quinta-feira, dezembro 15, 2011

Retratos com histórias

Sugiro-lhe, hoje, uma apresentação com retratos de Eduardo Gageiro.
Eduardo Gageiro, é um fotógrafo português, nascido em 1935. Com apenas 12 anos viu uma fotografia sua publicada na 1ª página do Diário de Notícias.
Começou a sua actividade de repórter fotográfico em 1957 no Diário Ilustrado, e a partir daí dedicou toda a sua vida ao foto-jornalismo.
Foi colaborador das principais publicações portuguesas e estrangeiras e da Presidência da República. Tem trabalhos reproduzidos um pouco por todo o mundo, com os quais ganhou mais de 300 prémios internacionais, entre os quais é de destacar o 2º prémio do World Press Photo, em 1974, na categoria Portraits.
Aprecie, agora, alguns dos fabulosos retratos de Eduardo Gageiro.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Fado: "Intangible Heritage of Humanity"

Hoje proponho-lhe que veja o vídeo de apresentação da candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade.
De acordo com a Convenção para a Salvaguarda do Património Imaterial da Humanidade, UNESCO, 2003 (Artº 2, alínea 1),‎ "O património cultural imaterial, transmitido de geração em geração, é permanente
mente recriado pelas comunidades e grupos em função do seu meio, da
sua interacção com a natureza e a sua história, proporcionando-lhes um sentimento de identidade e de continuidade, contribuindo assim para promover o respeito pela diversidade cultural e a criatividade humana
".

O Fado é, pois, um dos aspectos que distingue a identidade nacional portuguesa mostrando o que de único define e distingue os portugueses dos outros povos.

terça-feira, dezembro 13, 2011

Cais das Colunas

O Tejo, à noite, não é um rio:
não nasce em Espanha,
terras não banha,
nem desagua além do Bugio.

Quem ande à noite, à toa,
e chegue à muralha e saiba escutar,
sente de um lado desaguar Lisboa
e do outro lado o mar.

Berço de barcos adormecidos,
frio ataúde de um sonho frio,
porto inventor de amores repetidos...
mas não um rio, mas não um rio!
Leonel Neves - (Do livro inédito Ontem à Noite)

segunda-feira, dezembro 12, 2011

As aldeias

Eu gosto das aldeias sossegadas,
com o seu aspecto calmo e pastoril,
erguidas nas colinas azuladas,
mais frescas que as manhãs finas de Abril.

Pelas tardes das eiras, como eu gosto
de sentir a sua vida activa e sã!
Vê-las na luz dolente do sol-posto,
e nas suaves tintas da manhã!...

As crianças do campo, ao amoroso
calor do dia, folgam seminuas,
e exala-se um sabor misterioso
de agreste solidão das suas ruas.

Alegram as paisagens as crianças
mais cheias de murmúrios do que um ninho:
e elevam-nos às coisas simples, mansas,
ao fundo, as brancas velas dum moinho.

Pelas noites de Estio, ouvem-se os ralos
zunirem nas suas notas sibilantes...
E mistura-se o uivar dos cães distantes
com o cântico metálico dos galos.
Gomes Leal - Claridades do Sul

domingo, dezembro 11, 2011

Vim Devolver

Proponho-lhe que assista à actuação do cantor angolano (nascido em Benguela) Matias Damásio, interpretando o tema "Vim Devolver", no programa televisivo Embondeiro.
Matias Damásio foi o primeiro convidado deste programa, que se estreou em 2010. Veio directamente de Angola para pisar o palco a convite de Nancy Vieira, onde interpretou os temas "Angola - País Novo" e "Vim Devolver".
Damásio é um artista popular e uma das vozes mais prestigiadas de Angola. Canta o amor e a realidade da vida com uma musicalidade e sensibilidade únicas.
Foi com o lançamento do seu segundo álbum, que se projectou no panorama musical internacional.

sábado, dezembro 10, 2011

O gato que perdeu a lua

Era uma vez, o gato que perdeu a lua...

"O gato que perdeu a lua" é um pequeno filme de animação que nos conta a história do gato Pitorra. O Pitorra durante o seu passeio perde de vista a Lua, no entanto, descobre que quando se perde algo, também podemos encontrar novas oportunidades que nos trazem felicidade.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Meu amor marinheiro

Carminho (Lisboa,1984), é uma jovem fadista portuguesa, filha da também cantora Teresa Siqueira.
Cantou com o grupo Tertúlia de Fado Tradicional com quem gravou quatro canções ("Toca Pr'á Unha", "O Vento Agitou O Trigo", "Fado Pombalinho" e "O Fado da Mouraria") do cd "Saudades do Fado", editado em 2003. Em 2005 recebeu o prémio Amália, na categoria de Revelação Feminina. Carminho participou, também, no filme "Fados" de Carlos Saura de 2007. O disco com a banda sonora do filme inclui a faixa "Casa de Fados" com a participação de Vicente da Câmara, Maria da Nazaré, Ana Sofia Varela, Carminho, Ricardo Ribeiro e Pedro Moutinho.
Em 2008, participou num concerto de Tiago Bettencourt, e, interpretou "Gritava contra o silêncio", excerto de um conto de Sophia de Mello Breyner Andersen, no primeiro disco de inéditos de João Gil. O disco de estreia de Carminho, "Fado", foi editado em 2009. Recentemente, Carminho, tornou-se a primeira portuguesa a liderar o top de vendas espanhol. O tema Perdonáme (do disco "Acústico"), de Pablo Alborán foi cantado em dueto com a fadista e está a ser um sucesso no país vizinho. Se os quiser ouvir neste dueto, basta clicar aqui.
Ouça, agora a Carminho no fado, "Meu amor marinheiro".

quinta-feira, dezembro 08, 2011

A Guerra Civil Espanhola

A Guerra Civil em Espanha (1936 -39) foi o acontecimento mais traumático que ocorreu antes da 2ª Guerra Mundial. Nela estiveram presentes todos os elementos militares e ideológicos que marcaram o século XX.
De um lado posicionaram-se as forças nacionalistas e fascistas, aliadas das classes e instituições tradicionais da Espanha daquela época (exército, igreja e o latifúndio) e do outro a Frente Popular que constituía o Governo Republicano, representando os sindicatos, os partidos de esquerda e os partidários da democracia.A direita espanhola entendia que tinha que travar uma cruzada para livrar o país da influência comunista e da franco-maçonaria e restabelecer os valores da Espanha tradicional, autoritária e católica. Para isso, era preciso esmagar a república, que tinha sido proclamada em 1931, com a queda da monarquia.
A(s) esquerda(s) entendia
(m) que era preciso travar o avanço do fascismo que já tinha conquistado a Itália (em 1922), a Alemanha (em 1933) e a Áustria (em 1934). Assim, socialistas, comunistas (estalinistas e troskistas), anarquistas e democratas liberais deveriam unir-se para inverter a tendência mundial favorável aos regimes direitistas.
Foi, justamente, este amplo combate ideológico que fez com que a Guerra Civil deixasse de ser um acontecimento puramente espanhol para se tornar num campo de batalha entre forças que disputavam a hegemonia do mundo. Na Guerra Civil espanhola estiveram envolvidas, então, a Alemanha nazi e a Itália fascista, que apoiavam o golpe do General Franco e, a União Soviética, que se solidarizou com o governo Republicano.
Hoje proponho-lhe que assista a uma apresentação (muito bem feita) sobre a guerra civil espanhola. São imagens com história feitas por três fotógrafos. Elas contam a história desta guerra e incluem as da participação do batalhão canadiano - americano e de E. Hemingway que combateram ao lado dos republicanos.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

A rua onde moro

Moro na rua Avelino Dias
aqui nos Coqueiros.

Daqui avisto o mar
e vejo partir os navios
(com eles vai o meu olhar!)

Avisto também a ilha do Cabo
e aquelas três palmeiras unidas
nos bairros dos pescadores…

Oiço o apito dos vapores que partem e chegam
e os sinos da velha Sé, badalando,
badalando horas,
horas compassadas e iguais.

E assisto à vida da cidade e do cais
Logo que o dia começa.

São os pretos serviçais e os calcinhas
os brancos apressados e queimados
as pretas quitandeiras de lenços garridos,
os rapazes dos jornais de passos largo.

Uma cidade que desperta!

Moro na rua Avelino Dias
aqui nos Coqueiros.

Daqui avisto o mar
e a Fortaleza.

Vejo os dongos de Vieira da Cruz
a flutuar na baía,
e uma preta velha, de panos,
vendendo jinguba, rama e caju.

Daqui da minha rua
(da rua onde moro)
namoro a cidade inteira
e adoro a Lua,
uma Lua enorme, redonda,
que ilumina a minha rua!

Moro aqui na Avelino Dias
nos Coqueiros,
aqui fico à vossa disposição!

Préstimos de poeta têm sempre devoção.
Mário Mota Angola, Eu Quero Falar Contigo (1962).

terça-feira, dezembro 06, 2011

Porta Aberta

Camané é um jovem fadista português nascido em 1967. É o irmão mais velho dos também fadistas Hélder Moutinho e Pedro Moutinho.
Camané começou por ganhar a Grande Noite do Fado, numa época em que não havia competição em separado para os mais novos, o que lhe possibilitou a gravação de um álbum produzido por António Chainho.
Depois de uma interrupção de alguns anos regressou às lides do fado, actuando em diversas casas de fado. Participou também nas produções de musicais (de Filipe La Féria) como a "Grande Noite"; a "Maldita Cocaína" e "Cabaret".
A partir de 1995, em que grava o disco "Uma Noite de Fados" com a colaboração de José Mário Branco, nunca mais parou de gravar. Assim,"Na Linha da Vida" saiu em 1998,
"Esta Coisa da Alma" em 2000, "Pelo Dia Dentro" é lançado em 2001, "Como sempre… Como dantes" (um disco gravado ao vivo); Humanos e Humanos ao Vivo Coliseus de Lisboa e Porto), em 2004; em 2006 é lançado o DVD "Ao vivo no São Luíz ;"Sempre de Mim", é editado em 2008; em 2010 lança o álbum "Do Amor e dos Dias". Este álbum inclui um Poema de Alexandre O'Neil, O amor é o amor. O fado de principal deste álbum é "A guerra das Rosas" inspirado pelo filme com o mesmo nome.
Camané tem revelado toda a sua a sua versatilidade interpretativa nos grandes concertos realizados quer nos Coliseus quer no S. Luís. Daí que seja hoje considerado como uma das melhores vozes masculinas dos fadistas da sua geração.
Ouça-o, agora, no belíssimo fado, Porta Aberta.

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Espaço Minúsculo

Este é um apartamento incrível, num espaço minúsculo...
Veja como o bom gosto, a criatividade e o pragmatismo andam de braço dado. Veja também como o design e a arquitectura se aliaram e conseguiram transformar este espaço num local agradável para se viver. Ainda por cima, com todas as comodidades porque o espaço foi aproveitado até ao último milímetro.
A idéia de organizar tudo, em tão pouco espaço, surgiu quando Christian Schallert comprou um apartamento de exactos 24 m², isso mesmo, 24. Dentro deste cubículo ele conseguiu colocar uma cozinha, uma sala de estar, uma sala de jantar, uma cama de casal, uma casa de banho e uma mesa. Ainda por cima o apartamento tem uma varanda com vista sobre a cidade.
Quando começar a assistir ao vídeo , vai perguntar-se onde é que ele colocou tudo isso? Nas paredes, pois claro!
A inspiração foi Christian buscá-la aos barcos pequenos, que têm todas as suas divisões em paredes com portas que se abrem e vão revelando outras partes.
Mas, se quiser ver outra proposta do mesmo tipo, basta clicar aqui.

domingo, dezembro 04, 2011

O "Desenrascanço" Português

"Desenrascanço", é a palavra e a qualidade que os ingleses e americanos queriam ter.
Um site norte-americano fez uma lista das 10 palavras estrangeiras que mais falta fazem à língua inglesa. A palavra portuguesa "desenrascanço" é a que lidera.
"Bakku-shan" é a palavra usada pelos japoneses quando se querem referir a uma rapariga bonita, vista de costas. "Nunchi" é outra das palavras escolhidas. É coreana e é usada para definir alguém que fala sempre do assunto errado, um género de desbocado ou inconveniente. "Tingo" é uma expressão usada na Ilha da Páscoa, Chile, e significa pedir emprestado a um amigo até o deixar sem nada.
A lista das "10 palavras estrangeiras mais fixes que a língua inglesa devia ter" é liderada pela palavra portuguesa "desenrascanço". Esta é a expressão que, segundo os autores do site no
rte-americano, mais falta faz ao vocabulário Inglês.

Afinal o que é o "desenrascanço", segundo os norte-americanos?

Depois de duas páginas com explicações acerca das nove palavras estrangeiras mais fixes, chega-se ao número 1. A falta da cedilha não importa para se perceber que estamos a falar do "desenrascanço", tão típico da nossa cultura.
"Desenrascanço: a arte de encontrar a solução para um problema no último minuto, sem planeamento e sem meios", explica o site dando como exemplo a célebre personagem de uma série de televisão MacGyver.
"O que é interessante sobre o desenrascanço - a palavra portuguesa para estas soluções de último
minuto - é o que ela revela sobre essa cultura". "Enquanto a maioria de nós [norte-americanos] crescemos sob o lema dos escuteiros "sempre preparados", os portugueses fazem exactamente o contrário", prosseguem os autores.
"Conseguir uma improvisação de
última hora que, não se sabe bem como, mas funciona, é o que eles [portugueses] consideram como uma das aptidões mais valiosas: até a ensinam na universidade e nas forças armadas. Eles acreditam que esta capacidade tem sido a chave da sua sobrevivência durante séculos".
"E não se ria: a uma dada altura eles conseguiram construir um império que se estendeu do Brasil às Filipinas" à custa do desenrascanço, sublinham os autores, terminando o texto: "Que se lixe a preparação. Eles têm desenrascanco", termina o artigo.
Já agora, que o "desenrascanço" nos valha nesta época de crise..
.

sábado, dezembro 03, 2011

Velhinho Fado Menor

João Braga (Lisboa, 1945) é um fadista português que se estreou aos nove anos, como solista do coro do Colégio de São João de Brito. É na vila de Cascais, contudo, que começa a cantar em casas de fado amador.
O ano de 1967 marcou o seu lançadamento como intérprete profissional, com o primeiro disco: "É Tão Bom Cantar o Fado".
Com Luís Villas-Boas (seu produtor), organizou o I Festival Internacional de Jazz de Cascais, realizado em 1971.
De 1978 a 1982, integrou o elenco do restaurante de fados Pátio das Cantigas, em Lisboa. Lançou nesta fase , sete álbuns — Canção Futura (1977), Miserere (1978), Arraial (1980), Na Paz do Teu Amor (1982), Do João Braga Para a Amália (neste álbum de 1984, surge pela primeira vez como autor de melodias, musicando os poemas de Fernando Pessoa, "O Menino da Sua Mãe" e "Prece", o fado "Ai, Amália", de Luísa Salazar de Sousa, e o poema "Ciganos", de Pedro Homem de Mello), Portugal/Mensagem, de Pessoa (1985) e O Pão e a Alma (1987).
Depois do encerramento do Pátio das Cantigas, centrou a sua actividade nos concertos e na composição musical, tendo, a partir da década de 1990, contribuído para a renovação do panorama fadista através de convites a jovens intérpretes para integrarem os seus concertos, casos de Maria Ana Bobone, Mafalda Arnauth, Ana Sofia Varela, Mariza, Cristina Branco, Katia Guerreiro, Nuno Guerreiro, Joana Amendoeira, Ana Moura, Diamantina, entre outros.
Em 1990 o seu primeiro CD, Terra de Fados, que foi um êxito, incluiu poemas inéditos de Manuel Alegre, que pela primeira vez escreveu expressamente para um cantor. Seguiram-se Cantigas de Mar e Mágoa (1991), Em Nome do Fado (1994), Fado Fado (1997), Dez Anos Depois (2001), Fados Capitais (2002), Cem Anos de Fado - vol. 1 (1999) e vol. 2 (2001), e Cantar ao Fado (2000), onde reúne poemas de Fernando Pessoa, Alexandre O'Neill, Miguel Torga, David Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, etc.
Em 2006 publicou o livro Ai Este Meu Coração. Neste mesmo ano, foi distinguido, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Além do fado, interpreta um repertório diversificado, que vai da música francesa, à brasileira, passando também pela anglo-saxónica.
É um intérprete com um estilo muito próprio, caracterizado por um timbre único, pela primazia do texto e por uma abordagem melódica imaginativa, sempre actualizada e de constante improviso.
Ouça, agora, João Braga no "Velhinho Fado Menor".

sexta-feira, dezembro 02, 2011

O Perfumista

O Perfumista, de Joaquim Mestre, é um livro que se recorda como o perfume de quem se amou. Uma viagem perturbante ao Alentejo do início do século XX.
Um homem apaixona-se por uma mulher. Não pelos seus olhos, não pelos seus cabelos, mas pelo seu cheiro. É o perfumista de Almorim.
Quando na Europa deflagra a Iª Guerra Mundial, o homem integra o Corpo Expedicionário Português que vai combater na Flandres. Algum tempo depois chega a notícia de que morreu na Batalha de La Lys.
No entanto, um dia o barco da carreira que sobe o Guadiana traz um homem que diz ser o perfumista. A febre pneumónica tinha feito muitas vítimas: a mulher, os amigos, muitas pessoas da vila haviam morrido. Não fala com ninguém, fecha-se em casa a criar perfumes, cujos aromas enlouquecem as mulheres e os homens, alterando a vida de Almorim.
Entre odores de mirra e de jasmim, de açafrão e de rosmaninho, entre profetas e malteses, visionários e contadores de histórias, O perfumista é um romance que nos traz imediatamente à memória os ambientes oníricos e as personagens de assombro que encontramos em escritores como Gabriel Garcia Márquez ou José Luís Peixoto.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

"Portugal a Pé" - haverá melhor forma de aprender um país?

Mais de mil quilómetros percorridos, centenas de conversas, milhares de fotografias ... Um país contado em livro, por quem o quis ver e sentir de perto, devagar, a pé!



«Se toda a gente anda a viajar e a escrever sobre todos os cantos do mundo, pensei então, porque não revisitar o interior do meu país a pé e escrever sobre o que vou encontrando pelo caminho?» Esta pergunta do jornalista Nuno Ferreira mereceu a resposta que agora é apresentada em livro: o Portugal a Pé - 500 páginas (cem dedicadas exclusivamente a fotografias)




Em Fevereiro de 2008, o jornalista munido de mapa, mochila e vontade de redescobrir o país partiu de Sagres. Depois, ao longo de dois anos, com alguns percalços e interrupções pelo meio, Nuno Ferreira caminhou o país todo. Uma viagem essencialmente pelo interior do país, esquecido, «muitas vezes entregue a si próprio, a lutar desesperadamente contra a desertificação», diz, acrescentando, trata-se de «um país de sobreviventes que não estão dependentes do próximo discurso à nação do político»

O Portugal a Pé é passagem por terras e rostos, é descoberta de vidas, é narração de histórias de sobrevivência, é pincelada humana num território cada vez mais desertificado e envelhecido

Mas, nos tempos que correm, é também alerta e acusação a quantos, em nome de um ilusório «progresso» (que deu no que deu), não hesitaram em comerciar o país rural, a agricultura, as formas de subsistência e de sociabilidade locais, por um punhado de euros que se esfumaram… como costuma acontecer ao ouro e às especiaria na História de Portugal.

Sobre o livro diz Rui Dias José, um outro jornalista, responsável pela sua edição:
Estou certo que muitos, como eu, irão querer de uma penada percorrer aquelas páginas, encurtando distâncias para realidades que quase ignoramos, apesar de sabermos tudo acerca do que se passa no outro lado do mar, de discutirmos modismos e "saisons" de qualquer capital europeia ou de nos convencermos que o mundo e a vida cabem num ecrã e numas teclas de computador à mesa de uma qualquer rede social.

O Portugal a Pé já anda pelas livrarias. Para que o percorram e saboreiem.

quarta-feira, novembro 30, 2011

Mondego

Deixo-o (a) com um documentário fabuloso sobre o rio Mondego (rio de barqueiros, calafetes, carreiros, estanqueiros, mas também de lentes, estudantes e poetas). O autor, Daniel Pinheiro, apresenta, assim, o contexto em que realizou este filme:
"Chamo-me Daniel Pinheiro. Terminei recentemente um mestrado em Wildlife Documentary Production na Universidade de Salford, UK, onde tive aulas com Sir David Attenborough, Paul Reddish, Neil Lucas e outros nomes da BBC Natural History Unit, Bristol. O documentário de vida selvagem "Mondego" é o meu projecto final do mestrado. O filme foi classificado com uma distinção e o próximo passo é concorrer a festivais desta especialidade na Europa. Estou na fase de publicitar o filme e achei que faria sentido fazê-lo para a QUERCUS, como documento científico sobre a fauna do Mondego e não só, visto que abranje algumas espécies com uma cobertura nacional mais ampla. Destacaria as mais ameaçadas como o tritão ibérico e a salamandra lusitânica".
Embora esteja em inglês, vale a pena ver o "Mondego". Recoste-se e aprecie, porque vai gostar de certeza.

"Mondego" by Daniel Pinheiro from Daniel Pinheiro on Vimeo.

terça-feira, novembro 29, 2011

Cabelo branco é saudade

Alfredo Marceneiro (n. Lisboa, 1891 - m. Lisboa, 1982) ficou conhecido com este nome devido à sua profissão, foi um fadista português que marcou uma época. Era detentor de uma voz inconfundível tornando-se um marco deste género de canção em Portugal.
Desde pequeno que sentia grande atracção pela arte de representar e pela música. Com os amigos começou a dar os primeiros passos como fadista em locais populares, começando a ser muito solicitado pela facilidade com que cantava e improvisava a letra das canções.
Um dia, conheceu Júlio Janota, fadista improvisador, de profissão marceneiro que o convenceu a seguir esse ofício, já que lhe daria mais salário e mais tempo disponível para se dedicar à sua paixão. É, assim, que vai dividir o seu tempo entre as canções e o trabalho e se transforma num fadista de renome.
Reformou-se em 1963, após uma carreira recheada de sucessos, numa grande festa de despedida no Teatro São Luiz.
Dos muitos temas que Alfredo Marceneiro cantou destaca-se a "Casa da Mariquinhas", de autoria do jornalista e poeta Silva Tavares.
Ouça, agora, Alfredo Marceneiro em "Cabelo branco é saudade".

segunda-feira, novembro 28, 2011

Mercado de Natal

No início de Dezembro (2, 3, 4 e 5), vai realizar-se na arena do Campo Pequeno uma mostra variada e de qualidade, de produtos e ofícios portugueses. A entrada é livre, e ali poderá adquirir artigos portugueses a preços apelativos, em áreas tão diversas como o Vintage, Gourmet, Crafts, Biológico, Design, Artes Plásticas, Plantas, Nostalgia, Decoração, Cerâmica, Joalharia, Moda, Coleccionismo, Livros e Instituições de Solidariedade Social. É o Mercado de Natal do Campo Pequeno.
A filosofia deste projecto é a de recriar o espírito dos mercados de outros tempos, onde se podia encontrar um pouco de tudo.
Os objectivos do Mercado de Natal são os seguintes:
1- Contribuir para a divulgação, estímulo e sustentabilidade de ofícios, artesãos e micro actividades produtivas nacionais, que pela sua reduzida dimensão têm muita dificuldade em dar-se a conhecer ao grande público de modo a poder apresentar e escoar as suas produções.
2- Aproximar do grande público as Instituições de Solidariedade Social (Unicef, Médicos do Mundo, entre outras) que neste período difícil que o país atravessa lutam diariamente com dificuldades, permitindo às mesmas uma participação gratuita para divulgação e angariação de apoios e receitas extraordinárias.
3- Sensibilizar o público para a aquisição de artigos portugueses,
Não se esqueça que muitas destas actividades são construídas com admirável persistência, paixão, engenho e criatividade, nas mais variadas vertentes produtivas, culturais ou sociais, constituindo notáveis exemplos de inovação, solidariedade e criatividade nacionais.Não esqueça, vá até lá!

domingo, novembro 27, 2011

Canção do Mar

Amália Rodrigues (1920 — 1999) foi uma fadista, cantora e actriz portuguesa. É considerada o exemplo máximo do fado. Tem sido aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX. Está sepultada no Panteão Nacional, entre os portugueses ilustres.
Amália tornou-se conhecida mundialmente como a Rainha do Fado e, por consequência, devido ao simbolismo que este género musical tem na cultura portuguesa, foi considerada por muitos como uma das suas melhores embaixadoras no mundo.
Graças ao virtuosismo da sua voz, Amália Rodrigues teve à sua disposição poemas e letras de alguns dos maiores poetas e letristas seus contemporâneos, como David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, Ary dos Santos, Manuel Alegre, Alexandre O’Neill.
Recorde, agora, Amália Rodrigues em Canção do Mar.

Barco Negro

Mariza, a madrinha da candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade (Unesco), é uma fadista portuguesa que nasceu em Moçambique em 1973.
Tem sido presença regular em palcos como o Carnegie Hall, em Nova Iorque, o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, o Lobero Theater, em Santa Bárbara, a Salle Pleyel, em Paris, a Ópera de Sydney ou o Royal Albert Hall. O jornal britânico The Guardian considerou-a «uma diva da música do mundo».
Foi o pai que determinou o gosto da cantora pelo fado. Segundo a fadista o pai estava «sempre a ouvir fado e, na hora das refeições, nunca se via televisão; ouviam-se discos, sempre de fado…». Fernando Farinha, Fernando Maurício, Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, entre muitos outros, eram os predilectos de José Nunes, e foram os que mais influenciaram a sua forma de cantar.
Logo aos cinco anos de idade recebeu o seu primeiro xaile. Começou, então, a moldar a voz que a tornou famosa. Sobre o estabelecimento onde aprendeu a cantar o fado e onde actuou pela primeira vez aos cinco anos, já envergando um xaile negro, Mariza já referiu em entrevistas:
"Foi aqui que toda a história começou. Se calhar é aqui que vai acabar. Tudo pode acabar de repente, tal como começou, e eu volto à minha Mouraria e à taberninha dos meus pais para servir dobradinhas e copos de vinho que não me chateia nada"!
Ali cruzou-se «com tantos fadistas que as suas caras já se esfumam na memória».
Ouça agora a Mariza, no conhecido fado "Barco Negro", cuja letra é de David Mourão Ferreira e que foi celebrizado pela fadista Amália Rodrigues.