sábado, outubro 19, 2024

Adão e Eva

 Adão e Eva é uma pintura art déco de Tamara de Lempicka 
(óleo sobre tela de 1932).

Tamara de Lempicka, nascida Maria Górska, (1898 - 1980) foi uma notável pintora art déco polaca.
Tamara desenvolveu um estilo único e ousado (definido por alguns como "cubismo suave"), que resumia os ideias do modernismo de vanguarda da art déco.

A sua primeira grande exposição teve lugar em Milão em 1925, tendo pintado 28 novas obras em seis meses. Rapidamente se tornou uma das mais importantes artistas de sua geração, pintando membros da nobreza e da sociedade europeia.

Tamara foi também uma notável figura boémia parisiense, tendo conhecido nomes como Pablo Picasso e Jean Cocteau. Famosa pela sua beleza física, era abertamente bissexual e os casos que teve com homens e mulheres causaram escândalo na época.

Tamara imortalizou em vários quadros a sua filha, Kizette: Kizette em Rosa de 1926; Kizette na Varanda de 1927; Kizette Dormindo de 1934; Retrato da Baronesa Kizette de 1954-1955 etc.
Assista agora ao vídeo: Tamara de Lempicka, a Baronesa do Pincel.

sexta-feira, outubro 18, 2024

A Arte de Goa, Damão e Diu

A Arte de Goa, Damão e Diu é um livro de Carlos de Azevedo (1918-1974), com fotografias do autor e ainda de Mário Tavares Chicó e de José Carvalho Henriques.

Este valioso trabalho foi publicado no âmbito das comemorações do V centenário do nascimento de Vasco da Gama.

Sinopse:

Estudo sobre a arquitetura portuguesa em Goa, Damião e Diu, que teve origem numa missão de estudo, empreendida pelo autor no ano de 1951 àquelas regiões na altura de Portugal longínquo.

O prefácio refere: "(…) Acresce a circunstância de A Arte de Goa, Damão e Diu, como produto cultural de um tema específico, ser uma obra de concepção e feitura admiráveis, pelo que ocupa um lugar eleito na nossa historiografia artística. A par do valioso recheio de informação, possui umas traves-mestras que se consideram, há um quarto de século, a mais avançadas no posto de vista científico".

quinta-feira, outubro 17, 2024

Goa, Damão e Diu

A relação de Goa, na Índia, com Portugal, data de 1498, quando Vasco da Gama descobriu o tão sonhado caminho marítimo para as Índias Orientais.

Durante 450 anos os enclaves de Damão e Diu (junto ao estado do Guzerate) situados na costa do mar Arábico fizeram parte do Estado Português da Índia, juntamente com Goa, Dadrá e Nagar Aveli. Goa, Damão e Diu foram ocupados pela União Indiana em 19 de dezembro de 1961; contudo Portugal não reconheceu a ocupação até 1974. 

Goa, Damão e Diu tornaram-se um território da União até1987, altura em que Goa se tornou um estado de direito próprio dentro da Índia, permanecendo Damão e Diu como território da União separado administrativamente. Em 2020 fundiu-se com os territórios de Dadrá e Nagar Aveli, formando o novo território da união de Dadrá e Nagar Aveli e Damão e Diu. Dadrá e Nagar Aveli e Damão e Diu é um território da União localizado no oeste da Índia, com capital na cidade de Damão. O território é composto por sete entidades geográficas separadas: Dadrá, Nagar Aveli, Damão, península de Gogolá, ilha de Simbor, praia de Nagoá e a ilha de Diu.

Todas as sete áreas que formam o território faziam parte da Índia Portuguesa, com a capital em Goa Velha; ficaram sob administração indiana após a invasão de Dadrá e Nagar Aveli (1954) e da invasão de Goa, Damão e Diu (1961)

O guzerate era o idioma maioritário do território. Antes da fusão, o uso do português estava em declínio por não ser ensinado nas escolas, embora ainda fosse falado por 10% dos habitantes de Damão. Existiam contudo crioulos portugueses em Damão (conhecidos como língua da casa) e Diu (a língua dos velhos); porém, este último estava a extinguir-se rapidamente devido à pressão do guzerate.

Atualmente, o português já não é a língua mais falada em Goa, o inglês e as línguas indianas como o concani (língua oficial de Goa) ou o hindu são as línguas preponderantes da região. Porém, de acordo com o jornal "Observador", em 2019, eram cerca de dois mil estudantes de português em Goa, e a quantidade de goeses que se interessam pelo idioma cresce com o passar do tempo.

Proponho-lhe que ouça agora um instrumental do grupo português Quinta do Bill intitulado Goa, Damão e Diu.

quarta-feira, outubro 16, 2024

A Batalha de Cochim: A Termópilas Portuguesa

 A Batalha de Cochim, também às vezes chamada de Segundo Cerco de Cochim, designa uma série de conflitos travados entre março e julho de 1504, com a ocorrência tanto de confrontos navais quanto terrestres, principalmente entre a guarnição portuguesa situada em Cochim, aliada ao próprio Reino de Cochim, e as forças invasoras do Samorim de Calicute com vassalos da costa do Malabar.

O vídeo abaixo que o autor  designou como A Termópilas Portuguesa, fala-lhe sobre os acontecimentos que levaram à batalha de Cochim em 1504. Assim que Vasco da Gama partiu da Índia, o samorim de Calecute atacou Cochim, e por pouco, a presença portuguesa no subcontinente não foi eliminada. Depois da chegada da 5ª armada e dos primos Albuquerque, Afonso e Francisco, um pequeno contingente armado português, foi a única força que os primos deixaram na Índia. Mesmo assim, a força luso-cochinesa de 8150 homens derrotou a do samorim de dezenas de milhares, depois de 7 batalhas em 4 meses.

terça-feira, outubro 15, 2024

Dois Dedos De Testa

Ouça a cantora portuguesa Carolina Deslandes em Dois Dedos De Testa.
 Ser mulher aqui é ser mulher de quem?
Ter um papel assinado pra ser alguém
Ser decente, quem se apresenta à mãe
Mesmo que o filho não valha a mulher que tem

Ser mulher aqui é ser submissa
Rezar o terço, dizer sim e ir à missa
Não ter opinião, ser bonita
Ser tão nova quanto o estado e andar bem vestida

E eu que tenho a liberdade debaixo dos braços
Tenho brasas a arder debaixo dos pés
Pus uma pedra sobre o meu passado
E se o que eu sou ofende quem és

Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa
Que eu, eu quero esquecer
Quero ser o centro da festa, o assunto da conversa
Eu, eu quero aparecer

Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa
Que eu, que eu hoje faço um brinde
Quero ser dona da festa, tenho dois dedos de testa
Sou a voz e nem sou boa ouvinte

Foi deixada, abandonada
É carente e mal amada
Está tão triste e tão sozinha
Pobrezinha

Sem apelido e sem marido
E de quem será o filho?
Está cansada, ela trabalha
Coitadinha, coitadinha

Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa
Que eu, eu quero esquecer
Quero ser o centro da festa, o assunto da conversa
Eu, eu quero aparecer

Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa
Que eu, que eu hoje faço um brinde
Quero ser dona da festa, tenho dois dedos de testa
Sou a voz e nem sou boa ouvinte
Hum-hum-hum-hum
Hum-hum-hum-hum

E eu que tenho a liberdade debaixo dos braços
Tenho brasas a arder debaixo dos pés
Pus uma pedra sobre o meu passado
E se o que eu sou ofende quem és

Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa
Que eu, eu quero esquecer
Quero ser o centro da festa, o assunto da conversa
Eu, eu quero aparecer

Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa
Que eu, que eu hoje faço um brinde (brinde)
Quero ser dona da festa, tenho dois dedos de testa
Sou a voz e nem sou boa ouvinte

segunda-feira, outubro 14, 2024

Canção do Amor-Perfeito

 Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.

Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.

Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.

domingo, outubro 13, 2024

Cochim: No Rasto De Vasco da Gama

Mapa de Cochim -1635
Cochim é a maior cidade do estado de Querala - estado com o maior nível de escolaridade da Índia. Fez parte do Estado Português da Índia entre 1503 e 1663. É um dos principais portos na costa ocidental deste país e a maior cidade da Índia onde mais de metade dos seus habitantes não professa o hinduísmo.

Tem cerca de 600 000 habitantes, e a sua área metropolitana, mais de 1 500 000 habitantes, tornando-a a maior área urbana de Querala.

Ocupada por forças portuguesas em 1503, tornou-se um entreposto europeu na Índia. Permaneceu como capital da Índia Portuguesa até 1510, quando os portugueses elegeram Goa como capital. Foi ocupada posteriormente pelos Holandeses, os Mysores e os Britânicos.

Entre os muitos pontos históricos da cidade, relacionados com as navegações portuguesa destacam-se, entre outros, a Igreja de São Francisco, onde foi sepultado Vasco da Gama (posteriormente trasladado para Portugal), a Fortaleza de Cochim e a Basílica de Santa Cruz.

Em 1947, quando a Índia obteve a sua independência do poder colonial britânico, Cochim foi o primeiro principado a unir-se à União Indiana voluntariamente.

Mapa artístico da Fortaleza de Cochim

Cochim ou Kochi cresceu como centro da indústria de transportes, do comércio internacional, do turismo e das tecnologias da informação e comunicação. É o mais importante centro comercial de Querala e uma das metrópoles secundárias de maior crescimento na Índia. Como outras grandes cidades nos países em vias de desenvolvimento, Cochim continua a lutar com problemas resultantes da urbanização como o congestionamento de trânsito e o impacto ambiental da atividade humana.

A cidade mantém, hoje, uma herança colonial resultante de culturas diferentes e da mistura de tradição e modernidade.

Do seu património há a destacar:
A Igreja de S. Francisco (1503), construída por portugueses com o túmulo vazio de Vasco da Gama;
O Museu Indo-Português;
A Basílica de Santa Cruz;
O Santuário construído junto à basílica de Santa Cruz dedicado a Nossa Senhora de Fátima;
A Fortaleza de Cochim; 
O Bairro da Fortaleza de Cochim (com casas coloniais cobertos de azulejos e vários locais de prática religiosa);
A Sinagoga de Cochim ou Sinagoga de Paradesi (construída em 1568);
O Palácio de Mattancherry (construído pelos portugueses e restaurado pelos holandeses);

Cochim e o estado de Kerala são considerados como "uma outra Índia": mais limpa, mais verde, com influência portuguesa e judaica, onde se come churrasco e as mulheres têm voz. 

Cochim ou Kochi é na verdade uma região metropolitana dividida em: 
Fort Kochi, área mais antiga (centro histórico) e turística da cidade;
Ernakulam, centro comercial, interligado por metropolitano;
Edapally, subúrbio com alguns shoppings e atrações.

Existem outras áreas e ilhas ligadas por pontes, mas os três lugares acima referidos são os principais locais a visitar. Além disso existem algumas regiões ligeiramente mais afastadas que merecem atenção, como Munnar, onde ficam as plantações de chá; e Allepey, de onde partem os passeios de hotéis flutuantes pelos backwaters.
As redes de pesca chinesas, que são típicas de Cochim, são usadas há séculos. 
Se quiser ficar a conhecer melhor esta cidade não deixe de ver os dois vídeos abaixo. Aqui vai o primeiro.

O segundo chama-se A Rota de Gama - Hora dos Portugueses.
Neste 4 portugueses que decidiram celebrar os 500 anos da morte de Vasco da Gama percorrem de moto as cinco cidades por onde passou Vasco da Gama terminado no local onde ele faleceu (Cochim).

sábado, outubro 12, 2024

Wind of change

Ouça  "Wind of change", da banda Scorpions, que foi lançada no álbum "Crazy world", de 1990. 

Fenómeno de vendas, o disco deu novo impulso à carreira deste grupo musical formado na cidade de Hannover, em meados dos anos 60. 

O cantor e compositor Klaus Meine explicou que a letra da canção é inspirada nos "ventos de mudança" que atingiam a Europa: a Guerra Fria a terminar, o fim da União Soviética e a queda do Muro de Berlim.

sexta-feira, outubro 11, 2024

Baçaim

 Baçaim (atualmente Vasai-Virar) foi um antigo porto no extremo sul de uma ilha, a cerca de 50 km ao norte de Bombaim, no estado de Maharashtra, no noroeste da Índia.

Fez parte do Estado Português da Índia entre 1533 e 1739, quando foi reconquistada pelo Império Maratha. Constituiu-se numa das mais importantes praças-forte portuguesas na região, chegando a rivalizar com Goa.

Antigo baluarte fortificado Maratha, de acordo com algumas fontes, a cidade foi cedida aos portugueses em dezembro de 1534. Capital da Província do Norte na Índia portuguesa, resistiu aos assaltos de forças locais e estrangeiras até ser reocupada pelos Maratas, que também reconquistaram todos os territórios dela dependentes (1739). 

A sua fortificação, entretanto, somente foi iniciada em maio de 1536, por determinação de D. Nuno da Cunha. Os muros da cidade foram erguidos entre 1552 e 1582, pois nesta última data já se encontrava envolvida por imponente muralha de pedra e cal, reforçada por dez modernos baluartes.

Desde o início da presença portuguesa assistiu-se à instalação de todas as ordens religiosas, com a função proselitista. De sua presença em Baçaim subsistem os restos do Convento de São Domingos e do Convento de Santo António, em relativo estado de boa conservação, além do Convento de Santo Agostinho e da Igreja da Companhia de Jesus, esta última caracterizada por uma torre que se eleva acima do casario. Por último destacam-se a Misericórdia, a Igreja Paroquial de São José e a Igreja de Nossa Senhora da Vila. O que resta da Casa da Câmara e Cadeia é semelhante ao que ainda se encontra em Portugal do mesmo período. Do mesmo modo, o traçado do arruamento é semelhante ao das vilas e cidades portuguesas, com a praça aberta nas imediações da Casa da Câmara.

Fortaleza de São Sebastião de Baçaim em Vasai

Atualmente, as ruínas da cidade de Baçaim e a própria fortaleza, encontram-se ameaçadas pela exploração das jazidas de gás ao longo da costa, e pela proximidade da metrópole de Bombaim, hoje com uma população de mais de onze milhões de habitantes.

quinta-feira, outubro 10, 2024

Damão

Damão é uma cidade da Índia, capital do território da União de Dadrá e Nagar Aveli e Damão e Diu. Até 1961 foi sede de distrito do antigo Estado Português da Índia. Tem 72 km² e cerca de 191 173 habitantes (2011).

Situada entre Diu, a Norte, e Baçaím, a Sul, a Fortaleza de Damão Grande simboliza o último ato de expansão portuguesa na costa da Cambaia. Construída no século XVI depois da conquista da cidade aos mouros, em 1559, pelo Vice-Rei Constantino de Bragança.

Foi a cidade mais portuguesa em toda a Índia, tendo sido a sede de distrito do antigo Estado Português da Índia e, dentro das suas muralhas, existe ainda um mundo à parte, onde permanecem vestígios de Portugal como a língua ou a casa onde viveu o poeta Bocage em 1789.

A cidade que fica intra-muros foi sempre muito pouco povoada e a disposição ortogonal das ruas não era comum nas cidades portuguesas do Oriente. Quanto à fortaleza propriamente dita, foi António Pinto da Fonseca que a deixou programada, em termos genéricos, e que foi desenhado para conclusão por Giovanni Battista Cairato.

Em 1595 as muralhas estavam a ponto de ser fechadas, mas o acabamento dos baluartes e cortinas foi posterior a 1614. A fortaleza ficou um quadrilátero bastante regular, com dez baluartes unidos por cortinas de cantaria dotadas de um fosso, construído após 1635.

Situada na costa do golfo de Cambaia, era um dos três concelhos que constituíam o distrito. Dadrá e Nagar-Aveli (enclaves no território indiano) eram os outros dois concelhos de Damão. O antigo concelho de Damão era constituído pelas freguesias de Damão Grande (Moti Daman), Damão Pequeno (Nani Daman) e Sé.

No século XVI era nos estaleiros de Damão que as frotas islâmicas se preparavam para combater a armada portuguesa. O primeiro contacto dos portugueses com esta cidade aconteceu em 1523, mas só 36 anos depois foi conquistada.

O primeiro contacto dos portugueses com Damão deu-se, quando chegaram ali os navios de Diogo de Melo. Em 1534, o vice-Rei D. Nuno da Cunha enviou António Silveira arrasar os baluartes mouriscos de Damão, por saber que se situavam ali os estaleiros e as demais instalações necessárias ao apetrechamento das frotas islâmicas que vinham dar combate às armadas portuguesas. Também seria enviado a Damão o capitão-mor Martim Afonso de Sousa, para bombardear e destruir as fortificações islâmicas. Mas só em 1559 viria a ser definitivamente tomada a cidade de Damão, pelo Vice-rei D. Constantino de Bragança.

A zona do Pequeno Damão, na margem direita do rio Damanganga, foi ocupada em 1614. Sucessos e insucessos das guerras locais, em que se destacam as lutas contra os sidis (mercenários abissínios) e com os maratas, levaram à perda de territórios de Baçaim, no antigo Reino de Cambaia (Sultanato de Guzarate). Nas mãos dos portugueses, desde as lutas do rei de Cambaia com os mogores, Baçaim passará para a posse dos maratas em 1739.

E, no ano seguinte, será a vez de Chaúl cair em poder dos mesmos maratas. Entretanto, muitas vilas e aldeias serão perdidas pelos Portugueses, até que, pelo auxílio militar que estes deram a Madeva Pradan, detentor do trono, contra o príncipe Ragobá que, aliado aos ingleses, pretendia derrubar o peshwá e ocupar o seu lugar, Portugal receberia, pelo Tratado de 1780, como restituição, 72 aldeias correspondentes a territórios outrora perdidos. E com essas aldeias se formaram os enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli.

Em 18 de dezembro de 1961 o distrito português de Damão foi invadido e ocupado pelas tropas da União Indiana e incorporado no território de Damão e Diu. Desde 2020 é a capital do território de Dadrá e Nagar Aveli e Damão e Diu.

Veja o vídeo abaixo onde a jornalista Sandra Felgueiras nos conta um pouco mais sobre o que resta de Portugal na distante Índia.

quarta-feira, outubro 09, 2024

Dadrá e Nagar Aveli

Dadrá e Nagar Aveli (paraísos das madeiras preciosas) eram pequenos territórios ultramarinos portugueses, parte da Índia Portuguesa de 1779 até 1954. Os territórios eram enclaves, sem acesso ao mar, administrados por um governador português.

A invasão de Dadrá e Nagar Aveli foi um conflito militar em que os territórios de Dadrá e Nagar Aveli passaram de facto do domínio português para o governo da União Indiana em 1954, ainda que de jure formassem um Estado autónomo.

Dadrá e Nagar Aveli é um distrito do território da União de Dadrá e Nagar Aveli e Damão e Diu, no oeste da Índia. Dadrá é um enclave no Estado do Guzerate e Nagar Aveli fica na fronteira entre este e Maarastra.

Ao contrário das áreas circundantes, Dadrá e Nagar Aveli foram governadas pelos portugueses de 1783 até meados do século XX. A área foi capturada por forças pró-Índia em 1954 e administrada como o estado independente de facto de Dadrá e Nagar Aveli antes de ser anexado à Índia como um território da União em 1961. 

O território foi fundido com o território vizinho de Damão e Diu para formar o novo território da União de "Dadrá e Nagar Aveli e Damão e Diu" em 26 de janeiro de 2020. O território de Dadrá e Nagar Aveli tornou-se, então, um dos três distritos do novo território da União.

A cidade de Silvassa é a sede administrativa do distrito de Dadrá e Nagar Aveli e da taluca (subdistrito) de Nagar Aveli.

terça-feira, outubro 08, 2024

Civilizações e Especiarias: Goa, Damão e Diu, o Passado e o Presente

Civilizações e Especiarias: Goa, Damão e Diu, o Passado e o Presente é um livro (2003) de Óscar Gomes da Silva.

Óscar Gomes da Silva nasceu em Goa, antigo Estado Português da Índia. Decidiu, por vocação, abraçar a profissão militar tendo ingressado na então Escola do Exército. Concluiu o Curso de Infantaria e obteve a licenciatura em Ciências Militares.

“(…) A maior parte deste livro foi escrito em Goa, fruto da sua observação do actual quotidiano, da sua experiência e conhecimento do meio e do seu trabalho de pesquisa. No livro, um roteiro de natureza cultural, histórica e biográfica, o autor debruça-se, num estilo simples, elegante e objetivo, sobre a atualidade e a história, as memórias da sua infância adolescência, onde se misturam, com naturalidade, o presente e o passado.

Os dias difíceis do cativeiro - dias que se prolongaram por meses - no campo de concentração onde tinham sido internados os militares portugueses após a invasão de Goa, Damão e Diu, pelas tropas indianas impressionam pela autenticidade e concisão com que são descritos.

Sinopse:
A maior democracia do mundo embriaga-nos com o seu perene mistério e deslumbrante fantasia e, simultaneamente, nos flagela com os seus gritantes contrastes. Na Índia, a magia paira no ar que se respira. Aqui vive uma população profundamente religiosa que exercita, diariamente, a força espiritual do ser humano. O êxtase é uma constante.
Neste subcontinente imenso e matizado, os exíguos territórios de Goa, Damão e Diu, outrora parte do Estado português da Índia, exaltam o encontro de civilizações, de mistura com o odor das especiarias.
Lembrando Jerónimo Bragança,"...há que ler o poema Índia - poema heróico que foi lenda depois de ser certeza e foi certeza após ter sido lenda...", na observação do presente, na recordação do passado e com os olhos postos no futuro.

segunda-feira, outubro 07, 2024

O Que Foi A Índia Portuguesa?

O Estado da Índia - Maximilian Dörrbecker (Chumwa) - 1505
 A designada Índia Portuguesa foi um Estado ultramarino português, fundado em 1505, seis anos depois da chegada de Portugal ao subcontinente indiano, e refere-se a um conjunto de possessões, cidades portuárias, entrepostos e fortalezas conquistados ou instalados pelos portugueses, ao longo de sua expansão marítima e comercial, desde pelo menos finais do século XV até meados do XIX. O primeiro Vice-Rei foi D. Francisco de Almeida, que estabeleceu o seu governo em Cochim (Kochi). A Índia Portuguesa durou de 1505 a 1961, tendo variações geográficas ao longo de seus mais de 4 séculos de existência.

Em 1530 a capital do Estado da Índia foi transferida para Goa e, antes do século XVIII, o governador português ali estabelecido exercia a sua autoridade em todas as possessões portuguesas no oceano Índico, desde o Cabo da Boa Esperança, a oeste, passando pelas Ilhas Molucas, Macau e Nagasaki (esta não formalmente parte dos domínios portugueses) ao leste. Em 1752, Moçambique passou a ter um governo próprio e em 1844 foi a vez dos territórios de Macau, Solor e Timor, restringindo a autoridade do governador do Estado da Índia às possessões portuguesas na costa de Malabar, permanecendo assim até 1961.

Antes da independência da Índia, ocorrida em 1947, os territórios portugueses restringiam-se a Goa, Damão, Diu, e Dadrá e Nagar-Aveli. Portugal perdeu o controle efetivo dos enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli em 1954 e, finalmente, o resto dos territórios do subcontinente indiano em dezembro de 1961, quando foram tomados por uma operação militar indiana. Apesar da tomada pela Índia dos territórios portugueses no subcontinente, Portugal reconheceu oficialmente o controle indiano só em 1975, após o Revolução dos Cravos e da queda do regime do Estado Novo.

E agora um outro vídeo.

domingo, outubro 06, 2024

É Linda a Ilha de S.Miguel

São Miguel é a maior das ilhas do arquipélago dos Açores formando o Grupo Oriental do Arquipélago juntamente com a ilha de Santa Maria, situada a 81 km de distância, e é conhecida como a ilha verde. É também a maior de todas as ilhas do território de Portugal. Tem uma superfície de 748,82 km², mede 64,7 quilómetros de comprimento e 8 -15 km de largura. Tem uma população de cerca de 137 699 habitantes (2011).
É composta pelos concelhos de Lagoa, Nordeste, Ponta Delgada, Povoação, Ribeira Grande e Vila Franca do Campo. Ao natural, ou habitante, da ilha de São Miguel, dá-se o nome de micaelense.
Mas, mais importante que tudo o resto a Ilha de S.Miguel é linda
Não perca a oportunidade de ver por isso, a apresentação abaixo.

sábado, outubro 05, 2024

Um Português Exemplar

Era açoriano, oriundo de famílias aristocráticas e descendente de flamengos. O pai deixou de lhe pagar os estudos e deserdou-o. Trabalhou, dando lições de inglês para poder continuar o curso. Formou-se em Direito.
Foi advogado, professor, escritor, político e deputado. Foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa. Foi reitor da Universidade de Coimbra. Foi Procurador-Geral da República.
Passou cinquenta anos da sua vida a defender uma sociedade mais justa. Com 71 anos foi eleito Presidente da República. Disse na tomada de posse: 


"Estou aqui para servir o país. Seria incapaz de alguma vez me servir dele..."
Recusou viver no Palácio de Belém, tendo escolhido uma modesta casa anexa a este. Pagou a renda da residência oficial e todo mobiliário do seu bolso. Recusou ajudas de custo, prescindiu do dinheiro para transportes, não quis secretário, nem protocolo e nem sequer Conselho de Estado.
Foi aconselhado a comprar um automóvel para as deslocações, mas fez questão de o pagar também do seu bolso.
Este Senhor era Manuel de Arriaga e foi o primeiro Presidente da República Portuguesa.

sexta-feira, outubro 04, 2024

Blusas Para o Seu Inverno


Quer saber quais são as blusas que estão na moda este inverno?

Então não deixe de ver o vídeo abaixo que lhe mostra 7 modelos de blusas elegantes que poderá usar neste outono/inverno.

quinta-feira, outubro 03, 2024

quarta-feira, outubro 02, 2024

A Capela Sistina

 A Capela Sistina, conhecida como a "Capela do Presépio", dedicada à Assunção de Nossa Senhora, é uma capela situada no Palácio Apostólico, residência oficial do Papa na Cidade-Estado do Vaticano. 

Capela Sistina é o espaço onde os cardeais se reúnem para escolher um novo papa, após uma renúncia ou morte. Aí acontece uma "votação secreta" para a eleição do novo pontífice, e que acontece praticamente da mesma maneira desde o Século XIII.

É famosa pela sua arquitetura, inspirada no Templo de Salomão do Antigo Testamento, e pela sua decoração com frescos. Foi pintada pelos maiores artistas da Renascença, incluindo Michelangelo, Rafael, Perugino e Sandro Botticelli.

A capela, erigida por Giovannino de Dolci, tem o seu nome em homenagem ao Papa Sisto IV, que restaurou a antiga Capela Magna, entre 1477 e 1480. 

O teto da Capela Sistina é constituído por um extenso fresco, concebido por Michelangelo entre 1508 e 1512. O trabalho, feito a pedido do papa Júlio II, é considerado não só um marco da pintura da Alta Renascença, mas também uma das mais famosas obras da história da arte e um dos maiores tesouros da Santa Sé. 

Se quiser fazer uma visita virtual à Capela Sistina basta aceder aqui ou ver a apresentação abaixo.

Com o rato pode fazer zoom e rodar a imagem em todos os sentidos (clicando e arrastando). Os pormenores, desde o chão ao teto, são incrivelmente minuciosos. 

Não perca a oportunidade de ir até ao Vaticano sem sair de casa. Ora veja!

"Piqueno" Dicionário das Tias

Para quem quer entrar no mundo da Light Society, aqui lhe deixo um "piqueno" dicionário (das tias) com as expressões que devem utilizar-se no dia-a-dia e que devem seguir-se religiosamente!

De todo não deverão utilizar-se as expressões proibidas, pois isso mostrará que não habita na Lapa ou no Restelo (ou na Foz), mas sim na Buraca, no Barreiro, na Brandoa ou em São Roque e que não passam de "pindéricos" armados em novos-ricos!!!

O que NUNCA se deve dizer         O QUE SE DEVE DIZER    
· O meu pai                                                  O pai
· A minha mãe                                              A mãe
· As crianças, os meus filhos, etc.                Os "piquenos"  
· Gorda                                                         Lontra       
· Feia                                                            Monstra      
· Pior que feia                                              Medonha      
· Mala                                                           Carteira     
· Calças de ganga                                         Jeans
· Sem classe                                                 Pindérico    
· Piroso                                                        Possidónio   
· Saloia                                                        Rústica      
· Inteligente                                                 Esperto      
· Estou um bocado pró cheinha/o               Tou gordíssima/o, enorme     
· Estou chateado, aborrecido,...                  Estou péssimo
· Estou doente                                             Tou péssimo  
· Estou gorda                                               Tou péssima, uma lontra      
· Não é isso, jamais, etc.                              De todo      
· Prenda                                                        Presente     
· Roupa de marca                                         Roupa griffe 
· A empregada                                              A criada     
· Chauffeur                                                  Motorista    
· Vivenda                                                     Casa/Moradia 
· Lareira                                                       Salamandra   
· Divertimento                                              Caturreira   
· Divertido                                                    Caturra      
· Muito                                                         Imenso       
· Automóvel                                                 Carro
· Conduzir                                                    Guiar
· Não sei, não faço ideia, etc.                       Sei lá       
· Fui a Badajós                                             "Tive" em Londres     
· O meu marido anda com uma galdéria.   O Bernardo anda com uma pindérica (atenção: dizer o nome dele)       
· O meu marido teve toda a noite na net a ver sites pornográficos.  O Bernardo esteve toda a noite a fazer um relatório no computador.   
· Futebol                                                     Aquele desporto dos piquenos giríssimos a correr atrás da bola.      
· Dói-me a cabeça                                       Tou com uma enxaquequa terrível, do piorio   
· Santinho (quando alguém espirra)            Não dizer NADA!! (é regra de ouro não dizer nada quando alguém espirra)      
· Ganda Pinta                                             Que máximo!  
· Bonito                                                      Giro 
· Lindo                                                       Giríssimo, engraçadíssimo    
· Falecer                                                     Morrer       
· Funeral                                                     Enterro      
· Rádio                                                       Tefonia      
· Televisor                                                  Télé visão (carregar nos és
· Foto                                                          Retrato      
· Depois ligas-me?                                      Tufona-me mais tarde? (com "U" e não com "ÉLE")      
· Estou farto(a) disto                                  Tou que não posso    
· Salário, ordenado, juros, etc.                   SEM TRADUÇÃO...é de mau tom falar em dinheiros! (Assunto Tabu! Experimente falar nisto e é imediatamente escorraçado do Jet7!)       
· Quanto Custa?                                          SEM TRADUÇÃO... no Jet7 compra-se e pronto (ou fica-se a dever, como muitas) 
· Fui ao banco                                             Estive a tratar de uns assuntos.     
· Que vestido tão caro!                               Que vestido medonho! (Em vez de caro, diz-se que é feio)     
· Vou aos Saldos                                         Vou fazer compras    
· Comprei esta camisola estampada na feira de Carcavelos a uma cigana que vende imitações do Jean Paul Gautier                                               Trouxe esta "tigresse" de Jean Paul Gautier de Paris.
· O gajo da loja fez-me um desconto         O piqueno da loja foi um querido.    
· Este perfume está em promoção              Este perfume é óptimo!       
· Aquele gajo é bom com'ó milho               Que piqueno giríssimo!       
· Leste aquela notícia do Correio da Manhã?   Leu aquele artigo do Expresso?       
· Caixote do lixo                                            Cesto dos papéis     
· E-mail                                                           É-mail (carregar no "É")     
· Tchau                                                            Adeus

Nomes impossíveis para piquenas :       
Jessica,  Iris, Isis, Sara, Raquel, Vanessa, Susete,Tânia, Vânia, Varónica, Elsa, Soraia, Marina, Cátia, Solange... essas coisas suburbanas.
O Informador do Outeiro de Polima

Nomes do piorio para piquenos :
Rui, Nuno, Paulo, Helder, Bruno, Sérgio, Valter, Valdemar, Nelson,... e tudo o q se assemelhar a nomes brasileiros ou africanos (para as piquenas o mesmo, claro). NEM LHE PASSE PELA CABEÇA, TÁ A VER?

Nomes que são do melhor que há para piquenos e piquenas :
Ana Margarida, Ana Carolina, Ana Catarina, Maria (só), Maria João, Joana, Bárbara, Matilde, Marta, Madalena, Constança, Maria Ana (que já é muito melhor que Mariana, mas também se usa) Maria do Carmo, Rosário, Camila, Luísa, Teresa, Carlota, Gabriela, Leonor, Francisca, Frederica, Renata, Filipa, Inês, Beatriz, Diana (estes 3 não ponha lá muito porque soa a novo riquismo, o que é péssimo), Francisco, Manuel (diga sempre, sempre "Manel"), António, João, José (agora é do melhor que há), José Maria (este é o máximo), Bernardo, Rodolfo, Frederico, Renato, Rodrigo, Guilherme, Salvador, Pedro, Gonçalo, Diogo, Tiago (estes 3 já não se usam, tá a ver?), Duarte, Martim,... e abuse, abuse sempre dos diminutivos.

Mais importante que o nome é o diminutivo dos piquenos. Tá a ver, veja lá:
Pipo, Tito, Titá, Cereja, Ruca, Mico, Mica,  Mitó, Né, Zé, Lé, Zeca, Pilita, Chachão, Lili, Micas, Tisha, Gui, Cinha, TóZé, Tátá, Pipoca, Jójó, Nini, Guigui, Banana, Tinoca, Tonicha,... tudo quanto há giríssimo.

terça-feira, outubro 01, 2024

Cantiga, Partindo-se

 "Cantiga, Partindo-se",  é o poema de amor que celebriza João Roiz de Castelo-Branco (1450/1515), poeta do século XV, cuja vida e obra estão envoltas em mistério. 

Poema cantado por 3 grandes vozes da música portuguesa: Amália Rodrigues, Pedro Barroso e Vitorino.

Senhora, partem tão tristes
Meus olhos por vós meu bem
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém

Tão tristes tão saudosos
tão doentes da partida
tão cansados, tão chorosos
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida 
Partem tão tristes os tristes
tão fora de esperar bem
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém  
João Roiz de Castel-Branco - Antologia do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende