quarta-feira, setembro 01, 2010

Com'è triste Venezia

Esta é a versão mais bela da clássica canção de Charles Aznavour, "Que C'est Triste Venise." Fora de Itália é muito rara. "Que c'est triste Venise", cantada em francês, em italiano ("Com'è triste Venezia"), espanhol ("Venecia sin tí"), inglês ("How sad Venice can be", "The Old-Fashioned Way") e alemão ("Venedig im Grau") está entre as mais famosas canções poliglotas de Aznavour. Espero que goste. Aprecie também as belíssimas imagens da mais bonita das cidades: Veneza.
Charles Aznavour, cujo nome verdadeiro é Aznavourian, nasceu em Paris. É filho de pais imigrantes de origem arménia.
Descobriu a paixão pelo mundo do entretenimento, no restaurante da família, onde o seu pai cantava. Conseguiu, mais tarde, alguns pequenos papéis no cinema e no teatro. Em 1941, trabalha para Edith Piaf, que o incentiva a lançar-se a solo.
A partir daí conhece o sucesso que se tem prolongado no tempo.
Além de ser um dos mais populares cantores da França, é também um dos cantores franceses mais conhecidos no exterior. Actuou em mais de 60 filmes, compôs cerca de 850 canções (incluindo 150 em inglês, 100 em italiano, 70 em espanhol e 50 em alemão) e já vendeu bem mais que 100 milhões de discos. Nos anos 1970, Aznavour tornou-se um grande sucesso no Reino Unido, onde a sua canção "She" saltou para o número um, no ranking de sucessos a nível mundial.
A lista de artistas que já cantaram Aznavour abrange de Fred Astaire a Bing Crosby, de Ray Charles a Liza Minelli. Elvis Costello gravou "She" para o filme Notting Hill. O tenor Plácido Domingo é um grande amigo de Aznavour e frequentemente canta os seus sucessos, principalmente a versão de Aznavour de Ave Maria, de 1994.
Aznavour começou a sua turnê global de despedida no fim de 2006. Obteve a cidadania arménia em Dezembro de 2008 e em 2009 tornou-se embaixador da Arménia na Suíça.
Em 1997, o Presidente da República francesa, Jacques Chirac, nomeou-o oficial da Legião de Honra. Esta é, certamente, a melhor prova de que Charles Aznavour se tornou um pilar da cultura francesa.

Com'è triste Venezia
Soltanto un anno dopo
Com'è triste Venezia
Se non si ama più

Si cercano parole
Che nessuno dirà
E si vorrebbe piangere
Non si può più

Com'è triste Venezia
Se nella barca c'è
Soltanto un gondoliere
Che guarda verso te

E non ti chiede niente
Perché negli occhi tuoi
E dentro la tua mente
C'è soltanto Lei

Com'è triste Venezia
Soltanto un anno dopo
Com'è triste Venezia
Se non si ama più

I musei e le chiese
Si aprono per noi
Ma non lo sanno
Che ormai tu non ci sei

Com'è triste Venezia
Di sera la laguna
Se si cerca una mano
Che non si trova più

Si fa dell'ironia
Davanti a quella luna
Che un dì ti ha vista mia
E non ti vede più

Addio gabbiani in volo
Che un giorno salutaste
Due punti neri al suolo
Addio anche da lei

Troppo triste Venezia
Soltanto un anno dopo
Troppo triste Venezia
Se non si ama più

domingo, agosto 29, 2010

Hay Unos Ojos

Linda Ronstadt (1946) é uma cantora americana que tem cantado uma enorme variedade de géneros musicais, graças à sua bela voz. Tal facto, tem-lhe rendido muitos prémios e um enorme prestígio e reconhecimento.
Começou a sua carreira no final dos anos 60, como vocalista dos The Poneys Stone, uma banda de folk californiano. Depois de três álbuns com a banda, decidiu seguir uma carreira a solo.
Linda Ronstadt lançou mais de 30 álbuns de estúdio, apareceu em mais de 100 álbuns de outros artistas e vendeu quase 100 milhões de álbuns em todo o mundo.
No álbum "Canciones de Mi Padre", a cantora presta homenagem à sua herança e raízes mexicanas. Possui aqui o apoio do excelente e mundialmente famoso Mariachi Vargas e a direção do experiente mestre arranjador/compositor/produtor Ruben Fuentes.
De salientar canções como: "Tu Solo Tu"; "Por un Amor" e "Los Laureles", que são antigos clássicos da música mexicana. Este CD que se pode englobar no género popular/mariachi, facilmente se classifica entre os melhores.
Ouça-a em "Hay unos ojos" de "Canciones de mi padre".
Este post é também uma homenagem às "Canciones de mi padre e de mi hermano".

domingo, agosto 22, 2010

Encosta-te a Mim

Jorge Palma (Lisboa - 1950) é um compositor e cantor português.
Aos seis anos, iniciou os seus estudos de piano. Foi no Conservatório Nacional a sua primeira audição, aos oito anos.
Durante a adolescência e a par da formação erudita, começa a interessar-se pelo rock’n’roll, e, de um modo geral, pela música popular americana e inglesa. É por esta altura que descobre a guitarra. Bob Dylan, Led Zeppelin e Lou Reed são algumas das suas influências.
Integrou vários grupos musicais de 1967 a 1971. A estreia a solo de Jorge Palma acontece com o single The Nine Billion Names of God (1972), título de um conto de Arthur C. Clarke e inspirado também no livro "O Despertar dos Mágicos", de Louis Pauwels e Jacques Bergier. Por esta altura, inicia uma colaboração com José Carlos Ary dos Santos, que o ajuda a aperfeiçoar a escrita poética, e com quem estabelece uma relação de aluno-mestre.
Em Setembro de 1973, recusando-se a cumprir o serviço militar obrigatório e, consequentemente, a embarcar para a guerra no Ultramar, parte para a Dinamarca, onde lhe foi concedido asilo político.
Regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974, iniciando uma carreira como orquestrador, entre 1974 e 1977, na indústria discográfica.
Em 1975, concorreu ao Festival RTP da Canção e gravou o seu primeiro LP "Com uma Viagem na Palma da Mão", com canções compostas durante o exílio político em Copenhaga.
Depois da gravação do seu segundo trabalho discográfico - "Té Já "(1977), partiu em viagem, cantando e tocando guitarra nas ruas de várias cidades espanholas e francesas, nomeadamente Paris, interpretando repertório de compositores de música popular americana, como Bob Dylan, Crosby, Stills and Nash, Leonard Cohen, Neil Young, Simon & Garfunkel, entre outros.
Em 1979, grava "Qualquer Coisa Pá Música", o seu terceiro álbum de originais.
O ano de 1985 é marcado pelo lançamento do seu sexto álbum de originais e um dos mais aclamados da sua carreira, "O Lado Errado da Noite". O single "Deixa-me Rir" é dele extraído e teve um enorme sucesso, sendo, ainda hoje, uma das músicas que funciona como uma espécie de imagem de marca e uma das mais requisitadas pelos fãs nos concertos.
Em 1986, gravou o seu sétimo álbum de originais – "Quarto Minguante".
Em 1989, edita Bairro do Amor, considerado pelos jornais Público e Diário de Notícias como um dos álbuns do século da música portuguesa.
Compondo, escrevendo letras, fazendo arranjos e desempenhando a direcção musical nas gravações dos seus fonogramas, foi acompanhado por músicos com experiência em diversos domínios musicais, como o pop-rock, a MPP, a música improvisada, a música erudita e o jazz, dos quais se salientam Carlos Bechegas, Carlos Zíngaro, Edgar Caramelo, Guilherme Inês, Jorge Reis, Júlio Pereira, Rui Veloso, Zé Nabo, José Moz Carrapa, Zé da Ponte e Kalu, entre outros.
Durante a década de 1990 suspendeu a gravação de composições originais para se dedicar à reinterpretação da sua obra, participando regularmente noutros agrupamentos, realizando gravações para intérpretes próximos de si, compondo música para teatro, bem como preconizando inúmeros concertos pelo país, que se traduziram num aumento significativo da sua popularidade, sobretudo junto do público mais jovem.
Integrou o agrupamento Rio Grande, em 1996, formado por Tim (Xutos & Pontapés), João Gil Ala dos Namorados, Rui Veloso e Vitorino, que alcançou uma considerável popularidade.
Nesse mesmo ano, musicou poemas de Regina Guimarães, integrados na peça de Bertolt
Brecht "Lux in Tenebris" - levada à cena pela companhia de teatro de Braga - e colaborou com Sérgio Godinho, João Peste, Rui Reininho e Al Berto no espectáculo "Filhos de Rimbaud", apresentado no Coliseu dos Recreios de Lisboa.
Foi director musical do espectáculo teatral "Aos que Nasceram Depois de Nós", baseado em textos de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weill, Hans Eisler, do próprio dramaturgo e com uma composição de JP ("Do Pobre B.B.").
Em 1997, sai o segundo álbum dos Rio Grande - Dia de Concerto - ao vivo no Coliseu dos Recreios. Nele se estreia o original de Jorge Palma "Quem És Tu de Novo?".
Em 2001, edita, então, o seu novo álbum, muito bem recebido pela crítica e ainda mais pelo público, ávido de novas músicas, mais de doze anos decorridos sobre o lançamento do seu último disco de originais.
Em Agosto de 2004 gravou, no Porto, o álbum "Norte" que contou com participações especiais de muitos músicos portugueses com quem ainda não tinha trabalhado até então.
Lançou em 2007 o disco "Voo Nocturno" e em 2010 o single "Tudo por um beijo", que é a banda sonora do filme A Bela e o Paparazzo.

domingo, agosto 15, 2010

Mon Homme

Zaza Fournier é uma óptima surpresa e uma das novas vozes da canção francesa.
Fournier nasceu em 1985 em Paris (França). Começou a cantar nas ruas e nos bares desta cidade.
Apresenta-se ao vivo misturando um I Pod e um acordeão, que pratica desde os 15 anos. Sob o seu comando as notas que dele retira adequirem ritmos modernos entre eles o funky. “As pessoas associam frequentemente o acordeão a um instrumento ultrapassado. Queria mostrar-lhes outra coisa”, diz Fournier.
Ao som deste instrumento, canta o amor sempre com uma ponta de ironia na voz. O primeiro álbum (chamado simplesmente Zaza Fournier) foi lançado no final de 2008. É denso e doce, lírico e enérgico, dominado pela voz sensual da bela Mademoiselle Fournier, forjada nas apresentações que fazia pelas ruas e bares de Paris.
Do seu repertório próprio não deixe de ouvir, La Vie a Deux, Rêve Américain e da faixa-título de seu CD, Les Mots Tocs. Ela evoca a tradicional canção francesa com um clima de cabaré pop.
Admiradora de Edith Piaf, Elvis Presley, Tom Waits e Brigitte Fontaine, a compositora já foi distinguida com críticas positivas do Le Figaro, France Soir e L´Express. “Vê-la no palco, com a sua franja, com a sua presença de artista de cabaré, de estrela do Rock dos anos cinquenta… Zaza Fournier é uma mistura de estilos que faz girar pescoços e balançar pernas”, refere o site/da agência France Info.
Para descobrir, descontrair e consumir sem moderação. Veja ZAZA FOURNIER em concerto,em Bretigny, em Março de 2009, interpretando Mon Homme.


domingo, agosto 08, 2010

Cornflake Girl

Tori Amos é o pseudónimo de Myra Ellen Amos (1963)que é uma cantora, compositora e pianista norte-americana.
Amos esteve à frente de um grupo de cantoras e compositoras no começo da década de 90, sendo digna de nota, no começo da sua carreira, como uma das poucas cantoras e intérpretes pop que usam o piano como instrumento principal.
Ela é conhecida por músicas emocionalmente intensas, que tratam de uma variedade de temas, como a a sexualidade, a religião e a tragédia pessoal. Ficam aqui alguns dos seus singles mais bem-sucedidos: “Crucify”, “Silent All These Years”, “Cornflake Girl”, “Caught a Lite Sneeze”, “Profesional Widow”, “Spark” e “A Sorta Fairytale”.
Amos vendeu 12 milhões de discos ao redor do mundo até 2005, e é muito admirada e seguida no mundo cult.
Não perca agora, o vídeoclipe de Cornflake Girl , de Tori Amos.

Tori Amos - Cornflake Girl
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domingo, agosto 01, 2010

Simplicidade



Este mês estarei menos por aqui.
Vou de férias. O descanso é necessário e fundamental.
Para iniciar bem o mês e este período de descanso estival, proponho-lhe Simplicidade, da banda mineira de rock Pato Fu, com a voz da Fernanda Takai.


sábado, julho 31, 2010

"E Tudo o Vento Levou". Ou Talvez Não...Quem Sabe?

"E Tudo o Vento Levou". Ou talvez Não... Quem Sabe?
Um ano de trabalho que se encerra. Uma direcção, com um ano, que cessa funções. Um ciclo de vida de uma escola, já com 30 anos, que acaba. Sem mais nem menos!
Ninguém foi tido ou achado. A partir de 1 de Agosto passamos a fazer parte de um agrupamento. A ordem veio de cima e pronto! Para quê ouvir as escolas e as pessoas envolvidas? Não é preciso, nem vale a pena! Não devem ter nada a dizer...
Para encerrar este capítulo da vida da ESL, aqui deixo mais algumas imagens de algumas das muitas actividades que se realizaram na Escola Secundária do Lumiar durante o ano lectivo de 2009/210. Boas férias.
Quem sabe que outras surpresas o futuro nos reserva!?

sexta-feira, julho 30, 2010

Ainda a Peneda - Gerês

Hoje proponho-lhe a continuação do passeio pela Peneda - Gerês.
No Parque Nacional da Peneda - Gerês encontra uma enorme variedade e riqueza de cobertura vegetal: matos, carvalhais e pinhais, bosques de bétula ou vidoeiro, campos de cultivo e pastagens. As matas do Ramiscal, de Albergaria, do Cabril, todo o vale superior do rio Homem e a própria Serra do Gerês são um tipo de paisagem que dificilmente encontra em Portugal, algo de comparável.
Estas serranias já foram território do Urso pardo e da Cabra montesa. Hoje o Parque ainda dá abrigo ao lobo, à truta e à águia-real.
Os vestígios do passado histórico traduzem-se nos castelos de Castro Laboreiro e do Lindoso, nos monumentos megalíticos e nos testemunhos da ocupação romana através dos curiosos marcos miliários que se encontram em trechos do caminho que conduzia à antiga Bracara Augusta.
Há ainda para ver os característicos povoados, a arquitectura dos socalcos, as paradas de espigueiros (no Soajo ou no Lindoso) e a frescura dos prados de lima.
O passeio que lhe proponho, mostra uma parte de Portugal em que a ruralidade ainda está muito presente. Aproveite e vá até à Ponte da Mizarela, às serras do Soajo e Amarela, às Cascatas de Leonte, do Arado e da Laja, à Portela do Homem e ao Pico da Nevosa.
Com votos de boas férias, aqui fica mais uma apresentação que mostra algumas das belezas deste Parque Nacional de Portugal.

quinta-feira, julho 29, 2010

Há Mais

Há mais de meia hora
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.
Estes versos estão fora do meu ritmo.
Eu também estou fora do meu ritmo.)
Tinteiro grande à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da “Enciclopédia Britânica”.
Ao lado direito -
Ah, ao lado direito
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.

Quem pudesse sintonizar tudo isto!
Álvaro de Campos

quarta-feira, julho 28, 2010

As Misteriosas Ruínas Submersas

No arquipélago de Ryûkyû, a 480 km a sudoeste de Okinawa no Japão, as águas em torno da ilha de Yonaguni escondem um conjunto de misteriosas ruínas. O território, de 28,88 km² e uma população de pouco mais de mil e setecentas pessoas, atraiu a atenção de historiadores, arqueólogos e outros cientistas quando, em 1985, um mergulhador descobriu magníficas estruturas de pedra submersas nas águas que circundam a ilha.
Desde 1995, mergulhadores e cientistas japoneses estudam uma das mais importantes descobertas arqueológicas do planeta. É uma cidade muito antiga, localizada a alguns quilómetros da ilha de Yonaguni. Os vestígios arqueológicos desta cidade encontram-se submersos e pensa-se que têm cerca de 11.000 anos de idade, o que faz deles, as edificações mais antigas do planeta.
Ao longo de mais de uma década de explorações, os mergulhadores já localizaram nada mais nada menos do que oito grandes estruturas feitas pelo homem, incluindo uma pirâmide no mesmo estilo das dos aztecas e maias (constituídas por 5 andares e alinhadas de acordo com os pontos cardeais).
A equipe do dr. Masaaki Kimura, da Universidade de Ryûkyû, têm explorado o sítio arqueológico submarino. Já encontraram escadarias, rampas, terraços, entalhes na rocha e outros indícios da presença de "mão humana", nomeadamente, ferramentas. Yonaguni pode ser o mais antigo conjunto arquitetónico da história.

terça-feira, julho 27, 2010

A Redacção Vencedora

Hoje proponho-lhe que leia a redação vencedora num concurso realizado na Volkswagen, no Brasil. Mas primeiro tem que perceber o que se passou. Ora aqui vai!
No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder à seguinte pergunta:
'Você tem experiência'?
A redacção abaixo, foi desenvolvida por um dos candidatos. Acabou por ser aprovado e o texto que escreveu está a fazer um enorme sucesso. De certeza que será sempre lembrado pela sua criatividade, pela sua poesia e acima de tudo, pela sua alma.
A REDACÇÃO VENCEDORA:
Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar,
Já me queimei brincando com vela.
Já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo. Já confundi Sentimentos.
Já peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
Já me cortei fazendo a barba apressado,
Já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas,
Já subi em árvore pra roubar fruta.
Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas,
Já escrevi no muro da escola,
Já chorei sentado no chão do banheiro,
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando.
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios,
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro,
Já tremi de nervoso,
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de
alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua, Já gritei de felicidade,
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.

E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: 'Qual sua experiência?'. Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
Experiência...experiência...Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência?

Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
Experiência? 'Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?'

segunda-feira, julho 26, 2010

Venha descobrir a Peneda - Gerês

Hoje proponho-lhe um pequeno passeio até ao noroeste de Portugal, até ao Parque Nacional da Peneda-Gerês. Este parque situa-se no extremo nordeste do Minho, fazendo fronteira com a Galiza. Abrange os distritos de Braga (Terras de Bouro), Viana do Castelo (Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca) e Vila Real (Montalegre) numa área total de cerca de 72 000 hectares.
É uma das maiores atracções naturais de Portugal, pela rara e impressionante beleza paisagística e pelo valor ecológico e variedade de fauna (veados, cavalos selvagens, lobos, aves de rapina) e flora (pinheiros, teixos, castanheiros, carvalhos e várias plantas medicinais). Estende-se desde a serra do Gerês, a Sul, passando pela serra da Peneda até à fronteira espanhola.
Ali existem trechos da estrada romana que ligava Braga a Astorga, conhecida como Geira. No parque situam-se, ainda, dois importantes centros de peregrinação, o Santuário de Nossa Senhora da Peneda, réplica do santuário do Bom Jesus de Braga, e o de São Bento da Porta Aberta, local de grande devoção popular.
Se não conhece este Parque Natural, não desperdice a primeira oportunidade que tiver para o fazer. Entretanto vá-se deliciando com a apresentação que escolhi para hoje. Já agora, na sexta-feira haverá mais.

domingo, julho 25, 2010

Tédio

Ir levando no caminho os amores perdidos
e os sonhos idos
e os fatais sinais do olvido.

Ir seguindo na dúvida das horas apagadas,
pensando que todas as coisas se tornaram amargas
para alongarmos mais a via dolorosa.

E sempre, sempre, sempre recordar a fragrância
das horas que passam sem dúvidas e sem ânsias
e que deixamos longe na estéril errância.
Pablo Neruda

sábado, julho 24, 2010

El Rastro

El Rastro de Madrid ou simplesmente El Rastro é um mercado ao ar livre que acontece aos domingos e feriados no centro histórico de Madrid.
Este nome deriva do facto de em tempos recuados, junto ao Rio Manzanares, haver fábricas de curtumes, na Rua Ribeira dos Curtidores, que se localizavam junto ao matadouro. As reses depois de mortas eram arrastadas pelas peles desde o matadouro até às fábricas de curtumes. Este facto, provocava a formação de um enorme rasto de sangue.
Há, ainda, uma obscura lenda que atribui o nome, ao sangue resultante das execuções públicas, pela guilhotina, que ocorriam neste lugar. De qualquer modo, este grande mercado ao ar livre tem a sua origem no século XV.
Hoje em dia El Rastro acontece entre as 9:00 e as 15:00 horas no bairro de Embajadores, no Centro de Madrid. Aí existem cerca de 3.500 postos de venda que se estendem entre a Plaza de Cascorro, a Rua da Ribera de Curtidores, a Rua dos Embajadores, a Ronda de Toledo e a Plaza del Campillo del Mundo Nuevo.
Se gosta de mercados de rua, não pode perder a oportunidade de conhecer El Rastro. É um mercado ao ar livre muito popular, tanto para o turismo como para os moradores da cidade.
Ali, poderá encontrar desde antiquários a vendedores de móveis, de objetos decorativos, de tecidos, de discos,de peles, de roupas e de complementos, de bijuteria e de artesanato. El Rastro é conhecido sobretudo pela venda de objectos e roupas em segunda mão, mas também é possível adquirir artigos novos.
A rua de San Cayetano é o espaço dos artistas. Nela encontra quadros originais ou reproduções de obras de arte.
Depois de terminar a visita e as compras, uma óptima idéia é seguir a tradição madrilena e procurar um bar de tapas (aperitivos) no animado bairro La Latina.

sexta-feira, julho 23, 2010

O mendigo Sexta-Feira, jogando no Mundial

Mia Couto, num pequeno número de palavras, diz tudo!!! Bravo!!!

(...) O que me inveja não são esses jovens, esses "fintabolistas", todos cheios de vigor. O que eu invejo doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas.
A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas que são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me atender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penaltis eu já tinha marcado contra o destino? (...) Mia Couto, in "O fio das Missangas"

quinta-feira, julho 22, 2010

Que grande buraco!

Os guatemaltecos foram surpreendidos, no início de Junho, por mais um acontecimento insólito. Um buraco abriu no centro da Cidade da Guatemala, arrastando um prédio e uma casa que desapareceram sem deixar rasto. Já tinha acontecido o mesmo em 2007, quando o velho sistema de drenagem cedeu com as chuvas.
O actual aluimento de terras, em forma de buraco redondo, provocou a morte a uma pessoa, segundo avançou, na altura, a Sky News.
As causas para o aluimento parecem ser as mesmas. Foram os efeitos da tempestade Agatha que atingiu o país. Em consequência, o velho sistema de drenagem da capital cedeu. A dimensão da tempestade foi de tal ordem que deu origem a fortes chuvadas e ventos de forte intensidade. Foi o próprio governo guatemalteco que colocou nas redes sociais a fotografia que mostra o buraco gigante que se abriu no centro da Cidade da Guatemala. Naquele local havia um prédio de três andares e uma casa que foram engolidos pela terra. O buraco tinha cerca 60 metros de profundidade e engoliu também uma fábrica de tecidos.
Há várias explicações científicas para este fenómeno. Veja o que diz o professor de geologia e director do Centro de Apoio Científico em Desastres da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Renato Lima. Segundo explicou, este tipo de depressão recebe o nome técnico de dolina e o corre em solos onde há rochas calcárias. “Essas rochas são dissolvidas pela passagem da água ao longo de milhares de anos. Às vezes, uma grande caverna desaba na profundidade e, na superfície, surge uma cratera. Geralmente, estas crateras são bastante circulares”, segundo disse.
De acordo com aquele professor, o surgimento desse tipo de cratera é lento. “É mais comum que aconteça devagar, mas o solo pode entrar em colapso e desabar de repente”.
O professor do curso de geologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Carlos Humberto, afirma que a intervenção do homem acelera o desabamento. “Em todo lugar onde há rochas calcárias é possível acontecer este tipo de crateras, mas é um processo lento e natural. No entanto, o homem pode acelerar o processo com intervenções no solo e antecipar o desabamento.”
Ora veja o que aconteceu na Guatemala!

quarta-feira, julho 21, 2010

Instead

Madeleine Peyroux (Geórgia - E.U.A.-1974) é uma cantora de jazz que escreve e interpreta as suas próprias composições e letras. Tem um voz muito bonita e sexy. É, por isso, especialmente lembrada pelo estilo vocal, que em muito lembra a inesquecível cantora Billie Holiday.
Viveu também no sul da Califórnia, na cidade de Nova Iorque e em Paris.
Começou a cantar com quinze anos de idade, quando descobriu os artistas de rua, do boémio Quartier Latin, em Paris. Aos 16 anos, passou a fazer parte da The Lost Wandering Blues and Jazz Band. Viajou com este grupo, durante dois anos, pela Europa, interpretando canções de estrelas do Jazz como Fats Waller, Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Bessie Smith, etc. O repertório do seu primeiro álbum, Dreamland (1996) é o resultado de muitas destas experiências. Algumas canções realçam as vantagens de uma vida simples e sem complicações "(Getting Some) Fun Out of Life"; "Always a Use"; "This is Heaven To Me"; "A Little Bit" e "Homeless Happiness".
Neste álbum incluiu, também, canções de Patsy Cline, Holiday e Smith. Peyroux recebeu, então, a alcunha de "Billie Holiday do século XXI".
A revista Time chegou a classificar o álbum como "a mais excitante e envolvente performance vocal feita por uma nova cantora no ano".
Peyroux começou, então a fazer as primeiras partes dos concertos de Sarah McLachlan e Cesária Évora, além de realizar diversas aparições em conceituados festivais de Jazz, como o festival de Montreal, em 1997.
Em 2004, depois de um interregno de oito anos em que viveu no anonimato, lançou o álbum "Careless Love", que a trouxe novamente para a ribalta.
Neste álbum, Peyroux trabalhou com Larry Klein, com quem viria a trabalhar nos seus discos seguintes. Uma das suas adaptações mais conhecidas, "Dance Me To The End of Love", de Leonard Cohen, foi lançada pela primeira vez nesta gravação.
Depois do sucesso de "Careless Love", Madeleine Peyroux voltou ao estúdio e gravou "Half of The Perfect World", lançado em 2006. Desta feita, o álbum tinha quatro temas originais e novas interpretações de músicas de Leonard Cohen ("Blue Alert";"Half the Perfect World"), Tom Waits e Serge Gainsburg.
Em Março de 2009, Peyroux lançou um álbum totalmente composto por originais, Bare Bones.
Ouça-a, agora, em Instead. Se não a conhece não perca esta interpretação. Vale mesmo a pena.

terça-feira, julho 20, 2010

Tempos-Juncos




Tempos-juncos
Na margem do lago,
Onde as pedras são tempo,
Onde o tempo é de pedra.
No lago da margem,
Tempos, juncos,
Na margem do lago,
Santos, juntos.
Velimir Khlébnikov

segunda-feira, julho 19, 2010

Nuvens sobre Nova Yorque

No dia 26 de Junho de 2009, em Nova Yorque, ocorreu um espectáculo surpreendente: a formação de nuvens mammatus. As nuvens mammatus são raras e belíssimas.
Este impressionante fenómeno da natureza assemelha-se a algo saído de um filme de ficção científica.
Os Nova Iorquinos vieram para as ruas assistir a este estranho e espantoso acontecimento.
A formação das nuvens Mammatus é rara e na maioria das vezes está associada à formação de nuvens do tipo cumulonimbus.
Podem, também, ocorrer na alta atmosfera associadas a estratocumulos, cirros e cirrocumulos. Acontecem por vezes em "contrails" (nuvens artificias provocadas por aviões) e em nuvens de poeiras vulcânicas.
Mammatus (também referenciado por mamma ou mammatocumulus) é um termo da meteorologia aplicado ao padrão de "bolsas" que se formam na base da nuvem. O termo "mammatus" deriva de mama, devido à associação ao formato de mamas ou seios.
Frequentemente, as nuvens mammatus formam-se sob a bigorna associada a uma nuvem cumulonimbus.
As nuvens do tipo Mammatus, quando associadas a um cumulonimbo são indicadoras de tempo severo, mas, em muitos casos, indicam que a tempestade está a perder a sua força.

domingo, julho 18, 2010

Nazaré: Ontem e Hoje

A Nazaré é uma pequena vila portuguesa no distrito de Leiria (região Centro),com cerca de 14 000 habitantes.
É sede de um pequeno município com 80,49 km² de área, subdividido em 3 freguesias. O município é rodeado a norte, leste e sul pelo município de Alcobaça e a oeste confina com o litoral do Oceano Atlântico.
O concelho teve foral em 1514. O município, a vila e a freguesia designaram-se Pederneira até 1912. A Pederneira é actualmente uma localidade da freguesia da Nazaré, mantendo ainda o edifício dos antigos Paços do Concelho, a igreja Matriz e a igreja da Misericórdia. Outro local de interesse na vila da Nazaré é o Sítio. O Sítio da Nazaré é um bairro da vila da Nazaré. Data de 1182 a primeira construção no alto do escarpado promontório onde se localiza o Sítio. Trata-se da Ermida da Memória, mandada erguer por D. Fuas Roupinho sobre uma gruta, onde esteve durante a época muçulmana a imagem de Nossa Senhora da Nazaré. Ao episódio que originou a construção da capela dá-se vulgarmente o nome de Lenda da Nazaré e o nome da vila está ligado a esta lenda.
A Nazaré está indelevelmente ligada a Alves Redol, à longa-metragem de Manuel Guimarães (Nazaré de 1952), às sete saias das mulheres dos pescadores, à tasca do Zé Aleluia e ao Carnaval.
Se não sabe onde ir passear ou passar férias, aproveite e vá até à Nazaré. Para lhe abrir o apetite escolhi dois vídeos. Um da Nazaré de outros tempos e o outro da Nazaré de hoje. Aprecie.



sábado, julho 17, 2010

O Esconderijo de Ana Cañas

Aprecie O Esconderijo da cantora Brasileira Ana Cañas, através do vídeoclipe oficial desta música, extraída do novo CD Hein? (2009). Este tema fez parte da banda sonora da novela "Viver a Vida" da Rede Globo que passou recentemente em Portugal.
Ana Cañas é uma jovem cantora brasileira (1980), que se estreou em 2007 no cenário musical, com o álbum Amor e Caos, cuja canção "Coração Vagabundo", de Caetano Veloso, fez um enorme sucesso. Esta cantora distinguiu-se, também, na internet com hits como "Super Mulher", "Devolve, Moço" e "Cade Você?".
Ana Cañas assume que sofre influência de nomes como: Beatles; Hendrix; Rita Lee; Nina Simone; Cobain; Mário Edson; Jimmy Page; Che; Brando; Fellini; Arnaldo Antunes; Miles Davis; Keith Richards, etc. Aproveite e aprecie o vídeoclipe.



sexta-feira, julho 16, 2010

LEMBRANÇA DA RIA DE FARO

Dunas atrás da casa

gafanhotos cor de

madeira cardos cor de areia

ao fim da tarde,



barcos na água rósea

onde a cidade, em frente à casa, cai


De madeira caiada a

casa está

sobre a areia, que escurece quando

a maré devagar desce na praia
Gastão Cruz - Crateras - Lisboa, Assírio & Alvim, 2000

quinta-feira, julho 15, 2010

Velha Chácara

A casa era por aqui…
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.

Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinqüenta anos.)
Tantos que a morte levou!
(E a vida… nos desenganos…)

A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa…

- Mas o menino ainda existe.
Manuel Bandeira

quarta-feira, julho 14, 2010

Tem Problemas de Espaço?

Hong Kong é uma das cidades com maior densidade populacional do mundo. O excesso de população e a falta de espaço, são problemas com que qualquer cidadão se depara, no seu dia a dia.
Em Hong Kong, por causa do problema do espaço, os apartamentos são minúsculos e muito caros.

Um jovem arquitecto, Gary Chang de seu nome, conseguiu projectar um pequeno apartamento de maneira a poder transformar-se em 24 diferentes "designs" ou opções de "assoalhadas". Só é possível, tudo isto, através da deslocação de painéis e paredes amovíveis.
Gary chamou a este projecto o "Transformador Doméstico". Se quiser ver mais algumas das chamadas Casas Verdes no Mundo, clique aqui. Entretanto, aprecie este pequeno apartamento em Hong Kong. É o que se chama aliar o pragmatismo e o conforto às necessidades da vida moderna.
Diga lá se, lá em casa, não lhe daria jeito ter algumas destas soluções?