domingo, junho 20, 2010

Fala do Velho do Restelo ao Astronauta

Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.

Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.

No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.

Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.
José Saramago

sábado, junho 19, 2010

Intimidade

No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.
José Saramago

sexta-feira, junho 18, 2010

Adeus, Saramago...

Como não há palavras para falar de Saramago, deixo aqui algumas das suas frases e recordo os livros que publicou.
Sugiro-lhe também que, clique aqui e reveja uma curta metragem, postada neste blogue, que teve como base o conto de José Saramago " A Maior Flor do Mundo". É um excelente filme de animação, narrado pelo Nobel da Literatura e que fala de um mundo dilacerado pelo desespero, pela falta de esperança e de ideais.

Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.
José Saramago

Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.
José Saramago


É ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas não se pode derramar lágrimas sobre um disco rígido
José Saramago, Nobel de literatura em 1998

Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais.
José Saramago

Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.
José Saramago

Para temperamentos nostálgicos, em geral quebradiços, pouco flexíveis, viver sozinho é um duríssimo castigo
José Saramago

Não tenhamos pressa,
mas não percamos tempo.
José Saramago

O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas.
José Saramago

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.
José Saramago

Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.
José Saramago

O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio.
José Saramago

Cada dia traz sua alegria e sua pena, e também sua lição proveitosa
José Saramago

Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória.
José Saramago

Os lugares-comuns, as frases feitas, os bordões, os narizes-de-cera, as sentenças de almanaque, os rifões e provébios, tudo pode aparecer como novidade, a questão está só em saber manejar adequadamente as palavras que estejam antes e depois.
José Saramago

Há ocasiões que é mil vezes preferível fazer de menos que fazer de mais, entrega-se o assuntto ao governamento da sensibilidade, ela, melhor que a inteligência racional, saberá proceder segundo o que mais convenha à perfeição dos instantes seguintes.
José Saramago

"Há esperanças que é loucura ter. Pois eu digo-te que se não fossem essas já eu teria desistido da vida."
José Saramago em Ensaio Sobre a Cegueira.

O tempo é uma superfície oblíqua e ondulante que só a memória é capaz de fazer mover e aproximar.
José Saramago - O Evangelho segundo Jesus Cristo

Ao primeiro romance de Saramago, "Terra do Pecado" (1947) segue-se "Os Poemas Possíveis" (1966). Depois: "Provavelmente Alegria" (1970), "Deste Mundo e do Outro"(1971),"A Bagagem do Viajante"(1973), "O Ano de 1993" (1975) e "Manual de Pintura e Caligrafia (1977). Nos anos 1980 publica: "Levantado do Chão", "Que farei com este Livro?", "Viagem a Portugal", o "Memorial do Convento", "O Ano da Morte de Ricardo Reis", "A Jangada de Pedra", "A Segunda Vida de Francisco de Assis" e a "História do Cerco de Lisboa". "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" foi galardoado em 1992 com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. Em 1993, "In Nomine Dei" recebia o Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores.
Os "Cadernos de Lanzarote "saem em 1994 (Diário I) e 1995 (Diário II) e ainda em 1996 e 1997.
"Ensaio sobre a Cegueira" é publicado em 1995. Em 1997 é lançado o romance "Todos os Nomes". O quinto volume de "Cadernos de Lanzarote" chegará às livrarias em 1998. Em Novembro de 2005, José Saramago apresenta, em Lisboa, o romance "As Intermitências da Morte". Em 2008 e 2009 publica " A Viajem do Elefante e Caim", respectivamente.

"Eu, no fundo, não invento nada. Sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e a pôr à vista o que está bor baixo. Não é minha culpa se de vez em quando me saem monstros".
José Saramago

Não poderia estar mais de acordo com Mário Cláudio quando referiu, após tomar conhecimento da morte de José Saramago: "Saramago vai durar o que durar a literatura portuguesa".

Elegia

A alegria da vida, essa alegria d'oiro
A pouco e pouco em mim vai-se extinguindo, vai...
Melros alegres de bico loiro,
Ó melros negros, cantai, cantai!

Ando lívido, arrasto o pobre corpo exangue,
Que era feito da luz das claras madrugadas...
Rosas vermelhas da cor do sangue,
Rosas abri-vos às gargalhadas!

Limpidez virginal, graça d'Anacreonte,
Mimo, frescura, força, onde é que estais?... não sei!...
Ó águas vivas, águas do monte,
Ó águas puras, correi, correi!

Eu sinto-me prostrado em lânguido desmaio,
E a minha fronte verga exausta para o chão...
Cedros altivos, sem medo ao raio,
Cedros erguei-vos pela amplidão!
Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'

quinta-feira, junho 17, 2010

Coimbra do Choupal

Coimbra é uma cidade portuguesa que é a capital do Distrito de Coimbra (que tem 31 freguesias, 13 das quais urbanas ou maioritariamente urbanas). É a principal cidade da região Centro de Portugal e conta com cerca de 135 314 habitantes (2008). A cidade de Coimbra é banhada pelo rio Mondego e é considerada uma das mais importantes cidades portuguesas quer devido às suas infraestruturas quer à sua importância histórica e privilegiada posição geográfica na região centro. É um centro urbano de ruas estreitas, pátios, escadinhas e arcos medievais. Coimbra foi o berço de nascimento de seis reis de Portugal, da primeira dinastia, assim como da primeira universidade do país e uma das mais antigas da Europa. Foi também capital do reino e tem como padroeira a Rainha Santa Isabel. No século XII, Coimbra apresentava já uma estrutura urbana, dividida entre a cidade alta, designada por Alta ou Almedina, onde viviam os aristocratas, os clérigos e, mais tarde, os estudantes, e a Baixa, do comércio, do artesanato e dos bairros ribeirinhos. Desde meados do século XVI que a história da cidade passa a girar em torno da história da Universidade de Coimbra. A primeira metade do século XIX traz tempos difíceis para Coimbra, com a ocupação da cidade pelas tropas de Junot e Massena, durante as invasões francesas e, posteriormente, com a extinção das ordens religiosas. No entanto, na segunda metade de oitocentos, a cidade torna a recuperar o esplendor perdido. É só no século XIX que a cidade se começa a expandir para além do seu casco muralhado. Com a Universidade como referência inultrapassável, desta surgem movimentos estudantis, de cariz quer político, quer cultural, quer social. Da Univesidade surgiram e resistem ainda hoje em plena actividade, primeiro o Orfeon Académico de Coimbra, em 1880, o mais antigo coro do país, a própria Associação Académica de Coimbra, em 1887, e a Tuna Académica da Universidade de Coimbra, em 1888. Com o passar dos anos, inúmeros outros organismos foram surgindo. Com presença em três séculos e um peso social e cultural imenso, o Orfeon Académico de Coimbra representou o país um pouco por todo o mundo, em todos os continentes, levando a música coral portuguesa e o Fado de Coimbra a todo o mundo. Cidade historicamente ligada aos estudantes, conta actualmente com perto de 30 mil, grande parte dos mesmos de fora da cidade. A vida estudantil tem contribuído para o desenvolvimento de uma vida social, política e cultural intensa que tem passado pelo fado de Coimbra, pela serenata monumental, pela Queima das Fitas, pala "cabra" da velha torre, pelas Repúblicas estudantis, pelas praxes, pelo traje académico, pelas tricanas, pelos lentes e futricas, pelos caloiros e veteranos, pelas lutas académicas e movimentos estudantis, pela Igreja de Santa Cruz, pelo Hilário, pelo Zeca Afonso, pelo Menano, pelo Adriano Correia de Oliveira, pelo Luís Cília,etc, etc.
Aprecie, agora, o vídeo que escolhi para hoje e que mostra uma serenata em Coimbra, com o fado À Meia Noite, ao Luar.

quarta-feira, junho 16, 2010

Nha Terra é Sabi!



Cabo verde é terra de emigrantes. É uma pequeno país mas, tamanho não é nada, basta lembrarmo-nos da história de David e Golias! Não temos ouro nem diamantes, mas também não temos guerra nem corrupção. Em Cabo Verde toda a gente vive feliz com o pouco que tem e quando chove toda gente fica contente, acima de tudo somos um povo muito unido.
Nha terra é Sabi!
Djeisson Mendonça - 12º B


Cabo Verde é também um país de boa e variada música. Mornas, coladeiras e funánás fazem parte do património musical deste país. De um modo muito resumido, pode-se dizer que a música cabo-verdiana resulta de elementos musicais europeus (sobretudo de origem portuguesa) aos quais se sobrepõem elementos musicais africanos.
Depois da independência, houve um ressurgir destes géneros musicais, mas também novas experiências têm sido feitas conferindo à música cabo-verdiana características únicas.
Como géneros musicais genuinamente cabo-verdianos podem-se mencionar o batuque, a coladeira, o funaná, a morna e a tabanca. De entre outros géneros que embora não sendo originários de Cabo Verde ganharam características próprias são o lundum, a mazurca e a valsa. Há, também em Cabo Verde, a influência de música estrangeira como a bossa nova, a cúmbia, o hip-hop, o reggae, a rumba, o samba, o zouk, etc.

Como compositores fundamentais da música cabo-verdiana não poderia deixar de referir, entre outros: B. Leza, Paulino Vieira, Betú, Frank Cavaquim, etc.
Quanto a intérpretes há nomes inesquecíveis: Ana Firmino, Bana, Travadinha, Luís de Morais, Celina Pereira, Dany Silva, Kiki Lima, Lura, Paulino Vieira, Tito Paris, etc. Gostaria ainda de destacar os seguintes grupos musicais: Finaçon, Os Tubarões, Raíz di Funaná, e Voz de Cabo Verde, entre outros.

terça-feira, junho 15, 2010

Celebrar em Festa…Um Ano de Trabalho!

O culminar de um ano de intenso trabalho de alunos, encarregados de educação, professores e funcionários, aconteceu no dia 27 de Maio com O Dia da Escola. O envolvimento de todos foi fundamental para o sucesso desta iniciativa.
A escola é um local de aprendizagem, frequentemente, feita dentro das salas de aula. Mas, a aprendizagem pode e deve ser feita noutros espaços e servir-se de diversos meios, instrumentos, técnicas e expressões. As visitas de estudo, as idas ao teatro e ao cinema, o assistir a palestras, o participar/organizar debates, o participar e concorrer a projectos são outras importantes e fundamentais maneiras de se aprender.
O Dia da Escola serve exactamente este fim. É uma forma de se aprender de outro modo: aí aprende-se com o exemplo, o relato e a demonstração… apercebendo-se do trabalho que alunos e professores desenvolveram ao longo do ano.
Os diferentes pavilhões da escola engalanaram-se e mostraram actividades diversas sobre o ambiente, a cidadania, as artes, a saúde e as multi-actividades. Houve teatro, projecção de filmes e apresentações em "power point", karaoke, jogos de Matemática, "peddy paper", etc. E foram muitas as exposições:
• saúde, actividades desportivas, alimentação, sexualidade, Conhecer os Outros, Holocausto, bairros problemáticos, integração social, espécies vegetais (na estufa), reciclagem e eficiência energética, etc.
Houve palestras organizadas quer por encarregados de educação quer por diversas instituições de Ensino Superior da cidade. Houve música e danças africanas, houve passagem de modelos do grupo de alunos que concorreu ao projecto “Reutilizar é Fashion” e entrega de prémios aos que se distinguiram ao longo do ano em diversas actividades e áreas e aqueles que se distinguiram pelo seu desempenho nas actividades que integravam o próprio Dia da Escola (do "karaoke" ao "peddy papper"). Prémios só tornados possíveis pela colaboração da Junta de Freguesia do Lumiar e de outros patrocinadores.
Deve aqui ser sublinhada a participação activa de alunos e professores em diversos projectos (com repercussão interna e externa): Eco-Escolas; Entre Palavras, "Monit", "Twist"; "Reutilizar é Fashion", PES, CEF de Jardinagem (limpeza da Estufa) e de Carpinteiros de Limpos (exposição de trabalhos e colaboração na manutenção das instalações da escola). Estão todos de parabéns, porque a Escola é também um espaço de Cidadania.
O Dia da Escola começou com o hastear da Bandeira Verde do Projecto Eco-Escolas e terminou com a pequena peça de teatro, oferecida à escola pela Junta de Freguesia do Lumiar, através do grupo CAFO. Sem esquecer o lanche (oferecido pela Comissão provisória da Associação de Pais) e a apresentação de um grupo da Tuna Académica da Universidade Nova de Lisboa.
Participaram também neste dia, o Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, a Dr.ª Isabel Pereira (vogal da Educação da Junta), os idosos da Carmoteca (Igreja da Nª Sr.ª do Carmo) e crianças da Escola Primária e ainda representantes do Colégio de Santa Doroteia e da Escola Lindley Cintra. Porque a Escola é também um Espaço Aberto à Comunidade.
Mas foi também um verdadeiro dia de Festa. Porque a Escola também deve ser um espaço de alegria.
A todos os que contribuíram, de forma mais ou menos anónima para que este dia fosse um sucesso, os nossos parabéns e o nosso muito obrigado. Porque todos somos a Escola.


segunda-feira, junho 14, 2010

As Coisas

A bengala, as moedas, o chaveiro,
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro.
Um livro e em suas páginas a seca
Violeta, monumento de uma tarde
Sem dúvida inesquecível e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora. Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas, taças, cravos,
Nos servem como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão para além de nosso esquecimento;
Nunca saberão que nos fomos num momento.
Jorge Luis Borges (É considerado o maior poeta argentino e, sem dúvida, um dos mais importantes da América Latina).

domingo, junho 13, 2010

Cheira Bem, Cheira a Lisboa...

Junho é o mês dos Santos Populares (13 é dia de Santo António, 24 de São João e 29 de São Pedro). Lisboa está em festa. Há concertos e há espectáculos. Os arraiais populares acontecem por toda a cidade.
Nos bairros populares (Alfama, Madragoa, Bica, Mouraria, Castelo, etc.), tal como manda a tradição, não faltam a sardinha assada, o caldo verde, o pão com chouriço, os manjericos, o vinho tinto, a música e muita animação.
O santo padroeiro da cidade de Lisboa é São Vicente. Contudo, talvez porque o dia da cidade ocorra a 13 de Junho, dia de Santo António (santo casamenteiro), este seja o santo mais festejado.
Em Lisboa, celebra-se a faceta de casamenteiro deste santo de 12 para 13 de Junho. A tarde de dia 12 é a tarde do casamento das noivas de Santo António.
A noite de Santo António é uma noite de grande alegria. Decoram-se as ruas com arcos e balões de papel às cores. Há bailaricos nos pequenos largos e praças dos bairros mais populares.
Um dos outros pontos altos das Festas de Santo António são as Marchas Populares, que representam os diversos bairros lisboetas. Este acontecimento leva milhares de espectadores á Avenida da Liberdade.
As Marchas Populares são uma antiga tradição portuguesa, que decorre a 12 de Junho. Pensa-se que, em Lisboa, já se realizavam marchas no século XVIII. Contudo, as Marchas Populares de Lisboa, tal como as conhecemos hoje, remontam a 1932, tendo-se transformado num dos grandes acontecimentos das festas da cidade de Lisboa.
Depois dos desfiles na avenida, a festa acaba nos arraiais montados nos mais típicos bairros de Lisboa, em especial em Alfama e na Madragoa, onde o centro das celebrações é a sardinha assada, os pimentos, o vinho tinto e a sangria.
Lisboa hoje está em festa. Assista agora ao vídeo que escolhi para hoje, onde na voz de Amália Rodrigues, pode ouvir uma das mais bonitas marchas sobre Lisboa: Cheira Bem, Cheira a Lisboa.

sábado, junho 12, 2010

A Cerca Moura

A Cerca Moura de Lisboa, também chamada Cerca Velha, é um monumento nacional que consiste nos vestígios da antiga estrutura defensiva da cidade, que pode ainda hoje observar-se, de modo parcial, em várias freguesias do bairro de Alfama. A muralha original foi provavelmente erigida no período romano (sécs. III-V) e depois muito possivelmente refeita e reforçada no período islâmico (sécs.VIII-XII). Grande parte da estrutura que se mantém actualmente, deve ser deste último período da história de Lisboa (cerca do séc. X). A muralha que defendia Lisboa (Al-Ušbuna) teria, segundo Augusto Vieira da Silva, aproximadamente 1250m de comprimento na sua extensão total, 2m a 2,5m de espessura e abrangia no seu interior uma área com cerca de 15,6 hectares. Deste modo, a área total de Al-Ušbuna, aquando do seu apogeu em finais do séc. XI, seria de aproximadamente 30 hectares. A juntar à já referida área intramuros, devem-se acrescentar dois arrabaldes, que teriam uma área conjunta de 15 hectares. Neste espaço, admite-se que Al-Ušbuna teria uma população na ordem dos 20 ou 30.000 habitantes, comparável aos grandes portos de Málaga e Almeria.
Proponho-lhe que veja o excerto de um filme com a Cerca Moura.
Neste excerto podem-se visualizar três torres e um extenso pano de muralha do lanço Oriental da Cerca Moura ou Velha. De destacar a Torre pentagonal, parte do actual Palácio de Belmonte, o pano de muralha localizado nos Pátios das Oficinas do Museu de Artes Decorativas Portuguesas (MADP), e que é parte constituinte do MADP.


sexta-feira, junho 11, 2010

A Bolívia é...

A Bolívia é o meu país!
(...) um país multicultural, com muitas riquezas, várias línguas dentro do mesmo território, com uma gastronomia diversificada e principalmente com diversos sítios para conhecer e para descobrir.
Alvaro Suarez Araújo - 12º C

Aproveite o convite do Alvaro e visite a Bolívia.
A Bolívia é um país situado no centro-oeste da América do Sul. Está limitado a norte e a leste pelo Brasil, a sul pelo Paraguai e pela Argentina e a oeste pelo Chile e pelo Peru. Juntamente com o Paraguai, é um dos dois únicos países do continente americano, sem litoral marítimo. Também é o oitavo país mais extenso deste continente e o vigésimo sétimo do mundo. A capital oficial e sede do poder judiciário é Sucre e a sede do governo (poder executivo e legislativo) é La Paz.
A Bolívia é um país multicultural com muitas riquezas naturais e arqueológicas. Destaca-se a cultura Tiwanaku (na parte ocidental do país, próximo do lago Titicaca) cujos conhecimentos avançados foram legados ao Império Inca. Menos conhecidos são os vestígios culturais arqueológicos na região oriental tropical da Bolívia onde, entre outras, se desenvolveu a Cultura Hidráulica das Lomas, nas planícies de Moxos.
O estado boliviano foi fundado sob o nome de República Bolívar em homenagem ao seu libertador, Simón Bolívar. Posteriormente (1825), passou a designar-se por Bolívia. Como a Bolívia é um país sem litoral, o ocidente do país está situado na cordilheira dos Andes, com o pico mais elevado, o Nevado Sajama, a chegar aos 6542 metros. O centro do país é formado por um planalto, o Altiplano, onde vive a maioria dos bolivianos. O leste do país é constituído por terras baixas, e coberto pela floresta húmida da Amazónia. O lago Titicaca situa-se na fronteira entre a Bolívia e o Peru. No ocidente, na região de Potosi, encontra-se o Salar de Uyuni, a maior planície de sal do mundo.
As cidades principais são La Paz, Sucre, Santa Cruz de la Sierra e Cochabamba.
A região Oriente, a norte e leste, compreende três quintos do território boliviano, é formada por baixas planícies de muitos rios e grandes pântanos. No extremo sul localiza-se o Chaco boliviano, pantanoso na estação chuvosa e semi-desértico nos meses de seca. A nordeste da bacia Titicaca visualizam-se montanhas extremamente altas de 3.000 a 6.500 metros.
Os Andes atingem a Bolívia e dividem-se em duas grandes cadeias, a Oriental e a Ocidental. Nota-se que a cordilheira Ocidental é formada por vulcões inactivos ou extintos, e as rochas que a compõem são formadas por lava vulcânica petrificada. A cordilheira Oriental é composta por diversos tipos de rochas e areia.
Aproveite e descubra a cultura boliviana que apresenta aspectos extraordinários e pouco conhecidos.

quarta-feira, junho 09, 2010

Noite de Saudade

A noite vem pousando devagar
Sobre a terra, que inunda de amargura…
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura…

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura…
E eu ouço a noite imensa soluçar!
E eu ouço soluçar a noite escura!

Porque és assim tão ’scura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu nem sei donde me vem…
Talvez de ti, ó noite!… Ou de ninguém!…
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!
Florbela Espanca

terça-feira, junho 08, 2010

Entre o Alva e a Estrela

O rio Alva é um afluente do Mondego. Nasce na encosta sudoeste da Serra da Estrela e percorre cerca de 105 km até desaguar no Rio Mondego (no Porto da Raiva).

A história conta que o rio Alva e o rio Mondego são rios irmãos porque as suas nascentes têm a mesma mãe (Serra da Estrela).
A diferença é que percorrem vertentes opostas. O rio Mondego é mais calmo e maduro. O rio Alva, mais jovem e rebelde, rompeu pelas encostas escarpadas da Serra da Estrela, no ímpeto de apanhar o seu irmão Mondego. Ambos se confrontam em fúria na localidade que hoje tem o nome de Porto da Raiva.
O Alva percorre um caminho sinuoso entre as encostas da Serra da Estrela e da Serra do Açor. Várias localidades cresceram nas suas margens (onde existem praias fluviais) como São Gião, Avô, Penalva de Alva, Caldas de São Paulo e a aldeia de Sandomil.
Se puder dê um escapadela até esta região. Vale a pena. Para lhe aguçar o apetite proponho-lhe que veja, o álbum com mais algumas imagens desta bela região do país.

segunda-feira, junho 07, 2010

"Hoje vou à escola"

Na sua coluna de opinião do Diário de Notícias a Drª Mª José Nogueira Pinto debruça-se sobre o debate que aconteceu na Escola Secundária do Lumiar sobre a eutanásia. Leia aqui o texto integral da crónica desta deputada. Maria José Nogueira Pinto foi uma das participantes da iniciativa dinamizada pelo aluno João Silva (do 11º C) que contou ainda com a presença do deputado Rui Prudêncio (representante do PS), duas representantes do partido ecologista Os
Verdes (Drª Cláudia Madeira), uma enfermeira (Isabel Vilaça) e uma psicóloga (Drª Alda Morgado). Confira aqui.
Com a organização deste debate o aluno João Silva conseguiu atingir alguns objectivos, dar visibilidade a este assunto, à sua iniciativa e à escola onde estuda. Parabéns!

A Eutanásia

No âmbito da disciplina de Filosofia os alunos do 11º ano discutiram e trabalharam o tema da eutanásia.
João Silva, aluno do 11º C fez uma apresentação em power point e dinamizou um debate sobre o assunto. Convidou dois deputados (representantes do PS e do PSD), duas representantes do partido ecologista os verdes, uma enfermeira e uma psicóloga. Na assistência estiveram alguns professores e alunos dos 12º e 11º anos. Um tema pertinente a exigir reflexão urgente. Veja a apresentação elaborada pelo João Silva.

domingo, junho 06, 2010

Garmisch-Partenkirchen

Garmisch-Partenkirchen é, simultaneamente, uma pequena cidade mercado e um município (Markt) da Alemanha. Está localizada na região administrativa de Alta Baviera próximo da fronteira com a Áustria..
Garmisch-Partenkirchen é, também, uma estância de desportos de inverno e foi sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1936. O estádio Große Olympiaschanze foi o local onde se realizaram as cerimónias de abertura e encerramento destes jogos.
Mas, o encanto desta localidade está na beleza das suas casas e na capacidade de conservação das mesmas.

sábado, junho 05, 2010

Será que é possível?

O Dia Mundial do Ambiente, comemorado todos os anos no dia cinco de Junho, é um dos principais veículos através dos quais as Nações Unidas, estimula a consciencialização mundial acerca do meio ambiente e reforça a atenção política e de acção.
Ruanda, um país do Leste Africano, que está a adoptar uma transição para uma economia verde, será o anfitrião global do Dia Mundial do Ambiente 2010. O tema deste ano é: Muitas espécies. Um Planeta. Um Futuro. Esta é uma mensagem que põe ênfase na importância central da riqueza global de espécies e ecossistemas para a humanidade.
O Dia Mundial do Ambiente 2010, terá como objectivo mobilizar as pessoas mais do que nunca para o ambiente. Para isso, propõe uma enorme variedade de actividades que vão desde a plantação de árvores nas escolas, as limpezas nas diferentes localidades, os dias sem carro, os concursos de fotografia sobre biodiversidade, as caminhadas ao ar livre, as iniciativas de limpeza em parques urbanos, as exposições, as petições e as campanhas globais em prol do meio ambiente, etc.
O site oficial do Dia Mundial do Ambiente 2010 servirá para inspirar, informar e envolver as pessoas através de uma interactividade sem precedentes, oferecendo dicas, informações e estatísticas diárias sobre biodiversidade. As pessoas ao redor do mundo disporão, ainda, de uma plataforma onde podem registar as suas actividades, as campanhas de redes sociais e as competições que conectam as pessoas de todos os continentes.
O mais importante é ajudar a incrível variedade de vida no nosso planeta para que não aconteça o que sucede na Indonésia. Veja, já a seguir, aquele que é considerado o rio mais poluído do mundo.

sexta-feira, junho 04, 2010

Sinto

Sinto
que em minhas veias arde
sangue,
chama vermelha que vai cozendo
minhas paixões no coração.

Mulheres, por favor,
derramai água:
quando tudo se queima,
só as fagulhas voam
ao vento.
Federico García Lorca, in 'Poemas Esparsos'
Tradução de Oscar Mendes

quinta-feira, junho 03, 2010

O Aquecimento Global




Antecipando o Dia Mundial do Ambiente que se comemora dia 5 de Junho, proponho-lhe que veja a apresentação elaborada pelo aluno do 12º A, Nelson Figueiredo. O tema está na ordem do dia, porque vivemos já as consequências deste fenómeno. Não perca!

quarta-feira, junho 02, 2010

A Solidão Por...

Francisco (Chico) Buarque de Holanda definiu de forma exemplar a Solidão. Leia devagar. Dá que pensar!

Solidão não é falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
ISTO É CARÊNCIA.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
ISTO É SAUDADE.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos...
ISTO É EQUILÍBRIO.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...
ISTO É UM PRINCíPIO DA NATUREZA.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
ISTO É CIRCUNSTÂNCIA .
Solidão é muito mais que isto.
SOLIDÃO É QUANDO NOS PERDEMOS DE NÓS MESMOS E PROCURAMOS EM VÃO PELA NOSSA ALMA.
Chico Buarque.

terça-feira, junho 01, 2010

Menino

No colo da mãe
a criança vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança.

Ao sonhado
futuro
sorri a mãe
sorri o pai.
Maravilhado
o rosto puro
da criança
vai e vem
vem e vai
balança.

De seio a seio
a criança
em seu vogar
ao meio
do colo-berço
balança.

Balança
como o rimar
de um verso
de esperança.

Depois quando
com o tempo
a criança
vem crescendo
vai a esperança
minguando.
E ao acabar-se de vez
fica a exacta medida
da vida
de um português.

Criança
portuguesa
da esperança
na vida
faz certeza
conseguida.
Só nossa vontade
alcança
da esperança
humana realidade.
Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"