terça-feira, novembro 01, 2016

Bolinhos e bolinhós

Estamos no Outono. Embora não pareça, porque este tem sido um Outono com sabor a Verão...!

É dia de Todos os Santos.
É dia de bolinhos e bolinhós, de pedir um Pão por Deus e de comer broas e frutos secos, tal como reza a tradição.

Se algumas crianças das redondezas lhe forem bater à porta a pedir um Pão por Deus ou Bolinhos e Bolinhós, não deixe de lhes oferecer umas Broas dos Santos.

Como gosto muito destas broas, aqui vai mais uma receita, muito fácil de fazer:

Broas de Mel e Azeite

Ingredientes:

100 ml. de mel
100 ml. de azeite
2 ovos
150 gr. de açúcar
500 gr. de farinha de trigo
1 colher (sobremesa) de fermento
1 colher (sopa) de canela
1 colher (sopa) de erva doce
Nozes q.b.
Sultanas q.b.
1 ovo batido para pincelar

 Preparação:

Bata bem os ovos com o açúcar. Junte depois a mistura do mel com o azeite. Bata de novo.
Adicione, então, a farinha, o fermento, a canela e a erva doce e bata de novo o preparado.
Misture o mel e o azeite e leve a aquecer ao lume.

Junte, depois, as nozes e sultanas e envolva-as na mistura anterior.

Forme bolinhas do tamanho de uma noz que se dispõem num tabuleiro polvilhado com farinha.
Pincele-as com o ovo batido e no topo coloque um pouco de açúcar.

Leve-as ao forno para cozer e ficarem douradas.

segunda-feira, outubro 31, 2016

Dia das Bruxas & Doce de Abóbora

O Dia das Bruxas ou Halloween é uma celebração observada em vários países, principalmente no mundo anglófono e em particular nos E. U.A., a 31 de outubro.
Esta celebração, que chegou aos E.U.A. pelos imigrantes irlandeses, em meados do século XIX, começa com a vigília de três dias do chamado Allhallowtide, o tempo do ano litúrgico dedicado a lembrar os mortos, incluindo os santos (hallows), os mártires e todos os fiéis falecidos.

Acredita-se que muitas das tradições do Halloween tiveram a sua origem no antigo festival celta da colheita, o Samhain, e que esta festividade gaélica foi cristianizada pela Igreja primitiva.


Entre as atividades mais comuns do Halloween, estão: decorar a casa, fazer lanternas de abóbora, pedir de porta em porta gosturas ou travessuras, as fogueiras, os jogos de adivinhação, crianças e adultos mascararem-se de almas assombradas e assistir a filmes de terror.


Nos tempos de hoje, o Dia das Bruxas transformou-se, sobretudo, numa celebração comercial.
* * * * *

Como um dos símbolos deste dia é a abóbora e, em muitas regiões do nosso país se faz. por esta altura do ano, doce de abóbora, aqui lhe deixo uma receita, muito simples, deste doce.

Ingredientes:
3 kg de abóbora descascada e cortada em cubinhos
1,800 kg de açucar (pode ser amarelo)
sumo de 4 laranjas
5 paus de canela
nozes q.b.

Preparação:
Dentro de uma panela ponha tudo em camadas. Deixe cozer em lume brando até ficar com uma côr laranja acastanhada, (mais ou menos 1 hora).
Em seguida, junte as nozes.
Ponha o doce em frasquinhos. Vire-os para baixo, até o doce arrefecer, para que fique guardado em vácuo e o doce possa durar mais tempo!
É bom para barrar em torradas ou para acompanhar com requeijão.

domingo, outubro 30, 2016

Vamos até Urjal?


Urjal é uma aldeia típica do Minho (concelho de Amares).
Está encaixada nas encostas da serra de Santa Isabel e do monte da Abadia.

De destacar no seu núcleo histórico alguns espigueiros e, um conjunto de casas rústicas, algumas delas renovadas e adaptadas ao turismo rural.


Na Serra de Santa Isabel, pode passear-se por um troço de uma via romana (via XVIII antonina) e apreciar a vista que dali se vislumbra: encostas em socalcos e pastos verdes pintalgados pelos famosos laranjais da região!

No Monte da Abadia pode visitar o Santuário de Nossa Senhora da Abadia, que é o santuário mariano mais antigo de Portugal.


Outra proposta de visita a esta região é fazer o Trilho de Urjal, que percorre as aldeias rurais de Urjal e Chã Grande e que proporciona aos seus visitantes uma vista magnífica sobre o vale do Cávado.

Se entretanto pretender mais alguma informação sobre o assunto basta clicar aqui. 


Mas se apetecer provar as especialidades gastronómicas típicas de Urjal, não deixe de procurar o bolo de milho e o bolo de sardinhas!

sábado, outubro 29, 2016

Mr. Tambourine Man

Oiça Bob Dylan em Mr. Tambourine Man (ao vivo no Newport Folk Festival, em 1964).

Hey, Mr. Tambourine Man, play a song for me
I'm not sleepy and there ain't no place I'm going to
Hey, Mr. Tambourine Man, play a song for me
In the jingle jangle morning I'll come following you
Though I know that evenings empire has returned into sand
Vanished from my hand
Left me blindly here to stand but still not sleeping
My weariness amazes me, I'm branded on my feet
I have no one to meet
And the ancient empty street's too dead for dreaming
Hey, Mr. Tambourine Man, play a song for me
I'm not sleepy and there ain't no place I'm going to
Hey, Mr. Tambourine Man, play a song for me
In the jingle jangle morning I'll come following you
Take me on a trip upon your magic swirling ship
My senses have been stripped
My hands can't feel to grip
My toes too numb to step
Wait only for my boot heels to be wandering
I'm ready to go anywhere, I'm ready for to fade
Into my own parade
Cast your dancing spell my way, I promise to go under it
Hey, Mr. Tambourine Man, play a song for me
I'm not sleepy and there ain't no place I'm going to
Hey, Mr. Tambourine Man, play a song for me
In the jingle jangle morning I'll come following you
Though you might hear laughing, spinning, swinging madly through the sun
It's not aimed at anyone
It's just escaping on the run
And but for the sky there are no fences facing
And if you hear vague traces of skipping reels of rhyme
To your tambourine in time
It's just a ragged clown behind
I wouldn't pay it any mind
It's just a shadow you're seeing that he's chasing
Hey, Mr. Tambourine Man, play a song for me
I'm not sleepy and there ain't no place I'm going to
Hey, Mr. Tambourine Man, play a song for me
In the jingle jangle morning I'll come following you
Take me disappearing through the smoke rings of my mind
Down the foggy ruins of time
Far past the frozen leaves
The haunted frightened trees
Out to the windy bench
Far from the twisted reach of crazy sorrow
Yes, to dance beneath the diamond sky
With one hand waving free
Silhouetted by the sea
Circled by the circus sands
With all memory and fate
Driven deep beneath the waves
Let me forget about today until tomorrow
Hey, Mr. Tambourine Man, play a song for me
I'm not sleepy and there ain't no place I'm going to
Hey, Mr. Tambourine Man, play a song for me
In the jingle jangle morning I'll come following you

quinta-feira, outubro 27, 2016

5- O Acontecimento Que Mais Me Marcou...

A) Talvez a saída do Reino Unido da União Europeia porque:

- Causou desconforto e preocupação no nosso país;
- Portugal sairá a perder e foi uma notícia chocante.
P. Costa e Daniela - 12º B




B) O sismo em Itália porque:
- Foi um acontecimento devastador e foram perdidas pessoas tal como nos ataques terroristas à U.E.
M. Rocha - 12º C



C) A morte de Bin Laden porque:

- Finalmente se retaliou contra os terroristas
P. Dias -  12º B




D) A crise em Angola porque:
- Tendo eu nascido em Angola, nunca pensei que algum dia iríamos enfrentar uma crise económica tão duradoura como esta, pois, Angola é um país muito rico em termos de recursos minerais e, não havia necessidade de termos de passar por esta crise.
D. Pascoal - 12º B

quarta-feira, outubro 26, 2016

Caminhar por Lisboa

Caminhar por Lisboa é um livro de um antigo aluno meu, hoje historiador e conservador do Museu Nacional de Arte AntigaAnísio Franco.
Um aliciante e sedutor passeio à descoberta da cidade do Tejo.

Anísio Franco propõe, neste seu "Caminhar por Lisboa", sete percursos para conhecer a capital, apresentada como uma "metrópole de ruas labirínticas, velhas como a História".

São sete os percursos deste livro:
1. Do Castelo de São Jorge ao Intendente 
2. Do Marquês de Pombal ao Cais do Sodré
3. Da Torre de Belém ao Museu da Electricidade 
4. Da Ribeira das Naus ao Parque das Nações
5. Do Parque Mayer ao Rossio 
6. Do Museu Nacional de Arte Antiga a São Paulo 
7. Do Chafariz d`El Rey à Senhora do Monte.

O guia ajuda-nos a descobrir Lisboa, percorrendo-a a pé, de maneira a descobrir-lhe os segredos, os palácios, as personagens e as histórias da história da cidade de Lisboa.

Para abrir o apetite e em jeito de resumo, fica esta citação:

Lisboa é uma metrópole de ruas labirínticas, velhas como a História. Em criança prometi a mim mesmo que havia de conhecer todas as suas ruas, cada beco, igreja, convento, museu, palácio. 
Os sete percursos resultam dessa experiência feita de afetos, de memórias, de histórias que se cruzam entre si.
Uns perfazem os caminhos do natural desenvolvimento da cidade, outros são apostas que me dão especial prazer quando levo alguém a descobri-los. 
Há, no entanto, algo que une todos os percursos: as histórias que nos contam as ruas e as personagens que nelas vivem.
Feito dos lugares, mas também dessas histórias o guia que aqui se apresenta.


terça-feira, outubro 25, 2016

Beijos-de-Mulata

(Para a ZEZA)
                       


Os beijos-de-mulata
não têm perfume
Apenas
a limpidez do seu desejo
                        branco
Ou
    uma concêntrica fúria
acesa de tacula-roxo-carmesim
Beijos-de-Mulata (Flor)
além de ser
a melhor droga contra o câncer.
Pra que perfume...?
Onde elas crescem
morrem as outras plantas...
Arnaldo Dos Santos (17.5.86)

segunda-feira, outubro 24, 2016

Like a Rolling Stone

Oiça Bob Dylan em Like a Rolling Stone (ao vivo em 1966).

Once upon a time, you dressed so fine
Threw the bums a dime in your prime, didn't you?
People'd call, say: "beware, doll! You're bound to fall!"
You thought they were all kiddin' you
You used to laugh about
Everybody that was hangin' out
Now you don't talk so loud
Now you don't seem so proud
About having to be scrounging for your next meal

How does it feel?
How does it feel?
To be without a home?
Like a complete unknown?
Like a rolling stone?

You've went to the finest school, all right, miss lonely
But you know you only used to get juiced in it
Nobody has ever taught you how to live on the street
Manuscrito de Like a Rolling Stone
And now you're gonna have to get used to it
You said you'd never compromise
With the mystery tramp, but now you realize
He's not selling any alibis
As you stare into the vacuum of his eyes
And saying "do you want to make a deal?"

How does it feel?
How does it feel?
To be on your own?
With no direction home?
A complete unknown?
Like a rolling stone?

You never turned around to see the frowns on the jugglers and the clowns
When they all did tricks for you
You never understood that it ain't no good
You shouldn't let other people get your kicks for you
You used to ride on the chrome horse with your diplomat
Who carried on his shoulder a siamese cat
Ain't it hard when you discover that
He really wasn't where it's at
After he took from you everything he could steal

How does it feel?
How does it feel?
To be on your own?
With no direction home?
Like a complete unknown?
Like a rolling stone?

Princess on the steeple and all the pretty people
They're all drinkin', thinkin' that they got it made
Exchangin' all precious gifts, but you better take a diamond ring
You better pawn it, babe!
You used to be so amused
At napoleon in rags and the language that he used
Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you ain't got nothing you got nothing to lose
You're invisible now, you got no secrets to conceal

How does it feel?
How does it feel?
To be on your own?
With no direction home?
Like a complete unknown?
Like a rolling stone

domingo, outubro 23, 2016

A Torre Sineira da Ajuda

A Torre Sineira da Ajuda, ou Torre do Galo, foi construída no séc. XVIII ao lado da Capela Real da Ajuda, a partir do desenho do arquiteto Manuel Caetano de Sousa, tendo ocorrido a cerimónia de sagração dos seus sinos em 1793.
Erguida na denominada Quinta de Cima, a Real Barraca (que eram vários edifícios em madeira) funcionou como residência-refúgio para a Família Real, após o terramoto de 1755.
A Capela Real tinha uma tribuna destinada à Família Real e acesso ao Paço. Em 1792, Manuel Caetano de Sousa iniciou a construção da torre, única edificação em cantaria.
Nesse mesmo ano, a Igreja Patriarcal de Lisboa foi instalada na Capela Real da Ajuda, até que em 1833 passou a ser incorporada na Sé de Lisboa. Assim, em 1835 a Capela Real deixou de existir como tal e, em 1864, o ministro Costa Cabral mandou demolir o edifício.
A Torre permanece (encontra-se integrada na zona circundante do Palácio Nacional da Ajuda),  e é de estilo barroco e feita em pedra de lioz.
Tem planta quadrangular e apresenta uma forma poligonal, com entrada no lado oriental. O acesso ao campanário é feito através de uma escada interior em caracol com 80 degraus. No 67º degrau, acedendo por uma porta a norte, encontra-se o relógio,  datado de 1796, actualmente, fora de uso.
No topo, existe um cata-vento, um galo típico de campanário, sobre um globo, com uma cruz.
A Torre do Galo é, então, um exemplo de arquitectura barroca tardía, e o último vestígio da Patriarcal e da Capela Real da Ajuda,  Só sobreviveu, provavelmente, por ser o único elemento em cantaria, dado que tudo o  resto era de madeira.

sábado, outubro 22, 2016

A História da Música em Sete Minutos


Não deixe de ver, aqui em baixo, A História da Música em Sete Minutos.

Pablo Morales de Los Rios (1979) cineasta, pintor, ilustrador, historicista, escritor e fotógrafo espanhol é o responsável por este incrível vídeo.
 
A música é considerada a arte mais antiga e a mais primitiva de todas. Através do seu estudo podemos compreender a evolução do mundo e da cultura de cada povo.


O vídeo que lhe proponho que veja hoje,  mostra a evolução da música desde o ínicio da humanidade, até aos dias de hoje. Mostra os instrumentos musicais, os ritmos e os estilos, desde as primeiras tribos, até à atualidade, mostrando até a criação das 7 notas musicais.
Assim, em sete minutos, passa pela música antiga, a clássica, o jazz, os blues, o rock, a metálica e a eletrónica.
Não deixe de ver, porque vale bem a pena!

sexta-feira, outubro 21, 2016

O Retrato de Ricardina

O Retrato de Ricardina é uma novela de Camilo Castelo Branco.
Sinopse:
O Retrato de Ricardina  retrata a sociedade portuguesa do século XIX, onde a mulher é discriminada e não possui os mesmos direitos que o homem.
Ricardina Pimentel é filha do Abade de Espinho, Leonardo Botelho de Queirós, que era um homem influente e poderoso, e de Clementina Pimentel.
Ricardina Pimentel apaixona-se por Bernardo Moniz que não possuía a mesma posição social que ela. Mas, estava prometida para casar com seu primo Carlos Pimentel. Por amor a Bernardo luta contra o seu pai e para não casar vai para o convento de Chagas em Lamego acompanhada pela mãe, que morre...
Resumidamente, O Retrato de Ricardina relata os amores de Ricardina Pimentel e de Bernardo Moniz.

Obra típica da criação camiliana, cujo herói é o amor. Retrato de mulher; retrato de uma época. A fidelidade recompensada, a dignidade da espera sem esperança - chaves de um "enovelado" enredo camiliano (como pode ver no vídeo abaixo que conta toda a história como se fosse um "cordel").

quinta-feira, outubro 20, 2016

O Presente

Não deixe de ver o filme de animação que se segue. Este filme foi realizado pelo alemão Jacob Frey em 2014.
Sinopse:
Um rapazinho recebe um presente. Vem dentro de uma caixa. Quando a abre, salta de lá um cãozinho com 3 pernas...
Quer saber o resto da história?
 Então, não deixe de ver este pequeno filme de animação. Vale bem a pena!

quarta-feira, outubro 19, 2016

Sô Santo

Lá vai o sô Santo...
Bengala na mão
Grande corrente de ouro, que sai da lapela
Ao bolso... que não tem um tostão.

Quando sô Santo passa
Gente e mais gente vem à janela:
- "Bom dia, padrinho..."
- "Olá!..."
- "Beçá cumpadre..."
- "Como está?..."
- "Bom-om di-ia sô Saaanto!..."
- "Olá, Povo!..."

Mas por que é saudado em coro?
Porque tem muitos afilhados?
Porque tem corrente de ouro
A enfeitar sua pobreza?...
Não me responde, avó Naxa?

- "Sô Santo teve riqueza...
Dono de musseques e mais musseques...
Padrinho de moleques e mais moleques...
Macho de amantes e mais amantes,
Beça-nganas bonitas
Que cantam pelas rebitas:
"Muari-ngana Santo
 dim-dom
ualó banda ó calaçala
 dim-dom
chaluto mu muzumbo
 dim-dom..."
Sô Santo...

Banquetes p´ra gentes desconhecidas
Noivado da filha durando semanas
Kitoto e batuque pró povo cá fora
Champanha, ngaieta tocando lá dentro...
Garganta cansado:
 "coma e arrebenta
 e o que sobra vai no mar..."

Hum-hum
Mas deixa...
Quando Sô Santo morrer,
Vamos chamar um Kimbanda
Para ngombo nos dizer
Se a sua grande desgraça
Foi desamparo de Sandu
Ou se é já própria da Raça..."

Lá vai...
 descendo a calçada
A mesma calçada que outrora subias
Cigarro apagado
Bengala na mão...

... Se ele é o símbolo da Raça
ou a vingança de Sandu...
Viriato da Cruz

terça-feira, outubro 18, 2016

Blowing In The Wind

Oiça o Prémio Nobel da Literatura deste ano, Bob Dylan, em Blowing In The Wind (ao vivo em março de 1963).
"O mais importante em Dylan é a poesia que há nas suas canções, que transcende a sua própria música" - Martin Scorsese

How many roads must a man walk down
Before you call him a man ?
How many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand ?
Yes, how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned ?
The answer my friend is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.
Yes, how many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea ?
Yes, how many years can some people exist
Before they're allowed to be free ?
Yes, how many times can a man turn his head
Pretending he just doesn't see ?
The answer my friend is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

Yes, how many times must a man look up
Before he can see the sky ?
Yes, how many ears must one man have
Before he can hear people cry ?
Yes, how many deaths will it take till he knows
That too many people have died ?
The answer my friend is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

segunda-feira, outubro 17, 2016

Maputo tem Sul

"Maputo tem Sul", é uma crónica da angolana Aline Frazão, que não deve deixar de ler.
Aqui fica ela para a devida reflexão!

"Viajar dentro do continente é, provavelmente, o que me ensina mais sobre nós hoje em dia. Maputo é, em muitos sentidos, a antítese de Luanda. Não sei se é o Índico, a poesia rasgada de Eduardo White, o som hipnótico das timbilas ou a música por trás dos neologismos de Mia Couto. O céu é o mesmo mas o tempo aqui é outro. Não sei se é a proximidade com o pólo sul que cria um campo magnético capaz de fazer girar mais devagar os ponteiros deste relógio, ou se é mesmo um talento especial para o sossego. Sei que para uma luandense, chegar aqui pela primeira vez é encontrar o delicioso sabor da diferença.

Luanda - Av. dos Combatentes
Maputo tem luz, Luanda tem gerador. Maputo tem água nas torneiras, Luanda tem tanque e electrobomba. Maputo é uma cidade limpa, Luanda não se pode gabar disso. À hora de ponta, o trânsito daqui é o “até está a andar bem” para nós. Maputo é horizontal, Luanda é vertical. Maputo respira, Luanda transpira.

Hoje, terça-feira, é feriado em Moçambique. Celebra-se uma paz que, contraditoriamente, ainda não chegou. Apesar de falarem baixo, apesar da serenidade nos rostos e da amabilidade no trato, não se trata de um povo passivo ou resignado. Ainda ontem houve uma greve dos chapas, os candongueiros daqui, para exigir um ajuste do preço do transporte de acordo com a subida dos combustíveis. Moçambicano não se deixa. Quando me disseram que há mais de uma década que Moçambique tem eleições autárquicas levei as mãos à cabeça em sinal de vergonha. “Como é que nós, em Angola não temos? Será assim tão difícil? Não podemos aprender com os exemplos aqui ao lado?”

Falando em proximidade, no restaurante onde jantei ontem ouvi tocar pelo menos duas vezes o Carlos Burity. Angola, aqui, passa na rádio. Lamentei, em silêncio, que não aconteça o inverso. A música de Moçambique é uma grande desconhecida para nós. E não é falta de talento. De Sukuma a Azagaia, passando por Isabel Novela e Moreira Xonguiça, há para todos os gostos.
Maputo

Precisamos construir nossas pontes. Visitar-nos mais.

Maputo é um daqueles lugares do bom silêncio. Traço fino que vi no rosto de cidades como o Lubango. A precisão, o verde escuro, a temperatura. Até o vento da frente fria, que alonga a linha do “inverno” (nós diríamos cacimbo), nos arrefece com imprevisível doçura. Acho que é coisa de sul mesmo. Ou coisa de alguém com os sentidos tão viciados pelo caos da cidade, que tem o Sul como metáfora de Sossego. O Índico como um apontamento para a Lembrança.

No outro dia ouvi alguém dizer que “cada um tem a cidade que merece” mas não sei se estou de acordo. Se cada um estiver na cidade a que pertence… Como diria o extraordinário poeta Eduardo White, “não é justo um pássaro onde ele não pode voar.”

Luanda - Arredores
Luanda da tensão e dos problemas, dos lamentos e da extensão do riso, Luanda do martelo e dos motores, das sirenes e do “agarra gatuno”, Luanda da poeira, das bichas e das mil besteiras, Luanda da ostentação e do desejo, do ar-condicionado e das sofisticadas fechaduras, da poesia urbana e do gelado de múcua, capital mundial do contorcionismo burocrático, cidade da minha vida, diz-me, quando foi que começamos a ser assim?"
Aline Frazão

domingo, outubro 16, 2016

O Bife à Marrare

O Bife à Marrare,  foi a especialidade que imortalizou um dos mais célebres cafés de Lisboa do século XIX, o Marrare das Sete Portas.

António Marrare, cidadão napolitano, fixou-se em Lisboa no final do século XVIII e foi dono de vários cafés.

O primeiro situava-se junto ao Teatro de S. Carlos, os outros abriram no Cais do Sodré, no Chiado e na Rua dos Sapateiros. Todos foram pontos de reunião da melhor sociedade lisboeta.

Foi no Café da Rua dos Sapateiros, o tal  Marrare das Sete Portas, fundado em 1804, que nasceu o célebre bife, que faz hoje parte do património gastronómico da cidade de Lisboa.

Ingredientes:

1 bife alto do pojadouro (200 g);
80 gr. de manteiga;
3 colheres de sopa de natas;
sal grosso q. b;
pimenta preta em grão q.b;

Confecção:

Numa frigideira de ferro, derrete-se em lume vivo metade da manteiga.
Quando estiver bem quente, introduz-se o bife e deixa-se alourar de um dos lados.
Vira-se o bife sem o picar e aloura-se do outro lado.
(Esta operação, que deve ser relativamente rápida, tem por fim evitar que o suco da carne saia.)
Tempera-se com sal grosso e pimenta moída na altura.
Escorre-se da frigideira a gordura em que o bife fritou (conservando o bife) e junta-se a restante manteiga.
Reduz-se a chama e deixa-se cozer o bife durante uns minutos, agitando a frigideira.
Adicionam-se as natas e deixa-se engrossar o molho, continuando a agitar a frigideira.
Coloca-se o bife num prato aquecido e rega-se com o molho. Serve-se acompanhado com batatas fritas em palitos.

* * * * 

Uma variação do Bife à Marrare é o Bife à Café (outro dos primores da cozinha de Lisboa). Aí o molho é feito com leite em vez de natas e leva um pouco de mostarda e limão. Esta receita não leva café:  a sua designação tem a ver com os locais onde era tradicionalmente servido.

sábado, outubro 15, 2016

O Café Marrare

(...) "Esta baronesa da Corujeira lavava-se em leite, e cada vez estava mais suja, dizia-se no Marrare do Chiado, quando ela andava por ali farejando o Manuel Brown ou o Chico Belas, os leões. (...)
Camilo Castelo Branco - Eusébio Macário.

O Café Marrare foi o mais célebre estabelecimento comercial da Lisboa do Romantismo. Inaugurado em 1820, o Marrare era o mais requintado dos quatro cafés que o napolitano António Marrare, abrira em Lisboa. Um luxo, a decoração de madeira polida reluzente, que o revestia, valeu-lhe o sobrenome de Marrare do Polimento.
Digno herdeiro dos cafés do final de setecentos, como o Nicola ou o Botequim das Parras, o Marrare foi ponto de encontro favorito para a geração de Garrett, tornando-se o centro absoluto da vida social daquele tempo e por onde passaram nomes como Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Passos Manuel, José Estêvão, etc.
Além da sala de bilhar, tinha ainda um pequeno pátio coberto por uma clarabóia envidraçada onde, no Verão, as senhoras podiam comer os melhores gelados da cidade. Polido era também o atendimento: criados de libré serviam excelente café em cafeteiras de prata.
O Marrare tornara-se "o lugar de reunião de todos os elegantes e todos os homens de Lisboa", como escreveu Bulhão Pato.
"Lisboa era o Chiado; o Chiado era o Marrare e o Marrare ditava Leis", escreveu Júlio de Castilho.

Fechado em 1866, o Marrare reviveria em "Os Maias" de Eça de Queirós. No século seguinte, no mesmo número da Rua Garrett, reviveria com o digno sucessor Café Chiado (1925-1963), considerado o mais belo de Lisboa.

sexta-feira, outubro 14, 2016

O Valor das Coisas...




"Não eduques o teu filho para ser rico, educa-o para ser feliz.
Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO".
Max Gehringer

quinta-feira, outubro 13, 2016

Canção à Vida

Orlando Teruz - Pintor brasileiro
A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio...
A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flor
e está cantando
em torno a ti:
Como eu sou bela
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
   
O Sena - Renoir
enquanto o mundo
não poluir
o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí...
como um salso chorando
na beira do rio...
(Como a vida é bela! como a vida é louca!)
Mario Quintana - Esconderijos do Tempo

quarta-feira, outubro 12, 2016

Se Eu Soubesse Quanto Dói A Vida (Naquela Mesa)

Zélia Duncan, Hamilton de Holanda, Nilze Carvalho interpretam "ao vivo" o samba intitulado "Naquele Mesa".
A letra do samba é de Nelson Gonçalves e a composição de Sérgio Bittencourt.

Esta é uma belíssima apresentação que não deve perder, porque este samba parece cantado para cada um de nós!

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã



Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim




Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim


terça-feira, outubro 11, 2016

As Ilhas Faroé

As Ilhas Faroé são um território dependente da Dinamarca, localizado no Atlântico Norte entre a Escócia e a Islândia.
O arquipélago é formado por 18 ilhas maiores e outras menores desabitadas que acolhem, ao todo, 47.000 pessoas numa área de 1.499 km².
Na ilha maior, Streymoy, encontra-se a capital, Tórshavn, com cerca de 16.000 habitantes.
As terras mais próximas são as ilhas mais setentrionais da Escócia (Reino Unido), que ficam a sul-sueste, e a Islândia, situada a noroeste.
Estas ilhas são um território autónomo desde 1948, tendo decidido não aderir à União Europeia.
Gradualmente, têm adquirido cada vez mais, uma maior autonomia e num futuro próximo descortinam a possibilidade de se tornarem independentes da Dinamarca.
Atualmente, como território autónomo da Dinamarca, as Ilhas contam com um Alto Comissário - representante da Rainha da Dinamarca, com um parlamento formado por 32 membros (Lagting) e com um primeiro-ministro, que é o chefe de governo. Se quiser ficar a conhecer melhor este território, não deixe de ver a apresentação e o vídeo que se seguem. Não perca esta oportunidade porque vale mesmo a pena.
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segunda-feira, outubro 10, 2016

Noções de Linguística

Ouço os meus filhos a falar inglês
entre eles. Não os mais pequenos só
mas os maiores também e conversando
com os mais pequenos. Não nasceram cá,
todos cresceram tendo nos ouvidos
o português. Mas em inglês conversam,
não apenas serão americanos: dissolveram-se,
dissolvem-se num mar que não é deles.
Venham falar-me dos mistérios da poesia,
das tradições de uma linguagem, de uma raça,
daquilo que se não diz com menos que a experiência
de um povo e de uma língua. Bestas.
As línguas, que duram séculos e mesmo sobrevivem
esquecidas noutras, morrem todos os dias
na gaguez daqueles que as herdaram:
e são tão imortais que meia dúzia de anos
as suprime da boca dissolvida
ao peso de outra raça, outra cultura.
Tão metafísicas, tão intraduzíveis,
que se derretem assim, não nos altos céus,
mas na caça quotidiana de outras.
Jorge de Sena - Outubro, 1970

domingo, outubro 09, 2016

A Queda Dum Anjo

(...)" - As paixões, minha Srª D. Tomásia... - obtemperou o morgado, e lambeu os beiços molhados da libação de um vinho nervoso daquela garrafeira já mencionada. E prosseguiu! - As paixões do amor... Nem os grandes sábios, nem os grandes santos se isentaram delas. Somos todos de quebradiço barro; somos uns pucarinhos de Estremoz nas mãos infantis das nulheres. O tributo é fatal: quem o não pagou aos vinte anos, há de pagá-lo aos quarenta, e mais tarde quando Deus quer. Deus ou o demónio, que eu não sei ao justo quem fiscaliza estes mal - aventurados sucessos de amor, que a história conta e a humanidade experimenta a cada dia. (..)"
Camilo Castelo Branco - A Queda dum Anjo.

A Queda dum Anjo é o título de um romance satírico de Camilo Castelo Branco, escrito em 1866.
Nele o autor descreve a corrupção de Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, morgado da Agra de Freimas, um fidalgo transmontano camiliano e o anjo do título, quando se desloca da província para Lisboa.
Esta é uma das mais célebres obras literárias escritas por Camilo Castelo Branco, onde descreve de maneira caricatural a vida social e política portuguesa e traz, ainda, um aspecto risível ao tratar, também, do desvirtuamento do Portugal antigo.

Sinopse:
O protagonista, Calisto Elói, um fidalgo transmontano, austero e conservador, é uma espécie de encarnação satírica desse Portugal: eleito deputado, Calisto vai viver para Lisboa, onde se deixa corromper pelo luxo e pelo prazer que imperam na capital, tomando como amante uma prima afastada, Ifigénia, e transitando da oposição miguelista para o partido liberal no governo. Ironicamente, a esposa de Calisto, Teodora, uma aldeã prosaica, imita-o na devassidão: vendo-se desprezada pelo marido, une-se a um primo interesseiro e sucumbe ela própria aos vícios da modernidade.
Este livro faz parte do Plano Nacional de Leitura e é recomendado para a Formação de Adultos como sugestão de leitura.