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sexta-feira, dezembro 27, 2024

Eduardo Galeano

Eduardo Galeano (1940 - 2015) foi um jornalista e escritor uruguaio. É autor de mais de 40 livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. As suas obras transcendem géneros literários ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História. Galeano é considerado um dos principais expoentes do Antiamericanismo e Anticapitalismo na América Latina no Século XX.

Se tiver 10 minutos, veja até ao fim, o depoimento (legendado em português) de Eduardo Galeanona Praça Catalunya, em 24/05/11. porque vale a pena.

Sábias palavras! 

quinta-feira, maio 13, 2021

O Direito ao Delírio

Que tal começarmos a exercer

O direito de sonhar?

Que tal se delirarmos um pouquinho?


No próximo milénio, o ar estará limpo

de todo veneno

O televisor deixará de ser

o membro mais importante da família

As pessoas trabalharão para viver,

em vez de viver para trabalhar.


Os economistas não chamarão

nível de vida o nível de consumo,

nem chamarão qualidade de vida

a quantidade de coisas.


Ninguém será considerado herói

ou tolo só porque faz aquilo que

acredita ser justo, em vez de fazer

aquilo que mais lhe convém.

A comida não será uma mercadoria,

nem a comunicação um negócio,

porque comida e comunicação

são direitos humanos.


A educação não será um privilégio

apenas de quem possa pagá-la.

A polícia não será a maldição daqueles

que não podem comprá-la.


A justiça e a liberdade,

irmãs siamesas

condenadas a viverem separadas,

voltarão a juntar-se, bem unidas

ombro com ombro.


E os desertos do mundo e os desertos

da alma serão reflorestados.

Eduardo Galeano

sexta-feira, fevereiro 08, 2019

"Me cansé... me rindo..."

Leonardo Haberkorn, jornalista e escritor, era professor numa universidade de Montevideo. Corre na internet um artigo seu, publicado em papel, em 2015, com o título "Me cansé... me rindo...", onde declara ter deixado o ensino, que antes o apaixonava, e explica porquê.
Tomámos a liberdade de o traduzir, pois, por certo, ele tocará muitos professores e directores de escolas portuguesas. Desejável é que tocasse instâncias superiores e, de modo mais alargado, a sociedade.

"Depois de muitos e muitos anos, hoje dei a última aula na Universidade. 
Cansei-me de lutar contra os telemóveis, contra o whatsapp e contra o facebook. Ganharam-me. Rendo-me. Atiro a toalha ao chão.
Cansei-me de falar de assuntos que me apaixonam perante jovens que não conseguem desviar a vista do telemóvel que não pára de receber selfies.
Claro que nem todos são assim. Mas cada vez são mais
Até há três ou quatro anos a advertência para deixar o telemóvel de lado durante 90 minutos, ainda que fosse só para não serem mal-educados, ainda tinha algum efeito.
Agora não. Pode ser que seja eu, que me desgastei demasiado no combate. Ou que esteja a fazer algo mal.
Mas há algo certo: muitos desses jovens não têm consciência do efeito ofensivo e doloroso do que fazem. Além disso, cada vez é mais difícil explicar como funciona o jornalismo a pessoas que o não consomem nem vêem sentido em estar informadas.
Esta semana foi tratado o tema Venezuela. Só uma estudante entre 20 conseguiu explicar o básico do conflito. O muito básico. O resto não fazia a mais pequena ideia. Perguntei-lhes (...) o que se passa na Síria? Silêncio. Que partido é mais liberal ou que está mais à 'esquerda' nos Estados Unidos, os democratas ou os republicanos? Silêncio. Sabem quem é Vargas Llosa? Sim!
Alguém leu algum dos seus livros? Não, ninguém! Lamento que os jovens não possam deixar o telemóvel, nem na aula. Levar pessoas tão desinformadas para o jornalismo é complicado.
É como ensinar botânica a alguém que vem de um planeta onde não existem vegetais. Num exercício em que deviam sair para procurar uma notícia na rua, uma estudante regressou com a notícia de que se vendiam, ainda, jornais e revistas na rua.
Chega um momento em que ser jornalista é colocar-se na posição do contra. Porque está treinado a pôr-se no lugar do outro, cultiva a empatia como ferramenta básica de trabalho.
E então vê que estes jovens, que continuam a ter inteligência, simpatia e afabilidade, foram enganados, a culpa não é só deles. Que a incultura, o desinteresse e a alienação não nasceram com eles.
Que lhes foram matando a curiosidade e que, com cada professor que deixou de lhes corrigir as faltas de ortografia, os ensinaram que tudo é mais ou menos o mesmo. Então, quando compreendemos que eles também são vítimas, quase sem darmos conta vamos baixando a guarda.
E o mau é aprovado como medíocre e o medíocre passa por bom, e o bom, as poucas vezes que acontece, celebra-se como se fosse brilhante. Não quero fazer parte deste círculo perverso. Nunca fui assim e não serei assim.
O que faço sempre fiz questão de o fazer bem. O melhor possível. E não suporto o desinteresse face a cada pergunta que faço e para a qual a resposta é o silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Eles queriam que a aula terminasse. Eu também."  
Leonardo Haberkorn

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

Eu não acredito em caridade



"Eu não acredito em caridade. Eu acredito em solidariedade. Caridade é tão vertical: vai de cima para baixo. Solidariedade é horizontal: respeita a outra pessoa e aprende com o outro. A maioria de nós tem muito que aprender com as outras pessoas."
 Eduardo Galeano

domingo, maio 28, 2017

Condor

Condor - O Plano Secreto das Ditaduras Sul-Americanas é um livro do  fotógrafo português João Pina.

Sinopse:
Condor é um tributo à memória das vítimas da Operação Condor, um plano militar secreto instituído em 1975 por seis países latino-americanos, governados por ditaduras militares de extrema-direita, para eliminar a oposição política. Esta operação resultou na morte de cerca de 60.000 pessoas. Durante aproximadamente uma década, João Pina viajou de forma extensiva pela Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai para documentar o que restou da época do Condor.

domingo, junho 26, 2016

A Imperatriz do Uruguai

O maior geode de ametista do mundo foi encontrado no Uruguai e chama-se a Imperatriz do Uruguai.
Pesa 2.500 kg e tem 3,27 metros de altura. Depois de ser extraído e trazido para a superfície (o que levou quase três meses), a frente deste geode gigante foi cuidadosamente removida em seções muito pequenas, para revelar toda a sua beleza, como vê aqui ao lado (ou no vídeo abaixo).
Os geodes ou geodos (do grego, geoides, terroso) são formações rochosas que ocorrem em rochas vulcânicas e ocasionalmente em rochas sedimentares. São essencialmente cavidades, que se formam nas rochas, apresentando-se revestidas por formações cristalinas, muitas vezes apresentando a forma de faixas concêntricas. O exterior dos geodes mais comuns é geralmente constituído por calcário, enquanto que o interior contém cristais de quartzo e/ou depósitos de calcedónia. Outros geodes apresentam-se completamente preenchidos com cristais, apresentando-se como uma massa sólida, e tomam o nome de nódulos.
A ametista é uma variedade violeta ou púrpura do quartzo, muito usada como ornamento. Diz-se que a origem de seu nome vem do grego "a", "não" e "methuskein", "intoxicar", de acordo com a antiga crença de que esta pedra protegia o seu dono da embriaguez.
A ametista foi usada como pedra preciosa pelos antigos egípcios e era amplamente trabalhada na antiguidade pelos entalhadores.
É a pedra oficial do curso de Letras, normalmente utilizada em anéis de formatura, simbolizando o esclarecimento.

quarta-feira, outubro 14, 2015

Pepe Mujica

José Mujica, apelidado de Pepe Mujica, foi presidente do Uruguai de 2010 a 2015. Ex-guerrilheiro dos Tupamaros, entre os anos 60/70, foi preso como refém pela ditatura entre 1973 e 1985. Mujica prega uma filosofia de vida em torno da sobriedade: aprender a viver com o que é necessário e o que é justo.
Oiça a entrevista com José Mujica. É simplesmente magnífica! É mesmo uma lição de vida ...   

sábado, junho 27, 2015

La Cumparsita

"La Cumparsita" é um tango que foi escrito por um uruguaio de 17 anos, de nome Gerardo Matos Rodriguez (músico, compositor e jornalista), em 1917. Foi vendido, na época, por 20 pesos uruguaios!
Gerardo Matos Rodríguez (1897-1948) é, então, o compositor do tango mais conhecido e difundido do mundo: "La Cumparsita".
Em 1916 ele compôs um tango para um grupo da Federação de Estudantes do Uruguay, que desfilaria no carnaval de 1917. A partitura foi entregue ao notável pianista argentino Roberto Firpo, que estava a apresentar-se no "Cafe La Giralda" da "Plaza Independencia" de Montevidéu. Ele fez-lhe um pequeno arranjo e nessa noite tocou o "La Cumparsita".  Teve que repetir três vezes o tango devido ao sucesso conseguido, dando origem depois, a um disco que obteve um êxito inaudito.
"La Cumparsita", é considerado por muitos especialistas como o primeiro tango, pela influência que exerceria nas futuras composições de um género, que ainda procurava a sua afirmação.
"La Cumparsita" atravessou todas as fronteiras e transformou-se num dos hinos do tango. Em 1924, Pascual Contursi e Enrique Maroni composeram uma letra para o "La Cumparsita", composição que foi gravada de seguida por Carlos Gardel (que começava a obter uma grande popularidade). Esta letra que recebeu o título de Si Supieras, gerou uma controvérsia com Matos Rodríguez (também conhecido como Becho), que não tinha autorizado a inserção de uma letra no seu tango.
Matos Rodríguez ainda foi o compositor de outros tangos como "Che Papusa Oí", "Mocosita", "Te Fuiste Ja Ja", "La Muchacha Del Circo" e "El Rosal", todas gravadas por Carlos Gardel.

Zamar - Argentinian Tango from Goosebump Productions on Vimeo.

domingo, abril 19, 2015

O Direito ao Delírio

Para que serve a Utopia?
"A utopia é como o horizonte. Nós o vemos, ao longe, nunca o alcançaremos, mas serve para que continuemos sempre a caminhar"-  Eduardo Galeano.
Eduardo Galeano (1940 – 2015) foi um jornalista e escritor uruguaio. Foi autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas.
As suas obras transcendem os géneros literários, combinando ficção, jornalismo, análise política e História.
Galeano foi oautor da obra-prima, "As Veias Abertas da América Latina".
Veja o vídeo abaixo onde, após uma breve introdução feita pelo entrevistador, Eduardo Galeano se dirige ao palco e, ao som do piano, lê o seu texto: "O Direito ao Delírio. Oiça então o jornalista e escritor, uruguaio, Eduardo Galeano, falecido recentemente.

sábado, maio 25, 2013

Montevideu

Hoje, vamos conhecer um bocadinho de Montevideu.  Montevideu é a capital e a maior cidade do Uruguai.  É, também,  a sede administrativa do Mercosul. Localiza-se no sul do Uruguai, nas margens do rio da Prata. É a cidade latino-americana com a melhor qualidade de vida e encontra-se entre as 30 mais seguras do mundo.
Em 2004, possuía uma população de aproximadamente 1 325 968 habitantes (ou  1 968 335, se englobarmos a sua área metropolitana).
 Montevideu tem uma situação geográfica privilegiada junto a uma baía ideal, que forma um porto natural, o mais importante e mais movimentado do país.
 A cidade nasceu de um pequeno povoado de índios tapes e imigrantes das Canárias, radicados junto a  um forte, construído em 1724, por ordem do governador espanhol de Buenos Aires, Bruno Mauricio de Zabala, para manter as tropas portuguesas de Manuel de Freitas da Fonseca, distantes do Rio da Prata.  Só em 1726,  é que Montevideu adquiriu o estatuto de cidade.
Conquistada por Portugal em 1817, tornou-se capital da Província Cisplatina do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, em 1821. Pertenceu ao Brasil durante o reinado de D. Pedro I, chegando a receber o título de Imperial Cidade, em 15 de abril de 1825 , mas logo conquistou a sua independência, na chamada Guerra da Cisplatina, tendo recebido apoio da Argentina. Com a independência (1828) tornou-se a capital de um novo país, o Uruguai. Entre 1843 e 1851, Montevidéu foi palco de disputas políticas internas, na chamada Guerra Grande.
 A Ciudad Vieja (Cidade Velha) de Montevideu, é a sua parte mais antiga, originária da urbanização começada em 1742, que lhe deu origem. Actualmente, esta parte, é um bairro da cidade.  A criação deste novo povoado ocorre num momento de disputa entre Portugal e Espanha pelo território ao redor do Rio da Prata, exacerbada pela fundação da Colónia do Sacramento pelos portugueses, em 1680. Neste contexto, a Espanha de Filipe V, decide-se pela fundação de uma nova cidade no rio da Prata, para contra-arrestar as ambições portuguesas. Nesses primeiros tempos a cidade foi cercada por várias baterias fortificadas e uma muralha, começada em 1741 e terminada por volta de 1780. Montevideu foi ainda protegida por dois fortes, um (chamado a Cidadela) no lugar da actual Praça Independência, e outro no lugar da actual Praça Zabala. Os dois fortes e as muralhas, foram destruídos já no início do século XIX, após um decreto de 1829, e deles poucos vestígios há. Da cidadela, foi preservada uma porta de entrada, mantida actualmente como monumento, na entrada da Cidade Velha, entre esta e a Praça Independência. Junto ao Rio da Prata também se preserva uma pequena bateria fortificada de planta circular. A praça principal do bairro, cuja origem é a  Plaza Matriz colonial, é a atualmente a Plaza Constitución, onde se encontra a antiga igreja matriz, construída a partir de 1790 (atualmente Catedral Metropolitana de Montevideu) e o centro administrativo da cidade colonial, o Cabildo de Montevideu, começado em 1804. Estes edifícios são os mais antigos preservados na Cidade Velha.
Venha daí até ao Uruguai, para conhecer Montevideu. 

terça-feira, dezembro 18, 2012

O Natal no Uruguai

"Segundo a tradição uruguaia, o Natal é altura das famílias se reunirem em casa dos avós ou parentes mais velhos. A data é marcada, sobretudo, pela gastronomia típica, com a reunião das famílias em torno de grandes mesas, preparadas desde cedo para a tradicional “picadita”. Segundo o costume uruguaio, antes da ceia, o Natal começa com os aperitivos que se degustam em modo de confraternização".
On Line 24

quarta-feira, outubro 17, 2012

O Medo

Proponho-lhe que veja hoje um excelente documentário exibido na TVE, pois é extremamente actual. Este é o terceiro episódio de um magnífico documentário em que Jean Ziegler e Eduardo Galeano desvendam a nova ordem mundial. Se quiser ver os outros episódios, basta clicar aqui.
Eduardo Hughes Galeano é um jornalista e escritor uruguaio. É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. As suas obras combinam a ficção, o jornalismo, a análise política e a história. De entre elas destaca-se o livro "As Veias Abertas da América Latina."
 Jean Ziegler estudou Direito, Economia, Ciências Políticas e Sociologia. Desde 1963, tem publicado livros de grande empenhamento cívico, político e social acerca de questões como a evolução da África pós-colonial em particular e do Terceiro Mundo em geral, o ouro nazi, o crime organizado e a «neutralidade» suíça. Actualmente, é relator especial da Comissão dos Direitos do Homem (das Nações Unidas) sobre o direito à alimentação.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

La Cumparsita

Outra Vez... O Tango.
Desta vez o tango La Cumparsita. Talvez o mais famoso tango do mundo.
La Cumparsita é uma obra musical criada pelo músico uruguaio Gerardo Matos Rodríguez (1897-1948). Por decreto presidencial de 2 de Fevereiro de 1998, é o hino popular e cultural do Uruguai. Na Argentina também é um dos tangos mais escutado.
O famoso Tango foi escrito por este uruguaio no ano de 1917, no café La Giralda, em Montevideu. Gerardo tinha só 17 anos de idade na altura e naquele momento não podia imaginar que estava a criar uma das mais famosas composições da História do Tango.

Sete anos,depois, foi para Paris, França, onde conheceu o famoso Francisco Canaro. Aí descobriu, também, que o seu tango era um sucesso. Entretanto, os letristas Enrique Maroni e Pascual Contursi tinham escrito letras para o tango e deram-lhe o nome de Si Supieras. Gerardo passou, então, vinte anos entre salas de tribunal a tentar restituir os seus direitos como o autor de La Cumparsita, o hino dos tangos uruguaios.
Como tudo sobre o mundo do tango, não existe um consenso sobre quem foi o primeiro a gravar La Cumparsita, mas a maior parte das fontes históricas do Tango Argentino concordam em que Roberto Firpo foi o primeiro a fazê-lo com a sua orquestra de tango.

Veja agora o La Cumparsita, a partir de uma cena do fime de Carlos Saura, Tango. Os dançarinos são: Juan Carlos Copes e Cecilia Narova.





O vídeo seguinte mostra como este tema musical tem servido de inspiração a muitas modalidades, neste caso à patinagem artística.