sábado, outubro 08, 2011

Memórias de uma aula no Liceu de Setúbal

Há professores e há aulas que nos marcaram ou marcam. Esta aula teria celebrado dia 4 de outubro mais um aniversário. Este professor diferente, deixou uma marca em Portugal, na Galiza, nos países lusófonos, enfim... no Mundo. Aqui ficam as "Memórias de uma aula no Liceu de Setúbal".

"Barreiro, 4 de Outubro de 1967 - (Quarta-feira)"

Segundo dia de aulas. Continua o desassossego, com o pessoal a trocar beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram 3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no
1º andar e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser mais do que velho. Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º 34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é o lugar dos mais altos.
Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal, dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política. Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e contente porque dizem que e
le é um fadista afamado. Tenho realmente uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inêscontou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza. Quando entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:
- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também não vos vou chatear.

Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que
já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto, rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em
silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala, impecavelmente limpas.
Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer
professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se, efectivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia. Depois, veio o mais surpreendente:
- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo dizer-vos qu
e não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu. Gargalhada geral.
- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em palhaçadas. Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele ficou impávido e ser
eno. Continuava a mostrar um semblante discreto, calmo, simpático.
- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem´interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.
Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha passado pela frente um professor com tamanha ousadia.
- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse, como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que nos governa é uma ditadura desumana e cruel.
Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o sorriso e estavam
agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente
como uma nuvem de fumo branco, que se sente mas não se apalpa.
- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria. Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque, no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês têm que fazer. Estudar. Para serem homens e mulheres cultos para poderem combater, cada um onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que lutar por um novo país. Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha, basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida, mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão, educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei. Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país, carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e cultural.
Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem
os vossos mais altos
objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas. Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar
princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam? Bem, por hoje é tudo, podem sair.
Vemo-nos na próxima aula.

Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que fenómeno é este que aterrou em Setúbal? Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de Organização Política, chama-se Zeca Afonso".
Hélida Carvalho Santos

sexta-feira, outubro 07, 2011

HISTÓRIAS DE MARINHEIROS

Há dias de inverno sem neve em que o mar é parente
de zonas montanhosas, encolhido sob plumagem cinza,
azul só por um minuto, longas horas com ondas quais pálidos
linces, buscando em vão sustento nas pedras de à beira-mar.

Em dias como estes saem do mar restos de naufrágios em busca
de seus proprietários, sentados no bulício da cidade, e afogadas
tripulações vêm a terra, mais ténues que fumo de cachimbo.

(No Norte andam os verdadeiros linces, com garras afiadas
e olhos sonhadores. No Norte, onde o dia
vive numa mina, de dia e de noite.

Ali, onde o único sobrevivente pode estar
junto ao forno da Aurora Boreal escutando
a música dos mortos de frio).
1954 - Thomas Tranströmer - Prémio Nobel da Literatura 2011

quinta-feira, outubro 06, 2011

A Crise e o Humor


"Portugal 2011, Ano Nacional da Crise" é um projecto de dois criativos (um designer e um redator) que decidiram criar produtos que nos levassem a sorrir com a crise. O projecto envolve produtos como cartões de visita, cartazes, sacos para compras, gravatas, etc.
O humor não paga as contas, mas, ajuda-nos a superar este quotidiano cinzentão.
Ouça e veja agora os objectivos destes amigos: João Madeira e Paulo Freitas.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Dois Poetas da República

Guerra Junqueiro e Antero de Quental foram dois dos poetas que representam a poesia com orientação política republicana.
Antero Quental (Ponta Delgada, 1842 — 1891) foi um escritor e poeta de Portugal que teve um papel importante no movimento da Geração de 70.
Guerra Junqueiro (Freixo de Espada à Cinta,1850 — Lisboa, 1923) foi bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta. Foi o poeta mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada "Escola Nova". Poeta panfletário, a sua poesia ajudou criar o ambiente revolucionário que conduziu à implantação da República (em 5 de outubro de 1910).“ O fim duma nação é derramar justiça, divulgar virtude, criar formosura,
produzir ciência
." ( Discurso de Guerra Junqueiro)O que há de mais baixo no homem, a imbecilidade, a cobiça – gula de porco, veneno de réptil, cinismo de macaco, rancor de fera – eis o governo da nação, eis o guia do povo, eis a norma da pátria”. (Ibid.)
Quem sobre a terra portuguesa defender a justiça, pugnar pelo direito ou batalhar pela verdade, granjeia em premeia a calúnia, o cárcere, o desterro, a miséria e a morte”. (Ibid.)
Foram poucos mas marcaram uma época. Estes poetas pretendiam através dos seus versos lutar por uma causa e ajudar uma mudança político-social que vinha florescendo em Portugal. É um erro, contudo, pensar que todos os poetas que viveram o acontecimento lutaram por ele nos seus escritos.
O projecto de leitura de poesia em língua portuguesa “Jograis do Atlântico”, formado por Francisco Félix Machado e Edite Gil preparou, no âmbito do centenário da Primeira República, uma selecção de textos que divulgou durante aquelas comemorações . Aqui lhes deixo dois vídeos alusivos a este facto e a estes poetas.


terça-feira, outubro 04, 2011

Dados biográficos

Mas que dizer do poeta
Numa prova escolar?
Que ele é meio pateta
E não sabe rimar ?
Que veio de Itabira,
Terra longe e ferrosa ?
E que seu verso vira,
De vez em quando, prosa ?
Que é magro, calvo, sério
(na aparência ) e calado,
com algo de minério
não de todo britado?
Que encontrou no caminho
Uma pedra e, estacando,
Muito riso escarninho
O foi logo cercando?
Que apesar dos pesares
Conserva o bom-humor
Caça nuvens nos ares,
Crê no bem e no amor ?

Mas que dizer do poeta
Numa prova escolar
Em linguagem discreta
Que lhe saiba agradar? (1)
Carlos Drummond de Andrade - (1) Viola de bolso II

segunda-feira, outubro 03, 2011

"Lua nha Testemunha"

Fique com Nuno Guerreiro e Nancy Vieira em "Lua nha testemunha" (letra e música
de Dany Silva ).
Nuno Guerreiro (1972) é um cantor português e ex-vocalista na banda Ala dos Namorados, onde ganhou enorme popularidade. Nuno é um contra-tenor, pelo que a sua voz lhe permite explorar diversas sonoridades. Possui assim, a capacidade de interpretar repertório barroco - oratória, árias de Handel ou Purcell, assim como fado, pop ou música soul. Estudou canto lírico no Conservatório Nacional português, onde também obteve o seu diploma como bailarino profissional
Nancy Vieira está ligada a Cabo Verde e à Guiné - Bissau. Tem três discos editados – Nôs Raça, Segred e Lus e tem cantado em Portugal, Cabo Verde e um pouco por todo o mundo. A sua voz tão peculiar tem sido pretexto para ser convidada a participar em discos e espectáculos de inúmeros artistas de entre os quais se destacam Rui Veloso, Ala dos Namorados e Dany Silva.

"Lua nha Testemunha" (letra)

Bô ca ta pensa nha cretcheu
Nem bô ca ta imaginá
O que longe di bô `m tem sofridoPergunta lua na céu, lua nha companheira di solidão


Lua vagabunda di espaço, qui conchê tudo nha vida
Nha disventura, ele qui ta contabo nha cretcheu

Tudo o c`um tem sofrido
Na ausência e na distância.
Mundo, bô tem rolado cu mim
Num jogo di cabra cega, sempre ta persegui`m
Pa cada volta qui mundo dá
El ta traze`m um dor pa`m tchiga más pa Deus
Mundo, bô tem rolado cu mim
Num jogo di cabra cega, sempre ta persegui`m
Pa cada volta qui mundo dá
El ta traze`m um dor pa`m tchiga más pa Deus

domingo, outubro 02, 2011

A Crise By Einstein

"Não pretendemos que as coisas mudem, se fazemos sempre o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e com os países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera-se a si mesmo sem ficar "superado".
Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la."

Albert Einstein

sábado, outubro 01, 2011

Here We Go Again

Hoje, Dia Mundial da Música, deixo-lhe como sugestão um disco, ou melhor um CD.
Não deixe de ouvir "Here We Go Again". Willie Nelson e Wynton Marsalis juntaram-se para o 2º projecto a dois, tendo como base as composições de Ray Charles. O trompetista e o cantor/compositor de música country, convidaram ainda Norah Jones que detém uma das mais belas e expressivas vozes femininas da atualidade.
Não deixe de ouvir entre outras canções Unchain my heart ou Hit the Road Jack.
O resultado final deste projecto a dois/três é absolutamente arrebatador.

sexta-feira, setembro 30, 2011

Ainda a "Comissão das Lágrimas"

"Comissão das Lágrimas", o novo livro de António Lobo Antunes, é posto à venda esta sexta-feira. O ponto de partida do livro é o doloroso canto de Virinha, uma mulher torturada na sequência do "golpe" que ficou para a história como o "27 de Maio de 1977".
Até que enfim! Um dos maiores romancistas portugueses escreve uma obra que tem como pano de fundo os acontecimentos do 27 de Maio de 1977, em Angola.
A Virinha foi uma, de muitos jovens que morreram e foram torturados na sequência do 27 de Maio. Jovens que foram mortos, sem culpa formada, na flor da idade. Estes assassinatos são um crime contra a Humanidade e não podem ser esquecidos ou branqueados. Se quiser saber um pouco mais sobre o assunto clique, aqui, e ouça os depoimentos prestados, à TSF, por alguns sobreviventes (José Reis, Jorge Fernandes e José Fuso) e por Álvaro Mateus co-autor do livro: Purga em Angola.

Lavapiés

Sugiro-lhe um pequeno passeio por um dos bairros madrilenos. Aqui vai uma pequena e elementar radiografia sobre Lavapiés.
"Lavapiés" é o nome de uma praça do centro de Madrid (Espanha). É também o nome de uma rua e de uma estação de metro, além disso, é a zona mais popular do bairro de "Embajadores" (distrito Centro). Este bairro é, no entanto, mais conhecido pelo nome de Lavapiés, ou Embajadores-Lavapiés.
Na sua origem Lavapiés era a judiaria do bairro judeu de Madrid. A actual Igreja de San Lorenzo ocupa um solar que foi a sinagoga do bairro judeu. Esta comunicava com a praça de Lavapiés através da rua que hoje se chama Rua da Fé, e que então era a rua da Sinagoga.
Muitas familias judias viveram no bairro Lavapiés até à sua expulsão em 1492. Só alguns judeus notáveis (ex: médicos) estavam autorizados a viver fora do bairro.
Parece que o nome Lavapiés se deve à existência de uma fonte na praça. Aí fazia-se a lavagem ritual dos pés antes dos judeus se dirigirem ao templo.
Já agora, a denominação de "Manolo" e "Manola" que se dá aos castiços madrilenos, tem origem em Lavapiés. Diz-se que tem a ver com a profusão do nome Manuel, com que se batizavam muitos judeus para escapar à
expulsão em 1492.
No final dos anos 80, Lavapiés era um bairro habitado por gente mais velha que vivia em casas velhas e de pequenas dimensões. A abundância de casas abandonadas e de habitações de renda barata atraiu nos anos 80 e 90, muitos jovens com poucos recursos, entre eles numerosos "okupas". Lavapiés foi, provavelmente, a zona de Madrid com maior densidade de casas ocupadas e aí tiveram lugar as primeiras experiências de "okupação" da capital espanhola.
Hoje em dia ainda existem um certo número de centros sociais "okupados" e é também o bairro com maior quantidade de as
sociações culturais e relações de vizinhança de Madrid.
Mais recentemente e pelas mesmas razões, foram atraídos para este bairro centenas de imigrantes. Calcula-se que cerca de 50% da população de Lavapiés é de origem estrangeira. Devido a esta multiculturalidade, eventos como o Ano Novo chinês ou o Ramadão têm ali quase a mesma expressão que o Natal espanhol. De qualquer modo, os habitantes de Lavapiés não gostam de pronunciar a palavra "multiculturalidade" porque isso soa-lhes a parque temático. Para eles o seu bairro é o seu bairro, ou seja um organismo vivo. Não o trocam por nada do mundo, porque Lavapiés é, para eles, um estado mental.

quinta-feira, setembro 29, 2011

Festival Imigrarte

O 5º Festival Imigrarte vai decorrer em Lisboa (no Mercado do Forno do Tijolo) de 30 de setembro a 2 de outubro.
A Solidariedade Imigrante - Assoc para a Defesa dos Direitos dos Imigra
ntes convida-o/a a desfrutar de três dias de arte e cultura imigrante e portuguesa nas mais diversas áreas desde o cinema à música, passando pela dança, artes pláticas, fotografia, stand up comedy, malabarismo, etc.
Este evento conta com a presença de quase 30 associações de imigrantes que oferecem o melhor da sua gastronomia e
artesanato. Para além disso haverá ainda inúmeros workshops, debates e conferências.
Se quiser mais informações sobre o festival clique aqui ou aqui.

quarta-feira, setembro 28, 2011

Festa do Japão, em Lisboa

O mês de outubro promete.
Começa logo no dia 1 com a Festa do Japão em Lisboa.
A Embaixada do Japão irá reabrir o Jardim do Japão (sito entre o Museu de Arte Popular e o Hotel Altis Belém), em Lisboa, no próximo dia 1 de Outubro, sábado, às 12 h 00. Este evento será assinalado com a Festa do Japão em Lisboa, a decorrer no mesmo local, das 13h00 às 21h00.
O acontecimento visa celebrar a cultura e a amizade entre o Japão e Portugal. O evento é composto por dois momentos específicos. O primeiro, destina-se à reabertura do Jardim do Japão com os representantes das entidades organizadoras e convidados. O segundo momento (das 13h00 às 21 h), é dedicado a actividades culturais. Nesta fase da programação poderá apreciar demonstrações de: caligrafia, de Ikebana (arte floral japonesa); de Orikata/Furoshiki (técnicas de embrulho), de Origami, de Yukata e de Artes Marciais
e a mostras de Bonsais e de gastronomia japonesa (Oden, Futomaki, Onigiri, Chirashi sushi, Edamame, Dorayaki, Tonjiru, Dango, Yakitori, caril japonês, Takoyaki e bebidas). Pode também ouvir poesia Haiku e música japonesa e fado, assim como assistir à dança Butoh.
Há ainda várias exposições e venda de Castella do Paulo. A "Castella" é o pão-de-ló que foi levado pelos portugueses para o Japão no século XVI.
Não perca a oportunidade e aprecie esta Festa do Japão em Lisboa.

terça-feira, setembro 27, 2011

Maravilhas da Natureza

Sugiro, hoje, uma apresentação que mostra formações rochosas magníficas.
As curvas, os buracos ou as estrias que aprecem nestas formações rochosas, resultam
da geologia dominante do terreno e do desgaste causado pelo vento, pela chuva, pela força do mar ou ainda pelas diferenças de temperatura. Tudo isto dá origem a formas surpreendentes e inusitadas.
A natureza é infinita na sua beleza!
Estes aspectos das paisagens aparecem um pouco por todo o mundo, incluindo Portugal. Quem não conhece, por exemplo, dois locais emblemáticos da serra da estrela (em Portugal): A Cabeça da Velha e a Cabeça do Velho?
Já agora em
Porto Santo (Região Autónoma da Madeira), existe uma formação espeta
cular, que é impropriamente chamada de Pedreira. Esta rara disjunção colunar de basalto forma um conjunto de colunas e disjunções prismáticas de vários metros de altura. Situa-se numa das extremidades do Pico da Ana Ferreira que é, também, famoso pelas suas grutas.


segunda-feira, setembro 26, 2011

As cataratas do Iguaçu

Sugiro-lhe que clique aqui e olhe para esta maravilha da natureza e da técnica. É um site que mostra uma panorâmica aérea das cataratas do Iguaçu. Foram técnicos russos que possibilitaram a visão de 360º destas belíssimas quedas de água.
Quanto entrar no site, observe a primeira imagem que aparece. Repare no mapa pequeno que surge do lado direito, no canto superior do ecrã. Se clicar nos diferentes pontos ou nas estrelas verdes, obtém várias perspectivas das cataratas quer do lado brasileiro quer do lado argentino. Consegue até ter a sensação que está a passear-se pelas passadeiras ali existentes. É uma paisagem arrebatadora .
As Cataratas do Iguaçu são um conjunto de cerca de 275 quedas de água existentes no Rio Iguaçu (na Bacia hidrográfica do rio Paraná). A palavra Iguaçu significa "água grande", em tupi-guarani. Estas quedas localizam-se entre o Parque Nacional do Iguaçu, Paraná, no Brasil, e o Parque Nacional Iguazú em Misiones, na Argentina, e fazem de fronteira entre os dois países. A área total de ambos os parques nacionais, corresponde a 250 mil hectares de floresta subtropical e é considerada Património Natural da Humanidade.

domingo, setembro 25, 2011

Comissão das Lágrimas

No dia 30 de Setembro vai estar disponível nas livrarias, o novo livro de António Lobo Antunes, com o título de Comissão das Lágrimas.
"Um doloroso canto de uma mulher torturada" foi o ponto de partida para esta obra .
A mulher torturada foi Elvira (conhecida por Virinha), comandante do batalhão feminino do MPLA, presa, torturada e morta na sequência dos terríveis acontecimentos de 27 de Maio de 1977 em Angola.
António Lobo Antunes não fez um livro documental ou uma reportagem "verídica" sobre o que se passou em Angola, antes usou a sua sensibilidade e o espantoso poder evocativo da sua escrita para falar sobre a culpa, a vingança e a inocência perdida.

sábado, setembro 24, 2011

ANONIMA NUVOLARI

Não perca hoje, 24 de setembro às 18h30, a actuação dos ANONIMA NUVOLARI. Vai ser no Jardim do BRITISH COUNCIL (Rua Luís Fernandes, 1-3, esquina com Rua de São Marçal), em Lisboa e a entrada é livre.
Este espectáculo integra-se na comemoração do Dia Europeu das Línguas 2011 que acontecerá em 26 de setembro.
Anonima Nuvolari vai bem com tinto. Anonima Nuvolari vai bem com alegria. Vai bem com boémia. Vai bem com festa. Música 100% italiana de sabor intenso e frutado. Néctar extraído das melhores colheitas. Vinho novo de compositores como Paolo Conte ou Vinicio Capossela. Vinho velho das colheitas de Renato Carosone, Fred Buscaglione, Adriano Celentano. Um passeio dos alegres pelos últimos 50 anos da canção italiana".
Situados entre o último dos românticos e o primeiro dos punks, os Anonima Nuvolari vão bem com tudo menos com a tristeza sem poesia, e o amor sem gosto".

sexta-feira, setembro 23, 2011

O Outono

Estamos no equinócio de setembro. Oficialmente começa hoje o Outono no hemisfério Norte. O Outono é a estação do ano que se caracteriza pelo amarelecer das folhas das árvores. No hemisfério Norte transcorre entre 23 de setembro e vai até 21 de dezembro.
No Hemisfério sul, vai de 22 de março a 20 de junho.
Como dizia Albert Camus, " O Outono é outra primavera, cada folha uma flor."
Desfrute, agora, de uma bela apresentação com espectaculares imagens de Outono, embora, da Argentina. Argentina que está a iniciar agora a Primavera. A Primavera e o Outono são as duas melhores estações para visitar este país da América do Sul.

quinta-feira, setembro 22, 2011

Baleia à vista

A baleia - corcunda é também conhecida como baleia-jubarte, baleia-preta, baleia-xibarte, baleia-cantora ou baleia-de-bossa, é um mamífero marinho da ordem dos cetáceos que vive nos mares do mundo todo.
Os machos da espécie, medem de 15 a 16 metros e as fêmeas, de 16 a 17. O peso médio é de aproximadamente 40 toneladas, sendo que o maior exemplar já visto, possuía 19 metros.É também conhecida pelo temperamento dócil, pelas acrobacias que realiza (saltos, exposição da cabeça e das barbatanas, etc.) e por um desenvolvido sistema de vocalização. É uma espécie protegida desde 1967 e, em 2008, as estimativas do número de indivíduos variavam dos 30 mil aos 65 mil exemplares.
Veja, aqui, um vídeo maravilhoso. Este mostra, a pura e bela prova de gratidão de uma baleia corcunda após ter sido libertada das redes de pescadores que a mantinham aprisionada. A Valentina (porque foi libertada, no dia de S. Valentim de 2011) deu um autêntico show de agradecimento aos seus salvadores.
Não se esqueça de clicar acima e veja este espectáculo!

quarta-feira, setembro 21, 2011

Oh Terra Bensuada

A manta rota dos Deuses
cobriu o sol
e a terra
mais sagrada
tombou na suprema escuridão.

Horizontes roxos pairam no ar
há mortos, perdidos, ausentes
e a terra chora baixinho.

Ao luar, caju dorido,
ressoa manso o tambor
amordaçado pelo truar dos canhões,
bazucas, murteiros, obuses.

A manta rota dos Deuses
cobriu o sol
e a terra
mais sagrada
chora só e baixinho
morte, agonia, tormento.

-Que Deus fadou o teu Destino
oh terra bensuada
exangue, exausta em sangue?

-Que Deus fadou o teu Destino
oh terra bensuada
queimada dormindo em guerra?
NAMIBIANO FERREIRA - In Resist(ir) Assim - Poesia a Doze, Editorial Minerva - 1999

terça-feira, setembro 20, 2011

O Ouro de Viana do Castelo

Proponho-lhe que veja, aqui, um documentário realizado por Carlos Eduardo Viana, em 2007.
Este belo vídeo dá-nos uma perspectiva histórica sobre a origem do uso do ouro nesta região minhota e mostra-nos o processo de fabrico destas delicadas peças. Revela-nos um processo de fabrico complexo e artesanal de peças únicas e de uma beleza rara.
O documentário tem 18 minutos, mas vale a pena ser visto!
Já agora, quando passar por Viana do Castelo visite a Ourivesaria Freitas (no centro histórico da cidade) , onde poderá apreciar cerca de 500 peças da colecção particular do proprietário do estabelecimento. Manuel Freitas, que garante ser o detentor da “maior colecção de ouro popular português”, está sempre disponível para orientar as visitas a este precioso acervo. Ali destacam-se um coração de Viana do século XIX, uma imagem da Senhora da Conceição datada do século XVIII e duas argolas do século IV antes de Cristo. Contas, arrecadas de Viana, laças, medalhas,colares de gramalheira e brincos à rainha são apenas algumas das peças que integram a “maior colecção de ouro popular português”.