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quarta-feira, novembro 12, 2025

O Bolo da Barca

 Estamos na época de se fazer a marmelada, deixo-lhe hoje, por isso, uma receita (que encontrei num blogue) de um bolo original e com um nome fora de vulgar: o Bolo da Barca.

Ingredientes:
7 ovos inteiros
175g de farinha de trigo c/ fermento
250 de açúcar
raspa de uma laranja
200g de marmelada (utilizei um pouco mais)
100g de coco
+/- 2 c. de sopa de água

Preparação:
Unte com manteiga uma forma retangular de 20x30cm, forre-a com papel vegetal e torne a untar o papel com manteiga.
Pré-aqueça o forno a 175Cº. Numa tigela coloque a marmelada e a água e leve ao micro-ondas durante 1 minuto para amolecer a marmelada, retire e mexa de forma a formar uma pasta e reserve. Caso a consistência ainda não seja a adequada para barrar o bolo, adicione um pouco mais de água e volte a aquecer.
Na batedeira, bata os ovos inteiros com o açúcar durante alguns minutos até os ovos triplicarem de volume e ficarem esbranquiçados. Adicione a raspa da laranja e envolva com suavidade a farinha. Coloque o preparado na forma e leve ao forno durante 30 minutos.
Retire do forno, deixe arrefecer um pouco e depois desenforme para um tabuleiro polvilhado com açúcar. 

Quando o bolo já estiver frio, corte-o no sentido da sua largura, de forma a ficar com duas metades de bolo. 
Barre cerca de metade da marmelada no topo duma das metades e posicione a outra metade por cima, de forma a ficar um bolo de duas camadas. Barre uniformemente toda a superfície do bolo com a restante marmelada e polvilhe com o coco ralado.

segunda-feira, setembro 22, 2025

Esqueço-me das horas transviadas...

 Esqueço-me das horas transviadas
o Outono mora mágoas nos outeiros
E põe um roxo vago nos ribeiros…
Hóstia de assombro a alma, e toda estradas…

Aconteceu-me esta paisagem, fadas
De sepulcros a orgíaco… Trigueiros
Os céus da tua face, e os derradeiros
Tons do poente segredam nas arcadas…

No claustro seqüestrando a lucidez
Um espasmo apagado em ódio à ânsia
Põe dias de ilhas vistas do convés

No meu cansaço perdido entre os gelos
E a cor do outono é um funeral de apelos
Pela estrada da minha dissonância…
Fernando Pessoa - "Cancioneiro"

segunda-feira, novembro 25, 2024

Vento que passas, leva-me contigo

 Vento que passas, leva-me contigo.
Sou poeira também, folha de outono.
Rês tresmalhada que não quer abrigo
No calor do redil de nenhum dono.
Leva-me, e livre deixa-me cair
No deserto de todas as lembranças,
Onde eu possa dormir
Como no limbo dormem as crianças.

sexta-feira, novembro 15, 2024

Paris, outono de 73

 Paris, outono de 73
Estou no nosso bar mais uma vez
E escrevo pra dizer
Que é a mesma taça e a mesma luz
Brilhando no champanhe em vários tons azuis
No espelho em frente eu sou mais um freguês
Um homem que já foi feliz, talvez
E vejo que em seu rosto correm lágrimas de dor
Saudades, certamente, de algum grande amor

Mas ao vê-lo assim tão triste e só
Sou eu que estou chorando
Lágrimas iguais
E, a vida é assim, o tempo passa
E fica relembrando
Canções do amor demais
Sim, será mais um, mais um qualquer
Que vem de vez em quando
E olha para trás
É, existe sempre uma mulher
Pra se ficar pensando
Nem sei... nem lembro mais

sábado, outubro 26, 2024

O Jogo Da Amarelinha

 O Jogo Da Amarelinha é um livro (romance) do escritor argentino Julio Cortázar.
O livro mais famoso de Julio Cortázar foi publicado em 1963, e  é considerado um dos títulos mais importantes e inovadores da língua espanhola e da literatura latino-americana e um marco da literatura do século vinte.

Sinopse:
Tão radical quanto inclassificável, a obra-prima de Julio Cortázar mudou para sempre a história da literatura.
O livro narra o amor entre um intelectual argentino no exílio, Horacio Oliveira, e uma misteriosa uruguaia, Maga.
O protagonista é um boémio, escritor argentino radicado em Paris, desanimado com o fim de seu relacionamento com Maga. No início do romance, Oliveira é mostrado como uma alma perdida. Ele vagueia ao acaso pelas ruas e pontes de Paris, procurando em vão a visão de Maga, torturado pela lembrança dela.

Críticas:
Roberto Bolaño: "Estamos diante de um romancista realmente criador, o único da América Latina de hoje que se pode ombrear com o nosso Guimarães Rosa." 
Haroldo de Campos: "Nenhum outro escritor deu ao jogo a mesma dignidade literária. A obra do autor argentino abriu portas inéditas."
Mario Vargas Llosa: "O O jogo da amarelinha é uma construção literária e, a uma só vez, um projeto paradoxal de destruição da literatura. Uma obra em constante gestação, um texto que se vai tecendo à medida que se lê."
Davi Arrigucci Jr: "As grandes obras são as que, passados os anos, continuam sendo inclassificáveis. E penso que O jogo da amarelinha ainda é um romance inclassificável. Talvez só agora estejamos prontos para ler, de verdade, Cortázar."

segunda-feira, outubro 14, 2024

Canção do Amor-Perfeito

 Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.

Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.

Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.

terça-feira, setembro 24, 2024

Canção De Outono

Fotografia de Marek Godlewski
No entardecer da terra,
O sopro do longo outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.

Soergue as folhas, e pousa
As folhas volve e revolve
Esvai-se ainda outra vez.
Mas a folha não repousa
E o vento lívido volve
E expira na lividez.

Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E mesmo o que hoje sou
Amanhã direi: quem dera
Volver a sê-lo! mais frio.
O vento vago voltou.

terça-feira, outubro 31, 2023

Broas dos Santos

Assinalando esta época do ano, aqui lhe deixo mais uma receita de Broas dos Santos, retirada do livro: Festas e Comeres do Povo Português (Editorial Verbo).

Ingredientes:

1,5 kg de abóbora-menina
1 kg de farinha de trigo
0,5 kg de farinha de milho
30 grs de fermento de padeiro
250 grs de açúcar escuro
1 colher de sopa de sementes de erva-doce
1/2 colher de sopa de canela
50 grs de nozes
50 grs de pinhões
50 grs de passas
1 pau de abóbora coberta
sal

Confecção:

Coze-se a abóbora num pouco de água com sal, escorre-se e esmaga-se. Reserva-se a água.
Peneiram-se as farinhas para uma tigela.
Dissolve-se o fermento em 1 dl de água fria e junta-se as farinhas, amassando sempre vigorosamente, vão-se juntando a abóbora e o açúcar.
Se for necessário, junta-se parcimoniosamente água de cozer a abóbora.

Quando a massa tiver uma consistência bem elástica, põe-se a levedar em local temperado.
Estando a massa levedada, adicionam-se a erva-doce e a canela, as frutas em bocadinhos, sendo as passas e a abóbora previamente passadas por água morna e enxutas.
Tem-se uma tigela pequena com cerca de 10 cm de diâmetro, deitam-se dentro um pouco de farinha de trigo e um bocado de massa.
Molda-se esta em bola, rodando a tigela.
Dispõem-se as broas em tabuleiros untados com azeite e levam-se a cozer em forno bem quente (200º a 220 ºC) durante 30 a 40 minutos

sexta-feira, setembro 29, 2023

Qual A Melhor 3ª Peça Para As Leggings?

 Sabe Qual A Melhor 3ª Peça Para As Leggings? Se quiser ficar a saber sugiro-lhe que veja mais um vídeo da influencer brasileira Luciane Cachinski.

Luciane Cachinski é uma influencer e youtuber brasileira que se dedica a transmitir ao público feminino, com um humor peculiar, o que aprendeu sobre moda durante 27 anos. 

Luciane é também proprietária da empresa Corte in Brazil, que fabrica, num pequeno atelier familiar, uma coleção feminina básica em malha.

Se tem dúvidas sobre qual a terceira peça ideal para complementar o seu look com as calças leggings, não deixe de ver este vídeo! 

Aqui, ficará a conhecer 15 opções de peças incríveis que a vão deixar mais estilosa e cheia de personalidade. Desde os blazers até às camisas oversized, encontrará sugestões para todos os estilos e ocasiões.

Confira agora mesmo todas as dicas e descubra como escolher a terceira peça perfeita para as suas calças leggings favoritas. 

Ora veja!

sexta-feira, setembro 25, 2020

Outono

Tarde pintada

Por não sei que pintor.

Nunca vi tanta cor...

... Tão colorida!


Se é de morte ou de vida,

Não é comigo.

Eu, simplesmente, digo

Que há fantasia

Neste dia,


Que o mundo me parece

Vestido por ciganas adivinhas,

E que gosto de o ver, e me apetece

Ter folhas, como as vinhas.

Miguel Torga




segunda-feira, setembro 23, 2019

Outono

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.
Miguel Torga - Do livro: Diário X, s/editora, 1966, Coimbra

domingo, novembro 04, 2018

Sabores de Outono

Com o Outono chegam os dias mais curtos e escuros. Mas, o Outono traz consigo, também, uma grande variedade de produtos que lhe permitirão ou recordar os sabores da infância ou experimentar novos sabores.
Já está com apetite? Então leia o resto deste post.

A carne de caça está entre as propostas gastronómicas para esta estação. O javali, o pombo, o faisão, as perdizes ou o veado, são algumas das hipóteses.
Contudo, pode optar por coisas mais simples como o pato, o galo, as alheiras de caça, o cabrito, o leitão, o coelho, o borrego, a vitela (osso bico ou o rabo de boi) ou o porco. Para já não falarmos dos pratos de peixe, de marisco ou de bacalhau.

Mas, a viagem gastronómica pode prosseguir com um regresso à terra, onde os tubérculos, os frutos secos (nozes, castanhas e amêndoas), as raízes e os cogumelos são as estrelas principais.

Nas sobremesas, o destaque vai para o requeijão com doce abóbora, a castanha assada, as broas dos santos, o leite creme, o pudim Abade de Priscos, os ovos moles, entre muitas outra sugestões, não esquecendo, também, os nossos belíssimos vinhos, queijo e licores.

Com votos de bom apetite, fique agora com uma receita de Arroz de Míscaros, que é um prato típico de outono da Beira Alta.
Arroz de Míscaros

Ingredientes (6 pessoas):

2 kg de míscaros
1 dl de azeite
50 g de manteiga ou margarina
4 dentes de alho
1 cebola
1 salpicão médio
400 g de arroz
1 l de água
1 cubo de caldo de galinha
pimenta
sal
salsa picada



Preparação:
Lave muito bem os míscaros para lhes tirar toda a areia e corte-os em bocados. Deite o azeite e a manteiga num tacho de ferro, ou de barro, e leve ao lume com os alhos esmagados.

Deixe estalar (sem queimar), junte a cebola picada e deixe cozer suavemente até a cebola estar macia.
Adicione o salpicão cortado em cubos, aumente um pouco o calor e deixe alourar bem a cebola.
Introduza o arroz e os míscaros e mexa para o arroz absorver a gordura. Regue com a água a ferver e adicione o cubo de caldo de galinha.

Tempere com pimenta e rectifique o sal. Coloque o tacho no forno já quente (225° C) e deixe cozer durante 15 minutos.
Na altura de servir, polvilhe com a salsa picada.

terça-feira, dezembro 05, 2017

Ruínas

Se é sempre Outono o rir das primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair…
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras!

E deixa sobre as ruínas crescer heras.
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino de Quimeras!

Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais altos do que as águias pelo ar!

Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!… Deixa-os tombar… deixa-os tombar…
 Florbela Espanca

sexta-feira, novembro 03, 2017

Crepúsculo de Outono

Isaak Levitan
O crepúsculo cai, manso como uma benção.
Dir-se-á que o rio chora a prisão de seu leito…
As grandes mãos da sombra evangélicas pensam
As feridas que a vida abriu em cada peito.

O outono amarelece e despoja os lariços.
Um corvo passa e grasna, e deixa esparso no ar
O terror augural de encantos e feitiços.
As flores morrem. Toda a relva entra a murchar.

Os pinheiros porém viçam, e serão breve
Todo o verde que a vista espairecendo vejas,
Mais negros sobre a alvura unânime da neve,
Altos e espirituais como flechas de igrejas.

Um sino plange. A sua voz ritma o murmúrio
Do rio, e isso parece a voz da solidão.
E essa voz enche o vale…o horizonte purpúreo…
Consoladora como um divino perdão.

O sol fundiu a neve. A folhagem vermelha
Reponta. Apenas há, nos barrancos retortos,
Flocos, que a luz do poente extática semelha
A um rebanho infeliz de cordeirinhos mortos.

A sombra casa os sons numa grave harmonia.
E tamanha esperança e uma tão grande paz
Avultam do clarão que cinge a serrania,
Como se houvesse aurora e o mar cantando atrás.
Manoel Bandeira

sexta-feira, outubro 27, 2017

Canção de Outono

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão…

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
– a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão…
Cecília Meireles

sexta-feira, outubro 20, 2017

Poema de Outono




Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser… sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda

quinta-feira, setembro 21, 2017

September

Ouça a banda Earth, Wind & Fire, em September, do álbum Earth, Wind & Fire (1971).

Do you remember the
21st night of September?
Love was changing the minds of pretenders
While chasing the clouds away
Our hearts were ringing
In the key that our souls were singing.
As we danced in the night,
Remember how the stars stole the night away
Ba de ya - say do you remember
Ba de ya - dancing in September
Ba de ya - never was a cloudy day
Ba duda, ba duda, ba duda, badu
Ba duda, badu, ba duda, badu
Ba duda, badu, ba duda
My thoughts are with you
Holding hands with your heart to see you
Only blue talk and love,
Remember how we knew love was here to stay
Now December found the love we shared in September.
Only blue talk and love,
Remember the true love we share today
Ba de ya - say do you remember
Ba de ya - dancing in September
Ba de ya - never was a cloudy day
There was a
Ba de ya - say do you remember
Ba de ya - dancing in September
Ba de ya - golden dreams were shiny days
The bell was ringing, aha
Our souls were singing
Do you remember
Never a cloudy day
There was a
Ba de ya - say do you remember
Ba de ya - dancing in September
Ba de ya - never was a cloudy day
There was a
Ba de ya - say do you remember
Ba de ya - dancing in September
Ba de ya - golden dreams were shiny days
Ba de ya de ya de ya
Ba de ya de ya de ya
ba de ya de ya de ya
De ya
Ba de ya de ya de ya
Ba de ya de ya de ya
ba de ya de ya de ya
Compositores: Al Mc Kay / Allee Willis / Maurice White




segunda-feira, setembro 21, 2015

Outono do amor que folhas moves

Outono do amor que folhas moves
                     na direcção dos corpos separados
                     e molhas desses prantos ignorados
                     de quem da primavera conheceu o

                     movimento das aves
                     e desse movimento estas esperas
                     agora só conhece já e ouve
                     a própria descida com as folhas

                     a voz própria cansada
                     quando a vida
                     e a voz lhas está a dor tirando

                     Outono do amor outono de aves
                     e de vozes caladas e de folhas
                     molhadas de temor e surdo pranto
Gastão Cruz, in "Poemas Reunidos"

sexta-feira, setembro 23, 2011

O Outono

Estamos no equinócio de setembro. Oficialmente começa hoje o Outono no hemisfério Norte. O Outono é a estação do ano que se caracteriza pelo amarelecer das folhas das árvores. No hemisfério Norte transcorre entre 23 de setembro e vai até 21 de dezembro.
No Hemisfério sul, vai de 22 de março a 20 de junho.
Como dizia Albert Camus, " O Outono é outra primavera, cada folha uma flor."
Desfrute, agora, de uma bela apresentação com espectaculares imagens de Outono, embora, da Argentina. Argentina que está a iniciar agora a Primavera. A Primavera e o Outono são as duas melhores estações para visitar este país da América do Sul.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Outono

O Equinócio de Setembro aproxima-se, por isso, o Outono está a chegar. Mais uma vez!
Aqui fica a beleza desta estação através das palavras de dois fantásticos poetas brasileiros e ainda da luz e das cores desta estação, mostradas nas imagens que escolhi.

Em Uma Tarde de Outono

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?


A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...
Olavo Bilac, in "Poesias"

Canção de Outono

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...

Tu és a folha de Outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
Cecília Meireles