terça-feira, julho 13, 2010

Passear pela Arte

Hoje proponho-lhe uma viagem à volta do mundo. Mas, esta é uma viagem diferente.
É uma viagem feita através de obras arquitectónicas localizadas em várias partes do mundo. Veja a beleza das linhas e através delas a criatividade e génio de alguns arquitectos. E por falar neles, quem não se lembra logo de Sisa Vieira, Soutinho, Cassiano Branco, Souto de Moura, Santiago Calatrava, Óscar Niemeyer, etc.

"Não é o ângulo recto que me atrai, nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein" (Óscar Niemeyer).

Óscar Niemeyer (1907) é um arquitecto brasileiro, considerado um dos nomes mais influentes na Arquitetura Moderna internacional. Foi pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do cimento armado.
Os seus trabalhos mais conhecidos são os edifícios públicos que desenhou para a cidade de Brasília. Veja alguns deles na apresentação que escolhi para hoje.





segunda-feira, julho 12, 2010

Um Abraço, José

Um abraço a José Saramago, enviado por Mia Couto (escritor moçambicano):

"A morte só existe se há ausência. Para uns, como Saramago, não haverá nunca ausência. O escritor semeou-se tanto e por tantos outros que ele apenas mudou de presença. Não falo da escrita. Mas dos momentos em que ele se distribuiu, pessoa entre pessoas. Em mim, essa permanência faz-se de indeléveis momentos. Relembro aqui alguns desses episódios:"

Primeiro episódio (Maputo, finais de Novembro de 2000)
"José Saramago vem a Maputo lançar A Caverna. Uma semana antes da sua chegada, o jornalista Carlos Cardoso tinha sido assassinado. Para Saramago, a razão da sua viagem a Maputo já não é ele ou a sua obra. Horas depois de ter aterrado, a sua agenda é totalmente alterada. Sentado na varanda do seu hotel, José dá instruções sobre o que pretende. Horas depois visita a redacção do Metical, o jornal de que era director Carlos Cardoso. "Acima de tudo não podemos deixar que nos convençam que isto que aconteceu é episódico e acidental, como se houvesse um grupo descontrolado que, por uma qualquer razão, resolvesse cometer um crime", disse Saramago na ocasião.
Depois, segue com um batalhão de jornalistas para o local onde Cardoso tinha sido abatido a tiro. Ali mesmo fala para a imprensa, exalta a coragem e a lucidez como armas para preservarmos a humanidade. Visita a viúva de Cardoso, dá entrevistas, fala com escritores e artistas.
No dia seguinte, pede-me a mim para organizar encontros com membros do governo. Quer pressionar as autoridades para que encontrem os autores materiais e morais de ambos os crimes. Organizo um encontro com o primeiro-ministro de quem eu era amigo. Confesso-lhe os meus receios. O discurso de um estrangeiro, com exigências sobre a celeridade da justiça, não agradaria a dirigentes orgulhosos na recente conquista da Independência.
Confirmando os meus receios, na audiência, José Saramago não usa de panos quentes. As suas palavras são ásperas, certeiras, sem diplomacia. Pascoal Mocumbi, o primeiro-ministro, é um homem alto, tão alto como Saramago. Enfrenta-o, olhos nos olhos. Após um momento de silêncio, Mocumbi confessa: "Eu já o conhecia, já gostava de si. Agora gosto mais ainda." Começa então uma conversa franca que dissolve distâncias. Saramago e Mocumbi trocam confidências, como velhos amigos. No final, está acertado um outro momento para continuarem a amena cavaqueira: em Lanzarote, em casa de José e Pilar."

Segundo episódio (Cheias em Moçambique, 2000)
"As inundações de 2000 foram as piores nos últimos cem anos. Impotente, perante o drama que vivíamos, redigi um apelo para que as vítimas das cheias recebessem apoio internacional. Saramago respondeu-me no mesmo dia perguntando ao telefone, no seu habitual tom seco:
- Diz-me apenas o que tenho que fazer.
No instante seguinte, tinha transferido 25 mil dólares para uma conta que passaria a ser auditada por uma agência financeira internacional. Outros escritores lhe seguiram o exemplo. No final, havia dinheiro para erguer um centro de saúde em Chivonguene, nas margens do rio Limpopo.
Já em Maputo, meses depois, Saramago foi recebido por Helder Muteia, o então ministro da Agricultura. O governante pretendia expressar a Saramago a gratidão dos moçambicanos. Muteia é poeta. Organizou o encontro com um carinho que superava as obrigações protocolares. Escapou-lhe, por isso, a secura do escritor português durante todo o encontro. Ao lado de Saramago eu adivinhei-lhe a pressa: queria fugir aos agradecimentos. Para ele havia um dever de solidariedade que se explicaria melhor junto dos camponeses que beneficiaram do seu apoio. Já no final, em plenas despedidas, Saramago perguntou: "E que nome deram ao centro de saúde?" Imitando o tom seco do visitante, o ministro respondeu, quase displicente: "Chama-se Levantado do Chão." Saramago parou, fulminado pela emoção. Gaguejou, baralhando letras e palavras. Por fim, confessa, em suspiro: "Caramba, homem, você comoveu-me!"

Terceiro episódio (Universidade de Évora, 1999)
"O abraço estava mal distribuído. Ele abraçou-me. Eu fui abraçado. A razão dessa troca desigual não era apenas de ordem física. Eu estava preso pela timidez, vivendo um momento inusual, num território estranho. A pergunta de Zeferino Coelho, no dia anterior, ainda ecoava confusamente dentro de mim:
- Você importa-se que José Saramago, depois da entrega do seu prémio, faça um debate público consigo?
O editor da Caminho conhecia antecipadamente a minha resposta: ter Saramago na cerimónia de entrega de um prémio era a impossível cereja por cima de um improvável bolo. Embalsamado num fato escuro, fui subindo a escadaria do edifício da universidade. E lá estava ele, no último degrau, com seu porte nobre, abraçando-me logo à chegada como se fosse ele o patrono do prémio. Para mim, aquele abraço era uma recompensa maior.
O programa era breve e, num instante, se iniciou a anunciada conversa entre mim e ele. O anfiteatro estava cheio, no pódio estava o Presidente da República de Portugal. A um certo momento, em tom paternal mas ríspido, Saramago admoestou-me: eu que deixasse essa "coisa" da biologia e me dedicasse apenas à escrita. Lembro-me do seu tom, peremptório: "Já te disse, a escrita pede tudo, não aceita partilhas."
Mas eu sabia que, também para ele, essa entrega à literatura não o ocupava com exclusividade. Saramago foi um cidadão do mundo, entregue a causas e debates, desdobrando-se em viagens e semeando presenças. Recordo ver uma fotografia sua, já doente e antevendo o fim, acarinhando Aminatou Haidar, activista pela independência do Sara Ocidental. Em greve de fome, Aminatou está frágil, quase desfalecida. Não menos frágil está José Saramago. Mas as mãos de José e de Aminatou amparando-se mutuamente geram a força de um infinito abraço."
Mia Couto

domingo, julho 11, 2010

Codinome Beija-Flor

Cazuza (Rio de Janeiro, 4/4/58 — 7/7/90) foi um cantor e compositor brasileiro que se tornou um símbolo da sua geração. Foi vocalista e principal letrista da banda Barão Vermelho. A sua parceria com Roberto Frejat foi criticamente aclamada. As composições que se tornaram famosas enquanto vocalista dos Barão Vermelho são: "Todo Amor Que Houver Nessa Vida", "Pro Dia Nascer Feliz", "Maior Abandonado", "Bete Balanço" e "Bilhetinho Azul".
Cazuza transformou-se num dos maiores ícones da música brasileira do final do século XX. .
Os sucessos musicais da sua carreira a solo são:"Exagerado", "Codinome Beija-Flor", "Ideologia", "Brasil", "Faz Parte Do Meu Show", "O Tempo Não Pára" e "O Nosso Amor A Gente Inventa".
Cazuza também ficou conhecido por ser rebelde, boémio e polémico. A sua vida foi breve (32 anos) e intensa. A sete de Julho deste ano, ocorreu o 20º aniversário da sua morte.
Proponho-lhe que assista a dois vídeos. No 1º, Cazuza canta a música "Codinome Beija-Flor" no programa "Um Toque de Classe", de Cesar Camargo Mariano, na extinta TV Manchete (1986). O 2º é uma pequena homenagem feita por e para fãs do Cazuza.




Não perca agora a homenagem.

sábado, julho 10, 2010

Dançar a Vida

Na época que antecede a reprodução, os animais manifestam determinados comportamentos (sinais odoríferos, visuais e sonoros) para comunicarem e chamarem a atenção do sexo oposto (combates, bailados e oferta de presentes). A este conjunto de comportamentos que manifestam antes, durante e após o acasalamento chama-se parada nupcial. Nas aves esses comportamentos são muito frequentes e conhecidos. As etapas da parada nupcial são: a comunicação, o reconhecimento e o acasalamento.
É vulgar ouvir-se a expressão "parecem dois pombinhos" que remete para a parada nupcial do pombo. Algumas aves fazem exibições mais simples enquanto outras são muito elaboradas. Quase toda a gente conhece a exibição do peru e a forma como o pavão exibe as suas penas coloridas. É também frequente, entre as aves, a execução de bailados e a oferta da presentes coloridos ou de alimentos às fêmeas.
Os machos da família das aves são muito "amorosos". Não lhes faltam formas de mostrarem às fêmeas o seu interesse, a sua habilidade e a sua beleza. Muitas vezes o entusiasmo dos machos é tanto que lutam entre si. As paradas nupciais mais conhecidas são: as do mergulhão-de-crista, das aves do paraíso (clique aqui) ou as dos cisnes, etc.
Ora veja aqui alguns exemplos.

sexta-feira, julho 09, 2010

Amar Alfama

Alfama é o mais antigo e um dos mais típicos bairros da cidade de Lisboa. Abrange as freguesias de São Miguel, Santo Estêvão e São Vicente de Fora. O seu nome deriva do árabe al-hamma, que significa banhos ou fontes.
As vistas mais espectaculares de Alfama obtêm-se dos miradouros das Portas do Sol e de Santa Luzia. Acima de Alfama e envolvendo-a ficam, a colina do Castelo de São Jorge e a colina de São Vicente. Para além do Castelo, os principais monumentos da zona são a Sé, a Igreja de Santo Estêvão e a Igreja de São Vicente de Fora.
Alfama é um bairro popular. Assemelha-se a uma antiga aldeia na qual todas as pessoas se conhecem e se cumprimentam diariamente. O bairro é conhecido pelos seus restaurantes e casas de fado, assim como pelos festejos dos Santos Populares, em especial na noite de Santo António, de 12 para 13 de Junho.
Durante o domínio muçulmano, poder-se-ia falar de uma Alfama do Alto, mais aristocrática, situada dentro da Cerca Moura, na parte oriental da actual freguesia da Sé, que comunicaria pela Porta de Alfama ou de São Pedro (na actual rua de São João da Praça) com uma Alfama do Mar, arrabalde popular.
Com o domínio cristão a designação Alfama foi-se alargando mais para leste, dentro dos limites da Cerca Nova ou Cerca Fernandina, passando para lá do Chafariz de Dentro.
Este bairro foi outrora o mais agradável da cidade. As origens do declínio surgiram na Idade Média, quando os residentes ricos se mudaram para o oeste, deixando o bairro para uma população de pescadores e marinheiros.
Os prédios resistiram ao terramoto de 1755. Apesar de já não existirem casas mouriscas, o bairro conserva um pouco do ambiente árabe, com as suas ruelas, escadarias e roupa a secar nas janelas. As áreas mais arruinadas estão a ser restauradas e a vida desenvolve-se em volta das pequenas mercearias, bares e tabernas.
Graças a um número significativo de nascentes com um caudal de alguma importância, Alfama era, antes da construção do Aqueduto das Águas Livres, a zona de Lisboa com menos problemas de falta de água. As águas de Alfama ou Águas Orientais foram introduzidas em 1868 na rede de abastecimento público de Lisboa com a construção no local do antigo Chafariz da Praia de uma cisterna que recolhia a água . Ainda hoje subsistem os seguintes chafarizes: Chafariz de El-Rei e o Chafariz de Dentro.
Algumas das águas que ali existiam tinham temperaturas elevadas (nalguns casos acima dos 20 °C), chegando mesmo a ser classificadas, em finais do século XIX, como águas minero-medicinais. Foram exploradas, por isso, pelo menos desde o século XVII como banhos públicos ou alcaçarias, que se mantiveram em actividade até às primeiras décadas do século XX.
Aprecie, agora, a apresentação que escolhi para hoje e que mostra alguns dos aspectos mais tipicos deste bairro popular.

quinta-feira, julho 08, 2010

Adeus Tila

HISTÓRIA DO SR. MAR
Deixa contar...
Era uma vez
O senhor Mar
Com uma onda...
Com muita onda...

E depois?
E depois...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
E depois...

A menina adormeceu
Nos braços da sua Mãe...
Matilde Rosa Araújo, O Livro da Tila



Matilde Rosa Lopes de Araújo (Lisboa -1921 - 6 de Julho de 2010) foi uma escritora portuguesa, especializada em literatura infantil.
Licenciou-se na Faculdade de Letras, da Universidade Clássica de Lisboa, em 1945. Foi professora do Ensino Técnico-Profissional e formadora de professores na Escola do Magistério Primário de Lisboa.
Escreveu livros de contos e de poesia para adultos e mais de duas dezenas de livros de contos e poesia para crianças (O Livro da Tila – poemas para crianças, 1986; O Palhaço Verde – novela infantil, 1984; História de um Rapaz – conto infantil, 1986 ; O Cantar da Tila – poemas para a juventude, 1986; O Sol e o Menino dos Pés Frios – contos, 1986; O Reino das Sete Pontas – novela infantil, 1986 ; Os Quatro Irmãos – 1983; História de uma Flor – conto infantil; O Sol Livro – textos para o ensino, 1976; Os Direitos da Criança, Unicef, 1977; O Gato Dourado – contos infantis, 1985 ; As Botas de Meu Pai – contos infantis,1981; Camões, Poeta Mancebo e Pobre, 1978; Baladas das Vinte Meninas – poema infantil, 1978; Joana-Ana – conto infantil, 1981 ; A Escola do Rio Verde, 198l;etc.
Dedicou-se à defesa dos direitos das crianças através da publicação de livros e de intervenções em organismos com actividade nesta área, como a UNICEF em Portugal.
Em 1980, recebeu o Grande Prémio de Literatura para Crianças, da Fundação Calouste Gulbenkian, e o prémio para para o melhor livro infantil, pela mesma fundação, em 1996, pelo seu trabalho Fadas Verdes (livro de poesias de 1994).

Ainda da Tila, deixo aqui mais algumas palavras:


"Escrevo à mão... gosto de fazer letra. Gosto de desenhar a letra.
A letra tem uma beleza como a palavra tem uma música.
Um dia na escola da Calçada do Combro fiz uma sessão na Biblioteca. Brincávamos com as palavras. Eu perguntava quais eram as palavras mais bonitas. E uma aluna, magrinha, com umas olheiras até aqui, voltou-se para mim e disse:
"A palavra mais linda é "vosselência""!
Matide Rosa Araújo

quarta-feira, julho 07, 2010

Tocar pela Paz

A guerra civil entre o Norte e o Sul do Sudão foi uma das maiores guerras civis registadas nos últimos anos. Mais de dois milhões de pessoas morreram.
Agora a violência voltou, de novo, a aumentar no sul do Sudão. Há o perigo de que as violações dos direitos humanos e a guerra regressem.
Em Janeiro de 2011, daqui a um ano, vai acontecer um referendo para determinar o futuro do Sudão. Assim, há organizações não governamentais que estão a unir esforços, no sentido de apelar aos líderes internacionais, para agir urgentemente no sentido de prevenir o regresso desta horrível violência.
A Plataforma por Darfur (www.pordarfur.org) integra uma série de organizações com preocupações humanitárias para com as pessoas que sofrem naquele país e naquela região. Há quase 3 anos que organizam campanhas de sensibilização para que o Darfur não fique esquecido.
Durante este ano, promovem uma acção global chamada «Sudan 365», que é uma campanha de sensibilização à escala mundial. O objectivo é alertar para o drama que ainda se vive no Darfur, e sobretudo para o referendo que terá lugar no próximo ano e, muito provavelmente, poderá dar origem a uma separação entre o norte e o sul do Sudão. Uma das iniciativas desta grande campanha «Sudan 365» é a produção e a divulgação do vídeo «A Beat for Peace» (uma batida pela paz). Esta foi a forma que encontraram de dar voz a quem não tem voz.
Aqui fica o vídeo, A Beat for Peace, que conta com a participação de músicos de várias partes do mundo.

terça-feira, julho 06, 2010

Os Jardins da Rainha

Neste tempo de calor intenso proponho-lhe um passeio refrescante pelos Jardins da Rainha na Tailândia. Aprecie a beleza das flores em especial das orquídeas.As orquídeas pertencem a uma das maiores famílias de plantas existentes. Apresentam muitas e variadas formas, assim como cores e tamanhos. Existem em todos os continentes com excepção da Antárctida, embora predominem nas áreas tropicais. As orquídeas crescem sobre as árvores, usando-as como apoio para procurar luz. Não são, contudo, parasitas.
São usadas sobretudo como ornamento. Contudo, a produção de baunilha é feita a partir dos frutos de algumas espécies de orquídeas.
A grande maioria das orquídeas apresenta flores pequenas e folhagem pouco atractiva. Mas, o formato intrigante de algumas das suas flores acaba por ser muito chamativo.
As orquídeas têm despertado interesse, como nenhuma outra família de plantas, em coleccionadores, pintores, arquitectos paisagistas, escritores (Rex Stout) e poetas.

segunda-feira, julho 05, 2010

Melody

Melody Gardot (Filadélfia,Pensilvânia - Fevereiro de 1985) é uma cantora e compositora de jazz. Esta cantora é influenciada pelo blues e jazz, de Janis Joplin, Miles Davis, Duke Ellington e George Gershwin e pela música latina de Stan Getz e Caetano Veloso.
O último álbum de originais de Melody Gardot (editado em Maio do ano passado), My one and only thrill, alcançou o 2º lugar no top da categoria, nos E.U.A. e o 12º lugar no top inglês.
Este disco, consolidou-a como uma das vozes mais importantes e sonantes do jazz actual.
Budista e cozinheira de macrobiótica, Melody Gardot encanta pelo timbre único da sua voz, em composições da sua própria autoria, inspiradas em grandes nomes da música norte-americana, como Judy Garland, Miles Davies ou Duke Ellington.
Ouça-a agora em Worrisome Heart ou clicando aqui para ouvir Sweet Memory.

domingo, julho 04, 2010

Em Lisboa com Cesário Verde

Nesta cidade, onde agora me sinto

mais estrangeiro do que os gatos persas;

Nesta Lisboa, onde mansos e lisos

os dias passam a ver as gaivotas,

e a cor dos jacarandás floridos

se mistura à do Tejo, em flor também,

só o Cesário vem ao meu encontro,

me faz companhia, quando de rua

em rua procuro um rumor distante

de passos ou aves, nem eu sei já bem.

Só ele ajusta a luz feliz dos seus

versos aos olhos ardidos que são

os meus agora; só ele traz a sombra

dum verão muito antigo, com corvetas

lentas ainda no rio, é a música,

o sumo do sol a escorrer da boca,

ó minha infância, meu jardim fechado,

ó meu poeta, talvez fosse contigo

que aprendi a pesar sílaba a sílaba

cada palavra, essas que tu levaste

quase sempre, como poucos mais,

à suprema perfeição da língua.
Eugénio de Andrade

sábado, julho 03, 2010

Carinhoso

Carinhoso é uma das obras mais importantes da música popular brasileira. Foi composta entre 1916 e 1917 por Pixinguinha. Posteriormente, João de Barro (Braguinha) fez a letra desta canção. Tem sido gravada com grande sucesso por muitos artistas da MPB, como: Elis Regina, Orlando Silva, João Gilberto e Marisa Monte.
Alfredo da Rocha Viana Filho, conhecido como Pixinguinha é considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira. Com o seu talento contribuiu directamente para que o choro encontrasse a sua forma musical definitiva. Quando compôs Carinhoso, entre 1916 e 1917 e Lamentos em 1928, que são considerados alguns dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado porque essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz. Hoje em dia, podem ser vistas como avançadas demais para a época. No Brasil, o dia 23 de Abril é o Dia Nacional do Choro. Trata-se de uma homenagem ao nascimento de Pixinguinha e à sua importância enquanto músico.
Assista agora, à excelente interpretação desta canção nas vozes de Paulinho da Viola e Marisa Monte. Se quiser pode acompanhar a música com a letra que se encontra abaixo do vídeo.


Meu coração, não sei por que
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim
Foges de mim

Ah se tu soubesses como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim

Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus a procura dos teus
Vem matar essa paixão que me devora o coração
E só assim então serei feliz
Bem feliz

Ah se tu soubesses como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim

Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus a procura dos teus
Vem matar essa paixão que me devora o coração
E só assim então serei feliz

sexta-feira, julho 02, 2010

Uma arma de sedução

Há quem diga que os leques foram inventados na China. Outros afirmam que a sua criação partiu do Egipto antigo. Contudo, parece que surgiram em diferentes partes do mundo ao mesmo tempo, sendo o seu uso tão antigo quanto a existência do homem.
Os leques mais antigos eram enormes, não podiam ser fechados e quem os movimentava eram os escravos. Na época dos descobrimentos, os portugueses trouxeram do Japão a novidade dos leques retrácteis, que logo se espalhou pela Europa, invadindo a França. Tomaram conta da corte e dos salões e inspiraram poetas e pintores. Nessa época os leques eram presos à cintura por delicadas e artísticas correntinhas.
Uma coisa é certa: o leque é sinónimo de leveza, de classe e de muita sensualidade.
É somente no século XVII que o leque ganha a forma com a qual é conhecido até hoje. Torna-se não apenas um instrumento utilitário como uma espécie de vitrine para expressar os gostos de uma época. A partir dessa altura introduzem-se elementos novos e materiais nobres e caros no seu fabrico: relevos, incrustações, pedras preciosas, tecidos italianos e metais preciosos, etc. Alguns destes leques são autênticas obras de arte.
Os leques ao longo da história tiveram, também, diversos formatos. Os leques mais antigos eram feitos de penas, folhas ou pergaminho. Com o passar do tempo, também passou a ser utilizado o tecido, a renda, ou a seda, sendo estas bases pintadas, bordadas com lantejoulas ou com fios dourados ou prateados. Um leque comum é composto por duas partes básicas. Uma é a armação que é uma base rígida, composta por hastes que se sobrepõem, que ao ser movimentada o abre e o fecha. Outra parte é a folha, feita de tecido colado à base. A área da folha pode variar de tamanho dependendo do tipo de leque. Os leques podem ser classificados em diferentes tipos, dependendo de sua decoração. Há-os que só são decorados de um lado e outros dos dois lados (dupla face). Há também os que têm as hastes trabalhadas e os que as têm simples. Há leques com a folha grande e outros com ela bem reduzida. Há leques que não têm esta parte, sendo constituídos apenas pelas hastes, por isso, são chamados leques de baralho. Os leques tradicionais têm, hoje, cerca de 23 cm. Mas existem também os de bolso, que no século XIX eram os mais utilizados pelos homens. É preciso não esquecer que no seu período áureo, os leques eram acessório utilizado tanto por homens como por mulheres.
Todas as sociedades têm suas regras. Em todas as sociedades, as pessoas procuram maneiras de contornar essas regras sem ficarem mal diante dos demais. O leque tornou-se num adereço que serviu não só para quebrar regras ou para as contornar, mas também se tornou numa forma de comunicação. É que há momentos em que as palavras podem não ser o código mais adequado. Assim, o uso do leque permitiu a criação de uma linguagem própria: a linguagem do leque. Esta servia para enviar mensagens de forma muito discreta. A linguagem do leque, nasceu, segundo se pensa, na corte francesa do século XVIII. Foi na França, nas cortes dos reis Luis XIV e Luis XV, que o leque teve seu período áureo. Nesta época tornou-se um complemento indispensável no vestuário das grandes damas.
O leque não exercia, somente, a função de refrescar.
Era portanto, também, fonte de linguagem codificada entre as damas e os cavalheiros. Eis alguns exemplos:
Amo-te - Esconder os olhos com o leque aberto.
Aproxime-se - Andar com o leque, conduzindo-o aberto na mão esquerda.
Quando nos veremos? Leque aberto no colo.
Não me esqueça - Tocar o cabelo com o leque fechado.
Adeus - Abrir e fechar o leque.
Sim - Apoiar o leque no lado direito do rosto.
Não - Apoiar o leque no lado esquerdo do rosto.

O leque é simultaneamente um instrumento utilitário e um adereço. Com a popularização da eletricidade, surgiram os ventiladores, que acabaram por substituir os leques na função de nos refrescar. A era dos leques enquanto utilitários chega ao fim nos anos 30. Mas, mesmo nos dias de hoje, em alguns países – e em ocasiões especiais – continua a ser um acessório indispensável e é visto como sinónimo de elegância.
Este post pretendeu mostrar a aura de sedução e mistério que envolvia e envolve este acessório e homenagear as mulheres. Não podemos deixar de salientar os códigos, os truques e a linguagem gestual que estava associada ao leque e que elas usavam, como autênticos biombos do olhar.

quinta-feira, julho 01, 2010

Auto-retrato

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
Natália Correia

quarta-feira, junho 30, 2010

O Reservatório da Patriarcal

O Reservatório da Patriarcal é mais um dos núcleos do Museu da Água em Lisboa. Foi projectado, em 1856, pelo engenheiro francês Mary e construído entre 1860 e 1864. Foi em tempos passados o reservatório mais importante na rede de distribuição de água, da baixa lisboeta. Situado debaixo do Jardim do Príncipe Real, tinha capacidade para 880 m3 de água e era uma enorme cisterna em alvenaria, com planta octogonal. Possuia 31 pilares de 9, 25 metros de altura rematados por abóbadas e era abastecido pelo Aqueduto das Águas Livres. Do reservatório da Patriarcal saíam três galerias: uma que entroncava na Galeria do Loreto; outra em direcção à Rua da Alegria, onde se ligava ao sistema do Alviela (desde 1883) e por fim outra galeria em direcção à Rua de São Marçal que abastecia a parte ocidental da cidade. No exterior o reservatório tem um lago com repuxo. Este reservatório funcionou até aos anos 40, do século XX. Em 1994 o reservatório foi recuperado e adaptado para espaço cultural pelo arquitecto Varandas Monteiro.
Hoje em dia é palco de várias iniciativas culturais, nomeadamente espectáculos, exposições de fotografia e escultura. O projecto de recuperação do Reservatório da Patriarcal foi distinguido com o Prémio Eugénio dos Santos.
Veja agora mais um episódio de Lisboa Debaixo de Terra que mostra e fala de mais este espaço de cultura em Lisboa.


terça-feira, junho 29, 2010

S.Pedro

Hoje dia de S. Pedro encerra-se o ciclo das festas dos santos populares.
O momento mais importante da festa deste santo popular ocorre na noite de 28 para 29 de Junho. Nesta noite canta-se, dança-se e comem-se sardinhas assadas à volta das fogueiras, num ambiente de folguedos e alegria que se prolonga pela noite dentro. Os principais protagonistas destes festejos são os vários bairros populares das cidades portuguesas ou as localidades que têm S. Pedro como santo padroeiro. Aí se organizam os tronos, os bailes e as actuações das rusgas.
Contudo, esta é talvez a devoção festiva menos celebrada.
Pedro (século I a.C., Betsaida, Galiléia — cerca de 67 d.C., Roma) foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, de acordo com o Novo Testamento. Antes de se tornar apóstolo era conhecido como Simão e era pescador. São Pedro foi o primeiro Bispo de Roma, sendo por isso o primeiro Papa da Igreja Católica. Segundo a Bíblia, Cristo mudou o nome de Simão para Pedro, que em aramaico significa "pedra"ou "rocha".
A sua vida continua a ser objecto de investigação e o túmulo deste santo está localizado na Basílica de São Pedro no Vaticano. A descoberta do mesmo é recente (em 1950), após anos de meticulosa investigação.

Rusga, trono e fogueira
Só assim é tradição
Só assim é que há S. Pedro
É esta a nossa razão.

segunda-feira, junho 28, 2010

Campeões





Este vídeo é espantoso. Mostra os vencedores da medalha de ouro de ginástica rítmica (categoria de homens), de 2009, da Universidade Japonesa de Aomori.
Observe a sincronia dos participantes e pense na disciplina e nas horas de trabalho que esta apresentação sem falhas requer.


domingo, junho 27, 2010

O que significará tudo isto?

Sabia que:

  • Se o MySpace fosse um país ocuparia o 11º lugar?

  • Estamos a preparar estudantes para profissões que ainda não existem?

  • A quantidade de informação gerada num ano é maior do que a acumulada nos últimos 5000 anos?

  • Vivemos na chamada era da Sociedade da Informação que encontra as suas raízes nas inovações impostas pelas novas tecnologias. Esta é uma era de incertezas, de interrogações, de novas oportunidades mas também de novas ameaças. Proponho-lhe que assista ao vídeo que foi enviado aos executivos da IBM, como mensagem de fim de ano. Dá-nos informações espantosas, levanta dúvidas e suscita reflexões importantes. Não perca!

sábado, junho 26, 2010

O Relógio

Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac…
Vinícius de Moraes

sexta-feira, junho 25, 2010

Se um elefante...

Um elefante fugiu do circo quando estava a ser carregado para um camião e passeou-se, durante mais de uma hora, calma e tranquilamente, pelas ruas de Zurique.
Sabu (de 26 anos), uma paquiderme de três toneladas, queria passar um Domingo diferente. Primeiro, passeou-se pelas principais avenidas do centro da cidade depois, resolveu também dar um breve e refrescante mergulho no Lago Zurique.
Acabou por ser capturada quando se encontrava perto de uma entrada da auto-estrada.
A rotina de Zurique alterou-se e a visão de um elefante de 3 toneladas à solta, provocou arrepios a alguns Suíços. Ora veja!

quinta-feira, junho 24, 2010

Um Novo Talento

Depois de Paul Potts e Susan Boyle, chegou a vez no Britain's Got Talent, da espantosa avózinha Janey Cutler, de 81 anos.
Esta escocesa é uma das finalistas deste programa e deixou os jurados de queixo caído!
Foi descoberta durante a passagem do programa por Glasgow. Janey começou a cantar aos seis anos, mas parou durante mais de quatro décadas. Nos últimos 30 anos, tem-se apresentado, regularmente, em pubs locais e pequenos eventos.
Veja-a, aqui em Maio, na sua versão de “Je Ne Regrette Rien”, de Edith Piaf.

quarta-feira, junho 23, 2010

E se fosse um copo de café?





A propósito do derrame de petróleo no Golfo do México, o que aconteceria se os empregados da BP entornassem um copo de café??? Dá que pensar este vídeo.
Uma paródia genial.
Não perca!

terça-feira, junho 22, 2010

Águas de Março

Elis Regina foi uma cantora brasileira. De morte trágica e prematura, deixou vasta e brilhante obra na música popular brasileira. Foi apelidada por Vinícius de Moraes com o nome de Pimentinha.
É considerada por boa parcela de músicos e público como uma das maiores cantoras de todos os tempos da MPB. Assista à interpretação de Águas de Março, de Tom Jobim, imortalizada pela genial Elis! Não perca esta canção fabulosa na voz da Pimentinha. Se quiser, pode-a seguir com a letra, que aqui também deixo.

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira

É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira

É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho

É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração


segunda-feira, junho 21, 2010

Ikebana

Ikebana é a arte japonesa de arranjos florais.
Esta arte floral teve a sua origem na Índia onde os arranjos eram destinados a Buda. No entanto, foi a cultura nipônica que a deu a conhecer ao mundo.
Em contraste com a forma decorativa dos arranjos florais que prevalecem nos países ocidentais, o arranjo floral japonês cria uma harmonia de construção linear, ritmo e cor. Os ocidentais tendem a pôr ênfase na quantidade e colorido das flores, dedicando a maior parte da sua atenção à beleza das corolas. Os japoneses pelo seu lado, enfatizam os aspectos lineares do arranjo. A arte foi desenvolvida de modo a incluir o vaso, os caules, as folhas e os ramos para além das flores.
A estrutura de um arranjo floral japonês baseia-se em três pontos principais que simbolizam o céu, a terra e a humanidade, embora outras estruturas sejam adoptadas em função do estilo e da escola seguida.
Repare na beleza e simplicidade de alguns destes arranjos florais através da apresentação que se segue.