sábado, maio 25, 2013

Montevideu

Hoje, vamos conhecer um bocadinho de Montevideu.  Montevideu é a capital e a maior cidade do Uruguai.  É, também,  a sede administrativa do Mercosul. Localiza-se no sul do Uruguai, nas margens do rio da Prata. É a cidade latino-americana com a melhor qualidade de vida e encontra-se entre as 30 mais seguras do mundo.
Em 2004, possuía uma população de aproximadamente 1 325 968 habitantes (ou  1 968 335, se englobarmos a sua área metropolitana).
 Montevideu tem uma situação geográfica privilegiada junto a uma baía ideal, que forma um porto natural, o mais importante e mais movimentado do país.
 A cidade nasceu de um pequeno povoado de índios tapes e imigrantes das Canárias, radicados junto a  um forte, construído em 1724, por ordem do governador espanhol de Buenos Aires, Bruno Mauricio de Zabala, para manter as tropas portuguesas de Manuel de Freitas da Fonseca, distantes do Rio da Prata.  Só em 1726,  é que Montevideu adquiriu o estatuto de cidade.
Conquistada por Portugal em 1817, tornou-se capital da Província Cisplatina do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, em 1821. Pertenceu ao Brasil durante o reinado de D. Pedro I, chegando a receber o título de Imperial Cidade, em 15 de abril de 1825 , mas logo conquistou a sua independência, na chamada Guerra da Cisplatina, tendo recebido apoio da Argentina. Com a independência (1828) tornou-se a capital de um novo país, o Uruguai. Entre 1843 e 1851, Montevidéu foi palco de disputas políticas internas, na chamada Guerra Grande.
 A Ciudad Vieja (Cidade Velha) de Montevideu, é a sua parte mais antiga, originária da urbanização começada em 1742, que lhe deu origem. Actualmente, esta parte, é um bairro da cidade.  A criação deste novo povoado ocorre num momento de disputa entre Portugal e Espanha pelo território ao redor do Rio da Prata, exacerbada pela fundação da Colónia do Sacramento pelos portugueses, em 1680. Neste contexto, a Espanha de Filipe V, decide-se pela fundação de uma nova cidade no rio da Prata, para contra-arrestar as ambições portuguesas. Nesses primeiros tempos a cidade foi cercada por várias baterias fortificadas e uma muralha, começada em 1741 e terminada por volta de 1780. Montevideu foi ainda protegida por dois fortes, um (chamado a Cidadela) no lugar da actual Praça Independência, e outro no lugar da actual Praça Zabala. Os dois fortes e as muralhas, foram destruídos já no início do século XIX, após um decreto de 1829, e deles poucos vestígios há. Da cidadela, foi preservada uma porta de entrada, mantida actualmente como monumento, na entrada da Cidade Velha, entre esta e a Praça Independência. Junto ao Rio da Prata também se preserva uma pequena bateria fortificada de planta circular. A praça principal do bairro, cuja origem é a  Plaza Matriz colonial, é a atualmente a Plaza Constitución, onde se encontra a antiga igreja matriz, construída a partir de 1790 (atualmente Catedral Metropolitana de Montevideu) e o centro administrativo da cidade colonial, o Cabildo de Montevideu, começado em 1804. Estes edifícios são os mais antigos preservados na Cidade Velha.
Venha daí até ao Uruguai, para conhecer Montevideu. 

sexta-feira, maio 24, 2013

Encargo

Flower Juice, Kyoko Murase
Fique hoje, com o poema, "Encargo",  do escritor argentino, Julio Cortázar.
No me des tregua, no me perdones nunca.
Hostígame en la sangre, que cada cosa cruel sea tú que vuelves.
¡No me dejes dormir, no me des paz!
Entonces ganaré mi reino,
naceré lentamente.
No me pierdas como una música fácil, no seas caricia ni guante;
tállame como un sílex, desespérame.
Guarda tu amor humano, tu sonrisa, tu pelo. Dalos.
Ven a mí con tu cólera seca de fósforo y escamas.
Grita. Vomítame arena en la boca, rópeme las fauces.
No me importa ignorarte en pleno día, saber que juegas cara al sol y al hombre.
Compártelo.

Yo te pido la cruel ceremonia del tajo,
Lo que nadie te pide: las espinas
Hasta el hueso. Arráncame esta cara infame, oblígame a gritar al fin mi verdadero nombre.

quinta-feira, maio 23, 2013

Pára-me de repente o pensamento


Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz do esquecimento.

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado.
Pára e fica, e demora-se um momento.

Pára e fica, na doida correria.
Pára à beira do abismo, se demora.
E mergulha na noite escura e fria.

Um olhar de aço, que essa noite explora.
Mas a espora da dor seu flanco estria,
E ele galga e prossegue sob a espora...
Ângelo de Lima

quarta-feira, maio 22, 2013

As Sete Cidades

O Parque Nacional de Sete Cidades, localiza-se a norte do estado do Piauí, a cerca de 18 km do município de Piracuruca, e tem uma área de 6.221 ha.  Foi criado em 1961 e é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O Parque foi criado com o objectivo de preservar ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cénica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de actividades de educação e  interpretação ambiental, turismo ecológico e lazer, em contacto com a natureza.
A maior parte da flora encontrada no parque é típica do cerrado, com espécies, avistadas com facilidade, como murici, cascudo, lixeira, bacuri, pequi e pau-terra. Nas manchas de caatinga encontram-se juazeiros, juremas, aroeiras e cactos, como o xique-xique e a coroa-de-frade.
Há manchas de matas ao longo do curso dos rios e das nascentes, onde são comuns o pau-d`arco e a embaúba. Nessas áreas crescem ninféias, (plantas aquáticas que vivem nos espelhos d`água das piscinas e lagos naturais),  que dão um toque especial à paisagem.
O Cerrado aparece no bioma cerrado e em outras formações vegetais do Brasil, geralmente quando o solo é mais pobre que o circundante, no caso dos domínios da mata Atlântica e da Amazónia. Caracteriza-se pela presença de árvores baixas, inclinadas e tortuosas, de troncos grossos, com ramificações irregulares e retorcidas, geralmente com evidências de queimadas, e presença de grande quantidade de gramíneas no sub-bosque.
A Caatinga, é o único bioma exclusivamente brasileiro. Este nome decorre da paisagem esbranquiçada resultando do aspecto da vegetação durante o período seco: a maioria das plantas perde as folhas e os troncos tornam-se esbranquiçados e secos. Do ponto de vista da vegetação, a região da caatinga é classificada como savana estépica. Entretanto, a caatinga é bastante diversa, com regiões distintas, cujas diferenças se devem à pluviometria, à fertilidade, ao tipo de solos e ao relevo. Assim, pode dividir-se entre o agreste e o sertão. O agreste é uma faixa de transição entre o interior seco e a Mata Atlântica, característica da Zona da Mata. Já o sertão apresenta vegetação mais rústica.

terça-feira, maio 21, 2013

Dos Gardenias

Ouça Maria Rita, numa excelente interpretação da canção cubana, "Dos Gardenias" (ao vivo). Maria Rita (1977) é uma cantora e produtora musical brasileira, filha da cantora Elis Regina e do arranjador e pianista César Camargo Mariano. Maria Rita iniciou a sua carreira com cerca de 24 anos, apesar de querer cantar desde os catorze. Já ganhou seis prémios "Grammy Latino" incluindo o Grammy Latino de Melhor Artista Revelação. Já ganhou, também, dois Prémio Multishow de Música Brasileira e já vendeu mais de 2 milhões de CDs e DVDs, só no Brasil.

Dos gardenias para ti,
Con ellas quiero decir
Te quiero,
Te adoro,
Mi vida.
Ponles toda tu atencin
Porque son tu corazn
Y el mio.
Dos gardenias para ti
Que tendran todo el calor
De un beso.
De estos besos que te di
Y que jamas encontraras
En el calor de otro querer.
A tu lado viviran
Y te hablaran
Como cuando estas conmigo.
Y hasta creeras que te diran
Te quiero.
Pero si un atardecer
Las gardenias de mi amor
Se mueren
Es porque han adivinado
Que tu amor se ha terminado
Porque existe otro querer.
Isolina Carillo
  

segunda-feira, maio 20, 2013

Quem quer viver para sempre?

"Quem quer viver para sempre?
Eu já deveria estar morto. Ou a caminho de. Para alguns leitores, nunca uma frase soou tão verdadeira.
Mas eu falo de história, não de afetos. Se tivesse nascido em Portugal cem anos atrás, já haveria lápide e caixão. Dá para acreditar que, em inícios do século 20, a esperança média de vida para os homens portugueses rondasse os 35-40 anos?
Hoje, andará pelos 80. O que significa que, com sorte e algum bom humor do Altíssimo, eu estou apenas no meio da viagem.
Se juntarmos os progressos da medicina no futuro próximo, é possível que a viagem seja alargada mais um pouco. Cem anos, cento e tal. Nada mau.
Um artigo recente da "Nature", aliás, promete revoluções para a minha pobre carcaça. O segredo está no hipotálamo cerebral e numa proteína do dito cujo que regula o envelhecimento humano.
Não entro em pormenores, até porque eu próprio não os entendo. Mas eis o negócio: se a proteína é estimulada, os ratinhos morrem mais depressa. Se a proteína é inibida, acontece o inverso.
Falamos de ratos, por enquanto, o que significa que a descoberta só terá aplicação imediata entre a classe política.
Mas o leitor entende onde eu quero chegar. E eu quero chegar à maior promessa de todas: o dia em que seremos finalmente imortais.
Na história da cultura ocidental, esse dia pode estar no passado distante (ler o poeta grego Hesíodo, ler a Bíblia).
Ou pode estar no futuro, como garantem os "transumanistas". Falo de uma corrente bioética perfeitamente respeitável que se dedica a essa causa: o destino da humanidade não está em morrer aos cem. Está em viver indefinidamente depois dos cem. Como?
Através dos avanços da tecnologia, claro. Porque só a tecnologia permitirá aos homens suplantar a sua infantil condição mortal.
O nosso corpo é apenas a primeira casca de todas as cascas que estarão para vir. E quem, em juízo perfeito, não gostaria de viver para sempre?
Curiosamente, há quem não queira. O filósofo inglês Roger Scruton, em ensaio recente, dedica um capítulo específico aos transumanistas. O livro intitula-se "The Uses of Pessimism and the Dangers of False Hope" (os usos do pessimismo e os perigos da falsa esperança). Segundo sei, será publicado no Brasil em breve. Recomendo.
Primeiro, porque é uma súmula perfeita do pensamento de Scruton, escrito com a elegância habitual do autor.
Mas sobretudo porque é a mais brilhante refutação do pensamento utópico --e em particular do pensamento utópico transumanista de autores como o norte-americano Ray Kurzweil ou o britânico Max More--, que me lembro de ter lido.
Isso deve-se, em grande parte, ao fato corajoso de Scruton ter sido capaz de virar o debate do avesso e perguntar: por que motivo a doença e a morte devem ser vistos como males intoleráveis que devemos erradicar? Não será possível olhar para eles como bens necessários?
Certo, certo: ninguém ama a doença e, tirando casos extremos, ninguém deseja morrer. Só que esse não é o ponto.
O ponto é que, sem a doença e a morte, a vida não teria qualquer valor em si mesma.
Os projetos que fazemos; as viagens com que sonhamos; os amores que temos, perdemos, procuramos; e até a descendência que deixamos --tudo isso parte da mesma premissa: o fato singelo de não termos todo o tempo do mundo.
Vivemos, escolhemos, amamos --porque temos urgência em viver, escolher e amar. Se retirarmos a urgência da equação, podemos ainda viver eternamente.
Mas viveremos uma eternidade de tédio em que nada tem sentido porque nada precisa ter sentido. Sem a importância do efêmero, nada se torna importante.
Os transumanistas sonham com um mundo pós-humano. É provável que esse mundo seja possível no futuro, quando a técnica suplantar a nossa casca primitiva.
Mas esse mundo, até pela sua própria definição, será um filme diferente. Não será um filme para seres humanos tal como os conhecemos e reconhecemos.
Viver até os cem? Agradeço.
Cento e vinte também servem. Mas se me dissessem hoje mesmo que o meu futuro duraria uma eternidade, eu seria o primeiro a pular da janela sem hesitar".
João Pereira Coutinho - C.M.

domingo, maio 19, 2013

Amor


Amor, amor, amor, como não amam
os que de amor o amor de amar não sabem,
como não amam se de amor não pensam
os que de amar o amor de amar não gozam.
Amor, amor, nenhum amor, nenhum
em vez do sempre amar que o gesto prende
o olhar ao corpo que perpassa amante
e não será de amor se outro não for
que novamente passe como amor que é novo.
Não se ama o que se tem nem se deseja
o que não temos nesse amor que amamos,
mas só amamos quando amamos o acto
em que de amor o amor de amar se cumpre.
Amor, amor, nem antes, nem depois,
amor que não possui, amor que não se dá,
amor que dura apenas sem palavras tudo
o que no sexo é sexo só por si amado.
Amor de amor de amar de amor tranquilamente
o oleoso repetir das carnes que se roçam
até ao instante em que paradas tremem
de ansioso terminar o amor que recomeça.
Amor, amor, amor, como não amam
os que de amar o amor de amar o amor não amam.
Jorge de Sena, Peregrinatio ad loca infecta (1969)

sábado, maio 18, 2013

A Bicicleta Que Tinha Bigodes

"A Bicicleta Que Tinha Bigodes", livro do autor angolano Ondjaki, foi escolhido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil brasileira, como o melhor título destinado a crianças e jovens, relativo a 2012. Esta obra também já foi distinguida em Portugal, em 2012, com o Prémio Bissaya Barreto de Literatura para a Infância.
Ondjaki ficou satisfeito com esta nova distinção vinda do Brasil. “Fico contente. Por mim e por Angola. Ainda vivo essa fase de que partilho os meus prémios com o meu país ou com as crianças do meu país. É a segunda vez que sou distinguido com este prémio, e a emoção é a mesma. Emoção e honra. É bonito ver um livro angolano chegar a outras culturas”.

ONDJAKI NA BIBLIOTECA DA NOSSA ESCOLA (ESL).
"A Bicicleta Que Tinha Bigodes": «Sonhei com a bicicleta bem colorida, os da minha rua brincavam com ela, o Camarada Mudo ria muito, a Avó Dezanove dizia para termos cuidado para não sermos atropelados por nenhum carro e para não atropelarmos mais nenhum bicho, a bicicleta do meu sonho era bem grande e zunia muito, amarela nas rodas, o quadro e o volante eram vermelhos e os para-lamas assim pretos, só que à frente, um pouco abaixo da zona do volante, ninguém ainda tinha visto: a bicicleta tinha uns bigodes iguais aos do tio Rui...»
Se quiser ouvir o jovem autor Ondjaki, a falar sobre esta obra basta clicar aqui.

sexta-feira, maio 17, 2013

O Tumucumaque

O Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque é um parque brasileiro de protecção integral da natureza. Localiza-se na Amazónia, nos estados do Amapá e do Pará  (municípios de Almeirim, Amapá, Calçoene, Ferreira Gomes, Laranjal do Jari, Oiapoque, Pedra Branca do Amapari, Pracuuba e Serra do Navio). Faz fronteira a norte com a Guiana Francesa e com a República do Suriname. O Parque das Montanhas do Tumucumaque integra, juntamente, com os parques nacionais da Serra do Divisor, do Cabo Orange, do Pico da Neblina e do Monte Roraima, o conjunto de Parques Nacionais fronteiriços da Amazónia brasileira. Com uma área de 38 464 km², o Tumucumaque é o maior parque nacional do Brasil e o maior em florestas tropicais do mundo. Compreende uma grande e contínua área de floresta e, integra um complexo de 11.000.000 hectares de área conservada, composta por terras indígenas (Parque Indígena Tumucumaque, Terra Indígena Waiapi e Terra Indígena Rio Paru D’Oeste) e quatro unidades de conservação (Floresta Nacional do Amapá, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, Estação Ecológica do Jarí e Reserva Extrativista do Rio Cajari).
Este parque foi criado, em 2002, com a finalidade de:

  • assegurar a preservação dos recursos naturais e da diversidade biológica; 
  • proporcionar a realização de pesquisas científicas;
  • promover o desenvolvimento de actividades de educação, de recreio e de turismo ecológico. 

Recentemente a TV Globo, através do programa Globo Repórter (para o ver, basta clicar no link),  desvendou os segredos do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. Um pedaço de Brasil, misterioso, isolado, coberto de mata virgem, árvores imensas, rios e cachoeiras.
É verdadeiramente colossal! Vale a pena ficar a conhecê-lo.




quinta-feira, maio 16, 2013

Declaração de Amor

"Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo. Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Ás vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la — como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope. Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E esse desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida. Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega. Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida". Clarice Lispector - In A Descoberta do Mundo (1984), reunião das crónicas publicadas no Jornal do Brasil, de 1967 a 1973.

quarta-feira, maio 15, 2013

Um transporte com futuro...

A proposta de hoje, é conhecer um tipo de transporte para o futuro, mas, para um futuro, provavelmente, muito próximo.
Imagine-se a conduzir numa estrada. De repente, um enorme "túnel móvel" passa por si, como que voando, com centenas de pessoas a bordo. Pode pensar que é um sonho, mas poderá vir a ser verdade, logo que este incrível autocarro aparecer nas ruas de algumas cidades. Pode crer que num futuro próximo, este meio de transporte (ou algo parecido) será a maneira mais económica e ecológica de transportar passageiros, no tráfego urbano intenso, de algumas metrópoles. A partir deste vídeo, veja como poderá funcionar esta inovadora forma de transporte.  

terça-feira, maio 14, 2013

De Ameixoeira a Santa Clara

As freguesias da Ameixoeira  (extinta em 2012) e da Charneca são contíguas e têm uma origem e uma história similares. Estas antigas freguesias rurais, pertenceram ao Termo de Lisboa até à sua abolição (1852), depois ao concelho dos Olivais e com a extinção deste, integraram o concelho de Lisboa (1886).
Eram freguesias afastadas do centro da capital, fazendo parte da "Região Saloia", que abastecia a cidade com os produtos das suas quintas e campos de cultivo, tendo permanecido lugares campestres até às primeiras décadas do século XX.
A Ameixoeira, com as suas quintas de recreio aristocráticas, casas campestres e clima ameno, era um local atractivo para as gentes de Lisboa. No século XIX, os lisboetas vinham para a Ameixoeira passar os meses de verão, alugando casas para o efeito. No início do século XX tornou-se o local favorito para repouso, de escritores, políticos e outras pessoas endinheiradas.
Das memórias destas épocas recuadas, restam os relatos das "idas às hortas", aos Domingos;  da "espera de toiros" na Calçada de Carriche; e dos duelos em defesa da honra na Estrada Militar, ou na Azinhaga da Ameixoeira. Famoso nas duas freguesias era o "Vinho do Termo" que se cultivava, predominantemente, nas Quintas da Torrinha e da Mourisca, e que abastecia as tabernas e retiros da capital. Ainda fazendo parte do património cultural destas duas freguesias, permanecem, os núcleos antigos da Ameixoeira (séculos XVI-XIX), em franco desaparecimento, e da Charneca (século XVIII -XIX), de feição análoga a pequenas aldeias; as Igrejas de S. Bartolomeu da  Charneca (1685), a de Nossa Senhora da Encarnação da Ameixoeira  (do século XVI) e o Terreiro da Feira de S. Bartolomeu (na Charneca) que é o último Terreiro de Feira de Lisboa. Em relação à Igreja da Ameixoeira, embora ela date do século XVI, rezam as crónicas que já em 1276, existia na freguesia uma ermida de evocação a Nossa Senhora do Funchal, depois alterada para Nossa Senhora da Encarnação, em 1593.
Estas duas freguesias de Lisboa que têm um passado idêntico passarão a ter um futuro comum, já que em conjunto, formarão a nova Freguesia de Santa Clara. O nome desta nova freguesia, resulta, provavelmente, da existência da antiga Quinta de Santa Clara (hoje, parte dela, ocupada por um estabelecimento de ensino superior) e do Jardim (cuja traça original era de estilo barroco) de Santa Cara, que era pertença da Quinta primitiva.

Já agora, tendo em conta as memórias que fez António Borges Ribeiro (escrivão da mesa de Nossa Senhora da Encarnação), é de referir que há várias explicações para a existência do nome Ameixoeira. Em 1742, o Padre João Baptista de Castro escreveu que Ameixoeira provém, de AMEIJOEIRA, denominação que nasceu da grande quantidade de ameijoas-fósseis que no sítio apareciam e ainda aparecem.  Pinho Leal (e o Padre Luís Cardoso) diz que a designação provém de um  mouro chamado Mixo ou Mixio, que  dera o nome a esta povoação, que até ao século XVIII se chamava MIXOEIRA, tendo antes o nome de Funchal.

segunda-feira, maio 13, 2013

O Termo de Lisboa

Desde épocas remotas que a jurisdição da Câmara de Lisboa não se limitava à área citadina ou urbanizada da cidade de Lisboa.  Assim, "O Termo de Lisboa" (criado em 1385) era um vasto território a Norte e a Ocidente da cidade. Compreendia vilas, aldeias e lugares sob a administração da capital.
Os mais antigos documentos que lhe fazem referência, são as cartas das doações feitas, logo no princípio do seu reinado, por D. João I à Cidade – como gratidão pelos serviços, que lhe prestou, auxiliando-o na libertação do jugo que Castela queria impor ao reino, e na sua elevação à realeza.
"Estas doações transformaram em Termo de Lisboa todo o território do Reino compreendido entre o Oceano Atlântico por oeste; o mesmo Oceano e o rio Tejo, pelo sul, o mesmo rio por leste; e limitado ao norte, talvez, pelo rio de Alcabrichel, do lado do Oceano, e pela ribeira da Ota do lado do Tejo”.
Com o decorrer dos anos, o Termo foi perdendo terreno e os seus limites sofreram algumas alterações fruto de várias alterações legislativas, reformas e revisões administrativas (1527, 1654, 1759, 1822, 1826 e 1836). Com a reforma de 1836, ficou, assim, o Termo constituído pelas seguintes 22 freguesias: Campo Grande, Charneca, S. João da Talha, Olivais, Sacavém, Via Longa, Loures, Bucelas, Ameixoeira, Apelação, Camerate, Santo Estêvâo das Galés, Fanhões, Frie1as, Louza, Lumiar, Odivelas, Póvoa de Santo Adríão, Tojal, Tojalinho, Unhos, e Benfica. Com esta divisão administrativa , o Termo perdeu, pois, terreno.
Em 1852 extinguiu-se o Termo e criaram-se dois novos Concelhos: Belém e Olivais.
Depois de 1852, novas reformas administrativas trazem ainda alterações. Em 1885 foi extinto o Concelho de Belém. Foi traçada a linha de circunvalação da cidade de Lisboa que ía de Chelas a Algés e houve freguesias que passaram para dentro de Lisboa, outras que ficaram com os territórios cortados por essa linha, os quais foram anexados, conforme a situação, ou a Lisboa ou aos Concelhos de Oeiras, Sintra e Olivais. Assim, a parte exterior da freguesia de Benfica, passou a pertencer a Oeiras, o terreno exterior de Carnide, (hoje freguesia da Pontinha ), do Lumiar, (onde é a Serra da Luz, Vale do Forno, Senhor Roubado ), da Ameixoeira, (onde agora é Olival Basto ) e toda a freguesia de Odivelas, passaram para os Olivais. Antes de traçada a circunvalação, o território destas três últimas freguesias vinha até ao rio da Costa e à ribeira de Odivelas. As alterações não se ficaram por aqui.  O decreto de 22 de Julho de 1886, extinguiu o Concelho dos Olivais e criou o Concelho de Loures. A lei de 1895 encurtou de novo,  um pouco, a extensa área do Município de Lisboa, tirando-lhe a freguesia de Camarate, e a parte que tinha da de Sacavém, as quais anexou ao Concelho de Loures. Lisboa, ficou assim com os limites que actualmente (1940) possui e que se mantiveram até aos dias de hoje.
Do antigo Termo de Lisboa, restaram durante muito tempo as lembranças relativas ao Vinho do Termo. Este, era um tipo de vinho tinto muito encorpado, e proveniente da região ao norte de Lisboa, até à Póvoa de Santo Adrião e Frielas. Era muito apreciado para venda a copo nas tabernas, e por ocasião de S. Martinho.
Fonte:  Augusto Vieira da Silva, Dispersos, volume III

domingo, maio 12, 2013

Código Impala

"Código Impala", é um romance ficcionado, da autoria de Manuel Mota, economista e gestor de profissão, lançado ontem na Biblioteca Municipal de São Lázaro, pela Chiado Editora.
Histórias de há 40 anos inspiraram-no para a realização deste livro, que é o primeiro de uma trilogia. De acordo com o autor "A escrita vai passar a fazer parte da minha vida, com carácter permanente. A prova disso é que o segundo livro, já está escrito e em fase de revisão e o terceiro, está em fase muito adiantada. Na verdade, estes três livros têm uma história com alguma continuidade, pois a solução final para o destino a dar aos documentos só aparece no fim do terceiro livro".
Embora toda a trama se desenrole na actualidade, a história, tem raízes e motivações históricas. De facto tudo acontece à volta de uns documentos que foram assinados em Angola, no ano de 1974 e após a revolução do 25 de Abril. As consequências na actualidade, da existência desses documentos, são muito comprometedoras, para algumas pessoas, com posição relevante no "establishment" de Angola. Isso gera uma grande disputa pela sua posse. A história tem "flashbacks", retratando momentos e episódios vividos, pelos personagens, à época, com a respectiva critica politica e social ao processo de descolonização. Grande parte da acção, desta obra, desenrola-se em Lisboa, mas, com escapadelas até ao nordeste brasileiro, Luanda e ao norte de Portugal.

sábado, maio 11, 2013

Funiculì, Funiculà

"Funiculì, Funiculà" é o nome de uma famosa canção napolitana,  escrita pelo jornalista, poeta e cantautor italiano, Giuseppe 'Peppino' Turco e musicada por Luigi Denza, em 1880. Foi composta para celebrar a abertura do primeiro funicular do Monte Vesúvio, em 1879. Foi cantada pela primeira vez em Castellammare di Stabia, no Hotel Quisisana, no dia 6 de junho de 1880 e  tornou-se, logo, um grande sucesso. Sucesso que permanece até aos dias de hoje, tendo sido interpretada por vários tenores, entre eles Luciano Pavarotti.
Ouça agora, Funiculì, Funiculà, interpretada por três jovens tenores do grupo "Il Volo", no Festival de San Remo. Este grupo é constituído por um trio de jovens cantores italianos (Piero Barone, Ignazio Boschetto e Gianluca Ginoblno) que interpretam temas do "pop lírico".

sexta-feira, maio 10, 2013

Em Versos me Revelo

"Em Versos me Revelo", é o novo livro de Inácio Rebelo de Andrade, lançado recentemente pelas Edições Colibri.
Inácio Rebelo de Andrade é um escritor, sociólogo e professor universitário português, nascido em 1935, na cidade de Huambo, em Angola.
Como escritor, publicou alguns contos, crónicas e memórias, que contribuíram para a divulgação da história e cultura angolana, tais como os livros "Um Grito na Noite" (1960), "Apontamentos de Rua" (1961), "O Sabor Doce das Nêsperas Amargas" (1997), "Parábolas em Português" (1999), "Aconteceu em Agosto" (2000), "Revisitações no Exílio" (2001), "Passageiro sem Bilhete" (2003), "Adeus Macau, Adeus Oriente" (2004). Para além das suas obras literárias, escreveu livros científicos, técnicos e eruditos, como "No Centenário de António Sérgio", o "Doutrinador Cooperativista" (1983), "Difusão de Inovações e Extensão Rural" (1987), "Para uma Estratégia de Apoio aos Agricultores" (1988), "Avaliação de Actividades em Extensão Rural" (1996), entre outros. Rebelo de Andrade é ainda membro da Sociedade de Geografia de Lisboa, da União dos Escritores Angolanos e da Associação Portuguesa de Escritores. Juntamente com o poeta angolano Ernesto Lara Filho, foi fundador da coleção Bailundo.

quinta-feira, maio 09, 2013

Lua Cheia

Hoje proponho-lhe que veja um vídeo (de 3 minutos) de uma beleza incrível. Trata do nascimento de uma enorme lua cheia, fotografada pelo australiano, Mark Gee, que filmou este acontecimento, na Nova Zelândia.
O vídeo feito em Wellington, que mostra belíssimas imagens da lua a assomar sobre o miradouro de Mount Victoria, transformou-se num grande sucesso para a Vimeo, já que atingiu as 110 mil visualizações em pouco tempo.
Segundo Mark Gee, o material está tal e qual como foi filmado, sem nenhum tipo de manipulação.

quarta-feira, maio 08, 2013

O Monge Eremita ou The Misguided Monk

Hoje sugiro-lhe um pequeno filme de animação, The Misguided Monk, que foi escrito, produzido, animado e realizado por Tom Long, e que conta com a música de Alexandra Hamer (Solent University, Reino Unido).
Este belo filme conta-nos a história de um velho monge eremita que vê o seu dia e rotina interrompidos, por um hóspede inesperado. Com ele o monge é, involuntariamente, levado a descobrir o verdadeiro significado do companheirismo. Ora veja!

terça-feira, maio 07, 2013

Baía de Sepetiba

A Baía de Sepetiba é uma baía localizada no estado do Rio de Janeiro. Tem cerca de 305 km2 de área, e é limitada a nordeste pela Serra do Mar, a norte pela Serra da Madureira, a sudeste pelo Maciço da Pedra Branca e a sul pela Restinga da Marambaia. Comunica com o oceano Atlântico por meio de duas passagens, a oeste entre os cordões de ilhas que limitam com a ponta da restinga e, a leste, pelo canal que desagua na Barra de Guaratiba. A baía de Sepetiba foi palco de inúmeros acontecimentos da história do Brasil, desde a pré-história indígena, até ser considerada o "Porto do Ouro", por receber todo o ouro que vinha de Paraty com destino a Lisboa. No século XVIII, a baía de Sepetiba foi cenário de muitas batalhas entre corsários atraídos pelo ouro e soldados do rei Dom João IV. Além do ouro, os piratas usurpavam o pau-brasil abundante nas matas da região.
Hoje a baia, as áreas de mangal  e as zonas de estuário constituem um berço natural para as diversas espécies de moluscos, crustáceos e peixes existentes neste ecossistema. A actividade pesqueira é, pois,  um importante suporte económico e social para a região, que possui, ainda, indiscutível vocação natural para o turismo, com as ilhas da Madeira, Martins e Jaguanum, parte da ilha de Itacuruçá e três cachoeiras: Mazomba, Itimirim e Bicão. Além das praias de Coroa Grande, Itacuruçá, Muriqui, Ibicuí, Sahy, Praia Grande entre outras. Se quiser ficar a conhecer melhor esta região do litoral brasileiro, basta ver a belíssima apresentação que se segue. 

segunda-feira, maio 06, 2013

Mãe

Fique com a presentação de Gal Costa no programa Altas Horas exibido na Rede Globo em 07/04/2013, onde interpreta a canção "Mãe", de Caetano Veloso.

Palavras, calas, nada fiz
Estou tão infeliz
Falasses, desses, visses não
Imensa solidão
Eu sou um Rei que não tem fim
E brilhas dentro aqui
Guitarras, salas, vento, chão
Que dor no coração
Cidades, mares, povo, rio
Ninguém me tem amor
Cigarra, camas, colos, ninhos
Um pouco de calor
Eu sou um homem tão sozinho
Mas brilhas no que sou
E o meu caminho e o teu caminho
É um nem vais nem vou
Meninos, ondas, becos, mãe
E só porque não estais
És para mim que nada mais
Na boca das manhãs
Sou triste, quase um bicho triste
E brilhas mesmo assim
Eu canto, grito, corro, rio
e nunca chego a ti.
Caetano Veloso