sábado, janeiro 15, 2011

Carteiro em Bicicleta

João Afonso não é apenas sobrinho de Zeca Afonso. É um compositor e letrista português que se impôs no meio musical do nosso país pela sua qualidade musical e por mérito próprio.
João Afonso nasceu em Moçambique (1965) onde, juntamente com os seus pais e irmãos, viveu até 1978, altura em que veio para Portugal.
Cultivou desde cedo o gosto pelo canto, sofrendo influências quer da música urbana africana quer da música popular portuguesa, através do tio Zeca Afonso. A confirmar estas influências está o seu álbum,"Zanzibar" (2002). "Zanzibar" vive, sobretudo, das estórias vividas em África e de muitas experiências individuais. No universo de "Zanzibar", entrecruzam-se músicos de Portugal, Galiza, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, Angola e Brasil. Para além de uma
diversidade riquíssima em termos instrumentais (violas, guitarras, bandolins, baixo, violoncelo, trompa, flauta, percussões, pandeireta galega e marimbas), há a destacar as bonitas letras das 14 canções que formam o álbum. Outra das novidades inseridas neste trabalho de João Afonso é "Mar me Quer", que o autor dedica a Mia Couto. Neste texto entretanto musicado, estão lá as personagens criadas pelo escritor moçambicano, nomeadamente a velha Luarmina e o avô Celestiano, bem como todo o colorido de África.
Este disco, faz de novo a ponte com África para homenagear familiares e anónimos que um dia se aventuraram pelo mundo.
João Afonso tem participado em inúmeras homenagens a Zeca Afonso quer em Portugal quer no estrangeiro (Alemanha e Galiza). Tem participado, com outros músicos, em diversos projectos, dos quais se destaca "Maio Maduro Maio" (uma parceria com José Mário Branco e Amélia Muge). Participou ainda nos discos "Janelas Verdes" e "Acústico" de Júlio Pereira e no disco "Lua Extravagante" do grupo com o mesmo nome.
Realizou concertos, com músicos espanhóis como os canto-autores Luís Pastor e Pedro Guerra. Em 1997 edita "Missangas", enquanto a edição de 99 da Festa do Avante, é o palco para a estreia de " Barco Voador".
Mais recentemente lançou "Outra Vida" (2006) e "Um Redondo Vocábulo" (2009).
Se não o conhece não perca, agora, o vídeo da canção Carteiro em Bicicleta (Missangas), se conhece, recorde esta bela interpretação de João Afonso.


sexta-feira, janeiro 14, 2011

A Lapónia

A Lapónia é uma região localizada no norte da Escandinávia e que abrange o território de quatro países: a Noruega, a Suécia, a Finlândia e a Federação Russa. É um território que corresponde à região onde habitam os lapões, ou Sami.
Cerca de 70 000 Lapões vivem numa área de 390 000 km², juntamente com Suecos, Noruegueses, Finlandeses e Russos.
A área da Lapónia que se situa na região norte da Suécia, está classificada, pela Unesco, como Património da Humanidade.
O clima desta região é subártico e a vegetação é esparsa no extremo norte, enquanto no sul aparece a floresta boreal ou de coníferas. No outono a coloração das folhas das árvores varia entre o vermelho, o amarelo, o laranja e o violeta. Esta coloração tem início no fim de agosto e continua até meados de setembro, quando então algumas árvores chegam a ter folhas em tons de castanho.
A costa oeste (na Noruega) é montanhosa mas tem invernos mais suaves e mais precipitação que as planícies centrais e orientais. As temperaturas variam entre os 15°C positivos no Verão e os -50ºC no Inverno.
A Lapónia é rica em matérias primas particularmente o ferro (Suécia), o cobre (Noruega), o níquel e a apatite (Rússia).
A fauna compreende alces, renas, águias, falcões, ursos, lobos, peixes diversos e aves marítimas e terrestres. As raposas do Ártico, que também vivem nesta região setentrional, estão ameaçadas de extinção.
Todos os portos no Mar da Noruega e os do Mar de Barents, a nordeste de Murmansk estão livres de gelo no Inverno.
A Lapónia é escassamente povoada (a densidade populacional é de 3 a 4 habitantes por km²).
Na Lapónia, os Sami ou Lapões (povo indígena) são uma pequena minoria, totalizando, de acordo com o parlamento Sami da Suécia, 70000 pessoas, algumas das quais ainda nómadas.
Outros Sami vivem permanentemente em aldeias dispersas pela costa e fiordes, vales ou lagos onde a pesca é possível. A maior parte dos Sami vive a maior parte do ano na Noruega (40000).
Os "lapões" chegaram há quatro mil anos com uma economia baseada na caça. Assim continuaram até ao século XVI, quando se iniciou o pastoreio das renas. Foi nesta época que o Cristianismo chegou à Lapónia. A agricultura teve o seu início apenas no século XIX, e até ao início do século XX não havia estradas nesta região. O transporte era feito por renas no inverno e por barcos ou a cavalo no verão.
Segundo a cultura originária do norte da Europa, a Lapónia é a terra onde habita Joulopukki (também conhecido na cultura latina como Pai Natal) e todo seu séquito de duendes. Segundo a mesma cultura, o Pai Natal sai da Lapónia na noite do dia 24 de dezembro, véspera de Natal, com o seu trenó puxado por renas e carregado de presentes que distribui às crianças do mundo, que se comportaram bem durante o ano.
A Lapónia é conhecida turisticamente pelo Sol da Meia Noite, no Verão e pelas Auroras boreais no Inverno. Qualquer destes fenómenos é de uma beleza fascinante. A Lapónia também é referenciada pela crença de aí residir o Pai Natal, pelas renas, pelos fiordes na costa ocidental, pela pesca do bacalhau e do salmão, e pelas montanhas e florestas a perder de vista.
Aprecie a beleza desta região através da apresentação que seleccionei para hoje.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Pensar Alto

Sim
às marrabentas
às danças rituais
que nas madrugadas
criam o frenesi
quando os tambores e as flautas entram a fanfarrar

fanfarrando até o vermelho da madrugada fazer o solo sangrar
em contraste com o verdurar das canções dos pássaros
sobre o já verduzido manto das mangueiras
dos cajueiros prenhes
para em Dezembro seus rebentos
dançarem como mulheres sensualíssimas
em cada ramo do cajual da minha terra

mas, sim ao orgasmo
das mafurreiras
repletas de chiricos
das rolas ciosas pela simbiose que só a natureza sabe oferecer

mas sim
ao som estridente do kulunguana
das donzelas no zig-zague dos ritos
quando as gazelas tão belas
não suportam mais quarenta graus à sombra dos canhueiros em flor
Malangatana

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Adeus Malangatana

Recentemente faleceu Malangatana, um importante pintor e escultor Moçambicano.
Esta notícia emocionou o mundo das artes plásticas quer em Portugal quer em Moçambique, quer todos quantos o conheciam e admiravam!
Malangatana Valente Ngwenya (1936 - Matosinhos, 5 de janeiro de 2011) foi um dos pintores moçambicanos mais conhecidos em todo o mundo. Em 1997 foi nomeado pela UNESCO "Artista pela Paz".
Trabalhou em vários ofícios humildes, tendo entrado, mais tarde, no Núcleo de Arte da então cidade de Lourenço Marques (actual Maputo).
Em vida, fez de tudo um pouco: foi pastor, aprendiz de curandeiro e empregado doméstico mas, viria a notabilizar-se no mundo das artes, tornando-se num dos mais famosos artistas moçambicanos.
Malangatana para além da pintura dedicou-se também à cerâmica, à tapeçaria, à gravura e à escultura. Fez experiências com areia, conchas, pedras e raízes. Foi poeta, ator, dançarino, músico, dinamizador cultural, organizador de festivais e filantropo.
Entre 1990 a 1994 foi deputado da FRELIMO e ao longo de décadas ldedicou-se a causas sociais e culturais. Foi um dos criadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique, dinamizador do Núcleo de Arte, colaborador da UNICEF e dinamizador da criação de um Centro Cultural na sua terra natal: Matalana.
Expôs em Moçambique e em Portugal mas também, na Alemanha, na Áustria, na Bulgária, no Chile, no Brasil, em Angola, Cuba, Estados Unidos e Índia... Tem murais em países como a África do Sul, a Suazilândia, a Suécia ou a Colômbia e nas cidades de Maputo e Beira.
Contando com as obras em museus, galerias públicas e em colecções privadas, Malangatana vai continuar presente praticamente em todo o mundo. Conheceu grande parte do globo como membro de júri de bienais, inaugurando exposições ou fazendo palestras.
Foi nomeado Artista pela Paz (UNESCO), recebeu o prémio Príncipe Claus, e de Portugal levou também a medalha da Ordem do Infante D.Henrique e o doutoramento honoris causa pela Universidade de Évora. Se quizer saber mais alguma coisa veja a apresentação e o vídeo que selccionei para hoje.



terça-feira, janeiro 11, 2011

O encerramento da Expo

A cerimónia de encerramento da Exposição Universal de Xangai (2010) ocorreu no dia 31 de outubro de 2010, no espetacular Centro da Cultura da Expo, na presença do primeiro -ministro chinês, Wen Jiabao.
A cerimónia teve início às 20h, porque o número 8 significa boa sorte.
O encerramento da maior exposição mundial da história destes eventos, que contou com a participação de 239 países e organizações internacionais e 73 milhões de visitantes, foi iniciado com a projeção de um vídeo sobre a vida diária das pessoas que trabalharam na Expo durante os últimos meses.
Assista agora a alguns dos aspectos mais significativos desta fabulosa cerimónia de encerramento da Exposição Universal de Xangai, através de 3 vídeos que seleccionei para hoje. É uma verdadeira fusão entre arte e música, modernidade e tradição.







segunda-feira, janeiro 10, 2011

Museu D'Orsay

O Museu de Orsay é um museu localizado na cidade de Paris em França. Situa-se na margem esquerda do rio Sena.
As coleções do museu abrangem várias vertentes das artes plásticas tais como a pintura, a escultura e a fotografia, entre outras. No entanto, são constituídas principalmente por pintura e escultura da arte ocidental do período compreendido entre 1848 e 1914. Estão aí presentes, entre outras, obras de Van Gogh, Degas, Camille Corot, Eugène Delacroix, Henri Fantin-Latour, Antoni Gaudí, Paul Gauguin, Hector Guimard, Ingres, Gustav Klimt, Édouard Manet, Henri Matisse, Millet, Mondrian, Claude Monet, Gustave Moreau, Berthe Morisot, Edvard Munch, Camille Pissarro, Pierre-Auguste Renoir, Auguste Rodin, Paul Sérusier, Georges Seurat, Paul Signac, Alfred Sisley, Henri de Toulouse-Lautrec, James McNeill Whistler, François Rude, Jules Cavelier, Jean-Baptiste Carpeaux, Auguste Rodin, Camille Claudel, Maurice Denis e Odilon Redon.
Existem também exposições temporárias que decorrem paralelamente à exposição permanente.
O edifício, que actualmente alberga o museu, era originalmente uma estação ferroviária. A Gare de Orsay foi construída para o Caminho de Ferro de Paris a Orléans, no local onde se erguera até 1871 um antigo palácio administrativo, o Palais d'Orsay. Foi inaugurado em 1898, a tempo da Exposição Universal de 1900. O projecto foi do arquitecto Victour Laloux.
Em 1939, deixou de ser o terminal da linha que ligava Paris a Orleães devido ao comprimento reduzido do cais, passando então a ser apenas uma estação da rede suburbana de caminhos de ferro. Durante a Segunda Guerra Mundial serviu de centro de correios. A estação foi fechada a 1 de Janeiro de 1973.
Em 1977, o Governo francês decidiu transformar aquele espaço num museu. Foi inaugurado pelo presidente de então, François Mitterrand, em 1986. Os arquitectos Renaud Bardon, Pierre Colboc e Jean-Paul Philippon foram os responsáveis pela adaptação da estação a museu.
As colecções do museu proveem essencialmente de três locais: do museu do Louvre; do museu do Jeu de Paume (obras dos impressionistas desde 1947) e do museu de arte moderna de Paris (as obras mais recentes).
Resolvi fazer este post a propósito da grande exposição, acerca de Monet, que ali está a decorrer desde 22 de Setembro de 2010 até 24 de Janeiro de 2011. Aconselho-o a clicar aqui , para ver um curiosíssimo site sobre este evento (com som e muito “rato”).
Vale a pena ler as legendas pois vão dando, a propósito das telas, uma enorme informação sobre aquele pintor.
Já agora gostaria de salientar um número especial sobre Monet, muito bem documentado, que o ‘Figaro’ publicou e que pode consultar clicando aqui.
Se tiver hipótese de ir até Paris não perca esta exposição no Museu D'Orsay.

domingo, janeiro 09, 2011

"Um cê a mais"

Ainda a propósito do Acordo Ortográfico proponho-lhe a leitura de um texto de Manuel Halpern feito com muito humor. A nova ortografia foi o ponto de partida para este "Um cê a mais".
Manuel Halpern é um jornalista e crítico do Jornal de Letras, Artes e Ideias. Manuel Halpern escreve preferencialmente sobre música e cinema, além de manter, desde há dez anos, a coluna fixa O Homem do Leme.
Este jornalista é licenciado em Comunicação Social, pela Universidade Católica, com pós-graduação em Crítica de Cinema e Música Pop, na Faculdade Ramon Lull de Barcelona. Colaborou, entre outros, com a Visão, o Público, o Blitz, a Antena 2, o Diário de Notícias e o Corriere della Sera.

"Um cê a mais"
"Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto, para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar".
Manuel Halpern

sábado, janeiro 08, 2011

O correr da vida embrulha tudo

"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem".
João Guimarães Rosa

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Discurso de Um Soldado Americano

O vídeo que escolhi para hoje é o discurso de um soldado americano, de seu nome, Mike Prysner.
Mike Prysner, soldado dos E.U.A, é um veterano da guerra do Iraque. Relata aqui os reais motivos que, de acordo com o seu ponto de vista, levaram os Estados Unidos a invadir o Iraque. Fala de terrorismo, de caos, de conflitos, de assassinatos, de torturas, etc...
De acordo com Mike Prysner " só haverá guerra se os soldados estiverem dispostos a combater".
É um vídeo que nos obriga a pensar.
Não perca. Vale mesmo a pena vê-lo.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Já Chegaram a Belém...

A poesia popular para celebrarmos aqui o Dia de Reis.

Já chegaram a Belém,
Visitar Deus Menino,
Que Nossa Senhora tem.

Os três reis do Oriente,
Tiveram um sonho profundo,
Que nasceu o Deus Menino,
Qu'e o Salvador do Mundo.

Os três reis do Oriente,
Seguiram o seu destino,
Guiados por uma estrela,
Adorar o Deus Menino.

A cabana era pequena,
Não cabiam todos três,
Adoraram o Deus Menino,
Cada um de sua vez.

Nasceu alegria,
Não pode haver mais,
Já nasceu Jesus,
Bendito sejais, bendito sejais.

Ó da casa, nobre gente,
Senhores desta morada,
Escutai e ouvireis,
Esta nobre embaixada.

Quem diremos nós que viva,
Por cima da salsa crua,
Viva lá o menino,
Que é o mais lindo da rua.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Se houvesse degraus na terra...

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.
Herberto Helder

terça-feira, janeiro 04, 2011

Vamos até à Serra

Serra da Estrela, é o nome dado à cadeia montanhosa e à serra onde se encontram as maiores altitudes de Portugal Continental. É a segunda mais alta montanha de Portugal apenas ultrapassada pelo Pico, nos Açores. Faz parte da mais vasta cordilheira denominada Sistema Central que se integra no subsistema designado como sistema montanhoso Montejunto-Estrela.
Faz parte de uma zona de paisagem integrada no Parque Natural da Serra da Estrela que se situa, maioritariamente, no distrito da Guarda (74 529,3 ha). A serra tem, também, uma pequena área no distrito de Castelo Branco (13 762,4 ha).
Os municípios que têm o seu território abrangido pela área desta cordilheira são: Seia, Manteigas, Guarda, Gouveia, Celorico da Beira e Covilhã.
O ponto de maior altitude da serra atinge os 1993 m, na zona da Torre (fronteira entre o distrito da Guarda e o distrito de Castelo Branco). Para completar os 2000 m foi, ali, construída uma torre com 7 m.
Pensa-se que esta serra corresponda à elevação a que os romanos da Antiguidade chamavam de Montes Hermínios ou "Montes de Hermes". Esta região, segundo alguns historiadores, terá sido o berço do guerreiro lusitano Viriato.
Nas zonas mais altas da serra situa-se uma estância de esqui, que se desenvolve nas encostas da serra que pertencem à freguesia de Loriga.
O queijo da Serra da Estrela, considerado um dos melhores queijos de Portugal, é produzido nesta região, que também possui uma raça de cães-pastor, o cão da Serra da Estrela. Ambos se encontram ligados ao pastoreio da ovelha bordalesa característica desta serra. Trata-se de um pastoreio tradicional onde práticas como a transumância e a renovação de pastagens pelo fogo são comuns. A desertificação humana da Serra levou, contudo, ao abandono de algumas das práticas tradicionais desta região. O drama do despovoamento humano encontra-se fielmente retratado no filme "Ainda há Pastores?" (2006) de Jorge Pelicano.
De entre os locais que sugiro que visite gostaria de destacar: a Torre; o Covão d'Ametade; a Cabeça do Velho; a Cabeça da Velha; a povoação de Folgosinho; o Vale Glaciar do Zêzere (Manteigas); as Penhas Douradas; as Lagoas e o Vale do Rossim.
Logo que possa dê um passeio até à serra. Vale a pena visitá-la. É bonita tanto no Inverno como no Verão. Entretanto aprecie a apresentação que se segue.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Zalipie

Zalipie é uma localidade que se situa no sul da Polónia, a 7 Km a oeste de Olesno, a 13 de Km a Noroeste de Dąbrowa Tarnowska e a 68 km a este da capital regional, Cracóvia.
Zalipie é uma aldeia conhecida pelo costume dos seus habitantes pintarem as casas com motivos decorativos. O exterior das habitações é decorado pelos donos, utilizando para isso, tintas e padrões decorativos brilhantes.
Mas, as imagens, da apresentação que escolhi para hoje, valem mais que mil palavras.
Veja-a e aprecie a beleza das casas e desta aldeia.

domingo, janeiro 02, 2011

1808 e 1822

Hoje proponho-lhe mais duas sugestões de leitura.

1808 é um livro que mostra como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil.

É um livro, publicado em 2006, que conta a ida da família real portuguesa para o Brasil em 1808.
No livro, Laurentino Gomes contextualiza a vinda da família real às condições políticas, económicas e sociais da época em Portugal, França, na Inglaterra e no Brasil.
Em 2008, 1808 recebeu o prémio de melhor Livro de Ensaio da Academia Brasileira de Letras .




1822 é outro livro de Laurentino Gomes que conta como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para não resultar.
Comece o ano com boas leituras.

Feliz Ano Novo!

sábado, janeiro 01, 2011

Kosmic Blues

Nada melhor do que começar o ano ouvindo uma das grandes vozes da história da música dos E.U.A.
Janis Joplin (1943 — 1970) foi uma cantora e compositora que se tornou conhecida no final dos anos 60 como vocalista da banda Big Brother and the Holding Company e posteriormente, como artista a solo.
Janis nasceu na cidade de Port Arthur (Texas) nos Estados Unidos. Cresceu ouvindo músicos de blues e cantando no côro local. As suas grandes influências musicais foram Leadbelly, Big Mama Thornton, Odetta e a grande Imperatriz dos Blues, Bessie Smith.
Joplin concluiu o secundário na Jefferson High School, em Port Arthur no ano de 1960. Foi, depois, para a Universidade do Texas, na cidade de Austin, onde começou a cantar blues e folk com os amigos.
Nesta fase da vida cultivou uma atitude rebelde vestindo-se como os poetas da geração beat. Mudou-se, em 1963, do Texas para San Francisco, morou em North Beach, e trabalhou como cantora folk. Por volta desta época a sua saúde vai-se arruinando devido ao uso de drogas duras e ao abuso das bebidas alcoólicas.
Volta a Port Arthur para se recuperar. Em 1966 regressa a San Francisco, onde a influência dos blues a aproximou do grupo Big Brother & The Holding Company, que estava a ganhar alguma importância entre a nascente comunidade hippie, de Haight-Ashbury. A banda gravou um álbum em 1967. Entretanto, a falta de sucesso dos primeiros singles fez com que o álbum fosse retido até ao seu sucesso posterior.
A banda fez sucesso no Festival Pop de Monterey, com uma versão da música "Ball and Chain" e os marcantes vocais de Janis Joplin. O álbum de 1968, Cheap Thrills, acabou por destacar o nome de Janis.
Mais tarde, saiu da banda Big Brother e formou um grupo chamado Kozmic Blues Band, que a acompanhou em "I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama!" (1969). Este grupo também se separou e Joplin formou, então, o Full Tilt Boogie Band. O resultado foi o álbum Pearl (1971), lançado após sua morte. Deste álbum há a destacar as músicas "Me and Bobby McGee" (de Kris Kristofferson), e "Mercedes-Benz", escrita pelo poeta beatnik Michael McClure.
Janis Joplin morreu de overdose em 1970, em Los Angeles (Califórnia), com apenas 27 anos.
O álbum Pearl foi lançado 6 meses após sua morte. O filme The Rose, com Bette Midler, baseou-se na sua vida.
Ela hoje é lembrada pela voz forte e marcante, bastante distante das influências folk mais comuns na sua época, e também pelos temas de dor e perda que escolhia para as suas músicas. É recordada também pela paixão e intensidade que punha nas canções que cantava.
Senhoras e senhores não desperdicem a oportunidade de ver e ouvir, Janis Joplin em Kosmic Blues.


sexta-feira, dezembro 31, 2010

Happy New Year

ABBA foi um grupo sueco de música pop. O nome da banda é um acrónimo formado pelas primeiras letras do nome de cada um dos seus integrantes (apesar de ser também uma marca de arenque enlatado que existia, na altura, na Suécia). De 1976 em diante, o primeiro B no logotipo do grupo passou a ser escrito invertido em todos os materiais promocionais com ele relacionados.
O grupo foi formado em 1972 pelos músicos e compositores Björn Ulvaeus e Benny Andersson, e as vocalistas Agnetha Fältskog e Anni-Frid Lyngstad (também chamada Frida). Tornou-se no grupo musical sueco de maior sucesso mundial, dominando os principais tops (superados apenas pelos Beatles) em todo o mundo, entre a segunda metade da década de 1970 e o início dos anos 1980. A banda ficou conhecida não só pelas músicas mas também, pelo visual moderno e divertido dos diferentes componentes.
A banda manteve alguns singles no top do Reino Unido, até o fim de 1979, durante 160 semanas. Em Janeiro de 2010, na abertura do ABBAWorld em Londres, o grupo ABBA foi referido como tendo vendido, aproximadamente, 375 milhões de álbuns no mundo inteiro, pela Polar Music e pela Universal Records. De referir, também o filme, "Mamma Mia", que é um musical de enorme sucesso, realizado com músicas deste grupo!
Os ABBA tornaram-se a banda pop que mais discos vendeu na indústria fonográfica. Mesmo estando inativos desde 1983, vendem mais de 3 milhões de discos por ano!
"Happy New Year" é uma popular canção (do álbum Super Trouper) dos ABBA, datada de 1980.
Com votos de um Feliz Ano Novo, fique com um vídeo dos ABBA, mostrado na Suécia à meia noite de muitos Finais de Ano. Happy New Year!

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Zoom

Zoom é um livro (1995) de Istvan Banyai, que foi considerado um dos melhores livros do ano destinado a crianças. O autor utiliza aqui a técnica do zoom e com ela, mostra-nos como somos pequenos face ao universo.
Istvan Banyai é um húngaro de Budapeste (1949), que se tornou conhecido como ilustrador e animador, a partir de meados dos anos 80, quando emigrou para os E.U.A.
Zoom é um livro provocante, sem palavras, que pode ser 'lido' tanto de frente para trás como de trás para frente. As ilustrações do mesmo são inovadoras e podem mudar as idéias sobre tudo o que é visto. Nesta aventura surpreendente, até filosófica, nada é o que parece ser.
Espero que goste. Não perca!



quarta-feira, dezembro 29, 2010

Festival da Lusofonia

Cantos na Maré, Festival Internacional da Lusofonia é un projecto cultural pioneiro da Comunidade Autonómica Galega. Através da língua e da música, traça um mapa comum entre os territórios da lusofonía que partilham as mesmas raízes. O CNM pretende que a partir da língua galega se criem pontes que, por um lado aproximem a Galiza a outras culturas emergentes e por outro dar a conhecer ao mundo a cultura galega.
Este festival, ocorreu mais uma vez, desta feita no passado dia 18 de Dezembro, no Pazo da Cultura de Pontevedra. De novo sob a direccão artística de Uxía e a direccão musical de Paulo Borges. O Festival alia jovens cantores a vozes já consolidadas no meio musical lusófono. No dia 18 misturaram-se quatro talentos num espectáculo exclusivo, íntimo e multicultural. Foram eles: Lenine (Brasil), António Zambujo(Portugal), Guadi Galego (Galiza) e Aline Frazão (Angola).
Um projecto louvável e interessante!

CNM10 from xavier belho on Vimeo.

terça-feira, dezembro 28, 2010

Morre lentamente quem não viaja...

Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere o "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no
trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!
Pablo Neruda

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Happy Xmas (War is Over)

"Happy Xmas (War Is Over)" é uma canção escrita por John Lennon. Foi lançada, num single de 1971 pelo cantor, Yoko Ono e a Plastic Ono Band. Esta banda foi constituída
por John e Yoko Ono antes da dissolução dos Beatles.
Em 1971, Happy Xmas chegou a atingir o 3º lugar (em 100) no Billboard Hot e o 2º no top Britânico de singles. A canção teve o acompanhamento de um coro de crianças que faziam parte do Coro Comunitário de Harlem.
Esta música apareceu pela primeira vez num álbum, em 1975, com o título: Shaved Fish.
Embora seja, ostensivamente, uma canção de protesto contra a Guerra do Vietname, acabou por se transformar num standard e tem sido editada em vários álbuns de Natal.
Diferentes artistas têm feito versões de Happy Xmas: Maroon 5, Street Drum Corps, Celine Dion, Neil Diamond e Shinedown.
Absolutamente inesquecível!


Happy Christmas
Feliz Natal (A guerra acabou) John Lennon
Feliz Natal, Yoko
Feliz Natal, John

Então é Natal
E o que você fez?
Outro ano se vai,
E um novo começa
E então é Natal
Eu espero que você se divirta.
As pessoas próximas e queridas,
Os idosos e os jovens

Um Natal muito feliz,
E um feliz Ano Novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem medo

E então é Natal
Para fracos e fortes
Para ricos e pobres
O mundo está tão errado
E então Feliz Natal
Para negros e brancos
Para amarelos e vermelhos
Vamos parar todos os conflitos

Um Natal muito feliz
E um feliz Ano Novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem medo

E então é Natal
E o que nós fizemos?
Outro ano se vai
E um novo começa
E então Feliz Natal
Nós esperamos que você se divirta
As pessoas próximas e queridas
Os idosos e os jovens

Um Natal muito feliz
E um feliz Ano Novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem medo
A guerra acaba, se você quiser
A guerra acaba, agora

Feliz Natal