sábado, novembro 08, 2014

Drão

"Drão" é uma excelente música aqui interpretada em dueto por Ana Carolina e Gilberto Gil.
"Drão" (1982) é uma das mais belas músicas da obra do consagrado compositor baiano, Gilberto Gil. "Drão" é um nome estranho para a letra de uma música. Mas, que tem uma explicação! Na verdade, "Drão" é uma historia de amor, ou melhor, de uma separação. Quem o revelou foi Sandra, terceira mulher de Gil, de apelido Sandrão, abreviado para Drão.
Os dois foram casados durante 17 anos e tiveram três filhos: Pedro (músico, falecido em acidente), Maria e Preta Gil. Portanto a inspiração para esta bela canção foi o fim deste relacionamento. Interessante notar que no ano anterior Gil tinha composto a música "Flora" em homenagem à sua nova esposa.
Só mesmo um grande poeta para retratar em letra e música, o reconhecimento de um rompimento de um antigo amor que deixou marcas e frutos e que vive, morre e renasce de outra maneira.
Drão!
O amor da gente
É como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela estrada escura...
Drão!
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Cama de tatame
Pela vida afora
Drão!
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão
Drão! Drão!   

sexta-feira, novembro 07, 2014

Grande desejo

Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
sou mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
Faço comida e como.
Aos domingos bato o osso no prato pra chamar cachorro
e atiro os restos.
Quando dói, grito ai.
quando é bom, fico bruta,
as sensibilidades sem governo.
Mas tenho meus prantos, claridades atrás do meu estômago humilde
e fortíssima voz pra cânticos de festa.
Quando escrever o livro com o meu nome
e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma igreja,
a uma lápide, a um descampado,
para chorar, chorar, e chorar,
requintada e esquisita como uma dama.
Adélia Prado

quinta-feira, novembro 06, 2014

Natureza Versus Arte Urbana

Urbanismo e natureza parecem coisas contraditórias, mas, nem sempre é esse o caso.
Estas duas realidades podem combinar-se de maneira maravilhosa, criando algo realmente especial e único.
Veja as imagens que seleccionei para hoje, onde as obras de arte urbanas interagem com a natureza de maneira inteligente.

quarta-feira, novembro 05, 2014

A Ribeira das Naus

O Paço da Ribeira localizava-se na margem do rio Tejo, na Ribeira de Lisboa, em Portugal.
Consistia num luxuoso palácio real erguido a partir de 1498, por determinação de D. Manuel I, no contexto da descoberta do caminho marítimo para a Índia e do monopólio português do comércio das especiarias do Oriente com a Europa. Foi totalmente destruído no terramoto de Lisboa, em 1755.  No local do primitivo palácio situa-se, hoje, o complexo ministerial do Terreiro do Paço.
Ribeira das Naus foi o nome dado a partir da construção do Paço da Ribeira às novas tercenas que o rei Dom Manuel I mandou edificar a ocidente do novo palácio real, construído sobre o local das tercenas medievais.
No século XVIII, a Ribeira das Naus passou a ser designada "Arsenal Real da Marinha" quando as suas instalações foram construídas no mesmo local, no âmbito da reconstrução da Baixa de Lisboa, depois do terramoto de 1755.
Em 1910, passou a designar-se "Arsenal da Marinha de Lisboa". O Arsenal da Marinha de Lisboa foi desactivado em 1938.
O seu antigo local - cujo acesso ao rio Tejo foi cortado com a construção da Avenida Ribeira das Naus - faz hoje parte das Instalações da Administração Central da Marinha.
A Ribeira das Naus, com as docas Seca e da Caldeirinha,  constituíu  o conjunto dos maiores estaleiros do Império Oceânico Português, servindo de modelo aos restantes que se foram construindo além-mar, nomeadamente às ribeiras de Goa e de Cochim.
A Ribeira das Naus foi recentemente requalificada e atrai actualmente lisboetas e turistas para agradáveis passeios dominicais. A requalificação da Frente Ribeirinha da Baixa Pombalina, foi um projeto prioritário da Câmara Municipal de Lisboa e da autoria dos arquitectos João Nunes e João Gomes da Silva.
O projeto baseou-se na recriação do sítio que outrora constituiu a Doca Seca cuja origem remonta aos Descobrimentos Portugueses. As obras permitiram devolver ao público a Doca da Caldeirinha, uma estrutura que remonta a 1500 e que está hoje coberta de água, podendo ser atravessada através de um passadiço em madeira e a Doca Seca onde desde o século XVII eram recuperadas embarcações.
A intervenção englobou, pois, a requalificação das infraestruturas enterradas e o avanço da margem, criando uma nova avenida ribeirinha e uma escadaria que é como que a nova praia urbana da cidade.
Em complemento, criou-se um jardim cujos planos relvados, inclinados, recriam a configuração da antiga doca e permitem melhor usufruir o Tejo.
Lisboa ficou ainda com mais encanto e com um novo jardim com vista privilegiada para o rio. Este novo espaço público privilegia o peão e o contacto com o rio.
Se ainda não passeou por este novo espaço público "alfacinha", delicie-se, entretanto,  com as fotos da Ribeira das Naus de ontem (antes de 1940) e de hoje e com o vídeo que se segue.

Ribeira das Naus from Câmara Municipal de Lisboa on Vimeo.

terça-feira, novembro 04, 2014

El Capricho

"El Capricho" é um edifício projectado em 1883 pelo arquitecto catalão Antoni Gaudí e construído sob a direcção do arquitecto Cascante Colom em Comillas, Cantábria (Espanha).
É um edifício com uma planta muito complicada e muito rico em detalhes decorativos, de influências variadas. Daí que o seu estilo seja ecléctico e modernista, revelando uma grande originalidade.
"El Capricho"  foi concebido como se fosse um palacete oriental e de maneira a confundir-se com a vegetação circundante, daí que os tons de verde sejam as cores predominantes.
Se quiser conhecer melhor "El Capricho", basta ver com atenção a excelente apresentação e o vídeo que se seguem. Não perca esta oportunidade!
Ora veja!
E agora o vídeo!

segunda-feira, novembro 03, 2014

Não queremos perder, nem deveríamos perder


Não queremos perder, nem deveríamos perder: saúde, pessoas, posição, dignidade ou confiança. Mas perder e ganhar faz parte do nosso processo de humanização.
Lya Luft

domingo, novembro 02, 2014

O Dia Dos Mortos

Hoje é Dia de Finados, de Fieis Defuntos ou Dia dos Mortos. A celebração do Dia dos Fiéis Defuntos acontece a 2 de novembro em Portugal e no resto do mundo. Este Dia dos Fiéis Defuntos (ou Dia dos Finados) é conhecido mundialmente como o All Souls Day e em Portugal, também, como o Dia das Almas. Celebra-se tradicionalmente pela Igreja um dia depois do Dia de Todos os Santos.
É um dia de celebração dos mortos, onde se realizam missas e se lembram os familiares e amigos que já partiram.
A morte, causadora de tantos medos, é encarada de forma bem diferente de país para país. Em muitos, é motivo de choro e luto demorado, noutros, os doentes e idosos fazem de tudo para morrer em determinado lugar. Existem também países, que encaram a morte de frente e com festa. Um exemplo é o México. Hoje é feriado no México e comemora-se o "Día de Muertos". É de facto uma "comemoração", porque a festa é das grandes.
De origem azteca, o Dia de Finados mexicano comemora as vidas dos ancestrais, que nesta época voltam do outro mundo para visitar os vivos. Os povos indígenas tinham cerca de um mês inteiro dedicado aos mortos: o nono do calendário azteca, equivalente ao nosso agosto. Quando os espanhóis chegaram àquelas paragens, assustaram-se com estes costumes e trataram de cristianizar a festa, tendo alterado a data para coincidir com o Dia de Finados católico.
Segundo alguns historiadores, povos como totonacas, náuatles, purépechas, maias e astecas já faziam um culto em homenagem aos mortos. Estes rituais são tão antigos que, nalguns casos, chegam a ter mais de três mil anos de história. No período anterior à chegada dos espanhóis, praticava-se a conservação de crânios. Estes crânios eram exibidos em cultos para celebrar o renascimento e a morte. O culto era sempre presidido pela Dama da Morte, da qual foi tirada a imagem de La Catrina, esposa de Mictlantecuhtli, o rei dos mortos.
Hoje e como resultado deste sincretismo religioso é uma festa única, que mistura Virgem Maria, crucifixos, crânios e vários elementos da crença azteca.
As famílias preparam verdadeiros banquetes, as pessoas enfeitam-se e as crianças divertem-se, de noite e com os mortos.  Os túmulos são decoradas e os vivos levam oferendas aos mortos. Um dos símbolos mais tradicionais da festa é a caveira doce, feita de açúcar.
Algumas famílias têm o costume de abrir os túmulos, retirar os mortos de lá e limpar os seus restos mortais. Depois colocam os mortos de novo nos túmulos para mais um ano de descanso.
Para se ter uma ideia da importância desta festa e desta data, ela é considerada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Património da Humanidade.

sábado, novembro 01, 2014

As Broas dos Santos

Estamos no outono, sabem bem uns docinhos e hoje é dia de Todos os Santos. Nesta dia, tradicionalmente,  as crianças pedem o "Pão Por Deus". As crianças quando pedem o Pão por Deus recebem como oferendas: pão, broas, bolos, romãs e frutos secos (nozes, amêndoas ou castanhas) que colocam dentro de sacos de pano.
Daí que, me tenha lembrado de "postar" uma receita de Broas dos Santos (das muitas que existem e que se fazem nesta época do ano) para quem se queira atrever a fazê-las para comer ou para as oferecer às crianças que lhes batam à porta a pedir:

"Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu'estão mortos, enterrados
À porta daquela cruz".

Ingredientes:
1 kg de farinha
400 gr de açúcar amarelo
3 colheres de sopa de mel
3 ovos
leite para amassar
1 colher de chá de sal
30 gr de erva doce
1 colheres de sobremesa de canela
1,5 dl de azeite
nozes q.b.
açúcar q. b.
Preparação:
Põe-se a farinha num alguidar e junta-se o azeite a ferver e os restantes ingredientes. Amassam-se muito bem com as mãos.
Tendem-se bocadinhos de massa em forma de broa que se pincelam com gema de ovo. Em cima de cada broa coloca-se uma metade de uma noz e salpicam-se com açúcar. Vão ao forno quente a cozer durante cerca de 20 minutos.
Entretanto, pode seguir se quiser , através do vídeo abaixo, uma outra receita de Broas dos Santos. Ora veja!

sexta-feira, outubro 31, 2014

Tocando Em Frente

Fique hoje com mais uma música sertaneja. Oiça Almir Sater em "Tocando em Frente".
Almir Sater (1956) é um compositor, cantor e instrumentista brasileiro que actuou em novelas como actor. O seu estilo caracteriza-se pelo experimentalismo e a sua música é classificada como atemporal.
Com mais de 30 anos de carreira e 10 discos solo gravados, Almir tornou-se um dos responsáveis pela preservação da viola de 10 cordas. O seu último CD, 7 Sinais (2006), traz um repertório eclético e inovador e conta com participações especiais dos sanfoneiros Dominguinhos e Luiz Carlos Borges.
Veja-o, então a interpretar "Tocando Em Frente".
Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

quinta-feira, outubro 30, 2014

Mistérios do Mundo Invisível

Vivemos num mundo de beleza invisível que é imperceptível ao olho humano. As pessoas vivem as suas vidas rodeadas por coisas que não conseguem ver.
Para trazer este mundo invisível "à luz do dia", o cineasta Louie Schwartzberg utilizando câmeras de alta velocidade, microscópios e a técnica dos time - lapses, mostra nas TED - Talk 2014, o seu mais recente projecto: um filme 3D, intitulado "Mistérios do Mundo Invisível", que desacelera, acelera e amplia as maravilhas surpreendentes da natureza.
Depois de ver o vídeo abaixo, somos capazes de mudar para sempre o nosso entendimento sobre o mundo, em paricular sobre a natureza.
Não perca a possibilidade de ver a natureza desta maneira.
Ora veja!

quarta-feira, outubro 29, 2014

Perder, dói

Perder, dói! Não adianta dizer NÃO SOFRA, NÃO CHORE; só não podemos ficar parados no tempo chorando nossa dor diante das nossas perdas.
Lya Luft

terça-feira, outubro 28, 2014

A Chave de Salomão

"A Chave de Salomão", é o mais recente livro do autor português, José Rodrigues dos Santos.
Sinopse
 "O corpo de Frank Bellamy, o director de Tecnologia da CIA, é descoberto no CERN, em Genebra, na altura em que os cientistas procuram o bosão de Higgs, também conhecido por Particula de Deus. Entre os dedos da víctima é encontrada uma mensagem incriminatória. A mensagem torna Tomás Noronha o principal suspeito do homicídio. Depressa o historiador português se vê na mira da CIA, que lança assassinos no seu encalço, e percebe que, se quiser sobreviver, terá de deslindar o crime e provar a sua inocência. Ou morrer a tentar. Começa assim uma busca que o conduzirá às mais surpreendentes descobertas científicas alguma vez feitas. Será que a alma existe? O que acontece quando morremos? O que é a realidade? Com esta empolgante aventura que arrasta o leitor para o perturbador mundo da consciência e da natureza mais profunda do real, José Rodrigues dos Santos volta a afirmar-se como o grande mestre do mistério. Apesar de uma obra de ficção, "A Chave de Salomão" usa informação científica genuína para desvendar as espantosas ligações entre a mente, a matéria e o enigma da existência. "
De acordo com alguns críticos José Rodrigues dos Santos, nesta obra, consegue ser melhor e mais empolgante do que Dan Brown, portanto, vamos pôr a leitura em dia.

segunda-feira, outubro 27, 2014

Canção do Amor Imprevisto

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos…

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita…
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.
Mário Quintana 

domingo, outubro 26, 2014

O Castelo da Dona Chica

Castelo da D. Chica - Ruin'arte
O Castelo da D. Chica, também referido como Castelo de Palmeira, Casa da Chica ou Palácio de D. Chica, localiza-se na freguesia de Palmeira, concelho de Braga, em Portugal.
Trata-se de um edifício apalaçado, de estilo romântico e com características ecléticas, projectado pelo arquiteto suíço Ernesto Korrodi.
Começou a ser construído há 100 anos, por ordem de Francisca Peixoto de Sousa. nascida no Brasil, que mandou vir do seu país muitas das espécies arbóreas actualmente existentes na mata envolvente.
Ao longo da sua história esta mansão mudou várias vezes de proprietário. As  obras de finalização desta casa arrastaram-se  por décadas, só ficando concluídas em 1991, tendo-se transformado em Imóvel de Interesse Público em 1985.
Atualmente encontra-se em estado de abandono e degradação, estando no centro de uma disputa judicial, que envolve várias entidades, quanto à sua posse,


sábado, outubro 25, 2014

Beijinho Doce

Oiça os cantores brasileiros, Michel Teló e Paula Fernandes, na célebre música sertaneja, "Beijinho Doce".
"Beijinho Doce" é uma canção composta por João Alves dos Santos, o popular Nhô Pai, que foi gravada pela primeira vez em 1945 pelas Irmãs Castro. Esta dupla era formada por Maria de Jesus Castro e Lourdes Amaral Castro.
A canção já teve inúmeras gravações e também foi sucesso nas vozes das Irmãs Galvão, Duo Ciriema e da cantora Nalva Aguiar.
Em 2008, foi tema das personagens Flora e Donatella, que formavam a dupla sertaneja Faísca e Espoleta, na novela da Rede Globo, "A Favorita", tendo feito, de novo, um enorme sucesso entre os telespectadores.

sexta-feira, outubro 24, 2014

"Com o crioulo não vamos longe, não saímos das ilhas"

No ano em que a língua portuguesa comemora o seu 800º aniversário, aqui lhe deixo o desabafo de Germano Almeida numa entrevista ao DN:
"Eu sou defensor do ensino do crioulo rigoroso, mas o português tem de ser ensinado como uma língua estrangeira, porque não é a nossa língua nacional. Considero muito importante a nossa gente saber falar português bem. Tem-se tentado diversas experiências. Uma delas é começar por alfabetizar em crioulo para depois transbordar para o português, de forma a que as pessoas não sintam que o português é uma língua estranha. As nossas crianças nascem a falar crioulo e só contactam com o português na escola. E para a grande maioria isto é um traumatismo.
Mas não perdem muito os cabo-verdianos se desistirem do português, língua que é também deles?
Eu acho que nos perdemos. Tenho insistido na necessidade de nós em Cabo Verde dominarmos o português até mais do que os portugueses. Porque nós com o crioulo não vamos longe, não saímos das ilhas. Com o português vamos para Portugal, para o Brasil, para Angola.
Essa ideia tem adeptos ou existe ressentimento com Portugal?
Sim. Algumas pessoas dizem que sou um traidor por achar o português tão importante como o crioulo. Eu digo está bem vou continuar. Mas a verdade é que defender o português é ideia que ganha adeptos, felizmente. Por exemplo, há quem defenda o ensino universitário em crioulo e isso é absurdo.
As pessoas em Cabo Verde leem sobretudo em português? Sim. Ninguém vai traduzir Eça de Queirós em crioulo.
Usa palavras do crioulo no livro, como crau (relações sexuais) ou catchor de lantcha (cão vagabundo). Sente necessidade destas palavras na boca das personagens para lhes dar mais autenticidade?
As pessoas podem pensar que ponho isto à força, mas não. Conto uma história em português, mas sou cabo-verdiano e há expressões que só me fazem sentido em crioulo. Por exemplo, catchor de lantcha, eu não saberia traduzir. Posso pôr "és um malandro", mas... "
Se quiser  ler esta entrevista na íntegra basta clicar aqui

quinta-feira, outubro 23, 2014

Potências De 10: Do Micro Ao Macrocosmos

Faça uma viagem virtual do micro ao macrocosmos, ou seja, veja o mundo em diversas escalas, que vão do muito pequeno ao muito grande.
"Potência de Dez" foi produzido em 1977 e, sendo um filme de culto, é, também, um dos melhores exemplos do que é produzir materiais didácticos.
O vídeo de hoje, "Potências De 10:  Do Micro Ao Macrocosmos", é um video baseado num ficheiro em power point, da NASA, em que se mostra a nossa galáxia, desde as partículas mais pequenas até aos aspectos mais significativos. Uma escala é um método de ordenação de grandezas físicas que permite a comparação. Em cartografia uma escala é a relação existente entre as medidas no mapa e as distâncias correspondentes no terreno.
Já agora, a ideia de potência é muito antiga e desde os tempos mais remotos que as suas aplicações facilitaram a vida humana, auxiliando e tornando possíveis muitas representações matemáticas e solucionando problemas de elevado grau de complexidade.
Assim como todas as outras descobertas do homem, as potências possibilitaram o surgimento de novos horizontes e permitiram a expansão dos conhecimentos humanos. Nortearam viagens inimagináveis pelos campos abstratos da matemática e alicerçaram ciências afins como a astronomia, a física, a química e a biologia.
Foi Arquimedes que percebeu um facto curioso: que havia uma grande repetição de multiplicações que envolviam o número 10. Surgiu então a ideia de representar este facto usando a potência de base 10. Hoje é utilizada como notação científica e aplicada em várias áreas do conhecimento humano.

quarta-feira, outubro 22, 2014

Lore

"Lore", é um fime de 2012, com argumento e realização da australiana Cate Shortland. "Lore" é baseado na obra "The Dark Room", de Rachel Seiffert.
Sozinha com os irmãos, após os seus pais nazis serem presos, Lore (Saskia Rosendahl) guia o que resta da família através da Alemanha destruída pela guerra em 1945.
Para conseguirem sobreviver, as crianças precisam de chegar a casa da avó situada no Norte. Mas, no meio do caos de uma nação derrotada, Lore conhece o misterioso e intrigante Thomas (Kai Malina), um jovem refugiado judeu.
A realização de Cate Shortland é óptima, com enquadramentos e ritmos perfeitos e poéticos, que mostram o quotidiano de Lore e de sua família.
Um filme que conta uma viagem dolorosa, sentimental e filosófica dentro de um cenário de fim de mundo. Não perca a oportunidade de ver este filme e, se ainda não o viu, aprecie o trailer abaixo. 

terça-feira, outubro 21, 2014

Uma Canção

Minha terra não tem palmeiras…
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

Minha terra tem relógios,
Cada qual com sua hora
Nos mais diversos instantes…
Mas onde o instante de agora?

Mas onde a palavra “onde”?
Terra ingrata, ingrato filho,
Sob os céus da minha terra
Eu canto a Canção do Exílio!
Mário Quintana

segunda-feira, outubro 20, 2014

As mais belas quedas de água do mundo

Jorge Delfim Photography - O Cantinho do Jorge
Quedas de água, cachoeiras, cascatas ou cataratas são formações geomorfológicas nas quais os cursos de água correm por cima de rochas de composição resistente à erosão, formando uma súbita quebra na vertical.
As quedas de água podem ser de vários tipos.
Catarata - Têm este nome quando a queda tem um grande caudal e forma uma espécie de cortina. A extrema força da água corrói as rochas na base da catarata, permitindo que se forme uma espécie de piscina (ex: Cataratas de Iguaçú).
Salto - Têm este nome quando a queda é em forma de esguicho, e a água cai de forma ininterrupta de grande altura (ex: Salto Ángel).
Cascata - Tem este nome quando a queda da água se faz a partir de uma massa de rochas de inclinação irregular, no sentido vertical, deslizando depois sobre uma série de declives acidentados (ex: Frecha da Mizarela, em Portugal)
Para ficar a conhecer melhor as mais altas cataratas do Mundo clique aqui. Se quiser ficar a conhecer as mais belas cascatas de Portugal clique aqui.
O vídeo abaixo mostra-lhe as mais belas quedas de água existentes no mundo, de acordo com a perspectiva do autor. Propõe-lhe, também, um pequeno jogo. Depois da apresentação de cada queda de água o vídeo fica em pausa durante algus segundos, para que a consiga identificar. Se não conseguir, não se preocupe porque depois o autor deste documentário dir-lhe-á qual é. Não perca esta oportunidade! Ora veja!
Veja agora um vídeo sobre a Frecha da Mizarela (queda de água com cerca de 60 metros, no rio Caima, Serra da Freita), em Portugal .