quinta-feira, janeiro 15, 2015

O Corpo É Que Paga

António Variações
António Variações  (1944 - 1984), foi um cantor e compositor português do início dos anos 1980. A sua curta discografia continuou a influenciar a música portuguesa nas décadas posteriores ao seu precoce desaparecimento, com 39 anos.
Veja este original músico português, na célebre música "O Corpo É Que Paga".
Esta é a edição de um vídeo (Youtube) de João Graça feito a partir da versão original de "O Corpo É Que Paga" que tem música e letra de António Variações.
Quando a cabeça….
Quando a cabeça não tem juizo
Quando te esforças mais do que é preciso
O corpo é que paga
O corpo é que paga
Deixa´ó pagar deixa´ó pagar
Se tu estás a gostar
Quando a cabeça não se liberta
Das frustaçoes inibiçoes toda essa força
Que te aperta o corpo é que sofre
As privaçoes mutilaçoes (lap tap tere ...)

Quando a cabeça está convencida
De que ela é a oitava maravilha
O corpo é que sofre
O corpro é que sofre
Deixa´ó sofrer deixa´ó sofre
Se isso te dá prazer

Quando a cabeça está nessa confusão
Já sem saber que hás-de fazer, e já és tudo o que te vem à mão
O corpo é que fica
Fica a cair sem resistir (lap tap tere ...)

Quando a cabeça rola pro abismo
Tu não controlas esse nervosismo
A unha é que paga
A unha é que paga
Não paras de roer
Nem que esteja a doer

Quando a cabeça não tem juizo
E tu não sabes mais do que é preciso
O corpo é que paga
O corpo é que paga
Deixa´ó pagar deixa´ó pagar
Se tu estás a gostar
Deixa´ó sofrer deixa´ó sofrer
Se isso te dá prazer
Deixa´ó cantar deixa´ó cantar
Se tu estás a gostar
Deixa´ó beijar deixa´ó beijar
Se tu estás a gostar
Deixa´ó gritar deixa´ó gritar
Se tu estás a libertar

quarta-feira, janeiro 14, 2015

O Carimbó

O Carimbó é uma das mais tradicionais expressões culturais da região amazónica.
O Carimbó é uma dança de roda, característica do litoral do Pará,  mas que se espalhou também pela região nordeste, do Brasil.
O carimbó é considerado um género de dança de origem indígena, porém, como diversas outras manifestações culturais brasileiras, miscigenou-se, recebendo outras influências, principalmente a negra.
O nome carimbó ou "curimbó" também se aplica ao tambor utilizado neste estilo de dança. O carimbó é, assim, um ritmo famoso pela batida do seu tambor, pelos instrumentos de cordas como o banjo e também por chocalhos.
Esta dança expressa-se pelos passos característicos dos casais de dançarinos, que usam um figurino que chama atenção pelas saias rodadas das mulheres, que têm sempre estampados vibrantes.
Maranhãozinho, no município de Marapanim e Araquaim, em Curuçá, são dois dos locais que reivindicam hoje a paternidade deste género de dança, sendo o primeiro o mais provável deles.
Em Marapanim, na região do Salgado, nordeste paraense, o género é bastante cultivado, acontecendo anualmente o "Festival de Carimbó de Marapanim — O Canto Mágico da Amazónia".
O carimbó expressa, portanto, a força da identidade e da cultura do povo da Amazónia. Pode conferir a expressividade desta dança vendo o vídeo que se segue. Não perca! 

terça-feira, janeiro 13, 2015

Tiébélé

O Burkina Faso é um dos  países mais pobres de África, sendo no entanto, um país muito rico culturalmente.
No sul do Burkina Faso, na África Ocidental, uma aldeia chama a atenção, pelas magníficas decorações murais das suas habitações.
A aldeia chama-se Tiébélé (17 500 habitantes), localiza-se próximo da fronteira com o Gana e faz parte do território dos Kassena (Gourounsi), uma das mais antigas etnias, que ali se instalou há muitos anos.
A espantosa arquitectura tradicional Gourounsi e as paredes decoradas das casas fortificadas da região de Tiébélé, transformaram o  local num pólo de atracção turística.
Já agora saiba que a arquitectura  Gourounsi, conhecida pela beleza funcional das suas linhas, foi motivo de inspiração para o vanguardista arquitecto suíço, Le Corbusier.
Estas pinturas murais, a preto e branco, são realizadas pelas mulheres que se socorrem de pigmentos naturais para pintar as paredes, em adobe, das suas habitações, utilizando como elementos gráficos, símbolos tradicionais, dando origem a belos e abstractos frescos.
O resultado é absolutamente magnífico!
Ora veja.  

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Please Forgive Me

Oiça Bryan Adams em "Please Forgive Me" (1993). A letra desta música foi escrita por  Bryan Adams e Robert Lange.
Bryan  Adams (1959), é um cantor, compositor e fotógrafo canadiano.
Bryan é filho de pais britânicos e aoscatorze anos mudou-se para Vancouver, no Canadá  ondecomeçou a participar de audições como guitarrista.
Bryan Adams passou parte da sua infância e adolescência em Portugal devido à profissão do  pai que era embaixador.
Viveu em Birre, perto de Cascais, a cerca de 25 km de Lisboa, o que fez com que aprendesse um pouco de português e mantivesse uma ligação ao nosso país que perdura até hoje.
It still feels like our first night together
Feels like the first kiss
It's getting better baby
No one can better this
Still holding on
You're still the one
First time our eyes met
Same feeling I get
Only feels much stronger
I want to love you longer
Do you still turn the fire on?

So if you're feeling lonely, don't
You're the only one I'll ever want
I only want to make it good
So if I love you, a little more than I should

Please forgive me, I know not what I do
Please forgive me, I can't stop loving you
Don't deny me, this pain I'm going through
Please forgive me, if I need you like I do
Please believe me, every word I say is true
Please forgive me, I can't stop loving you

Still feels like our best times are together
Feels like the first touch
We're still getting closer baby
Can't get closer enough
Still holding on
You're still number one
I remember the smell of your skin
I remember everything
I remember all your moves
I remember you yeah
I remember the nights, you know I still do

So if you're feeling lonely, don't
You're the only one I'll ever want
I only want to make it good
So if I love you a little more than I should

Please forgive me, I know not what I do
Please forgive me, I can't stop loving you
Don't deny me, this pain I'm going through
Please forgive me, if I need you like I do
Please believe me, every word I say is true
Please forgive me, I can't stop loving you

The one thing I'm sure of
Is the way we make love
The one thing I depend on
Is for us to stay strong
With every word and every breath I'm praying
That's why I'm saying,

Please forgive me, I know not what I do
Please forgive me, I can't stop loving you
Don't deny me, this pain I'm going through
Please forgive me, if I need you like I do
Babe believe it, every word I say is true
Please forgive me, if I can't stop loving you
No, believe me, I don't know what I do
Please forgive me, I can't stop loving you

I can't stop, loving you

domingo, janeiro 11, 2015

Via Láctea

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
Olavo Bilac

sábado, janeiro 10, 2015

Pintura Em Movimento

Surpreendente, surpreendente mesmo, é este site de Pintura em Movimento.  É simplesmente espantoso.
A pintura capta o movimento e fixa-o. O autor deste trabalho faz o inverso, dá movimento às grandes obras de arte. Veja as obras de Rubens, Caravaggio,Tiziano e Rembrandt em movimento!
É fantástico ver-se o poder expressivo do movimento que a tecnologia permite proporcionar à pintura. Um gesto discreto, uma carícia, um movimento subtil, dão uma nova dimensão à beleza que, habitualmente, apreciamos na quietude de uma pintura.
Abra o site aqui (e veja com o ecrã no máximo). É simplesmente maravilhoso! Não perca!

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Na idade dos porquês

Professor diz-me    porquê?
Por que voa o papagaio
que solto no ar
que vejo voar
tão alto no vento
que o meu pensamento
não pode alcançar?

Professor diz-me    porquê?
Por que roda o meu pião?
Ele não tem nenhuma roda
E roda    gira    rodopia
e cai morto no chão...

Tenho nove anos    professor
e há tanto  mistério à minha roda
que eu queria desvendar!
Por que é que o céu é azul?
Por que é que marulha o mar?
Porquê?
Tanto porquê que eu queria saber!
E tu que não me queres responder!

Tu falas falas    professor
daquilo que te interessa
e que a mim não interessa.
Tu obrigas-me a ouvir
quando eu quero falar.
Obrigas-me a dizer
quando eu quero escutar.
Se eu vou a descobrir
Fazes-me decorar.

É a luta    professor
a luta em vez de amor.

Eu sou uma criança.
Tu és mais alto
mais forte
mais poderoso.
E a minha lança
quebra-se de encontro à tua muralha.
Mas
enquanto a tua voz zangada ralha
tu sabes    professor
eu fecho-me por dentro
faço uma cara resignada
e finjo
finjo que não penso em nada.

Mas penso.
Penso em como era engraçada
aquela rã
que esta manhã ouvi coaxar.
Que graça que tinha
aquela andorinha
que ontem à tarde vi passar!...

E quando tu depois vens definir
o que são conjunções
e preposições...
quando me fazes repetir
que os corações
têm duas aurículas e dois ventrículos
e tantas
tanta mais definições...
o meu coração
o meu coração que não sei como é feito
nem quero saber
cresce
cresce dentro do peito
a querer saltar cá para fora
professor
a ver se tu assim compreenderias
e me farias
mais belos os dias.
Alice Gomes (1946) 

quinta-feira, janeiro 08, 2015

A Majestade O Sabiá

Oiça as cantoras brasileiras Paula Fernandes e Roberta Miranda em "A Majestade O Sabiá".
Meus pensamentos tomam formas
Eu viajo, vou pra onde Deus quiser
Um vídeo-tape que dentro de mim retrata
Todo o meu inconsciente de maneira natural

Ah!
Tô indo agora prum lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa pra deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá
A Majestade, o sabiá

Tô indo agora tomar banho de cascata
Quero adentrar nas matas
Onde Oxossi é o Deus
Aqui eu vejo plantas lindas e cheirosas
Todas me dando passagem
Perfumando o corpo meu

Ah!
Tô indo agora prum lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa pra deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá
A majestade, o sabiá

Esta viagem dentro de mim foi tão linda
Vou voltar à realidade
Pra este mundo de Deus
É que o meu eu, este tão desconhecido
Jamais serei traído
Este mundo sou eu

Ah!
Tô indo agora prum lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa pra deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá
A majestade, o sabiá

Ah!
Tô indo agora prum lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa pra deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá
A majestade, o sabiá   

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Je Suis Charlie


Odemira, Alentejo Singular

"Odemira, Alentejo Singular" é um filme promocional do concelho de Odemira, no Alentejo (Portugal).
Este filme foi considerado o melhor filme português e o melhor filme de destino turístico, no Festival ART&TUR - Festival Internacional de Cinema Turístico, que decorreu na cidade do Porto.
Este festival é um dos mais prestigiados certames a nível mundial no circuito do cinema turístico. Na 7ª edição participaram 16 filmes de 37 países, distribuídos pelas categorias de documentários, reportagens de TV, filmes promocionais e publicitários. O Júri Internacional do Festival ART&TUR incluiu elementos de 10 países de três continentes, desde jornalistas, professores universitários, empresários, dirigentes associativos e especialistas em marketing, cinema e televisão. O festival contou com o Alto Patrocínio da Presidência da República.
"Odemira, Alentejo singular"  mostra as qualidades ambientais, culturais e económicas deste concelho, através das atividades que ali se desenvolvem e das suas singularidades. Mostra um concelho a descobrir, cheio de recantos e paisagens inesperadas, de rio, mar, serra e planície, património e cultura, sensações, alma e amor. Através das aventuras de um fotógrafo, Odemira releva-se muito além do sol e praia.
A realização, a fotografia e a edição do filme são da responsabilidade de Eduardo de Sousa, os textos são de Mário Lino e Eduardo de Sousa e a locução de Ian Velosa. A música original é de Tó Viegas e Viviane.
Se ainda tem uns dias de férias aproveite a oportunidade e vá passá-los em Odemira.
Para programar a sua viagem inspire-se no vídeo que se segue. Não perca esta oportunidade!

terça-feira, janeiro 06, 2015

Em dia de Reis, o Rei dos Bolos

O Bolo Rei é um bolo típico português que se come tradicionalmente entre o Natal e o Dia de Reis (o nome alude aos três reis magos).
Tem a forma de coroa (é redondo, com um grande buraco no centro), e é feito de uma massa levedada branca e fofa onde se misturam passas, frutos secos e frutas cristalizadas. Tradicionalmente, no interior do bolo encontravam-se também uma fava seca e um pequeno brinde, normalmente feito de metal. A fava dava a quem a recebesse numa fatia o direito de pagar o próximo bolo rei, e o brinde dava sorte a quem o encontrasse.
A origem do bolo rei remonta, ao que se sabe, ao tempo dos romanos. Estes tinham por hábito eleger o rei da festa durante os banquetes festivos, o que era feito tirando à sorte com favas, pelo que era também designado por vezes de rei da fava. A Igreja Católica aproveitou o facto de aquele jogo ser característico do mês de Dezembro e decidiu relacioná-lo com a Natividade e com a Epifania, ou seja, com os dias 25 de Dezembro e 6 de Janeiro. A influência da Igreja na Idade Média determinou que esta última data fosse designada por Dia de Reis e simbolizada por uma fava introduzida num bolo, cuja receita se desconhece atualmente.
O Bolo Rei atual terá surgido na corte de Luis XIV, em França, para as festas do Ano Novo e do Dia de Reis. Vários escritores da época escreveram sobre esta iguaria. Greuze celebrou-o  num famoso quadro com o nome de Gâteau des Rois. Com a Revolução Francesa em 1789 o bolo rei foi proibido, só que os pasteleiros, que não quiseram perder o negócio, em vez de o eliminarem decidiram continuar a confeccioná-lo mudando-lhe o nome para Gâteau des Sans-cullotes.
O Bolo Rei popularizado em Portugal no século passado segue uma receita originária do sul de Loire, um bolo em forma de coroa feito de massa lêveda. Tanto quanto se sabe, a primeira casa onde se vendeu bolo rei em Portugal foi a Confeitaria Nacional, em Lisboa, por volta de 1870. O responsável foi o afamado confeiteiro Gregório, que se baseou numa receita que Baltazar Castanheiro Júnior trouxera de Paris. Aos poucos, outras confeitarias da cidade passaram também a fabricar o bolo rei, originando assim várias versões diferentes. No Porto, o Bolo Rei foi introduzido em 1890, por iniciativa da Confeitaria Cascais, segundo uma receita que o proprietário, Francisco Júlio Cascais, trouxera de Paris.
Com a proclamação da república, em 5 de Outubro de 1910, a existência do Bolo Rei ficou em risco por causa do nome conter a palavra "Rei". De acordo com a lógica vigente, deixando este símbolo (o rei) de existir na hierarquia nacional, também o bolo tinha que desaparecer. Os confeiteiros, partindo mais uma vez do princípio de que negócio é negócio e política é política, continuaram a fabricar o bolo sob outra designação. Os menos imaginativos deram-lhe o nome de "ex-bolo rei", mas a maioria chamou-lhe "Bolo de Natal" ou "Bolo de Ano Novo". Não contentes com nenhuma destas designações, alguns republicanos passaram a chamar-lhe "Bolo Presidente", ou mesmo "Bolo Arriaga".
Passada esta fase da política portuguesa o bolo voltou a readquirir o antigo nome, Bolo Rei, e nos dias de hoje não há nesta quadra natalícia, nenhuma casa portuguesa onde não exista um Bolo Rei.
E aqui lhe deixo, uma das muitas receitas de Bolo Rei que existem em Portugal:
Ingredientes:
750 g de farinha ;
30 g de fermento de padeiro ;
150 g de manteiga ou de margarina ;
150 g de açúcar ;
150 g de frutas cristalizadas ;
150 g de frutas secas (pinhões, nozes, passas, etc.) ;
4 ovos ;
1 limão ;
1 laranja ;
1 dl de vinho do Porto ;
1 colher de sobremesa (rasa) de sal grosso
Preparação:
Picam-se as frutas cristalizadas e põem-se a macerar com o vinho do Porto juntamente com as frutas secas.
Dissolve-se o fermento em 1 dl de água tépida e junta-se a uma chávena de farinha (tirada do peso total). Mistura-se e deixa-se levedar em ambiente morno durante cerca de 15 minutos.
Entretanto, bate-se a gordura escolhida, o açúcar e a raspa das cascas do limão e da laranja. Juntam-se os ovos, um a um, batendo entre cada adição, e depois a massa de fermento. Quando tudo estiver bem ligado, adiciona-se a restante farinha peneirada com o sal. Amassa-se ou bate-se a massa muito bem. Esta massa deve ficar macia e elástica. Se estiver muito rija, junta-se um pouco de leite tépido. Misturam-se as frutas maceradas no vinho do Porto. Volta a amassar-se e molda-se em bola. Polvilha-se a massa com um pouco de farinha, tapa-se com um pano e envolve-se a tigela num cobertor. Deixa-se levedar em ambiente morno durante cerca de 5 horas.
Quando a massa estiver bem levedada - em princípio deve dobrar de volume -, mexe-se e molda-se novamente em bola (ou em várias bolas) e já sobre um tabuleiro untado faz-se-lhe um buraco no meio. Introduz-se a fava e o brinde, este embrulhado em papel vegetal. Deixa-se levedar durante mais 1 hora.
Pincela-se o bolo com gema de ovo e enfeita-se com frutas cristalizadas inteiras, torrões de açúcar, pinhões inteiros, meias nozes, etc.
Leva-se a cozer em forno bem quente.
Depois de cozido, pincela-se o bolo-rei com geleia diluída num pouco de água quente.

segunda-feira, janeiro 05, 2015

Lembrança de Um Beijo

Oiça o cantor brasileiro, Fagner, em "Lembrança de Um Beijo".

Quando a saudade invade o coração da gente
Pega a veia onde corria um grande amor
Não tem conversa nem cachaça que de jeito
Nem um amigo do peito que segure o chororô

Que segure o chororô
Que segure o chororô

Saudade já tem nome de mulher
Só pra fazer do homem o que bem quer
Saudade já tem nome de mulher
Só pra fazer do homem o que bem quer

O cabra pode ser valente
E chorar
Ter meio mundo de dinheiro
E chorar
Ser forte que nem sertanejo
E chorar
Só na lembrança de um beijo
E chorar
Fagner

domingo, janeiro 04, 2015

País de mim

Aqui fica uma pequena homenagem ao escritor e poeta moçambicano Eduardo White (que viveu temporariamente no bairro da Ameixoeira em Lisboa), que faleceu em Agosto de 2014.
Eduardo White (50 anos de idade), tinha acabado de publicar o livro "Bom dia, dia".  A sua carreira literária tinha começado em 1984 com o livro "Amar sobre o Índico".
Eduardo White era filho de mãe portuguesa e pai inglês e foi distinguido ao longo do seu percurso, com vários prémios literários.
Se não conhece este poeta moçambicano fique com o poema, "País de mim".
O peso da vida!
Gostava de senti-lo à tua maneira
e ouvi-la crescer dentro de mim,
em carne viva,

não queria somente
rasgar-te a ferida,
não queria apenas esta vocação paciente
do lavrador,
mas, também, a da terra
e que é a tua


Assume o amor como um ofício
onde tens que te esmerar,

repete-o até à perfeição,
repete-o quantas vezes for preciso
até dentro dele tudo durar
e ter sentido

Deixa nele crescer o sol
até tarde,
deixa-o ser a asa da imaginação,
a casa da concórdia,

só nunca deixes que sobre
para não ser memória.
Eduardo White

sábado, janeiro 03, 2015

Downton Abbey

Downton Abbey é uma série de televisão britânica produzida pela companhia Carnival Films para o canal ITV.
A acção passa-se numa propriedade (na sua maior parte) fictícia, localizada em Yorkshire, chamada Downton Abbey. Narra a história dos Crawley, uma família aristocrática inglesa, e dos seus criados, no início do século XX, a partir de 1912.
Esta série foi criada por Julian Fellowes, e estreou em 2010. A recepção à série tem sido positiva e a audiência é alta. Tornou-se a série de época britânica de maior sucesso desde Brideshead Revisited, de 1981.
O que lhe proponho hoje é que assista aos dois vídeos abaixo,  que são inspirados em Downton Abbey e que contam até com a participação especial de George Clooney. Uma verdadeira pérola do humor inglês para o Natal, feito com fins caritativos.
Não perca! Vale bem a pena! E agora a parte II.

sexta-feira, janeiro 02, 2015

O Espírito de Partilha do Natal

Veja dois dos primeiros anúncios de Natal deste ano.
No primeiro,  John Lewis conta a história de um rapazinho, o Sam, e o do seu melhor amigo o pinguim Monty. É uma história de amizade, de amor e de partilha.
Ora veja, porque vale bem a pena!
O segundo é o anúcio de Natal da Sainsbury. Foi feito em parceria com a Royal British Legion.
A história deste anúcio é inspirada em factos verídicos que ocorreram  há 100 anos, durante a Primeira Guerra Mundial, e teve como principal objectivo reforçar o espírito de partilha desta quadra natalícia.
Ora veja!

quinta-feira, janeiro 01, 2015

Feliz Ano Novo



Feliz Ano Novo
Glückliches Neues Jahr
Nytar
Feliz Año Nuevo
Felicigan Novan Jaron
Heureuse Nouvelle Année
Feliz Aninovo
Shaná Tová
Happy New Year
Felice Nuovo Anno
Akemashite Omedetou Gozaimasu

quarta-feira, dezembro 31, 2014

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, dezembro 30, 2014

S. Sivestre

Nesta altura do ano ouvimos falar muito, graças ao desporto, das corridas de S. Silvestre. Mas, quem é que foi o S. Silvestre?
São Silvestre I, foi Papa entre 31 de Janeiro de 314 até 31 de dezembro de 335, durante o reinado do imperador romano Constantino I, que determinou o fim da perseguição aos cristãos.
Silvestre I foi um dos primeiros santos canonizados sem ter sofrido o martírio. Nascido em data desconhecida de um romano de nome Rufino, segundo o Liber pontificalis, e de Justa, de acordo com o Vita beati Sylvestri, morreu em 31 de dezembro de 335.  Daí que a sua festa ocorra em 31 de Dezembro.
Depois da morte de Melquíades, São Silvestre foi nomeado Bispo de Roma, ocupando este cargo durante 21 anos. Como Papa, não existe grande informação sobre o seu pontificado apesar de esta ser a época de Constantino, o Grande, em que a igreja sofreu uma notável evolução.
A maior parte das lendas sobre a sua vida foram compiladas no Vita beati Sylvestri que surgiu no Oriente e foi preservada em grego, siríaco e latim no Constitutum Sylvestri, um relato apócrifo de um concílio e no Donatio Constantini. Estas narrativas não passam, contudo, de lendas.
Foram construídas grandes igrejas em Roma durante o pontificado de São Silvestre, tais como a Basílica e o Batistério de Latrão, junto ao primeiro palácio imperial onde o Papa vivia, a Basílica do Palácio Sessoriano (Santa Croce in Gerusalenne), a igreja primitiva de São Pedro no Vaticano e várias igrejas e cemitérios sobre os túmulos de mártires. Foram também construídas durante o seu pontificado, a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém e as igrejas dos Santos Apóstolos em Constantinopla.
A figura de São Silvestre está especialmente ligada à Igreja de Equitius, um presbítero romano, situada perto das termas de Diocleciano. Responsável pela existência da escola romana de canto, São Silvestre contribuiu ainda para o desenvolvimento da liturgia da Igreja, tendo o primeiro martirológio sido concebido durante o seu pontificado. O túmulo de São Silvestre situa-se na igreja por ele mandada construir, no cemitério da Catacumba de Priscila, na Via Salaria.

segunda-feira, dezembro 29, 2014

Estudando (e não só...)

"ESTUDANDO" é mais uma paródia ao "Bailando" do Enrique Iglesias.
Esta megaprodução foi, desta feita, realizada pelos alunos finalistas do curso de Medicina de 2009-2015 , da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Veja este vídeo porque vale mesmo a pena.
Já agora fique a saber que no dia 5 de Novembro o Campo Pequeno se encheu de  gente, para assistir à Noite da Medicina 2014.
Este espectáculo foi também organizado pelos alunos finalistas do curso 09-15 de Medicina, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Não perca, também, o vídeo que se segue e que retrata, de acordo com os alunos, os "6 Years of Happiness". Se quiser saber mais acerca destes finalistas basta clicar aqui.

domingo, dezembro 28, 2014

"Comendo"

Veja o vídeo que se tornou viral na net.
Em baixo, poderá ver no "ar", a paródia musical que promove a XXIV Feira do Fumeiro e Presunto do Barroso, de 2015.
Montalegre volta, a adaptar o sucesso musical do ano e a criar uma espécie de "hino" aos manjares da terra.
Ao todo, fizeram parte desta mega produção, mais de 100 pessoas. Este evento chama-se
"Comendo" e conta com a participação especial do Ti Henrique Capelas (uma paródia ao "Bailando" do Enrique Iglesias)
A Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso ocorrerá de 22 a 25 de Janeiro, em Montalegre. Aproveite e visite-a, para conhecer não só a  Feira, mas também as Terras do Barroso.

sábado, dezembro 27, 2014

Up Where We Belong

Joe Cocker  (1944 - 2014) foi um cantor britânico de rock, influenciado pela soul music no início da carreira e falecido recentemente.
No vídeo abaixo interpreta ao vivo "Up Where We Belong", que é o tema principal do filme americano "An Officer and a Gentleman" (Oficial e Cavalheiro), de 1982. Esta canção foi a vencedora do Oscar daquele ano.
Joe começou a sua carreira musical aos quinze anos de idade, no entanto, o seu primeiro grande sucesso foi a antológica canção "With a Little Help from My Friends", uma versão da música dos Beatles gravada com o guitarrista Jimmy Page. No mesmo ano apareceu no Festival de Woodstock, com um show que o consagradou definitivamente.
De Joe Coker há a destacar músicas como "She Came Through the Bathroom Window" (outra versão de uma música dos Beatles), "Cry Me a River", "Feelin Alright" e "The Letter" dos Box Tops. Nos anos 90 destacou-se com as canções "Up Where We Belong", "You Are So Beautiful", "When The Night Comes" e "Unchain My Heart". Oiça-o, então, a cantar "Up Where We Belong".

sexta-feira, dezembro 26, 2014

Ladainha dos Póstumos Natais

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito
David Mourão-Ferreira, in «Cancioneiro de Natal»

quinta-feira, dezembro 25, 2014

A PALAVRA MAIS BELA

Fui ver ao dicionário dos sinónimos
A palavra mais bela e sem igual,
Perfeita como a nave dos Jerónimos...
E o dicionário disse-me: NATAL.

Perguntei aos poetas que releio:
Gabriela, Régio, Goethe, Poe, Quental,
Lorca, Olegário... E a resposta veio:
Christmas... Natividad... Noel... NATAL.

Interroguei o firmamento todo!
Cobra, formiga, pássaro, chacal!
O aço em chispa, o pipe-line, o lodo!
E a voz das coisas respondeu: NATAL!

Pedi ao vento e trouxe-me, dispersos,
- Riscos de luz, fragmentos de papel-
Cânticos, sinos, lágrimas e versos:
Um N, um A, um T, um A, um L...

Perguntei a mim próprio e fiquei mudo:
Qual a mais bela das palavras, qual?
Para quê perguntar se tudo, tudo,
Diz NATAL, diz NATAL e diz NATAL?!
Adolfo Simões Müller

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Natal, e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão-Ferreira

NATAL

Menino Jesus feliz
Que não cresceste
Nestes oitenta anos!
Que não tiveste
Os desenganos
Que eu tive
De ser homem,
E continuas criança
Nos meus versos
De saudade
Do presépio
Em que também nasci,
E onde me vejo sempre igual a ti
Miguel Torga - (1988)

terça-feira, dezembro 23, 2014

Natal Africano

Não há pinheiros nem há neve,
Nada do que é convencional,
Nada daquilo que se escreve
Ou que se diz... Mas é Natal.
Que ar abafado! A chuva banha
A terra, morna e vertical.
Plantas da flora mais estranha,
Aves da fauna tropical.
Nem luz, nem cores, nem lembranças
Da hora única e imortal.
Somente o riso das crianças
Que em toda a parte é sempre igual.
Não há pastores nem ovelhas,
Nada do que é tradicional.
As orações, porém, são velhas
E a noite é Noite de Natal.
Cabral do Nascimento

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Loa

É nesta mesma lareira,
E aquecido ao mesmo lume,
Que confesso a minha inveja
De mortal
Sem remissão
Por esse dom natural,
Ou divina condição,
De renascer cada ano,
Nu, inocente e humano
Como a fé te imaginou,
Menino Jesus igual
Ao do Natal
Que passou.
Miguel Torga - LOA (1969) 

domingo, dezembro 21, 2014

Conversa Informal com o Menino

Menino, peço-te a graça
de não fazer mais poema
de Natal.
Uns dois ou três, inda passa...
Industrializar o tema,
eis o mal.

Como posso, pergunto o ano
inteiro, viver sem Cristo
(por sinal,
na santa paz do gusano)
e agora embalar-te: isto
é Natal?

Os outros fazem? Paciência,
todos precisam de vale...
Afinal,
em sua reta inocência,
diz-me o burro que me cale,
natural.

E o boi me segreda: Acaso
careço de alexandrino
ou jornal
para celebrar o caso
humano quanto divino,
hem, jogral?

Perdoa, Infante, a vaidade,
a fraqueza, o mau costume
tão geral:
fazer da Natividade
um pretexto, não um lume
celestial.

Por isso andou bem o velho
do Cosme Velho, indagando,
marginal,
no seu soneto-cimélio,
o que mudou, como, quando,
no Natal.

Mudei, piorei? Reconheço
que não penetro o mistério
sem igual.
Não sei, Natal, o teu preço,
e te contemplo, cimério,
a-pascal.

Vou de novo para a escola,
vou, pequenino, anular-me,
grão de sal
que se adoça ao som da viola,
a ver se desperto um carme
bem natal.

Não será canto rimado,
verso concretista, branco
ou labial;
antes mudo, leve, agrado
de vento em flor no barranco,
diagonal.

Não venho à tua lapinha
pedir lua, amor ou prenda
material.
Nem trago qualquer coisinha
de ouro subtraído à renda
nacional.

Nossa conversa, Menino,
será toda silenciosa,
informal.
Não se toca no destino
e em duros temas de prosa
lacrimal.

Não vou queixar-me da vida
ou falar (mal) do governo
brasilial.
Nem cicatrizar ferida
resultante do meu ser-no-
mundo atual.

Deixa-me estar longamente
junto ao berço, num enleio
colegial.
(Àquele que é menos crente,
um anjo leva a passeio:
é Natal.)

Prosterno-me, e teu sorriso
sugere, menino astuto
e cordial:
Careço de ter mais siso
e vislumbrar o Absoluto
neste umbral.

Sim, pouco enxergo. Releva
ao que lhe falta a poesia,
e por al.
Gravura em branco, na treva:
a treva se aclara em dia
de Natal.
Carlos Drummond de Andrade

sábado, dezembro 20, 2014

Música de Natal Original

A propósito da quadra natalícia que se avizinha, veja o vídeo que se segue, que tem uma proposta de música no mínimo original, senão mesmo alternativa.
É a Música de Natal de 2014 da Rádio Comercial!
Inclui a história do nascimento do menino, o sorriso inesquecível de uma menina e a Taylor Swift da Moita.
A letra é do Vasco Palmeirim & Nuno Markl com Nuno Gonçalo. A música é de Taylor Swift "Shake It Off" e a sonoplastia do Nuno Gonçalo.

sexta-feira, dezembro 19, 2014

A maturidade

Aecio Sarti 



"A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura."
Lya Luft