quinta-feira, dezembro 28, 2017

No Ciclo Eterno

No ciclo eterno das mudáveis coisas
Novo inverno após novo outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira.
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
Na clausura maligna
Da índole indecisa.

Presa da pálida fatalidade
De não mudar-me, me infiel renovo
Aos propósitos mudos
Morituros e infindos.
Fernando Pessoa / Ricardo Reis

quarta-feira, dezembro 27, 2017

Vale de Poldros: Uma aldeia do Astérix

Vale de Poldros ou Val de Poldros ou ainda Santo António de Vale de Poldros é uma jóia que urge preservar, e que até já teve direito a uma Visita Guiada da RTP2, que pode ver aqui.

Este povoado situado na Serra da Peneda, parece uma aldeia do tempo do Astérix.
Vale de Poldros é um dos exemplos de brandas no Alto Minho, povoados de montanha apenas habitado durante os meses de verão. Nos restantes meses, os habitantes desciam à inverneira Riba de Mouro, a sede da freguesia, uma transumância humana que hoje poucos praticam.

Como abrigo para o frio cortante de Val de Poldros, os pastores utilizavam as cardenhas, construções rudimentares de granito, com teto baixo para preservar o calor, de que ainda ali existe um conjunto muito significativo e possível de preservar.

A Branda de Santo António de Vale de Poldros é, pois, um conjunto arquitetónico de inestimável valor patrimonial, constituindo um ótimo exemplo de povoamento de transumância: povoados de montanha para onde os vigias (brandeiros) levavam o gado durante os meses de verão, descendo novamente às suas povoações de origem, as inverneiras, a partir de Setembro.

Recentemente, as atividades agrícolas e pastoris foram perdendo importância e, com as novas gerações, praticamente abandonadas. Em paralelo, as construções em Santo António de Vale de Poldros foram sendo transformadas em segundas habitações, de lazer e de férias, muitas vezes deturpando a sua arquitetura original.

Apesar disso, o grande valor patrimonial deste núcleo de povoamento e de muitas das suas construções ainda permanece, justificando-se um esforço para a sua salvaguarda e valorização.
Até porque, sob o ponto de vista cultural e social, estas zonas podem desempenhar um papel importante como motor de desenvolvimento económico e turístico.

Se não conhece esta região, quando puder não deixe de o fazer. Vale bem a pena.
Para lhe fazer crescer água na boca, ainda lhe deixo esta reportagem em vídeo:



terça-feira, dezembro 26, 2017

A Formiguinha e a Neve




Com votos de continuação de Boas Festas aqui fica uma história para crianças, A Formiguinha e a Neve (dos Irmãos Grimm), narrada e musicada de forma maravilhosa.
Uma histórias linda que nos transporta para a infância...

segunda-feira, dezembro 25, 2017

Natal (1974)

Presépio - Rosa Ramalho
Soa a palavra nos sinos,
E que tropel nos sentidos,
Que vendaval de emoções!
Natal de quantos meninos
Em nudez foram paridos
Num presépio de ilusões.

Natal da fraternidade
Solenemente jurada
Num contraponto em surdina.
A imagem da humanidade
Terrenamente nevada
Dum halo de luz divina.



Natal do que prometeu,
Só bonito na lembrança.
Natal que aos poucos morreu
No coração da criança,
Porque a vida aconteceu
Sem nenhuma semelhança.
Miguel Torga

domingo, dezembro 24, 2017

A Borboleta

A borboleta

Borboleta pequenina
que vem para nos saudar.
Venha ver cantar o hino
que hoje é noite de Natal.

Eu sou uma borboleta
pequenina e feiticeira.
Ando no meio das flores
procurando quem me queira.

Borboleta pequenina,
saia fora do rosal.
Venha ver quanta alegria
que hoje é noite de Natal.

Eu sou uma borboleta
pequenina e feiticeira.
Ando no meio das flores
procurando quem me queira.

sábado, dezembro 23, 2017

A Árvore do Natal

 A Árvore do Natal tem a sua origem nos países germânicos e nas religiões ligadas aos druídas. Nestes países era costume colocarem-se árvores verdes em casa, no princípio do Inverno. Simultaneamente, em frente da residência ou junto das fontes, cada um plantava um pinheiro, com o objetivo de trazer bênçãos para o lar e conservar a potabilidade da água.
Estas árvores, no primeiro dia do ano, eram ornamentadas com fitas e ouropéis, guloseimas e presentes, com a crença de que com tal procedimento se asseguraria a abundância de alimentos e riquezas.
A primeira referência histórica à Árvore de Natal remonta a 1605, altura em que o pinheiro familiar, em Estrasburgo era enfeitado com flores de papel colorido, frutos, chocolates e outras guloseimas. Em 1785 são introduzidas as luzes ornamentais, como símbolo do "sol da Justiça".
Como estas usos e costumes tinham origens pagãs, a Igreja Católica condenou por diversas vezes (e ao longo dos séculos) a tradição da colocação destas Árvores como portadoras de bênçãos.

sexta-feira, dezembro 22, 2017

As Renas do Pai Natal

O mito das Renas do Pai Natal foi criado na Europa do séc. XIX, a partir do costume de nos países como o Canadá (Norte), E. U. A. (Alasca), Rússia, Noruega, Suécia e Finlândia (Escandinávia) e Islândia, as pessoas se deslocarem na neve, usando um trenó puxado por renas.

Contudo, as renas do Pai Natal são especiais pois, ao contrário das renas que existem nesses países, são as únicas renas que conseguem voar, de modo a que o Pai Natal possa entregar os presentes no dia certo e sem atrasos, a todas as crianças no mundo inteiro.

Na tradição Anglo-saxónica original só existem oito renas, número habitualmente utilizado para puxar os trenós tradicionais. Os seus nomes são: Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner e Blitzen ou em português, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago. A rena Rudolph ou Rodolfo, que acabou por ser a mais conhecida, só mais tarde integrou o grupo (1939).

Conta-se que o Pai Natal ao chegar a uma das casas para entregar os presentes, encontrou por acaso a rena Rodolfo, que era diferente das suas outras renas pois tinha um nariz vermelho e luminoso. Como nessa noite o nevoeiro era muito intenso, o Pai Natal pediu a Rodolfo que se juntasse a ele e liderasse as suas renas de modo a que não se perdessem pelo caminho. A partir daí, Rodolfo passou a ser a rena que guia o trenó do Pai Natal todos os Natais.

quarta-feira, dezembro 20, 2017

Natal da Índia Portuguesa

Oiça o Coro LNEC (da Associação dos Trabalhadores do Laboratório Nacional de Engenharia Civil) neste Natal da Índia Portuguesa.

Natal da Índia Portuguesa, ou Natal de Goa ou Vamos a Belém, uma canção de Natal tradicional indo-portuguesa originária, como o nome indica, das antigas possessões portuguesas no subcontinente indiano.

Segundo o musicólogo português Mário de Sampayo Ribeiro, foi composta em Portugal no século XVIII e da metrópole foi levada para o Oriente. A favor desta teoria, está o facto de a a música ter um caráter evidentemente europeu e a parte poética estar escrita em português padrão e não num dialeto indo-português ou em canarim.

A canção era ainda interpretada pelo Natal nessa região por volta de 1870. Por intermédio de um sacerdote indiano viria mais tarde a ser transmitida a Mário Sampayo Ribeiro que a harmonizou e publicou, como um dos Sete Cantares do Povo Português, em 1955. Este trabalho terá completado o ciclo e popularizou de novo a cantiga em Portugal.

A letra relata um episódio da "Adoração dos Pastores". As personagens bíblicas vão ainda a caminho do presépio, atravessando os campos apressadamente sob um céu iluminado.

Beijar o Menino.
Filho de Maria,
O Verbo Divino.

Vamos a Belém,
Vamos apressados.
Luzes aparecem
Por esses 'scampados.

Vamos a Belém,
Vamos sem demora,
A ver o Menino
Que nasceu agora.



terça-feira, dezembro 19, 2017

Os Postais de Natal



O criador do primeiro postal de Natal foi John Horsley  que resolveu seguir a ideia de um amigo.
Este primeiro postal foi impresso em 1843 e dele foram feitas mil cópias. Nele podiam ver-se três painéis representando, um deles, uma família inglesa gozando o feriado e, os outros dois, mostrando obras de caridade.
Podiam ainda ler-se as frases "Alegre Natal e Feliz Ano Novo".

Nessa mesma altura, o Reverendo Edward Bradley desenhou à mão, juntamente com W. A. Dobson, postais de Natal para enviar a familiares e amigos e, em breve, este costume de desejar boas festas tornou-se habitual.
Em 1840, foi possível começar a enviar estes postais pelo correio e a partir de 1860 começaram a executar-se postais cada vez mais elaborados e mais populares.


Se quiser fazer os seus próprios postais de Natal siga as Dicas - Postais de Natal do programa televisivo Praça Alegria (RTP)


segunda-feira, dezembro 18, 2017

Segundo Poema de Natal

Pudesse do Natal dizer que é mais

que o corre-corre, que a lufa-lufa,

que a passada célere demais,

que a mole humana que se adensa e arrufa

e satura nos amplos corredores,

nas ruas e nas lojas, nos mercados

(valendo-se da casa de penhores,

como outrora do livro de fiados);

pudesse do Natal dizer que é muito,

muito mais que o bulício que se sente

atraído pelo larvar intuito

da febre consumista, futilmente,

que faz da pretensão de ter e haver

o santo-e-senha contra o próprio ser.
Domingos da Mota

domingo, dezembro 17, 2017

Poema de Natal

com que a vida resiste, e anda, e dura
Pedro Tamen
Não digo do Natal – mas da natura
de quem faz do poder um pesadelo
que aprofunda as sementes da amargura
através do garrote e do escalpelo;
não digo do Natal – mas da tortura
que macera as feridas com desvelo,
impassível à dor que já satura
os ombros causticados pelo gelo;
dissesse do Natal – seria bom
que pudesse cantar, subir o tom
das loas e dos hinos e dos ritos,
se em vez duma esmola, tão-somente,
renascesse o respeito pela gente
que povoa o Natal dos aflitos.
Domingos da Mota

sábado, dezembro 16, 2017

It's The Most Wonderful Time Of The Year





Oiça Kylie Minogue em It's The Most Wonderful Time Of The Year (Vídeo de Estúdio).
Kylie  Minogue  (1968) é uma cantora, compositora, atriz e filantropa australiana.

sexta-feira, dezembro 15, 2017

Natal Português




Se gosta de visitar a Feira da Ladra, os alfarrabistas, os mercados de velharias e antiguidades, não deixe de procurar e comprar o livro de Luís ChavesNatal  Português (1942) editado pela Livraria Clássica Editora (Colecção Gládio).

Sinopse:
A Preparação do Natal;  A Noite de Natal; A Consoada, O Madeiro e o Cepo do Natal; a Missa do Galo, O Presépio & Presépios; Cristo em domínio no Natal; Janeiras; Pastoradas, Autos Populares e Reis e Reisadas.


quinta-feira, dezembro 14, 2017

Natal... Na província neva


O poema é de Fernando Pessoa:

Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

A música, de Fernando Machado Soares.



Surge aqui interpretada pelo Grupo Coral das Lajes do Pico, num recital na Igreja Matriz de São Roque do Pico, na ilha do Pico. em 2010.
Escute:


quarta-feira, dezembro 13, 2017

Visita Guiada aos Presépios

Nesta época natalícia proponho-lhe que assista a mais um episódio do programa televisivo Visita Guiada.
Este episódio permite-nos conhecer os Presépios (entre eles o da Basílica da Estrela), de Lisboa.
Com mais de 400 figuras, o Presépio da Basílica da Estrela é considerado por muitos o melhor presépio português. Contudo, o seu autor, Machado de Castro, o maior escultor português do séc. XVIII, não teria gostado de ficar célebre pelos seus presépios!
O historiador de arte Alexandre Pais conduz-nos pelas histórias surpreendentes dos presépios portugueses, do da Basílica da Estrela ao da Madre de Deus.
Sabia que os nossos presépios são anteriores aos napolitanos que têm fama mundial ?

terça-feira, dezembro 12, 2017

A Estrela do Natal ou Poinsétia


A Poinsétia, também conhecida pelos nomes de Flor do Natal, Estrela do Natal ou Manhã de Páscoa é uma planta originária do México, onde é espontânea.
O seu nome científico é Euphorbia pulcherrima, que significa "a mais bela (pulcherrima) das eufórbias".
Como é uma planta de dia curto, floresce exatamente no solstício de Inverno que coincide com o Natal.
É uma planta muito utilizada para fins decorativos, especialmente na época do Natal, devido às suas folhas semelhantes a pétalas de flores vermelhas.
Efetivamente, aquilo que muitas pessoas julgam ser flores são apenas brácteas modificadas que envolvem as pseudo-umbelas onde estão as pequenas flores, envolvidas por uma camada de tecido verde e uma glândula amarela que nasce apenas num dos lados da flor.

segunda-feira, dezembro 11, 2017

Passarinhos



Oiça o cantor brasileiro Emicida (com a participação de Vanessa da Mata) em Passarinhos.





Despencados de voos cansativos
Complicados e pensativos
Machucados após tantos crivos
Blindados com nossos motivos
Amuados, reflexivos
E dá-lhe antidepressivos
Acanhados entre discos e livros
Inofensivos
Será que o sol sai pra um voo melhor?
Eu vou esperar, talvez na primavera
O céu clareia e vem calor vê só
O que sobrou de nós e o que já era
Em colapso o planeta gira, tanta mentira
Aumenta a ira de quem sofre mudo
A página vira, o são delira, então a gente pira
E no meio disso tudo
'Tamo tipo
Passarinhos soltos a voar dispostos
A achar um ninho
Nem que seja no peito um do outro
Passarinhos soltos a voar dispostos
A achar um ninho
Nem que seja no peito um do outro
A Babilônia cinza e neon
Eu sei meu melhor amigo tem sido o som
Okay, tanto o carma lembra Armagedom orei,
Busco vida nova tipo ultrassom, achei
Cidades são aldeias mortas desafio
Não sei se competição em vão que ninguém vence
Pense num formigueiro, vai mal quando pessoas viram coisas
Cabeças viram degrau
No pé que as coisa vão Jão
Doideira, daqui a pouco resta madeira nem pro caixão
Era neblina hoje é poluição
Asfalto quente queima os pé no chão
Carros em profusão, confusão
Agua em escassez bem na nossa vez
Assim não resta nem as barata (é memo)
Injustos fazem leis e o que resta p'ocês
Escolher qual veneno te mata
Pois somos tipo
Passarinhos soltos a voar dispostos
A achar um ninho
Nem que seja no peito um do outro
Passarinhos soltos a voar dispostos
A achar um ninho
Nem que seja no peito um do outro
Passarinhos soltos a voar dispostos
A achar um ninho
Nem que seja no peito um do outro
Passarinhos soltos a voar dispostos
A achar um ninho
Nem que seja no peito um do outro

domingo, dezembro 10, 2017

Nostalgia da Luz

Hoje, Dia Internacional dos Direitos Humanos, proponho-lhe que veja o filme, Nostalgia da Luz  (2010), do género documentário, do realizador chileno, Patricio Guzmán.

Sinopse:
No Chile, a três mil metros de altitude, astrónomos do mundo inteiro encontram-se no deserto para observar as estrelas. Neste lugar, a transparência do céu permite ver os confins do Universo.
Este documentário descreve mediante imagens e entrevistas o trabalho dos astrónomos no deserto de Atacama. O céu privilegiado desta região tornou-se o local ideal para a localização dos melhores observatórios astronómicos do mundo.
Em contraposição, a secura e a salinidade do solo nesta região, preserva os restos humanos quase intactos, mumificando os cadáveres de exploradores, mineiros, índios e prisioneiros políticos da ditadura.
Assim, enquanto os astrónomos buscam a vida extraterrestre, um grupo de mulheres, familiares dos detidos desaparecidos no Chile, durante a ditadura militar de Augusto Pinochet, continuam a procurar os restos mortais dos seus entes queridos, removendo pedras no meio do deserto de Atacama.
Um filme (que pode ver aqui) sobre a distância entre o céu e a terra, entre a luz do cosmos e os seres humanos e as idas e voltas que se criam entre eles
   
NOSTALGIA DA LUZ, de Patricio Guzmán - trailer from Midas Filmes on Vimeo.

sábado, dezembro 09, 2017

Bonecos de Estremoz : etnografia e arte



Bonecos de Estremoz : etnografia e arte é um livro (2015) de José Fernando Reis de Oliveira.

Sinopse:
À produção de carácter prático e utilitário, com relevância para os púcaros, e às qualidades "terapêuticas" atribuídas ao barro de Estremoz, veio juntar-se, no século XVIII, o figurado, consequência da moda dos presépios. A barrística assegurou até aos nossos dias a popularidade dos Bonecos de Estremoz, que são hoje, Património Cultural Imaterial da Humanidade.

sexta-feira, dezembro 08, 2017

O Figurado de Estremoz

Imaculada Conceição


O figurado de barro (ou bonecos) de Estremoz foi declarado pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade. A decisão foi conhecida na madrugada de ontem, na Ilha de Jeju, na Coreia do Sul.
A arte popular dos Bonecos de Estremoz conta mais de 300 anos de história, de acordo com uma técnica com origem pelo menos no século XVII.
Os Bonecos de Estremoz contam com mais de uma centena de figuras diferentes inventariadas, e resultam da modelação de uma figura em barro cozido, policromado e efetuada manualmente.
Assinalando o dia de hoje, Dia da Imaculada Conceição, padroeira de Portugal aqui fica uma bela imagem da Nossa Senhora da Conceição, modelada em barro pelos artesãos de Estremoz.