros é uma das figuras mais respeitadas da cultura portuguesa. Maria é reconhecida, internacionalmente, como actriz, realizadora e cantora. É neste capítulo que nos volta a surpreender com a edição do segundo álbum de originais.
O novo álbum de Maria de Medeiros, é uma viagem musical entre as Penínsulas Ibérica e Itálica e os Continentes Americanos e Africano. O título do álbum não poderia ser outro: Penínsulas e Continentes.
Das penínsulas latinas da Europa partiram poemas, melodias, talentos, sentimentos. E dos imensos continentes africano e americanos chegaram ritmos, dinâmicas, nostalgias e influências. Penínsulas & Continentes explora, assim, esses ecos mútuos.
Assim, ao poema de um trovador medieval de língua valenciana responde um lamento angolano em kimbundo, que encontra um eco numa balada do compositor português José Afonso, que por sua vez parece dialogar directamente com o poeta chileno Victor Jara.
Visitam-se os clássicos de Nino Rota - "La Dolce Vita" ou "Speak Softly Love" (Il Padrino). Canções de resistência de Victor Jara e José Afonso cruzam-se com temas africanos de Waldemar Bastos e Duo Ouro Negro e canções do rock brasileiro e espanhol, de Lenine e El Último de La Fila.
Para além da música, as próprias línguas criam uma trama melódica: português, espanhol, italiano, catalão, inglês... Línguas das penínsulas e dos continentes. Mensagens, murmúrios, gritos, suspiros, risos formam um tecido de sentimentos numa viagem intercontinental.
Maria de Medeiros faz-se acompanhar ao piano por Pascal Salmon e ainda por Edmundo Carneiro e Rubem Dantas (percussão), Bruno Rousselet (contrabaixo), Manuel Martínez del Fresno (violoncelo), Ricardo Feijão (baixo eléctrico) e Itacyr Bocato (trombone).
Aqui fica o convite a esta travessia intercontinental, explorando esses intercâmbios e ecos mútuos, conduzido por uma das mais carismáticas vozes da música actual.

sábado, abril 10, 2010

Canaíma

O Parque Nacional Canaíma é um parque localizado na Venezuela. Foi criado em 12 de Junho de 1962 e declarado Património da Humanidade pela UNESCO no ano de 1994.
Possui uma área de 30.000 km² (maior que o território da Bélgica), devido ao seu tamanho é considerado o sexto maior parque acional do mundo. Cerca de 65 % do parque está ocupado por mesetas de rocha chamadas tepuyes. Estas constituem um ecossistema único, apresentando também um grande interesse geológico. As montanhas escarpadas e as quedas de água (incluindo a Queda (ou Salto) Ángel, que é a catarata mais elevada do mundo, a 1.000 m) dão origem a paisagens espetaculares.
O parque inclui a totalidade da bacia do rio Caroni, duas das quedas de água mais altas do mundo (a Angel e a Kukenán) e grande quantidade de cataratas de menor altura.
Os tepuyes são mesetas com características inigualáveis, em que se destacam as paredes verticais e os cumes praticamente planos. Geologicamente constituem restos de uma cobertura sedimentar formada por arenito muito antigo que se sobrepõe a uma base de rochas ígneas (granito, principalmente) que é ainda mais antiga (quase 3 biliões de anos). Nos cumes destas mesetas habita uma quantidade muito importante de especies endémicas únicas, tanto de vegetais como de animais. Algumas espécies vegetais são plantas "carnívoras".
Estas formações têm uma idade geológica que oscila entre 1,5 e 2 biliões de anos, o que as converte numa das formações mais antigas do planeta. Os tepuyes mais conhecidos são: o Auyantepuy (que dá origem à Queda Ángel), o Roraima, o Kukenan e o Chimantá entre muitos outros.
Veja a apresentação que escolhi para hoje. É fabulosa. Mostra, também, uma região incrível: Canaíma.
NÃO PERCA!

sexta-feira, abril 09, 2010

Conhecer-me

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida…
Sou isso, enfim…
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato
Álvaro de Campos (Heterónimo de Fernando Pessoa)

quinta-feira, abril 08, 2010

Diabruras



I am Maru.

As diabruras de um gato. Maru, de seu nome e japonês de nascimento. As cabriolices são de tal ordem, que se tornou uma celebridade mundial, graças ao youtube.
Ora veja lá os vídeos que escolhi para hoje! Divirta-se e diga lá que não apetece ter um gatinho assim.



quarta-feira, abril 07, 2010

Biblioburro

Luís Soriano (36 anos) é professor primário numa pequena cidade (La Gloria), da Colômbia. Este professor tem, nos últimos dez anos, seguido o mesmo ritual. Todos os fins-de-semana, pára os seus burros (Alfa e Beto) em frente de casa e carrega-os com uma selecção da ecléctica colecção de livros que foi adquirindo ao longo dos anos. O objectivo é levar os livros e a leitura às comunidades rurais da região. Com a sua biblioteca móvel, atravessa montes e vales até às aldeias, onde as crianças esperam, impacientemente, a sua visita.
Luís Soriano acredita, firmemente, que levar livros às pessoas que não têm acesso a eles, pode fazer progredir o país e dar novas perspectivas à futura geração da Colômbia. Se quiser saber um pouco mais sobre o assunto visite: http://www.ayokaproductions.org/ . Entretanto veja o vídeo sobre a BIBLIOBURRO.




terça-feira, abril 06, 2010

Um Violino no Fado

Natalia Juskiewicz é uma violinista polaca com alma portuguesa. Natália já reside em Portugal há vários anos.
Estudou em Poznan, numa das escolas mais conceituadas do mundo. Iniciou a sua carreira musical como intérprete solista e tem integrado orquestras e formações polacas de prestígio internacional.
Durante umas férias, apaixonou-se de tal forma por Portugal, que decidiu radicar-se por cá. Foi com bastante facilidade que se adaptou-se quer à língua, quer à nossa cultura, afirmando que já se sente também bem portuguesa.
Em Portugal desenvolveu um novo percurso profissional, quer a solo quer fazendo parte de várias orquestras e grupos musicais. Estas actividades levaram-na a viajar intensamente por todo o país, de tal maneira que o passou a conhecer mais a fundo.
No início deste ano, deu mais um passo para a concretização de um novo projecto artístico: um disco de fado clássico onde a tradicional voz é substituída pelo violino.
É uma ideia simples e original que é, também, a homenagem sentida por parte da violinista clássica que, profundamente tocada pela expressão universal da nossa música, se descobriu com “alma fadista” e quis casar os dois universos. Assim, gravou dois fados, que são o “cartão-de-visita” para um cd, ainda em produção, que se adivinha arrebatador. No estúdio, com a artista, esteve um naipe de músicos de topo, acompanhantes habituais de nomes consagrados.
Foi também filmado um videoclip promocional que apresenta este projecto, e a imagem marcante de uma artista invulgar, que conseguiu “cantar o fado” com o violino.


A apresentação está feita. É com imenso prazer que aqui lhe deixo este vídeo. Aprecie este casamento invulgar!

segunda-feira, abril 05, 2010

O Palácio Foz

O Palácio Foz, ou mais correctamente Palácio Castelo Melhor, foi concebido
como projecto no século XVIII, tendo-se arrastado a sua construção até
meados do século passado. É um palácio com características da arquitectura setecentista já liberta da influência barroca. O interior, tem decoração de carácter “revivalista”, muito em voga na segunda metade do século XIX.
Inicialmente este palácio pertenceu aos marqueses de Castelo Melhor que o encomendaram ao arquitecto italiano Francisco Xavier Fabri. Trata-se de um belo edifício, de linhas sóbrias, revelando o "novo gosto" italiano. Em 1889, o palácio é adquirido pelo marquês da Foz, que transformou os seus interiores no que de mais sumptuoso se conhecia em Lisboa, recebendo trabalhos de José Malhoa e Columbano. Nesta altura dispunha de uma pequena ermida. Com o correr dos anos o Palácio foi perdendo o seu recheio e a sua sumptuosidade. Nos dias de hoje é um imóvel de interesse público, ocupado pelo Instituto de Comunicação Social e por um posto de turismo.
Aprecie o episódio de Lisboa Debaixo de Terra, sobre o Palácio Foz.



domingo, abril 04, 2010

O Coelhinho da Páscoa

No Antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e uma nova vida. Alguns povos da Antiguidade consideravam o coelho como o símbolo da Lua, portanto, é possível que ele se tenha tornado símbolo da Páscoa devido ao facto da Lua determinar a data da Páscoa. O certo é que os coelhos são notáveis pela sua capacidade de reprodução (geram grandes ninhadas) e a Páscoa marca a ressurreição e uma vida nova, tanto entre os judeus quanto entre os cristãos.
Existe também a lenda de que uma mulher pobre que coloriu alguns ovos de galinha e os escondeu, para dá-los aos filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram os ovos, um coelho passou correndo. Espalhou-se, então, a lenda de que o coelho é que tinha trazido os ovos.
Nem todos os países europeus utilizam este símbolo para a Páscoa. As crianças checas confiam que os presentes sejam ofertados por uma cotovia (ave campestre). Na Suíca, são os cucos que levam os ovos de presente. Povos antigos que viviam na região da Alemanha possuíam festividades que utilizavam a lebre que é um parente do coelho. Na Alemanha de hoje, as crianças esperam que os coelhos lhes tragam ovos.
A tradição do Coelhinho de Páscoa foi levada para a América pelos imigrantes alemães, entre o final do século XVII e o início do século XVIII. Ao Brasil chegou em finais do século XIX.
O significado dos coelhos da páscoa e dos ovos de páscoa embora tenha origens diferentes mistura-se simbólicamente na comemoração desta festividade.

sábado, abril 03, 2010

Ilha de Páscoa: O Umbigo do Mundo

A ilha de Páscoa é uma ilha da Polinésia oriental, localizada ao sul do Oceano Pacífico. Está situada a 3.700 km de distância da costa oeste do Chile. A população é de 3.791 habitantes, 3.304 dos quais vivem na capital Hanga Roa. Famosa pelas suas enormes estátuas de pedra, faz parte da Região de Valparaíso, pertencente ao Chile(desde 1888).
Em rapanui, o idioma local, é denominada Rapa Nui (Ilha Grande), Te pito o te henúa(Umbigo do Mundo) e Mata ki te rangi (Olhos Fixados no Céu).
Páscoa é uma ilha vulcânica com um clima demasiado quente para os europeus e demasiado frio para os polinésios. É, também, bastante ventoso e o mar demasiado frio. Outro problema que enfrenta a Ilha de Páscoa é o da falta de água. O seu território tem a forma triangular e é o pedaço de terra mais isolado do mundo.
Pensa-se que o polinésio Hotu Matu’a terá chegado de canoa à ilha entre 300 e 800 d.C. No entantao, a primeira expedição europeia a visitar Páscoa foi a do espanhol Gonzalez (1770), que nada registou nos seus diários de bordo. Em 1722, o explorador holandês Jacob Roggeveen atravessou o Pacífico partindo do Chile em três grandes navios europeus. Após 17 dias de viagem desembarca na ilha num domingo de Páscoa (5 de Abril), daí o seu nome, que permanece até hoje.
A primeira e mais adequada descrição da ilha foi feita, contudo, pelo Capitão James Cook, em 1774. Cook tinha a vantagem de estar acompanhado por um taitiano, cujo polinésio era similar ao dos insulares, possibilitando o entendimento entre eles.
O rongorongo foi o sistema de escrita dos povos da ilha que, apesar de diversas tentativas, ainda não foi completamente decifrado. A maioria dos especialistas em Páscoa conclui que a invenção do rongorongo foi inspirada pelo primeiro contacto dos insulares com a escrita (desembarque espanhol de 1770), ou pelo trauma da escravidão quando, por volta de 1805 (ano muito sombrio da história de Páscoa), duas dúzias de navios peruanos sequestraram metade da população (1500 pascoenses). Venderam-nos, depois num leilão, para trabalho escravo nas minas peruanas de guano. A maioria dos sequestrados morreu em cativeiro.
Todos conhecem as enormes cabeças de pedra (Moai) da fascinante Ilha de Páscoa, situada numa região isolada no meio do Oceano Pacífico. O que desconhecem, provavelmente, é que as pedras usadas para a construção das extravagantes estátuas foram retiradas de crateras circulares de mais de 500 metros de diâmetro, cravadas no centro dos montes Rano Raraku e Rano Kao.
Os Moais, estátuas gigantestas,foram colocadas junto à costa como sentinelas eternos. Estas estátuas estão dispostas em diversos santuários que tinham em média 5 estátuas. O maior deles, Paro, tem 22 metros e está inacabado.
Os Moai têm de 5 a 21 metros de altura, personificam os chefes fundadores das dez tribos da ilha. Muitas tiveram que ser transportadas de grandes distâncias,para junto do mar. Perto do vulcão Raraku,várias delas estão espalhadas pelo chão,indicando que deixaram de ser produzidas de repente... A maioria dos Moai foi construída de costas voltadas para o mar. Mais um dos mistérios da Ilha de Páscoa que é hoje considerada uma das 7 Maravilhas do Mundo.
Ora veja!


sexta-feira, abril 02, 2010

Peixes



O Festival Internacional de Cinema de Berlim , também conhecido com "Berlinale", é um dos mais importantes festivais de cinema da Europa e do mundo. Acontece todos os anos em Fevereiro em Berlim. Foi inaugurado em 1951, por iniciativa dos Estados Unidos, que ocupavam parte da cidade depois da Segunda Guerra Mundial. O júri sempre deu ênfase a filmes representativos de todos os lugares do mundo, quer do antigo bloco de leste quer dos países ocidentais. Os prémios são chamados de Urso de Ouro e Urso de Prata porque o urso é o símbolo de Berlim.
Aprecie, agora, aquele que foi considerado o melhor filme na classe de curtas metragens do Festival de Cinema de Berlim.

quinta-feira, abril 01, 2010

A Mentira

Mentira, s. f. Afirmação contrária à verdade; falsidade; ficção; ilusão; acto de mentir.

A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.

A mentira tem um dia especial. O dia 1 de Abril é o Dia das Mentiras.
Há muitas explicações para que o dia 1 de Abril se tenha transformado no Dia das Mentiras. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI que o Ano Novo era festejado no dia 25 de Março, data que marcava a chegada da Primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de Abril.
Em 1564, depois da adopção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de Janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano se iniciava no dia 1 de Abril.
Alguns brincalhões passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.
Nos países de língua inglesa o Dia das Mentiras costuma ser conhecido como April Fool's Day ou Dia dos Tolos, na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, o que significa literalmente "peixe de abril".
Neste dia as mentiras já se esperam e, por isso, na maior parte dos casos não surtem o efeito desejado. Mas há quem se descuide e caia nas partidas, mas, neste dia ninguém leva a mal. O melhor é criar situações engraçadas que resultem numa boa risota!

quarta-feira, março 31, 2010

O Convento

A fundação deste antigo convento (século XVII-XVIII) deveu-se ao voto de agradecimento, que a Rainha D. Luísa de Gusmão fez, pelo facto do rei D. João IV ter saído ileso da tentativa de regicídio de que foi alvo, em 1647.
O autor do atentado, Domingos Leite Pereira, terá aproveitado a procissão do Corpo de Deus, Corpus Christi, que decorria na zona da actual Rua dos Fanqueiros, para tentar disparar contra o rei, mas falhou na tentativa e fugiu para Madrid.
As obras de construção do convento tiveram início em 1648. O Convento de Corpus Christi foi consagrado em 1661, sendo entregue aos frades carmelitas descalços de Santo Alberto ou dos Torneiros, porque o convento era vizinho da antiga Rua da Tanoaria.
Destruído em 1755 pelo terramoto e pelo consequente incêndio, sobreviveram parte do corpo da igreja e alguns espaços conventuais, que foram adaptados à estrutura arquitectónica e às ordens impostas para a reconstrução da baixa da cidade e implementadas pelos arquitectos da Casa do Risco.
Em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o convento foi vendido e transformado em habitação e arrendamento comercial.
A original igreja de planta circular com o zimbório octogonal encimado por um pináculo é ainda hoje visível , bem como o portal da entrada da igreja, hoje convertido em acesso a um prédio típico da baixa lisboeta. (localização - Rua de São Nicolau nº 2-16, Rua dos Fanqueiros nº 113-117, Rua dos Douradores nº 50-62 - na Freguesia de São Nicolau).
Aprecie o que resta deste convento e passeie em Lisboa através de mais um episódio de "Lisboa Debaixo de Terra).



terça-feira, março 30, 2010

O Curdistão

O Curdistão é uma região com cerca de 500.000 km² distribuídos pela Turquia, Iraque, Irão, Síria, Arménia e Azerbeijão. O nome, que vem do persa, significa "terra dos curdos". Actualmente os curdos são a mais numerosa etnia sem Estado no mundo.
O Curdistão é, então, a "pátria" de cerca de 30 milhões de curdos. A grande maioria, mais de metade, vive no sul da Turquia e representa 20 % da população turca. É um povo com língua própria, hábitos e tradições seculares e que aspira à constituição de um estado. Os curdos são na sua maioria muçulmanos sunitas, que se organizam em clãs e, em algumas regiões, falam o idioma curdo. As maiores cidades curdas são Mossul, Irbil, Kirkuk, Saqqez, Hamadã, Erzurum e Diyarbakır.
Em Dyarbakir, a "capital" curda da Turquia, regista sinais de uma convivência difícil entre a maioria curda e os turcos. Se quiser saber um pouco mais clique, aqui.
Sobre este assunto veja, também, a apresentação elaborada pelos alunos do 12º A.

segunda-feira, março 29, 2010

A Estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
Manuel Bandeira

domingo, março 28, 2010

Duzentos Anos

Comemoram-se hoje os 200 anos do nascimento de Alexandre Herculano.
Figura ímpar da literatura, da história e da cultura portuguesas, anda, contudo, um bocado esquecido pelos nossos estudiosos e políticos.
Alexandre Herculano nasceu em Lisboa em 28 de Março de 1810. A sua vida foi marcada pelas lutas políticas, pela literatura e pela história de Portugal. Foi um dos mais importantes romancistas do século XIX (as suas obras são de cunho romântico) e vão desde a poesia, ao drama, ao teatro e ao romance. Não se limitou, contudo a escrever romances fez uma literatura. Elaborou, também, a primeira História de Portugal e o primeiro Código Civil.
Para escrever e dedicar-se aos seus objectivos renunciou a qualquer vida familiar. Casa-se tarde (em 1866), com uma senhora também já idosa por quem era apaixonado desde a juventude. Morre em 1877, rodeado de enorme prestígio, traduzido numa manifestação nacional de luto organizada pelo escritor João de Deus.
Alexandre Herculano foi em vida a maior glória nacional, tendo sido homenageado por todas as academias da Europa e da América. Conheceu o triunfo em vida ao contrário de muitos dos nossos outros poetas e escritores.
De entre os seus romances e narrativas gostaria de destacar: O Bobo (1843);Lendas e Narrativas I e II (1839 e 1844); Eurico, o Presbítero (1844); História de Portugal I, II, III e IV (1846 e 1853).