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quinta-feira, setembro 18, 2025

Yma Sumac: O Rouxinol dos Andes

Yma Sumac (1922 - 2008), nome artístico de uma cantora lírica peruana com voz de soprano com a tripla coloratura. A cantora conseguiu desenvolver a "dupla voz" ou "tripla coloratura", que se assemelha ao autêntico canto dos pássaros. Teve sucesso internacional devido ao seu enorme alcance vocal que abrangia notas de baixo-barítono a soprano ultra leggero, chegando no seu auge, a 5 oitavas de acordo com o Guiness, numa época onde o alcance de um cantor de ópera variava entre 2,5 e 3 oitavas. 

Nos anos 1950 era uma das artistas mais famosas da música exótica. O nome de Yma Sumac vem de uma conhecida frase do quéchua, idioma de um grande grupo indígena do Peru, que significava algo entre "linda flor" e "linda garota". 

Ela afirmava ser nada mais nada menos que uma ñusta (princesa da realeza inca) descendente de Atahualpa o último imperador Inca. É a única peruana a ter o seu nome inscrito na Calçada da Fama de Hollywood e a primeira cantora latino-americana a aparecer num musical da Broadway, em 1950. Yma Sumac vendeu mais de 40 milhões de discos, tornando-se a cantora peruana mais vendida da história.

Morreu em 2008 com as cordas vocais intactas, trabalhando com a voz durante 55 anos. Os seus cabelos negros e roupas extravagantes fizeram dela uma figura popular entre as plateias dos Estados Unidos, onde viveu boa parte de sua vida.

Aprecie a voz fantástica desta cantora peruana clicando aqui ou visualizando o vídeo abaixo onde ela interpreta a canção Chuncho.

Embora "Chuncho" tenha sido gravado em 1953, fez parte, em 1958, do filme mexicano "Música de siempre" ou Música Inolvidável, que contou no elenco com estrelas internacionais como: Edith Piaf, Amália Rodrigues, Libertad Lamarque, Yma Súmac, entre outros. 

"Chuncho", que em quéchua significa "pena" ou "plumagem", transmite de forma sonora, através das cordas vocais da princesa inca, a experiência e a vivência, até mesmo paranormal, da natureza amazónica e andina do Peru, desde os rugidos de uma onça, passando pelos trinados dos pássaros, o som do vento contra as plantas, até à presença de espíritos.

"Chuncho", foi lançada no seu terceiro álbum de estúdio, "Inca Taqui" (Canção Inca), em 1953. A cantora peruana considerava esta canção a mais "completa" da sua discografia. 

Yma Sumac ficou conhecida como a "Mãe do Género Experimental".  A sua primeira versão, intitulada "Pássaros", foi lançada em 1951 e fez parte da banda sonora da peça "Flahooley", composta por Sammy Fain e arranjada por Moisés Vivanco. Este trabalho transformou-a na primeira cantora latino-americana a  apresentar-se na Broadway. A sua estreia em disco como Yma Sumac fez-se em 1950 com um LP. 

Ouça então Yma Súmac em Chuncho (1958) . 
Não perca. Vale mesmo a pena.

terça-feira, dezembro 24, 2024

El Burrito Sabanero

" El Burrito de Belén " ou " El Burrito Sabanero"  é uma canção de Natal da Venezuela. Foi escrito por Hugo Blanco para o Natal de 1972. A música foi gravada pela primeira vez pelo cantor folk venezuelano Simón Díaz, e incluída no seu disco Las Gaitas de Simon onde foi acompanhado pelo Coro Infantil Venezuelano. Posteriormente, o grupo musical infantil La Rondallita gravou a música em novembro de 1972. Esta última versão ganhou popularidade na América Latina. Desde então, foi gravado muitas vezes por artistas populares. No vídeo abaixo ouça a interpretação desta canção pelo Grupo da Casa do Povo da Calheta (Madeira).

Con mi burrito sabanero, voy camino de Belén
Con mi burrito sabanero, voy camino de Belén
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén

El lucerito mañanero ilumina mi sendero
El lucerito mañanero ilumina mi sendero
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén

Con mi cuatrico voy cantando, mi burrito va trotando
Con mi cuatrico voy cantando, mi burrito va trotando
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén

Tuki tuki tuki tuki
Tuki tuki tuki ta
Apúrate, mi burrito
Que ya vamos a llegar

Tuki tuki tuki tuki
Tuki tuki tuki tu
Apúrate mi burrito
Vamos a ver a Jesús


Con mi burrito sabanero, voy camino de Belén
Con mi burrito sabanero, voy camino de Belén
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén

El lucerito mañanero ilumina mi sendero
El lucerito mañanero ilumina mi sendero
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén

Con mi cuatrico voy cantando, mi burrito va trotando
Con mi cuatrico voy cantando, mi burrito va trotando
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén

Tuki tuki tuki tuki
Tuki tuki tuki ta
Apúrate, mi burrito
Que ya vamos a llegar

Tuki tuki tuki tuki
Tuki tuki tuki tu
Apúrate mi burrito
Vamos a ver a Jesús

Con mi burrito sabanero, voy camino de Belén
Con mi burrito sabanero, voy camino de Belén
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén

Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén

Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén
Si me ven, si me ven
Voy camino de Belén

Tuki tuki tuki tuki
Tuki tuki tuki ta
Apúrate, mi burrito
Que ya vamos a llegar

Tuki tuki tuki tuki
Tuki tuki tuki tu
Apúrate mi burrito
Vamos a ver a Jesús

segunda-feira, fevereiro 01, 2021

A Casa dos Espíritos

 A Casa dos Espíritos é um livro da escritora peruana Isabel Allende.

Isabel Allende viveu no Chile entre 1945 e 1975, com largos períodos de residência noutros locais, na Venezuela até 1988 e, desde então, na Califórnia. 

Em 1982, o seu primeiro romance, A Casa dos Espíritos, converteu-se num dos títulos míticos da literatura latino-americana. Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura pelo Plano Nacional de Leitura.

Seguiram-se muitos outros, todos êxitos internacionais. A sua obra está traduzida em trinta e cinco línguas.

Sinopse:

Nesta sua surpreendente obra de estreia, Isabel Allende constrói um universo repleto de espíritos, de personagens multifacetadas e humanas, entre elas Esteban Trueba, o patriarca, que vive obcecado pela terra e pela paixão absoluta pela esposa, que ele sente sempre para lá do seu alcance.

Clara é a matriarca esquiva e misteriosa, dotada de poderes sobrenaturais, que prediz as tragédias da família e estabelece o destino da casa e dos Trueba. Blanca, a sua filha suave e rebelde, nutre um amor pelo filho do capataz do seu pai, o que provoca o desprezo de Esteban, mesmo quando deste amor nasce a neta que ele adora: Alba, uma beleza luminosa e uma mulher ardente e voluntariosa.

As paixões da família Trueba, as suas lutas e segredos desenvolvem-se ao longo de três gerações e de um século de violentas mudanças. Num contexto de revolução e contrarrevolução, a autora dá vida a uma família unida por laços de amor e ódio mais complexos e duradouros que as lealdades políticas que a poderiam separar. 

sábado, março 14, 2020

O Parque Jurássico de Querulpa

O Parque Jurássico de Querulpa situa-se no distrito de Aplao, na província de Castilla, em Arequipa, no Perú. O local onde se situa este parque servia como passagem de dinossauros que migravam entre a Argentina e o Chile.

Este parque é de tal maneira incrível que os seus visitantes se imaginam a voltar milhões de anos atrás no tempo. Além disso, a paisagem árida da região colabora para que a atmosfera paleontológica se torne ainda mais impressionante.

O Parque Jurássico de Querulpa conta, não só, com cerca de 70 pegadas de dinossauros reais, mas também, com representações gigantescas desses animais.
Ali existem pegadas enormes com dimensões como 60 cm de largura e 10 de profundidade. Essas pegadas milenares são supostamente de dinossauros!
A região também conta com fósseis de peixes, crocodilos e múmias centenárias.
No vídeo abaixo pode ficar a ter um "cheirinho" deste autêntico Parque Jurássico.

terça-feira, fevereiro 18, 2020

Contos da Paixão



Hoje proponho-lhe que oiça Isabel Allende em Contos de Paixão.
Nesta palestra a escritora e ativista Isabel Allende fala sobre mulheres, ativismo, feminismo e, é claro, paixão.
Se puder dispor de 18 minutos do seu tempo, vale a pena escutar esta mulher!
Isabel Allende, está absolutamente fantástica, nesta conversa do TED Talks. 
Isabel Allende - Contos de Paixão - Legenda em português Brasil from rigoberto alves on Vimeo.

terça-feira, julho 31, 2018

Ilhas Flutuantes do Lago Titicaca

O Lago Titicaca está situado na Cordilheira dos Andes, entre a Bolívia e o Peru e a uma altitude de 3812 m. O Lago Titicaca é alimentado pelas chuvas e pelo degelo dos glaciares. Cinco grandes rios também alimentam o Lago Titicaca, são eles: o Ramis, o Coata, o Ilave, o Huancanz, e o Suchez. É o lago navegável com a maior altitude do Mundo, com ilhas flutuantes construídas pelos seus habitantes.
Este lago está povoado por ilhas (cerca de 41) interessantíssimas, algumas delas lendárias – como a Ilha do Sol, onde os Incas acreditavam ser o berço do Pai Sol -, habitadas por povos hospitaleiros como os de Taquile ou Amantaní, e pelas turísticas ilhas flutuantes Los Uros. 
O Lago Titicaca, em volume de água, é o maior lago da América do Sul. O Lago de Maracaibo, na Venezuela, tem uma área de superfície maior, mas é considerado uma grande baía salobra devido à sua ligação direta com o oceano.
Por muitos anos o maior navio a flutuar no lago foi o SS Ollanta, de 2.200 toneladas e 79 metros de comprimento. Hoje, o maior navio a navegar por ali  é  o Manco Capac, (atracado, em 17 de junho de 2013, no pier da Ollanta).
Faça esta viagem virtual sobre as "ilhas dos Incas" (algumas das quais são densamente povoadas) no Lago Titicaca, atravé da excelente apresentação que se segue. Não perca porque vale bem a pena.

quarta-feira, setembro 27, 2017

Chula Rabela

Chula Rabela - Douro - Ilustração de Mário Costa (1902-1975)
A chula, originária do Alto Douro,  é uma dança popular muito antiga e um género musical de Portugal, de andamento ligeiro e de ritmo bastante marcado pelo tambor, conhecido por zabumba, pelo triângulo e por chocalhos.
O termo chula refere-se, também, a diversos ritmos musicais existentes em diversas outras partes do mundo, como por exemplo à Chula da Bahia e à Chula do Rio Grande do Sul, no Brasil. A chula foi também importante influência para o surgimento da grande maioria dos ritmos nordestinos no Perú.

Dó Sol
Aqui têm meus senhores / Ouves ó lindinha

A chula de barqueiros
Dó Sol
São todos rapazes novos / Ouves ó lindinha

Arrais e marinheiros

Ó chula rabêla ó chula / Ouves ó lindinha
Eu não te digo que não
São rapazes de calça branca / Ouves ó lindinha
E castanheta na mão

Dizeis que viva barqueiros / Ouves ó lindinha
Por ter a frente caiada
Eu também digo que viva / Ouves ó lindinha
A bela rapaziada

Vou dar a despedida / Ouves ó lindinha
Vou dá-la e vou-me embora
São horas de recolher / Ouves ó lindinha
O canário à gaiola
Música tradicional do Douro

quinta-feira, maio 12, 2016

A Orquídea que Lembra Recém-Nascidos (Anguloa Uniflora)

1 - A Orquídea que Lembra Recém-Nascidos (Anguloa Uniflora)
Anguloa é um género botânico pertencente à família das orquídeas (Orchidaceæ).
O nome deste género (Ang.), foi dado em homenagem a "Francisco de Angulo", um amante de orquídeas, que viveu no Perú, no final do século XVIII, quando lá chegaram os botânicos espanhóis: José Antonio Pavon Jimenez e Hipólito Ruiz López, membros da "Expedição Botânica ao Vice-Reino do Perú".
O género foi descrito pelos dois botânicos espanhóis, em 1798, e assim batizado como reconhecimento da ajuda que Ângulo lhes deu. O termo uniflora, de origem latina, significa Com Uma Flor (que pode atingir os 10 cm).
Esta orquídea é uma planta herbácia robusta que prefere os climas mais frios e é considerada das maiores espécies terrestres.
Floresce depois da queda das folhas caducas, do Verão até aos princípios do Outono.
O seu habitat distribui-se desde a Colômbia até ao Perú e, encontra-se em altitudes que vão dos 1400 aos 2500 metros (na Venezuela, Colômbia, Equador e Perú), na sombra profunda dos bosques húmidos das regiões montanhosas.

quarta-feira, setembro 16, 2015

A Ponte de Q’eswachaka

A "Ponte de Q’eswachaka" é uma ponte de "corda", feita de uma planta chamada "Q’oya icchu". O seu nome deriva do idioma quéchua e significa "Ponte de Corda Torcida".
Esta ponte é reconstruída todos os anos, manualmente, há pelo menos cinco séculos. Quem a reconstrói são as comunidades  locais que vivem ao longo das margens do vale do rio Apurimac utilizando para isso técnicas da engenharia tradicional Inca.
Ela situa-se em Qehue (Perú), província de Canas, a aproximadamente 100km de Cusco. Mede 28,67 metros de comprimento, por 1,20 de largura e atravessa o rio Apurimac – a 3.700 m acima do nível do mar.
Acredita-se que seja a única sobrevivente deste tipo, em todo o mundo. Faz parte do "Qhapaq Ñan", o "grande caminho Inca", um enorme sistema viário de mais de 30 mil km de extensão, construído pelos povos Incas, que ligava Cusco – capital do império Inca, a vários povos andinos do Peru, Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador e Chile.  A famosa "trilha inca", que vai de Cusco a Machu Picchu, é parte dessa rede.
Este tipo de ponte feita de corda não deixou de ser usado com a chegada dos espanhóis por ser uma boa alternativa às pontes de cimento e alvenaria, já que a sua estrutura móvel é especialmente resistente a fenómenos naturais comuns às regiões andinas, como terramotos e enchentes.
Em 2009 o "Ritual de Renovação da Ponte Q’eswachaka" e os conhecimentos associados à sua história e construção, foram declarados Património Cultural da Nação peruana, pelo Instituto Nacional de Cultura do Peru.
Á construção da ponte está, então, associado um Ritual de Renovação, que se prolonga por quatro dias. No segundo domingo do mês de junho, uma grande festa é realizada para comemorar a reconstrução da Ponte Q’eswachaka. Aproximadamente 1.000 homens e mulheres das comunidades de Huinchiri, Chaupibanda, Ccollana Quehue e Pelcaro  reúnem-se para este ritual, que foi passado de geração para geração.
No 1º dia, logo ao amanhecer é celebrado um ritual ao apu Quinsallallawi por um Paqo (sacerdote andino). Ao mesmo tempo o qoya ichu – a palha dos planaltos que é a matéria-prima da ponte – que já foi antecipadamente apanhada pelas quatro comunidades, é empilhado e recolhido.
A palha é trançada pelas mulheres, em longas cordas chamadas de q’eswas (corda torcida), sob a supervisão de um chakaruwak (especialista ou "engenheiro inca").
No 2º dia,  a ponte antiga é desmontada, os pregos de pedra que sustentam a ponte são retirados e as quatro novas cordas que foram construídas no dia anterior são colocadas, pois serão a base da nova ponte.
No 3º dia , é feita a construção da superfície e da grade da ponte e são encerrados os trabalhos.
No 4º dia, é feita a comemoração da construção da ponte com um grande festa com danças tradicionais e comidas típicas. Festejar o trabalho comunitário é mais uma das tradições dos povos Incas.
Aprecie, com atenção todo este processo e toda a beleza deste ritual, através do vídeo abaixo, que foi produzido pela Noonday Films para a exposição "National Museum of the American Indian": "The Great Inka Road: Engineering an Empire".

quinta-feira, novembro 25, 2010

Os Uros do Titicaca

O Lago Titicaca, tem cerca de 8300 km² e situa-se a 3821 m acima do nível do mar. Localiza-se no planalto dos Andes, na fronteira do Peru e da Bolívia. A sua profundidade média varia entre 140 e 280 m. Mais de 25 rios desaguam no lago Titicaca, que tem 41 ilhas, algumas densamente povoadas. O lago é alimentado pela água dos rios, pela água das chuvas e pela água proveniente do degelo dos glaciares que rodeiam o planalto dos Andes.
É o lago, comercialmente navegável, mais alto do mundo. É o segundo em extensão da América Latina, apenas superado pelo Lago de Maracaíbo, na Venezuela.
O Titicaca é interessante pela população indígena que vive nos Uros, que são nove ilhas artificiais. Estas são construídas por bolivianos e peruanos com o objectivo de nelas habitar.
A existência dos Uros já se verifica desde a era pré-colombiana. Nesta época um povo homónimo desenvolveu esta forma de habitação para obter uma maior segurança.
Os Uros são feitos à base de totora. A totora é uma planta espontânea que nasce nas margens do lago e pode ocorrer até aos 4000 m de altitude. Esta ilhas necessitam de um constante trabalho de manutenção para assegurar a sua flutuabilidade. Os habitantes das ilhotas dedicam-se à pesca, à caça (sobretudo de pássaros) e ao turismo, com a venda de artesanato.
Hoje os Uros tornaram-se uma grande atração turística no Peru, atraindo excursões de todo o mundo para a cidade de Puno, no Peru.
Actualmente reduzidos à exposição turística e à exibição de um modo de vida primitivo mas muito engenhoso, os Uros resistem ao passar do tempo... sendo um povo pré-colombiano que flutua no lago Titicaca, nas proximidades de Puno, desde uma época remota e desconhecida...
Se os quizer ficar a conhecer melhor veja a apresentação e o vídeo que escolhi para hoje.



E agora o vídeo.

terça-feira, outubro 12, 2010

O Sonho do Celta

Mario Vargas Llosa (nascido em Arequipa em 1936), é um escritor, jornalista, ensaista e político peruano, laureado com o Prémio Nobel de Literatura de 2010.
Nasceu numa família de classe média, mas, os seus pais separaram-se após cinco meses de casamento. Devido a este facto não conheceu o pai senão aos dez anos de idade. Viveu a sua primeira infância em Cochabamba, na Bolívia, mas a sua mãe retorna mais tarde ao Peru, para aí viver.
Em 1946 muda-se para Lima e é então que conhece pai. Os pais reconciliam-se e, durante a sua adolescência, a família continuará a viver ali.
Em 1953 é admitido na tradicional Universidad Nacional Mayor de San Marcos, em Lima, a mais antiga da América. Ali estudou Letras e Direito.
Aos 19 anos, casa-se e passa a ter vários empregos para sobreviver. Em 1958 recebe uma bolsa de estudos "Javier Prado" a vai para a Espanha, onde obtém o doutoramento em Filosofia e Letras. Depois vai para a França, onde vive durante alguns anos. Em 1964 divorcia-se e em 1965 casa-se com a prima Patrícia Llosa, com quem tem três filhos: Álvaro, Gonzalo e Morgana.
Muitos dos seus escritos são autobiográficos, como "A cidade e os cachorros" (1963), "A Casa Verde" (1966) e "Tia Júlia e o Escrevinhador"(1977). Por A cidade e os cachorros recebeu o Prémio Biblioteca Breve da Editora Seix e o Prémio da Crítica de 1963. A sua obra seguinte, A Casa Verde mostra a influência de William Faulkner. O romance narra a vida das personagens num bordel, cujo nome dá título ao livro. O seu terceiro romance, Conversa na Catedral publicado em 4 volumes, narra fases da sociedade peruana sob a ditadura de Odria em 1950.
Há um encontro na Catedral entre dois personagens: o filho de um ministro e um motorista particular. O romance caracteriza-se por uma sofisticada técnica narrativa, alternando a conversa dos dois e cenas do passado. Em 1981 publica A Guerra do Fim do Mundo, sobre a Guerra de Canudos, que dedica ao escritor brasileiro Euclides da Cunha, autor de Os Sertões.
Em 7 de outubro de 2010 foi agraciado com o Prémio Nobel da Literatura pela Academia Sueca de Ciências por sua "pela sua cartografia de estruturas de poder e pelas suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual". O presidente do Peru, Alan García, considerou o prémio a Llosa como "um reconhecimento a um peruano universal".
Quatro anos após “Travessuras da Menina Má", o último romance do mais novo Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa, será lançado em 3 de novembro com uma tiragem inicial de 500 mil exemplares em língua espanhola.
"El sueño del celta" é uma obra inspirada num personagem histórico, o irlandês Roger Casement (cônsul britânico no Congo belga em princípios do século XX e amigo de Joseph Conrad), um diplomata que em 1916 liderou um levantamento contra o império britânico. Este sangrento episódio fracassado, levá-lo-ia à prisão e a um pelotão de fuzilamento.
Este romance narra a história daquele personagem, que teve “uma vida muito aventureira e realmente novelesca”, nas palavras do próprio Vargas Llosa.
A obra, que já era esperada entre os falantes de língua espanhola, agora terá ainda mais visibilidade, devido à recente distinção concedida a Vargas Llosa.