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segunda-feira, julho 27, 2026

Timor

Ouça o cantor português, Luis Represas em Timor .

A letra da canção "Timor", celebrizada pelos Trovante e Luís Represas, é da autoria de João Monge. A música foi composta por João Gil. Esta canção gravada pelos Trovante foi dedicada à luta pela independência do povo timorense.

Lavam-se os olhos, nega-se o beijo
Do labirinto escolhe-se o mar
No cais deserto fica o desejo
Da terra quente por conquistar

Nobre soldado que vens senhor
Por sobre as asas do teu dragão
Beijas os corpos no chão queimado
Nunca terás o nosso perdão

Ai Timor
Calam-se as vozes
Dos teus avós
Ai Timor
Se outros calam
Cantemos nós

Salgas de ventres que não tiveste
Ceifando os filhos que não são teus
Nobre soldado nunca sonhaste
Ver uma espada na mão de Deus

Da cruz se faz uma lança em chamas
Que sangra o céu no sol do meio dia
Do meio dos corpos a mesma lama
Leito final onde o amor nascia
Composição: João Monge, João Gil.

segunda-feira, dezembro 22, 2025

Hotel Timor

Com votos de Boas Festas proponho-lhe que leia Hotel Timor, um livro do escritor timorense Luís Cardoso.

Luís Cardoso de Noronha (1958) é um dos mais importantes escritores timorenses. Estudou na ilha de Ataúro e nos colégios missionários de Soibada e de Fuiloro, no seminário dos jesuítas e no Liceu Dr. Francisco Machado, em Díli. Mais tarde, em Portugal, licenciou-se em Silvicultura no Instituto Superior de Agronomia de Lisboa e realizou uma Pós-Graduação em Direito e Política do Ambiente, na Universidade Lusófona. Desempenhou as funções de Representante do Conselho Nacional da Resistência Maubere, em Portugal. É autor dos romances: Crónica de Uma Travessia (1997); Olhos de Coruja Olhos de Gato Bravo (2002); A Última Morte do Coronel Santiago (2003); Réquiem para o Navegador Solitário (2007); O Ano em que Pigafetta completou a circum-navegação (2013); Para onde vão os gatos quando morrem? (2017); e o Plantador de Abóboras (2020), romance galardoado com o Prémio Oceanos 2021.

Sinopse:
No coração de Díli, debruçado sobre um mar que guarda mais silêncios do que ondas, ergue-se o Hotel Timor. O edifício é mais do que um lugar de passagem: é testemunha de uma história que resiste ao tempo. Entre Lisboa e Timor, entre a partida e o regresso impossível, este romance habita a fronteira do exílio. As personagens movem-se como viajantes perdidos, estrangeiros na sua própria terra, seres que procuram redenção na lembrança e tropeçam na ferida ainda aberta da História. Amores interrompidos, destinos fragmentados, cartas nunca enviadas, vozes que regressam na madrugada: tudo converge na atmosfera rarefeita do hotel, metáfora de um país e de uma identidade suspensa entre a ruína e a esperança. Com uma escrita densa, melódica e por vezes cruel, o autor ergue uma narrativa que é ao mesmo tempo íntima e coletiva. Hotel Timor fala da dor e da resistência, do esquecimento e da memória, do peso das ausências e da obstinação em continuar a viver, mesmo quando tudo em redor ameaça desaparecer. Ler este livro é entrar num espaço onde a literatura se torna morada de sombras, mas também de claridade inesperada — um lugar onde a palavra resiste, como último refúgio contra a perda.

sábado, março 05, 2022

O Tétum

O tétum é a língua nacional e co-oficial de Timor-Leste. É uma língua austronésia - como a maioria das línguas autóctones da ilha - com muitas palavras derivadas do português e do malaio.

O primeiro tétum, o tétum-térique, já era uma língua franca antes da chegada dos portugueses, aparentemente em consequência da conquista da parte oriental da ilha pelo império dos Belos e da necessidade de um instrumento de comunicação comum para as trocas comerciais.

Com a chegada dos portugueses à ilha, o tétum apodera-se de vocábulos portugueses e malaios e integra-os no seu léxico, tornando-se uma língua crioula e simplificada - nasce o tétum-praça (Tetun-Prasa).

Se bem que o português fosse a língua oficial do então Timor Português, o tétum-praça serviu como língua franca, derivando grande parte do seu vocabulário do português. 

Quando a Indonésia invadiu e ocupou Timor-Leste em 1975, declarando-o a vigésima sétima Província da República, o uso do português foi proibido. Mas a Igreja Católica, em vez de adotar a língua indonésia (bahasa) como língua litúrgica, adotou o tétum, tornando-o num pilar da identidade cultural e nacional.

Atualmente, o tétum é a língua com maior expressão em Timor-Leste. Apesar de o tétum-praça possuir variações regionais e sociais, hoje o seu uso é alargado porque é compreendido por quase toda a população timorense. É este tétum-praça que foi adotado como "língua oficial" com a designação de Tétum Oficial.

Luís Costa é um conhecido linguista timorense que se tem dedicado à investigação do Tétun e já publicou algumas obras importantes a respeito desta língua oficial de Timor-Leste, como o Guia de Conversação Português-Tétum, de 2002, e o Dicionário Tétum-Português.

Ao falar da importância da sua Gramática, Luís Costa cita a função que ela terá para o ensino tanto do português, quanto do Tétun, e como será uma ferramenta útil no processo de ensino e aprendizagem (para professores e alunos) das duas línguas nas escolas de Timor-Leste, já que a obra, além de ser elaborada por um cidadão leste-timorense, foi feita por um autor lusófono pensando num público-alvo específico.

quarta-feira, fevereiro 12, 2020

Poema Ancestral

Lembra os dias antigos
Em que cantavas a pureza
Na nudez dos teus passos e gestos
Ou dançavas na inocente vaidade
Ao som dos «babadok».
Relembra as trevas da tua inquietação
E o silêncio das tuas expectativas,
As chuvas, as memórias heróicas,
Os milagres telúricos,
Os fantasmas e os temores.
Tenta lembrar a herança milenar dos teus avós
Traduzida em sabedoria
E verdade de todos.
Recorda a festa das colheitas,
A harmonia dos teus Ritos,
A lição antiga da liberdade,
Filha da natureza.
Recorda a tua fé guerreira,
A lealdade,
E a ternura do teu lar sem limites,
Nos caminhos do inesperado
Ou no improviso da partilha definitiva.
Lembra pela última vez
Que a história da tua ancestralidade
É a história da tua Terra Mãe…
Crisódio T. Araújo

domingo, agosto 05, 2012

Os Jogos Olímpicos e Timor

Timor-Leste vai estar representado nos Jogos Olímpicos de 2012 por dois maratonistas, Augusto Ramos e Juventina Napoleão, para quem a presença em Londres já é uma vitória e terminar a prova será uma medalha. Sem mínimos para obter qualificação, os dois timorenses beneficiaram de "wild cards" para estarem na capital britânica, a forma que o Comité Olímpico Internacional (COI) utiliza para dar oportunidade aos países menos desenvolvidos e assegurar a universalidade dos Jogos. A responsabilidade de Augusto Ramos, de 25 anos, e Juventina Napoleão, de 23, é representar bem o país na quarta presença de Timor em Jogos Olímpicos e, para ajudá-los nessa tarefa, contam com o apoio de um português, Nelson Silva, responsável pela preparação de ambos os atletas. Nelson Silva, destacado para Timor-Leste como militar da GNR, criou raízes por lá e foi convidado a ficar pelo presidente timorense, Ramos Horta, responsabilizando-se pela criação de uma equipa de BTT e outra de atletismo e pela formação de treinadores. A maratona feminina realiza-se a 5 de agosto e a masculina a 12, no dia de encerramento dos Jogos Olímpicos.